quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

26% das jovens fora da escola alegam cuidar da casa, crianças ou idosos

Das jovens fora da escola, em 2016, 26% alegam cuidar da casa, de crianças ou idosos.
IBGE
Uma em cada quatro mulheres jovens de 14 a 29 que não estudavam, em 2016, alegaram como motivo a necessidade de realizar afazeres domésticos e cuidar de crianças ou idosos. O percentual de mulheres nessa faixa que mencionaram essa razão (26,1%) era 30 vezes superior ao dos homens (0,8%). Foi o que revelou o módulo de Educação da Pnad Contínua, divulgado ontem pelo IBGE, que traz um retrato atualizado do setor no país.
Segundo a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Marina Aguas, a Pnad Educação mostra que a necessidade de cuidar de afazeres domésticos ou de crianças – pessoas em geral – é muito mais comum para as mulheres do que para os homens. “É o segundo motivo declarado como principal entre as mulheres. Nas regiões Norte e Nordeste, ele supera o motivo de trabalho. Entre os homens, esse percentual é ínfimo, mostrando realmente que as mulheres ainda dedicam muito de seu tempo aos afazeres domésticos, que é aquele trabalho invisível, e que compete em grande parte a elas”.
A pesquisa mostrou que 24,8 milhões de adolescentes e jovens de 14 a 29 anos de idade, de ambos os sexos, não frequentavam escola, nem cursos de pré-vestibular, técnico de nível médio ou qualificação profissional. Nesse grupo, 41% das pessoas estavam fora da escola porque trabalhavam, estavam procurando trabalho ou conseguiram trabalho que iriam começar em breve. Outros 19,7% disseram que não tinham interesse em estudar e 12,8% tinham que cuidar de afazeres domésticos ou de criança, adolescente, idosos ou pessoa com necessidades especiais.

Além disso, 8,0% declararam já terem concluído o nível de estudo que desejavam e 7,8% disseram que faltava dinheiro para pagar as despesas. Em relação à dificuldade de acesso, 2,6% não frequentavam a escola porque não existia vaga ou escola na localidade ou próxima.
Inversão de papéis.
A pesquisadora alertou para as consequências da interrupção do estudo: “Tanto para a mulher quanto para o homem, deixar de estudar é reduzir o capital humano. A questão é que os homens deixam de estudar para se dedicar ao mercado de trabalho, que é uma fonte de renda para a família. Entre as mulheres, um maior número alega que precisa se dedicar às atividades de cuidados e afazeres domésticos, que é um trabalho não remunerado. Com isso, a remuneração delas tende a ser menor que a dos homens”, conclui a pesquisadora. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...