quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Desertificação no Brasil e o aprofundamento das desigualdades sociais

A desertificação no Brasil degrada cerca de 1,51 milhão de km2 de terras e aprofunda as desigualdades sociais ao ameaçar diretamente a sobrevivência de 39 milhões de pessoas.

O Impacto nas Comunidades Vulneráveis

• Populações afetadas: Agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais sofrem primeiro com a perda de fertilidade do solo.

• Insegurança alimentar e hídrica: A escassez de água e a quebra de safras reduzem a produção de alimentos e comprometem a renda local.

• Perda cultural: Povos tradicionais enfrentam o esgotamento de plantas medicinais, caça e cursos d'água essenciais para seus modos de vida.

Migração e Pobreza Urbana

• Êxodo rural: A falha repetida das colheitas força moradores a abandonarem o campo.

• Pressão nas cidades: Esse deslocamento alimenta a expansão urbana precária nas periferias, transferindo as vulnerabilidades rurais para os centros urbanos.

Iniciativas e Desafios

• Contexto político e global: O Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação busca articular políticas públicas para conter o problema, e o país apresentou metas de neutralidade de degradação da terra em fóruns internacionais.

• Ações locais: Sistemas agroflorestais na Caatinga demonstram alta capacidade de retenção de solo e aumento de biomassa, unindo a recuperação ambiental ao saber tradicional.

Imagem de satélite demonstra umidade no Semiárido.

Em 25/08/2026 durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, realizada em Ulan Bator, na Mongólia, o Brasil apresentou sua primeira Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra. O compromisso reúne 17 submetas e alcança cerca de 3,67 milhões km2, equivalentes a 43,1% do território nacional. A dimensão impressiona, mas precisa ser compreendida corretamente. Aproximadamente 95,5% dessa extensão correspondem a áreas nas quais se pretende evitar o surgimento ou o agravamento da degradação. A recuperação ou restauração propriamente dita deverá abranger cerca de 163 mil km2 até 2030.

O anúncio ocorre em um momento no qual a degradação dos solos deixa de ser vista como um problema restrito ao interior do Nordeste e passa a ocupar uma posição estratégica nas discussões sobre clima, água, biodiversidade e produção de alimentos. Essa mudança já estava presente no Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca 2025–2043, lançado em março/2026. O plano procura articular políticas ambientais, agrícolas, hídricas e sociais, reconhecendo que a perda da capacidade produtiva da terra amplia vulnerabilidades que atingem milhões de pessoas.

A desertificação não transforma necessariamente uma região em um deserto coberto por areia. Trata-se da degradação das terras secas provocada pela combinação entre variações climáticas e atividades humanas.

Quando a vegetação é retirada, o solo é utilizado além de sua capacidade de recuperação e as chuvas se tornam mais irregulares, diminuem a fertilidade, a retenção de água e a biodiversidade. A terra continua existindo, mas perde progressivamente sua capacidade de produzir alimentos, sustentar animais, armazenar carbono e garantir a sobrevivência das comunidades. É nesse sentido que a desertificação constitui também um processo social. Seus efeitos não se distribuem igualmente e recaem primeiro sobre aqueles que dependem diretamente dos recursos naturais para viver.

Um problema que ultrapassa o Semiárido

Seca, aridização, degradação da terra e desertificação são fenômenos relacionados, mas não equivalentes. A seca corresponde a um período de chuvas abaixo do esperado e pode ocorrer em diferentes regiões. A aridização representa uma mudança mais duradoura das condições climáticas, com redução da disponibilidade de água. A degradação envolve a perda de qualidade do solo e da vegetação, inclusive em regiões úmidas. A desertificação, por sua vez, ocorre nas terras secas e resulta da interação entre condições climáticas adversas e formas insustentáveis de utilização do território.

No Brasil, o problema está historicamente associado ao Semiárido, mas não permanece confinado a ele. Estudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais indicam que as áreas semiáridas vêm se expandindo em direção a partes da Bahia e do norte de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, secas prolongadas e temperaturas mais altas aumentam a pressão sobre áreas do Cerrado, da Amazônia e do Pantanal. Isso não significa que todos esses territórios estejam se convertendo em desertos, mas revela que a perda de umidade e a degradação ambiental podem ampliar consideravelmente as áreas suscetíveis.

A situação de Gilbués, no sul do Piauí, ajuda a compreender essa complexidade. O município não está situado no centro do Semiárido tradicional, mas em uma região de transição ambiental com chuvas relativamente concentradas. A retirada da vegetação, a mineração praticada no passado, a pecuária e a vulnerabilidade natural dos solos contribuíram para a formação de sulcos profundos e extensas áreas atingidas pela erosão. Em certos pontos, a água das chuvas escoa rapidamente sobre terrenos desprotegidos, remove a camada superficial e abre grandes voçorocas. O problema não nasce simplesmente da ausência de chuva. Paradoxalmente, chuvas intensas sobre um solo degradado podem acelerar a destruição.

Gilbués também demonstra que a degradação não é irreversível. Técnicas de terraceamento, barragens de contenção, revegetação e correção do solo conseguiram recuperar áreas produtivas. Entretanto, a descontinuidade institucional comprometeu parte das iniciativas. Depois de um período de abandono, o Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas voltou a ser mobilizado, com a previsão de recuperar 1.600 hectares até 2029. Em 2025, um projeto piloto iniciou uma nova etapa de pesquisa em dez hectares, utilizando tecnologias destinadas a favorecer a retenção de umidade e o desenvolvimento da vegetação. O caso reúne, portanto, as duas dimensões do problema brasileiro, a existência de conhecimento técnico e a dificuldade de assegurar continuidade política e financiamento.
A perda do solo chega à produção de alimentos

A erosão não retira apenas terra. Ela carrega nutrientes, reduz a infiltração da água e diminui a matéria orgânica indispensável à produção agrícola. À medida que o solo perde fertilidade, a família rural precisa investir mais para obter uma colheita menor. Quando não dispõe de crédito, assistência técnica ou acesso regular à água, passa a reduzir a área plantada, abandonar determinados cultivos ou vender animais que já não consegue alimentar.

Essa transformação pode ser observada em Cabrobó, no sertão pernambucano, um dos núcleos históricos de desertificação do país. O desmatamento da Caatinga, o pastoreio excessivo, as queimadas e o uso continuado de solos frágeis comprometeram áreas destinadas à agricultura e à criação de animais. Em áreas irrigadas, o manejo inadequado também pode favorecer a salinização. A água evapora rapidamente sob temperaturas elevadas e deixa sais acumulados na superfície. Com o tempo, a terra irrigada para produzir pode perder sua capacidade de sustentar as mesmas plantações.

A desertificação altera a alimentação antes mesmo de provocar o abandono completo de uma propriedade. Desaparecem primeiro os cultivos mais sensíveis ou aqueles destinados ao consumo familiar. A produção pode ficar restrita a poucas espécies resistentes, reduzindo a diversidade dos alimentos disponíveis. O leite, os ovos, a carne e os vegetais cultivados nos quintais também diminuem quando falta água para os animais e para as pequenas plantações. A família que antes obtinha parte significativa de seus alimentos na própria terra passa a depender mais do mercado justamente quando sua renda agrícola está em queda.

Os efeitos ultrapassam os limites das propriedades rurais. A agricultura familiar responde por uma parcela importante dos alimentos frescos consumidos internamente e abastece feiras, pequenos mercados, programas de alimentação escolar e equipamentos públicos. Quando secas sucessivas e solos degradados reduzem essa produção, diminuem a oferta local e aumentam a dependência de alimentos transportados de outras regiões. O encarecimento atinge de forma mais intensa as famílias pobres, que destinam uma proporção maior de sua renda à alimentação.
As cadeias econômicas por trás da terra degradada

A desertificação costuma ser atribuída genericamente à ação humana, uma formulação que esconde diferenças de responsabilidade. Nem todos retiram a vegetação, consomem água ou exploram o solo com a mesma intensidade. Em muitos territórios, famílias pobres participam da retirada de lenha ou do pastoreio excessivo porque dispõem de poucas alternativas econômicas. Os recursos extraídos, entretanto, podem abastecer cadeias produtivas que ultrapassam as comunidades locais.

O Seridó, entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba, apresenta um exemplo concreto. A região foi marcada historicamente pelo cultivo do algodão, pela criação de animais, pelas queimadas e pela exploração de lenha. Parte da madeira retirada da Caatinga alimentou fornos de atividades cerâmicas, responsáveis pela fabricação de tijolos e telhas utilizados na construção civil. A vegetação nativa foi transformada em energia barata, enquanto os custos ambientais permaneceram no território.

A retirada continuada da cobertura vegetal deixa o solo exposto ao sol e à erosão. A regeneração da Caatinga torna-se mais lenta quando bovinos, caprinos e ovinos consomem os brotos que surgem após as chuvas. Forma-se, assim, um ciclo no qual a necessidade imediata de gerar renda compromete as bases ecológicas das atividades futuras. Responsabilizar exclusivamente os pequenos produtores ignora que a degradação está vinculada à demanda urbana por energia, alimentos, minérios e materiais de construção.

Irauçuba, no Ceará, apresenta outra combinação entre fragilidade ambiental e pressão econômica. O município está localizado em uma região de chuvas escassas e irregulares, mas as condições climáticas não explicam sozinhas a intensidade da degradação. O desmatamento, o sobre pastoreio e práticas agropecuárias inadequadas reduziram a cobertura vegetal e aumentaram a exposição do solo. A experiência local mostra que a vulnerabilidade natural se converte em desertificação quando o uso da terra ultrapassa os limites de regeneração do ambiente.

Essas situações exigem políticas que não se restrinjam a recomendar mudanças individuais de comportamento. O manejo sustentável da vegetação precisa estar associado a fontes alternativas de energia, assistência técnica, crédito adequado, regularização fundiária e garantia de renda. Caso contrário, exige-se que as famílias preservem os recursos naturais sem lhes oferecer condições materiais para abandonar práticas das quais dependem.
A desertificação amplia desigualdades antigas

Os efeitos da degradação não começam quando a terra se torna inteiramente improdutiva. Eles aparecem no tempo gasto para buscar água, na diminuição dos alimentos cultivados, no endividamento, na perda dos animais e na necessidade de procurar trabalho temporário fora da comunidade. A desertificação aprofunda desigualdades já existentes porque reduz as possibilidades econômicas dos territórios que dispõem de menos infraestrutura e proteção pública.

As mulheres rurais costumam ocupar uma posição central na produção de alimentos para o consumo doméstico, no cuidado com pequenos animais, no cultivo dos quintais e na administração da água. Quando as fontes próximas diminuem ou os reservatórios deixam de atender às necessidades familiares, aumenta o trabalho necessário para manter a casa e a produção. A perda ambiental transforma-se em sobrecarga cotidiana, embora essa dimensão raramente apareça nos cálculos econômicos sobre os prejuízos da seca.

Povos indígenas, comunidades quilombolas e outras populações tradicionais também enfrentam riscos específicos. A degradação ameaça plantas utilizadas na alimentação e na medicina, reduz a disponibilidade de caça, compromete cursos d’água e enfraquece práticas culturais vinculadas ao território. Para esses grupos, recuperar o solo não significa apenas aumentar a produtividade agrícola. Significa conservar relações sociais, conhecimentos e formas coletivas de manejo construídas ao longo de gerações.

A migração constitui uma das consequências mais duradouras. Diante da perda repetida das colheitas e da falta de oportunidades, parte dos moradores procura trabalho nas cidades ou em outras regiões agrícolas. Nem todo deslocamento é definitivo, mas a saída dos jovens, a separação temporária das famílias e o envelhecimento da população rural enfraquecem a capacidade das comunidades de manter sua produção e sua organização social. A desertificação passa, assim, a alimentar a expansão urbana precária, transferindo vulnerabilidades do campo para as periferias.
Conviver com o Semiárido

Durante muito tempo, as políticas públicas trataram a seca como um inimigo a ser vencido por meio de grandes obras hidráulicas e medidas emergenciais. Essa perspectiva frequentemente concentrou água e poder, sem alterar a insegurança vivida pelas comunidades rurais. A ideia de convivência com o Semiárido parte de outra compreensão. A escassez e a irregularidade das chuvas fazem parte das características regionais, mas não precisam produzir fome, dependência e deslocamento quando existem infraestrutura, conhecimento e políticas adequadas.

A atuação da Articulação Semiárido Brasileiro tornou-se uma das principais referências dessa abordagem. As cisternas construídas próximas às moradias armazenam água das chuvas para o consumo familiar. Outras estruturas permitem reservar água destinada à criação de animais e à produção de alimentos. Os bancos comunitários de sementes ajudam a conservar variedades adaptadas às condições locais, enquanto quintais produtivos, sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas diversificam a produção e reduzem a exposição das famílias à perda de um único cultivo.

Essas tecnologias são simples apenas na aparência. Uma cisterna modifica a organização do trabalho doméstico, reduz o tempo dedicado à obtenção de água e permite atravessar períodos secos com maior autonomia. Um banco de sementes diminui a dependência de variedades comerciais pouco adaptadas. Um sistema agroflorestal protege o solo, conserva umidade e combina recuperação ambiental com produção de frutas, forragem, mel e outros alimentos.

A participação da Articulação Semiárido Brasileiro na formulação da nova meta brasileira apresentada na COP17 indica que conhecimentos acumulados pelas comunidades começam a ser reconhecidos na política nacional. O Programa Recaatingar segue a mesma direção ao estabelecer a meta de recuperar dez milhões de hectares da Caatinga até 2045. A proposta inclui adubação verde, compostagem, plantio direto e sistemas agroflorestais, procurando associar restauração ecológica, geração de renda e fortalecimento das comunidades.
Entre a extensão anunciada e a transformação dos territórios

A Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra representa um avanço porque oferece referências para evitar, reduzir e reverter a degradação. Sua abrangência nacional também reconhece que o problema não se limita aos núcleos históricos de desertificação. Entretanto, a extensão territorial anunciada não pode substituir a avaliação dos resultados efetivamente alcançados.

A recuperação de 163 mil km2 será insuficiente se novas áreas de vegetação nativa continuarem sendo desmatadas ou degradadas. Neutralidade não significa autorização para destruir em um lugar e compensar em outro. Solos, ecossistemas e comunidades não são peças intercambiáveis. Uma área restaurada ao longo de alguns anos não recompõe imediatamente a biodiversidade e as funções ecológicas de uma vegetação madura eliminada.

O cumprimento da meta dependerá ainda de recursos permanentes, coordenação entre diferentes níveis de governo e continuidade das instituições responsáveis. A experiência de Gilbués demonstra como projetos promissores podem perder capacidade quando centros de pesquisa são abandonados. Também será necessário estabelecer indicadores que mostrem não somente quantos hectares receberam alguma intervenção, mas se o solo recuperou fertilidade, se a vegetação permaneceu, se a água voltou a infiltrar e se as famílias conseguiram ampliar sua produção e sua renda.

As populações atingidas precisam participar da definição, execução e fiscalização das ações. Agricultores, povos indígenas, comunidades quilombolas e organizações locais conhecem as limitações e possibilidades dos territórios onde vivem. Sem essa participação, projetos de recuperação podem privilegiar o plantio de poucas espécies, desconsiderar formas tradicionais de uso da terra ou beneficiar propriedades que já dispõem de maior capacidade econômica.

A desertificação avança lentamente, mas seus resultados permanecem por muito tempo. Ela começa com a retirada da vegetação, a erosão de uma encosta, o desaparecimento de uma nascente ou a redução de uma colheita. Quando esses sinais são tratados como acontecimentos isolados, perde-se a oportunidade de impedir que a degradação alcance um estágio mais difícil e caro de reverter.

O Brasil dispõe agora de uma meta nacional, um plano de longo prazo, experiências comunitárias consolidadas e conhecimento científico suficiente para enfrentar o problema. O verdadeiro significado desses instrumentos será definido nos territórios. Combater a desertificação exige conservar a Caatinga e os demais biomas, recuperar os solos e modificar atividades econômicas que transferem seus custos ambientais às populações mais vulneráveis. Acima de tudo, exige garantir que a terra continue capaz de produzir alimentos e sustentar comunidades, em vez de transformar a permanência no campo em uma luta cada vez mais desigual.
No Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca (é celebrado anualmente em 17 de junho, a data foi criada em 1994 pela ONU), eu quero lembrar da importância de uma política de combate à crise climática em um ano que se mostra um marco importante pelo enfrentamento do fenômeno El Niño. A desertificação, que já é um processo em curso, será acelerada pela chegada do El Niño.

Enquanto o mundo marca essa data, o Congresso brasileiro segue em silêncio. Nenhum projeto estruturante de adaptação climática nem política séria de proteção ao semiárido.

E o que está por vir é grave: a NOAA, principal agência climática dos Estados Unidos, confirmou o retorno do El Niño, com 60% de chance de atingir intensidade forte ainda este ano. No Nordeste, o fenômeno significa uma coisa: Uma seca que pode colocar em risco cidades inteiras.

Mais de 8,5 milhões de pessoas vivem hoje em áreas de risco no Brasil. E enquanto essas famílias estão expostas, o Congresso debate outras prioridades.

O Brasil precisa de políticas públicas reais, financiamento para adaptação e um Congresso que encare a emergência climática como o que ela é: uma questão de sobrevivência. (ecodebate)

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Emissões da indústria petroquímica podem subir 50% até 2050

Uma nova pesquisa da Universidade de Sheffield revelou que as emissões de gases de efeito estufa provenientes da produção petroquímica podem aumentar em cerca de 50% até 2050, caso as práticas atuais sejam mantidas.

O estudo é o primeiro a mapear as emissões petroquímicas globais, revelando os níveis de gases de efeito estufa emitidos por mais de 37.000 instalações de produção e unidades de processo em todo o mundo.

Os resultados mostram que 10% das instalações de produção do setor são responsáveis ​​por mais da metade das emissões da indústria, sendo a fabricação de etileno e amônia as que mais produzem gases de efeito estufa.

Ao revelar as emissões a nível de instalações, produtos, processos e países, o estudo mostra não só o quanto o setor emite, mas também onde essas emissões estão concentradas. Isso pode ajudar a indústria e os formuladores de políticas a priorizar intervenções, como a captura e o armazenamento de carbono ou mudanças nos processos, que possam ter o maior impacto.

Segundo uma nova pesquisa da Universidade de Sheffield, as emissões de carbono da indústria petroquímica podem aumentar em 50% até 2050.

O estudo, publicado na revista Nature Sustainability, fornece os dados mais detalhados até o momento sobre as emissões de um dos maiores emissores de dióxido de carbono do mundo.

Liderada pela Dra. Fanran Meng, da Escola de Engenharia Química, de Materiais e Biológica, da Universidade de Sheffield, a pesquisa é a primeira a mapear as emissões petroquímicas globais, revelando os níveis de gases de efeito estufa emitidos por mais de 37.000 instalações de produção e unidades de processo em todo o mundo.

Ao revelar as emissões em nível de instalação, produto, processo e país, o estudo mostra não apenas o quanto o setor emite, mas também onde essas emissões estão concentradas. Isso pode ajudar a indústria e os formuladores de políticas a priorizar intervenções, como eficiência, eletrificação, mudanças nas matérias-primas, captura e armazenamento de carbono ou alterações nos processos, que possam ter o maior impacto. 

Emissões de gases afetam o meio ambiente e impactam diretamente nas mudanças climáticas.

Empresas criam metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Com esforços de empresas com sede no Brasil, Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental calcula que a redução de poluentes seja significativa para a próxima década.

O estudo revelou que as emissões de carbono da indústria são altamente concentradas, com 53% das emissões provenientes de apenas 10% das instalações estudadas.

Os resultados da pesquisa mostram que o etileno e a amônia foram os maiores emissores entre os principais produtos químicos primários analisados. Esses produtos químicos são normalmente usados ​​na fabricação de plásticos, embalagens de alimentos, fertilizantes e produtos de limpeza doméstica.

Com base nesses dados, os pesquisadores desenvolveram um painel de controle de acesso aberto que a indústria, os formuladores de políticas e os pesquisadores podem usar para ver facilmente de onde vêm as emissões de carbono, auxiliando assim na elaboração de intervenções para tornar o setor mais sustentável.

A Dra. Fanran Meng, professora sênior de Engenharia Química Sustentável na Universidade de Sheffield, disse: “As emissões da indústria petroquímica já são enormes e, no entanto, nossa pesquisa descobriu que elas estão a caminho de aumentar em 50% até 2050, em um cenário de manutenção do status quo.

“Infelizmente, dadas as complexidades da indústria petroquímica e o papel crucial que ela desempenha na base de muitos dos produtos do dia a dia que sustentam a sociedade moderna, não existe uma solução mágica.

“Mesmo um cenário extremamente otimista, que combine uma descarbonização substancial da rede elétrica, a implantação completa de sistemas elegíveis de captura e armazenamento de carbono e matérias-primas de base biológica suficientes, ainda não leva o setor a emissões líquidas zero até 2050. A redução da demanda por produtos petroquímicos deve fazer parte da solução, juntamente com uma produção mais limpa, para a qual os dados deste estudo podem contribuir”.

O estudo, intitulado “Emissions and system-level decarbonization pathways for global petrochemical production” (Emissões e Caminhos de Descarbonização em Nível de Sistema para a Produção Petroquímica Global) foi liderado pelo Dr. Meng em colaboração com pesquisadores da Universidade de Cambridge, da Universidade de Bath e da Universidade da Califórnia. (ecodebate)

El Niño atingirá pico no final de 2026 e tornará o clima extremo

El Niño deve atingir pico no fim do ano e tornar clima extremo, alerta ONU.
O El Niño de 2026 deve atingir seu pico de intensidade entre o final do ano e o início de 2027, com forte potencial para provocar eventos climáticos extremos em várias regiões do planeta.

Alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM)

• A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU, divulgou que o fenômeno está firmemente estabelecido e pode se tornar muito forte.

• Existe uma probabilidade de quase 100% de que o El Niño continue ativo até fevereiro de 2027.

• O aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica global.

Impactos esperados no Brasil

• Região Sul: Aumento da probabilidade de chuvas intensas, temporais e risco de alagamentos.

• Sudeste e Centro-Oeste: Previsão de temperaturas acima da média normal e baixa umidade do ar.

• Norte e Nordeste: Tendência de redução no volume de chuvas, o que favorece o risco de secas e o avanço de queimadas.

Assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=kitSNN7_2A8

El Niño vai ficar muito forte e deve persistir até fevereiro de 2027, diz ONU.

Fenômeno ainda deve ganhar força e atingir seu pico no fim deste ano. Pacífico está excepcionalmente quente, e próximos meses podem ter mais calor, secas e chuvas intensas em diferentes partes do mundo.

O El Niño deve continuar se intensificando nos próximos meses e alcançar uma intensidade muito forte antes de atingir seu pico no fim de 2026, aponta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço meteorológico e climático da Organização das Nações Unidas (ONU).

A previsão chama atenção principalmente pelo grau de confiança. Os modelos reunidos pela agência indicam uma probabilidade de quase 100% de permanência do El Niño tanto entre setembro e novembro quanto entre dezembro e fevereiro/2027.

Para a OMM, as condições neutras têm chance praticamente nula nesse período, e não há sinal de retorno da La Niña.

O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial.

O cenário é sustentado por um forte aquecimento do Oceano Pacífico e por mudanças na atmosfera compatíveis com um El Niño cada vez mais intenso.

A expectativa é de que o fenômeno continue influenciando as temperaturas e as chuvas em diferentes regiões do planeta já durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Ainda assim, a OMM faz uma ressalva importante: a intensidade do El Niño, sozinha, não permite prever o tamanho dos impactos em uma determinada cidade, país ou região.

Outros fatores, como as condições dos oceanos Atlântico e Índico, também podem reforçar ou enfraquecer seus efeitos.

Nos próximos meses, por exemplo, a organização também prevê o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, além da manutenção de águas mais quentes que o normal no Atlântico Equatorial, padrões que podem modificar a resposta típica ao El Niño.

Por isso, mesmo regiões que historicamente recebem mais ou menos chuva durante episódios fortes podem apresentar diferenças consideráveis de um evento para outro.

“Já estamos vendo transtornos e devastação provocados por secas e enchentes, e esperamos que esses impactos aumentem à medida que o El Niño se intensifica”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Imagem de 03/08/2026, feita com dados do satélite Sentinel-6 Michael Freilich, mostra mudanças no nível do Oceano Pacífico associadas ao El Niño.

Pacífico está esquentando rapidamente

Um dos principais sinais do fortalecimento está na chamada região Niño 3.4, uma faixa do Pacífico Equatorial usada pelos cientistas para acompanhar a evolução do El Niño.

Em maio, a temperatura da superfície do mar nessa área estava cerca de 0,9°C acima da média. Em julho, a diferença já havia chegado a 2°C.

Depois disso, medições semanais entre o fim de julho e meados de agosto mostraram valores aproximadamente 2,2°C a 2,6°C acima do normal, indicando que o aquecimento continuou aumentando.

E o calor não está restrito à superfície. Segundo a OMM, em algumas áreas do Pacífico, a água abaixo da superfície chegou a ficar mais de 8°C acima da média em julho e no início de agosto.

Esse reservatório de água excepcionalmente quente é mais um fator que favorece a manutenção e o fortalecimento do El Niño nos próximos meses.

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Os modelos climáticos reunidos pela organização apontam agora que a anomalia média da região Niño 3.4 pode atingir aproximadamente 3,6°C entre setembro e novembro, com o fortalecimento chegando ao máximo entre novembro e dezembro.

A projeção para novembro, isoladamente, chega a 3,9°C acima da média, embora esse valor seja uma estimativa dos modelos e tenha margem de incerteza.

Uma anomalia de 3,6°C não significa que todo o Oceano Pacífico ficará 3,6°C mais quente nem que a temperatura do ar aumentará nessa mesma proporção. O número representa quanto a temperatura da superfície do mar em uma região específica do Pacífico pode ficar acima de sua média histórica.
Mais calor em grande parte do planeta

Além da atualização específica sobre o El Niño, a OMM divulgou uma projeção climática para o período de setembro a novembro/2026.

Os modelos indicam maior probabilidade de temperaturas acima do normal em quase todas as grandes áreas continentais, com sinais particularmente consistentes em partes da África, América do Sul, Austrália e Ásia.

Na América do Sul, o sinal de calor é mais forte principalmente entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul, faixa que abrange uma parcela significativa do continente. Mais ao sul, a previsão se torna menos uniforme.

As chuvas devem seguir uma distribuição bem diferente de uma região para outra.

No continente sul-americano, os modelos mostram maior probabilidade de volumes abaixo da média no Noroeste e ao longo de áreas do Norte, ao mesmo tempo em que indicam uma faixa com maior chance de chuva acima do normal no sudeste da América do Sul.

Isso é compatível com uma das características mais conhecidas do El Niño: o fenômeno altera a circulação da atmosfera e pode deslocar os corredores de chuva, fazendo uma região ficar mais úmida ao mesmo tempo em que outra enfrenta condições mais secas.

O que é o El Niño — e por que ele importa tanto

O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.

Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.

Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.

A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

Vista aérea de área queimada na Amazônia, perto de Apuí, no Amazonas em 11/08/2020.

Possíveis impactos no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

Aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;

Redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;

Mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;

Maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

Variações do fenômeno El Niño. (g1)

domingo, 27 de setembro de 2026

Super El Niño não para de ganhar força

Super El Niño não para de ganhar força e tem data atualizada para atingir pico máximo.
O Super El Niño de 2026 deve atingir seu pico máximo de intensidade entre novembro e dezembro, com persistência prevista até fevereiro de 2027.

Detalhes do Fenômeno e Previsões

• Intensidade: As anomalias de temperatura na superfície do Oceano Pacífico Equatorial (região Niño 3.4) podem chegar a cerca de 3,6°C acima da média entre setembro e novembro, com projeções isoladas de até 3,9°C em novembro.

• Probabilidade: Órgãos como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a NOAA indicam uma chance de quase 100% de permanência do fenômeno, descartando cenários de neutralidade ou o retorno da La Niña a curto prazo.

• Impactos globais: O aquecimento acelerado dos oceanos coloca o evento em uma categoria muito forte (superior a 2°C de anomalia), aumentando os riscos de recordes de temperatura global e eventos climáticos extremos.

Reflexos no Brasil

• Região Sul: Probabilidade elevada de chuvas intensas, temporais frequentes e risco de enchentes.

• Norte e Nordeste: Redução drástica dos índices pluviométricos, agravando secas e favorecendo condições críticas para queimadas.

• Sudeste e Centro-Oeste: Padrões de precipitação mais irregulares, combinados com ondas de calor prolongadas e baixa umidade do ar.

Setembro já começou com chuvas intensas. Neste início de mês, o GMC Online repercute reportagens que foram sucesso de leitura em agosto. Entre elas, a matéria que trata sobre a chegada do Super El Niño, que já traz mudanças significativas no tempo e tem data para atingir o pico máximo.

O Super El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico Equatorial e deve atingir seu período de maior intensidade entre a primavera e o verão de 2026/2027. No Paraná, o fenômeno já provoca reflexos no regime de chuvas e a tendência é de que os efeitos se intensifiquem nos próximos meses, com chuvas acima da média e maior risco de eventos de tempo severo.
De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as previsões divulgadas recentemente pelos principais institutos meteorológicos internacionais indicam que o fenômeno segue em fortalecimento. A expectativa é de que a influência do El Niño permaneça sobre o Paraná até o 1º trimestre/2027.

El Niño pode atingir intensidade muito forte

A atualização divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirma o avanço do fenômeno.

Em julho, a temperatura da superfície do mar em uma das principais regiões utilizadas para monitorar o El Niño ficou 1,4°C acima da média climatológica. O aquecimento também é observado em águas do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental, inclusive em profundidades de até 200 metros.

O cenário aumenta a possibilidade de o fenômeno alcançar a classificação de El Niño muito forte, caracterizada por temperaturas da superfície do mar de pelo menos 2°C acima da média.

Segundo as projeções atuais, há mais de 90% de probabilidade de que isso aconteça durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. O período de maior intensidade é esperado principalmente entre outubro, novembro e dezembro.

Quando o Super El Niño deve atingir o pico?

A janela apontada pelas previsões internacionais coloca o fim da primavera e o início do verão como o período mais importante para o desenvolvimento do fenômeno.

Na prática, isso significa que o Paraná poderá sentir de maneira mais evidente os efeitos do El Niño justamente nos próximos meses. A tendência é de aumento dos volumes de chuva e da frequência de episódios de instabilidade.

O Simepar destaca que, no Sul do Brasil, a primavera e o verão devem apresentar precipitações acima da média, com destaque para algumas regiões paranaenses.

No Paraná, as áreas com expectativa de maiores volumes de chuva são:

- Oeste;

- Sudoeste;

- Centro-Sul.

Além da chuva mais frequente, o fortalecimento do El Niño aumenta a probabilidade de ocorrência de tempestades fortes, chuvas intensas, inundações e enxurradas.

A influência do fenômeno sobre as condições meteorológicas do Paraná deve continuar até os primeiros meses de 2027.
El Niño já deixou sinais no inverno do Paraná

Apesar de o pico do fenômeno ainda ser esperado para a primavera e o verão, os efeitos do El Niño já podem ser observados no Paraná.

Um dos principais exemplos está nos dados de chuva registrados em julho. Das 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas quatro tiveram precipitação abaixo da média histórica no mês.

As exceções foram as estações de Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba.

Nas outras 41 estações, os volumes de chuva ficaram acima da média. Em algumas cidades, os registros foram históricos.

Em Palmas, por exemplo, foram registrados 311 milímetros de chuva em julho/2026, o maior volume para o mês desde a instalação da estação meteorológica, há 28 anos.

Outras 6 estações também registraram, em julho, o maior volume de chuva para o mês dentro de seus respectivos períodos de histórico:

Altônia: maior volume desde 2018;

Cianorte: maior volume desde 2017;

Cornélio Procópio: maior volume desde 2019;

Cruzeiro do Iguaçu: maior volume desde 2022;

Foz do Iguaçu: maior volume desde 2017;

Ubiratã: maior volume desde 2018.

Junho também teve chuva acima da média

O comportamento observado em julho já havia aparecido no mês anterior.

Em junho/2026, entre as mesmas 45 estações meteorológicas analisadas, apenas uma apresentou precipitação abaixo da média histórica.

A estação localizada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, registrou 10,2 milímetros a menos do que o volume médio esperado para o período.

Por outro lado, municípios como Capanema, Cândido de Abreu, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Ponta Grossa, São Miguel do Iguaçu e Ubiratã tiveram volumes acumulados pelo menos 100 milímetros acima da média histórica para junho.

Os dados mostram que o padrão mais chuvoso já vem sendo observado antes mesmo do período previsto de maior intensidade do El Niño.

Excesso de chuva exige atenção no campo

O aumento das chuvas pode trazer efeitos positivos para a agricultura, principalmente ao reduzir áreas afetadas pela seca e melhorar a disponibilidade de água para as culturas.

Porém, o excesso de precipitação também representa desafios para os produtores rurais.

O Simepar alerta que o planejamento será fundamental diante da possibilidade de períodos prolongados de solo úmido. A condição pode prejudicar operações no campo, incluindo plantio e colheita, além de favorecer o aparecimento de doenças fúngicas.

Dependendo da cultura, do estágio de desenvolvimento das plantas e do momento em que as chuvas ocorrerem, o excesso de água também pode comprometer a qualidade dos grãos.

Outro risco está relacionado à erosão do solo, que pode aumentar com a ocorrência de chuvas volumosas e intensas.
Chuvas fortes podem ficar mais frequentes

O fortalecimento do El Niño não significa que choverá de forma contínua todos os dias no Paraná. O fenômeno atua modificando padrões atmosféricos em grande escala e aumenta a probabilidade de determinadas condições climáticas.

Por isso, o Simepar ressalta que o acompanhamento das previsões meteorológicas precisa ser feito diariamente.

A ocorrência efetiva de chuva depende da atuação de sistemas específicos, como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas semi estacionários.

Isso também explica por que os impactos podem variar bastante entre diferentes regiões do Paraná.

Mesmo os episódios mais intensos de El Niño não produzem necessariamente os mesmos efeitos em todo o território. Entretanto, quanto mais forte é o fenômeno, maior tende a ser a probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados a ele.

O que é o El Niño?

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno climático que ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e nas regiões próximas. Ele envolve alterações anormais tanto na temperatura da superfície do mar quanto na circulação da atmosfera.

O fenômeno é considerado um dos principais responsáveis por alterações no clima global porque consegue modificar a circulação atmosférica e, consequentemente, influenciar os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta por vários meses ou até anos.

O El Niño corresponde à componente oceânica do fenômeno e está relacionado ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial em relação à média climatológica.

Já a Oscilação Sul representa a componente atmosférica do ENOS e está associada às mudanças na pressão atmosférica entre as regiões oeste e leste do Pacífico tropical.

As observações atuais mostram que essas alterações atmosféricas já estão ocorrendo, incluindo mudanças na direção dos ventos em diferentes níveis da atmosfera.

Paraná deve enfrentar meses de maior instabilidade

Com o El Niño em processo de intensificação e possibilidade superior a 90% de atingir a categoria muito forte, o Paraná entra em um período que exige atenção redobrada para as condições meteorológicas.

A principal preocupação para a primavera e o verão é a combinação de chuvas acima da média e maior frequência de episódios severos, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul.

O pico de intensidade é esperado principalmente entre outubro e dezembro/2026, enquanto a influência do fenômeno pode se estender até o 1º trimestre/2027.
Ainda assim, o Simepar reforça que o El Niño não determina sozinho quando e onde cada tempestade ocorrerá. Por isso, as previsões de curto prazo e suas atualizações continuarão sendo fundamentais para identificar períodos de maior risco no Paraná. (gmconline)

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A crise climática ameaça os direitos da infância

A crise climática é uma emergência que afeta diretamente a sobrevivência, a saúde, a educação e a proteção de milhões de crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.

Impactos Principais

• Riscos Climáticos Múltiplos: Cerca de 1,1 bilhão de crianças no planeta sofrem com pelo menos três tipos de riscos climáticos, como secas, enchentes e ondas de calor. No Brasil, milhões de menores enfrentam essa mesma vulnerabilidade extrema.

• Ameaça à Educação: Desastres ambientais danificam escolas e transformam salas de aula em abrigos temporários, interrompendo o aprendizado e a rotina.

• Saúde e Nutrição: O calor excessivo e a falta de água potável elevam casos de desnutrição e de doenças como dengue e diarreia.

• Danos Emocionais: O trauma de eventos extremos e a chamada ansiedade climática prejudicam a saúde mental e o bem-estar socioemocional dos jovens.

Uma criança que perde alimentação, saúde ou meses de escolarização carrega consequências muito além da emergência em um evento climático extremo

O segundo boletim do Painel El Niño 2026–2027, divulgado em agosto, confirmou que o fenômeno deverá permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com alta probabilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão. As projeções indicam temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, redução das chuvas em grande parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e precipitações mais elevadas no Sul. Esse cenário amplia os riscos de ondas de calor, secas, incêndios florestais, enchentes e deslizamentos, atingindo um país no qual milhões de crianças já vivem em territórios marcados pela pobreza, pela precariedade habitacional e pela insuficiência dos serviços públicos.

O El Niño é um fenômeno natural e recorrente, mas sua atuação ocorre agora sobre um planeta aquecido pelas mudanças climáticas. A combinação entre os dois processos aumenta a possibilidade de eventos extremos e expõe uma desigualdade que os indicadores nacionais agregados nem sempre revelam. Uma tempestade, uma seca ou uma onda de calor não encontra todas as crianças nas mesmas condições. Algumas vivem em casas protegidas, estudam em escolas preparadas e contam com atendimento médico próximo. Outras dependem de moradias frágeis, escolas sem água adequada, postos de saúde sobrecarregados e redes familiares cuja renda pode desaparecer diante da primeira emergência. A crise climática, por isso, também é uma crise dos direitos da infância.

Uma geração cercada por ameaças climáticas

O Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), dimensionou essa exposição. No Brasil, 16 milhões de crianças e adolescentes vivem em áreas submetidas simultaneamente a 3 ou mais ameaças climáticas, como secas, calor extremo, ondas de calor, queimadas, enchentes e tempestades. São aproximadamente 3 em cada 10 meninas e meninos do país. Quando considerados 2 ou mais riscos, o número ultrapassa 30 milhões, o equivalente a 6 em cada 10.

A multiplicidade das ameaças é importante porque os impactos não costumam ocorrer isoladamente. Uma seca prolongada reduz a disponibilidade de água, compromete a produção de alimentos, favorece incêndios e aumenta a concentração de poluentes no ar. Uma enchente pode destruir moradias, interromper aulas, contaminar fontes de abastecimento e impedir o funcionamento de unidades de saúde. Depois que as águas baixam ou a chuva retorna, os prejuízos continuam presentes na perda de renda familiar, no endividamento, na insegurança alimentar e na dificuldade de reconstruir a vida cotidiana.

Crianças e adolescentes são especialmente dependentes da continuidade dos serviços públicos e dos cuidados familiares. Quando um desastre interrompe o transporte, fecha uma escola ou dificulta o acesso aos centros de saúde, eles não dispõem de autonomia para procurar alternativas. Essa dependência não significa passividade, mas revela que sua proteção exige decisões anteriores ao desastre. Ainda assim, políticas climáticas e planos municipais frequentemente tratam a população como um conjunto homogêneo, sem reconhecer as necessidades específicas da infância.
O calor que adoece e amplia desigualdades

Crise climática ameaça a vida de 1 em cada 2 crianças no planeta, aponta Unicef.

Estudo cruzou dados de 2,4 bilhões de menores com a ocorrência de oito riscos climáticos, como inundações, secas e ondas de calor.

Um estudo publicado em agosto/2026 na revista científica Science Advances e divulgado em 31/08/2026 pelo portal EcoDebate mostrou que 9,2 milhões de crianças brasileiras de até nove anos, correspondentes a 32% dessa faixa etária, enfrentam pelo menos trinta dias adicionais de estresse térmico por ano em consequência das mudanças climáticas. A pesquisa age-specific exposure to human-induced increases in humid heat, coordenada pela Vrije Universiteit Brussel, combinou dados demográficos e modelos climáticos para identificar a parcela da exposição ao calor úmido atribuível ao aquecimento provocado pelas atividades humanas. O número de crianças brasileiras submetidas a pelo menos 5 meses anuais de calor perigoso passou de aproximadamente 300 mil, em um cenário sem o aquecimento antropogênico, para 3,2 milhões nas condições atuais.

Outro estudo anterior publicado em 2025 na revista científica Environmental Research, estudo analisou mais de um milhão de mortes de crianças menores de cinco anos ocorridas no país ao longo de duas décadas e encontrou evidências científicas que mostram que as temperaturas extremas já produzem efeitos mensuráveis sobre a saúde infantil no Brasil. A pesquisa foi desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia) e pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em colaboração com instituições internacionais. Os resultados mostraram que, em comparação com as temperaturas associadas ao menor risco de mortalidade, o risco de morte infantil aumentou 95% nos dias de frio extremo e 29% nos dias de calor extremo, com diferenças relacionadas à idade, à região do país e às condições sociais.

Os organismos de bebês e crianças pequenas ainda estão desenvolvendo seus mecanismos de regulação da temperatura. Por essa razão, perdem líquidos com maior facilidade e possuem menor capacidade de responder ao calor intenso. Temperaturas elevadas aumentam os riscos de desidratação, problemas renais, agravamento de doenças respiratórias e disseminação de algumas enfermidades infecciosas. O frio extremo também pode provocar complicações respiratórias e metabólicas, especialmente em moradias com infiltrações, umidade e proteção térmica insuficiente.

Os riscos não decorrem apenas da temperatura registrada pelos termômetros. A qualidade das habitações, a presença de árvores, o acesso à água e a disponibilidade de espaços ventilados definem a intensidade da exposição. Nas periferias urbanas, a concentração de construções, as superfícies asfaltadas, a falta de vegetação e os telhados inadequados produzem ambientes muito mais quentes. Em áreas rurais e comunidades tradicionais, longas distâncias até os serviços de saúde podem transformar um problema inicialmente simples em uma situação grave.

As recomendações habituais para os dias muito quentes, como beber água, permanecer em lugares frescos e evitar exposição ao sol, pressupõem condições que não estão disponíveis para todas as famílias. Milhões de pessoas não possuem climatização, moram em casas mal ventiladas ou enfrentam abastecimento irregular. Muitos responsáveis trabalham fora durante todo o dia e não podem alterar suas jornadas quando as temperaturas sobem. Sem políticas públicas, a orientação individual transfere às famílias a responsabilidade por enfrentar riscos produzidos também pela desigualdade urbana e pela ausência de adaptação climática.
A crise climática começa antes do nascimento

Um estudo publicado em 2026 na revista científica The Lancet Regional Health – Americas acrescentou outra dimensão ao problema. A pesquisa analisou 29,8 milhões de nascimentos ocorridos no Brasil entre 2001 e 2020 e identificou associação entre a exposição à seca durante a gestação e o aumento do risco de nascimento prematuro e de bebês pequenos para a idade gestacional. Os efeitos foram mais pronunciados em biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pampa e nas populações socialmente mais vulneráveis.

As secas influenciam a gestação por diferentes caminhos. Elas podem reduzir o acesso à água potável, diminuir a quantidade e a diversidade dos alimentos, aumentar a exposição ao calor e dificultar o acompanhamento pré-natal. Nas comunidades isoladas, a redução do nível dos rios impede deslocamentos até as unidades de saúde. Nas áreas rurais, a perda da produção agrícola compromete simultaneamente a renda e a alimentação da família. Em territórios sem saneamento adequado, a escassez de água também aumenta os riscos de contaminação e doenças.

Esses resultados mostram que a proteção da infância não pode começar somente após o nascimento. A atenção primária à saúde precisa incorporar informações climáticas, identificar gestantes expostas a secas e ondas de calor e organizar antecipadamente o acompanhamento das comunidades mais vulneráveis. Garantir água segura, alimentação adequada e acesso ao pré-natal durante uma emergência climática deve fazer parte das políticas de adaptação, e não ser tratado como medida improvisada quando os efeitos já estão instalados.

Quando o calor chega ao prato

A relação entre temperatura e alimentação infantil foi demonstrada por outro estudo publicado em 2026, desta vez na revista The Lancet Planetary Health. A pesquisa acompanhou informações de mais de seis milhões de crianças brasileiras entre um e cinco anos. Acima de 26°C, cada aumento de 1°C na temperatura local foi associado a uma elevação de aproximadamente 10% na possibilidade de baixo peso e de 8% nas possibilidades de desnutrição aguda e de comprometimento persistente do crescimento.

Os resultados foram mais graves nas regiões Norte e Nordeste, nas áreas rurais e entre crianças indígenas e negras. A desigualdade encontrada não é um detalhe secundário. Ela mostra que a elevação da temperatura atua sobre estruturas sociais já existentes. Famílias com maior renda podem substituir alimentos, preservar estoques, climatizar ambientes e buscar atendimento médico. Famílias pobres dependem mais dos preços locais, da produção de pequena escala, da alimentação escolar e da continuidade dos programas públicos.

O calor e a irregularidade das chuvas afetam lavouras, reduzem a produtividade, alteram a disponibilidade de frutas e hortaliças e podem elevar os preços. Também interferem no armazenamento e no transporte de produtos perecíveis. Quando a renda é limitada, o encarecimento não provoca apenas redução da quantidade ingerida. Ele diminui a diversidade das refeições e favorece a substituição de alimentos frescos por produtos mais baratos e de menor qualidade nutricional.

O El Niño de 2026 torna essa relação especialmente preocupante. A previsão de chuvas abaixo da média no centro-norte do país pode afetar a agricultura familiar, o abastecimento de comunidades indígenas e ribeirinhas e a produção destinada aos mercados locais. Na Região Sul, o excesso de precipitação também pode danificar plantações e estradas. A alimentação escolar, as compras públicas da agricultura familiar, os estoques governamentais e os programas de transferência de renda tornam-se, nesse contexto, instrumentos de adaptação climática e proteção da infância.

A escola interrompida pelos desastres

A educação constitui outra dimensão frequentemente tratada como consequência lateral dos eventos extremos. Em 2024, pelo menos 1,17 milhão de estudantes brasileiros tiveram as aulas interrompidas por emergências climáticas. As enchentes no Rio Grande do Sul afetaram mais de 2 mil escolas estaduais e impediram que aproximadamente 741 mil estudantes frequentassem as aulas. Na Amazônia, a seca paralisou por períodos prolongados cerca de 1.700 escolas, incluindo mais de cem unidades situadas em áreas indígenas, atingindo aproximadamente 436 mil estudantes.

A interrupção não representa apenas perda de conteúdo escolar. Para muitas crianças, a escola oferece alimentação, proteção, convivência e acesso a serviços públicos. Seu fechamento desorganiza a rotina familiar e pode obrigar responsáveis a deixar o trabalho para cuidar dos filhos. Quando o afastamento se prolonga, aumentam as dificuldades de aprendizagem e os riscos de abandono, sobretudo entre estudantes que já enfrentavam trajetórias escolares irregulares.

As próprias instalações escolares também revelam a desigualdade ambiental. Segundo dados do Censo Escolar 2024, sistematizados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 500 mil estudantes frequentam cerca de 8 mil escolas públicas municipais sem acesso à água por fontes consideradas adequadas. Desse total, aproximadamente 138 mil estão matriculados em pouco mais de 2 mil unidades nas quais não existe acesso à água. Quase 94% dessas escolas estão localizadas em áreas rurais.

Em períodos de calor extremo, salas lotadas, telhados que concentram calor e ausência de ventilação prejudicam a concentração e tornam a permanência na escola desgastante. Durante enchentes e deslizamentos, unidades escolares são frequentemente utilizadas como abrigos, mesmo quando não foram planejadas para essa função. A adaptação da educação exige estruturas resistentes, água segura, conforto térmico, planos de contingência, alternativas de transporte e estratégias que permitam a continuidade das aulas sem excluir quem não possui acesso regular à internet.

A geografia social da infância climática

Os impactos do clima acompanham as desigualdades territoriais e raciais do país. Crianças indígenas podem enfrentar seca, contaminação da água, escassez de pescado e interrupção do atendimento realizado por equipes de saúde. Crianças quilombolas e rurais convivem com distâncias maiores até escolas e unidades médicas. Nas periferias urbanas, famílias negras estão mais presentes em encostas, margens de rios e bairros com pouca arborização, drenagem insuficiente e saneamento precário.

O desastre não é produzido somente pela chuva, pela seca ou pelo calor. Ele surge quando esses eventos encontram populações submetidas à precariedade e territórios historicamente privados de investimentos. A mesma quantidade de chuva pode ser absorvida por um bairro arborizado e dotado de drenagem, enquanto provoca alagamentos em uma comunidade construída junto a um curso d’água degradado. A mesma temperatura produz efeitos diferentes em uma casa ventilada e em uma moradia pequena, coberta por materiais que acumulam calor.

A desigualdade também aparece na recuperação. Famílias com poupança, seguro e acesso ao crédito conseguem substituir móveis, mudar temporariamente de residência e retomar mais rapidamente a rotina. As famílias pobres dependem de doações, benefícios emergenciais e respostas governamentais que nem sempre chegam no tempo necessário. Para as crianças, a demora significa permanência prolongada em abrigos, perda de materiais escolares, afastamento da comunidade e fragilização das redes de proteção.
A distância entre o protocolo e a proteção efetiva

O Brasil atualizou, em 2025, o Protocolo Nacional para a Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Situação de Riscos e Desastres. Elaborado pelo governo federal em parceria com o Unicef e outras instituições, o documento distribui responsabilidades entre os sistemas de defesa civil, saúde, educação, assistência social, justiça, direitos humanos e conselhos tutelares. Sua concepção reconhece que a proteção deve ocorrer antes, durante e depois das emergências.

O protocolo recomenda a identificação prévia das crianças residentes nas áreas de risco, a manutenção dos serviços essenciais, a existência de abrigos adequados e a preparação das equipes públicas. Também prevê cuidados para evitar separações familiares, garantir alimentação e continuidade escolar e atender crianças com deficiência ou necessidades específicas. Sua efetividade, entretanto, dependerá da incorporação dessas orientações aos planos estaduais e municipais, da capacitação das equipes e da destinação de recursos permanentes.

O Ministério da Saúde reconheceu, em julho de 2026, que as mudanças climáticas já desafiam a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). A resposta passa pelo fortalecimento da atenção primária, cuja presença nos territórios permite identificar vulnerabilidades, acompanhar famílias e organizar ações antes que a emergência se transforme em crise sanitária. Na educação, uma coleção lançada pelo Unicef em maio oferece orientações para que redes de ensino se preparem para as emergências climáticas, com atenção especial à Amazônia Legal e possibilidade de aplicação em todo o país.

Essas iniciativas mostram avanços, mas a intensificação do El Niño cobrará capacidade de execução. Não basta possuir alertas meteorológicos se escolas, unidades de saúde e serviços de assistência social não souberem como agir. Também não basta orientar famílias a abandonar áreas perigosas quando não existem moradias seguras para recebê-las. A proteção da infância depende de políticas coordenadas de habitação, saneamento, saúde, alimentação, educação e defesa civil.

As previsões disponíveis oferecem tempo para agir antes dos períodos mais críticos. Municípios podem mapear crianças em áreas vulneráveis, preparar escolas e unidades de saúde, garantir estoques de água e alimentos, revisar abrigos e organizar rotas de atendimento. A antecipação não elimina os eventos climáticos, mas pode impedir que eles interrompam direitos e aprofundem desigualdades.

Ao colocar a infância no centro da adaptação climática, o país reconhece que os danos não se limitam ao momento do desastre. Uma criança que perde alimentação, saúde ou meses de escolarização carrega consequências muito além da emergência. O El Niño passará, como outros episódios anteriores, mas seus efeitos poderão permanecer na vida de uma geração inteira se a resposta pública chegar somente depois que o calor, a seca ou a enchente já tiverem ocupado o território. (ecodebate)

Desertificação no Brasil e o aprofundamento das desigualdades sociais

A desertificação no Brasil degrada cerca de 1,51 milhão de km 2 de terras e aprofunda as desigualdades sociais ao ameaçar diretamente a sob...