terça-feira, 11 de agosto de 2020

Alertas de desmatamento amazônico têm novo pico em junho

Alertas de desmatamento na Amazônia têm novo pico em junho/2020.
Os alertas de desmatamento atingiram 1.034 km2 em junho, segundo o Instituto Nacional de Estudos Espaciais. É uma área 11% maior do que a verificada em 2019 e o pior mês de junho da série histórica do sistema de monitoramento Deter-B, iniciado em 2015.
O novo pico de desmatamento vem a público dois meses depois do início da Operação Verde Brasil 2, na qual o Exército foi enviado à Amazônia, em tese, para combater crimes ambientais. E um dia depois de o governo se reunir com investidores estrangeiros para tentar tranquilizá-los sobre a situação ambiental do país.
“Enquanto o Planalto se esforça para tentar enganar o mundo de que preserva a Amazônia, a realidade dos números revela que o governo Bolsonaro está colaborando na destruição da maior floresta tropical do planeta”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Sob Bolsonaro, vivemos o pior momento da agenda ambiental de nosso país”.
A área de alertas de desmatamento em 2020, um mês antes do fim do período de apuração dos dados, já é 10% maior do que em todo o ano de 2019. São 7.566 km2 em 11 meses, contra 6.844 km2 nos 12 meses do período anterior (o desmatamento é medido de agosto de um ano a julho do ano seguinte). Caso os alertas em julho se mantenham na média dos últimos quatro anos, a área total em 2020 será maior que 8.500 km2.
Os alertas não são a taxa oficial de desmatamento; são sempre uma subestimativa da real área desmatada, já que o sistema Deter, criado para orientar a fiscalização, é “míope” e não enxerga derrubadas pequenas. Isso significa que a taxa real de desmatamento tende a ser bem maior — em média, 50% maior, mas essa proporção varia muito de ano a ano — do que o visto nos alertas.
No ano passado, os alertas de 6.844 km2 implicaram uma taxa de desmatamento de 10.129 km2, a maior desde 2008. Caso as motosserras sigam em ritmo intenso em julho, a taxa de desmatamento pode ultrapassar os 12 mil km2. Isso é três vezes mais do que o Brasil se comprometeu a atingir em 2020 na PNMC (Política Nacional de Mudança do Clima), a lei climática nacional.
Em seu comunicado ao governo em 09/07/20, os mais de 30 investidores globais, que detêm ativos de mais de R$ 20 trilhões, disseram ao governo que um dos indicadores que eles avaliariam no comportamento ambiental do Brasil seria o cumprimento da meta de desmatamento da PNMC. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...