domingo, 11 de setembro de 2016

As emissões de carbono e o aquecimento global

Quanto mais cresce a população e a economia, mais crescem as emissões de carbono, agravando o aquecimento global. Em 1960, as emissões de carbono estavam concentradas nos Estados Unidos (EUA), Europa, Rússia, China e Japão. Os EUA eram os grandes emissores. A Alemanha emita seis vezes mais que a Índia. O Japão emitia quase o dobro da Índia e cinco vezes mais do que o Brasil.
De 1960 a 2014 todos os países aumentaram as emissões, mas foram os países do chamado “Sul Global” que mais avançaram na poluição. A China passou a liderar as emissões com larga margem. Os EUA continuam em segundo lugar, mas emissões caem desde 2007. A Índia assumiu o terceiro lugar e ultrapassou a Rússia, a Alemanha e o Japão. A Indonésia ultrapassou o Brasil.
O fato é que os três países mais populosos do mundo e as três maiores economias (em ppp) são as três fontes principais de poluição do Planeta e são os principais responsáveis pelo aumento do efeito estufa e o aquecimento global da Terra. A soma das emissões de China e Índia já é maior do que as emissões dos EUA e União Europeias juntas. As emissões da Alemanha em 2014 são menores do que as de 1960. O Japão já vem diminuindo as emissões desde 1996.
Os países ricos e de economias avançadas foram os que mais poluíram no passado e possuem grande responsabilidade pela situação atual. Mas nos últimos anos as emissões de carbono crescem mais rápido nos países mais populosos do “Sul Global”. Brasil e Indonésia, por exemplo, aumentam suas emissões. Como a população e a economia devem crescer em ritmo mais acelerado nos países em desenvolvimento, o “Sul Global” não pode ficar de fora do esforço de descarbonizar a economia.
Se nada for feito, a temperatura do Planeta pode ultrapassar 5º C até o final do século XXI. Isto seria uma catástrofe, pois poderia elevar o nível dos oceanos em mais de 6 metros, inundando grandes áreas produtivas e grandes áreas urbanas onde morram bilhões de pessoas. A figura acima mostra que, mesmo cortes moderados das emissões, ainda levariam ao aumento da temperatura acima de 3º C. Para ficar dentro dos limites do Acordo de Paris, da COP-21, seria necessária uma rápida descarbonização da economia mundial.
O ano de 2015 foi o mais quente desde o início das medições em 1880. O ano de 2016 será ainda mais quente, sendo que os meses de fevereiro e março de 2016 bateram todos os recordes de temperatura e se aproximaram de 1,5º C em relação ao período pré-industrial. Ou seja, o mundo já está se aproximando da meta limite colocada no Acordo de Paris da COP-21.
Tem crescido os eventos extremos, como as enchentes causadas pelo grande volume de chuvas no Estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, que já deixaram pelo menos 15 mortos e milhares de pessoas em abrigos de emergência nos últimos dias. A Cruz Vermelha americana declarou que o desastre natural é pior a acontecer nos país desde o Furacão Sandy, há 4 anos.
Exemplos como este e outros, mostram que a humanidade precisa reduzir sua pegada ecológica e respeitar as fronteiras planetárias. Só com decrescimento das atividades antrópicas será possível respeitar a capacidade de carga do Planeta. Neste sentido, a ajuda dos países ricos seria fundamental para contribuir na transição demográfica dos países pobres, viabilizando a oferta de métodos de regulação da fecundidade e reduzindo o número de gravidez indesejada. A ajuda também seria fundamental para a mudança da matriz energética e a mudança no modo de produção agrícola, abandonando uma agricultura petroficada para uma produção agrícola mais orgânica.
Por fim, é preciso reduzir os gastos militares, pois as forças armadas do mundo e os conflitos de guerra são parte importante das emissões de gases de efeito estufa. O mundo precisa de paz e de um movimento de desobediência civil contra o consumicídio, assumindo o estilo de vida da simplicidade voluntária. (ecodebate)

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