sábado, 11 de abril de 2009

Parceria ajuda a recompor florestas

Agricultores formam a área de reserva legal com a ajuda de empresas interessadas em neutralizar carbono. O empresário Samuel Oliveira financiou plantio de 5 mil árvores nativas. - De um lado, paira sobre a cabeça do produtor rural a espada da lei ambiental, que o obriga a preservar ou recompor com árvores nativas no mínimo 20% de sua propriedade, no caso do Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. De outro lado, há produtores que mal têm o dinheiro para investir nas lavouras anuais, o que se dirá no plantio de árvores. Uma recomposição de floresta com espécies nativas, seguindo à risca toda a legislação, chega a R$ 15 por muda, por dois anos, com 1.667 mudas por hectare. Durante dois anos, que é o tempo que se espera que a muda nativa já possa crescer por conta própria, o produtor gastaria no mínimo R$ 12.500 por hectare/ano. A ONG SOS Mata Atlântica, que também encampa, por meio de parcerias, o plantio de árvores nativas, indica um custo de R$ 12 por muda com 1.700 mudas por hectare, por dois anos, ou seja, R$ 10.200/hectare/ano. CONTRA O AQUECIMENTO A boa notícia é que o produtor rural tem, atualmente, possibilidade de recompor áreas com espécies nativas sem gastar nada. Deve apenas, logicamente, ceder a área, numa parceria fechada com empresas interessadas na neutralização de carbono (CO2 - principal gás responsável pelo aquecimento global), ou aquelas que necessitam, por lei, fazer compensação ambiental com o plantio de árvores nativas. Mais quatro nascentes surgiram após a recomposição de 5 hectares. Funciona assim: com o plantio de determinada quantidade de árvores, empresas ajudam a neutralizar ou a "sequestrar" o carbono lançado à atmosfera a partir de suas atividades ou eventos. No Sítio Duas Cachoeiras, do produtor orgânico Guaraci Diniz, em Amparo (SP), a Gráfica The Plêiades, de Santo André (SP), financiou o plantio de 5 mil mudas de espécies nativas em 4,8 hectares. O gasto no primeiro ano de plantio, entre novembro de 2007 e novembro de 2008, foi de R$ 20 mil. O resultado será a neutralização de no mínimo 40 toneladas de carbono/ano. OS CÁLCULOS O Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada da Unicamp fez os cálculos de quantas árvores seriam necessárias: 3.548 árvores em 2,15 hectares. Conseguiram as mudas no Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, uma economia de cerca de R$ 5 mil, aplicou no plantio de uma área maior, podendo reflorestar 100% do sítio de 30 hectares - dos quais 90% já estão recompostos ou em processo de recomposição -, cujo cultivo é feito no sistema de agrofloresta. Viraram produtores de água: em apenas um ano de plantio das mudas, surgiram mais quatro nascentes no sítio. O pecuarista de corte Luis César Cestari, de Iacanga (SP), negocia com uma empresa de cerâmica de Bariri (SP) a recomposição da mata ciliar de um córrego que passa na sua propriedade. Na Fazenda São Paulo, de 240 hectares, a empresa deve plantar 2 hectares de mata ciliar, dos 20 hectares a que está sendo obrigada por lei. Não é neutralização de carbono, mas uma compensação ambiental. Na região ninguém fez ainda esse tipo de parceria, que já dispõe dos 20% da área de reserva legal. Nos próximos meses o plantio deve começar. Quando a mata crescer, unirá dois trechos de mata ciliar já existentes. 3,3 milhões de hectares, ou apenas 14% do território é o que restou de mata nativa em SP, segundo a SMA 1 milhão de hectares é a área que margeia rios, córregos e represas sem cobertura vegetal em SP 10 mil reais por hectare/ano, por 2 anos, é o que o produtor gasta plantando árvores nativas

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