quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Baixa na produção mundial de alimentos

Baixa na produção mundial de alimentos preocupa
“O mundo terá de aumentar a produção de alimentos em 70% até 2040 para atender à demanda”, afirmou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP), durante conferência no Instituto de Estudos Avançados (IEA), realizada em 08/06. Atualmente considera-se o Brasil como o “pilar” da produção agrícola mundial, mas ele “ainda não está preparado para melhorar a redistribuição alimentícia, em consequência das políticas agrárias do país”, comentou Buckeridge.
Segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado na semana passada, a produção agrícola mundial crescerá apenas 1,5% ao ano, na próxima década. Ou seja, mais lentamente em comparação com o crescimento anual de 2,1%, ocorrido entre 2003 e 2012.
Buckeridge acredita que a falta de regiões com estabilidade política, além do Brasil, para o aumento da produção agrícola no planeta, será determinante para esta redução. Para as duas entidades internacionais, OCDE e FAO, a expansão reduzida das terras agrícolas, a alta dos recursos de produção, a crescente escassez de recursos e o aumento das pressões ambientais figuram entre os fatores que determinam este resultado.
A oferta de produtos básicos agrícolas crescerá ao ritmo da demanda mundial, e espera-se que os preços se mantenham em níveis elevados, por um curto período, aponta o relatório. No entanto, especialistas advertem que uma seca generalizada, como a de 2012, unida às baixas reservas de alimentos, poderia aumentar os preços mundiais de 15% à 40%.
Em nota publicada pela agência internacional de notícias AFP, José Graziano da Silva, diretor geral da FAO, afirma que “os preços elevados dos alimentos são um incentivo para aumentar a produção e temos que fazer o possível para garantir que os agricultores pobres se beneficiem deles”.
Após ser destacado como “exemplo no combate ao desperdício de comida” pela FAO, o Brasil cria a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anatur) para reforçar o apoio à agricultura familiar, considerada por especialistas como “a principal fonte de alimentos consumidos pelo brasileiro”.
Segundo a Agência Brasil, a presidente Dilma Rousseff disse que a nova agência dará “braços e pernas” às tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para aumentar a produtividade. “A Anatur é um órgão de difusão de tecnologia, concentrado, sobretudo nos pequenos e médios produtores, porque nós mudamos o patamar. Com a tecnologia, se produz, na mesma área, mais e melhor, diminuindo os custos de produção”, comentou a presidente.
O relatório aponta também que o consumo dos principais produtos agrícolas aumentará mais rapidamente na Europa Oriental e Ásia Central, seguidas da América Latina e outros países asiáticos. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...