segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Alterações climáticas e impactos na saúde

Quando se busca avaliar os efeitos das alterações climáticas e seus impactos na saúde humana, percebe-se que essa é uma tarefa complexa que exige uma abordagem interdisciplinar. A participação de profissionais da saúde, cientistas sociais, biólogos, físicos e epidemiologistas neste debate, torna possível a compreensão das relações entre os sistemas biológicos, ecológicos e socioeconômicos com as alterações climáticas.
De modo geral, a população humana exposta a essas alterações apresenta efeitos em sua saúde. Tais efeitos podem ser facilmente observados nas alterações de incidência de diversas doenças, como as transmitidas por vetores. Entre elas está a dengue, com maior número de casos no verão, sobretudo em locais de maior umidade, o que favorece o desenvolvimento do vetor.

No entanto, as doenças respiratórias costumam ter sua incidência mais fortemente influenciada pela qualidade do ar, como ocorre em áreas urbanas, nas quais a exposição a poluentes atmosféricos sofre grande interferências das alterações climáticas. Há uma relação já bem estabelecida entre o aumento das hospitalizações e dos atendimentos de emergência em situações que determinam elevação da concentração de poluentes na atmosfera. De tal forma que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 50% das doenças respiratórias crônicas e 60% das agudas têm associação com a exposição a tais poluentes. Essa condição pode ser observada sobretudo em grupos mais vulneráveis, como crianças com idade inferior a cinco anos e idosos, nos casos de doenças como asma, alergias, infecções bronco-pulmonares e infecções das vias aéreas superiores.
Variações na temperatura, na umidade e no regime de chuvas podem alterar as condições de exposição aos poluentes atmosféricos e, com isso, mudar a incidência de doenças do aparelho respiratório.
A dispersão de poluentes costuma ser prejudicada em dias com baixa umidade. A maior umidade relativa do ar gera um fenômeno chamado higroscopia, cujo principal efeito sobre os poluentes atmosféricos é a remoção de material particulado e gases solúveis, os quais se incorporam às gotículas de água e sofrem deposição úmida e carreamento para o solo. Portanto, a baixa umidade relativa está entre as condições atmosféricas com importância para a saúde humana, pois além de prejudicar a dispersão de poluentes, também favorece o desenvolvimento dos vírus Influenza. Há estudos que permitiram associar um maior número de internações de crianças com idade inferior a cinco anos, por infecções das vias aéreas, no período seco (de maio a outubro).
Infelizmente, nos dias de hoje, as infecções respiratórias agudas ainda são a principal causa de morbidade em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, com cerca de dois milhões de mortes por ano (AZEVEDO et al., 2015). Verifica-se, portanto, que a qualidade do ar no inverno mostra piora e, segundo alguns autores, isso está relacionado a condições desfavoráveis de dispersão dos poluentes e às alterações do clima, o que preocupa especialistas e ambientalistas no cenário atual de seca no Brasil. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...