segunda-feira, 11 de outubro de 2021

82% dos jovens não sabem como governos de seus países lidam com as mudanças climáticas

Pesquisa aponta que 82% dos jovens não sabem como os governos de seus países estão lidando com as mudanças climáticas.
Cenários de temperatura e precipitação, segundo relatório do IPCC.

De forma geral, adolescentes e jovens não se veem incluídos nas discussões públicas sobre as mudanças climáticas.

Estudo conduzido pela ONG Plan International ouviu mais de 1.800 adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, de 37 países, incluindo o Brasil. Organização está convocando governos a melhorar o ensino escolar sobre o tema.

Poderia haver muitas outras Gretas Thunberg no mundo se os governos se dedicassem a educar melhor crianças e adolescentes sobre as mudanças climáticas – que sabem pouco sobre o tema, mas se preocupam muito com ele. É o que leva a crer a pesquisa global on-line Reimagining – educação climática e liderança jovem, conduzida pela ONG Plan International.

A organização humanitária coletou as opiniões e experiências dos jovens a respeito da educação sobre as mudanças climáticas e sua participação nos processos de política climática. Mais de 1.800 adolescentes e jovens de 37 países com idades entre 15 e 24 anos participaram. Destes, 54% tinham de 15 a 18 anos, 72% eram meninas e 384 eram do Brasil.

Quase todos (98%) os entrevistados estão preocupados com a emergência climática. Destes, três quartos (74%) dizem que se sentem muito ou extremamente preocupados. Mas quase metade dos participantes (44%) não sabia o que é o Acordo de Paris e 81% não sabiam sequer onde encontrar informações sobre o tema, o que expõe deficiências significativas na forma como os governos educam os jovens sobre questões ambientais.

Meninas e jovens mulheres são mais propensas a se preocuparem com as mudanças climáticas (99%), em comparação com meninos e jovens homens (95%). Quase nove em cada dez (86%) já tomaram alguma atitude contra as mudanças climáticas por causa de seus medos. A forma de ação mais comum foi multiplicar conhecimentos para colegas ou familiares sobre as questões climáticas (64%), assinar ou compartilhar uma petição (49%) e postar sobre as mudanças climáticas nas redes sociais (45%). Mas pouco menos de um em cada cinco (18%) aderiu a um protesto ou uma greve pelo clima.

De forma geral, adolescentes e jovens não se veem incluídos nas discussões públicas sobre as mudanças climáticas. A maioria (84%) dos participantes afirma que os esforços dos governos de seus países para incluí-los nas políticas de combate à emergência climática são insuficientes.

Na prática, o ensino sobre o tema na escola se concentra nos impactos das mudanças climáticas (90%) e nas ações individuais, como reciclagem, economia de energia e mudança de dieta (73%). Os jovens, porém, acreditam que esses temas muitas vezes não são relevantes para o seu dia a dia. Só 22% deles receberam informações sobre políticas relacionadas ao clima, e apenas 11% foram ensinados a participar dos processos de tomada de decisão a respeito do tema. Com isso, 18% dos jovens classificaram a educação que receberam sobre mudanças climáticas como ruim ou muito ruim.

Meninas e mulheres jovens são mais propensas a dizer que não se sentem confiantes em participar de processos de políticas climáticas (29%), em comparação com meninos e homens jovens (20%).

Para Jessica Cooke, Conselheira de Política e Incidência para Mudanças Climáticas da Plan International, “a crise climática é, sem dúvida, a questão definidora de nosso tempo, e são os jovens que vão suportar o peso de seus impactos e viverão com eles por mais tempo. Como na maioria das emergências, as meninas e jovens mulheres provavelmente sofrerão as consequências mais devastadoras”. Ela reforça que só neste ano, estima-se que as mudanças climáticas impedirão pelo menos quatro milhões de meninas de concluírem seus estudos.

“Os jovens nos disseram claramente que temem por seu futuro e querem participar das discussões sobre as políticas e as decisões que vão defini-lo. Mas eles não se sentem informados ou capacitados o suficiente para fazer isso, o que expõe lacunas significativas sobre como os governos estão ensinando crianças e meninas a respeito da crise ambiental que enfrentamos”, afirma Jessica Cooke.

Antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas deste ano, a COP26, programada para acontecer entre 31 de outubro e 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, a Plan International está convocando os governos do mundo todo a melhorar o ensino escolar sobre as mudanças climáticas, incluindo maior ênfase nas dimensões sociais, políticas e de direitos humanos da crise.

A Plan International entende as mudanças climáticas como uma injustiça social, intergeracional, racial e de gênero. Por isso, apoia crianças e jovens para que se engajem de forma significativa e segura nos processos relacionados às mudanças climáticas para reduzir as barreiras que os impedem de se envolverem e influenciarem a política e a defesa do clima.

Jovens brasileiros

No Brasil, a pesquisa contou com 384 adolescentes e jovens, a segunda maior representatividade entre os países participantes, com 74% de meninas, 22% de meninos e 2% identificados como não-binários. A maioria com idades entre 15 e 16 anos (53%), seguidos de 17 a 18 anos (24%).

Por aqui, a escola é a principal fonte de conhecimento sobre as mudanças climáticas (89%, seguida de sites na internet (71%) e a TV (59%). Ainda na escola, geralmente o conteúdo faz parte das aulas de Geografia (88%) e de disciplinas ligadas a Ciências (74%). Assim como nos outros países, a educação escolar sobre o clima se concentra nos impactos das mudanças (94%) e nas ações individuais de combate (81%), com informações sobre reciclagem, economia de energia, consumo consciente, e ações de mitigação (63%), como o plantio de árvores.

Ilha do Futuro

Em 2020, A Plan International Brasil realizou em São Luís (MA) o projeto Ilha do Futuro, que teve atividades sobre prevenção de desastres, estímulo e promoção de atitudes sustentáveis, preservação do meio ambiente, mitigação dos riscos e danos ambientais. A iniciativa contribuiu para a transformação social de comunidades semiurbanas na capital maranhense.

Por causa da pandemia, as oficinas foram realizadas de forma remota em grupos privados nas redes sociais, com contato on-line com as famílias de crianças e adolescentes do projeto. As dinâmicas incluíram conteúdos informativos e desafios semanais e os temas discutidos continham informações sobre enfrentamento à pandemia, medidas de biossegurança e saúde mental.

No ano passado, uma live no YouTube teve a participação de 48 profissionais de educação, além de parceiros como Greenpeace, Defesa Civil Municipal, Secretaria Municipal de Educação e escolas de atuação do projeto. Ao todo, 781 pessoas participaram de ações de sensibilização e 98 foram alcançadas por atividades de multiplicação. (ecodebate)

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