segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Agricultura emite 46% dos gases de efeito estufa no Brasil

Segundo a pesquisa, o uso da terra foi responsável por 46% das emissões de gases do efeito estufa em 2020, sendo 90% desse total causadas pelo desmatamento. O segundo principal vilão é o setor agropecuário, responsável por 25% das emissões de gases do aquecimento global.
Agricultura, transporte e resíduos foram os três setores que mais emitiram gases de efeito estufa no Brasil em 2022.

É o que aponta um relatório realizado pela KPMG que fornece informações sobre como sete indústrias fundamentais para combater as mudanças climáticas se comportaram com relação ao tema.

A análise foi feita em 24 países, entre eles, o Brasil e realizada com base nas informações do banco de dados de Emissões para Pesquisa Atmosférica Global, da Comissão Europeia (European Commission’s Emissions Database for Global Atmospheric Research – da sigla EDGAR). Além disso, o documento disponibilizou ainda dados críticos para entender e superar os desafios da transição para emissão zero de gás carbono em nível global.

O estudo mostrou também que a maioria dos setores pesquisados registrou um aumento de emissões absolutas de gases de efeito estufa, de 2005 a 2022, sendo que os maiores percentuais foram nos setores de transporte (53%), agricultura (46%) e resíduos (30%). Se for analisado apenas o recorte de energia, excluindo a geração de eletricidade, foi registrada uma redução de 1%.

“A agricultura é responsável por emissões significativas, e uma nova versão do Plano ABC do Brasil para a descarbonização do setor foi publicada pelo governo brasileiro, o que inclui a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, expansão do uso da fixação biológica de nitrogênio para substituir fertilizantes nitrogenados e o reflorestamento de milhões de hectares de terra. Além de reduzir as emissões líquidas e melhorar o meio ambiente do país, o reflorestamento oferece oportunidades comerciais por meio da venda potencial de créditos de carbono”, analisa sócia-líder de ESG da KPMG no Brasil e na América do Sul, Nelmara Arbex.

Agricultura, transporte e resíduos foram os setores que mais emitiram gases de efeito estufa no Brasil, diz pesquisa da KPMG.

Setores

Emissões de GEE em 2022

Emissão absoluta: 2005 a 2022

Intensidade emissão: 2005 a 2022

Agricultura

46%

46%

-26%

Transportes

16%

53%

10%

Resíduos

13%

30%

-7%

Indústria

11%

9%

-6%

Energia

5%

-1%

-46%

Eletricidade

4%

18%

-13%

Edificações

4%

20%

-14%

* Calculado pela KPMG com dados da EDGAR

Quando analisada a mudança na intensidade das emissões, também no período de 2005 a 2022, o setor de transporte foi o único que teve um aumento de 10%.

“Neste caso, foram utilizados os valores relativizados, ou seja, as emissões totais do setor foram divididas por algum fator para tentar desconsiderar variações de outros parâmetros. Por exemplo, a relativização dos setores de transporte e edificações foi feita por número de pessoas (per capita), as categorias economia, indústria e agricultura foi por receita do setor no ano de 2010”, explica o sócio-diretor líder de descarbonização da KPMG no Brasil, Felipe Salgado.

Sobre a pesquisa:

A pesquisa da KPMG “Net Zero Readiness Report 2023” utilizou as informações do banco de dados banco de dados de Emissões para Pesquisa Atmosférica Global, da Comissão Europeia – EDGAR (European Commission’s Emissions Database for Global Atmospheric Research), que se baseiam nas categorias de emissões de gases de efeito estufa do IPCC da Organização das Nações Unidas (ONU): energia excluindo eletricidade (setor de combustíveis); eletricidade; transporte; edifícios (combustão em pequena escala não industrial); indústria (combustão industrial e processos industriais); agricultura (pecuária, solos agrícolas e queima de resíduos de colheita); e resíduos.

Plantação com emprego de tecnologia sustentável.

Brasil prevê reduzir emissão de 1 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa na agricultura até 2030.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou que país reduziu a emissão de CO2 em 46% acima das metas traçadas para o período de 2010 a 2020. (ecodebate)

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