quarta-feira, 19 de abril de 2017

Impacto do aquecimento global no permafrost é maior do que o estimado


Impacto do aquecimento global no permafrost é maior do que anteriormente estimado.


O aquecimento global irá descongelar cerca de 20% mais permafrost do que se pensava, estimam pesquisadores em nova pesquisa, o que, potencialmente, pode liberar quantidades significativas de gases de efeito estufa para a atmosfera da Terra.
Imagem capturada por drone, permafrost na Noruega.
Um novo estudo internacional, incluindo especialistas em mudanças climáticas da Universidade de Leeds, da Universidade de Exeter e do Met Office, revela que o permafrost é mais sensível aos efeitos do aquecimento global do que se pensava anteriormente.
O estudo, na Nature Climate Change, sugere que cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados de solo congelado – uma área maior que a Índia – poderiam ser perdidos por cada grau adicional de aquecimento global experimentado.
Permafrost é solo congelado que tem estado a uma temperatura abaixo de 0ºC por pelo menos dois anos. Grandes quantidades de carbono são armazenadas na matéria orgânica aprisionada nos solos gelados do permafrost. Quando o permafrost descongela a matéria orgânica começa a se decompor, liberando gases de efeito estufa como dióxido de carbono e metano, que aumentam as temperaturas globais.
Estima-se que há mais carbono contido no permafrost congelado do que atualmente está na atmosfera.
O degelo do permafrost tem consequências potencialmente nocivas, não apenas para as emissões de gases com efeito de estufa, mas também para a estabilidade dos edifícios localizados em cidades de alta latitude.
Aproximadamente 35 milhões de pessoas vivem na zona de permafrost e um degelo generalizado pode fazer com que o solo fique instável, colocando as estradas e edifícios em risco de colapso.
Estudos recentes têm mostrado que o Ártico está se aquecendo em torno de duas vezes da taxa média global, com permafrost já começando a descongelar em grandes áreas.
Os pesquisadores, da Suécia e da Noruega, bem como o Reino Unido, sugerem que as enormes perdas de permafrost poderiam ser evitadas se fossem atingidas ambiciosas metas climáticas globais.
A autora principal, Sarah Chadburn, da Universidade de Leeds, disse: “Uma meta de estabilização menor de 1,5ºC economizaria aproximadamente dois milhões de quilômetros quadrados de permafrost. Alcançar os ambiciosos objectivos climáticos do Acordo de Paris poderia limitar a perda de permafrost. Pela primeira vez, calculamos quanto poderia ser salvo. ”
No estudo, os pesquisadores usaram uma nova combinação de modelos climáticos globais e dados observados para fornecer uma estimativa robusta da perda global de permafrost sob a mudança climática.
A equipe olhou para a maneira como o permafrost muda em toda a paisagem, e como isso está relacionado com a temperatura do ar. Eles então consideraram possíveis aumentos na temperatura do ar no futuro e os converteram para um mapa de distribuição de permafrost, usando sua relação de observação. Isso permitiu que eles calculassem a quantidade de permafrost que seria perdida sob as metas de estabilização climática propostas.
O co-autor, Professor Peter Cox da Universidade de Exeter, explicou: “Descobrimos que o padrão atual de permafrost revela a sensibilidade ao aquecimento global”.
O estudo sugere que o permafrost é mais suscetível ao aquecimento global que se pensava anteriormente, já que estabilizar o clima a 2ºC acima dos níveis pré-industriais levaria ao descongelamento de mais de 40% das áreas de permafrost atuais. (ecodebate)


Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...