Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Ondas de calor podem gerar perdas de até 7% do PIB global até 2030
Abaixo
estão os principais fatores e impactos econômicos mapeados em estudos de
mercado:
•
Impacto na Produtividade: A partir de 30°C, a produção horária de um
trabalhador diminui em média 3% a cada grau adicional. Esse número dispara
quando as temperaturas sobem ainda mais.
•
Setores mais afetados: Atividades ao ar livre ou que exigem esforço físico
contínuo são as mais impactadas, com destaque para a construção civil, a
logística e a agricultura.
• Impacto por Região: A Allianz Research estima que economias fortemente expostas (como França, Alemanha, Itália e Espanha) podem ter perdas acumuladas entre 5% e 7% do PIB caso o calor extremo se repita anualmente até 2030.
Relatório mostra que ondas de calor já impactam produtividade, consumo de energia, investimentos e contas públicas em diferentes regiões do mundo
O
aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor já representa um
risco estrutural para a economia global e pode provocar perdas acumuladas de
até 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em algumas das economias mais expostas
até 2030.
É
que o revela o mais novo estudo “Too hot to grow: The economic costs of extreme
heat”, realizado pela Allianz Research, divisão de pesquisa econômica da
Allianz Trade, que analisou os impactos do calor extremo sobre produtividade,
consumo de energia, investimentos, inflação e contas públicas.
O
estudo identifica que os impactos econômicos do calor se intensificam
significativamente quando as temperaturas ultrapassam os 30°C. A partir desse
ponto, há uma queda acelerada na produtividade do trabalho, aumento do consumo
de energia e pressão sobre custos operacionais das empresas.
Segundo os autores, cada grau adicional acima dos 30°C reduz em aproximadamente US$ 1,30 a produção por hora trabalhada, o equivalente a cerca de 3% da produtividade média observada na amostra analisada entre 2014 e 2024. Paralelamente, a demanda por energia cresce cerca de 1,2% por grau adicional em cenários de calor extremo.
O alto custo econômico das ondas de calor nos países preparados só para o frio
Destaque
para o Brasil e América do Sul
O
Brasil é destacado nominalmente no estudo como uma das economias que já operam
sob níveis elevados de temperatura. O levantamento revela que, ao comparar o
consumo de energia per capita durante o episódio de calor mais intenso enfrentado
pelo país após 2014 com a sua média histórica do período de 1991–2010, o Brasil
registrou um aumento superior a 4% a 5% na demanda por energia. Além disso, em
termos regionais, a América do Sul verá o impacto direto no mercado de trabalho
se acentuar: a parcela de horas de trabalho perdidas devido ao estresse térmico
deve dobrar, subindo de 0,4% em 1995 para 0,8% até 2030.
Impactos
globais
Para medir os efeitos macroeconômicos, os economistas apontam um cenário em que os cinco anos mais quentes registrados por cada país entre 2014 e 2024 se repetem progressivamente entre 2026 e 2030. Nesse contexto, as perdas acumuladas de PIB poderiam alcançar US$ 354 bilhões no Japão, US$ 240 bilhões na França, US$ 147 bilhões na Itália, US$ 131 bilhões na Alemanha e US$ 120 bilhões na Espanha.
Ondas de calor atingem os mais pobres com mais intensidade
O
estudo também destaca que os impactos não se limitam ao crescimento econômico.
Em países mais afetados pelo calor, a formação de capital fixo, indicador
ligado a investimentos produtivos, pode cair em média 8% no período analisado.
Segundo a Allianz Research, o calor extremo reduz o retorno esperado sobre
novos investimentos, desencorajando projetos de expansão e comprometendo a
capacidade produtiva futura.
Além
disso, os autores identificam um cenário de estagflação em economias mais
expostas, com inflação elevada combinada ao aumento do desemprego. Em países
como Espanha, França, Itália e Eslováquia, o estudo projeta simultaneamente
alta de preços e deterioração do mercado de trabalho, pressionando autoridades
monetárias e fiscais.
Os
impactos também atingem diretamente as contas públicas: o relatório estima que
o calor extremo pode reduzir receitas fiscais anuais em até 1,8% na França,
1,3% na Itália e Espanha e 0,7% na Alemanha, ao mesmo tempo em que aumenta
despesas com saúde, infraestrutura, energia e adaptação climática.
Outro
ponto destacado pelo relatório é a baixa cobertura securitária relacionada aos
danos causados pelo calor extremo. Em 2022, as perdas financeiras na Europa
chegaram a €46 bilhões, mas apenas uma pequena parcela estava protegida por
seguros. Segundo o estudo, a maior parte dos danos ocorre de forma indireta,
por meio de perda de produtividade, pressão sobre sistemas de saúde e impactos
econômicos difusos, dificultando a cobertura pelos modelos tradicionais de
seguro.
O levantamento também aponta que países e empresas precisarão acelerar medidas de adaptação climática para reduzir os impactos econômicos das ondas de calor. Entre as recomendações estão a criação de protocolos trabalhistas específicos para altas temperaturas, modernização de edifícios para reduzir superaquecimento, investimentos em infraestrutura energética e ampliação de mecanismos de proteção financeira e securitária.
Crise climática pode reduzir até 50% do PIB global e gerar choques econômicos, sociais e financeiros, segundo estudo internacional.
Fim
do mundo: cientistas colocam o planeta em alerta ao revelar que a crise
climática pode devastar a economia global, com perdas de até 50% do PIB e risco
de choques sociais e financeiros em cadeia. (ecodebate)
segunda-feira, 29 de junho de 2026
O Brasil está preparado para o El Niño 2026?
O
prognóstico climático para este ano indica impactos regionais bastante
distintos:
•
Região Sul: Risco aumentado de eventos extremos de chuvas volumosas, temporais
e enchentes, especialmente a partir de agosto e setembro.
•
Sudeste e Centro-Oeste: Períodos alternados entre chuvas irregulares e ondas de
calor longo, com altas temperaturas que aumentam a demanda por energia e
refrigeração.
•
Norte e Nordeste: Preocupação com a possibilidade de secas severas e redução na
reposição hídrica de reservatórios importantes.
O GOV.BR detalha os estudos de monitoramento climático para nortear a tomada de decisões no país.
El Niño
Modelos
climáticos apontam para um episódio forte ou muito forte entre 2026 e 2027 e a
maior ameaça ao país não é o fenômeno em si, mas as nossas velhas vulnerabilidades
Com
probabilidade acima de 90% de formação do El Niño no segundo semestre de 2026,
cientistas alertam que temos ciência de ponta para prever, mas seguimos
falhando em proteger quem está no caminho da catástrofe.
Nem
todo El Niño produz os mesmos efeitos, e é importante evitar simplificações
excessivas. Mas nosso país esbarra na dificuldade histórica de incorporar o
conceito de risco ambiental às suas atividades de planejamento territorial. É
importante aprendermos a lidar com nossas vulnerabilidades
O
fenômeno El Niño voltou a aparecer com frequência no noticiário internacional
nos últimos meses. A razão é simples: alguns modelos climáticos indicam a
possibilidade de desenvolvimento de um evento relativamente intenso entre 2026
e 2027. Isso não significa, evidentemente, que o planeta caminhe
inevitavelmente para uma catástrofe climática global, mas chama atenção porque
os episódios mais fortes de El Niño costumam alterar o regime de chuvas e
temperaturas em diferentes partes do mundo.
O
El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas
superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação
atmosférica tropical e acaba influenciando o clima em várias regiões do
planeta. A climatologia conhece esse mecanismo há bastante tempo, embora ainda
existam dificuldades importantes quando se tenta antecipar, com muitos meses de
antecedência, a intensidade exata de cada evento e seus impactos regionais
(Trenberth, 1997; McPhaden et al., 2006).
Nem
todo El Niño produz os mesmos efeitos. Os episódios de 1982/1983, 1997/1998 e
2015/2016 ficaram conhecidos pela intensidade e pelos impactos observados em
diferentes continentes, mas cada um deles apresentou características próprias.
A atmosfera não responde de maneira idêntica em todos os eventos, e isso é
importante para evitar simplificações excessivas.
No
Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante de uma região para outra.
Historicamente, a Região Sul tende a registrar aumento das chuvas durante esses
episódios, enquanto áreas do Norte e do Nordeste frequentemente enfrentam
redução das precipitações e períodos mais secos. Mas isso não funciona como uma
regra absoluta. Outros fatores oceânicos e atmosféricos também interferem no
comportamento climático sul-americano, especialmente as condições térmicas do
Atlântico Tropical.
Ainda
assim, existe uma preocupação compreensível em relação ao cenário atual. O país
vem enfrentando, nos últimos anos, uma sequência de eventos extremos bastante
significativa. Secas severas na Amazônia, enchentes no Sul, ondas de calor
persistentes em diferentes regiões e incêndios florestais de grande proporção
passaram a fazer parte da rotina climática recente do Brasil.
Desastres raramente são
produzidos exclusivamente pela chuva, pela seca ou pelo calor. Eles dependem
muito das condições sociais e territoriais sobre as quais esses eventos atuam.
Uma mesma quantidade de chuva produz impactos completamente diferentes em
cidades com infraestrutura adequada e em áreas marcadas por ocupação irregular,
drenagem insuficiente e forte vulnerabilidade social.
Isso
vale igualmente para as secas. Seus efeitos são muito mais graves onde há baixa
segurança hídrica, maior dependência de agricultura de sequeiro e pouca
capacidade de resposta institucional. Por isso, fenômenos como o El Niño acabam
expondo fragilidades que já existiam antes deles.
Em
muitas cidades brasileiras, a expansão urbana continuou ocorrendo em áreas
suscetíveis a enchentes e movimentos de massa. Em outras regiões, a pressão
sobre recursos hídricos aumentou sem planejamento compatível com a
variabilidade climática do país. Grande parte dos problemas aparece justamente
aí: menos na ausência de informação e mais na dificuldade histórica de
incorporar risco ambiental ao planejamento territorial.
Preparar-se
para possíveis impactos associados ao El Niño não significa impedir a
ocorrência do fenômeno. Isso simplesmente não é possível. A questão central é
reduzir vulnerabilidades. Melhorar drenagem urbana, fortalecer sistemas de
alerta, proteger encostas, ampliar monitoramento hidrológico e planejar melhor o
uso do território continua sendo medidas muito mais efetivas do que respostas
emergenciais tomadas apenas depois das tragédias.
Talvez a principal lição trazida pela discussão atual sobre o El Niño seja justamente essa. Eventos climáticos extremos fazem parte da dinâmica natural do sistema climático. O que transforma esses eventos em desastres de grandes proporções é, muitas vezes, a forma como as sociedades organizam seus territórios e lidam, ou deixam de lidar, com suas próprias vulnerabilidades.
Impactos do super El Niño podem ser históricos no Brasil
Enner
Alcântara é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Desastres
Naturais (Unesp/Cemaden), onde orienta pesquisas nas áreas de sensoriamento
remoto, análise espacial e modelagem preditiva aplicada a eventos extremos.
(ecodebate)
sábado, 27 de junho de 2026
Relatório sugere recordes de temperatura global nos próximos anos
Novo relatório sugere mais recordes de temperatura global nos próximos anos.
Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta 75% de chance de o aquecimento global superar temporariamente a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e 86% de probabilidade de que algum ano entre 2026 e 2030 supere o recorde de 2024.
Principais
projeções do relatório:
•
Novos recordes: O recorde do ano mais quente (batido em 2024) pode ser quebrado
já nos próximos ciclos, impulsionado pela tendência de formação de um novo
fenômeno El Niño.
•
Limites de Paris: É previsto que a temperatura média global fique entre 1,3°C e
1,9°C acima da era pré-industrial durante o período de 2026 a 2030. Cruzar a
linha de 1,5°C temporariamente não decreta o fim do Acordo de Paris, já que ele
mede a média a longo prazo (20 anos), mas reforça o alerta climático.
•
Impactos locais: O Ártico deve aquecer mais de 3,5 vezes a média global. Isso
causa derretimento de gelo e perturbações nos sistemas meteorológicos, gerando
eventos climáticos extremos.
O
Observatório do Clima e o Valor Econômico destacam que a atualização, liderada
pelo Met Office do Reino Unido, serve como um forte sinal de que a
estabilização climática precisa ser acelerada.
As temperaturas médias globais provavelmente continuarão em níveis recordes ou próximos a eles nos próximos cinco anos, com anomalias de temperatura no Ártico previstas para continuarem acima da média global, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), produzido pelo Met Office do Reino Unido.
Concurso de Calendário da OMM 2026
A
Atualização Global Anual a Decenal também analisa o clima observado nos últimos
cinco anos e fornece previsões regionais de temperatura e precipitação para os
próximos cinco anos.
Prevê-se
que as temperaturas médias globais anuais próximas à superfície durante o
período de 2026 a 2030 variem entre 1,3°C e 1,9 °C acima da média de 1850-1900.
É provável (86% de chance) que um ano entre 2026 e 2030 ultrapasse 2024 como o
ano mais quente já registrado, de acordo com a atualização.
É
muito provável (91% de chance) que a temperatura média global próxima à
superfície ultrapasse temporariamente 1,5°C acima dos níveis médios de
1850-1900 por pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Esse nível também foi
ultrapassado temporariamente em 2024, quando a temperatura média global da
superfície estava cerca de 1,55°C acima da linha de base pré-industrial.
É
provável (75% de chance) que a média quinquenal de 2026-2030 exceda 1,5°C acima
da média de 1850-1900. Considera-se extremamente improvável (menos de 1%) que
qualquer ano isolado exceda 2°C acima da média de 1850-1900 nos próximos cinco
anos.
A
previsão da temperatura média para os próximos cinco anos no Pacífico tropical
central (região Niño 3.4) indica uma tendência para condições de El Niño,
particularmente em 2027 e 2028, afirma o relatório.
O Dr. Leon Hermanson é o autor principal do relatório. Ele afirmou: “Há uma previsão de El Niño para o final de 2026, o que aumenta as chances de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde”.
Jovem lava o rosto à medida que a temperatura aumenta em Nova Déli, na Índia
A
atualização é produzida pelo Met Office do Reino Unido, em sua função de Centro
Líder da OMM para Previsão Climática Anual a Decenal. Ela fornece uma síntese
das previsões fornecidas por 13 institutos diferentes, incluindo 4 Centros
Globais de Produção: Centro de Supercomputação de Barcelona, Centro Canadense
de Modelagem e Análise Climática, Serviço Meteorológico Alemão (Deutscher
Wetterdienst) e Met Office.
A confiança nas previsões da temperatura média global anual próxima à superfície é alta, visto que as previsões retrospectivas demonstram um alto grau de precisão.
Níveis de 1,5°C à 2°C especificados no Acordo de Paris referem-se ao aquecimento de longo prazo sustentado por um período prolongado, normalmente avaliado ao longo de 20 anos. Anos isolados com temperaturas médias globais anuais superiores a esses níveis não significam que as metas de temperatura de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance. Espera-se que ultrapassagens temporárias ocorram com frequência crescente à medida que o aumento subjacente da temperatura global se aproxime desses níveis. (ecodebate)
Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país
Recuperação da vegetação
nativa ganha força no Brasil, gera créditos de carbono, movimenta a bioeconomia
e cria oportunidades para produtores rurais.
A Mata Atlântica concentra
64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, representando cerca de
131 mil hectares em regeneração. O bioma é considerado um local ideal para a
restauração em larga escala, visto que restam menos de 30% da sua cobertura
florestal original.
Os números e contextos atuais
destacam o cenário da recuperação:
• Área em Recuperação: O
bioma lidera a restauração no país, enquanto a Amazônia registrou crescimento
de 173% na área monitorada em 4 anos.
• Reversão de Perdas: Apesar
de uma média de 155 mil hectares de florestas jovens se regenerarem anualmente,
o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que cerca de 30% dessa
regeneração é perdida novamente ao longo dos anos.
• Investimentos e Metas: Os
esforços visam ajudar o país a cumprir as metas do Acordo de Paris e do Plano
Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
• Biodiversidade em SP: Projetos como os da Fundação Florestal têm monitorado o retorno de espécies raras a áreas protegidas no estado, como antas e o Muriqui do Sul.
Mata Atlântica.
No ano em que registra o
menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia
nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova
agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação
ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa
estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de
geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.
Em 2025, o desmatamento na
Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do
monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse
período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658
hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do
bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de
restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de
integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.
O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.
Restauração da Mata Atlântica vira oportunidade econômica
O potencial econômico da Mata
Atlântica
Os benefícios econômicos da
restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no
sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de
restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges
destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de
Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de
regulamentação e aprimoramento técnico.
“A governança já estabelecida
na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece
condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e
de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma
integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”,
afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e
transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da
Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza
a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das
iniciativas”.
Paralelamente, a silvicultura
de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de
árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto
recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e
Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como
a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está
sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9
milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica
Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas
pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de
rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e
internacional”.
Apesar dos avanços, a
conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a
Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo
com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2
milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram
perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to
resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic
Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga
escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre),
conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a
Coalizão Brasil.
“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.
Mata Atlântica é bioma ideal para restauração ganhar escala
Mata Atlântica concentra 64%
de toda a restauração no país, segundo plataforma
Os números reforçam o esforço
nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente
por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este
índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em
todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site
observatoriodarestauracaoorg.br. (ecodebate)
quinta-feira, 25 de junho de 2026
O Brasil está preparado para o El Niño 2026?
O
cenário de preparação é dividido por regiões:
•
Região Norte e Nordeste: Enfrentam o risco de secas severas, especialmente na
Amazônia.
•
Região Sul: Prepara-se para o aumento de eventos extremos, chuvas volumosas e
temporais.
•
Região Sudeste (incluindo Jundiaí): O padrão exige monitoramento devido ao
risco de instabilidades intercaladas com ondas de calor intenso e
irregularidade de chuvas, o que impacta os reservatórios.
Com
probabilidade acima de 90% de formação do El Niño no segundo semestre de 2026,
cientistas alertam que temos ciência de ponta para prever, mas seguimos
falhando em proteger quem está no caminho da catástrofe.
Nem
todo El Niño produz os mesmos efeitos, e é importante evitar simplificações
excessivas. Mas nosso país esbarra na dificuldade histórica de incorporar o
conceito de risco ambiental às suas atividades de planejamento territorial. É
importante aprendermos a lidar com nossas vulnerabilidades
O
fenômeno El Niño voltou a aparecer com frequência no noticiário internacional
nos últimos meses. A razão é simples: alguns modelos climáticos indicam a
possibilidade de desenvolvimento de um evento relativamente intenso entre 2026
e 2027. Isso não significa, evidentemente, que o planeta caminhe
inevitavelmente para uma catástrofe climática global, mas chama atenção porque
os episódios mais fortes de El Niño costumam alterar o regime de chuvas e
temperaturas em diferentes partes do mundo.
O
El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas
superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação
atmosférica tropical e acaba influenciando o clima em várias regiões do
planeta. A climatologia conhece esse mecanismo há bastante tempo, embora ainda
existam dificuldades importantes quando se tenta antecipar, com muitos meses de
antecedência, a intensidade exata de cada evento e seus impactos regionais
(Trenberth, 1997; McPhaden et al., 2006).
Nem
todo El Niño produz os mesmos efeitos. Os episódios de 1982/1983, 1997/1998 e
2015/2016 ficaram conhecidos pela intensidade e pelos impactos observados em
diferentes continentes, mas cada um deles apresentou características próprias.
A atmosfera não responde de maneira idêntica em todos os eventos, e isso é
importante para evitar simplificações excessivas.
No
Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante de uma região para outra.
Historicamente, a Região Sul tende a registrar aumento das chuvas durante esses
episódios, enquanto áreas do Norte e do Nordeste frequentemente enfrentam
redução das precipitações e períodos mais secos. Mas isso não funciona como uma
regra absoluta. Outros fatores oceânicos e atmosféricos também interferem no
comportamento climático sul-americano, especialmente as condições térmicas do
Atlântico Tropical.
Ainda
assim, existe uma preocupação compreensível em relação ao cenário atual. O país
vem enfrentando, nos últimos anos, uma sequência de eventos extremos bastante
significativa. Secas severas na Amazônia, enchentes no Sul, ondas de calor
persistentes em diferentes regiões e incêndios florestais de grande proporção
passaram a fazer parte da rotina climática recente do Brasil.
O problema brasileiro, contudo, não é apenas climático.
Desastres
raramente são produzidos exclusivamente pela chuva, pela seca ou pelo calor.
Eles dependem muito das condições sociais e territoriais sobre as quais esses
eventos atuam. Uma mesma quantidade de chuva produz impactos completamente
diferentes em cidades com infraestrutura adequada e em áreas marcadas por
ocupação irregular, drenagem insuficiente e forte vulnerabilidade social.
Isso
vale igualmente para as secas. Seus efeitos são muito mais graves onde há baixa
segurança hídrica, maior dependência de agricultura de sequeiro e pouca
capacidade de resposta institucional. Por isso, fenômenos como o El Niño acabam
expondo fragilidades que já existiam antes deles.
Em
muitas cidades brasileiras, a expansão urbana continuou ocorrendo em áreas
suscetíveis a enchentes e movimentos de massa. Em outras regiões, a pressão
sobre recursos hídricos aumentou sem planejamento compatível com a
variabilidade climática do país. Grande parte dos problemas aparece justamente
aí: menos na ausência de informação e mais na dificuldade histórica de
incorporar risco ambiental ao planejamento territorial.
Preparar-se
para possíveis impactos associados ao El Niño não significa impedir a
ocorrência do fenômeno. Isso simplesmente não é possível. A questão central é
reduzir vulnerabilidades. Melhorar drenagem urbana, fortalecer sistemas de
alerta, proteger encostas, ampliar monitoramento hidrológico e planejar melhor
o uso do território continua sendo medidas muito mais efetivas do que respostas
emergenciais tomadas apenas depois das tragédias.
Talvez
a principal lição trazida pela discussão atual sobre o El Niño seja justamente
essa. Eventos climáticos extremos fazem parte da dinâmica natural do sistema
climático. O que transforma esses eventos em desastres de grandes proporções é,
muitas vezes, a forma como as sociedades organizam seus territórios e lidam, ou
deixam de lidar, com suas próprias vulnerabilidades.
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