Universalizar a distribuição da água sempre foi objetivo das companhias de saneamento. Muitos avanços foram feitos, grandes metrópoles no Brasil contam com suprimento de água para quase toda a população. No entanto, o setor de saneamento depara-se de forma crescente com o desafio de reduzir perdas no sistema. A perda física de água ao longo da cadeia de captação, tratamento e distribuição soma-se à perda comercial, causada por problemas de medição e fraude, gerando números preocupantes. As estimativas são de que pelo menos 45% da água distribuída no Brasil seja perdida pelo caminho.
Essa nova estimativa foi feita pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas dos Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon). Mas seu presidente, Yves Besse, afirma que a avaliação é conservadora, pois os dados são escassos. “Acho que na realidade o número é maior. As empresas simplesmente não medem suas perdas”, diz .
O engenheiro Nilson Taira, do Instituto Pesquisa Tecnológica (IPT), explica que a dificuldade em medir as perdas se deve à própria infraestrutura de produção das empresas. As instalações são velhas e não apropriadas para medição. “No século passado, por exemplo, não havia necessidade de se fazer medição. O desafio do século XXI vai ser fazer a água ser distribuída com eficiência.”
Besse observa que as perdas se tornaram um dos melhores indicadores de eficiência de uma empresa de saneamento, onde envolvem diferentes áreas. A capacidade operacional precisa estar presente não apenas na produção e distribuição de água, mas também na área comercial. O presidente da Abcon avalia que hoje, no Brasil, as perdas dividem-se igualmente entre físicas e comerciais. O problema é que quanto menos se mede a cobrança mais se incentiva o uso abusivo do recurso hídrico .”Mais ineficiente na gestão comercial, mais desperdício.”
A Sabesp, a maior companhia de saneamento do país, orgulha-se de sua batalha contra as perdas. De 2006 a 2009 reduziu suas perdas de 32% a 26% De acordo com informações da assessoria de imprensa, o volume recuperado seria o suficiente para abastecer uma cidade de 586,6 mil habitantes. Em 2010, a meta é chegar a 24%. E em 2013 a 19%. Um planejamento de dez anos foi criado. Batizado de Eficaz, o programa vai investir, até 2019 um total de R$ 3,3 bilhões (R$ 2,3 bilhões para redução das perdas reais, R$ 900 milhões para redução das perdas aparentes e R$ 100 milhões para gestão).
A taxa ideal ainda parece ser um assunto aberto. O número de referência citado por muitos é de um estudo do Banco Mundial que recomenda no máximo 25%. Nilson Taira lembra, entretanto, que as melhores empresas de saneamento são consideradas aquelas que já atingiram uma taxa de perdas de 10%. No IPT, o pesquisador trabalha em diversas “frentes” para atacar o problema . Segundo ele há um trabalho de desenvolver metodologias e capacitar as empresas em usá-las. Paralelamente, o instituto desenvolve tecnologias apropriadas para as instalações brasileiras. “Não é fácil, não existe milagre, o medidor feito em outro país pode não funcionar em condições locais”, ele explica.
A tecnologia por trás da redução de perdas é um campo em crescimento. Só neste ano acontecem os dois maiores eventos já realizados sobre o tema. Na semana que vem ocorre o Global Leakage, em Londres, e em junho, em São Paulo, o World Loss. Em ambos, os principais especialistas da área vão se reunir e apresentar trabalhos técnicos e conhecer novos produtos para o setor. Grandes empresas como a ABB estão entre as principais patrocinadoras. “Há vinte anos, a medição de perdas era baseada muito mais em estimativas do que um processo científico”, observa o britânico Malcolm Farley, um dos organizadores de ambos os eventos.
Segundo ele, um dos fatores que impulsionou a mudança foi a pressão exercida sobre as empresas pela regulação de saneamento no Reino Unido. As companhias, diz, estão investindo pesado nos últimos 15 anos e conseguiriam atingir taxas entre a 15% a 25%. São bons números, afirma Farley, mas se comparados com países como Singapura, Holanda e Japão, onde a perda fica na casa 10%, percebe-se que ainda pode ser melhor.
A questão no Brasil também pode ser resolvida por regulação. Nilson Taira, do IPT, faz um paralelo com a indústria de gás e petróleo, que também enfrenta uma batalha constante para reduzir perdas, e onde houve uma regulação forte pela Agência Nacional do Petróleo que está mudando o cenário. No setor de saneamento, por outro lado, a regulação ainda caminha lentamente seja através de agências regionais, como a de saneamento no estado de São Paulo, ou mesmo os comitês de Bacia.
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Reduzir perdas de água será desafio do século 21
Universalizar a distribuição da água sempre foi objetivo das companhias de saneamento. Muitos avanços foram feitos, grandes metrópoles no Brasil contam com suprimento de água para quase toda a população. No entanto, o setor de saneamento depara-se de forma crescente com o desafio de reduzir perdas no sistema. A perda física de água ao longo da cadeia de captação, tratamento e distribuição soma-se à perda comercial, causada por problemas de medição e fraude, gerando números preocupantes. As estimativas são de que pelo menos 45% da água distribuída no Brasil seja perdida pelo caminho.
Essa nova estimativa foi feita pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas dos Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon). Mas seu presidente, Yves Besse, afirma que a avaliação é conservadora, pois os dados são escassos. “Acho que na realidade o número é maior. As empresas simplesmente não medem suas perdas”, diz .
O engenheiro Nilson Taira, do Instituto Pesquisa Tecnológica (IPT), explica que a dificuldade em medir as perdas se deve à própria infraestrutura de produção das empresas. As instalações são velhas e não apropriadas para medição. “No século passado, por exemplo, não havia necessidade de se fazer medição. O desafio do século XXI vai ser fazer a água ser distribuída com eficiência.”
Besse observa que as perdas se tornaram um dos melhores indicadores de eficiência de uma empresa de saneamento, onde envolvem diferentes áreas. A capacidade operacional precisa estar presente não apenas na produção e distribuição de água, mas também na área comercial. O presidente da Abcon avalia que hoje, no Brasil, as perdas dividem-se igualmente entre físicas e comerciais. O problema é que quanto menos se mede a cobrança mais se incentiva o uso abusivo do recurso hídrico .”Mais ineficiente na gestão comercial, mais desperdício.”
A Sabesp, a maior companhia de saneamento do país, orgulha-se de sua batalha contra as perdas. De 2006 a 2009 reduziu suas perdas de 32% a 26% De acordo com informações da assessoria de imprensa, o volume recuperado seria o suficiente para abastecer uma cidade de 586,6 mil habitantes. Em 2010, a meta é chegar a 24%. E em 2013 a 19%. Um planejamento de dez anos foi criado. Batizado de Eficaz, o programa vai investir, até 2019 um total de R$ 3,3 bilhões (R$ 2,3 bilhões para redução das perdas reais, R$ 900 milhões para redução das perdas aparentes e R$ 100 milhões para gestão).
A taxa ideal ainda parece ser um assunto aberto. O número de referência citado por muitos é de um estudo do Banco Mundial que recomenda no máximo 25%. Nilson Taira lembra, entretanto, que as melhores empresas de saneamento são consideradas aquelas que já atingiram uma taxa de perdas de 10%. No IPT, o pesquisador trabalha em diversas “frentes” para atacar o problema . Segundo ele há um trabalho de desenvolver metodologias e capacitar as empresas em usá-las. Paralelamente, o instituto desenvolve tecnologias apropriadas para as instalações brasileiras. “Não é fácil, não existe milagre, o medidor feito em outro país pode não funcionar em condições locais”, ele explica.
A tecnologia por trás da redução de perdas é um campo em crescimento. Só neste ano acontecem os dois maiores eventos já realizados sobre o tema. Na semana que vem ocorre o Global Leakage, em Londres, e em junho, em São Paulo, o World Loss. Em ambos, os principais especialistas da área vão se reunir e apresentar trabalhos técnicos e conhecer novos produtos para o setor. Grandes empresas como a ABB estão entre as principais patrocinadoras. “Há vinte anos, a medição de perdas era baseada muito mais em estimativas do que um processo científico”, observa o britânico Malcolm Farley, um dos organizadores de ambos os eventos.
Segundo ele, um dos fatores que impulsionou a mudança foi a pressão exercida sobre as empresas pela regulação de saneamento no Reino Unido. As companhias, diz, estão investindo pesado nos últimos 15 anos e conseguiriam atingir taxas entre a 15% a 25%. São bons números, afirma Farley, mas se comparados com países como Singapura, Holanda e Japão, onde a perda fica na casa 10%, percebe-se que ainda pode ser melhor.
A questão no Brasil também pode ser resolvida por regulação. Nilson Taira, do IPT, faz um paralelo com a indústria de gás e petróleo, que também enfrenta uma batalha constante para reduzir perdas, e onde houve uma regulação forte pela Agência Nacional do Petróleo que está mudando o cenário. No setor de saneamento, por outro lado, a regulação ainda caminha lentamente seja através de agências regionais, como a de saneamento no estado de São Paulo, ou mesmo os comitês de Bacia.
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