sábado, 19 de outubro de 2013

Reduzir desperdício para combater a fome no mundo

ONU pede combate a desperdício de alimento para reduzir fome no mundo
Com um quarto do que se perde em escala global seria possível alimentar todas as vítimas de fome crônica do planeta; Brasil foi premiado por ações de combate à subnutrição.
Com um quarto do que se perde em escala global seria possível alimentar todas as vítimas de fome crônica do planeta; Brasil foi premiado por ações de combate à subnutrição.
Ao todo, 842 milhões de pessoas sofrem de fome crônica no mundo, segundo a FAO.
São Paulo – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou em 16/10/13, Dia Mundial da Alimentação, que o desperdício ainda é uma das principais razões da fome no mundo. Segundo a entidade, um terço dos alimentos produzidos no mundo por ano é desperdiçado – o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas e mais de US$ 750 bilhões.
Para o responsável pela infraestrutura rural da FAO, Robert van Otterdijk, com um quatro do total desperdiçado seria possível alimentar todas as vítimas de fome crônica no mundo, que equivalem a 842 milhões de pessoas, segundo dados recentes da instituição.
Segundo o especialista, “reduzir à metade esse desperdício, bastaria para aumentar a produção alimentar mundial em 32% e para conseguir dar comida a 9 bilhões de pessoas, a população mundial prevista em 2050”. Peritos da ONU calculam que será necessário aumentar em 60% da produção de alimentos para dar conta das necessidades futuras da humanidade, um patamar insustentável para o planeta.
Para a coordenadora de um relatório da FAO sobre os custos do desperdício alimentar, Mathilde Iweins, “as superfícies agrícolas utilizadas para a produção de alimentos que não serão utilizados equivalem às do Canadá e da Índia, em conjunto”.
As principais razões do desperdício são, nos países industrializados, o excesso de normas e regras, devido a preocupações sanitárias ou estéticas e, nos países em desenvolvimento, as reduzidas capacidades de armazenamento e de acesso ao mercado. O diretor da FAO na Ásia e Pacífico, Hiroyuki Konuma, alertou que a inflação também é uma barreira. “Os altos preços, que são 50% maiores em termos reais comparativamente há dez anos, aumentam a vulnerabilidade dos pobres”, disse.
Segundo a FAO pelo menos 2 bilhões de pessoas são vítimas da subnutrição, no mundo, 60% delas na região Ásia e Pacífico. Em todo o planeta, uma em cada oito pessoas e uma em cada quatro crianças com menos de cinco anos é vítima de má nutrição. Ao todo, 165 milhões de crianças nunca desenvolveram seu potencial intelectual e físico devido à carência de nutrientes.
Em um relatório publicado em junho, a FAO avaliou que o custo da subnutrição e das carências em micronutrientes representa de 2% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, ou seja, entre US$ 1,4 bilhão e US$ 2,1 bilhões. “Conseguir o maior número possível de alimentos de cada gota de água, porção de terreno, partícula de fertilizantes e minuto de trabalho poupa recursos para o futuro e torna os sistemas mais sustentáveis”, lembrou a organização em nota.
Além das pessoas com problemas de subnutrição, outras 1,4 bilhão estão com excesso de peso, incluindo 500 milhões de obesos. A organização destacou a importância de uma dieta equilibrada para combater o aumento da obesidade e garantir a saúde das populações.
Brasil em destaque
Segundo a FAO, os esforços combinados de Estados e agências da ONU permitiram reduzir significativamente o número de pessoas com fome no mundo nos últimos anos. Por conta destas boas práticas, a Organização premiou hoje 38 países, entre eles o Brasil, por terem reduzido a fome antes do prazo de 2015, estabelecido pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que em sua primeira meta previa a diminuição, pela metade, da proporção de pessoas com fome.
O cumprimento da meta pelos países premiados considerou a diferença do número de vítimas da fome crônica entre 1990 e 1992 e entre 2010 e 2012. Além do Brasil, já cumpriram a meta: Armênia, Azerbaijão, Cuba, Djibuti, Geórgia, Gana, Guiana, Kuwait, Quirguistão, Nicarágua, Peru, São Vicente e Granadinas, Samoa, São Tomé e Príncipe, Tailândia, Turcomenistão, Venezuela, Vietnã, Argélia, Angola, Bangladesh, Benin, Camboja, Camarões, Chile, República Dominicana, Fiji, Honduras, Indonésia, Jordânia, Malawi, Maldivas, Níger, Nigéria, Panamá, Togo e Uruguai.
O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano, elogiou as nações que já atingiram a meta e destacou as iniciativas regionais para garantir o acesso à alimentação. “Quero dizer que vocês são a prova viva de que quando as sociedades decidem pôr fim à fome, e quando há o compromisso político dos governos, podemos transformar essa vontade em ações concretas e resultados”, disse, em comunicado oficial da entidade.
Segundo Graziano, os países que já chegaram à meta devem manter os esforços para a completa eliminação do problema. “Somos a primeira geração que pode acabar com a fome, que tem atormentado a humanidade desde o nascimento da civilização. Vamos aproveitar esta oportunidade”, acrescentou.
O prêmio foi entregue em cerimônia na sede da FAO, em Roma, e teve a participação de chefes de Estado, entre eles os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, de Honduras, Porfirio Lobo, e do Panamá, Ricardo Martinelli.
O Dia Mundial da Alimentação marca o 68º aniversário da fundação da FAO, na cidade de Quebec, no Canadá. Para comemorar a data, a organização oferecerá hoje um almoço totalmente feito com produtos que seriam destinados ao lixo. (redebrasilatual)

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