quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

A população das capitais brasileiras entre 2010 e 2022

O crescimento das capitais não foi uniforme. Ao contrário, houve 5 capitais com decrescimento populacional entre 2010 e 2022

O IBGE divulgou em 28/12/2022 a prévia da população dos municípios, dos estados e do país com base nos dados coletados pelo Censo Demográfico até 25/12/2022. O levantamento indicou 207.750.291 milhões de habitantes em 2022. Porém, este número não representa o resultado final. A coleta prosseguirá nos meses de janeiro e fevereiro/2023 e alguns números das estimativas municipais enviadas ao Tribunal de Contas da União (TCU), provavelmente, deverão ser revisados. A tabela abaixo mostra a população das capitais brasileira, por regiões, segundo o censo de 2010 e a prévia do censo 2022.
A população brasileira era de 190,8 milhões de habitantes em 2010 e passou para 207,8 milhões segundo a prévia do censo 2022, um crescimento de 8,9% no período. A população das 27 capitais brasileiras era de 42,9 milhões de habitantes em 2010 e passou para 45,8 milhões segunda a prévia do censo 2022, um crescimento de 6,7% ao ano. Como era esperado, o ritmo de crescimento das capitais foi menor do que o ritmo de crescimento da população nacional. A população das 27 capitais representava 22,5% da população total do Brasil e caiu para 22% em 2022.

Mas, evidentemente, o crescimento das capitais não foi uniforme. Ao contrário, houve 5 capitais com decrescimento populacional entre 2010 e 2022: Belém, Natal, Recife, Salvador e Porto Alegre. Evidentemente, estes resultados ainda precisam ser avaliados e, se for o caso, corrigidos na divulgação dos dados definitivos do censo 2022.

A capital com o maior crescimento foi Boa Vista, em Roraima, com crescimento de 43,6% no período, em decorrência da imigração de venezuelanos. Outra capital com grande crescimento foi Florianópolis, com 36,3% de expansão no período. No Nordeste, enquanto Natal e Salvador decresceram, João Pessoa apresentou crescimento de 23% no período.

Para a capital mais meridional do país, a tabela abaixo mostra o número de nascimentos e óbitos da cidade de Porto Alegre, segundo os registros do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), entre agosto/2010 e julho/2022. Nota-se que entre agosto/2010 e julho/2022 nasceram 213,7 mil bebês e morreram 146,9 mil pessoas em Porto Alegre, com crescimento vegetativo de 66,7 mil habitantes. Como a população porto alegrense era de 1.409.351 habitantes em 2010, se acrescentarmos os 66,7 mil habitantes do crescimento vegetativo, teríamos 1.476.098 habitantes em 2022. Mas, evidentemente, a população poderia ser menor caso o saldo migratório fosse negativo.

Como mostrei no artigo “Porto Alegre: três anos seguidos de decrescimento demográfico”, publicado no Portal Ecodebate (Alves, 07/07/2022), a capital gaúcha já está entrando na fase de decrescimento populacional, especialmente depois da pandemia da covid-19. Mas o resultado da prévia do censo 2022 está abaixo do esperado pela análise demográfica.

O gráfico abaixo mostra que a população de Porto Alegre era de 43.998 habitantes na época do primeiro censo demográfico do país, em 1872, passou para 73.674 habitantes em 1900, subiu para 394.151 habitantes em 1950 e terminou o século XX com 1.360.033 habitantes. A população da capital gaúcha cresceu 31 vezes entre 1872 e 2000. A população de Porto Alegre chegou a 1.409.098 habitantes em 2010 e foi estimada em 1.483.771 habitantes em 2019, segundo as estimativas populacionais do IBGE. Contudo, a prévia do censo 2022 registrou “apenas” 1.404.269 habitantes. Qual é o número mais correto?

Até março/2023 o IBGE deve revisar os números divulgados em dezembro passado. Os números das capitais que apresentaram decrescimento na prévia do censo 2022 devem ser melhor analisados para avaliar os dados vitais e os dados da migração. No caso de Porto Alegre o mais provável é que o dado do censo 2022 seja menor do que da estimativa populacional anterior, mas uma população menor do que a indicada no censo 2010 não deixa de ser surpreendente e talvez precise uma avaliação e revisão.

(ecodebate)

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