terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Degelo no Ártico mais do que o previsto

Degelo do permafrost, no Ártico, acelera aquecimento mais do que o previsto
Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono. Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.
Mapa da área de permafrost no Ártico
O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo [Climate change: High risk of permafrost thaw] publicado pela revista “Nature”.
Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.
O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).
Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.
A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.
O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.
Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.
No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.
Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.
Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos
de mudanças do clima. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...