sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Chance de proposta funcionar é de apenas 25%; corte tem de ser maior

O objetivo proposto pelo G-8 para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas - redução média de 50% para todos os países nas emissões de gases-estufa - está defasado. A intenção é tentar conter em até 2°C o aumento da temperatura do planeta em relação à era pré-industrial. Os dados mais novos, debatidos neste ano, mostram que o esforço tem de ser maior. A chance de se limitar a 2°C com o corte proposto é de 25%. É preciso reduzir ainda mais a quantidade de carbono lançada. "Se quisermos ter certeza de que vamos ter aquecimento de 2°C, o corte tem de ser de 80%", explica o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Como a Terra já esquentou 0,8°C, a faixa de atuação é pequena. Para o especialista Luiz Gylvan Meira Filho, estabilizar a concentração de gases-estufa - e, portanto, a temperatura - exigiria um corte nas emissões de pelo menos 60% em relação aos índices de 1990. "Os países industrializados respondem por três quartos das emissões, então teriam um corte maior." Os gases-estufa são liberados pelas atividades humanas. A principal contribuição é do setor de energia, com a queima de combustíveis fósseis - carvão e petróleo, por exemplo -, que gera 6,4 bilhões de toneladas de carbono por ano. Nobre afirma que o custo calculado para evitar que as economias emergentes sigam o mesmo caminho das industrializadas é de US$ 130 bilhões a US$ 300 bilhões por ano, por 20 anos, pago pelos ricos aos pobres. O documento do G-8 não trouxe esse cálculo - o único valor que aparece são US$ 250 bilhões em créditos para fomentar exportações. "Os países do G-8 não definem valores a serem investidos em adaptação, transferência de tecnologia e no combate ao desmatamento nos países em desenvolvimento", diz o Greenpeace Brasil em nota.

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