segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A sustentável leveza da bike

A trupe que decidiu ir ao SWU em Itu (SP), com o mais ecológico dos meios de transporte: a bicicleta "Você vai de ciclista ou de pessoa normal?", perguntava há algumas semanas uma amiga biker a outro amigo biker que iria ao SWU Music & Arts Festival. Taí, em um evento cuja palavra de ordem é a sustentabilidade, não seria ecochatismo se perguntar: "Qual o mais sustentável meio de transporte?" A bicicleta. Questão respondida. A opção ideal foi dada pelos membros do Instituto CicloBR, organização não governamental que promove a mobilidade sustentável. "Decidimos ir de bike ao SWU. Além do passeio ser lindo, é bom e barato pedalar até um festival que tem a ver com nossos ideais", comentou André Pasqualini, um dos criadores do CicloBR e "pastor" do rebanho de cerca de 90 ciclistas que pedalaram no sábado até Itu, tendo como "desculpa e motivo" o SWU. Viagem decida, o itinerário: ir de trem da Estação da Luz até Jundiaí. Partir pedalando de Jundiaí a Itu. Total gasto no percurso: cerca de nove horas. O Estado decidiu pedalar com a turma. No sábado, às 7 horas, o grupo de ciclistas estava a postos. Em um festival que espera receber cerca de 50 mil pessoas por dia, era de se prever que algumas centenas de ciclistas se mobilizassem para prestigiar a festa, certo? Errado. Dos 90 que partiram, apenas 15 tinham como destino final a Fazenda Maeda. "Usamos o festival como desculpa, a graça é pedalar. Tem coisa mais linda que ver a paisagem mudando, o Rio Tietê se despoluindo ao longo da estrada, fazer novos amigos no percurso?", indagou um ciclista apaixonado por sua magrela. "Não troco a bike por nenhum outro meio de transporte." Apoio. Por falar em transporte, o CicloBR é parceiro oficial do SWU. Além de ter um stand no setor de ONGs da ‘Vila Maeda’, o instituto foi convidado a organizar uma bicicletada de São Paulo até o local, para mostrar como é possível mover-se até o festival com sustentabilidade, sem passar horas em filas do estacionamentos ou do ônibus - e ainda sem pagar pedágio. "Tudo ia bem até que as autoridades envolvidas decidiram não apoiar o passeio. Apesar de o direito de pedalar por todas as rodovias do Brasil ser garantido por lei, os administradores nem sempre querem nossa presença. Em vez de apoiar, preferem não ajudar e até vetar os passeios que organizamos", explicou Pasqualini em uma das paradas estratégicas para reabastecer. No cardápio, muita banana, barras de cereais, isotônicos. "É importante comer carboidrato um dia antes e durante a pedalada. O motor desta máquina somos nós." Se o apoio oficial faltou, o CicloBR decidiu manter o passeio contando com a colaboração dos participantes e voluntários. "Se tivéssemos apoio das autoridades da Rodovia Castelo Branco, poderíamos, por exemplo, sinalizar a rota para o SWU." Mesmo sem sinalização, os iniciantes aprendiam novas trilhas e entendiam que colaboração é a chave da rota sustentável. A cada cruzamento perigoso, veteranos sinalizavam para que os marinheiros de primeira viagem passassem com segurança. Se o pneu de alguém furava, o comboio parava e, em vez de irritação, bom humor: "Para andar de bike tem que ter moral." A propósito, ainda que o número de ciclovias esteja aumentando no País, bikers ainda lutam para ter ‘mais moral’. "No Brasil, quem não tem carro ainda é ‘alternativo’. Carro é status", observou um ciclista. Há que se admitir que é de fato emocionante, e até apavorante, enxergar-se sob outra perspectiva em plena rota de caminhões, carros, motos. Mas pedalar é sempre boa desculpa para se divertir. Só não foi divertido descobrir que no fim do caminho não havia um bicicletário. Após pedalar o dia todo - por estradas com e sem acostamento, estradas de terra, enfrentar sol, ameaças de chuva e vento -, os 15 bikers ouviram de um segurança: "Não tem estacionamento para bike no SWU. Só para ônibus e carro. Se o Fisher (Eduardo, um dos organizadores) disse que teria, liga para ele e pergunta o que aconteceu." Acontece que o bicicletário não foi providenciado. "É incrível que um festival com um fórum sobre sustentabilidade tenha esquecido que há quem acredite no transporte sustentável e venha de bike", observou um ciclista. Pasqualini telefonou para a equipe de Fisher e ganhou um bicicletário improvisado na frente da entrada principal da Arena Maeda. "Ainda somos minoria, mas a estrada não termina aqui. Hoje, somos uma dezena. Quem sabe na próxima edição sejamos milhares." (OESP)

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