domingo, 23 de agosto de 2026

Pesquisa global reafirma que arborização urbana salva vidas

Estudos científicos globais recentes reforçam que a arborização urbana reduz o calor extremo, melhora a saúde pública e salva vidas. Aumentar a cobertura vegetal nas cidades diminui a temperatura do ar e evita mortes associadas a ondas de calor.

Impacto na Temperatura e Vidas Salvas

• 10% a mais de verde: Reduz a temperatura em 0,08°C e pode evitar cerca de 860 mil mortes globais em estações quentes.

• 20% a mais de verde: Baixa a temperatura em 0,14°C e previne cerca de 1,02 milhão de mortes.

• 30% a mais de verde: Reduz a temperatura em 0,19°C e evita até 1,16 milhão de mortes (cerca de 37% dos óbitos ligados ao calor).

Como as Árvores Protegem

• Sombra e reflexão: Bloqueiam a radiação solar direta no asfalto e no concreto, impedindo o acúmulo de calor.

• Evapotranspiração: A água que evapora das folhas resfria o ar de forma natural, agindo como um ventilador.

• Bem-estar mental e físico: Estimulam a prática de exercícios, reduzem o estresse e diminuem os níveis de poluição do ar.

Um estudo com dados de 20 anos e mais de 11 mil cidades mostra que plantar mais verde nas ruas poderia ter evitado 1,16 milhão de mortes por calor e isso muda a forma como eu olho para a árvore da minha esquina

Pesquisadores da Universidade Monash cruzaram duas décadas de dados climáticos e de mortalidade em 53 países e chegaram a um número que ainda me deixa sem fôlego: aumentar a vegetação urbana em 30% poderia ter reduzido em mais de um terço as mortes relacionadas ao calor no mundo. Eis o que esse dado significa na prática e por que ele me fez repensar o valor de uma simples árvore de calçada.

Uma manhã quente demais para ser normal

Tem dias, no meio do verão, em que a gente sai de casa e o calor bate diferente. Não é só desconforto, é como se o ar tivesse peso. Eu senti isso de novo há pouco tempo, andando por uma rua sem sombra nenhuma, com o sol batendo direto no asfalto. Por que essa rua é tão mais quente do que a de duas quadras atrás, cheia de árvores?

O estudo que coloca números onde havia só intuição

Um grupo de pesquisadores liderado pelo professor Yuming Guo, da Universidade Monash, na Austrália, decidiu medir algo que muita gente já suspeitava, mas ninguém tinha calculado em escala global: quanto de vegetação a mais nas cidades seria necessário para reduzir as mortes causadas pelo calor extremo.

O trabalho, publicado na revista científica The Lancet Planetary Health, analisou duas décadas de dados, de 2000 a 2019, em mais de 11 mil áreas urbanas espalhadas por 53 países.

Para chegar a esses resultados, a equipe cruzou registros diários de mortalidade e de clima de 830 localidades com imagens de satélite da NASA, que permitem medir o nível de vegetação de uma região com precisão, o chamado Índice de Vegetação Aprimorado, ou EVI. É esse índice que mostra, quase como uma fotografia do verde, quanto uma cidade está coberta por folhas, copas e áreas plantadas.

O resultado do cruzamento desses dados é impressionante. Aumentar em 30% a cobertura vegetal das cidades poderia ter evitado mais de  de todas as mortes relacionadas ao calor no mundo, entre 2000 e 2019, o equivalente a até 1,16 milhão de vidas.
O que 10%, 20% e 30% a mais de verde significam de verdade

Os pesquisadores testaram três cenários de aumento de vegetação e observaram efeitos muito concretos:

• 10% a mais de verde reduziria a temperatura média das estações quentes em 0,08°C e evitaria cerca de 860 mil mortes (27% do total relacionado ao calor).

• 20% a mais de verde baixaria a temperatura em 0,14°C e preveniria cerca de 1,02 milhão de mortes (32% do total).

• 30% a mais de verde, o cenário mais ambicioso, chegaria a 0,19°C de redução na temperatura média e evitaria 1,16 milhão de mortes, cerca de 37% de tudo o que o calor tira de nós.

Pode parecer pouco, uma fração de grau. Mas quando multiplicamos esse número por milhões de pessoas expostas ao calor todos os dias do verão, em milhares de cidades, ele se transforma em algo muito maior do que um dado de termômetro: vira tempo de vida.

Porque uma árvore esfria mais do que parece

Eu sempre soube que ficar embaixo de uma árvore é mais fresco do que ficar no sol. Eu sei, você sabe e todos sabemos. O que eu não sabia é porque isso acontece em tantas camadas ao mesmo tempo.

A vegetação urbana esfria o ambiente de, pelo menos, três formas simultâneas:

• faz sombra sobre superfícies que, sem ela, ficariam expostas e acumulariam calor;

• reflete parte da radiação solar antes que ela vire calor armazenado no concreto e no asfalto;

• e realiza evapotranspiração (a água que evapora do solo e das folhas) o que resfria o ar ao redor e ajuda a circulação, como um ventilador natural e silencioso.

Só isso já explicaria a diferença de temperatura entre a rua arborizada e a rua pelada que atravessei naquela manhã. Mas há mais.

O estudo aponta que o verde urbano também parece proteger a saúde por caminhos menos óbvios: áreas com mais vegetação estão associadas a menos estresse e mais bem-estar mental, mais interação social, porque as pessoas usam mais as ruas e praças arborizadas, mais disposição para caminhar ou se exercitar ao ar livre, e até menos poluição do ar. Tudo isso, somado, reduz o risco de morrer por causas ligadas ao calor.
Arborização urbana e qualidade de vida: por que as árvores são essenciais nas cidades

Onde o verde salva mais vidas

Um dos pontos que mais me chamou atenção é que o benefício da vegetação não é igual em todo lugar. As regiões do sul da Ásia, do leste europeu e do leste asiático são as que mais se beneficiariam de mais árvores e áreas verdes, segundo as projeções do estudo.

Em números absolutos de vidas salvas com um aumento de 30% na vegetação, entre 2000 e 2019, a distribuição por região seria:

Região

1. Ásia

2. Europa

3. América Latina e Caribe

4. América do Norte

5. África

6. Austrália e Nova Zelândia

7.  Oceania

Vidas potencialmente salvas em cada região

1. 527.989

2. 396.955

3. 123.085

4. 69.306

5. 35.853

6. 2.759

7. 2.733

Esses números não são iguais porque as cidades nas diversas regiões não são iguais. Clima, nível socioeconômico, densidade populacional e características demográficas moldam o quanto cada lugar sofre com o calor e o quanto pode se beneficiar de mais verde.

Um problema que só vai crescer

Entre 2000 e 2019, a exposição ao calor já foi associada a cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo, um número que tende a aumentar com o avanço das mudanças climáticas. As projeções mais extremas indicam que, entre 2090 e 2099, a fatia de mortes relacionadas ao calor pode variar de 2,5% no norte da Europa a quase 17% no sudeste asiático, dependendo de quanto o planeta continuar aquecendo.

É um número que assusta, mas também é, ao mesmo tempo, uma janela: se o calor mata mais quando a cidade tem menos verde, então plantar é, literalmente, uma forma de cuidado coletivo.

Arborização urbana melhora saúde da população

O que eu levo dessa pesquisa?

Não sou urbanista, nem médico, nem pesquisador. Sou jornalista e, como muita gente, sinto o calor da cidade na pele todos os dias. Mas depois de ler esse estudo, não consigo mais olhar para uma árvore de calçada do mesmo jeito. Ela não é só paisagem. Não é só sombra bonita para tirar foto. Ela é, de acordo com a ciência, parte de uma engrenagem que decide quem sobrevive ao verão e quem não sobrevive.

O professor Guo resume isso de um jeito que eu acho bonito e direto: preservar e expandir as áreas verdes das cidades pode ser uma das estratégias mais potentes para reduzir a temperatura urbana e proteger a saúde das pessoas diante do calor extremo.

Talvez a próxima vez que alguém propuser cortar uma árvore para abrir uma vaga de carro, ou que uma prefeitura anunciar mais um canteiro de concreto no lugar de um jardim, valha a pena lembrar desse número: 1,16 milhão. É quanto o verde pode valer, em vidas, quando a gente decide plantar em vez de pavimentar. (ecodebate)

Aquecimento global está acelerando

Aquecimento global está acelerando: taxa quase dobra em dez anos.
O aquecimento global acelerou e a taxa de aumento da temperatura quase dobrou na última década, saltando de menos de 0,2°C para cerca de 0,35°C por década, conforme divulgado em estudos recentes.

Dados do Novo Ritmo Climático

• O ritmo anterior de aquecimento era estável em cerca de 0,2°C por década entre 1970 e 2015.

• A taxa recente subiu para aproximadamente 0,35°C por década na última década.

• Este é o maior índice registrado desde o início das medições modernas em 1880.

Consequências e Alertas

• O período de 2015 a 2025 foi o mais quente já registrado na história do planeta.

• O desequilíbrio energético da Terra atingiu níveis recordes, acumulando mais calor do que o dissipado.

• O limite crítico de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris pode ser ultrapassado antes de 2030.

Pesquisa publicada na Geophysical Research Letters mostra alta de 0,35°C por década na última década, contra 0,2°C entre 1970 e 2015

Após filtrar El Niño, vulcões e ciclos solares, cientistas encontraram com 98% de certeza estatística que a Terra está esquentando mais rápido e o limite de 1,5°C do Acordo de Paris pode ser ultrapassado antes de 2030.

O aquecimento global parece ter acelerado. Após remover os efeitos do El Niño, erupções vulcânicas e ciclos solares, pesquisadores descobriram que o planeta aqueceu a uma taxa de aproximadamente 0,35°C por década nos últimos dez anos, em comparação com pouco menos de 0,2°C por década entre 1970 e 2015. A aceleração, que se tornou visível por volta de 2013 a 2015, foi observada em cinco grandes conjuntos de dados de temperatura global com mais de 98% de certeza estatística.

O aquecimento global acelerou desde aproximadamente 2015, de acordo com a nova análise “Global warming has accelerated significantly“, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK). Após remover os efeitos das oscilações naturais de temperatura, os pesquisadores encontraram a primeira evidência estatisticamente significativa de que a taxa de aquecimento de longo prazo do planeta está se acelerando.

Na última década, as temperaturas globais aumentaram a uma taxa estimada de cerca de 0,35 °C por década, dependendo do conjunto de dados utilizado. Em comparação, a taxa média de aquecimento entre 1970 e 2015 foi de pouco menos de 0,2°C por década. O ritmo recente é superior ao de qualquer década anterior desde o início dos registros instrumentais de temperatura, em 1880.

Cientistas isolam o sinal de aquecimento de longo prazo

“Agora podemos demonstrar uma forte e estatisticamente significativa aceleração do aquecimento global desde cerca de 2015”, afirma Grant Foster, especialista em estatística dos EUA e coautor do estudo, publicado hoje na revista científica Geophysical Research Letters.

“Filtramos as influências naturais conhecidas nos dados observacionais, de modo que o ‘ruído’ seja reduzido, tornando o sinal subjacente de aquecimento a longo prazo mais claramente visível”, acrescentou Foster.

Em dados climáticos, “ruído” refere-se a mudanças de temperatura de curto prazo que podem mascarar ou exagerar temporariamente a tendência subjacente. O El Niño, por exemplo, pode elevar as temperaturas globais por um período limitado, liberando calor do Oceano Pacífico tropical para a atmosfera. Erupções vulcânicas podem ter o efeito oposto, lançando partículas na atmosfera que refletem a luz solar, enquanto mudanças na atividade solar também podem produzir variações de temperatura menores.

Para separar essas influências temporárias da tendência de aquecimento mais ampla, os pesquisadores analisaram medições de cinco conjuntos de dados de temperatura global amplamente utilizados (NASA, NOAA, HadCRUT, Berkeley Earth, ERA5).

“Os dados ajustados mostram uma aceleração do aquecimento global desde 2015 com uma certeza estatística superior a 98%, consistente em todos os conjuntos de dados examinados e independentemente do método de análise escolhido”, explica Stefan Rahmstorf, pesquisador do PIK e principal autor do estudo.

A aceleração do aquecimento global aparece em cinco conjuntos de dados diferentes.

Uma certeza estatística superior a 98% significa que os pesquisadores encontraram fortes evidências de que a mudança na taxa de aquecimento é real, e não resultado de variações aleatórias nos dados. O mesmo padrão geral apareceu em todos os cinco registros de temperatura, embora os conjuntos de dados sejam produzidos por diferentes organizações científicas e utilizem métodos ligeiramente diferentes.

Após os pesquisadores ajustarem os dados para o El Niño e o máximo solar, o calor extremo de 2023 e 2024 foi ligeiramente reduzido na análise. Mesmo assim, ambos os anos permaneceram entre os 2 mais quentes desde o início dos registros instrumentais.

Em todos os conjuntos de dados, a aceleração começou a ficar visível em 2013 ou 2014. Os pesquisadores descrevem a mudança mais ampla como tendo começado por volta de 2015, quando as evidências se tornaram mais claras.

Dois métodos estatísticos apontam para a mesma mudança.

Para determinar se a taxa de aquecimento havia mudado desde a década de 1970, a equipe utilizou duas abordagens estatísticas. A primeira foi uma análise de tendência quadrática, que testa se a curva de temperatura está se inclinando para cima ao longo do tempo, em vez de subir a uma taxa constante.

O segundo foi um modelo linear por partes. Esse método divide o registro de temperatura em períodos separados e identifica objetivamente quando a taxa de aquecimento parece mudar. Ambas as abordagens corroboraram a conclusão de que o aquecimento global acelerou.

Estudo não identifica a causa.

A tecnologia que promete resfriar o planeta inspirada na erupção do vulcão Krakatoa pode reduzir a temperatura global com injeção de aerossóis estratosféricos, mas levanta riscos climáticos, políticos e energéticos imprevisíveis.

A pesquisa foi concebida para detectar e medir a aceleração estatística, não para determinar exatamente por que ela ocorreu.

No entanto, os autores observaram que os modelos climáticos podem produzir períodos em que o aquecimento se acelera. Em outras palavras, uma taxa crescente de aquecimento é consistente com a gama de comportamentos representados na modelagem climática atual.

Os modelos climáticos são simulações computacionais que utilizam as leis da física para estimar como a atmosfera, os oceanos, o gelo e a terra respondem aos gases de efeito estufa e a outras influências. Eles não preveem perfeitamente todas as flutuações de curto prazo, mas ajudam os cientistas a avaliar padrões climáticos de longo prazo e possíveis mudanças futuras.

O limite de 1,5°C poderá ser ultrapassado antes de 2030.

“Se o ritmo de aquecimento dos últimos 10 anos continuar, isso levará a uma ultrapassagem a longo prazo do limite de 1,5°C do Acordo de Paris antes de 2030”, afirma Stefan Rahmstorf. “A rapidez com que a Terra continuará a aquecer depende, em última análise, da rapidez com que reduzirmos a zero as emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis”.

O limite de 1,5°C refere-se à meta de restringir o aquecimento global a longo prazo a 1,5°C acima das temperaturas pré-industriais. Um único ano acima desse nível não significa, por si só, que o limite do Acordo de Paris tenha sido ultrapassado permanentemente. Os cientistas geralmente se concentram no aquecimento sustentado ao longo de um período mais longo.

Os resultados sugerem que a Terra pode estar aquecendo consideravelmente mais rápido do que nas últimas décadas do século XX. A continuidade dessa aceleração dependerá fortemente das futuras emissões de dióxido de carbono provenientes do carvão, petróleo e gás natural.
Indicadores de Mudanças Climáticas Globais: O aquecimento causado pelo homem atingiu 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025 e deverá exceder 1,5°C em cerca de quatro anos. (ecodebate)

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

El Niño pode gerar impactos fortes e o mundo

El Niño pode gerar impactos fortes e o mundo tem que se preparar a partir de agosto/26.
Sim, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou que o El Niño está se intensificando e deve atingir uma intensidade forte entre agosto e outubro de 2026, com riscos de temperaturas acima da média e chuvas desreguladas globalmente.

Mudanças no Clima Mundial

• Calor global: Temperaturas acima da média em grande parte dos continentes.

• Chuvas alteradas: Secas e temporais mal distribuídos em várias regiões.

• Riscos extras: Maiores chances de incêndios florestais e enchentes.

Efeitos no Brasil

• Norte e Nordeste: Secas e estiagens mais intensas.

• Sul: Excesso de chuva e tempestades volumosas.

• Sudeste e Centro-Oeste: Ondas de calor mais frequentes.

Um bombeiro observa os restos fumegantes de um incêndio florestal no sul da França

Fenômeno climático deve causar temperaturas acima da média e chuvas desreguladas; líder da ONU pede fim dos combustíveis fósseis para impedir futuro “ainda mais inflamável”.

O fenômeno climático El Niño está se intensificando de forma constante e deve dominar os padrões climáticos globais durante a estação de agosto a outubro de 2026, segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Como resultado, as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do globo e o regime de chuvas vai sofrer alterações.

Uma mulher coleta água em Satkhira, região afetada pela seca em Bangladesh

Combustíveis fósseis alimentam crise

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou que o fortalecimento do El Niño “adiciona combustível em um planeta que já está em chamas, com ondas de calor escaldantes, incêndios florestais apocalípticos e mares em temperaturas recordes”.

António Guterres ressaltou que “os combustíveis fósseis estão alimentando as chamas desta crise”. Para ele, a continuidade da exploração de carvão, petróleo e gás resultarão em um futuro “ainda mais inflamável”.

As previsões indicam que este será um El Niño forte, que pode causar impactos sérios na agricultura, na saúde e em comunidades vulneráveis.

O fenômeno está se desenvolvendo em um contexto de calor oceânico sem precedentes. As anomalias de temperatura da superfície do mar podem ultrapassar 2,9°C nas principais regiões de monitoramento.

Regiões mais afetadas pelo calor e pelas chuvas

A última Atualização Climática Global da OMM prevê uma probabilidade extremamente elevada de temperaturas acima da média na maior parte das áreas continentais.

Os sinais mais fortes dessa tendência se estendem pela África, pelo sul da Europa, Península Arábica, subcontinente indiano, leste da Ásia, América Central, Caribe, África Austral, grande parte da América do Sul e Nova Zelândia.

Previsão de chuvas entre agosto a outubro/2026 são padrões típicos de forte e clássico de El Niño

A previsão de chuvas para agosto a outubro/2026 apresenta padrões típicos de um evento forte e clássico de El Niño.

Esperam-se condições mais úmidas do que a média no Grande Chifre da África; em partes da Ásia Central; no sul da Europa; no oeste da América do Norte e no sudeste da América do Sul.

Em contraste, condições mais secas do que a média são mais prováveis no subcontinente indiano; no sul e leste da Austrália; no sul da América Central e em partes do Caribe; no noroeste da América do Sul; e no norte da Europa.

Riscos agravados no Oceano Índico

Além do fortalecimento do El Niño, prevê-se também um Dipolo Positivo do Oceano Índico, um padrão climático em que o oeste do Oceano Índico se torna, em média, mais quente, enquanto o leste fica mais frio do que a média.

Juntos, esses fatores oceânicos podem intensificar impactos climáticos regionais, incluindo secas, enchentes e risco de incêndios florestais, especialmente ao redor da bacia do Oceano Índico.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que “previsões, por si só, não evitam desastres”. Ela destacou que as decisões tomadas hoje definirão os impactos de amanhã.

A OMM e seus membros estão comprometidos em garantir que informações climáticas confiáveis e relevantes cheguem àqueles que mais precisam dela.

Uma tempestade com raios atinge a cidade de Županja, na Croácia

Entenda o El Niño

O El Niño é um padrão climático natural caracterizado por temperaturas da superfície do mar acima da média no Pacífico Equatorial Central e Oriental.

Os eventos de El Niño normalmente ocorrem a cada dois a sete anos e costumam durar entre nove e doze meses.

Geralmente começam a se desenvolver entre março e junho, atingem seu pico de intensidade entre novembro e fevereiro e exercem sua influência mais forte sobre as temperaturas globais no ano seguinte ao seu início.

A OMM classifica os eventos como fracos, moderados, fortes ou muito fortes. O termo “super El Niño” não faz parte do sistema operacional de classificação da agência. (news.un.org)

Perda de oxigênio aquático coloca limites planetários em risco

Cientistas propõem que a desoxigenação seja incluída no framework de Limites Planetários como um processo crítico para a resiliência global.

Impulsionada pelo aquecimento global e pela poluição por nutrientes, a rápida redução de oxigênio em oceanos e rios ameaça a vida marinha e pode levar o planeta a um estado de instabilidade irreversível em escalas de tempo humanas

Cientistas alertam que essa desoxigenação generalizada está intimamente ligada a outras grandes ameaças planetárias, incluindo aquecimento, poluição, perda de biodiversidade e acidificação dos oceanos.

Um novo estudo de revisão liderado por cientistas da Scripps Institution of Oceanography da UC San Diego alerta que a rápida perda de oxigênio dos oceanos e de outros ecossistemas aquáticos está levando a Terra a um “espaço inseguro”, com consequências que podem ser irreversíveis em escalas de tempo humanas.

O estudo analisa as interações generalizadas entre a desoxigenação aquática — a diminuição do oxigênio dissolvido no oceano (desoxigenação oceânica), águas costeiras, rios, lagos e córregos — e os nove processos descritos pela estrutura dos Limites Planetários.  Introduzida em 2009, essa estrutura identifica processos críticos do sistema terrestre e as maneiras pelas quais as atividades humanas os estão levando além das condições necessárias para manter o planeta estável e resiliente.

Os nove limites planetários são: mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, perda de biodiversidade, concentração de aerossóis na atmosfera, depleção da camada de ozônio estratosférico, alterações nos níveis de água doce, mudanças no uso da terra, poluição química e fluxos biogeoquímicos (incluindo o ciclo do nitrogênio). Os autores propõem a inclusão das condições de oxigênio dissolvido nessa estrutura.

Humanidade avança a passos largos sobre os 'limites planetários'

“A saúde e a estabilidade do nosso planeta dependem da saúde e da estabilidade dos ecossistemas aquáticos, que precisam de oxigênio para funcionar normalmente”, disse a autora principal, Erica Ferrer, ex-aluna do programa de Oceanografia do Scripps Institute e atual pesquisadora de pós-doutorado no Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara. “Este estudo foi concebido para dar mais visibilidade à desoxigenação aquática como uma ameaça global e mostrar que ela não ocorre isoladamente”.

A desoxigenação aquática é impulsionada principalmente pelo aquecimento causado pelo homem, pelo excesso de poluição por nutrientes e por alterações na ventilação das águas interiores. A perda de oxigênio interrompe os processos biológicos e químicos que ajudam a regular o clima da Terra e ameaça a vida aquática, desde organismos microscópicos até peixes e tubarões. Embora os mamíferos marinhos respirem ar na superfície, eles ainda podem ser afetados, pois a perda de oxigênio altera suas presas, habitats e cadeias alimentares.

Ferrer e a oceanógrafa biológica Lisa Levin, do Scripps Institute, autora sênior do estudo, conceberam a ideia para o artigo após participarem da COP25, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2019, realizada em Madri. Eles esperam que a revisão incentive cientistas e formuladores de políticas a considerarem os fatores e impactos da desoxigenação aquática em combinação com outros estressores planetários.

“A inclusão da desoxigenação aquática na estrutura dos Limites Planetários nos ajudará a compreender seus impactos na estabilidade do sistema terrestre”, disse Ferrer. “Mitigar esses impactos representa um componente crítico para a manutenção da biodiversidade e do clima”.

Ferrer realizou esta revisão como parte de sua pesquisa de doutorado no Scripps, com o apoio do Programa de Bolsas de Pesquisa para Pós-Graduados da Fundação Nacional de Ciência (NSF) e de fundos de pós-graduação do Scripps e da UC San Diego, seguida de apoio pós-doutoral da UC Santa Cruz e da UC Santa Barbara.
Um diagrama que mostra algumas das principais interações existentes entre a desoxigenação aquática e os outros limites planetários, incluindo os fatores e efeitos primários e secundários. Aqui, a ênfase é colocada nas interações que ocorrem no ambiente marinho; no entanto, interações semelhantes também ocorrem em sistemas de água doce.

O estudo foi publicado em 30/06/2026 na revista Limnology and Oceanography. Entre os autores adicionais estão quatro ex-alunos de doutorado do Scripps — Shailja Gangrade, Lillian McCormick, Ariel Pezner e Yassir Eddebbar, que agora é cientista climático do Scripps — juntamente com De’Marcus Robinson da UCLA, Véronique Carcon do Institut de Physique du Globe de Paris e Kevin Rose do Rensselaer Polytechnic Institute. (ecodebate)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Fatores ideológicos afetam o apoio a políticas climáticas

Impactos da Ideologia no Clima

• Polarização Política: Pessoas com visões mais à esquerda costumam apoiar medidas de transição verde e taxação de carbono, enquanto setores conservadores ou de extrema-direita tendem a resistir a intervenções estatais na economia em prol do clima.

• Negacionismo Climático: Crenças ideológicas alimentam a desconfiança em relação aos dados científicos, gerando discursos que minimizam os impactos do aquecimento global.

• Diferenças Regionais: No Norte Global, a ideologia dita o debate, ao passo que no Sul Global as preocupações práticas com a sobrevivência e a justiça social pesam mais na aceitação das leis ambientais

Apoio público às políticas climáticas: diferenças ideológicas entre o Norte e o Sul Global

Os debates sobre as mudanças climáticas têm ganhado cada vez mais destaque no cenário global, mas o apoio público às políticas climáticas varia significativamente entre países do Norte Global (desenvolvidos) e do Sul Global (em desenvolvimento).

Um estudo recente publicado na revista Environmental and Resource Economics, intitulado “Public support for climate policies and its ideological predictors across countries of the Global North and Global South”, de autoria de Christian Bretter e Felix Schulz, analisa como fatores ideológicos influenciam o apoio a essas políticas em diferentes contextos socioeconômicos.

O artigo oferece insights valiosos para entender as barreiras e oportunidades na implementação de medidas climáticas eficazes.

Metodologia e escopo do estudo

Os autores conduziram uma pesquisa abrangente amostras representativas de cada um dos três países do Norte Global (Alemanha, Reino Unido, EUA) e países do Sul Global (Brasil, China e África do Sul) – entre os quais os maiores emissores nos seus respectivos continentes, contribuindo para 49,3% das emissões globais de carbono.

A pesquisa buscou entender como fatores como eficácia percebida das políticas, impactos distributivos e ganhos ou perdas pessoais influenciam o apoio às políticas climáticas.

Além disso, foram considerados fatores como desenvolvimento econômico, desigualdade social e exposição a impactos climáticos.

Principais conclusões

Divergências ideológicas no Norte Global: Nos países desenvolvidos, a ideologia política mostrou-se um forte preditor do apoio às políticas climáticas. Indivíduos com tendências à esquerda tendem a apoiar mais fortemente medidas como taxação de carbono e investimentos em energias renováveis. Já os de direita, muitas vezes associados a valores de livre mercado e ceticismo em relação à intervenção estatal, são mais resistentes a essas políticas.

Contexto socioeconômico no Sul Global: Nos países em desenvolvimento, a ideologia política tem um papel menos determinante. O apoio às políticas climáticas está mais ligado a preocupações práticas, como a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas e a necessidade de desenvolvimento econômico. Muitos cidadãos veem as políticas climáticas como uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida e reduzir desigualdades, desde que não comprometam o crescimento econômico.

Desigualdade e justiça climática: O estudo destaca que, no Sul Global, a percepção de justiça climática é crucial. Políticas que são vistas como impostas por países ricos, sem considerar as necessidades locais, tendem a enfrentar resistência. Por outro lado, iniciativas que promovem equidade e benefícios tangíveis para a população local têm maior aceitação.

Impacto da educação e conscientização: Em ambos os contextos, a educação e a conscientização sobre as mudanças climáticas desempenham um papel importante no aumento do apoio às políticas climáticas. No entanto, no Sul Global, a falta de acesso a informações e recursos educacionais pode limitar esse efeito.

Implicações para políticas públicas

As conclusões do estudo têm implicações significativas para formuladores de políticas e ativistas climáticos. No Norte Global, é essencial superar a polarização ideológica, promovendo diálogos que conectem as políticas climáticas a valores compartilhados, como segurança econômica e proteção ambiental.

Já no Sul Global, as políticas devem ser adaptadas às realidades locais, enfatizando co-benefícios como criação de empregos, redução da pobreza e resiliência climática.

Além disso, o estudo reforça a necessidade de cooperação internacional justa e equitativa. Países desenvolvidos devem assumir a liderança na redução de emissões e no financiamento de ações climáticas no Sul Global, reconhecendo suas responsabilidades históricas e capacidades econômicas.

Para aumentar o apoio público às políticas climáticas, os formuladores de políticas devem: ​

Comunicação eficaz: Explicar claramente como as políticas funcionam e quem se beneficia delas pode aumentar o apoio público.

Considerar impactos sociais: Garantir que as políticas não prejudiquem desproporcionalmente as populações vulneráveis é essencial para manter o apoio público. ​

Engajamento público: Incorporar as preocupações e sugestões do público no processo de formulação de políticas pode levar a soluções mais aceitáveis e eficazes. ​

Síntese

O artigo de Bretter e Schulz oferece uma análise abrangente das complexidades do apoio público às políticas climáticas, destacando as diferenças entre o Norte e o Sul Global.

Enquanto a ideologia política é um fator central nos países desenvolvidos, no Sul Global, as preocupações práticas e a justiça climática são mais relevantes.

Para avançar na agenda climática global, é crucial adotar abordagens contextualizadas que considerem essas diferenças e promovam a colaboração internacional.

O estudo serve como um alerta: sem um entendimento profundo das dinâmicas locais e globais, a transição para uma economia de baixo carbono pode enfrentar resistência insuperável.

A hora de agir é agora, mas a ação deve ser inclusiva, justa e adaptada às realidades de cada região. (ecodebate)

sábado, 15 de agosto de 2026

A crise climática já mudou minha rotina e a de milhões de brasileiros

Entre ônibus lotados, escolas sem ventilação e trabalhadores desmaiando nas ruas, o Brasil vive uma “epidemia de calor” que ainda trata como exceção

Um relato sobre viver e sobreviver em um país onde 92% dos municípios já enfrentaram desastres climáticos, e sobre por que essa crise não é mais sobre o futuro do planeta, mas sobre o presente de quem pega o ônibus lotado, trabalha na rua ou estuda numa sala sem ventilador.
Faz tempo que percebi que alguma coisa mudou. Não foi um dia específico, nem uma manchete que me fez virar a chave. Foi um acúmulo de pequenas cenas: o suor escorrendo dentro do ônibus às oito da manhã, o vizinho comentando que “esse ano o verão chegou cedo demais”, a notícia de mais uma enchente, mais um deslizamento, mais uma cidade em estado de emergência.

O clima deixou de ser assunto de conversa fiada sobre o tempo ‘lá fora’ e passou a ser algo que sinto no corpo, no bolso e na cabeça.

Se você também tem essa sensação, não é impressão sua. É a realidade.

Um país que já vive o “novo normal” do clima

Um levantamento recente, o relatório Brasil em Transformação, mostra algo que deveria estar estampado em qualquer conversa sobre o futuro do país: 92% dos municípios brasileiros já registraram algum tipo de desastre climático entre 1991 e 2023. Não é uma minoria de cidades no litoral ou no semiárido. É praticamente o Brasil inteiro.

E o preço disso é medido em números que doem: para cada 0,1°C a mais na temperatura média global, o país perde cerca de R$5,6 bilhões. Isso sem contar que nenhuma planilha consegue registrar o luto, o medo, a insônia, a ansiedade de quem perdeu a casa ou o sustento.

A tragédia do Rio Grande do Sul, em maio/2024, ainda está viva na memória de quem acompanhou, mais de 2,34 milhões de pessoas atingidas, vidas interrompidas, cidades inteiras debaixo d’água. Na mesma época em que o Sul enfrentava enchentes históricas, a Amazônia secava sob uma estiagem severa. Dois extremos, um só país, um só sistema climático em desequilíbrio.

E o alerta não é só retrospectivo porque os especialistas do Cemaden, diante do potencial de um “super” El Niño, já vêm chamando 2026 de um possível “desastre térmico”, com risco real do Brasil bater novos recordes de calor no segundo semestre.

Calor é uma ameaça além da previsão do tempo

Se enchentes e deslizamentos aparecem no noticiário com imagens fortes, o calor extremo age de um jeito bem mais silencioso e por isso, talvez, mais perigoso.

Estudos apontam que, em cerca de três décadas, aproximadamente 5 bilhões de pessoas no mundo estarão expostas a pelo menos um mês por ano de calor prejudicial à saúde. Hoje, o calor excessivo já é responsável por cerca de meio milhão de mortes por ano no planeta.

O que isso significa na prática? Mais gente com doenças cardíacas, mais crises de exaustão térmica, mais desidratação, mais pressão alta. E também mais sofrimento psíquico. Pesquisas mostram que a exposição contínua ao calor está associada a mais estresse, irritabilidade, fadiga e distúrbios do sono.

Um dado que me marcou especialmente foi que 62% das pessoas entrevistadas em um estudo relataram sentir medo só de saber que vai chover forte. Isso é a crise climática entrando na saúde mental de um jeito que a gente ainda mal nomeia.

E o pior porque calor, enchente e poluição do ar não vêm mais separados. Cada vez mais, esses eventos se sobrepõem, criando riscos compostos que os sistemas de saúde tradicionais não estão preparados para enfrentar.

Trabalhar sob 40°C ou quando o emprego vira risco de vida

Uma das partes que mais me tocou ao me aprofundar nesse tema foi entender o que o calor extremo faz com quem trabalha.

A Organização Internacional do Trabalho estima que 70,9% da força de trabalho mundial, cerca de 2,4 bilhões de pessoas, já convive com risco de calor excessivo na rotina profissional. E o impacto é objetivo porque acima de 34°C, a produtividade do trabalho pode cair pela metade.

No Brasil, mais de 20 milhões de pessoas trabalham ao ar livre na agropecuária, na limpeza urbana, na reciclagem, no transporte, etc. Só em 2024, o Ministério Público do Trabalho registrou um aumento de 35% nas denúncias sobre más condições térmicas em ambientes de trabalho.

Pensa no motorista de ônibus, dentro de um veículo sem climatização, com a cabine funcionando como uma verdadeira câmara de calor, passando dos 40°C internamente. Ou no cobrador, exposto horas a fio à radiação solar. Há relatos de trabalhadores passando mal, desmaiando, vomitando e tudo isso enquanto cumprem uma jornada que, para muitos passageiros, é só “mais um ônibus atrasado”.

Chegar exausto ao trabalho por causa do calor do trajeto não é frescura. É um fator real de risco à segurança, ao rendimento e à saúde de milhões de trabalhadores.

O clima não afeta todo mundo do mesmo jeito

Talvez a parte mais dura de entender essa crise seja perceber que ela não é distribuída de forma justa. O calor tende a bater com mais força exatamente em quem já tem menos recursos para se proteger.

Países mais pobres: estima-se que 80% da população mundial afetada pelo calor extremo esteja em regiões como o Sul da Ásia e a África Subsaariana que são locais com menos acesso a saúde de qualidade e climatização.

Trabalhadores informais e terceirizados: muitas vezes sem água potável disponível, sem áreas de descanso, sem pausas regulares, sem equipamentos de proteção e sem qualquer garantia de afastamento remunerado caso adoeçam por causa do calor.

Bairros periféricos: com menos árvores e infraestrutura inadequada, esses territórios sofrem mais com as chamadas ilhas de calor urbanas, áreas onde o concreto e o asfalto elevam a temperatura muito acima da média da cidade.

Estudantes de escolas públicas: apenas 34% das salas de aula em escolas públicas brasileiras têm climatização. Isso significa que boa parte dos (as) professores (as) e das crianças e adolescentes do país estuda em ambientes que prejudicam concentração, aprendizagem e saúde, enquanto quem pode pagar por uma escola particular climatizada segue estudando em outra realidade.

Populações em áreas de risco: a ausência histórica de políticas habitacionais empurra famílias para ocupações irregulares em encostas e margens de rios, tornando-as as principais vítimas de deslizamentos e enchentes.

Como resumiu bem um especialista sobre o cenário brasileiro: a verdadeira tragédia não é só o clima, é ser pobre e, ao mesmo tempo, invisível para quem decide as políticas públicas.

O que isso tem a ver com o seu bolso e o pequeno negócio da esquina

A gente costuma pensar em mudanças climáticas como algo distante das contas do fim do mês, mas não é bem assim.

Embora as fontes não detalhem especificamente os “pequenos negócios”, os prejuízos econômicos diretos e indiretos dos desastres climáticos são significativos e generalizados.

A perda da “forma produtiva das pessoas” e a necessidade de redirecionar recursos públicos para a reconstrução, em vez de investimentos em educação e saúde, impactam a economia como um todo e, por consequência, a capacidade de subsistência de indivíduos e a resiliência de pequenos empreendimentos.

A agricultura sente isso na pele: menos água disponível e mais estresse térmico nas plantações aumentam o risco de perda de safra, o que pressiona preços de alimentos e ameaça a segurança alimentar. Comunidades que vivem da pesca ou do turismo também sofrem diretamente quando o clima muda o ritmo dos rios, do mar e das estações.

Não é exagero dizer que, para muita gente, o clima virou sócio invisível e nada generoso do próprio sustento.

O que dá para fazer e porque não é só sobre desespero

Reconheço que até aqui este texto pode parecer pesado. Mas acredito que entender a dimensão do problema é o primeiro passo para cobrar e construir soluções. Algumas medidas que especialistas defendem como urgentes:

Climatização de espaços públicos essenciais: tratar ar-condicionado em escolas, postos de saúde e transporte público como infraestrutura básica, não como luxo.

Mais infraestrutura verde nas cidades: arborização, telhados verdes, calçadas permeáveis e praças com sombra para reduzir as ilhas de calor.

Regras claras para o trabalho sob calor extremo: limites de temperatura para atividades ao ar livre, pausas obrigatórias, acesso garantido à água e proibição de trabalho externo em condições extremas.

Educação climática de verdade: campanhas que ajudem a população a reconhecer os sinais de risco e saber como agir.

Participação das comunidades locais: planos municipais de adaptação construídos com quem vive o problema todos os dias, não só nos gabinetes.

Brasileiro é um dos que mais se preocupam com crise climática, mas confiança em ações do governo cai.

Por que continuo escrevendo sobre isso?

Não tenho a pretensão de resolver a crise climática com um texto no EcoDebate. Mas percebi que, quanto mais eu entendia os dados, menos eu conseguia tratar o calor como “só mais um dia quente” ou a chuva forte como “azar do destino”. Existe uma engrenagem por trás disso ela tem nome, tem causa e, em boa parte, tem solução.

Se este texto te fez lembrar do calor dentro do ônibus, da escola sem ventilador ou de alguém que você conhece trabalhando sob sol forte sem parar, talvez seja hora de a gente parar de tratar isso como exceção.

Porque, goste-se ou não, essa já é a nossa nova normalidade e quanto antes encararmos assim, antes conseguimos, coletivamente, mudar o rumo dela. (ecodebate)

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

'Super El Niño' vem aí!!!

O "Super El Niño" é um aquecimento muito forte das águas do Oceano Pacífico que aumenta a chance de secas no Norte e enchentes no Sul do Brasil.

O que é o fenômeno

• Aquecimento das águas: O Pacífico Equatorial fica 2°C ou mais acima da média.

• Intensidade: Agências climáticas indicam alta probabilidade de eventos extremos associados a este aquecimento.

• Mudança global: O fenômeno natural interage com o aquecimento global para elevar as temperaturas da Terra.

Impactos esperados no Brasil

• Região Sul: Chuvas acima da média, temporais e risco de enchentes.

• Regiões Norte e Nordeste: Secas intensas, estiagens e maior risco de queimadas.

• Sudeste e Centro-Oeste: Ondas de calor mais fortes e períodos secos.

Para entender como as mudanças no clima afetam a intensidade do El Niño:

Assista ao vídeo “Porque o El Niño 2026/2027 pode ser diferente de todos”: https://www.youtube.com/watch?v=XeOYgEF2O Q

'Super El Niño' vem aí: probabilidade de evento extremo atinge 80%, segundo agência climática

No Brasil, o evento pode afetar o regime de chuvas, causando estiagens no Norte e Nordeste e enchentes no Sul.

O monitoramento mais recente da NOAA revela que o fenômeno conhecido como 'super El Niño' alcançou marcas históricas durante este mês de julho. A temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental registrou anomalia semanal de 1,2 ºC acima da média histórica, indicando uma movimentação forte em favor de um evento de maior intensidade. Esse nível de aquecimento posiciona o evento atual entre os mais intensos observados para este período do ano desde o início das medições em 1950.

As projeções dos modelos climáticos da agência indicam uma probabilidade de 97% que o El Niño continue ativo até o início de 2027. O período entre outubro e dezembro/2026 deve concentrar o ápice de intensidade, existindo 81% de chance de o fenômeno se enquadrar na categoria de muito forte. A probabilidade de o evento perder força e permanecer em patamares moderados é de apenas uma em cinco. Essa duração prolongada deverá exigir um planejamento contínuo de médio e longo prazo por parte dos órgãos de monitoramento e de prevenção de desastres naturais.

No cenário brasileiro, o fortalecimento do fenômeno altera significativamente o regime de chuvas e temperaturas de norte a sul. O padrão observado no Pacífico costuma provocar estiagens severas e prolongadas nas regiões Norte e Nordeste, reduzindo a vazão dos rios e afetando o abastecimento. Em contrapartida, a Região Sul passa a enfrentar a passagem mais frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. O resultado é o volume elevado de precipitação acumulada, que eleva o nível de rios e causa enchentes, alagamentos e transtornos urbanos e rurais na faixa sul do país.

O diferencial do evento atual está no contexto climático em que ele se desenvolve. Dados de séries históricas apontam uma tendência constante de elevação na temperatura média global, registrada com mais intensidade a partir de 2013. O super El Niño atua sobre uma base ambiental que já se encontra mais quente do que a observada em episódios das décadas de 1980 ou 1990. Para setores produtivos fortemente dependentes do tempo, como a agricultura e a pecuária leiteira, a combinação de calor pré-existente com alterações drásticas na chuva aumenta a vulnerabilidade do solo, afeta as pastagens e exige estratégias locais de adaptação para conter perdas de safra e de produtividade. (milkpoint)

Pesquisa global reafirma que arborização urbana salva vidas

Estudos científicos globais recentes reforçam que a arborização urbana reduz o calor extremo, melhora a saúde pública e salva vidas. Aumenta...