quinta-feira, 23 de abril de 2026

O que Cubatão ensina ao Brasil!!!

De Vale da Morte a referência ambiental, o que Cubatão ensina ao Brasil.
Ex Vale da Morte'

Na década de 1980, indústrias de Cubatão descarregavam aproximadamente mil toneladas de poluentes atmosféricos por dia. Hoje, a região é símbolo de recuperação ambiental, prova disso é que dados de qualidade do ar da Cetesb atestam a qualidade do ar na cidade.

Cubatão ensina que é possível reverter a degradação ambiental extrema, transformando um polo industrial poluente (ex “Vale da Morte") em referência de sustentabilidade. A lição central é a conciliação entre desenvolvimento econômico, fiscalização rígida e recuperação ecológica, provando que industrialização e preservação podem coexistir com planejamento e investimentos em tecnologia.

Principais Lições de Cubatão para o Brasil:

Recuperação Ambiental é Possível: Após ser conhecida mundialmente nos anos 80 como a cidade mais poluída do mundo, Cubatão reduziu drasticamente a emissão de poluentes de suas 300 indústrias em 78%.

Recuperação de Ecossistemas: A cidade demonstrou sucesso no reflorestamento de encostas da Serra do Mar e na recuperação de manguezais, com destaque para a volta de espécies da fauna, como o Guará Vermelho.

Ação Conjunta e Fiscalização: O "renascimento" não foi isolado, mas sim fruto de um monitoramento contínuo da CETESB, com US$ 3 bilhões investidos em sistemas de controle entre 1983 e 2015.

Cidade Verde e Sustentabilidade: O município reconhecido como "Cidade Árvore do Mundo" pela ONU/FAO exemplifica a transição energética e o foco em ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), alinhando-se com agendas globais como a COP30.

Educação e Resiliência: Cubatão também se destaca na educação, com escolas premiadas internacionalmente pela superação de adversidades, inspirando o país.

Embora ainda enfrente desafios, especialmente em saneamento básico (apenas 60% da população coberta) e moradias precárias, Cubatão é um exemplo de que políticas públicas efetivas podem mudar o destino de um local.
Cubatão agora faz parte do ‘Tree Cities of the World’, seleta lista de ‘Cidades Verdes do Mundo’. A cidade integra o grupo formado por apenas 34 municípios brasileiros. Foto: Município de Cubatão

Cubatão lembra que recuperação ambiental exige mais do que discursos. Exige presença do Estado, regulação, tempo e escolha política

Reinaldo Dias - Articulista do EcoDebate, é Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP - Especialista em Ciências Ambientais – USF

Pesquisador associado do CPDI do IBRACHINA/IBRAWORK - http://lattes.cnpq.br/5937396816014363 - reinaldias@gmail.com.

Em um país onde a implementação de políticas ambientais urbanas costuma esbarrar na força de interesses econômicos consolidados, casos de transformação real merecem atenção redobrada. Isso é ainda mais verdadeiro quando se trata da poluição, um problema que frequentemente nasce de atividades altamente lucrativas, mas distribui seus danos sobre toda a sociedade, degradando o ar, a água, a paisagem e a saúde coletiva. Cubatão se tornou um dos exemplos mais extremos dessa lógica. Durante muito tempo, a cidade foi sinônimo de poluição intensa, destruição ambiental e sofrimento humano, resultado de uma industrialização concentrada e mal controlada, ligada ao refino de petróleo, à siderurgia, à petroquímica e à produção de fertilizantes. Não por acaso, seu nome ficou associado a expressões como “Vale da Morte” e “cidade mais poluída do mundo”. Justamente por isso, sua trajetória posterior merece atenção. Não porque autorize discursos fáceis de redenção, mas porque mostra, de forma rara e concreta, que até mesmo um quadro de devastação profunda pode começar a ser revertido quando há controle público, continuidade institucional e decisão política de enfrentar a degradação em vez de normalizá-la.

Cubatão: de cidade mais poluída a exemplo de sustentabilidade

1. O tempo em que Cubatão se tornou sinônimo de devastação

A cidade, que concentrava um dos mais importantes polos industriais do país durante as décadas de 1970 e 1980, tornou-se também o retrato mais brutal de uma industrialização sem controle efetivo sobre seus impactos. O município reunia atividades de refino de petróleo, siderurgia, petroquímica, fertilizantes, cimento e química pesada, com destaque histórico para a Refinaria Presidente Bernardes, a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e grandes unidades do setor químico e de fertilizantes. Esse parque industrial altamente concentrado operava, além disso, em uma área cercada pela Serra do Mar e sujeita a condições que dificultavam a dispersão dos poluentes, o que agravava ainda mais os efeitos da contaminação atmosférica sobre a cidade e seu entorno. Foi da combinação entre esse complexo industrial, o controle ambiental insuficiente e essas condições geográficas que emergiu o quadro extremo de poluição que marcaria Cubatão.

Não foi por acaso que se espalharam expressões como “Vale da Morte”, “cidade mais poluída do mundo” e outras formulações semelhantes que procuravam dar conta da gravidade do quadro. Décadas depois, essa memória continuaria tão forte que uma reportagem da BBC News Brasil, publicada em 2017, ainda retomaria esses epítetos para lembrar como Cubatão se tornou referência internacional de degradação ambiental antes de iniciar sua lenta recuperação. A própria memória oficial recente do município reconhece que Cubatão ficou conhecida como uma das regiões mais poluídas do planeta e que sua reversão começou apenas a partir de rigorosos programas de controle ambiental implantados nos anos 1980.

A situação era tão severa que o problema não podia ser reduzido a fumaça visível ou mau cheiro. Tratava-se de um sistema de contaminação disseminado, alimentado por emissões atmosféricas, despejos industriais e resíduos oriundos de um complexo produtivo altamente concentrado, que atingia o ar, os rios, a vegetação e a saúde humana ao mesmo tempo. Trabalhos acadêmicos sobre a degradação e a recuperação ambiental de Cubatão mostram que, até julho de 1984, o Rio Cubatão recebia cerca de 64 toneladas por dia de poluentes, o que ajuda a dimensionar a violência da degradação hídrica. Ao mesmo tempo, dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) registram que, nos anos mais críticos, as indústrias lançavam diariamente quase mil toneladas de poluentes na atmosfera, produzindo níveis considerados absolutamente críticos.

As características geográficas de Cubatão também contribuíam para agravar esse quadro. Cercada pela Serra do Mar e sujeita a condições desfavoráveis à dispersão dos poluentes, Cubatão funcionava, em larga medida, como uma espécie de armadilha atmosférica. O material tóxico permanecia concentrado sobre a cidade e suas áreas vizinhas, intensificando a exposição da população e multiplicando os danos ambientais. Não se tratava, portanto, apenas de uma cidade industrial com problemas ambientais relevantes, mas de um território em que a combinação entre concentração produtiva, localização geográfica e fragilidade do controle público produziu uma situação excepcionalmente destrutiva.

Os efeitos sobre a saúde pública foram decisivos para transformar o caso de Cubatão em escândalo nacional e internacional. Relatos e estudos da época associaram a poluição intensa ao aumento de internações e mortes por doenças respiratórias, a lesões dermatológicas ligadas à chuva ácida e a uma alta prevalência de câncer de pulmão. Mas foi sobretudo a repercussão dos casos de anencefalia e outras malformações congênitas que chocou a opinião pública. Um texto memorialístico de Paulo César Naoum, recuperando aquele contexto, recorda que a cidade passou a ser conhecida pela mídia nacional e internacional como “vale da morte” e menciona o episódio em que um coveiro, após sucessivos enterros de recém-nascidos com deformações, denunciou a situação, contribuindo para ampliar a visibilidade da tragédia ambiental. Mesmo levando em conta o estilo narrativo desse testemunho, ele ajuda a compreender o grau de comoção produzido pelo caso Cubatão.

Também a vegetação da Serra do Mar foi severamente atingida. Pesquisas e reconstituições históricas sobre Cubatão mostram que a poluição atmosférica contribuiu para a degradação de extensas áreas de cobertura vegetal, tornando visível, nas encostas, o impacto cumulativo das emissões industriais. O desastre ambiental de Cubatão não se expressava apenas em indicadores técnicos. Ele era perceptível na paisagem, na saúde da população, nos rios e no cotidiano da cidade. Seus efeitos atingiam simultaneamente os ecossistemas locais e as condições de vida da população.

Por isso, quando Cubatão recebeu aqueles epítetos tão duros, não se tratava apenas de sensacionalismo jornalístico. Havia exageros em algumas formulações, como costuma ocorrer em situações-limite, mas o núcleo do diagnóstico era verdadeiro. Cubatão havia se transformado em símbolo do que acontece quando crescimento econômico, concentração industrial e omissão regulatória avançam sem contenção. O município se tornou, naquele momento, a demonstração mais contundente de que o desenvolvimento pode produzir riqueza e, ao mesmo tempo, destruir as condições mínimas de vida de uma cidade inteira.

Cubatão: cidade da Baixada Santista vista do alto

2. A recuperação não foi instantânea, foi construída

A reversão do quadro de Cubatão não ocorreu de forma súbita, nem pode ser atribuída a um gesto isolado de governo ou de empresa. Ela começou a ser construída quando a gravidade do problema deixou de poder ser ignorada e passou a exigir resposta institucional contínua. A partir dos anos 1980, a atuação da CETESB, a pressão pública, a maior visibilidade nacional e internacional do desastre e a necessidade de impor controles ao polo industrial abriram caminho para um processo longo de enfrentamento da poluição. O ponto central dessa mudança foi simples de enunciar, mas difícil de executar, reduzir emissões, controlar efluentes, monitorar fontes poluidoras e restaurar áreas degradadas. Isso significou impor mudanças reais ao funcionamento das grandes fontes emissoras do polo industrial, inclusive refinaria, siderúrgica e unidades químicas, rompendo com uma longa fase em que a atividade econômica operava com custos ambientais amplamente externalizados para o território e para a população.

Esse processo, porém, não foi obra exclusiva dos órgãos de controle e da burocracia ambiental. Estudos sobre a trajetória de Cubatão mostram que, ao lado da CETESB, a sociedade civil teve papel central na evolução do enfrentamento da poluição. A pressão de moradores, entidades locais e grupos organizados ajudou a impedir que o desastre fosse tratado como custo normal da industrialização. Entre essas organizações, merece destaque a Associação das Vítimas da Poluição e das Más Condições de Vida de Cubatão, cuja atuação deu visibilidade pública ao sofrimento social produzido pela degradação ambiental e contribuiu para sustentar a cobrança por mudanças concretas.

Os resultados começaram a aparecer de maneira gradual. Reconstituições históricas baseadas em dados da CETESB indicam que o programa de controle implantado em Cubatão levou, ao longo do tempo, a uma redução próxima de 98% das cargas poluidoras atmosféricas industriais monitoradas. No caso da água, também houve queda expressiva da carga orgânica lançada no Rio Cubatão em comparação com o período mais crítico. Esses números não significam que os problemas tenham desaparecido por completo, mas mostram que houve transformação concreta, mensurável e sustentada ao longo de décadas.

Essa mudança foi importante também porque alterou a relação entre indústria e território. Durante o período mais grave, o parque industrial funcionava como vetor de prosperidade econômica e, ao mesmo tempo, como fonte permanente de adoecimento e destruição ecológica. O processo de recuperação exigiu justamente quebrar essa lógica de impunidade ambiental. Essa mudança também foi favorecida pelo fato de que a degradação deixará de ser um problema silencioso e passara a gerar reação pública organizada, com participação de grupos da sociedade civil que denunciavam seus efeitos sobre a vida cotidiana da população. Não se tratava apenas de reconhecer danos, mas de obrigar empresas e poder público a assumir padrões mínimos de controle, tratamento e responsabilidade. Cubatão passou então a representar, ainda que de forma imperfeita, um caso em que a regulação ambiental deixou de ser obstáculo ao desenvolvimento e passou a ser condição para tornar a vida urbana minimamente compatível com a atividade econômica.

Outro aspecto importante é que a recuperação não pode ser lida apenas como uma história de engenharia ambiental ou de eficiência técnica. Ela foi também uma reconstrução lenta da capacidade de o território voltar a sustentar vida em melhores condições. A redução de emissões e de despejos poluentes abriu espaço para a regeneração parcial de áreas naturais, para a diminuição de alguns impactos mais agudos sobre a saúde e para a própria mudança da imagem pública da cidade. O que antes aparecia como exemplo extremo de degradação começou, pouco a pouco, a oferecer sinais de que a reversão não era impossível.

É justamente aí que reside uma das lições mais fortes do caso de Cubatão. A recuperação ambiental real não se confunde com melhora cosmética, propaganda institucional ou mudança de linguagem. Ela depende de tempo, investimento, fiscalização, produção de dados e continuidade administrativa. No caso cubatense, o que se consolidou foi um processo cumulativo, com avanços que só se tornaram mais visíveis porque houve persistência. É esse caráter construído, gradual e politicamente sustentado que torna a trajetória da cidade relevante para além de sua história local.
Passeio de 7,66 km leva a cachoeira de água cristalina em Cubatão (SP), seja de dia ou de noite

Cidade brasileira que já foi a mais poluída do mundo virou símbolo de recuperação ambiental após tragédia que matou 93 pessoas na década de 80.

3. O retorno do guará e os sinais visíveis da recuperação

A recuperação ambiental de Cubatão começou a adquirir outro significado quando deixou de aparecer apenas em relatórios técnicos e passou a se tornar visível na própria paisagem. Nenhum sinal teve força simbólica maior do que o retorno do guará-vermelho (Eudocimus ruber) aos manguezais da região. Ausente por décadas, a ave passou a representar, para além da dimensão biológica, a possibilidade concreta de que um território historicamente associado à devastação voltasse a sustentar formas visíveis de vida silvestre. Em Cubatão, esse significado foi tão forte que o guará acabou incorporado à imagem pública do município, sendo tratado oficialmente como ave-símbolo da cidade e como emblema de sua recuperação ambiental.

Esse retorno não deve ser lido como detalhe ornamental nem como simples curiosidade da fauna. O guará-vermelho é uma espécie profundamente ligada à saúde dos ecossistemas de mangue e estuário, ambientes decisivos para a reprodução de espécies, para a dinâmica costeira e para o equilíbrio ecológico da Baixada Santista. Quando uma ave com esse perfil volta a ocupar um território de forma perceptível, ela sinaliza que processos ecológicos fundamentais voltaram a operar em algum grau. Isso não significa restauração plena nem equilíbrio definitivo, mas indica mudança real de trajetória. Em uma cidade marcada por décadas de poluição atmosférica, degradação hídrica e comprometimento dos manguezais, a presença do guará passou a funcionar como evidência concreta de que a vida começava a reencontrar espaço.

A força simbólica desse reaparecimento foi ampliada pelo modo como a cidade passou a incorporá-lo em sua identidade pública. O guará deixou de ser apenas um indicador ecológico e se converteu em linguagem urbana, marca cultural e referência visual da nova imagem de Cubatão. A prefeitura passou a tratá-lo como símbolo da identidade ecológica cubatense e da recuperação ambiental do município. Essa escolha aparece em diferentes iniciativas recentes, como selo comemorativo oficial com a ave estampada, projetos urbanos que destacam sua figura e até uma grande escultura do guará na entrada da cidade, reforçando sua presença na paisagem e no imaginário local. Em uma cidade por muito tempo associada à fumaça, ao adoecimento e à destruição, a adoção do guará como imagem pública da nova Cubatão tem um significado político e cultural que não deve ser subestimado.

Esse processo também ajuda a entender por que a recuperação ambiental de Cubatão passou a ser percebida de forma mais ampla pela população. Enquanto gráficos de emissão e índices de qualidade do ar falam sobretudo ao mundo técnico, o retorno do guará fala à cidade inteira. Ele torna visível uma mudança que antes parecia restrita a tabelas e laudos. Ao mesmo tempo, o caso mostra que a reconstrução ambiental não ocorre apenas quando os danos diminuem, mas também quando a sociedade passa a reconhecer sinais concretos de regeneração e a incorporá-los como parte de sua memória e de sua identidade. O guará-vermelho, nesse sentido, não é apenas consequência da recuperação. Ele se tornou também um dos meios pelos quais essa recuperação passou a ser compreendida publicamente.

Esse retorno, porém, não deve ser entendido de forma triunfalista. O retorno da ave não significa que os manguezais de Cubatão estejam livres de ameaças nem que a agenda ambiental do município esteja concluída. Pelo contrário, pesquisas e reportagens recentes mostram que o lixo acumulado, a contaminação e outros impactos ainda afetam o ecossistema e interferem no comportamento e na sobrevivência do guará-vermelho. A retomada de ações do Projeto Guará-Vermelho e os estudos sobre os efeitos dos resíduos nos manguezais mostram que a recuperação precisa ser continuamente protegida e aprofundada. Isso reforça a leitura mais séria do caso, o guará não é prova de perfeição ambiental, mas sinal poderoso de que a cidade mudou o rumo e de que essa mudança precisa ser defendida.

É justamente por isso que o guará-vermelho ocupa um lugar tão importante na trajetória recente de Cubatão. Durante décadas, a cidade foi conhecida sobretudo por aquilo que destruía. Agora, parte de sua imagem pública começa a ser reconstruída também por aquilo que voltou a abrigar. Em termos ambientais, esse é um dado expressivo. Em termos políticos e simbólicos, é ainda mais forte. Ele mostra que a recuperação deixa marcas na paisagem, na biodiversidade e no modo como uma cidade passa a contar a sua própria história.
Vista parcial de Cubatão a partir da Serra do Mar

4. Dos selos recentes à lição política que Cubatão oferece

Os reconhecimentos recebidos por Cubatão nos últimos anos ajudam a dar forma pública a uma transformação que vinha sendo construída há décadas. Em março de 2025, o município passou a integrar o programa internacional Tree Cities of the World, criado pela Arbor Day Foundation em parceria com a FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura. Em abril daquele ano, recebeu oficialmente o selo. Já em março de 2026, Cubatão voltou a ser reconhecida no mesmo programa, consolidando sua presença entre as cidades destacadas por políticas de arborização urbana e áreas verdes. A prefeitura também registra que a cidade conquistou, pela primeira vez, a certificação no Programa Município Verde Azul, do governo paulista, alcançando 80 pontos no ciclo 2025 após ter registrado nota negativa em 2023.

Esses marcos recentes ajudam a dimensionar publicamente uma transformação construída ao longo de décadas. Quando uma cidade que durante tanto tempo figurou como emblema da devastação passa a ser mencionada em programas de referência ambiental, isso sinaliza que a recuperação deixou de ser apenas uma aspiração ou um discurso administrativo. Passou a ser algo reconhecível, medido e suficientemente consistente para alterar a imagem pública do município. Em Cubatão, o peso desses selos decorre justamente do contraste com o passado. Não se trata de um município que sempre preservou bem suas áreas verdes e agora recebe mais uma distinção. Trata-se de uma cidade que já foi apresentada como retrato extremo da degradação e que hoje consegue demonstrar avanços reais em gestão ambiental.

A trajetória recente de Cubatão também permite extrair uma lição política mais ampla. O caso mostra que degradação ambiental extrema não deve ser tratada como destino irreversível. Mostra também que a reversão não nasce de espontaneidade, marketing verde ou simples troca de narrativa. Ela depende de regulação, fiscalização, monitoramento, investimento, planejamento, restauração ecológica e continuidade institucional. Em outras palavras, a cidade não ensina que tudo se resolve facilmente; ensina que a recuperação ambiental exige persistência e presença do Estado. É justamente isso que dá força ao seu exemplo em um país que tantas vezes oscila entre o negacionismo dos danos e o improviso das respostas.

Há, portanto, uma diferença importante entre usar Cubatão como peça de propaganda e lê-la como experiência histórica. O caso cubatense não permite leituras simplistas. Ele não apaga o sofrimento ambiental acumulado, não elimina a necessidade de vigilância permanente e não permite supor que bastem alguns prêmios para considerar encerrada a agenda ecológica local. O que ele faz, e isso já é muito, é desmontar a ideia de impossibilidade. Em tempos de devastação naturalizada,

Cubatão lembra que até mesmo os cenários mais críticos podem ser alterados quando a sociedade e o poder público deixam de aceitar a destruição como custo inevitável do progresso.
Ex- cidade mais poluída do mundo hoje tem uma das melhores qualidades de ar de SP.

Conclusão

Cubatão interessa hoje menos como exceção milagrosa e mais como demonstração histórica. Seu passado mostra até onde pode chegar a devastação quando industrialização, omissão regulatória e desprezo pelo território caminham juntos. Seu presente, por outro lado, mostra que a recuperação ambiental não é fantasia, desde que haja controle público, monitoramento, pressão social, investimento e continuidade institucional. Essa é talvez a lição mais importante do caso cubatense, a destruição pode ser extrema, mas não precisa ser aceita como destino.

Ao mesmo tempo, a trajetória de Cubatão também adverte contra leituras simplificadoras. Os prêmios recentes, o retorno do guará-vermelho e a melhora de indicadores ambientais não permitem tratar essa trajetória como processo concluído. Essa cautela é importante porque, mesmo após a recuperação expressiva iniciada nos anos 1980, reportagens posteriores ainda registraram momentos de preocupação com a qualidade do ar e com a necessidade de vigilância contínua, lembrando que a trajetória de Cubatão é notável, mas não deve ser tratada como história definitivamente encerrada. O que eles mostram é que uma cidade marcada por um dos mais graves desastres ambientais urbanos do país conseguiu alterar sua trajetória de forma concreta, sem apagar a memória do que ocorreu nem dispensar vigilância permanente. O valor público desse caso está justamente aí, Cubatão oferece uma lição de persistência política e de reconstrução ecológica lenta, difícil e documentada.

Num país que ainda convive com a naturalização de rios degradados, ar poluído, áreas verdes destruídas e cidades tratadas como espaços sacrificáveis, Cubatão lembra que recuperação ambiental exige mais do que discursos. Exige presença do Estado, regulação, tempo e escolha política. Talvez seja por isso que sua história continue tão atual. Ela não prova que tudo pode ser resolvido com facilidade. Prova algo mais importante, que mesmo os cenários mais sombrios podem começar a mudar quando a devastação deixa de ser tratada como preço inevitável do progresso.
Recuperação ambiental de Cubatão: de Vale da Morte a case. (ecodebate)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Pontos de não retorno climáticos

Aquecimento de 1,5°C já levaria 5 regiões a ponto de não retorno climático

Pontos de não retorno (tipping points) climáticos são limites críticos onde o aquecimento global causa mudanças irreversíveis em ecossistemas, autoperpetuando danos mesmo se a temperatura baixar. Principais riscos incluem a savanização da Amazônia, degelo da Groenlândia/Antártida e o colapso de corais, com efeitos em cascata.

Principais Pontos de Não Retorno

Savanização da Amazônia: A perda de 20% da floresta, combinada com aquecimento de 1,5°C a 2°C, pode transformar a floresta tropical em savana, liberando grandes quantidades de CO2.

Degelo Polar: Derretimento acelerado da Groenlândia e do Oeste da Antártida, causando aumento significativo do nível do mar.

Recifes de Coral: A mortalidade em massa de corais devido ao aquecimento oceânico já é considerada um ponto de não retorno em andamento.

Circulação Meridional do Atlântico (AMOC): Risco de colapso abaixo de 2°C de aquecimento, o que mudaria drasticamente o clima europeu e padrões de monções.

Permafrost: O degelo do solo congelado no Ártico libera metano e CO2, criando um ciclo de retroalimentação que acelera o aquecimento.

Implicações e Urgência

Irreversibilidade: Uma vez superados, os sistemas naturais mudam para um novo estado, incapazes de retornar ao equilíbrio anterior.

Efeito Cascata: O colapso de um sistema pode gatilhar outros, acelerando a crise climática global.

Ação Imediata: Estudos indicam que vários desses pontos podem ser atingidos com um aquecimento entre 1,5°C e 2°C, exigindo redução drástica de emissões.
Cientistas da USP tocam alarme! A Terra queima, o clima atinge o limite e planeta pode ter passado do ‘ponto sem retorno’

Como o aquecimento global pode acionar mecanismos irreversíveis e porque cada décimo de grau importa mais do que você imagina.

A ciência já identificou os limiares que, uma vez cruzados, levam o planeta a um novo estado. O que são, porque assustam e o que ainda podemos fazer?

Existe uma pergunta que me persegue desde que comecei a estudar mais a fundo a crise climática. Não é “vai esquentar quanto?”, nem “quando as praias vão desaparecer?”. É uma pergunta mais inquietante:

E se já tivermos ido longe demais?

Porque a maioria das conversas sobre mudanças climáticas pressupõe, ainda que implicitamente, que o problema é reversível. Que se a gente parar de poluir, o planeta para de esquentar, a situação estabiliza, a humanidade respira aliviada. Isso é verdade em teoria.

Mas existe uma camada mais sombria da história que raramente chega ao noticiário: a dos pontos de não retorno, ou tipping points, como a comunidade científica os chama.

E essa camada muda tudo.

O risco de mudanças irreversíveis

Imagine uma cadeira de balanço. Você pode empurrá-la para frente, para trás, ela balança, mas sempre volta. Agora imagine empurrá-la além de um certo ângulo. Ela tomba. E não volta sozinha.

A cadeira de balanço à esquerda está em movimento e em equilíbrio. A cadeira da direita ultrapassou o limite do ponto de não retorno e está em queda.

Os pontos de não retorno climáticos funcionam assim. São limiares críticos dentro de grandes sistemas do planeta: as calotas polares, a Floresta Amazônica, as correntes oceânicas, o solo congelado do Ártico.

Quando o aquecimento global empurra um desses sistemas além do seu limite, ele “tomba”, entra em colapso de forma autossustentada, que continua mesmo que todas as emissões de carbono parem amanhã.

O processo pode levar décadas ou séculos para se completar. Mas o gatilho é puxado agora.

Isso não é ficção científica. O Global Tipping Points Report 2025, elaborado por mais de 160 cientistas de mais de 20 países, confirmou algo que já causava arrepios nos bastidores da ciência, que a Terra pode ter ultrapassado seu primeiro ponto de não retorno relacionado às mudanças climáticas, o branqueamento dos recifes de coral, à medida que a água dos oceanos esquenta.

O primeiro. Não o último.

Os gigantes que estamos acordando

Deixa eu te apresentar os sistemas que estão em risco e o que pode acontecer quando cada um deles cede.

As calotas polares da Groenlândia e da Antártida Ocidental

O gelo que derrete na superfície escorre para baixo das geleiras, lubrifica sua base e acelera o deslizamento para o mar. Uma vez iniciado esse processo, ele se alimenta sozinho. Somente a perda de gelo da Groenlândia foi responsável por cerca de 17% da elevação do nível do mar entre 2006 e 2018. E o processo está acelerando. A consequência de longo prazo é uma elevação no nível dos oceanos, lenta demais para assustar o noticiário, rápida demais para ignorar.

Os recifes de coral

Já com um aquecimento global de 1,4°C, os recifes de corais de águas quentes estão ultrapassando seu ponto de inflexão térmico e sofrendo uma perda sem precedentes, prejudicando os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas que dependem deles. Os recifes abrigam 25% de toda a vida marinha. Sua morte não é apenas uma tragédia ecológica, é a demolição de uma barreira natural que protege o litoral de tempestades e garante alimento para populações inteiras.

A Amazônia

A floresta cria sua própria chuva. Árvores absorvem água do solo e a liberam na atmosfera, gerando nuvens e precipitação num ciclo virtuoso que mantém o maior bioma tropical do mundo vivo. O desmatamento combinado com o aquecimento está rompendo esse ciclo. Árvores morrem de sede e são substituídas por vegetação rasteira. A floresta vai virando savana. E quando isso acontece em escala suficiente, ela para de se sustentar e libera de uma vez todo o carbono acumulado por séculos.

Isso não seria apenas uma catástrofe para o Brasil. Seria uma catástrofe para o planeta.
Catastróficos gatilhos climáticos podem mudar completamente o nosso planeta TERRA e de maneira irreversível!!!

A AMOC (Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico) é uma espécie de esteira rolante gigante que redistribui calor entre os hemisférios. Ela funciona porque a água salgada é mais densa e afunda, criando um fluxo contínuo. O problema é que o derretimento do gelo da Groenlândia está despejando água doce no Atlântico Norte, diluindo a salinidade e freando o motor da corrente.

A desestabilização da AMOC numa região pode repercutir-se através de oceanos e continentes, já que o degelo acelera o aquecimento ao reduzir o albedo e alterar a circulação oceânica, provocando mudanças nas faixas de chuva tropicais. Na prática: Europa esfria, trópicos superaquecem, monções falham, fome aumenta.

O permafrost

O solo permanentemente congelado do Ártico guarda quantidades astronômicas de metano, um gás de efeito estufa com poder de aquecimento mais de 80 vezes maior que o CO₂ em 20 anos. À medida que o Ártico esquenta, esse solo descongela e libera o gás. Mais metano aquece mais o planeta. Mais aquecimento descongela mais solo. Um ciclo que se alimenta sozinho.

Foi identificado que mesmo que houvesse a interrupção global e imediata de todas as emissões de gases de efeito estufa pela humanidade, o degelo autossustentado do permafrost ainda seria observado por centenas de anos.

Isso é o que significa “irreversível”.

O efeito dominó

O que mantém os cientistas acordados à noite não é o colapso de um sistema isolado. É a possibilidade de que a queda de um acione a queda do seguinte, numa cascata global.

O derretimento do Ártico acelera a perda de gelo da Groenlândia. A água doce da Groenlândia freia a AMOC. A AMOC alterada muda os padrões de chuva e seca a Amazônia. A Amazônia savanizada libera gigatoneladas de CO₂. O CO₂ aquece ainda mais o planeta. O aquecimento derrete mais gelo na Antártida. O nível do mar sobe catastroficamente.

Estas mudanças abruptas podem desencadear uma cascata de interações entre subsistemas que empurrará o planeta para uma trajetória de aquecimento extremo e subida do nível do mar, condições que poderão ser difíceis de reverter à escala de tempo humana, mesmo com fortes reduções de emissões.

Os cientistas chamam esse cenário de Terra Estufa (Hothouse Earth). Um planeta radicalmente diferente do que a civilização humana conheceu — e para o qual não fomos construídos.

O que os números dizem

Não estou aqui para ser catastrofista além do que a ciência suporta. Mas os números são sérios e merecem ser ditos com clareza:

Com base nas políticas atuais e no aquecimento global resultante, a estimativa mais conservadora dos pesquisadores aponta para um risco médio de 62% de ultrapassagem desses pontos críticos.

Sessenta e dois por cento. Com as políticas que temos hoje.

As médias globais de 2023 e 2024 ficaram em 1,45°C e 1,55°C, respectivamente, com os primeiros meses de 2025 continuando a bater recordes — um padrão que persiste mesmo após o fim do El Niño.

Estamos cruzando limiares que achávamos que teríamos mais tempo para discutir.
Ainda há saída!!!

Acredito que só se age com urgência real quando se entende a urgência real. E a urgência real não é “vai fazer mais calor”. É que estamos nos aproximando de interruptores que, uma vez acionados, nossos (as) netos (as) não conseguirão desligar.

A boa notícia é que ainda temos o poder de evitar esses pontos de inflexão climáticos. Ao avançarmos rumo a um futuro mais sustentável, com emissões mais baixas, reduzimos consideravelmente os riscos.

Os cientistas também falam em pontos de não retorno positivos: os limiares para a expansão de energia solar, baterias, mudanças de comportamento em escala que, uma vez cruzados, também se tornam autossustentados. A transição energética tem sua própria física de cascata. Precisamos acionar esses interruptores antes que os outros nos alcancem.

Cada décimo de grau de aquecimento que evitamos não é uma conquista estatística. É um interruptor que deixamos de acionar. É uma opção que preservamos para as próximas gerações. É a diferença entre um planeta difícil e um planeta inviável.

Não dá para jogar na roleta com o sistema terrestre. A casa sempre vence. (ecodebate)

Floresta amazônica pode sobreviver a secas cada vez piores?

Será que a floresta amazônica pode sobreviver a secas cada vez piores.
A sobrevivência da Floresta Amazônica a secas intensificadas está em risco, com estudos indicando que, embora possua resiliência, a floresta pode atingir um "ponto de não retorno" e se converter em savana. Secas extremas, agravadas pelo desmatamento e aquecimento global, matam árvores, diminuem a absorção de carbono e podem tornar até metade da floresta instável até 2050.

Principais Riscos e Impactos:

Mortalidade Arbórea e Savanização: Secas severas, como a de 2015/2016 e a de 2023, causam a morte de árvores de grande porte, alterando a estrutura da floresta para um ecossistema mais seco, similar a uma savana.

Perda de Função Climática: A floresta está perdendo capacidade de sequestrar carbono, passando a emitir CO2 e intensificar o aquecimento global.

Ponto de Não Retorno: Se o desmatamento atingir 25% e a temperatura global subir >2,5°C, a floresta pode perder a capacidade de gerar sua própria umidade, gerando um ciclo vicioso de seca e fogo.

Áreas Vulneráveis: A Amazônia Ocidental e áreas no Sudeste/sudoeste, próximas à expansão agrícola, são as mais vulneráveis à mortalidade por estresse hídrico.

A Amazônia está morrendo” e o Brasil é o principal culpado, diz cientista do Inpe

A vulnerabilidade da Amazônia à embolia florestal (falha hidráulica) varia espacialmente, sendo maior no leste e sul da bacia, áreas com secas mais intensas e desmatamento. A resiliência florestal diminuiu desde 2000, com secas extremas (2005, 2010, 2015-16, 2023-24) aumentando a mortalidade de árvores e o risco de incêndios.

Padrão Espacial: A vulnerabilidade não é uniforme; áreas de borda e regiões com menor precipitação pluviométrica sazonal apresentam maior risco de colapso do sistema hidráulico das árvores.

Fatores de Risco: A combinação de secas severas, aumento de incêndios (que aumentaram de 51% da destruição em 2024), degradação florestal e altas temperaturas impulsionam a embolia.

Tendência: Estudos indicam que a resiliência vem caindo nas últimas duas décadas, indicando um aumento contínuo na vulnerabilidade da floresta a secas extremas.

O monitoramento via satélite é fundamental, com os maiores riscos concentrados nas áreas que sofrem com o aumento da sazonalidade seca e interferência humana direta, como a região sul-sudeste da bacia.

Com incêndios e seca, Brasil tem perda recorde de florestas

Indico um novo artigo sobre a floresta amazônica, que enfrenta dificuldades devido à intensificação das mudanças climáticas, que causam aquecimento em larga escala e estresse hídrico.

Como essas mudanças afetarão a biodiversidade e as comunidades arbóreas hiper diversas da Amazônia?

Um impacto potencialmente letal do estresse hídrico é o desenvolvimento de embolias (pequenas bolhas de ar em seus vasos condutores de água) que impedem a água de chegar à copa das árvores, levando-as à morte.

Utilizando dados de quase 450 parcelas florestais distribuídas por toda a Amazônia, avaliamos a vulnerabilidade relativa de comunidades arbóreas inteiras a essas embolias letais.

Descobrimos que certas espécies arbóreas, especialmente as da família das leguminosas (Fabaceae), são bastante resistentes às secas, mas muitas outras espécies e famílias de árvores são muito mais vulneráveis.

As árvores leguminosas são mais comuns nas áreas mais secas da bacia, que também sofrem com as secas mais severas. Outras áreas, especialmente na Amazônia Ocidental, região extremamente úmida, apresentam menor quantidade de leguminosas e maior diversidade de espécies sensíveis à seca.

Essas descobertas sugerem que as áreas mais úmidas da Amazônia serão as mais vulneráveis a futuras secas, que podem matar milhões de árvores e gerar bilhões de toneladas de emissões de carbono, intensificando o aquecimento global.

Variação espacial estimada em toda a bacia da vulnerabilidade amazônica à embolia florestal.

(ecodebate)

domingo, 19 de abril de 2026

Clima no Brasil em abril 2026

Onda de calor 'extrema e atípica' eleva temperatura média em até 15ºC no Brasil

Fenômeno se forma em decorrência de uma bolha de calor com núcleo na Argentina.

O clima no Brasil em abril de 2026 será caracterizado por uma transição de verão para outono com temperaturas acima da média e calor persistente, especialmente na primeira metade do mês. Espera-se calor de 30°C à 38°C no Sul/Centro-Oeste, com chuvas irregulares, mas com tendência de volumes acima da média no Sul e Nordeste.

Destaques Climáticos para abril/2026:

Calor e Bloqueio: Alta pressão atmosférica deve manter dias quentes e abafados no centro-sul do país, com a sensação de "verão" prolongada.

Frentes Frias: A primeira quinzena tende a ser quente, enquanto uma frente fria mais intensa, com queda de temperatura mais acentuada, está prevista apenas para o fim de abril/26 ou início de maio/26.

Precipitações:

Sul: Previsão de chuva acima da média, com risco de temporais devido ao desenvolvimento do El Niño.

Sudeste/Centro-Oeste: Chuvas dentro da média, alternando períodos secos com pancadas fortes.

Nordeste: Chuva acima da média na costa leste, com atuação da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical).

Norte: Chuva abaixo da média na maior parte, com exceção do Amapá.

Impacto no Agro: A irregularidade das chuvas pode afetar o solo, e temperaturas elevadas no Sul podem impactar culturas de inverno.

A transição para o outono ocorre de forma lenta, com frentes frias chegando com menos intensidade inicialmente, mantendo o ar mais quente sobre o interior do Brasil durante a maior parte do mês.

Abril começa com onda de calor, mas poderá terminar com onda de frio. Confira a atualização das condições climáticas esperadas para abril/2026. Saiba o que será destaque no clima do país.
Abril/2026 começa muito quente no Brasil, mas pode terminar com acentuada queda da temperatura no centro-sul do país. Pancadas de chuva ocorrem em todo o Brasil.

Outono de 2026 teve início às 11h45hs em 20/03/2026 e se estende até 21/06/2026.

Abril é um mês de transição climática, do período úmido e quente que é o verão, para o clima seco e ameno, característica de grande parte do outono. Em alguns anos, como ocorreu em 2023, abril pode ter excesso de chuva em áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste e sentir a passagem de ar frio intenso na segunda quinzena do mês.

É um mês de forte atuação da Zona de Convergência Intertropical que provoca chuvas volumosas na porção norte das regiões Nordeste e Norte do Brasil. Abril marca também o início do período mais chuvoso do ano na costa leste do Nordeste.

Sistemas meteorológicos que devem atuar no Brasil em abril de 2026

Alta pressão atmosférica

Abril/2026, sistemas de alta pressão atmosférica vão predominar sobre o Brasil. Os impactos deste tipo de sistema meteorológico são:

- Redução da umidade no ar e das condições para a chuva;

- Causa bloqueios na circulação de ventos;

- Afasta as frentes frias para o oceano;

- Dificulta a entrada do ar frio de origem polar no interior do país;

Vento marítimo

Altas pressões oceânicas causam ventos marítimos que contribuem para o aumento da nebulosidade e das condições para chuva nas áreas próximas ao litoral. Estes ventos são um importante fator de aumento da chuva na costa leste do Nordeste.

Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)

Abril é um mês de pico de atuação da Zona de Convergência Intertropical no extremo norte do Brasil. Este sistema provoca chuvas frequentes volumosas na porção norte das Regiões Nordeste e Norte.
Previsão de (a) anomalias de precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (ºC) do multimodelo INMET+CPTEC+FUNCEME para o trimestre fevereiro-março-abril (FMA) de 2026.

Frentes frias e primeiro frio intenso

A maioria das frentes frias de abril devem passar pela costa do Sul e do Sudeste deixando o ar frio sobre o oceano. No fim de abril, uma frente fria deve chegar forte ao país, causando queda acentuada de temperatura no Sul, em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Ainda é pouco provável que ocorra friagem na Região Norte.

Deve ser destaque em abril de 2026

- Grande elevação da temperatura no Sul, em MS e SP durante a segunda semana de abril, caracterizando uma onda de calor nos primeiros dias do mês;

- Bloqueio atmosférico na primeira quinzena do mês;

- Predomínio de ar quente sobre todo o país na maior parte do mês, com o ar frio de origem polar sendo desviado para o oceano;

- Eventos de chuva volumosa na costa leste do Nordeste, afetando as capitais Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa;

- Episódios de chuva forte e volumosa na porção norte das regiões Norte e Nordeste pela atuação da Zona da Convergência Intertropical;

- Possibilidade de queda de temperatura acentuada queda de temperatura no Sul e em algumas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste na última semana de abril;

- Risco de eventos de chuva forte em áreas do litoral das regiões Sul e Sudeste;

Chuva no Brasil em abril de 2026

O mapa abaixo mostra a anomalia de precipitação média estimada para abril de 2026, conforme análise da Climatempo.
Anomalia da temperatura média prevista para o Brasil para abril de 2026: tons de azul indicam volume de chuva acima da média; tons de marrom indicam chuva abaixo da média; o branco representa volume de chuva próximo da média.

A previsão é de que abril termine com volumes de chuva um pouco acima da média (tons de verde) em praticamente toda a região Nordeste e em parte do Tocantins. A chuva de abril deve ficar dentro (cor branca) a um pouco abaixo da média (tons de marrom) na maioria das áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Deve chover um pouco abaixo do normal (tons de marrom) no norte do Maranhão, na maioria das áreas da região Norte, em áreas do Norte e do oeste de Mato Grosso, no oeste de Mato Grosso do Sul e em várias áreas do oeste da região Sul.

Temperatura no Brasil em abril/2026

O mapa abaixo mostra a anomalia de temperatura média estimada para abril/2026, conforme análise da Climatempo.

Anomalia da temperatura média prevista para o Brasil para abril/2026: tons de vermelho indicam temperatura acima da média; tons de azuis indicam temperatura abaixo da média; o branco representa temperatura próxima da média.

Um dos efeitos do predomínio de sistemas de alta pressão é dificultar a entrada do ar frio de origem polar no interior do país. A maioria das frentes frias de abril devem passar pela costa do Sul e do Sudeste deixando o ar frio sobre o oceano.

A previsão da Climatempo é de que a temperatura média de abril fique acima do normal (tons de vermelho) na região Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Há risco de formação de onda de calor nestas regiões.

Nas demais áreas do Sudeste e do Centro-Oeste e em praticamente toda a região Norte, a temperatura deve ficar próxima da média (cor branca) normal para abril. No Tocantins e na maioria das áreas do Nordeste, o excesso de nebulosidade e a chuva frequente vão deixar a temperatura um pouco abaixo (tons de azul) da média. (climatempo.com.br)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026, dizem especialistas.
Especialistas apontam risco de um Super El Niño em 2026, com potencial para provocar calor extremo, secas e inundações em diversas regiões do mundo.

Projeções de especialistas indicam alta probabilidade (cerca de 62% a 80%) de um Super El Niño em 2026, com potencial para causar calor extremo, secas severas e inundações globais, especialmente no segundo semestre. O fenômeno, descrito como uma versão intensa, pode causar desastres naturais e afetar a agricultura.

Principais Impactos do Super El Niño em 2026:

Calor e Recordes: O aquecimento anormal do Pacífico Equatorial intensifica ondas de calor e pode levar a temperaturas globais recordes.

Irregularidade Climática: Transição da La Niña para o El Niño, combinada com outras oscilações, causará chuvas intensas seguidas de seca.

Impacto no Brasil: Risco de chuvas excessivas no Sul e seca na região amazônica.

Agricultura: Previsão de dificuldades na plantação de soja e milho, além de encharcamento de solo no Sul.

A possibilidade de um "El Niño Godzilla" preocupa, pois ocorre em um cenário de aquecimento global, o que pode potencializar seus efeitos.

Fenômeno natural aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial

El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial

Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño, fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Episódios mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes, calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%, enquanto a variação super é de 20%.

O meteorologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2°C acima da média.

Chuva forte atinge Bauru (SP), arrasta carros, destrói estabelecimentos e causa inundações em março/2026

"Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera", afirma.

Na prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva necessária.

No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados.

El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.

A Amazônia vai inundar e secar em 2026: El Niño chega em maio, com intensidade de moderada a forte; a cheia dos rios será maior que a de 2025 e a vazante que vem logo depois pode comprometer a navegação, o abastecimento e a pesca de comunidades isoladas, sem estrada, sem seguro e sem alternativa de deslocamento

"Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de 2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas", ressalta o meteorologista.

Já no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas.

"Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes", acrescenta.

Outro destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A fase quente da ODP iniciou em 2020.

"Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso", diz.

El Niño pode provocar mais enchentes no Sul do Brasil

Além das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando pescadores locais. (terra)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Evento raro no Pacífico pode acelerar um Super El Niño

Sinal de perigo: evento raro no Pacífico pode acelerar um Super El Niño.

Fenômeno atmosférico poderoso de vento no Pacífico pode acelerar a chegada do El Niño e aumenta o risco de um episódio intenso.

Fenômeno no Pacífico associado às correntes de vento previsto para os próximos dias deve acelerar a chegada do El Niño a aumentar a probabilidade de um episódio de El Niño muito forte a intenso, talvez um Super El Niño, mais tarde neste ano.
Último Super El Niño ocorreu em 2023-2024 e teve enorme impacto no Sul do Brasil com grandes enchentes no Rio Grande do Sul.

O que vai acontecer? Modelos numéricos projetam o que se denominada de Estouro de Vento de Oeste e com enorme intensidade no Pacífico Central, que meteorologistas dos Estados Unidos especialistas em El Niño descrevem como “notável” e “um dos mais fortes já vistos”.

O chamado estouro de vento de oeste, conhecido pela sigla WWB (Westerly Wind Burst), é um dos fenômenos atmosféricos mais importantes na dinâmica do Pacífico equatorial e pode ter papel decisivo na formação e intensificação de episódios de El Niño.

Esses eventos consistem em rajadas ou períodos de ventos anormalmente fortes soprando de Oeste para Leste na faixa tropical do oceano, rompendo o padrão habitual dos ventos alísios.

Em condições normais, os ventos alísios sopram de Leste para o Oeste ao longo do Pacífico equatorial, empurrando as águas quentes em direção à Ásia e mantendo águas mais frias na costa da América do Sul.

Quando ocorre um evento de WWB, esse padrão se enfraquece ou até se inverte temporariamente. O resultado é um deslocamento significativo de águas quentes para o Centro e o Leste do Pacífico, criando as condições iniciais para o desenvolvimento do El Niño.

O impacto de um Estouro de Vento de Oeste vai além da superfície. Esses eventos geram ondas oceânicas conhecidas como ondas Kelvin, que se propagam rapidamente em direção à América do Sul, aprofundando a termo clina, a camada que separa águas quentes superficiais das águas frias mais profundas. Com a termo clina mais profunda, a ressurgência de águas frias diminui, favorecendo ainda mais o aquecimento da superfície do mar.

Quando ocorrem vários episódios de WWB em sequência, o efeito pode ser cumulativo e extremamente relevante. É justamente essa repetição que pode acelerar a transição de condições neutras para um El Niño e, em casos mais intensos, contribuir para eventos classificados como fortes ou até extremos. Grandes episódios históricos de El Niño, como os de 1982-83, 1997-98 e 2023-2024, tiveram relação direta com sucessivos Estouros de Vento de Oeste ao longo de sua evolução.

Além disso, os eventos costumam estar associados a áreas de intensa convecção tropical, muitas vezes ligadas à atividade da Oscilação Madden-Julian (OMJ), que organiza grandes regiões de tempestades nos trópicos. Essa interação entre atmosfera e oceano cria um efeito de retroalimentação: quanto mais o oceano aquece, mais favorece novos episódios de convecção e, consequentemente, novos estouros de vento de oeste.

Assim, o Estouro de Vento de Oeste funciona como um “gatilho atmosférico” capaz de acelerar processos que, de outra forma, ocorreriam de maneira mais lenta. Em anos em que os eventos são frequentes e intensos, o risco de El Niño forte cresce demais, o que se desenha ocorrerá agora em 2026.

El Niño pode começar ainda em outubro/2026

O El Niño, na sua forma clássica ou canônica de efeito em todo o planeta, que é favorecido por estes episódios de Estouro de Vento de Oeste, deve se instalar entre o final deste outono e o começo do inverno, mas neste momento já atua na costa da América do Sul um El Niño Costeiro, que não é o clássico e tem impacto mais regional.

De acordo com o último boletim da NOAA, a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada região Niño 1+2 é de +1,6ºC.

Esta região mede a temperatura do mar nos litorais do Peru e do Equador, onde se produz o chamado El Niño Costeiro. Diferentemente da região Niño 3,4, que mede as águas do Pacífico Centro-Leste, onde ocorre o chamado clássico ou canônico, que ainda não começou.

A anomalia positiva de temperatura do mar nesta área mais a Leste do Pacífico Equatorial deu um salto de uma semana para a outra, entre a primeira e a segunda semanas de março, subindo de +0,9ºC para 1,5ºC. Agora, as águas aqueceram ainda mais com anomalia de +1,6ºC.

Já a chamada região Niño 3.4, que é usada para designar se há El Niño ou La Niña na sua forma clássica no Pacífico Centro-Leste, está com anomalia atualmente de 0,0ºC, ou seja, neutralidade absoluta. Nas próximas semanas, no entanto, a tendência é de substancial aquecimento desta parte do Pacífico, o que vai levar à instalação de um episódio do denominado El Niño global ou canônico nos próximos meses.

Entenda o que ocorre no Pacífico

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, mas pode se manifestar de formas distintas. A principal diferença entre o El Niño clássico, também chamado de canônico, e o El Niño costeiro está onde ocorre o aquecimento das águas e nos impactos associados.

O El Niño clássico ocorre quando há um aquecimento persistente e de grande escala nas águas do Pacífico central e leste, ao longo da faixa equatorial. Esse aquecimento altera de forma significativa a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva para regiões onde normalmente o tempo seria mais seco.

Trata-se de um fenômeno de alcance global, que pode durar vários meses e influenciar o clima em diferentes continentes. No Brasil, por exemplo, o padrão mais comum durante um El Niño clássico é o aumento da chuva no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e do Nordeste, além de temperaturas médias mais elevadas.
Já o Costeiro, que começa agora, é um evento mais restrito geograficamente. O aquecimento das águas se concentra principalmente junto à costa do Peru e do Equador, sem necessariamente envolver o Pacífico central de forma significativa. Por isso, seus efeitos atmosféricos tendem a ser mais regionais e menos abrangentes globalmente.

Então, de forma simples e para entender, enquanto o canônico é um fenômeno oceânico-atmosférico de grande escala com repercussões globais, o Costeiro é mais localizado, com efeitos concentrados na costa Oeste da América do Sul e menor influência sobre o clima mundial. (metsul.com)

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