quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Consórcios de recursos hídricos, rumo a governança na gestão

Consórcios de recursos hídricos, rumo a governança na gestão, parte 2/2 (Final)
MATOS (2013) assinala sobre a caracterização dos consórcios pesquisados, que possuem grande disparidade em relação ao tamanho da bacia hidrográfica.
Questionados sobre quais seriam os fatores que dificultam a consolidação dos consórcios, os responsáveis do consórcio assinalam que a articulação entre os municípios foi o fator que obteve o maior número de indicações.
Em seguida vêm as dificuldades estruturais, como a captação de recursos e apoio técnico, com 19% das indicações, dificuldades internas de planejamento de organização com 15% e dificuldades de implementação de projetos com 11%. As dificuldades de articulação com o governo estadual e com as empresas e sociedade civil, receberam 7% cada, enquanto outras dificuldades receberam 11%.
Outros fatores citados foram a falta de equipe própria, tanto administrativa, quanto técnica, e falta de “continuidade de governança”, ou seja, falta de continuidade dos dirigentes políticos nos cargos e a ausência de meritocracia na ocupação dos mesmos e a prioridade dada para as bacias hidrográficas citadas por outra entidade.
Os dados da pesquisa corroboram a explanação de BARROS (1995), que afirma que a associação das variáveis, legislação, organização, captação de recursos, apoio administrativo, apoio técnico e divulgação são as principais dificuldades estruturais e funcionais dos consórcios.
Com relação aos fatores facilitadores para a consolidação dos consórcios, os representantes públicos também apontaram a cooperação municipal no total de 27% do total, seguido por liderança unificada com 23%, atualização permanente, com 18%; facilidade de acesso a recursos, com 14% e outros, com 18%.
Os outros fatores destacados foram a “atuação forte e divulgação das ações”, e interesse comuns por parte dos membros.
Os representantes, ao serem questionados sobre o que poderia ser feito para melhorar ou apoiar a cooperação intermunicipal, apontaram várias ações.
Dos fatores indicados pelos representantes que contribuem para a cooperação intermunicipal, os que obtiveram o maior número de indicações foram a conscientização e capacitação, com 25% do total cada um.
Visando aumentar a cooperação, os representantes indicaram a necessidade de se desenvolver a conscientização dos gestores ambientais e os gestores públicos, tanto prefeitos, quanto dos funcionários públicos, para com a causa do consórcio e buscar uma participação mais efetiva, bem como fomentar a ideia de trabalhos em conjunto.
Com relação à capacitação os representantes destacam a necessidade de aumentar a capacidade técnica e elaboração de projetos das equipes do consórcios. Sendo destacada também a capacitação dos “prefeitos e funcionários públicos em gestão associada de serviços públicos”, bem como, a importância da gestão das águas na bacia.
O fator “divulgação”, ou seja, a comunicação eficaz obteve 17% das indicações dos representantes. Para os mesmos, deve haver maior divulgação das ações desenvolvidas pelos consórcios, servindo como incentivo.
A necessidade de articulação aparece logo em seguida, com 8% das indicações dos representantes dos consórcios que indicaram a necessidade de articulação entre os municípios, e também, com outras esferas de poder.
O apoio governamental também aparece com 8% das indicações. Para os representantes, é preciso mais apoio do governo, principalmente o federal. É preciso mais empenho, por parte do governo em “estimular a criação de consórcios entre os municípios e demais entes federados, ou seja, divulgar esta possibilidade de maneira ampla aos interessados”.
Aqui também ocorre identidade com as afirmações de BARROS (1995) ao afirmar que o estado possui a função primordial de estimular os consórcios mediante políticas consistentes e duradouras, bem como a função complementar de colaborar com os mesmo financeiramente.
MATOS (2013) assevera que ao abdicar dessas funções, o estado causa alterações significativas na capacidade dos consórcios definirem e programarem seus compromissos prioritários “para com políticas públicas básicas e políticas sociais, não apenas de subtrair sua eficácia virtual, mas principalmente determinando sua falência irremediável (BARROS, 1995 p. 82)”.
Os comitês e consórcios desenvolvem um novo modelo de gestão de políticas públicas a partir da ampliação de oferta de serviços, flexibilização da contratação de pessoal, cooperação técnica e a realização conjunta de obras, serviços e atividades temporárias ou permanentes.
Os consórcios surgem como uma estrutura técnica capaz de demandar mais eficientemente os recursos, bem como possibilitar a ampliação da capacidade política dos municípios.
O fato de se constituírem em unidades territoriais de gestão facilita a articulação intermunicipal, pois os municípios transferem a um órgão de governança somente uma parte de sua autonomia, permitindo a gestão de um recurso que não é exclusivo, mas compartilhado por uma comunidade mais ampla.
É indispensável que os consórcios busquem maior apoio e mobilização por parte da população e principalmente dos representantes públicos, fazendo-os compreender a importância do gerenciamento dos recursos hídricos, tendo em vista os múltiplos usos da água, um recurso imprescindível.
É necessário que se mostre aos atores sociais os tipos de decisões que eles podem tomar e quais instrumentos estão ao seu alcance para contribuir, bem como os benefícios que podem ser obtidos.
Gestão de recursos hídricos.
Torna-se oportuno o aprofundamento de estudos sobre as razões da pouca adesão dos municípios aos consórcios. E não precisa esperar estiagem ou hecatombe hídrica para isso. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...