segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Mudança climática ameaça segurança alimentar da AL e Caribe

Impactos das mudanças climáticas ameaçam segurança alimentar da América Latina e Caribe.
Relatório produzido por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) destacou que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos da agricultura, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.
As alterações climáticas têm implicações graves para a agricultura e a segurança alimentar.
O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).
O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da CELAC realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da CELAC 2025.
Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.
“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da CEPAL.
Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da CELAC e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.
O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.
“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.
Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.
Alguns países da região, assim como a CELAC, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.
O estudo será peça-chave para incluir a gestão da mudança climática no Plano para a Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da CELAC 2025.
Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar
Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.
O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.
Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.
No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.
Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.
Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...