sábado, 19 de novembro de 2011

‘Guarani precisa de lei específica em SP’

Especialista afirma que área de 26.100 km² deve ser protegida para evitar contaminações
Um levantamento realizado a pedido da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo e publicado neste ano está servindo de base para a discussão de uma nova lei. O objetivo é estabelecer um plano de proteção ambiental para a área de afloramento do Aquífero Guarani em São Paulo. O estudo foi coordenado pelo técnico José Luiz Albuquerque, do IPT, que falou ao Estado:
Por que há necessidade de proteger as áreas de afloramento do Guarani?
Como toda formação do gênero, o Guarani tem áreas de maior e de menor vulnerabilidade. As áreas onde ele aflora são naturalmente mais suscetíveis. A Lei 9.866 versa sobre as Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais. Embora não seja voltada apenas para os superficiais, a aplicação da lei acabou centrada neles, até porque são mais vulneráveis. Surgiu, então, na Coordenadoria Estadual de Recursos Hídricos, a ideia de um trabalho na área de recarga do Guarani, porque ela é muito sensível.
Qual o tamanho dessa área? Em São Paulo, ela tem 15 mil km². Mas estamos propondo uma área de proteção de 26 mil km², porque acrescentamos uma "área de segurança", para garantir a eficiência da proteção. Ela engloba 105 municípios e corresponde a cerca de 10,5% da área do Estado, que é de 247 mil km².
E quais são as principais preocupações em relação a ela?
A urbanização desordenada é uma delas, que pode ter como consequência a produção de esgoto disposto incorretamente, a impermeabilização de áreas de recarga... Também há uma preocupação com as frentes agrícolas. Cerca de 91% das áreas de cultura foram classificadas com potencial elevado de contaminação da água subterrânea. Há muito plantio de cana no norte de São Paulo. É preciso que sejam adotadas boas práticas agrícolas.
Quantos quilômetros correspondem à área naturalmente mais vulnerável do Guarani?
Cerca de 4 mil km² da região de proteção proposta são considerados altamente vulneráveis à contaminação e outros 12 mil km² têm índice médio de vulnerabilidade.
Como transformar em área protegida 10% de um Estado tão densamente ocupado?
Estamos respeitando tudo o que já está regulamentado: as Áreas de Proteção Permanente (APPs, como topos de morro e margens de rios), as áreas de inclinação, que por lei já não podem ser ocupadas. Não se trata de proibir atividades na área a ser protegida. Trata-se de redobrar os cuidados com os locais mais vulneráveis.
A quantas anda a discussão do projeto?
A secretaria está discutindo com os comitês de bacias. Temos uma minuta de lei e estamos colhendo opiniões. (OESP)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...