quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Os países com menor fecundidade possuem maior IDH

A maior parte dos países com elevado IDH já apresentam decrescimento demográfico, tendendo a diminuir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

A transição demográfica (redução das taxas de mortalidade e de fecundidade) é um pré-requisito para o desenvolvimento econômico. Os dois fenômenos são sincrônicos e se auto reforçam no desenrolar do avanço das forças produtivas ao longo do tempo. Países com baixa taxa de fecundidade total (TFT) possuem alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e países com alta TFT possuem baixo IDH.

Isto ocorre porque altas taxas de fecundidade estão relacionadas com elevada proporção de crianças e jovens na população, gerando alta razão de dependência demográfica, baixa taxa de ocupação e baixas taxas de poupança e investimento. Mas a queda das taxas de fecundidade provoca uma mudança da estrutura etária e gera um bônus demográfico que favorece o desenvolvimento econômico. Desta forma, a queda da TFT é um pré-requisito para o aumento do IDH.

O gráfico abaixo mostra a relação entre a taxa de fecundidade e o IDH para 187 países em 2021. Todos os países com IDH acima de 0,500 possuem menos de 3 filhos por mulher e todos os países com mais de 6 filhos por mulher possuem IDH abaixo de 0,500. Nota-se que 71,3% do aumento do IDH está associado com a queda na TFT.

A Coreia do Sul, que era um país pobre e com baixo grau de desenvolvimento em meados do século passado, iniciou um processo de transição demográfica e de desenvolvimento econômico a partir da década de 1960 e chegou em 2021 com a menor TFT do mundo (0,9 filho por mulher) e um IDH acima de 0,900.

Todos os países com IDH acima de 0,900 possuem TFT abaixo de 2 filhos por mulher, a única exceção é Israel (que por razões geopolíticas e religiosas) tem TFT de 2,9 filhos por mulher. Os países com menor IDH (abaixo de 0,400) possuem alta fecundidade, por exemplo, Níger e Chad apresentam mais de 6 filhos por mulher e o Sudão do Sul apresenta TFT de 4,5 filhos por mulher. A República Democrática do Congo apresenta IDH de 0,479 e TFT de 6,2 filhos por mulher.

Quando um país avança com o processo de desenvolvimento das forças produtivas, avança também com o processo de urbanização e passa pela reversão do fluxo intergeracional de riqueza, isto é, aumentam os custos e diminuem os benefícios dos filhos. As famílias passam a investir menos na quantidade e mais na qualidade da prole, ou seja, filhos com mais direitos de saúde, educação, mercado de trabalho, etc.

Desta forma a “cidadania se torna o melhor contraceptivo” (Martine, Alves, Cavenaghi, 2013). Uma população mais urbanizada, mais educada e com mais acesso ao conhecimento se torna mais produtiva e, em geral, produz mais com menos. A menor fecundidade está relacionada com a maior produtividade. E a maior parte dos países com elevado IDH já apresentam decrescimento demográfico, tendendo a diminuir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Neste momento em que a população mundial está alcançando a marca de 8 bilhões de habitantes, em 15 de novembro de 2022, é preciso reconhecer que a dinâmica demográfica importa para o bem-estar humano e ambiental.

A Austrália cresce há 30 anos e tem o 3º IDH, grande contraste com o Brasil.

A transição demográfica é fundamental para o desenvolvimento econômico e também para o desenvolvimento sustentável. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...