Destaques da Pesquisa:
Regeneração Natural: O estudo
aponta que boa parte desse ganho ocorreu por regeneração espontânea, evidenciando
a capacidade de resiliência da Mata Atlântica.
Papel dos Pequenos
Produtores: 45% da área total recuperada está em terras privadas, com pequenos
produtores rurais tendo um papel fundamental na recuperação, especialmente em
áreas de encostas e bordas de rios, informa o SOS Mata Atlântica.
Principais Estados: Os
estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo
(12,7%) concentraram o maior índice de restauração, afirma o EcoDebate.
Risco e Desafio: Apesar da
área restaurada, o estudo alerta que a "perda de áreas jovens" — onde
a vegetação volta a ser desmatada após iniciar a regeneração — ameaça os
resultados, exigindo proteção permanente.
Impacto Econômico e
Ambiental: A restauração é considerada uma estratégia de baixo custo e alta
eficiência para o sequestro de carbono e conservação da biodiversidade, destaca
o VEJA.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da Estratégia Mata Atlântica, em parceria com a UFSCar, TNC e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, utilizando dados do MapBiomas, aponta a Agência FAPESP e o nossacidade.online.
Um estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation revela que a Mata Atlântica registrou avanço significativo na restauração florestal na última década.
Entre 2011 e 2021, cerca de
1,67 milhão de hectares de florestas nativas foram recuperados no bioma,
segundo análise baseada em dados da iniciativa MapBiomas.
O processo de recuperação foi
muito mais intenso nos estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia
(12,9%) e São Paulo (12,7%). Embora o mapeamento não diferencie áreas que
passaram por regeneração natural daquelas que receberam ações de restauração
ativa, os pesquisadores indicam que a maior parte do crescimento da cobertura
florestal ocorreu por processos naturais.
Segundo Vinicius Tonetti,
primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no Centro de Ciência
para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, os resultados demonstram
que a recuperação da Mata Atlântica em larga escala é possível. “Os dados
mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para
proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em
paisagens com intensa atividade produtiva”, afirma. O Centro recebe apoio da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp; processo nº
2021/11940-0), está sediado no Campus Lagoa do Sino da Universidade Federal de
São Carlos (UFSCar) e tem o professor Paulo Guilherme Molin, do Centro de
Ciências da Natureza (CCN), como pesquisador responsável.
A pesquisa também aponta que
75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como
“mosaicos de uso”, regiões onde há mistura de pequenas lavouras, pastagens e
vegetação em regeneração. Esses locais frequentemente incluem pastagens
abandonadas ou pouco produtivas, que podem se recuperar naturalmente quando as
condições ambientais são favoráveis.
Apesar dos avanços, os
pesquisadores alertam que nem toda floresta regenerada permanece preservada ao
longo do tempo. A análise mostra que 568 mil hectares de áreas que haviam se
recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado no
levantamento. Para Tonetti, o dado reforça a necessidade de políticas públicas
e incentivos para garantir a permanência dessas áreas. “O trabalho de
restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental
proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo
benefícios ambientais”, explica.
Segundo Tonetti, esse
processo depende fortemente da atuação da fauna. “Muitas espécies de árvores
tropicais têm sementes dispersas por aves e mamíferos frugívoros. Esses animais
transportam e espalham as sementes pela paisagem, favorecendo a regeneração das
florestas”, afirma. Em pesquisa anterior desenvolvida durante seu doutorado,
Tonetti já havia demonstrado a importância desses animais para a recuperação em
larga escala da Mata Atlântica.
Ao todo, a pesquisa reuniu 16
cientistas de 14 instituições, entre universidades, organizações não
governamentais e coletivos de restauração. Todos os autores integram o Pacto
pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa que articula diferentes atores
para promover a recuperação do bioma em larga escala, com benefícios
ambientais, sociais e econômicos. O estudo está disponível para leitura na
íntegra na plataforma ScienceDirect (em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2530064425000598).
(ecodebate)

















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