quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que será do Rio Paraguai?

Desmatamento na Bacia do Alto Paraguai, degradação do rio Taquari, trânsito de grandes embarcações e degradação da fauna aquática são alguns dos principais problemas constatados no rio Paraguai, uma das principais hidrovias brasileiras. O curso d'água já carrega o fantasma do assoreamento. O IBAMA/MS conhece a situação e planeja ações específicas para mitigar os problemas.
O assoreamento já foi constatado. As suas principais causas, também. A pergunta que insiste em ecoar é: o que será feito para frear o processo de degradação de uma das principais hidrovias brasileiras?
Em dezembro de 2010 uma equipe do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de Mato Grosso do Sul fez uma expedição ao Pantanal do Nabileque e voltou com as seguintes certezas: o assoreamento do Rio Paraguai é palpável e a navegabilidade já está comprometida; o desmatamento na Bacia do Alto Paraguai (BAP) tem a maior parte da culpa pela situação; grandes embarcações e comboios de rebocadores ajudam a aumentar o problema provocando desbarrancamento de encostas; e a pressão sobre os recursos pesqueiros é uma constante que também preocupa.
Questionado sobre quais as ações que serão tomadas para mitigar os problemas, David Lourenço, o superintendente do IBAMA no MS, começa alertando: “o Ibama não tem condições de desassorear o Rio Paraguai. O que podemos fazer é intensificar a fiscalização, tanto em relação ao desmatamento quanto ao transporte de cargas e atividades industriais na região do curso d’água”, esclarece.
Para ele, uma fiscalização eficiente significa uma medida importante na busca pelo desassoreamento. “Não adianta nada você desassorear o rio Paraguai se você não contiver a emissão de sedimentos pela Bacia do Alto Paraguai, por exemplo”, especifica.
David elencou quatro aspectos que receberão atenção especial do IBAMA durante o ano de 2011. São eles:
- Controle do desmatamento: esta, que o órgão considera sua principal ação na busca por frear o assoreamento do rio Paraguai, continuará contando com o reforço da captação de imagens via satélite. Graças à técnica, o número de infrações contra a flora caiu de 268 em 2008 para 120 em 2010. Através dessa tecnologia, o Ibama consegue identificar, praticamente em tempo real, onde está acontecendo desmatamento.
- Recuperação do rio Taquari: uma ação que precisa ser realizada em paralelo com todas as outras. No final de 2010 houve a inclusão de uma rubrica no Plano Plurianual de investimentos do governo federal para tratar da questão da recuperação do Taquari. Com isso, o tema se torna um programa de trabalho permanente e há a garantia de investimentos anuais para os trabalhos.
- Transporte de cargas, portos e mineração: o trânsito de embarcações provoca turbulência na água e também provoca a derrocação dos barrancos nos trechos de circulação. “O tráfego de embarcações precisa ser adequado à capacidade de sustentação daquela hidrovia”, esclarece David. Além disso, qualquer empreendimento que for instalado nas margens do rio Paraguai terá, por parte do IBAMA, um cuidado mais especial.
- Evitar a degradação da fauna: o IBAMA trabalha junto ao Itamaraty e em cooperação multilateral, com Paraguai e Bolívia, para coibir a pesca predatória. Essas ações são vinculadas às polícias e a fiscalização tende a ser intensificada. (sospantanal)

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