sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desmatamento amazônico cresceu 35% em 1 ano

Desmatamento na Amazônia sobe 35% entre agosto e julho.
O acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto do ano passado e julho deste ano voltou a subir pela primeira vez desde 2011 e ficou 34,84% superior à taxa registrada no mesmo período do ano passado.
Os dados, divulgados pela amanhã pelo IBAMA, a partir do monitoramento feito pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ainda não representam o valor oficial de desmatamento da Amazônia – que só é obtido por outro sistema do INPE, o Prodes, divulgado normalmente em novembro –, mas são vistos por ambientalistas como um forte indicativo de tendência de alta.
Se isso se confirmar ao final do ano, será a inversão de uma curva de queda iniciada em 2008 e que culminou, no ano passado, com a menor taxa desde o início do monitoramento.
Segundo o Deter, no período houve uma perda de 2.765,62 km² de floresta, contra 2.050,97 km² entre agosto de 2011 e julho de 2012. O mês mais grave foi maio, quando houve perda de 464,96 km². Após o pico, medidas de comando e controle se intensificaram e em junho o desmate ou a degradação ocorreram em 210,4 km². Em julho subiu para 217,45 km².
Os números se referem a alertas em tempo real do INPE que servem para orientar ações de fiscalização do IBAMA. O sistema vê tanto desmatamentos propriamente ditos – os chamados cortes rasos (somente os superiores a 25 hectares) – quanto a degradação da floresta, como uma forte queimada. Essa degradação não necessariamente vai levar, no futuro, ao desmatamento, apesar de ser esse um caminho bastante possível.
Convergência
E essa tendência de alta observada pelo sistema dialoga com um monitoramento independente feito pelo instituto de pesquisa Imazon, que também observa com satélite o desmatamento da região, mas em uma fração menor que o INPE. Segundo esse levantamento, para o período a perda de floresta dobrou.
“Os dois levantamentos convergem e mostram uma tendência de alta. Só vamos ter certeza em novembro, com o Prodes, mas os números que temos até o momento e os sinais que estamos recebendo do campo – de operações, fiscalizações, autuações, informações de prefeitos, de produtores rurais – são de aumento”, afirma Adalberto Veríssimo, do Imazon.
A opinião do governo é diferente. Luciano Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, órgão responsável pela fiscalização de desmatamento, defende que o ano fechará com uma taxa equilibrada – “talvez um pouco menor ou um pouco maior que no ano passado”.
“O Deter não se presta a medir o desmatamento, mas a gerar alertas para que possamos mandar a fiscalização apurar. É rápido, mas impreciso. Ele enxerga tudo, água, rocha, queimada, como se fosse desmatamento.” Segundo Evaristo, de todos os alertas, foi possível qualificar em campo 66% e, desse total, somente 57% era de fato corte raso. Diz também que, nos picos de maio e de agosto do ano passado, a maior parte dos alertas era de queimada, que não impactariam o Prodes. “É ele que vai dizer com certeza. Mas a nossa percepção é de que teremos um equilíbrio.”
Para Veríssimo, apesar das incertezas do Deter, seus dados estão sendo comparados entre si, e a alta existe. “Espero que o governo tenha razão em dizer que a taxa ficará estável, mas não são os indicativos que temos até o momento.” Além disso, ressalta, uma das principais diferenças do Prodes é ver desmatamentos pequenos, acima de 6 hectares, justamente do tamanho que mais tem ocorrido na Amazônia nos últimos anos. “É por isso que o número total do Prodes é sempre maior que o do Deter (foi da ordem de 4.500 km²). Ou seja, a não ser que neste ano tenhamos uma inversão desse padrão de pequenos desmatamentos, que eles fiquem abaixo da média recente, é que teremos uma queda no final.”
O revés na curva de queda, se confirmado em novembro, se dará um ano depois de o País registrar a taxa de desmatamento mais baixa da história do monitoramento — motivo, aliás, que fez representantes brasileiros serem aplaudidos nas negociações internacionais de mudanças climáticas.
A queda contínua do desmatamento é a principal bandeira ambiental do governo federal e o trunfo para reduzir seus níveis de emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
Isso porque a perda da Amazônia é o setor que mais contribuiu historicamente para as emissões de gases estufa do Brasil. Sua queda vem permitindo que o País chegue bem perto das metas voluntárias que estabeleceu para reduzir suas emissões até 2020.
De agosto de 2011 a julho de 2012 a taxa de desmate caiu 29% em relação ao período anterior, chegando a 4.571 km², a mais baixa taxa da história do monitoramento.
Em geral, a tendência mostrada pelo DETER acaba sendo confirmada pelo Prodes. O único ano em que isso não bateu foi em 2011. O Deter havia mostrado no acumulado de agosto de 2010 a julho de 2011 uma alta de 15%, mas quando saíram os dados consolidados e mais refinados do Prodes, o desmatamento tinha caído 11% em relação ao ano anterior. (OESP)

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