quinta-feira, 21 de março de 2024

Emissões globais de CO2 relacionadas a energia batem novo recorde em 2023

As emissões globais do setor de energia aumentaram em 410 milhões de toneladas, ou 1,1%, em 2023, chegando a 37,4 bilhões de toneladas, segundo a análise da AIE. A expansão global de tecnologias limpas, como a eólica, solar e de veículos elétricos, ajudou a conter o crescimento das emissões, que foi de 1,3% em 2022.
Mesmo com o planeta precisando urgentemente que se reduza a quantidade de gases de efeito estufa jogados na atmosfera para limitar o aquecimento global em 1,5°C sobre os níveis pré-industriais, o setor energético bateu novo recorde de emissões de dióxido de carbono no ano passado. O segmento emitiu 37,4 bilhões de toneladas em 2023, um crescimento de 410 milhões de toneladas – 1,1% – sobre o registrado em 2022. Os dados são do relatório “CO2 Emissions in 2023”, da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em Inglês).

O setor de energia acabou sentindo na pele a “lei do retorno”. Isso porque a geração hidrelétrica global foi prejudicada por secas severas, resultantes da combinação do El Niño com as mudanças climáticas – cujo maior responsável é o próprio segmento energético, com as emissões oriundas da queima dos combustíveis fósseis.

Com menos água, alguns países acionaram mais termelétricas para suprir a demanda, o que fez aumentar em 40% as emissões do setor elétrico mundial e pesar nas emissões de todo o segmento energético. China, Canadá e México recorreram a derivados de petróleo, gás fóssil ou carvão para gerar eletricidade, o que se traduziu num aumento de 170 milhões de toneladas de CO2, destaca O Globo. Além disso, a China continuou a usar energia poluente para manter seu crescimento, após a crise da COVID-19.

As emissões mais altas da Índia e da China ajudaram a compensar negativamente as reduções obtidas na Europa e nos EUA. As duas economias emergentes continuaram fortemente dependentes do carvão para atender à demanda interna, mesmo desenvolvendo fontes mais limpas, explica a Folha.

Apesar do crescimento, a IEA vê os números do ano passado sob a perspectiva do “copo meio cheio”. A agência destaca no documento que a situação teria sido bem pior não fosse a expansão crescente das fontes renováveis de energia e do aumento da participação dos veículos elétricos nos transportes.

Análise mostra que 2023 foi o primeiro ano em que pelo menos metade da produção de eletricidade nos países industrializados veio de fontes de baixas emissões, como a energia renovável e a polêmica energia nuclear, informa o DW. Assim, as emissões relacionadas com a energia caíram 4,1% nos Estados Unidos e 9% na União Europeia, impulsionadas por um aumento na produção de energia renovável.

No geral, as emissões das economias avançadas caíram para o nível mais baixo dos últimos 50 anos, à medida que a procura por carvão caiu para níveis não observados desde o início do século 20.

E mesmo com o aumento das emissões na China, a IEA destaca que o país contribuiu com cerca de 60% das adições globais de energia solar, eólica e veículos elétricos em 2023. (biodieselbr)

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