Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
terça-feira, 19 de maio de 2026
Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia
A
consolidação do El Niño no segundo semestre de 2026 deve aumentar a influência
da região Sul na formação dos preços de energia no Brasil, relata a Tempo OK.
Com previsão de maior volume de chuvas no Sul, o subsistema ganha peso na
redução da pressão sobre os custos, enquanto outras regiões podem enfrentar
escassez.
Impactos
do El Niño 2026 no Setor Elétrico:
Protagonismo
do Sul: O aumento das chuvas na região Sul tende a aumentar o armazenamento
hídrico, tornando-o um fator determinante para os preços (PLD - Preço de
Liquidação das Diferenças).
Volatilidade
e Contraste: Enquanto o Sul pode ter chuvas acima da média, o fenômeno pode
gerar seca no Norte/Nordeste, exigindo maior despacho termelétrico e gerando
volatilidade.
Formação
de Preços: A definição dos preços ainda dependerá do nível dos reservatórios no
Sudeste e do comportamento da carga, mas o Sul assume papel central no
monitoramento.
Alternativas
Renováveis: A incerteza climática impulsiona a busca por diversificação, com
destaque para a energia solar como alternativa para mitigar riscos de preços
elevados.
Apesar
do alívio hídrico no Sul, a Aneel projeta desafios nos custos gerais de energia
para 2026 devido a encargos setoriais.
El Niño deve impactar a distribuição de chuvas e a dinâmica de preços do setor elétrico brasileiro em 2026, ampliando diferenças regionais e reforçando o papel do Sul na formação de preços.
O subsistema elétrico Sul pode ganhar maior relevância na dinâmica de preços da energia, especialmente em cenários de maior contraste hidrológico regional nos próximos meses com a tendência de consolidação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, segundo análise da consultoria meteorológica Tempo OK.
“O
aumento das chuvas na região pode contribuir para aliviar parte da pressão
sobre os preços da energia. No entanto, a formação de preços ainda depende de
outros fatores estruturais, como os níveis de armazenamento no Sudeste, o
despacho de termelétricas, o comportamento da carga e eventuais restrições
operativas do sistema”, afirma o meteorologista Mateus Nunes, da Tempo OK.
O
El Niño deve alterar o regime de chuvas no país, com concentração de
precipitações no Sul e maior frequência de episódios intensos, enquanto o Norte
das regiões Norte e Nordeste tende a registrar redução de chuvas. O fenômeno
também está associado a temperaturas acima da média em grande parte do país,
especialmente no centro-leste e interior, o que pode elevar a demanda por
energia.
No sistema elétrico, a dinâmica do Sul é influenciada pelas características de seu parque hidrelétrico, composto majoritariamente por usinas a fio d’água, com baixa capacidade de armazenamento e resposta rápida às variações de vazão. Esse perfil permite recuperação mais acelerada em períodos chuvosos.
Inflação em 2026: El Niño pode levar bandeira vermelha, subir conta de luz e pressionar alimentos.
Além
da guerra com o Irã, El Niño forte pode apertar a inflação no Brasil em 2026:
energia mais cara, risco para alimentos e alerta sobre bandeiras vermelhas
colocam o governo em atenção máxima já.
Segundo
dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a energia armazenada
(EAR) no subsistema Sul estava em 29,35% em 23/04/2026. “Mesmo após um
março menos favorável, a recuperação pode ocorrer em poucas semanas com a
consolidação do El Niño”, diz o meteorologista.
Esse
comportamento tende a ampliar a volatilidade e gerar diferenças mais marcadas
entre os submercados. “Devemos observar um descolamento de preços do Sul em
relação às demais regiões, refletindo as diferenças hidrológicas ao longo do
período”, afirma o meteorologista.
Com isso, o intercâmbio energético entre submercados pode ganhar relevância, condicionado à disponibilidade de transmissão e à otimização operativa do sistema. O Sul pode assumir papel mais ativo no atendimento da demanda do Sudeste em momentos de maior pressão sobre a carga. Ainda assim, a resposta rápida dos reservatórios também pode intensificar oscilações de curto prazo. “Dependendo da evolução das chuvas, o Sul pode contribuir pontualmente para moderação de preços, mas seus efeitos dependem da integração operativa com o restante do SIN, especialmente das condições estruturais do Sudeste/CO.”, acrescenta.
Economia brasileira sente El Niño entre exportações, trigo e turismo, com reflexos no campo, nos preços e na atividade regional.
Pouca
gente sabe, mas El Niño, chuvas intensas e extremos climáticos podem mexer
diretamente com a economia brasileira em 2026, influenciando safras de
commodities como soja, milho e trigo, afetando exportações, preços dos
alimentos e até o ritmo de setores como turismo.
Apesar
de o oceano ainda se encontrar em condição de neutralidade, já há sinais
consistentes de formação do El Niño, com o aquecimento das águas do Pacífico equatorial,
especialmente em sua porção leste, próximo à América do Sul. De acordo com a
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade do
fenômeno é de 61% entre maio e julho.
A
Tempo OK projeta que o evento ganhe força ao longo do segundo semestre,
atingindo intensidade forte a muito forte, com pico previsto para novembro.
O
meteorologista destaca eventos recentes têm ocorrido em intervalos
relativamente menores, embora sua recorrência continue sujeita à variabilidade
climática natural. “Tivemos El Niños em 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24.
Agora, há expectativa de um novo evento em 2026/27, indicando um intervalo mais
curto entre ocorrências recentes”, afirma.
O cenário ainda é incerto e depende da forma como o El Niño se consolidará nos próximos meses, além da interação com outros sistemas climáticos, como o comportamento do Oceano Atlântico. “Por isso, o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas é essencial para reduzir incertezas e apoiar a avaliação de possíveis impactos no setor elétrico”, completa o meteorologista.
Entre junho e agosto/2026, o Oceano Pacífico Equatorial deve entrar em processo de aquecimento, abrindo espaço para a possibilidade de atuação do El Niño. A chance de ocorrência do fenômeno aumenta gradualmente e pode superar 60% entre agosto e outubro/2026.
Ao
mesmo tempo, a expectativa para o Brasil é de um inverno menos rigoroso, mais
quente do que o de anos anteriores e com aumento na frequência de chuvas. Esse
conjunto já basta para colocar o setor produtivo em alerta.
(pv-magazine-brasil)
Futuro do Pantanal depende da restauração de áreas degradadas
A restauração de áreas degradadas é vital para a sobrevivência do Pantanal, focando na recuperação de nascentes, controle de incêndios e manejo sustentável para conter a savanização e a perda de biodiversidade. Ações nas cabeceiras e a conservação do ciclo hídrico são essenciais para manter o maior bioma úmido do mundo.
Prioridades de Restauração: O foco principal está nas cabeceiras do Pantanal para aumentar a disponibilidade hídrica, evitar o assoreamento de rios como o Taquari e proteger o solo.
Ameaças e Impactos: Com 46% da área antropizada e baixo potencial de regeneração natural em certas regiões, o bioma enfrenta ameaças críticas de queimadas e secas severas, tornando a intervenção técnica necessária.
Projetos Ativos: Iniciativas como o "[Restaura Pantanal]" realizam plantio de espécies nativas e conservação na Estação Ecológica de Taiamã e em nascentes.
Soluções Baseadas em Ciência: Estudos da Embrapa e parcerias com a Mupan/Wetlands International Brasil fornecem guias para a restauração ecológica, aliando o conhecimento técnico às práticas tradicionais de pecuária sustentável.
Com as chuvas cada vez mais irregulares nas Cabeceiras do Pantanal, devido aos impactos das mudanças e variabilidades climáticas, garantir a disponibilidade e a qualidade de água depende de ações imediatas.
3 estudos realizados pelo WWF-Brasil em parceria com a Aegea, lançados em junho/2025, evidenciam que ações de restauração, além de recuperarem áreas degradadas, melhoram a infiltração de água no solo, reduzem o assoreamento de rios e garantem mais água de qualidade para a população da paisagem, além de evitarem prejuízos econômicos.
O diagnóstico é importante e urgente. Até 2023, 59% da paisagem já foi modificada pelas atividades humanas e 67% das pastagens estavam degradadas.
O objetivo dos estudos é mostrar que ter vegetação no solo não representa perda da área produtiva, mas sim um investimento com retorno econômico — especialmente quando se consideram custos com adubação, tratamento de água e perda de produtividade em áreas degradadas.
Recuperação do Pantanal “demandará esforços e custos elevados”
Restauração é chave para resiliência hídrica e sustentabilidade no Pantanal.
Áreas com vegetação nativa, assim como pastagem com boa cobertura de gramíneas e arborizadas, geram muitos benefícios para a paisagem, especialmente na proteção e manutenção dos recursos hídricos das Cabeceiras, que têm influência direta na resiliência hídrica do Pantanal.
“Os estudos mostram o que já víamos no campo. Que ter vegetação no solo é essencial para garantir água, produtividade e viabilidade para agropecuária. Os dados deixam evidente que investir em restauração custa menos do que remediar os danos depois”, explica Veronica Maioli, especialista em Conservação no WWF-Brasil.
Os resultados obtidos pelos estudos oferecem subsídios valiosos para orientar ações práticas no campo e apoiar estratégias de atuação de diferentes atores na paisagem, como proprietários rurais, empresas e a população em geral. Entre as evidências levantadas, destaca-se que a restauração da vegetação nativa reduz significativamente os riscos de erosão e enchentes, melhora a qualidade da água e gera retornos financeiros positivos, além de preservar a saúde dos corpos hídricos.
Pastagens bem manejadas e arborizadas podem reduzir em até 40% a perda de água e em até 59% a perda de solo, em comparação com áreas degradadas, como solo exposto. Além disso, o investimento em restauração e em boas práticas agropecuárias que conservem o solo mostra-se economicamente vantajoso: cada R$ 1 aplicado pode gerar até R$ 8 em retorno, tornando essa uma estratégia eficaz tanto para a resiliência ambiental quanto para o desenvolvimento sustentável da região.
A realização dos estudos contou com o apoio da Aegea, e foi fundamental para viabilizar a produção de conhecimento técnico e científico sobre a região. A iniciativa reforça o quanto é essencial que o setor privado apoie ações que geram evidências e orientam decisões mais estratégicas, sustentáveis e eficazes.
“O apoio ao WWF-Brasil reforça o compromisso da Aegea com soluções para o enfrentamento dos desafios impostos ao saneamento nas regiões onde atuamos. O restauro da paisagem na área das Cabeceiras do Pantanal é muito valioso para nós como uma empresa de saneamento, garantindo maior resiliência hídrica num cenário onde o regime de chuvas é cada vez mais incerto.
Prezar pela qualidade da água, reduzindo custos no tratamento e na distribuição, e protegendo um dos maiores patrimônios naturais do país, é como gostamos de encarar a sustentabilidade nos negócios”, comenta Édison Carlos, Presidente do Instituto Aegea.
“As chuvas são influenciadas por diferentes fatores e eventos climáticos. Os estudos mostram que, frente às variações do clima e à crescente transformação da paisagem, a tendência é de diminuição das chuvas e, consequentemente, das vazões dos rios.
Recuperação do Pantanal “demandará esforços e custos elevados”
Nesse cenário, as Soluções
Baseadas na Natureza, como a restauração da vegetação nativa e a conservação do
solo, desempenham um papel fundamental para amortecer e minimizar os impactos
de eventos extremos, promovendo a infiltração da água, a redução da erosão e a
manutenção (ou aumento) da recarga de água subterrânea, que mantêm o fluxo dos
rios na época de estiagem, comenta Maria Eduarda Coelho, analista de
Conservação no WWF-Brasil. (ecodebate)
domingo, 17 de maio de 2026
Demanda global por carne bovina impulsiona o desmatamento da Amazônia
Principais Impactos e Causas:
Pecuária Extensiva: É o
principal vetor de destruição, transformando floresta nativa em pasto.
Destino da Produção: Uma
parte significativa da carne produzida em áreas desmatadas atende ao mercado
interno, enquanto o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais.
Ilegalidade: Estima-se que
75% do desmatamento em terras públicas na Amazônia esteja relacionado à criação
de gado.
Cadeia de Suprimentos: As
cadeias produtivas são complexas, tornando difícil a rastreabilidade e
facilitando a entrada de carne proveniente de áreas desmatadas ilegalmente no
mercado.
Impactos Ambientais: A
pecuária na região causa emissão de metano, degradação do solo, poluição da
água e perda de biodiversidade.
Dinâmica do Desmatamento:
O desmatamento e o aumento do
rebanho na Amazônia crescem de forma quase paralela, com o Pará destacando-se
como um dos maiores produtores de carne. O manejo das pastagens muitas vezes é
ineficiente, levando ao abandono das áreas após poucos anos e à busca por novas
áreas de floresta, perpetuando o ciclo. Estudos indicam que o desmatamento para
pasto é 5 vezes maior que o de outros produtos.
Desafios e Contexto:
A pesquisa demonstra como a
demanda do consumidor em diversos países está diretamente ligada ao
desmatamento no Brasil, frequentemente por meio de cadeias de suprimentos
complexas e de difícil regulamentação. Combinando análises econômicas e
ambientais, o estudo revela por que os esforços atuais para conter o
desmatamento não conseguem acompanhar a demanda global.
As conclusões foram
publicadas na revista Competition & Change.
O que o estudo descobriu?
A pesquisa concentra-se na
Amazônia brasileira, onde a pecuária é uma das principais causas do
desmatamento. Ela demonstra que as decisões tomadas pelos agricultores são
influenciadas por uma forte combinação de demanda do mercado global, preços da
terra e políticas governamentais.
Em muitos casos, o desmatamento na verdade aumenta o valor da terra, criando um ciclo em que o desmatamento leva ao lucro e a mais desmatamento. Ao mesmo tempo, as normas ambientais e as iniciativas de sustentabilidade muitas vezes não chegam plenamente às pessoas que tomam as decisões sobre o uso da terra no terreno.
Por que isso é importante para as pessoas?
Embora a Amazônia possa
parecer distante, o estudo destaca como o consumo cotidiano está ligado às
mudanças ambientais. A carne bovina vendida em supermercados e restaurantes ao
redor do mundo pode ser relacionada a decisões de uso da terra na floresta
tropical.
As consequências são globais.
A Amazônia desempenha um papel vital no armazenamento de carbono e na regulação
do clima. O desmatamento contribui para as mudanças climáticas, a perda de
biodiversidade e padrões climáticos mais extremos em todo o mundo.
O que torna este estudo
diferente?
A maioria das pesquisas analisa sistemas econômicos ou sistemas ambientais isoladamente, mas raramente ambos em conjunto. Este estudo apresenta uma nova abordagem que conecta cadeias de suprimentos globais com ecossistemas locais, mostrando como eles se influenciam mutuamente em tempo real. Ele revela que os danos ambientais não são apenas um efeito colateral não intencional — eles estão intrínsecos ao funcionamento dos sistemas de produção globais.
Desmatamento na Amazônia é pressionado por soja e carne
Quais são os maiores
desafios?
Uma questão fundamental é a
fragmentação dos sistemas de governança. Governos, empresas e organizações
ambientais frequentemente atuam de forma separada, com pouca coordenação.
Por exemplo, grandes empresas
de carne podem impor regras de sustentabilidade aos fornecedores diretos, mas
os fornecedores indiretos — onde ocorre grande parte do desmatamento — podem
ficar de fora.
Ao mesmo tempo, os pequenos
agricultores muitas vezes não têm acesso a crédito ou apoio técnico, o que
torna mais difícil para eles adotarem práticas mais sustentáveis.
Quais são as soluções?
O estudo destaca diversas
oportunidades importantes para reduzir o desmatamento:
Fortalecimento da aplicação
das leis ambientais
Melhorar a rastreabilidade em
toda a cadeia de suprimentos.
Apoio aos agricultores com
financiamento e formação.
Recompensar a conservação por
meio de incentivos como pagamentos por serviços ecossistêmicos.
É importante destacar que a pesquisa demonstra que nenhuma solução isolada funcionará por si só — o progresso depende de uma melhor coordenação entre os sistemas globais e locais.
Por que esta pesquisa é importante agora?
Com o aumento da demanda
global por carne bovina, a pressão sobre a Amazônia também deverá crescer. Os
pesquisadores afirmam que suas descobertas oferecem um roteiro mais claro para
formuladores de políticas, empresas e organizações que buscam equilibrar o
crescimento econômico com a proteção ambiental, além de apresentar uma nova
maneira de enfrentar um dos desafios ambientais mais urgentes do mundo.
“Nosso estudo mostra que o
desmatamento não é apenas um problema local — ele é impulsionado pela interação
entre as cadeias de suprimentos globais e os sistemas ambientais locais. Ao
reunir governança econômica e feedback ecológico, podemos identificar melhor
onde a ação terá o maior impacto para tornar a produção global mais
sustentável”, disse o autor principal, John Loomis. (ecodebate)
Jardins de chuva e telhados frios protegem as cidades do calor e das enchentes
Jardins
de chuva e telhados frios/verdes são Soluções Baseadas na Natureza (SbN) que
combatem o calor e enchentes, atuando como "cidades-esponja". Eles
absorvem e filtram a água da chuva, reduzindo alagamentos, e diminuem ilhas de
calor ao aumentar a umidade e sombreamento, melhorando o microclima urbano.
Benefícios
Principais:
Gestão
de Enchentes: Jardins de chuva absorvem até 30% mais água que gramados comuns,
aliviando o sistema de drenagem.
Redução
de Calor: Telhados verdes e frios diminuem a reflexão solar e a temperatura do
ar, mitigando ilhas de calor.
Qualidade
Ambiental: Filtram até 90% dos nutrientes e poluentes da água da chuva, além de
promoverem a biodiversidade.
Conceito
Cidade-Esponja: Cidades como as da China e a Holanda utilizam essas infraestruturas
para reter e reutilizar a água.
Essas
soluções, como jardins de infiltração e telhados verdes, mimetizam o meio
ambiente para tornar áreas urbanas mais resilientes.
Em
um país marcado pelo calor extremo e pelas chuvas intensas, duas tecnologias simples
e acessíveis podem mudar a forma como nossas cidades lidam com o clima: os
jardins de chuva e os telhados frios
Você
já parou para observar como nossas cidades parecem “sufocadas” pelo asfalto e
pelo concreto? Em dias de chuva forte, o medo das enchentes; nos dias de sol, o
mormaço insuportável das ilhas de calor. Recentemente, mergulhei no conceito de
resiliência urbana e descobri que a solução para esses problemas pode ser mais
verde e simples do que imaginamos.
Estou falando dos jardins de chuva e dos telhados frios, tecnologias que, embora pareçam novidade, buscam resgatar processos naturais que perdemos no meio das selvas de pedra.
O que são, afinal, os jardins de chuva?
Sabe
aquela água que costuma se acumular perigosamente no asfalto? Os jardins de
chuva são projetados justamente para lidar com ela. Eles funcionam como “oásis
de drenagem”: uma rede subterrânea que atua como um reservatório, permitindo
que a água permeie o solo de forma controlada.
Mas
o que mais me encanta não é apenas a engenharia, e sim a vida que eles trazem
de volta. Esses jardins são compostos por camadas específicas que garantem sua
eficiência. Além de gerenciarem o volume hídrico, as plantas filtram os
poluentes da chuva, entregando uma água muito mais limpa para nossos rios e
córregos. É a natureza trabalhando a nosso favor para promover o retorno da
fauna e o enriquecimento da biodiversidade local.
Por
que precisamos de telhados frios?
Se
o jardim de chuva cuida do que acontece no chão, o telhado frio é a nossa
defesa contra o céu. No Brasil, temos a tradição das telhas cerâmicas
vermelhas, que absorvem um calor solar imenso. Ao optarmos por superfícies
reflexivas ou brancas, criamos uma oportunidade única de resfriamento externo.
Essa mudança simples reduz drasticamente as ilhas de calor e melhora a qualidade do ar ao nosso redor. É uma solução que une o útil ao agradável: traz vantagens econômicas (menos gasto com ar-condicionado!) e um impacto ambiental positivo imediato para o clima tropical.
Paisagismo transforma cidades e vidas
Mais
do que infraestrutura, um compromisso com a vida.
Investir
nessas áreas verdes não é apenas uma questão de paisagismo; é uma estratégia
crucial para a sobrevivência das cidades frente às mudanças climáticas. Ao adotarmos
essas práticas, reduzimos a necessidade de obras emergenciais e minimizamos o
risco de desastres naturais.
Mudar
a cor de um telhado ou plantar um jardim estratégico na calçada pode parecer
pouco, mas é assim que restauramos os processos ecológicos e hídricos do nosso
lar. Afinal, todos merecemos viver em cidades que não apenas nos abriguem, mas
que também respirem e nos ofereçam qualidade de vida. (ecodebate)
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Dia da Terra e o aquecimento dos oceanos
Pesquisadores
alertam que o aquecimento global está alterando a rotação do planeta: com o
derretimento das calotas polares e a redistribuição da água nos oceanos, os
dias estão ficando mais longos em um ritmo inédito desde pelo menos 3,6 milhões
de anos.
O
Dia da Terra em 22/04/2026 destaca a crise climática com ênfase no aquecimento
recorde dos oceanos, que absorvem 90% do excesso de calor. As temperaturas da
superfície do mar superaram 21°C no início de 2026, indicando uma mudança
estrutural. Isso causa branqueamento de corais, aumento do nível do mar e
eventos extremos.
Pontos-chave
do aquecimento oceânico no Dia da Terra 2026:
Recordes
Contínuos: O período 2023-2026 marca um aquecimento sem precedentes, não apenas
recordes isolados.
Mudança
Estrutural: O "piso térmico" do planeta subiu. Oceanos mais quentes
intensificam furacões, secas e chuvas.
Impacto
no Ecossistema: A acidificação dos oceanos, devido à absorção de CO2,
ameaça a vida marinha, especialmente corais, crustáceos e moluscos.
Urgência:
O aquecimento de 1,5°C ameaça destruir entre 70% a 90% dos recifes de coral, e
2°C pode significar a perda de quase 100%.
A
data, criada em 1970, reforça a necessidade de reduzir emissões e proteger o
solo e a água, com o tema de 2026 focado em "Nosso Poder, Nosso
Planeta".
O
Dia da Terra, celebrado em 22 de abril e criado em 1970, surgiu em um contexto
de crescente preocupação com a crise ecológica global. A iniciativa partiu do
senador norte-americano Gaylord Nelson, com o objetivo de promover uma
consciência coletiva sobre problemas como a poluição, a conservação da
biodiversidade e outras questões ambientais fundamentais para a proteção do
planeta.
As
primeiras mobilizações, naquele mesmo ano, reuniram cerca de duas mil
universidades, 10 mil escolas de ensino básico e centenas de comunidades. Esse
amplo engajamento gerou forte pressão social, contribuindo para que o governo
dos Estados Unidos criasse a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e aprovasse
uma série de leis voltadas à preservação ambiental.
No
entanto, em vez de atender plenamente aos alertas sobre a degradação ambiental,
governos e setores desenvolvimentistas frequentemente optaram por priorizar o
crescimento populacional e econômico, em nome da grandeza nacional e da
projeção internacional. Esse caminho tem sido associado à busca por uma
prosperidade material muitas vezes insustentável e pouco racional do ponto de
vista ecológico.
Ao
longo dos 56 anos desde a criação do Dia da Terra, em 1970, a preocupação com o
aquecimento global passou de um tema periférico no debate ambiental para o eixo
central das discussões sobre o futuro da humanidade.
Nas
décadas de 1970 e 1980, o foco inicial do movimento ambientalista —
impulsionado pelo primeiro Dia da Terra — estava mais concentrado em problemas
visíveis e imediatos, como a poluição do ar e da água, a contaminação por
produtos químicos e a perda de biodiversidade. Ainda que a base científica do
aquecimento global já estivesse sendo construída, especialmente a partir dos
estudos sobre o efeito estufa, o tema permanecia restrito a círculos
acadêmicos.
A
virada começa no fim dos anos 1980, quando o aquecimento global ganha projeção
internacional com a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas, em 1988. A partir daí sucessivos relatórios científicos passaram a
consolidar evidências de que o aumento das temperaturas médias do planeta
estava ligado às emissões de gases de efeito estufa decorrentes das atividades
humanas.
Na
década de 2000, a preocupação se intensifica com a ampliação das evidências
científicas e a crescente cobertura midiática. O Protocolo de Kyoto, que entrou
em vigor em 2005, representou a primeira tentativa concreta de estabelecer
metas obrigatórias de redução de emissões para países desenvolvidos.
Paralelamente, eventos climáticos extremos — como ondas de calor, secas e
tempestades mais intensas — começaram a ser associados ao aquecimento global no
debate público.
A
partir de 2010, o tema ganha ainda mais urgência. O Acordo de Paris marca um
ponto de inflexão ao estabelecer o compromisso global de limitar o aquecimento
a bem abaixo de 2ºC, com esforços para restringi-lo a 1,5ºC. Ao mesmo tempo,
cresce a mobilização da sociedade civil, especialmente entre os jovens, com
movimentos como o Fridays for Future, liderado por Greta Thunberg.
Nos
anos mais recentes, o aquecimento global deixou de ser uma preocupação futura
para se tornar uma realidade presente. Recordes sucessivos de temperatura, o
derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar e a
intensificação de eventos extremos reforçam o diagnóstico de uma crise
climática em curso. Instituições como o Copernicus Climate Change Service têm
documentado esse avanço com dados cada vez mais precisos.
Os
dados mais recentes vêm mostrando um salto sem precedentes na temperatura da
superfície dos oceanos a partir de 2023, que se manteve em 2024 e continuou
muito elevada em 2025 — e tudo indica que 2026 pode voltar a bater recordes,
conforme mostra o gráfico abaixo do Climate Reanalyzer.
Estudos
mostram que houve um “salto” abrupto nas temperaturas da superfície do mar em
2023 e 2024, algo estatisticamente muito raro sem o aquecimento global em
curso. Além disso, praticamente todo o oceano foi afetado por ondas de calor
marinhas extremas em 2023.
Em
2023 e 2024 foram observados recordes sucessivos de temperatura da superfície
do mar, incluindo valores acima de 21ºC em médias globais diárias. Esse patamar
representa um nível muito elevado em comparação com a climatologia recente
(anos 1990–2010).
Esse
encadeamento de anos (2023–2026) não é apenas uma série de recordes isolados —
ele revela uma mudança estrutural: a) Os oceanos absorvem cerca de 90% do
excesso de calor do sistema climático; b) Estão acumulando energia
continuamente, o que eleva o “piso térmico” do planeta; e c) Mesmo quando há
variabilidade natural (El Niño/La Niña), o patamar geral segue subindo. Em
outras palavras: os recordes estão deixando de ser exceção e se tornando o novo
normal.
O
que os dados do Climate Reanalyzer captam — essa sequência de temperaturas
acima de 21ºC — é um sinal muito claro de aceleração do aquecimento oceânico. E
isso é crucial, porque oceanos mais quentes:
-
Intensificam eventos extremos (chuvas, furacões, secas)
-
Aceleram o derretimento das calotas de gelo e elevam o nível dos oceanos
-
Pressionam ecossistemas (como recifes de coral) e reduzem a biodiversidade
marinha
-
Reduzem a capacidade do planeta de estabilizar o clima
Assim, ao longo dessas mais de 5 décadas, o aquecimento global passou de hipótese científica a evidência incontestável e, finalmente, a uma emergência global. O mundo precisa abandonar as guerras e a dependência dos combustíveis fósseis. A transição energética é um imperativo.
O Dia da Terra, que começou como um movimento voltado à conscientização ambiental, tornou-se hoje também um marco simbólico da luta contra a crise climática e da busca por um novo modelo de desenvolvimento compatível com os limites do planeta. (ecodebate)
Eventos climáticos extremos aumentam o risco de doenças cardíacas
Eventos
climáticos extremos, como ondas de calor, frio intenso e inundações, aumentam
significativamente o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e
AVC. O calor extremo (acima de 38°C) eleva o risco individual em cerca de 3%
por dia, enquanto o frio extremo pode aumentar o risco de infarto em até 30%
devido à vasoconstrição.
Impactos
dos Extremos Climáticos na Saúde Cardiovascular:
Calor
Extremo: Causa desidratação, aumenta a viscosidade sanguínea e provoca
vasodilatação, o que eleva a frequência cardíaca e sobrecarrega o coração.
Também associado ao aumento de arritmias.
Frio
Extremo: Causa vasoconstrição (contração dos vasos sanguíneos), dificultando a
circulação e aumentando a pressão arterial, o que eleva o esforço cardíaco.
Eventos
de Chuva/Inundação: Tempestades e inundações aumentam o risco por estressores
agudos (medo, deslocamento) e interrupção de serviços de saúde, essenciais para
pacientes crônicos.
Populações
Vulneráveis: Idosos e pessoas com doenças cardíacas pré-existentes são os mais
afetados.
Proteger
o Coração:
Hidratação:
Manter-se bem hidratado com água, água de coco ou isotônicos é a principal
defesa contra o calor.
Evitar
Exposição: Evitar o sol e esforço físico nos horários mais quentes.
Ajustes
de Medicação: Pacientes hipertensos que usam diuréticos devem consultar um
médico, pois a desidratação pode exigir ajustes.
Ambiente:
Permanecer em locais frescos, arejados ou climatizados durante ondas de calor.
Análise
mostra como ondas de calor, frio extremo e chuvas intensas impactam a
incidência de doenças cardíacas em populações idosas.
Um
novo estudo revelou uma ligação entre condições climáticas extremas e o risco
de doenças cardiovasculares em adultos de meia-idade e idosos em 157 cidades
chinesas. Dependendo do clima e da localização da cidade, a exposição ao calor,
frio e precipitação extremos aumenta o risco de doenças cardíacas.
As
conclusões do estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine,
pela Elsevier, fornecem evidências para que formuladores de políticas em
diferentes regiões desenvolvam estratégias direcionadas à proteção de
populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos.
Eventos
climáticos extremos (ECEs) têm se intensificado globalmente com a aceleração das
mudanças climáticas, representando ameaças sem precedentes à saúde pública. O
rápido envelhecimento da população chinesa, com a projeção de 400 milhões de
pessoas com mais de 60 anos até 2035, reflete uma população crescente com maior
vulnerabilidade. Doenças cardiovasculares (DCVs), principais causas de morte na
China, são particularmente prevalentes entre os idosos. Estudos anteriores já
haviam associado DCVs a temperaturas extremas.
Pesquisadores
da Escola de Saúde Pública da Universidade de Xiamen, na China, empregaram
métodos econométricos espaciais para examinar o impacto de eventos climáticos
extremos na prevalência de doenças cardiovasculares em nível municipal entre
adultos de meia-idade e idosos na China, utilizando dados longitudinais
(2015–2020) do Estudo Longitudinal de Saúde e Aposentadoria da China (CHARLS) e
da Pesquisa Social Longitudinal sobre Envelhecimento da China (CLASS).
Os
principais resultados incluem:
• O
calor extremo (acima de 38ºC) aumentou a prevalência de doenças
cardiovasculares (DCV) em nível urbano, com um gradiente de impacto Leste-Oeste
atenuado; cada dia adicional de calor extremo foi associado a 1.128 casos
adicionais de DCV por 100.000 pessoas.
• O
frio extremo (abaixo de -10ºC) aumentou a prevalência de doenças
cardiovasculares (DCV) em nível municipal, com um gradiente de impacto
oeste-leste atenuado; cada dia adicional de frio extremo foi associado a 391
casos adicionais de DCV por 100.000 pessoas.
• A
análise de inferência causal revelou que cada dia de calor extremo aumentou o
risco individual de doenças cardiovasculares em 3,044%, os dias de frio extremo
em 0,110% e os dias de precipitação extremo em 1,620%.
A
análise de heterogeneidade identificou subgrupos de alto risco:
• Os efeitos nocivos do calor
afetaram pré-aposentados, fumantes e residentes em áreas com altos níveis de
ozônio (O3) (com um IMC mais elevado mitigando o risco).
•
Os eventos climáticos extremos (ECEs) com frio afetaram pessoas próximas da
aposentadoria, indivíduos com IMC elevado e populações com altos níveis de O3.
Em
contrapartida, abaixo de -10°C, o leve isolamento da gordura corporal é
sobrepujado pelos riscos cardiovasculares associados ao maior peso corporal.
Para pessoas com IMC mais elevado, o stress induzido pelo frio — que aumenta a
pressão arterial e a viscosidade do sangue — é significativamente amplificado,
elevando o risco cardiovascular apesar de qualquer efeito isolante.
Os
pesquisadores ficaram surpresos com o impacto da precipitação extrema — uma
área pouco estudada. Ao contrário das temperaturas extremas, a precipitação
extrema não apresentou um padrão espacial contínuo e regular em nível regional,
mas demonstrou efeitos adversos significativos sobre as doenças
cardiovasculares em nível individual.
Os
investigadores enfatizam que são necessárias mais pesquisas sobre eventos de
precipitação extrema para elucidar o seu impacto na saúde cardíaca.
O
estudo destaca as seguintes estratégias para que os formuladores de políticas
protejam as populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos:
1.
Priorizar regiões vulneráveis às mudanças climáticas, conectando alertas
meteorológicos a redes de saúde, alertando grupos de alto risco e
pré-posicionando recursos.
2.
Oferecemos gerenciamento de peso, suporte para purificação do ar e educação em
saúde simplificada para subgrupos de alto risco.
3.
Estabelecer alianças para compartilhar recursos entre áreas de alta capacidade
e pontos críticos, e priorizar o financiamento da prevenção de doenças
cardiovasculares em regiões de rápida urbanização.
4.
Ampliação das áreas verdes e modernização da infraestrutura de
aquecimento/refrigeração.
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