sábado, 25 de setembro de 2021

98% dos pinguins-imperadores da Antártida podem desaparecer até 2100

Estudo indica que, se o aquecimento global se mantiver no ritmo atual, a população dessas aves diminuiria lentamente até 2040 e, no fim do século, estaria quase extinta.
As regiões costeiras da Antártica e suas águas geladas circundantes são o lar da maior espécie de pinguins do mundo, os pinguins-imperadores.

As regiões costeiras da Antártida e suas águas geladas circundantes são o lar da maior espécie de pinguins do mundo, os pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri). No entanto, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a crescer no ritmo atual, levando ao aumento da temperatura global e ao encolhimento progressivo do gelo marinho, o local corre o risco de se tornar um dos mais inóspitos para essas aves: sua população diminuiria lentamente até cerca de 2040 e, em 2100, 98% de suas colônias já estariam extintas.

As estimativas alarmantes foram publicadas no periódico científico Global Change Biology em 03/08/21. A investigação, que contou com a participação de uma equipe internacional de ecologistas, cientistas do clima e especialistas em políticas ambientais, é descrita pelos autores como a “melhor evidência científica” obtida até o momento para entender como as mudanças climáticas poderão afetar as populações de pinguins-imperadores, cuja sobrevivência depende intimamente do gelo marinho.

A pesquisa apresenta projeções a respeito de todas as colônias conhecidas dessas aves, considerando cenários distintos e plausíveis de aquecimento global, que vão desde um aumento de 4,3º C em relação aos níveis pré-industriais até 1,5ºC, como estipula o Acordo de Paris até o final do século. A partir de registros inéditos de satélites, a análise também incluiu, pela primeira vez, avaliações sobre os efeitos de eventos climáticos extremos entre os pinguins-imperadores.

Distribuídos quase exclusivamente entre os 66º e os 77º de latitude Sul na região antártica, esses animais vivem em um delicado equilíbrio com o meio ambiente: se houver muito gelo marinho no local, os filhotes correm o risco de se afogar; o excesso de água congelada, por sua vez, torna as viagens para trazer comida do oceano muito mais longas e árduas, o que pode levar os pequenos à morte enquanto esperam pelo retorno dos pais.

Trio de gráficos ilustra o rápido declínio na cobertura do gelo marinho na região da Antárctica e nas populações de pinguins-imperador entre os anos de 2050, 2080 e 2100.

De acordo com o estudo, se o gelo marinho continuar diminuindo conforme as tendências atuais de emissões de gases de efeito estufa, a resiliência, a redundância e a representação (3Rs) dos pinguins-imperadores — aspectos relacionados à persistência das espécies, como demografia, distribuição espacial e diversidade — seriam drasticamente reduzidos até o final do século 21, quando todas as colônias teriam desaparecido. Antes disso, em 2050, a espécie já se encontraria em perigo de extinção em uma parte significativa de sua área de distribuição, independentemente do cenário de emissão.

"Dada a dependência da espécie do gelo marinho para reprodução, muda e alimentação, a ameaça mais importante para os pinguins-imperadores é a mudança climática, que levaria à perda de gelo marinho na Antártida ao longo deste século", avalia Marika Holland, cientista climática do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, nos Estados Unidos, e uma das autoras da investigação. "As tendências no aquecimento e consequentes perdas de gelo marinho até o final do século são claras e unidirecionais em todas as projeções de todos os modelos climáticos", destaca, em comunicado.

Ameaçados de extinção

Para os pesquisadores, os novos dados reforçam a necessidade da inclusão dos pinguins-imperadores na Lei de Espécies Ameaçadas nos Estados Unidos (ESA, na sigla em inglês), uma das peças legislativas tidas como mais evoluídas no que diz respeito à proteção de espécies mundo afora.

Modelo climático projeta declínios significativos no gelo marinho da Antárctica, ao qual o ciclo de vida dos pinguins-imperadores está intimamente ligado.

Embora essas aves não se abriguem no território dos EUA, a equipe acredita que sua listagem poderia garantir que as atividades das agências federais norte-americanas na região, incluindo aquelas que envolvem emissões de gases de efeito estufa, não prejudiquem os pinguins ou seu habitat. “A proteção dos pinguins-imperadores sob a ESA poderia desempenhar um papel influente em fóruns internacionais de gestão da conservação e nas decisões políticas”, acrescenta o documento.

Os autores do estudo reforçam ainda que, devido à alta vulnerabilidade às mudanças climáticas, o pinguim-imperador também deve ser visto como uma “espécie sentinela”, que alerta para os impactos que o aquecimento global desenfreado poderá causar em outras espécies na Antártida.

“A ação mais importante para garantir a viabilidade contínua dos pinguins-imperadores é reduzir rapidamente as emissões de GEE [gases de efeito estufa] para limitar o aquecimento posterior”, sugere a pesquisa. “As decisões de política climática de curto prazo durante esta década que atingirem com sucesso as metas do Acordo de Paris forneceriam um refúgio para o pinguim-imperador, interrompendo o declínio dramático da população global. O futuro dos pinguins-imperadores e de toda a biota da Terra depende, em última análise, das decisões tomadas hoje”, concluem os pesquisadores. (revistagalileu.globo)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...