quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Bônus demográfico na América Latina e Caribe: 1950-2100

Uma das consequências da transição demográfica é a mudança da estrutura etária da população. Quanto as taxas vitais (mortalidade e natalidade) eram altas a pirâmide populacional era rejuvenescida, com alta proporção de crianças e baixa proporção de idosos. A queda das taxas de mortalidade e o aumento da esperança de vida tem um efeito de aumentar a proporção de adultos no longo prazo. Porém, a queda da natalidade reduz rapidamente a razão de dependência de crianças, abrindo uma janela de oportunidade.
Em 1965 havia na América Latina e Caribe (ALC) 89 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa, sendo 81 crianças (0 a 14 anos) e 7 adultos (65 anos e +). A razão de dependência veio caindo até atingir 54% em 2010, sendo 44% de crianças e 10% de idosos. Na segunda metade do século XXI a razão de dependência volta a subir em decorrência do envelhecimento da população.
Entre o ano 2000 e 2050 a razão de dependência demográfica vai ficar abaixo de 60%. Neste período, pode-se aproveitar o momento favorável no sentido de facilitar o crescimento econômico, a redução da pobreza e a melhoria da qualidade de vida. O primeiro Bônus Demográfico é um fenômeno temporário e só acontece uma vez na história de cada país, referindo-se à possibilidade de crescimento da renda em função do aumento da razão entre produtores e consumidores na população. Pode ocorreu um segundo bônus se o processo de envelhecimento for devidamente administrado.
O Bônus, em geral, tem um efeito maior sobre a população feminina, pois tendo de dedicar menos tempo às tarefas de reprodução e de cuidado dos filhos, as mulheres passam a ter mais tempo para cuidar de si próprias e de se incorporar à população economicamente ativa (PEA). Adicionalmente, o aumento da esperança de vida eleva o ciclo de vida produtivo da mulher e, combinado ao aumento das taxas de escolaridade, aumenta o capital humano feminino.
Com políticas públicas adequadas, o Bônus Demográfico pode ajudar a melhorar a qualidade de vida da população da América Latina e Caribe. (ecodebate)

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