sábado, 3 de dezembro de 2016

Trump, negacionismo e o aquecimento global

A ameaça que emergiu da recente eleição norte-americana pairou sobre a Conferência do Clima (COP22) realizada em Marrakech, encerrada em 18/11/16. Isto ocorreu devido às polêmicas declarações sobre o aquecimento global do presidente eleito Donald Trump, que afirmou que o conceito “foi criado por e para os chineses, para que a indústria manufatureira não seja competitiva” e completou dizendo que “Nova York está congelante, está nevando. Nós precisamos do aquecimento global”.
Durante a campanha eleitoral Trump afirmou que retiraria os Estados Unidos do Acordo de Paris, que já foi ratificado por mais de 100 países e entrou em vigor dia 04/11/16. A ratificação do acordo em prazo recorde constitui um dos maiores avanços da humanidade no combate às mudanças climáticas.
A escolha de integrantes de sua equipe de transição parece confirmar as promessas de campanha e contribui para aumentar a preocupação quanto aos desdobramentos para o acordo climático. Para tratar as questões energéticas e ambientais, Trump indicou o lobista da indústria de combustíveis fósseis, Myron Ebell, reconhecido cético da teoria predominante sobre o aquecimento global.
O senhor Ebell faz parte de um grupo de intelectuais denominado Cooler Heads Coalition (Coalizão de cabeças frias, em tradução literal), financiado pela indústria de petróleo para combater o que qualificam de exageros acerca das mudanças climáticas. Além disso, Ebell é diretor da organização conservadora Competitive Enterprise Institute formada também por céticos em relação ao aquecimento do planeta.


No mesmo momento em que estes fatos decorrentes da eleição norte-americana ocorriam, a COP22, em 08/11/16 divulgou dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) demonstrando que os últimos cinco anos foram os mais quentes dos registrados. Isto implica num aumento do nível do mar devido à inesperada rapidez no derretimento da camada de gelo polar. Atualmente o gelo do oceano ártico dos últimos cinco anos está 28% menor que a média dos 29 anos anteriores. Segundo a OMM as temperaturas se aproximam perigosamente da meta estabelecida na COP21.

São esses dados irrefutáveis e comprovados por várias agências internacionais e mesmo norte-americanas, como a Agencia Espacial (NASA) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que os seguidores de Trump não aceitam e pretendem combater.

Mesmo a hipótese de não retirada imediata dos Estados Unidos da discussão sobre mudanças climáticas pode ser problemática, pois a tendência é que os representantes do futuro governo dos Estados Unidos emperrem a continuidade das pesquisas e do debate, bloqueando as iniciativas que até agora propiciaram avanços importantes e ajudaram a construir uma unanimidade internacional nunca antes observada.

Por outro lado, há um aspecto que pode ser considerado. As posições radicais do grupo liderado por Trump poderão fazer com que aumente a coesão dos demais países, fortalecendo posições contrárias aos céticos do aquecimento global. Esse movimento já começou e fez sua primeira aparição na COP22, que se encerrou em meados de novembro. Houve uma forte e unânime reação dos países contra as ameaças de retrocesso no acordo e repudio às ameaças vindas do presidente eleito.

O documento final da 22ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP22) constitui uma resposta aos céticos. Foi definido um plano de ação para implantar e monitorar o Acordo de Paris até dezembro de 2018, e de forma enfática se reiterou que o “clima global está esquentando em um nível alarmante e sem precedentes e a comunidade internacional tem o dever urgente de responder”. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...