sábado, 19 de julho de 2025

Acidificação dos oceanos

Mais uma ameaça: a acidificação dos oceanos.
A acidificação dos oceanos refere-se à diminuição do pH da água do mar devido à absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, o que leva a um aumento da acidez. Este processo está a tornar os oceanos mais corrosivos para organismos marinhos, especialmente aqueles que formam conchas e esqueletos, como corais e moluscos.

Explicação Detalhada:

O que é a acidificação dos oceanos?

A acidificação é um processo que ocorre quando a água do mar absorve CO2 da atmosfera, reduzindo o seu pH e tornando-a mais ácida.

O que causa a acidificação?

A principal causa é o aumento das emissões de CO2 na atmosfera devido à atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis.

Como afeta os oceanos e a vida marinha?

A água do mar mais ácida torna-se corrosiva para as conchas e esqueletos de muitos organismos marinhos, incluindo corais, ostras, mariscos e outros, comprometendo o seu crescimento e desenvolvimento.

Quais são as consequências?

A acidificação dos oceanos pode ter impactos significativos nos ecossistemas marinhos, alterando a cadeia alimentar, reduzindo a biodiversidade e afetando a pesca e a economia.

A acidificação dos oceanos está a ocorrer de forma rápida?

Sim, as alterações no pH da água do mar estão a ocorrer mais rapidamente do que o previsto, e a acidificação dos oceanos está a superar limites de alerta, com impacto na estabilidade planetária e na capacidade de resiliência, de acordo com cientistas.

O que se pode fazer para mitigar a acidificação dos oceanos?

A redução das emissões de CO2, através de mudanças nos hábitos de consumo e na produção de energia, pode ajudar a mitigar a acidificação dos oceanos.

Impactos e Consequências:

Redução da capacidade de formação de conchas e esqueletos:

A água mais ácida torna mais difícil para os organismos marinhos formarem e manterem as suas estruturas calcárias.

Alterações na cadeia alimentar:

A acidificação pode afetar o desenvolvimento e o crescimento de organismos marinhos que são a base da cadeia alimentar, como o fito plâncton.

Impacto nos recifes de coral:

Os recifes de coral, que são ecossistemas de grande importância para a biodiversidade marinha, são especialmente vulneráveis à acidificação dos oceanos, com risco de branqueamento e morte.

Impacto na pesca e na economia:

A acidificação pode afetar as espécies de peixes e a qualidade das pescas, com implicações económicas para as comunidades pesqueiras.

Em suma, a acidificação dos oceanos é um problema ambiental global que requer medidas urgentes para reduzir as emissões de CO2 e proteger os ecossistemas marinhos e a vida marinha.

Limite planetário de acidificação dos oceanos. (a) Porcentagem (%) redução entre o estado de saturação de aragonita pré-industrial para o oceano global de superfície e as sete regiões oceânicas, também em comparação com a avaliação planetária de Richardson et al. (2023) (círculo azul e linha azul). Os círculos vermelhos representam o conjunto multimodelo mediano com os erros propagados associados para o desvio padrão multimodelo e as incertezas pré-industriais.

Um estudo publicado recentemente pela revista Global Change Biology descobriu que a acidificação dos oceanos — o processo em que os oceanos absorvem o excesso de dióxido de carbono da atmosfera, tornando-se mais ácidos — ultrapassou um “limite planetário” ou em outras palavras, atingiu-se uma “zona de perigo”.

A acidificação reduz a quantidade de carbonato de cálcio presente na água. Nina Bednaršek, uma das autoras do estudo e pesquisadora Oregon State University, afirmou que esses limites já foram atingidos por todos os oceanos – eles são atingidos quando a quantidade de carbonato de cálcio na água, essencial para que organismos marinhos desenvolvam conchas, cai para menos de 20% dos níveis registrados nos tempos pré-industriais. O novo relatório estima que esse valor está ao redor de 17%.

Outro dos autores do estudo, Steve Widdicombe, do Plymouth Marine Laboratory, afirmou que a acidificação dos oceanos é uma bomba-relógio para os ecossistemas marinhos e economias costeiras, pois à medida em que os mares se tornam mais ácidos, acontece a deterioração de habitats dos quais inúmeras espécies marinhas dependem, o que traz grandes implicações sociais e econômicas.
O estudo descobriu que a acidez dos oceanos é maior nas águas mais profundas. Em torno de 200 metros abaixo da superfície, 60% das águas oceânicas já haviam ultrapassado o limite de 20%, em comparação com cerca de 40% na superfície.

“A maior parte da vida marítima não está na superfície ou próxima dela— as águas mais profundas abrigam muitos outros tipos de plantas e animais”, disse Helen Findlay, oceanógrafa do laboratório de Plymouth e também autora do estudo. “Como essas águas profundas estão mudando tanto, os impactos da acidificação dos oceanos podem ser muito piores do que pensávamos”.

O aumento da acidez dos oceanos já levou à perda de mais de 40% dos habitats dos recifes tropicais e subtropicais.

Nas regiões polares, borboletas-do-mar — um importante componente das cadeias alimentares marinhas — perderam mais de 60% de seu habitat. Espécies costeiras de moluscos perderam 13% das áreas em que conseguem sobreviver.

O estudo foi divulgado enquanto os principais especialistas em políticas oceânicas e pesquisadores marinhos se reuniam na França para a recente Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que tinha como objetivo discutir a crescente crise dos mares, desde a poluição por plásticos até a mineração em águas profundas.

“Vivemos uma época em que estudos como este não estão mais tendo impacto imediato nas políticas, o que é lamentável”, disse Bednaršek. “Mas acho extremamente importante documentar essas mudanças, e espero que isso tenha algum efeito sobre as políticas e os políticos”. (ecodebate)

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