Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Seca simultânea em vários continentes pode triplicar o preço do trigo
Estudo internacional mostra
que secas simultâneas em grandes regiões produtoras de trigo explicam quase ¾ das variações no preço global do grão.
Pão, massa e cereal do café
da manhã parecem estar muito longe de um campo seco e rachado em algum lugar do
mundo. Mas uma nova pesquisa mostra que, quando a falta d’água atinge ao mesmo
tempo várias das principais regiões produtoras de trigo do planeta, o efeito
chega direto à prateleira do supermercado e à mesa de casa.
Pode parecer estranho pensar
que uma seca na Ásia central, somada a outra na Europa e a mais uma na América
do Norte, tenha alguma relação com o preço do pão francês na padaria da
esquina. Mas é exatamente essa conexão que um grupo de pesquisadores decidiu
investigar, e os resultados surpreenderam até os próprios cientistas.
O estudo, intitulado
“Climate‐Induced Severe Water Scarcity Events as Harbingers of Global Wheat
Price” e publicado na revista científica Earth’s Future, cruzou dados
climáticos, mapas de áreas cultivadas e preços internacionais de commodities
agrícolas ao longo de mais de 2 décadas. A conclusão é impressionante: a
extensão de eventos severos de escassez hídrica ao redor do mundo consegue
explicar sozinha cerca de 74% das oscilações anuais no preço global do trigo
entre os anos 2000 e 2021.
Entre os autores da pesquisa está Jørgen E. Olesen, professor e chefe do Departamento de Agroecologia da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Para ele, a novidade do estudo não está em provar que as mudanças climáticas afetam a produção agrícola, algo já bastante conhecido, mas em mostrar com clareza como secas espalhadas pelo globo se traduzem em preços mais altos para quem está no mercado e na ponta do consumo.
O problema não é uma seca isolada, é várias secas ao mesmo tempo
A grande sacada dos
pesquisadores foi criar um novo indicador, batizado de Severe Water Scarcity,
ou Escassez Hídrica Severa. Em vez de olhar apenas para o que acontece numa
única região agrícola, esse indicador mede qual proporção da área de plantio de
trigo em todo o mundo está enfrentando seca justamente nos meses em que a
planta mais precisa de água.
A lógica por trás disso é
simples de entender. Uma seca localizada costuma ser absorvida pelo mercado
global sem grandes traumas, porque outras regiões produtoras compensam a perda.
O problema real surge quando vários “celeiros do mundo” secam ao mesmo tempo,
ou em sequência muito próxima, e o sistema global de abastecimento fica sem
alternativas para equilibrar a oferta. Segundo os cientistas, esse tipo de
evento combinado tende a se tornar cada vez mais frequente num planeta mais
quente.
Um dos achados do estudo é que o trigo se comporta de um jeito bem particular entre os grãos. A relação entre escassez de água e alta de preço se mostrou muito mais forte no trigo do que no milho, e os pesquisadores nem sequer encontraram uma relação parecida no caso do arroz.
Quanto mais quente o planeta, mais caro o pão
Olhando para o histórico, os
dados mostram que, em média, cerca de 5% da área mundial de cultivo de trigo
passou por escassez hídrica severa em um ano típico. Só que essa fatia não é
fixa, ela vem crescendo junto com o avanço das mudanças climáticas. Em anos
particularmente secos, como 2000, 2010, 2012 e 2020, a proporção de área
afetada ultrapassou 15%.
Com base nesse padrão, a
equipe de pesquisa usou modelos climáticos para projetar cenários futuros, e os
números acendem um sinal de alerta. Em um mundo com cerca de 2°C de aquecimento
global, a estimativa é de que o trigo chegue a custar em torno de US$ 273 por
tonelada. Se o aquecimento avançar para 3°C, esse valor pode subir para cerca
de US$ 364 por tonelada, praticamente o triplo do preço global do trigo
registrado em 2010, já corrigido pela inflação.
Para Olesen, o recado é direto: o trigo é uma das culturas alimentares mais importantes do planeta, o que significa que qualquer problema climático na sua produção tende a se espalhar rapidamente para o resto do mundo. Por isso, ele defende que a seca deixe de ser tratada como uma série de episódios locais isolados e passe a ser encarada como um desafio internacional e conectado.
Mais do que um problema do campo
Os próprios autores fazem
questão de reforçar que a seca não é a única variável no tabuleiro dos preços
do trigo. Custos de energia e de fertilizantes, o tamanho dos estoques mundiais
de grãos, políticas de comércio internacional e conflitos geopolíticos também
pesam bastante na equação. Ainda assim, o estudo consegue isolar um fator
climático que, até então, era difícil de medir com precisão, e que já parece
estar deixando marcas visíveis nos mercados globais. É justamente isso que
torna a descoberta relevante para muito além do universo da agricultura.
O trigo é alimento básico
para bilhões de pessoas ao redor do mundo. Quando a seca atinge simultaneamente
várias das grandes regiões produtoras, o abalo se propaga pelas cadeias
internacionais de comércio e pode chegar a países e famílias que nunca chegaram
perto de um campo de trigo seco.
Por isso, os pesquisadores defendem que as próximas avaliações sobre segurança alimentar não olhem apenas para mudanças graduais na produtividade das lavouras ao longo dos anos. É preciso também levar em conta esses grandes eventos de seca que se repetem e que, cada vez mais, atingem várias regiões produtoras estratégicas ao mesmo tempo ou em um curto intervalo de tempo.
Tensões geopolíticas e clima elevam cotações do trigo no mercado internacional
Enquanto contratos avançam na
Bolsa de Chicago, mercado brasileiro segue com negociações limitadas pela
entressafra, aponta Cepea. (ecodebate)
O veredito da NASA sobre El Niño
O que os satélites da NASA
revelam
• Monitoramento do Pacífico:
O satélite PACE registrou o avanço de águas mais quentes e redução do
fitoplâncton na região equatorial em comparação ao ano anterior.
• Impacto ecológico: A
diminuição de nutrientes interrompe a proliferação da vida marinha na área
central do oceano.
• Confirmação científica: Os
dados orbitais corroboram os alertas de agências climáticas sobre a força do
atual episódio do fenômeno.
O veredito da NASA sobre o El
Niño: imagens de satélite revelam como o fenômeno já começou a sufocar a vida
marinha no Pacífico
Em junho/2026, o El Niño foi
oficialmente declarado e já começou a provocar mudanças para além das
temperaturas do oceano. Imagens captadas pela NASA no ano passado mostram uma
queda significativa na concentração de clorofila no Pacífico central, um dos
primeiros sinais de que o El Niño já está afetando a vida marinha. A redução
indica uma menor presença de fitoplâncton, organismos microscópicos que estão
na base da cadeia alimentar dos oceanos. Segundo os pesquisadores, essas
alterações podem ficar ainda mais evidentes nos próximos meses, conforme o fenômeno
vai se fortalecendo.
Imagens da NASA mostram o impacto do El Niño no oceano em apenas um ano
Antes e depois do El Niño: imagens do satélite PACE, da NASA, mostram a concentração média de clorofila no Pacífico equatorial em junho/2025, quando as condições eram neutras, e junho/2026, durante o fortalecimento do fenômeno.
A diferença fica evidente
quando os pesquisadores colocam lado a lado os registros de junho/2025 e
junho/2026. No primeiro período, as condições do Pacífico equatorial eram
consideradas neutras; no segundo, o El Niño já estava em processo de
intensificação. Os dados foram obtidos pelo PACE, satélite da NASA lançado em
fevereiro/2024, por meio do instrumento OCI (Ocean Color Instrument). O
equipamento analisa a luz refletida pelo oceano e permite acompanhar a
distribuição dos diferentes componentes presentes na água, incluindo a
clorofila.
Mas qual a importância desse
pigmento para a vida marinha? A clorofila está presente na maioria dos
organismos que compõem o fitoplâncton, um conjunto de seres microscópicos que
vive próximo à superfície do oceano. Esses organismos realizam fotossíntese e
formam uma das principais bases da cadeia alimentar marinha.
Nas imagens da NASA, a
mudança mais evidente aparece no Pacífico central, próximo à Linha do Equador e
ao norte da Nova Zelândia. Em junho/2026, a concentração de clorofila nessa
região estava consideravelmente menor do que no mesmo período do ano anterior.
Isso significa:
- Menos
clorofila na superfície;
- Menor
presença de fitoplâncton;
- Redução
da quantidade de alimento disponível para o zooplâncton;
- Possíveis
impactos sobre peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos.
Segundo
os oceanógrafos Matthew Kehrli e Graham Trolley, do Centro de Voos Espaciais
Goddard, da NASA, a alteração era esperada. Durante um episódio de El Niño, os
ventos alísios que normalmente sopram de leste para oeste perto do Equador
enfraquecem. Esse enfraquecimento altera a circulação do oceano, fazendo com
que a camada superficial quente se
torne mais profunda e, consequentemente, reduzindo a chamada ressurgência oceânica, responsável por
trazer águas frias e ricas em nutrientes essenciais para a vida marinha. Com
menos nutrientes chegando à superfície, o fitoplâncton encontra condições menos
favoráveis para crescer. E quando a quantidade desses organismos cai, o efeito pode se espalhar para os demais níveis
da cadeia alimentar.
El Niño pode afetar a pesca e
toda a cadeia alimentar do Pacífico
Atualmente, a atuação de um forte episódio de El Niño no Oceano Pacífico já está começando a produzir efeitos que preocupam especialistas. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes partes do mundo, favorecendo ondas de calor, períodos de seca e chuvas intensas, enquanto também modifica as condições do próprio Pacífico. No Brasil, as consequências variam conforme a região e podem se somar ao aquecimento global, contribuindo para temperaturas mais elevadas. No oceano, porém, as mudanças também podem atingir diretamente a vida marinha, começando pela base da cadeia alimentar.
O El Niño pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões, favorecendo secas, ondas de calor e condições mais propícias para incêndios florestais.
É nesse ponto que a redução
do fitoplâncton observada pela NASA ganha importância. Com menos desses
organismos disponíveis, diminui também a oferta de alimento para outras
espécies, o que pode provocar efeitos em cadeia. Um dos exemplos aparece no
Peru, onde episódios anteriores de El Niño foram associados a fortes quedas na
pesca de anchoveta. O aquecimento das águas, combinado à menor ressurgência e à
redução do fitoplâncton, diminui a disponibilidade de alimento para esses
peixes.
A
Expectativa dos cientistas é que as mudanças observadas no Pacífico central se
tornem ainda mais claras conforme o El Niño avance. A diferença pode aparecer
tanto em uma redução ainda maior dos níveis de clorofila quanto na expansão da
área afetada. Toda essa situação, porém,
não significa que a queda da vida microscópica seja necessariamente permanente.
Depois de um episódio de El Niño, pode ocorrer uma recuperação da clorofila,
com concentrações até superiores ao normal no Pacífico equatorial. Correntes
oceânicas que transportam mais ferro e a poeira proveniente de regiões mais
secas da América Central e da América do Sul podem ajudar nesse processo.
O La Niña, fenômeno que
costuma aparecer depois do El Niño, também pode favorecer a recuperação da vida
marinha. Em episódios anteriores, o aumento da ressurgência de águas profundas
ajudou a elevar novamente a concentração de nutrientes e fitoplâncton no
Pacífico. Para entender melhor essas transformações e acompanhar como o oceano
reage ao longo de todo o ciclo do fenômeno, os cientistas agora contam com uma
ferramenta inédita.
Lançado em fevereiro/2024, o
PACE, da NASA, poderá acompanhar pela primeira vez um ciclo completo de El Niño
com medições hiperespectrais globais quase diárias. O satélite consegue
analisar o oceano em mais comprimentos de onda de luz do que as missões anteriores,
permitindo observar com mais detalhes as mudanças na concentração e na
composição do fitoplâncton à medida que o fenômeno avança.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Poluição provoca uma morte a cada 45 segundos
Impactos da Poluição do
Tráfego
• Veículos pesados: Ônibus e
caminhões a diesel formam a principal fonte de fuligem nas cidades.
• Crianças: O ar sujo inflama
os brônquios e gera milhares de diagnósticos de asma todos os dias.
• Projeção futura: Sem
limites rígidos de emissão, os danos à saúde podem subir drasticamente até a
metade do século.
Caminhos para a Solução
• Eletrificação: A troca
rápida por uma frota de veículos com emissão zero é apontada como a principal
forma de reverter o quadro.
• Combustíveis limpos: Reduzir a dependência de motores a diesel em áreas urbanas densas.
Veículos pesados são os principais responsáveis pela poluição rodoviária
A poluição causada pelos
veículos rodoviários é responsável por uma morte prematura a cada 45 segundos e
por um novo caso de asma infantil a cada dois minutos. O alerta é do Conselho
Internacional de Transporte Limpo (ICCT), que acaba de divulgar o estudo
"Benefícios para a saúde do transporte de emissões zero até 2050".
Segundo o levantamento,
somente em 2024 a poluição do transporte rodoviário contribuiu para quase 700
mil mortes prematuras e 250 mil novos casos de asma infantil em todo o mundo.
"O que torna isso
especialmente preocupante é a trajetória: à medida que países de alta renda
limpam suas frotas de veículos, países de baixa e média renda estão no caminho
para suportar uma parcela crescente dos danos, ampliando, e não reduzindo, a
desigualdade global em saúde", disse o autor principal, Lingzhi Jin.
Nos países de renda mais
alta, a previsão é de uma redução de 48% nas mortes prematuras até 2050. Já nos
países de renda média e baixa, a estimativa é de um aumento de 50% e 200%,
respectivamente.
O Brasil também deve
enfrentar um agravamento desse cenário. Segundo estimativa do ICCT, o número de
mortes prematuras causadas pela poluição dos veículos rodoviários no país
deverá crescer 47% até 2050.
Só em 2024, o Brasil
registrou 8 mil mortes prematuras relacionadas à exposição à poluição do
transporte rodoviário e cerca de 9,2 mil casos de asma pediátrica.
Para o ICCT, apenas uma
eletrificação ampla da frota seria capaz de reduzir drasticamente novos óbitos
e casos de asma infantil nas próximas décadas.
Dois cenários para 2050
Para projetar o impacto da
eletrificação na saúde pública, o estudo trabalhou com dois cenários distintos.
O primeiro, chamado Momentum,
considera todas as metas atuais de eletrificação, inclusive aquelas que ainda
não são obrigatórias. Nesse cenário, o Brasil teria 57% das vendas de veículos
leves novos compostas por veículos elétricos até 2050.
Já os pesados, responsáveis
por cerca de 60% de toda a emissão global de poluentes entre os veículos
rodoviários, teriam apenas 12% das suas vendas compostas por modelos elétricos
em 2050.
O segundo cenário, denominado
Ambicioso, prevê que praticamente 100% das vendas globais de veículos leves e
pesados sejam compostas por modelos de emissão zero. Segundo o instituto, esse
é o único cenário capaz de reduzir de forma significativa as mortes prematuras
e os casos de asma infantil.
Globalmente, esse cenário
poderia reduzir em até 80% os óbitos prematuros, o equivalente a 8,8 milhões de
mortes evitadas, além de diminuir em 63% os casos de asma infantil.
A meta oficial da Associação
Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) é que veículos elétricos e híbridos
representem 30% do mercado nacional em 2030. Ainda assim, segundo o ICCT, esse
ritmo de eletrificação não seria suficiente, em escala global, para reduzir de
forma relevante os impactos da poluição sobre a saúde.
Para alcançar o cenário mais
otimista, o Brasil precisaria ter 61% das vendas de veículos leves compostas
por modelos de emissão zero já em 2035 e atingir 100% em 2045. Entre os
veículos pesados, essa participação deveria chegar a 64% em 2035 e, também,
alcançar 100% em 2045.
Embora os números representem
um crescimento expressivo do mercado brasileiro de eletrificados, eles mostram
que o ritmo atual ainda está longe do necessário para atingir o cenário mais
ambicioso traçado pelo ICCT e reduzir de forma significativa os impactos da
poluição veicular sobre a saúde pública até 2050. (biodieselbr)
Onda de calor extrema pressiona economia europeia e força medidas drásticas
A sucessão de ondas de calor
extrema na Europa em 2026 — após os meses de junho e julho mais quentes já
documentados pelo observatório Copernicus — ameaça custar cerca de €$ 180 bilhões à economia regional, o equivalente a 1% do
PIB, forçando governos e indústrias a adotarem restrições severas de consumo e
de infraestrutura.
Impactos Setoriais e
Econômicos
• Produtividade e Indústria:
Queda acentuada no rendimento do trabalho ao ar livre e em fábricas sem
refrigeração adequada.
• Energia e Logística: Níveis
críticos em rios importantes, como o Reno, dificultam o transporte de
matérias-primas e comprometem a refrigeração de usinas nucleares.
• Turismo e Agricultura:
Cancelamentos de viagens e perdas drásticas em lavouras devido à seca severa
que assola o sul e o centro do continente.
Medidas de Adaptação
• Emergência Energética:
Estados de alerta declarados e pedidos de redução voluntária ou obrigatória de
eletricidade e gás.
• Infraestrutura Urbana:
Fechamento temporário de escolas, restrições de velocidade em ferrovias devido
à dilatação dos trilhos e alertas vermelhos em grandes cidades.
Já tensionada por tarifas dos EUA e guerra no Oriente Médio, temperaturas escaldantes podem custar à economia €$ 180 bilhões.
Pessoas se refrescam perto da fonte da Trafalgar Square
As temperaturas escaldantes
estão forçando medidas drásticas na Europa, onde ondas de calor sucessivas
pressionam uma economia já sob pressão das tarifas dos EUA, da concorrência
chinesa e dos preços mais altos de energia em razão da guerra no Irã.
A Nuclearelectrica, produtora
nuclear estatal da Romênia, começou a desconectar seu único reator operacional
da rede elétrica devido aos níveis recordes de baixa das águas do Danúbio,
essenciais para o resfriamento de seus equipamentos, confirmou a empresa à CNN.
O país declarou estado de
emergência energética durante todo o mês de agosto e pediu a empresas e
residências que reduzissem voluntariamente o consumo, informou a Reuters.
Em outros países, França e
Hungria tiveram de reduzir a produção nuclear devido aos baixos níveis dos rios
e às altas temperaturas. As condições de seca também estão alimentando
incêndios florestais devastadores e custosos, além de reduzir a produtividade
das colheitas, ameaçando elevar os preços dos alimentos.
O verão escaldante da Europa
pode custar à economia €$180 bilhões (US$208
bilhões) neste ano, ou 1% do PIB (Produto Interno Bruto, aproximadamente o
crescimento econômico total esperado para a União Europeia, segundo estimativa
do Triodos Bank, com sede nos Países Baixos.
"A queda na
produtividade do trabalho provavelmente terá o maior impacto econômico, ao lado
das perturbações na agricultura, energia e transporte", afirmou o banco em
relatório divulgado.
Grandes extensões da Europa
enfrentam sua 5ª onda de calor do ano nesta semana, com partes da Grã-Bretanha,
França, Espanha e Itália sob alertas de calor extremo.
A mais recente onda de calor
ocorre após a Europa Ocidental registrar o junho e julho mais quentes já
documentados, de acordo com o Copernicus, o monitor climático da União
Europeia. Em Paris, o calor extremo levou a Torre Eiffel e o Louvre a fecharem
mais cedo em alguns dias.
Embora alguns analistas
duvidem que o calor terá um impacto significativo no crescimento econômico
neste ano, apontando para a melhora na confiança empresarial em julho e o aumento
do PIB no primeiro semestre, o clima quente não é a única ameaça econômica.
Os europeus também enfrentam
a perspectiva de aumento nas contas de energia neste inverno, à medida que os
preços do gás natural O preço dos contratos futuros de referência de gás
natural foi negociado próximo aos níveis mais altos desde o início da guerra no
Irã nesta semana, e quase o dobro do registrado no mesmo período do ano
passado.
A guerra no Oriente Médio
tornou as cargas mais escassas e, consequentemente, mais caras, aumentando as
perspectivas de uma nova crise energética.
O calor intenso também elevou
a demanda por ar-condicionado, impulsionando o consumo de gás natural em um
momento em que os estoques precisam ser reabastecidos antes do inverno.
O Danúbio não é a única
hidrovia europeia crítica que está secando em consequência de uma seca
prolongada.
Na Alemanha, maior economia
da Europa, os níveis recordes de baixa do Rio Reno — uma importante rota de
transporte para produtos industriais como aço e produtos químicos — podem
reduzir em 0,3 ponto percentual o crescimento do PIB do país neste ano, segundo
economistas do banco pan-europeu ING.
Isso seria um golpe pesado
para uma economia que cresce menos de 1% ao ano.
A BASF, gigante alemã do
setor químico, afirmou que pode ser incapaz de cumprir pedidos de alguns
compostos químicos porque os baixos níveis de água do Reno restringiram o
fornecimento de certas matérias-primas essenciais.
"Estamos… transferindo
volumes para modais alternativos de transporte, como caminhões e
ferrovias", disse a empresa à CNN, observando que também está utilizando
um número maior de embarcações especificamente projetadas para navegar em águas
rasas.
Vários estados alemães
suspenderam temporariamente as proibições de circulação de caminhões aos
domingos em um esforço emergencial para mitigar a perturbação na cadeia de
suprimentos.
A Comissão Europeia afirmou no início deste ano que os estados-membros da UE deveriam investir cerca de €$ 70 bilhões (US$ 81 bilhões) por ano até 2050 em adaptação climática — gastos que poderiam impulsionar as economias, mas que também exerceriam pressão sobre os orçamentos governamentais já sobrecarregados.
Algumas empresas já começaram
a se adaptar de maneiras inovadoras. Na Inglaterra, uma região notoriamente
chuvosa, a Rookery Farm, de propriedade familiar, está colhendo sua safra às 3hs para garantir que ela tenha teor de umidade suficiente.
"A colheita não é mais apenas uma questão de escapar da chuva — agora estamos nos adaptando a culturas que podem ficar secas demais, o que significa mais colheitas noturnas para atender aos padrões de qualidade exigidos pelos nossos clientes", disse a agricultora Eleanor Gilbert em um vídeo publicado no Instagram.
Altos preços de energia à frente
Enquanto a Europa enfrenta
sucessivas ondas de calor, ela também se depara com a perspectiva de uma crise
energética no inverno.
Os níveis de armazenamento de gás em toda a UE estavam 59% cheios, de acordo com dados do Gas Infrastructure Europe — bem abaixo da média para esta época do ano e em linha com os níveis observados durante o verão de 2021, quando a Rússia havia começado a restringir as exportações para o continente.
"Estou muito preocupada", disse Anne-Sophie Corbeau, pesquisadora do Center on Global Energy Policy da Columbia University, sobre a capacidade da UE de repor os estoques reduzidos.
"Houve muito poucos
carregamentos… saindo pelo Estreito de Hormuz. Todos eles estão indo para a
Ásia", ela disse à CNN.
O verão é a época de pico na Europa para o abastecimento de gás antes dos meses mais frios do inverno, quando os preços costumam ser consideravelmente mais altos. No entanto, o Estreito de Hormuz ainda está efetivamente fechado, bloqueando ⅕ do fornecimento mundial de gás natural liquefeito — uma forma líquida do combustível transportada por navios-tanque.
Os carregamentos restantes,
como os provenientes dos Estados Unidos, também têm maior probabilidade de se
dirigir à Ásia do que à Europa, dizem analistas, porque a demanda lá é
particularmente forte e os compradores estão pagando mais.
Mas isso "não é uma
crise de '22'", disse Christoph Halser, analista sênior de pesquisa de gás
e GNL da Rystad Energy, referindo-se aos históricos picos de preços naquele ano
na Europa após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.
Desde então, o continente
reduziu significativamente suas importações do gás de Moscou — a maior parte
das quais chegava por gasodutos — além de ter reduzido seu consumo geral.
"A demanda de gás na
Europa hoje é aproximadamente 20% menor do que, digamos, em 2021", disse
Halser à CNN.
Massimo Di Odoardo,
vice-presidente de pesquisa de gás e GNL da Wood Mackenzie, também está
confiante de que a Europa evitará um cenário grave de escassez de energia e
apagões.
O preço do contrato de
referência de gás natural da Europa fechou a €$61 ($70) por megawatt-hora, bem acima dos €$32 ($37) registrados no mesmo dia em 2025, de acordo
com dados da Intercontinental Exchange.
Durante o inverno, "a
Europa deveria estar realmente preocupada com uma situação em que o Estreito de
Hormuz não seja aberto, pois isso certamente poderia resultar em preços extremamente
altos", disse Di Odoardo. (cnnbrasil)
sábado, 5 de setembro de 2026
Aquecimento global é uma emergência de saúde pública que bate à nossa porta
Impactos Diretos na Saúde
• Calor extremo: Provoca
desidratação rápida, exaustão e sobrecarga cardiovascular.
• Doenças infecciosas:
Temperaturas altas expandem as áreas de reprodução de mosquitos da dengue, zika
e chikungunya.
• Problemas respiratórios: A
poluição do ar agravada por queimadas afeta pulmões e vias aéreas.
• Segurança alimentar: Secas
e tempestades reduzem a safra de alimentos e contaminam a água potável.
Grupos de Risco e Desafios
• Populações vulneráveis:
Crianças, idosos e pessoas com males crônicos sofrem mais com as variações
bruscas.
• Pressão hospitalar:
Desastres climáticos geram picos de atendimento e risco de falhas estruturais
em postos de atendimento.
• Ações locais: Especialistas
cobram vigilância genômica e redes de atendimento preparadas para surtos
repentinos.
Como as mudanças climáticas
estão reescrevendo o mapa das doenças infecciosas e o que podemos fazer para
nos preparar.
Relatório revela que o planeta em ebulição não transforma apenas o clima. Ele acelera a propagação de vírus, bactérias e fungos que antes estavam longe de nós. A boa notícia é que a ciência já sabe como agir.
A estação que não reconheço mais
Você já parou para reparar
que o outono parece cada vez mais um verão prolongado? Que o inverno chega
tarde e vai embora cedo, deixando um rastro de dias quentes onde antes era
frio? Não é impressão sua. Eu também tenho sentido isso nas últimas temporadas
e não estou falando apenas de desconforto térmico. Estou falando de algo muito
mais silencioso e perigoso.
Essa virada no ritmo da
natureza não está apenas bagunçando nossos calendários. Está reescrevendo, em tempo
real, o mapa das doenças que nos cercam. O que antes era um problema de
geleiras e ursos polares agora entrou pela porta da frente, no posto de saúde
mais próximo, no boletim de dengue da sua cidade.
O relatório global “Role of Climate Change on Emerging and Reemerging Infectious Diseases: From Attribution to Action in Global Health Preparedness”, colocar isso em números e em palavras que não podemos mais ignorar: a mudança climática antropogênica, aquela que alimentamos a cada dia com nossa forma de produzir, consumir e viver, tornou-se uma ameaça fundamental à saúde pública. Não é uma ameaça futura. É atual, presente, e já está fazendo vítimas.
O motor invisível das epidemias
Quando falamos em aquecimento
global, costumamos imaginar ondas de calor, secas, enchentes. Raramente
pensamos em vírus. Mas a ciência hoje é categórica ao afirmar que o clima não é
o cenário onde a vida acontece; ele é o motor principal da dinâmica das doenças
infecciosas.
Microrganismos que antes
estavam confinados a regiões tropicais, equilibrados por cadeias ecológicas
estáveis, estão encontrando novos lares. Mosquitos migram para altitudes mais
altas, pulgas sobrevivem a invernos mais curtos, fungos se adaptam a
temperaturas que antes os inativariam. Não é ficção científica. É ecologia em
movimento, impulsionada por nós.
O relatório me chamou a
atenção para um campo que considero fascinante e ao mesmo tempo assustador: a
Ciência da Atribuição. Diferente das afirmações vagas de que “o calor favorece
doenças”, os cientistas estão agora quantificando com precisão o quanto de cada
surto pode ser debitado diretamente à nossa interferência no clima.
Sabe aquela sensação de que
todo ano a dengue chega mais forte? Ela tem lastro matemático. Os pesquisadores
estimam que cerca de 18% da carga global de dengue entre 1995 e 2014 pode ser
atribuída às mudanças climáticas. Não é um detalhe. É quase um quinto de todas
as infecções. Em 2023, o Ciclone Yaku no Peru desencadeou chuvas extremas que
tornaram o maior surto de dengue da história daquele país, 189% mais provável
justamente por causa da interferência humana no clima.
Não são números frios. São leitos de UTI, famílias de luto, crianças com febre, idosos desidratados. Cada porcentagem ali tem um rosto.
Doenças que nunca pediram visto
O relatório elenca uma lista
de velhos conhecidos que estão ganhando novo fôlego. O Vírus do Nilo Ocidental,
que considerávamos um problema restrito a algumas regiões da África e Oriente
Médio, agora se espalha pela Europa, aproveitando verões mais longos e invernos
que não matam mais seus vetores. A própria peste, a mesma que dizimou
populações na Idade Média, está reemergindo em focos pontuais porque roedores e
pulgas encontram condições favoráveis em climas alterados.
Mas o que mais me impactou
foi o alerta sobre infecções fúngicas invasivas, como a candidemia. Fungos
sempre foram uma ameaça para pessoas imunossuprimidas, mas agora estão se
adaptando ao calor do nosso planeta. E, como sabemos, fungos são
particularmente difíceis de tratar. Há poucos medicamentos disponíveis e a
resistência aumenta.
Parece um enredo de filme de suspense, mas é a realidade da pesquisa médica hoje. O calor ensina os patógenos a sobreviverem dentro de nós.
O que a COVID-19 nos ensinou e ainda não colocamos em prática
Se tem uma coisa que a
pandemia de COVID-19 deixou muito clara é que sistemas de saúde frágeis e a
desinformação matam tanto quanto o próprio vírus. Mas também nos mostrou o
poder da ciência quando ela age rápido, de forma colaborativa e transparente.
O relatório sugere que o
caminho para nos prepararmos para o que vem pela frente não é construir muros,
mas sim pontes. Pontes entre laboratórios e comunidades, entre dados ambientais
e registros médicos, entre governos e cidadãos.
Isso significa investir em diagnósticos acessíveis. Soa básico, mas muitas comunidades carecem dos testes mais simples para identificar um surto antes que ele se alastre. Significa também Vigilância Genômica, o monitoramento do material genético de patógenos, inclusive no esgoto das cidades, para detectar ameaças quando ainda são apenas um sinal fraco. E, acima de tudo, significa união global e local. O clima não respeita fronteiras e as doenças também não. Dados abertos, compartilhamento justo, cooperação entre países e entre vizinhos de bairro.
O que eu posso fazer?
É a pergunta que sempre faço
quando o tema parece grande demais. Mudança climática, emergência sanitária,
vigilância genômica, aparecem assuntos de cientistas em jalecos brancos e
diplomatas em salas fechadas. Mas o relatório enfatiza que a transformação
passa pelo engajamento comunitário.
E isso inclui você e eu
Profissionais de saúde
precisam ser treinados para reconhecer essas “novas” doenças que estão
ressurgindo e nós, como cidadãos, precisamos confiar na ciência, mas também
cobrar políticas públicas de adaptação. Exigir que nosso posto de saúde tenha
testes rápidos. Apoiar a ciência aberta. Entender que o ar que respiramos e a
água que bebemos não são vetores de medo, mas de vida e que protegê-los é uma
escolha coletiva.
A ciência da atribuição já
nos mostra os números. A ciência da convergência nos mostra o caminho: integrar
climatologia, medicina, ecologia e ciências sociais. Não dá mais para tratar
cada área separadamente.
Um futuro que ainda podemos
escrever
Fecho o relatório com uma
mistura de inquietação e esperança. Inquietação porque os dados são
incontornáveis. Esperança porque a ciência já sabe o que fazer. Diagnósticos
acessíveis, vigilância genômica inteligente, sistemas de resposta rápida e,
acima de tudo, humanidade.
Não é uma tarefa para laboratórios. É uma escolha de cada um de nós, todos os dias, ao votar, ao consumir, ao cobrar, ao cuidar do quintal e da saúde do vizinho.
O planeta está aquecendo, sim. Mas nosso coração e nossa razão também podem aquecer, no sentido de se mover, de agir, de se antecipar.
Porque, no fim, a maior
vacina contra as doenças do amanhã é o conhecimento compartilhado hoje. E a
melhor barreira contra o caos é a solidariedade. (ecodebate)
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