sexta-feira, 1 de julho de 2011

Alternativas para recompor áreas degradadas

Publicações oferecem alternativas econômicas para recompor áreas degradadas
Para o secretário executivo do MMA, Francisco Gaetani, os livros vão ajudar a instrumentalizar as políticas ambientais do País.
Que alternativas econômicas podem ser oferecidas a pequenos produtores rurais para a complementação da renda familiar que também podem contribuir para a restauração de áreas degradadas? Que resultados podem ocorrer quando áreas destinadas à preservação são ocupadas pelo homem de maneira irregular?
Para responder a estes questionamentos e contribuir para a elaboração de políticas públicas ambientais, o MMA, a Agência Alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (GIZ), a ONG The Nature Conservancy (TNC) e o WWF Brasil lançaram em 21/06, em Brasília, as publicações: Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlântica – Lições aprendidas e desafios e Áreas de Preservação Permanente e Unidades de Conservação x Áreas de Risco – O que uma coisa tem a ver com a outra?
Na opinião do secretário executivo do MMA, Francisco Gaetani, os livros vão ajudar a instrumentalizar as políticas ambientais. “Muitas das propostas do MMA precisam de fundamentação e as obras vão dar munição para essas discussões. Os estudos realizados contribuem também para que o ministério avance mais em suas ações, já que queremos aprofundar e qualificar a agenda de preservação e de desenvolvimento sustentável.”
Gaetani ressaltou que o MMA deve ter uma agenda positiva de comando e controle de iniciativas, e acrescentou que, em tempos de debate do Código Florestal, mais pessoas estarão conscientes da importância das ações de preservação.
APPS x Áreas de risco
A publicação Áreas de Preservação Permanente x Áreas de Risco – O que uma coisa tem a ver com a outra? faz uma análise de deslizamentos ocorridos em uma área de 6 mil hectares na região serrana do Rio de Janeiro, que foi afetada pelas chuvas no começo de 2011.
Os técnicos do MMA avaliaram 657 deslizamentos ocorridos e constataram que, em 92% dos casos levantados, os acidentes foram ocasionados pela ocupação indevida do homem. Apenas em 8% dos casos não foi possível identificar a pressão antrópica, e nesses locais as áreas estavam mais preservadas.
De acordo com Wigold Schaffer, coordenador do estudo, as regiões mais afetadas são exatamente aquelas que o Código Florestal determina ser protegidas: margens de rios, encostas com alta declividade, áreas nos topos de morros, montanhas e serras. “A constatação é que as áreas protegidas são as que oferecem riscos quando ocupadas. O estudo demonstra que a intervenção antrópica contribuiu para os resultados que ocasionaram em perdas humanas e patrimoniais”, disse.
Schaffer contou que as áreas de agricultura consolidadas em APPS também foram muito atingidas. Além da perda da lavoura, da safra e do solo, houve ainda a morte de cerca de 40 agricultores que construíram suas casas dentro de APPs.
O livro mostra, ainda, imagens comparativas das áreas avaliadas antes e depois da tragédia, e demonstra que nos trechos onde as APPS foram preservadas não houve perdas significativas econômicas, de infraestrutura e de vidas humanas.
Pagamentos por Serviços Ambientais
A outra publicação lançada ontem, sobre Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), aborda as 78 iniciativas nas áreas de carbono, biodiversidade e água que já estão em curso na Mata Atlântica. Os projetos contribuem, por exemplo, para a restauração de matas ciliares, proteção e conservação da biodiversidade e ações de conservação e manutenção de recursos hídricos. Além disso, são uma alternativa para complementar a renda de produtores rurais da região, evitando atividades econômicas que comprometam o bioma.
Para Ana Cristina Barros, representante da TNC no Brasil, os pagamentos por serviços ambientais apresentam um potencial de recuperação de 15 milhões de hectares da Mata Atlântica. E ainda podem contribuir para a regularização ambiental dos produtores. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...