sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Represa Billings tem 10 vezes mais água que Cantareira

Com dez vezes mais água que Cantareira, a Represa Billings pode ser alternativa em SP
A intensa ocupação no entorno da represa Billings compromete seu uso para abastecimento público e ocorre a despeito da legislação de proteção que vigora desde a década de 70.
Com dez vezes mais água armazenada do que o Sistema Cantareira, a Represa Billings deve ser utilizada para abastecer parte da população que enfrenta a crise hídrica em São Paulo, conforme informou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A solução, no entanto, não resolve o problema emergencialmente, pois só ficará pronta em 2018.
A obra do governo estadual interligará o Rio Pequeno ao Sistema Rio Grande, ambos braços da Billings. Isto permitirá a entrada de 2,2 m3s, atendendo áreas que dependiam do Cantareira, que chegou em 20/01/15 a 5,6% da capacidade.
A Billings tem sido apontada por organizações governamentais como alternativa para o abastecimento da Grande São Paulo. Atualmente, a maior parte do manancial é dedicada à geração de energia elétrica, por meio da Usina Henry Borden, em Cubatão. Com capacidade de armazenamento de 995 milhões m3, a represa está com 57,47%, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Embora tenha capacidade similar (982 milhões m3), o Cantareira registra quedas sucessivas e ameaça secar. Projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) revelam que, caso não chova, isso pode ocorrer no início de junho.
“O projeto de interligação do Rio Pequeno com o Rio Grande é antigo. É muito bem-vindo que ele finalmente venha ocorrer”, declarou Marussia Whatley, coordenadora da Aliança pelas Águas. Formado em 2014, o grupo conta com mais de 20 entidades da sociedade civil e busca soluções para a crise hídrica em São Paulo.
Ela lamenta que medidas como esta estejam sendo adotadas somente no caso extremo. “Não era priorizada, assim como várias outras obras”, disse. A Sabesp informou que, atualmente, capta água da Billings para o Rio Grande e para Taquacetuba, somando 7,69 m3/s, volume que atende aproximadamente 2,3 milhões de pessoas.
Marussia alertou para necessidade de se rever o uso da Billings. Segundo ela, isto daria mais segurança hídrica, além de ajudar a construir um modelo mais sustentável de abastecimento.
“Avançar no uso da Billings como um manancial de abastecimento seria uma solução mais sustentável de cuidado com a água. Vamos recuperar uma represa que já existe, utilizar uma fonte de água ao lado da cidade e não gastar bilhões para construir novas represas em locais distantes e que, não necessariamente, trará os mesmos resultados no tempo que precisamos”, acrescentou.
Como primeira mudança para permitir o uso da Billings para abastecimento, a coordenadora sugere que a água do Rio Pinheiro deixe de ser bombeada para a represa. “[Acabar com o bombeamento] não é coisa simples, porque precisaria estar integrado com a questão da drenagem e das enchentes, mas não é impossível”.
Segundo Marussia, a represa tem características que facilitam sua recuperação, como a grande extensão (106,6 km2) e o formato em curvas.
Para integrantes do grupo Aliança pela Água, a prioridade deve ser a formulação de um plano de contingência articulado entre os governos federal, estadual e municipal e a sociedade.
“Que ele esteja baseado nos diferentes cenários para 2015. Se as chuvas não forem suficientes? Quanto tempo temos de água? O que ocorrerá depois que a água acabar? O que podemos fazer para reduzir o consumo e termos mais tempo de água? Um plano. Esta é a principal reivindicação neste momento”, declarou a coordenadora. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...