terça-feira, 23 de junho de 2026

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país

Mata Atlântica atinge menor desmatamento em 40 anos e mira nova economia da restauração.

A Mata Atlântica concentra 64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, o equivalente a cerca de 131 mil hectares. Paradoxalmente, por ser o bioma mais devastado do país — restando apenas 24% de sua cobertura original —, ele apresenta o maior potencial e necessidade urgente de restauração ecológica.

O cenário atual da recuperação deste bioma envolve detalhes importantes:

Dados do Observatório: Os 131,2 mil hectares em restauração representam o maior esforço de recuperação mapeado no país, superando inclusive a Amazônia.

Reversão de Perdas: Embora a região recupere cerca de 155 mil hectares de florestas jovens por ano, um estudo recente do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que 30% dessa regeneração natural desaparece novamente.

Impacto Positivo: A restauração é vital para reconectar fragmentos florestais e garantir a segurança hídrica e climática das áreas mais populosas do país.

Para explorar os números e descobrir iniciativas de conservação, você pode acompanhar os dados completos do Observatório da Restauração ou verificar as ações de plantio da SOS Mata Atlântica.
Mata Atlântica.

No ano em que registra o menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.

Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658 hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.

O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.

O potencial econômico da Mata Atlântica

Os benefícios econômicos da restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de regulamentação e aprimoramento técnico.

“A governança já estabelecida na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”, afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas”.

A restauração produtiva também abre caminhos para a bioeconomia. Modelos como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Silvipastoris, que integram espécies nativas a produção agrícola – a exemplo de consórcios de café e cacau com espécies nativas -, são um dos caminhos produtivos sustentáveis em paisagens fragmentadas da Mata Atlântica. Essa prática permite que produtores rurais se beneficiem de serviços ecossistêmicos como polinização e controle natural de pragas, aumentando a qualidade dos produtos e reduzindo custos. 

Paralelamente, a silvicultura de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9 milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e internacional”.

Apesar dos avanços, a conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2 milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre), conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a Coalizão Brasil.

“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.
A restauração florestal e seus efeitos na biodiversidade da Mata Atlântica

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país, segundo plataforma.

Os números reforçam o esforço nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site observatoriodarestauracao.org.br. (ecodebate)

Data centers aceleram o aquecimento global

Os data centers aceleram o aquecimento global devido ao seu enorme consumo de energia — frequentemente gerada por combustíveis fósseis — e ao uso intensivo de água para refrigeração. Essa infraestrutura, essencial para a expansão da internet e da inteligência artificial, gera impactos ambientais diretos, incluindo:

• Emissões de Gases de Efeito Estufa: Para manter milhares de servidores funcionando e processando dados continuamente, um único data center pode consumir tanta energia quanto uma cidade de 80.000 habitantes. Muitas redes elétricas ainda dependem de fontes não renováveis, o que eleva a pegada de carbono.

• Uso Extremo de Água: O resfriamento dos superchips e servidores é feito por sistemas de ar-condicionado e circulação de água. Esse processo consome milhões de litros, podendo causar escassez hídrica nas comunidades no entorno das instalações.

• Formação de Ilhas de Calor: Estudos revelam que o calor liberado na atmosfera pelos sistemas de refrigeração eleva a temperatura da superfície do ar, criando "ilhas de calor" em um raio de até dez quilômetros no entorno dessas grandes estruturas.

Para aprofundar nos dados e conhecer as medidas que as empresas estão tomando para reduzir esses impactos, acesse a análise detalhada da Revista Fapesp sobre os impactos ambientais da computação e o debate sobre energia e clima abordado pelo portal Exame.

Pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dos data centers

À medida que data centers se multiplicam, cientistas buscam medir seus impactos nas comunidades vizinhas.

Estudos já mostraram que essas instalações impactam os sistemas locais de energia e água, elevam os custos de serviços públicos e liberam poluentes nocivos. Agora, nova pesquisa indica que o calor gerado por esses complexos pode aumentar a temperatura na vizinhança.

A pesquisa, publicada em 18/05/26 no Journal of Engineering for Sustainable Buildings and Cities, analisou a poluição térmica gerada por um data center de 36 megawatts em Mesa, Arizona, e por outro de 169 megawatts na cidade vizinha de Chandler. Os pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dessas instalações.

Superaquecimento vira ameaça global para data centers na era da IA

As conclusões sugerem que os data centers podem intensificar o fenômeno da “ilha de calor urbana”, em que cidades apresentam temperaturas significativamente mais elevadas do que áreas rurais próximas. “Mesmo que esses data centers contribuam apenas com 1°C ou 2°C adicionais, isso pode ter um impacto muito significativo em nossas vidas”, afirmou David Sailor, principal autor do estudo e diretor da Escola de Ciências Geográficas e Planejamento Urbano da Universidade Estadual do Arizona.

Segundo Sailor, um único data center pode gerar mais calor do que 40 mil residências. Muitas dessas instalações utilizam condensadores resfriados a ar para dissipar o calor produzido por seus servidores, criando “plumas de ar” entre 8°C e 14°C mais quentes que o ambiente. O vento, então, espalha esse ar além dos limites da instalação, ampliando o impacto.

Embora esse aumento possa parecer pequeno, é suficiente para elevar o uso de ar-condicionado em bairros inteiros, gerando ainda mais calor e criando um ciclo de retroalimentação.

Sailor ressalta que os resultados obtidos até agora podem ser conservadores: “À medida que realizarmos mais medições em diferentes condições atmosféricas, acredito que veremos impactos ainda mais significativos”. Pesquisas paralelas, ainda não publicadas, sugerem que data centers podem criar ilhas de calor com alcance de até 10 quilômetros.

Com a construção de novos data centers próximos a cidades vulneráveis ao calor extremo, compreender e mitigar seus efeitos sobre as temperaturas locais será muito importante, lembrando que problemas similares devem ocorrer no Brasil: na grande São Paulo está se instalando um dos 10 maiores data centers do mundo. (ecodebate)

domingo, 21 de junho de 2026

Poluição plástica reduz a absorção de CO2 pelo fitoplâncton

Pescador navega no “oceano de plástico”. Imagem ilustrativa.

A poluição plástica interfere diretamente na capacidade do oceano de absorver e estocar dióxido de carbono CO2. O fitoplâncton, responsável por cerca de metade de toda a fotossíntese da Terra, tem sua eficiência reduzida pelas partículas de plástico nos oceanos.

Essa redução na absorção de CO2 acontece por meio de três fatores principais:

• Sombra e bloqueio de luz: Os microplásticos que flutuam na superfície reduzem a transmissão de luz solar na água, dificultando a fotossíntese realizada pelo fitoplâncton.

• Danos celulares: Partículas plásticas podem se fixar na membrana desses microrganismos e até mesmo romper suas paredes celulares, diminuindo sua capacidade de transformar CO2 em oxigênio e energia.

• Prejuízo à "bomba biológica": O carbono absorvido pelo fitoplâncton é naturalmente transportado para as profundezas do oceano quando ele é consumido pelo zooplâncton. A ingestão de plástico altera o processo digestivo desses animais, impedindo que o carbono seja armazenado no fundo do mar.

Estudos indicam que esse bloqueio prejudica um dos maiores mecanismos naturais de regulação climática do planeta, o que acelera o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Para entender mais sobre o impacto dos resíduos na regulação do clima, consulte o documento oficial sobre oceano e clima do Ministério do Meio Ambiente.

Além de poluir praias e oceanos, partículas microscópicas de plástico ameaçam a capacidade das algas de absorver o CO2 e combater o aquecimento global.

Você já parou para pensar que cada segundo respiro que você dá vem do oceano? Embora as florestas tropicais recebam toda a fama como os “pulmões do mundo”, mais de 70% do nosso planeta é coberto por águas que abrigam um exército silencioso de trabalhadores: o microplâncton. Essas minúsculas plantas unicelulares realizam quase metade de toda a fotossíntese da Terra, convertendo luz solar e dióxido de carbono (CO2) no oxigênio que respiramos.

No entanto, um novo e indesejado vizinho está ameaçando esse equilíbrio vital. Os microplásticos, minúsculas partículas de poluição que já alcançaram desde as costas populosas até os remotos mares do Ártico, estão interferindo na capacidade básica dessas algas de sobreviver e nos proteger.

Poluição por plástico pode afetar retirada de CO2 da atmosfera.

O pulmão azul sob ataque

O oceano é o nosso maior aliado contra as mudanças climáticas, absorvendo entre 25% e 30% de todo o CO2 gerado pelas atividades humanas. O fitoplâncton é a peça-chave desse processo, transformando o carbono em energia para construir suas células.

O problema, como explica a pesquisadora Francesca Verones, da NTNU, é que os microplásticos não são apenas uma poluição visual. Eles afetam o crescimento das algas de formas cruéis: bloqueiam a luz solar necessária para a fotossíntese, causam danos físicos diretos e podem até liberar substâncias tóxicas, como o PVC.

Onde o impacto é maior?

Através de modelos computacionais e dados de laboratório, pesquisadores descobriram que o impacto não é igual em todo o globo. As regiões áridas e tropicais são as mais vulneráveis. Nessas zonas, estima-se que a presença de plástico reduza a absorção de carbono entre 25.000 e 48.000 toneladas por ano.

Pode parecer pouco perto das duas bilhões de toneladas que o oceano absorve anualmente, mas há um alerta importante: “Devemos ter em mente que a quantidade de microplásticos no oceano está aumentando constantemente”, adverte Verones. Todo o plástico descartado hoje, um dia, chegará ao mar.

Mundo pode reduzir poluição plástica em 80% até 2040

Além do carbono: A Tripla Crise Planetária

A ameaça aos microplânctons não é um evento isolado. Ela faz parte do que a ONU classifica como a “tripla crise planetária”:

As alterações climáticas;

A poluição desenfreada;

A perda de biodiversidade.

Esses três desafios estão interconectados. Quando o plástico prejudica as algas, ele acelera o aquecimento global (crise climática) e destrói a base da cadeia alimentar marinha (perda de biodiversidade).

Para encontrar uma saída, precisamos parar de olhar para os problemas de forma isolada. Entender como o plástico que usamos no dia a dia afeta seres microscópicos no meio do oceano é o primeiro passo para garantir um futuro viável para o nosso planeta.

Afinal, ao proteger o fitoplâncton, estamos, literalmente, protegendo o nosso próximo respiro. (ecodebate)

Ritmo do aumento do nível do mar dobrou desde 1960

Aceleração do nível do mar

O ritmo de aumento do nível do mar duplicou nas últimas décadas. A taxa global, que era de cerca de 2 mm por ano entre 1960 e 2005, acelerou para quase 4 mm por ano recentemente, com picos de até 4,6 mm ao ano na última década.

Causas do Aumento

A aceleração da elevação dos oceanos é impulsionada por dois fatores principais ligados às mudanças climáticas:

• Expansão térmica: A água do mar absorve a maior parte do calor gerado pelo aquecimento global, fazendo com que ela se expanda e o volume aumente.

• Derretimento de gelo: O degelo acelerado das geleiras de montanha e das grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida.

Impactos nas Áreas Costeiras

Esse cenário representa uma ameaça imediata para ilhas e cidades costeiras em todo o planeta. No Brasil, grandes centros litorâneos e capitais como Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza estão entre as áreas mais vulneráveis ao avanço do mar. Áreas de infraestrutura crítica exigem projetos de reconstrução e adaptação, como a construção de estruturas de retenção para evitar inundações.

Para uma explicação detalhada sobre como o ritmo global da subida do mar dobrou e como os relatórios científicos analisam o impacto desse fenômeno:

Ritmo de aumento do nível do mar global dobrou, aponta ONU: https://www.youtube.com/watch?v=cBpaUDUFD4Y.
Entenda porque o ritmo de elevação do nível do mar dobrou nas últimas décadas e o que o aquecimento dos oceanos tem a ver com isso.

Como muitas pessoas, sempre tive uma conexão profunda com o litoral. O som das ondas e a linha do horizonte parecem constantes, quase eternos. No entanto, a ciência recente nos mostra que essa linha está se movendo mais rápido do que nunca e entender o porquê é fundamental para compreendermos o mundo que deixaremos para o futuro.

Recentemente, uma equipe internacional de cientistas climáticos, no estudo “Improved closure of the global mean sea level budget from observational advances since 1960”, desvendou um mistério que perdurava há décadas, detalhando exatamente o que está impulsionando o aumento do nível do mar. Os dados são reveladores e inquietantes.

O ritmo acelerado da elevação do nível do mar

Se olharmos para trás, desde 1960, o nível médio global do mar subiu cerca de 2,06 mm/ano. Pode parecer pouco à primeira vista, mas o ritmo dobrou recentemente. Entre 2005 e 2023, essa taxa saltou para 3,94 mm/ano.

Essa aceleração não é um palpite; ela foi confirmada, graças a avanços significativos em tecnologias de observação, incluindo correções em medições de satélite e melhores métodos para estimar o movimento da terra em medidores de maré costeiros.

Turista fotografa ressaca no litoral do Rio de Janeiro. Inundações vão aumentar na região, revela estudo.

Por que está subindo?

Muitas vezes pensamos apenas no gelo derretendo, o que é parcialmente verdade, mas a causa principal é mais invisível. O aquecimento dos oceanos é o maior culpado, sendo responsável por 43% da elevação. Isso acontece porque a água quente se expande e ocupa mais espaço, um fenômeno físico direto do aquecimento global causado pelo homem.

Além da expansão térmica, outros fatores entraram em jogo com força total:

Perda de gelo: Desde 1993, o derretimento acelerado de geleiras e das camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida tornou-se um fator crucial.

Armazenamento de água terrestre: A redução da retenção de água no continente também contribui para que mais líquido acabe no oceano.

Os principais impulsionadores para essa tendência, desde 1960, são 43% pela expansão oceânica, 27% pelo derretimento das geleiras, 15% pelo degelo da Groenlândia, 12% (13%) pelo derretimento da Antártida e 3% pela redução do armazenamento de água terrestre.

Um caminho sem volta?

Uma das conclusões mais sóbrias do estudo é a inércia do nosso sistema planetário. Mesmo que conseguíssemos estabilizar os gases de efeito estufa hoje, o nível do mar continuaria a subir por muitos séculos.

Os oceanos são vastos e levam muito tempo para aquecer em todas as suas profundidades, e o gelo terrestre continuará seu processo de derretimento gradativo.

A subida do mar é descrita pelos cientistas como “implacável e muito difícil de parar”. Isso nos mostra que as mudanças climáticas não são um evento futuro, mas uma realidade que já está redesenhando o mapa do nosso planeta.

Saber que a ciência finalmente “fechou a conta” sobre as causas desse aumento nos dá ferramentas melhores para planejar e adaptar nossas cidades costeiras. No entanto, também serve como um lembrete humano: o equilíbrio da natureza é delicado e as consequências de nossas ações no clima têm uma memória longa, que ecoará por gerações.

O oceano está subindo: dados revelam elevação recorde do nível do mar nos últimos 30 anos.

Até 2050, o avanço do mar e as tempestades extremas colocarão em risco casas e comunidades costeiras. Esta imagem mostra como as inundações se tornarão mais frequentes e severas, mesmo em dias sem chuva. (ecodebate)

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cresce o número de eleitores de 70 anos e mais no Brasil

Apesar de não serem obrigados, muitos idosos fazem questão de votar

A expansão do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas

O crescimento do eleitorado brasileiro tem apresentado duas características marcantes:

1) aumento da proporção de eleitores idosos.

2) aumento da força absoluta e relativa das mulheres. Portanto, aumenta o poder de voto do eleitorado grisalho e feminino.

No Brasil, todas as pessoas acima de 16 anos têm o direito de participar das decisões democráticas do país por meio do voto. Aos 18 anos, esse direito se torna também um dever: a votação é obrigatória para todas as cidadãs e todos os cidadãos brasileiros entre 18 e 69 anos. A partir dos 70 anos, o voto volta a ser facultativo, sem deixar de ser um direito. 

O gráfico abaixo mostra a pirâmide etária do eleitorado brasileiro, por sexo, em 2024. Nota-se que é baixa a quantidade de jovens de 16 e 17 anos, o grupo etário 40-44 anos tem a maior quantidade de eleitores (para os grupos quinquenais) e as mulheres predominam entre os idosos.

O Voto da Experiência: Idosos (60+) já representam ¼ do Eleitorado Brasileiro e do Eleitorado Gaúcho.

A tabela abaixo mostra o número total do eleitorado, em anos selecionados, entre 1992 e 2024 e o número e a percentagem de jovens e idosos. O eleitorado total era de 90,2 milhões de pessoas em 1992 e passou para 155,9 milhões em 2024. O número de jovens era de 21,5 milhões em 1992 (representando 23,8% do eleitorado) e caiu para 20,2 milhões em 2024 (representando 12,9% do total).

O número de idosos de 60 anos e mais era 9,5 milhões em 1992 (representando 10,5% do eleitorado) e subiu para 34,2 milhões em 2024 (representando 21,9% do total). Portanto, os idosos 60+ representavam uma parcela menor do eleitorado em relação aos jovens em 1992 e passaram a representar uma proporção bem superior em 2024.

O número de eleitores 70+ era de 3,4 milhões de pessoas em 1992 (representando 3,8% do total), passando para 15,2 milhões em 2024 (representando 9,8% do total). Tudo indica que em 2026 os idosos de 70+ atingirão mais de 10% do eleitorado se aproximando da proporção de jovens de 16-24 anos.

Diante desse cenário, fica evidente que o envelhecimento populacional não é apenas um fenômeno demográfico, mas um fator que redefine a correlação de forças na política nacional. A expansão do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas voltadas à seguridade social, saúde e inclusão dessa parcela da população.

Algumas pesquisas de opinião pública estão indicando uma leve preferência dos jovens pelos candidatos de direita e uma preferência dos idosos pelos candidatos de esquerda. Assim, a questão etária pode ser decisiva nas eleições presidenciais de 2026.

Embora o voto para os maiores de 70 anos seja facultativo, o peso estatístico e a maturidade cívica desse grupo garantem que o futuro da democracia brasileira passe, inevitavelmente, pela experiência e pelas mãos daqueles que continuam a exercer sua cidadania para além da obrigatoriedade legal. (ecodebate)

Como as mudanças climáticas destroem os laços sociais

As mudanças climáticas destroem os laços sociais ao aprofundar desigualdades, forçar deslocamentos populacionais e gerar competição por recursos escassos. Em áreas afetadas por eventos extremos, a destruição da infraestrutura básica fragmenta comunidades inteiras, isolando indivíduos e sobrecarregando as redes de apoio mútuo.

O esgarçamento do tecido social ocorre de maneira profunda através de três dinâmicas principais:

• Deslocamentos e Migrações Forçadas: Secas prolongadas e enchentes destroem moradias e fontes de renda, forçando milhões de pessoas a migrarem. O êxodo destrói redes de vizinhança e vínculos históricos. Além disso, a chegada de refugiados climáticos a novas regiões frequentemente gera tensões com as comunidades locais devido à pressão sobre serviços públicos e empregos.

• Aprofundamento da Desigualdade: Populações periféricas, favelas e comunidades tradicionais são as que mais sofrem com desastres, pois ocupam áreas de risco e têm menos acesso a recursos de adaptação. Essa disparidade gera um sentimento de injustiça, ressentimento social e descrença nas instituições públicas.

• Competição por Recursos Básicos: A escassez de água potável e a perda de áreas agrícolas afetam a segurança alimentar e a economia local. Essa escassez transforma recursos vitais em alvos de disputa, fomentando conflitos violentos e o individualismo em detrimento da solidariedade comunitária.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU alerta que bilhões de pessoas estão altamente vulneráveis a esses impactos. Para entender melhor o amparo institucional nessas situações, consulte a página oficial do ACNUDH (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos) ou acompanhe as diretrizes de adaptação e justiça climática propostas pela ONU Meio Ambiente.

Estudo revela que o aquecimento global não destrói apenas o planeta, ele fragmenta as comunidades, aprofunda o isolamento e amplia as desigualdades. E você provavelmente já sentiu isso sem saber nomear.

Eu me lembro do verão de 2024 no Rio. Não da praia, não do calor em si, mas da estranheza das ruas com pouco movimento no meio da tarde, mas com as UPAs lotadas. Nenhuma roda de conversa na calçada, nenhuma criança brincando na rua, nenhum vizinho passando para tomar um café. Era como se, ao longo de vários dias, a cidade estivesse isolada de si mesma.

Na época, como a maioria das pessoas, achei que era só o calor extremo. Hoje, depois de ler um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, por pesquisadores da Universidade de Sydney, eu entendo que era muito mais do que isso. O que senti naquele verão foi a erosão dos laços sociais induzida pelas mudanças climáticas. E ela está acontecendo com muito mais gente do que imaginamos.

O que a ciência descobriu e que ninguém está falando

A pesquisa, intitulada Climate Change and Social Health, parte de uma premissa que parece óbvia, mas que raramente aparece nas discussões sobre clima: seres humanos sobrevivem em comunidade. Não é metáfora. É fisiologia, é história, é antropologia. Quando nossos laços sociais se desfazem, adoecemos e morremos mais.

O problema é que as mudanças climáticas estão corroendo exatamente esses laços, e fazendo isso de forma silenciosa, gradual e cruel.

A Dra. Marlee Bower, autora principal do estudo e pesquisadora do Centro Matilda de Pesquisa em Saúde Mental, resume que as mudanças climáticas não são algo que acontece “lá fora”, em geleiras distantes ou em florestas remotas. Elas estão moldando como vivemos, como nos conectamos e, fundamentalmente, quem recebe apoio quando as coisas dão errado.

Isso dói de ler. Porque implica que o clima não está apenas aquecendo o planeta. Está esfriando as pessoas umas das outras.

Calor, poluição e isolamento social

Pense nos espaços onde a vida social acontece de verdade, como a praça do bairro, o boteco da esquina, a calçada em frente à casa do vizinho, o parque onde as crianças brincam, a feira de sábado de manhã.

Agora imagine ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes. Poluição do ar que aperta o peito e irrita os olhos. Chuvas tão violentas que interrompem escolas, fecham comércios e destroem rotinas inteiras. Gradualmente, esses espaços deixam de ser seguros ou, simplesmente, ficam inabitáveis por longos períodos.

O estudo mostra que isso já está acontecendo em países como China e Tuvalu, onde as pressões climáticas diminuem a atividade social, aumentam índices de depressão e, em casos extremos, levam ao isolamento total da vida comunitária. As pessoas não deixam de se encontrar porque querem. Elas deixam porque o ambiente não permite mais.

É uma perda que não aparece em nenhum relatório de danos materiais após uma enchente. Mas é real e ela dói.

Quando o desastre vira exílio

Os efeitos mais dramáticos surgem nos episódios de desastres imediatos, como enchentes, ciclones, incêndios florestais. Nesses momentos, comunidades inteiras são deslocadas, rotinas são destruídas, e as pessoas perdem não apenas suas casas, também perdem seus vizinhos, suas referências, suas redes de apoio.

O que chama atenção no estudo são casos como os da República Dominicana e do Japão, onde comunidades realocadas após desastres passaram a viver em condições físicas mais seguras, mas socialmente devastadas. A nova casa era melhor. A vida, mais vazia.

Isso ressoa de um jeito particular para quem acompanhou as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. As imagens de destruição foram chocantes. Mas o que ficou menos visível nas coberturas foi a solidão que veio depois, com as famílias alojadas em abrigos, longe de tudo que conheciam, os idosos separados de seus grupos de convivência, as crianças em escolas novas, sem amigos.

Quem paga a conta

Estudo toca em algo que nos incomoda profundamente: os impactos não são iguais para todos.

Pessoas de baixa renda, moradores de habitações precárias, pessoas com deficiência, comunidades marginalizadas. Grupos que já estão mais expostos aos riscos climáticos. E ao mesmo tempo, são exatamente eles que têm menos recursos para manter suas conexões sociais quando tudo desmorona.

A Dra. Bower chama isso de “fardo duplo”: são mais vulneráveis ao clima por causa de onde e como vivem e, ao mesmo tempo, têm menos suporte social e financeiro para recorrer. É uma armadilha cruel, e ela está se fechando mais rápido do que as políticas públicas conseguem perceber.

Os pesquisadores chamam esse fenômeno de “fosso de saúde social”, a distância crescente entre quem permanece conectado e quem vai ficando, progressivamente, mais sozinho. No Brasil, um país marcado por desigualdades tão profundas, essa fenda pode ser abissal.
Isolamento não é irrelevante. É fator de mortalidade.

Aqui eu preciso parar e ser direto, porque essa parte do estudo me impactou de verdade.

Em 2021, durante a chamada “Cúpula de Calor” na Colúmbia Britânica — um evento climático extremo que matou mais de 600 pessoas, as pessoas com esquizofrenia, um grupo estatisticamente mais propenso ao isolamento social, representaram cerca de 8% das mortes relacionadas ao calor.

8%. Pessoas que morreram não apenas por causa do calor, mas porque não tinham ninguém por perto para notar que estavam passando mal. Não tinham rede. Não tinham vínculo.

O isolamento social já é comparável, em termos de impacto na mortalidade, ao tabagismo e à obesidade. Isso não é exagero, é dado epidemiológico. E quando colocamos o clima nessa equação, o número de pessoas vulneráveis cresce de forma assustadora.

Conexão social como infraestrutura e não como luxo

O que os pesquisadores propõem é uma mudança de perspectiva radical: tratar a saúde social como infraestrutura essencial. Assim como estradas, sistemas de energia e redes de esgoto, as conexões humanas precisam ser planejadas, protegidas e financiadas.

Isso significa repensar o design das cidades para que as pessoas se encontrem e não fujam umas das outras. Significa pensar em habitação e transporte não apenas como acesso físico, mas como condição para a vida social. Significa incluir, nos planos de resposta a desastres, estratégias para preservar as redes comunitárias que já existem antes de tudo desmoronar.

Os dados dos incêndios do “Black Summer” na Austrália são contundentes: pessoas com laços comunitários fortes apresentaram menor sofrimento psicológico e maior resiliência a longo prazo, mas apenas quando essas conexões já existiam antes do desastre. Você não constrói comunidade no meio da crise. Ela precisa estar lá antes.

Confesso que esses dados me deixam com um misto de angústia e clareza. Angústia porque a escala do problema é enorme e a velocidade das mudanças climáticas não espera por políticas lentas. Clareza porque, ao contrário de muitos aspectos da crise climática, esse tem uma resposta que começa com escolhas cotidianas.

Não estou dizendo que a saúde social é responsabilidade individual, longe disso. O estudo é explícito que precisamos de políticas públicas que incluam a dimensão social. Mas enquanto esperamos por elas, existem coisas que podemos fazer agora: conhecer os vizinhos, manter os vínculos com pessoas mais isoladas, defender espaços públicos de qualidade, participar de redes comunitárias.

Não porque é bonito. Mas porque, como a ciência está mostrando, isso salva vidas.

O clima está nos afastando. A resposta pode começar com um “oi” na calçada, mesmo debaixo de um sol de 40°C.
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A pesquisa “ Climate change and social health”, da Universidade de Sydney, revela que a crise climática transcende as ameaças ambientais, atuando como um catalisador de isolamento social. O estudo demonstra que fenômenos extremos, como ondas de calor e inundações, destroem os laços comunitários vitais para o suporte mútuo e a saúde mental. Essa erosão das conexões interpessoais afeta desproporcionalmente as populações vulneráveis, agravando as taxas de mortalidade e dificultando a recuperação após desastres. Diante disso, os especialistas defendem que a saúde social seja integrada às políticas públicas como uma infraestrutura essencial para a sobrevivência. Fortalecer os vínculos humanos é, portanto, tão crucial quanto investir em soluções técnicas para enfrentar os desafios do aquecimento global. (ecodebate)

quarta-feira, 17 de junho de 2026

El Niño deverá ser terrível

Neste ano, o El Niño deve ser terrível.
Um super El Niño num planeta em total desequilíbrio? O pior está para vir em 2026.

Imagem da NASA compara 2 momentos. À esquerda, o oceano Pacífico com uma zona de aquecimento a leste, típica do El Niño. À direita, o oceano em estado considerado neutro.

O perigo não está na probabilidade de um forte El Niño que se anuncia para 2026, mas no facto de este fenómeno natural atingir o planeta num momento crítico de crise climática, avisam os cientistas.

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Modelos meteorológicos da NOAA (agência climática dos Estados Unidos) apontam mais de 80% de chance de formação de um "super El Niño" este ano, com impactos severos esperados a partir do inverno e pico no verão. O fenômeno traz grande preocupação devido à sua potencial intensidade extrema.

Abaixo estão os principais impactos esperados para cada região do Brasil:

• Região Sul: Alto risco de chuvas excessivas, tempestades severas e enchentes, com a Defesa Civil de estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul já em estado de atenção para evitar tragédias.

• Regiões Norte e Nordeste: Expectativa de seca severa, impactos diretos na Amazônia e potencial elevação do risco de incêndios florestais e problemas na agricultura.

• Região Sudeste: Geralmente, o fenômeno provoca um aumento nas temperaturas médias e chuvas irregulares.

Para acompanhar em tempo real as projeções oficiais e alertas de emergência, você pode consultar as atualizações diárias no portal do INPE ou monitorar os avisos emitidos pela Defesa Civil do seu estado.

El Niño

O El Niño de 2026 chega quando já estão ocorrendo secas generalizadas, cadeias de suprimento fragilizadas e recordes sucessivos de aquecimento dos oceanos.

Como se não bastassem a escassez de petróleo, as guerras intermináveis e a insegurança gerada pelo crescimento da inteligência artificial, há um novo fator de tensão no horizonte: o El Niño, que deverá ser um dos mais severos em mais de um século.

O próximo El Niño, fenômeno caracterizado por temperaturas anormalmente elevadas nos oceanos e que ocorre a cada 2 a 7 anos, com duração média de 12 a 18 meses, pode, de acordo com diversos modelos climáticos, se tornar o mais intenso da era moderna.

Segundo o Wall Street Journal, o aquecimento pode elevar a temperatura das águas em até 3°C, provocando secas devastadoras em algumas regiões, enchentes em outras e, talvez o mais assustador, um colapso nas cadeias globais de abastecimento de alimentos.

Alerta! El Niño volta a se formar no Pacífico e tem mobilizado os estados em uma corrida desenfreada.

Para encontrar algo semelhante ao que se acredita deve ocorrer neste ano, cientistas voltaram a 1877, quando um El Niño implacável desencadeou uma catástrofe sem precedentes. A seca prolongada culminou em uma fome global que matou ao menos 50 milhões de pessoas; algumas estimativas falam em até 60 milhões, cerca de 3% da população mundial da época. Pesquisadores classificaram o episódio como o pior desastre ambiental já enfrentado pela humanidade e uma das maiores calamidades dos últimos 150 anos, comparável às Guerras Mundiais e à epidemia de gripe de 1918/19.

Especialistas veem eventos como o de 1877 como verdadeiros testes de estresse para a civilização, revelando fragilidades políticas e econômicas. No século XIX, a pobreza generalizada e a exploração colonial agravaram os efeitos da fome e a humanidade falhou nesse teste.

Hoje, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, os desafios persistem. O El Niño de 2026 chega quando já estão ocorrendo secas generalizadas, cadeias de suprimento fragilizadas e recordes sucessivos de aquecimento dos oceanos.

No Brasil, os maiores riscos são de enchentes no Sul e secas no Norte e Nordeste; pessoal ligado ao agronegócio já vem se movimentando tentando limitar os danos, que também deverão ocorrer por aqui.

Se este ano entrará para a história com mais um episódio de desastre evitável dependerá de como a sociedade utilizará os recursos, o conhecimento e a tecnologia disponíveis. (ecodebate)

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