quarta-feira, 9 de julho de 2014

Obras para evitar rodízio de água já somam R$ 160 milhões

Cerca de 65% das despesas contratadas pela Sabesp para socorrer a crise do Cantareira são emergenciais e foram feitas sem licitação.
Na tentativa de evitar o racionamento de água oficial na Grande São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já gastou cerca de R$ 160 milhões com obras para suprir a histórica crise de estiagem do Sistema Cantareira. Cerca de 65% das despesas ocorreram em contratos sem licitação, prática permitida por lei em casos de emergência ou de calamidade pública.
É o caso da construção de diques e da compra de 17 conjuntos de bombas flutuantes para a captação inédita de água do “volume morto” do Cantareira nas Represas Jaguari-Jacareí, em Joanópolis, e Atibainha, em Nazaré Paulista, que custaram cerca de R$ 80 milhões. A operação começou no dia 15 de maio e a previsão é de os 182,5 bilhões de litros adicionais represados abaixo do nível das comportas da Sabesp dure até novembro. Até ontem, a concessionária já havia retirado 43,4 bilhões de litros da reserva profunda, ou 23,7% do total.
Imagem registrada em 06/07/14: já foram retirados 23,7% da reserva profunda.
Uso do "volume morto" mudou paisagem perto do Rio Jaguari.
Outros R$ 80 milhões estão diluídos em uma série de intervenções feitas pela companhia para remanejar água de outros sistemas produtores para regiões da capital abastecidas pelo Cantareira. O socorro começou no início do ano com 1,1 mil litros por segundo revertidos do Sistema Guarapiranga para os bairros Jabaquara, Vila Olímpia, Brooklin e Pinheiros, nas zonas sul e oeste da capital, e outros 2,1 mil litros do Sistema Alto Tietê para Penha, Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Vila Formosa e Carrão, na zona leste.
Para fazer o remanejamento, que tirou inicialmente cerca de 1,6 milhão de pessoas do consumo do Cantareira, a Sabesp teve de instalar novas adutoras, aumentar as vazões de estações elevatórias e de tratamento de água e ampliar as unidades de bombeamento. Segundo a companhia, foram essas obras que resultaram nos “cortes pontuais” de abastecimento que deixaram diversos imóveis sem água nos últimos meses.
Com o agravamento da crise do Cantareira, em maio, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que a reversão de água dos sistemas Rio Grande (500 litros por segundo) e Rio Claro (200 litros por segundo) e mais 1.500 litros adicionais do Alto Tietê e do Guarapiranga a partir deste mês. Dessas obras, o remanejamento de água do Rio Grande para abastecer cerca de 150 mil pessoas custou R$ 26,5 milhões e também foi feito sem licitação. Para 2015, a Sabesp pretende ampliar mais 2.200 litros do Rio Grande e outros 1.500 litros do Guarapiranga. Em nota, a companhia afirma que todos os contratos feitos sem licitação “seguem todos os procedimentos previstos na Lei de Licitações – 8.666/1993”.
Ações Emergenciais
- Cantareira
Construção de diques e compra de bombas para retirar 182,5 bilhões de litros do volume morto.
- Alto Tietê
Ampliação das unidades de bombeamento na zona leste, adequação de estação elevatória e de tratamento de Biritiba-Mirim e Suzano para reverter 2,6 mil litros por segundo em Cantareira.
- Guarapiranga
Instalação de adutora, aumento de vazão e ampliação em estações elevatórias e de tratamento na zona sul da capital para reverter 3,6 mil litros por segundo até fevereiro de 2015.
- Rio Claro
Ampliação de adutora em mais 200 litros por segundo
- Rio Grande
Ampliação da estação de tratamento em 500 litros por segundo em setembro e mais 2.200 litros por segundo em junho de 2015. (OESP)

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