terça-feira, 21 de abril de 2026

Pontos de não retorno climáticos

Aquecimento de 1,5°C já levaria 5 regiões a ponto de não retorno climático

Pontos de não retorno (tipping points) climáticos são limites críticos onde o aquecimento global causa mudanças irreversíveis em ecossistemas, autoperpetuando danos mesmo se a temperatura baixar. Principais riscos incluem a savanização da Amazônia, degelo da Groenlândia/Antártida e o colapso de corais, com efeitos em cascata.

Principais Pontos de Não Retorno

Savanização da Amazônia: A perda de 20% da floresta, combinada com aquecimento de 1,5°C a 2°C, pode transformar a floresta tropical em savana, liberando grandes quantidades de CO2.

Degelo Polar: Derretimento acelerado da Groenlândia e do Oeste da Antártida, causando aumento significativo do nível do mar.

Recifes de Coral: A mortalidade em massa de corais devido ao aquecimento oceânico já é considerada um ponto de não retorno em andamento.

Circulação Meridional do Atlântico (AMOC): Risco de colapso abaixo de 2°C de aquecimento, o que mudaria drasticamente o clima europeu e padrões de monções.

Permafrost: O degelo do solo congelado no Ártico libera metano e CO2, criando um ciclo de retroalimentação que acelera o aquecimento.

Implicações e Urgência

Irreversibilidade: Uma vez superados, os sistemas naturais mudam para um novo estado, incapazes de retornar ao equilíbrio anterior.

Efeito Cascata: O colapso de um sistema pode gatilhar outros, acelerando a crise climática global.

Ação Imediata: Estudos indicam que vários desses pontos podem ser atingidos com um aquecimento entre 1,5°C e 2°C, exigindo redução drástica de emissões.
Cientistas da USP tocam alarme! A Terra queima, o clima atinge o limite e planeta pode ter passado do ‘ponto sem retorno’

Como o aquecimento global pode acionar mecanismos irreversíveis e porque cada décimo de grau importa mais do que você imagina.

A ciência já identificou os limiares que, uma vez cruzados, levam o planeta a um novo estado. O que são, porque assustam e o que ainda podemos fazer?

Existe uma pergunta que me persegue desde que comecei a estudar mais a fundo a crise climática. Não é “vai esquentar quanto?”, nem “quando as praias vão desaparecer?”. É uma pergunta mais inquietante:

E se já tivermos ido longe demais?

Porque a maioria das conversas sobre mudanças climáticas pressupõe, ainda que implicitamente, que o problema é reversível. Que se a gente parar de poluir, o planeta para de esquentar, a situação estabiliza, a humanidade respira aliviada. Isso é verdade em teoria.

Mas existe uma camada mais sombria da história que raramente chega ao noticiário: a dos pontos de não retorno, ou tipping points, como a comunidade científica os chama.

E essa camada muda tudo.

O risco de mudanças irreversíveis

Imagine uma cadeira de balanço. Você pode empurrá-la para frente, para trás, ela balança, mas sempre volta. Agora imagine empurrá-la além de um certo ângulo. Ela tomba. E não volta sozinha.

A cadeira de balanço à esquerda está em movimento e em equilíbrio. A cadeira da direita ultrapassou o limite do ponto de não retorno e está em queda.

Os pontos de não retorno climáticos funcionam assim. São limiares críticos dentro de grandes sistemas do planeta: as calotas polares, a Floresta Amazônica, as correntes oceânicas, o solo congelado do Ártico.

Quando o aquecimento global empurra um desses sistemas além do seu limite, ele “tomba”, entra em colapso de forma autossustentada, que continua mesmo que todas as emissões de carbono parem amanhã.

O processo pode levar décadas ou séculos para se completar. Mas o gatilho é puxado agora.

Isso não é ficção científica. O Global Tipping Points Report 2025, elaborado por mais de 160 cientistas de mais de 20 países, confirmou algo que já causava arrepios nos bastidores da ciência, que a Terra pode ter ultrapassado seu primeiro ponto de não retorno relacionado às mudanças climáticas, o branqueamento dos recifes de coral, à medida que a água dos oceanos esquenta.

O primeiro. Não o último.

Os gigantes que estamos acordando

Deixa eu te apresentar os sistemas que estão em risco e o que pode acontecer quando cada um deles cede.

As calotas polares da Groenlândia e da Antártida Ocidental

O gelo que derrete na superfície escorre para baixo das geleiras, lubrifica sua base e acelera o deslizamento para o mar. Uma vez iniciado esse processo, ele se alimenta sozinho. Somente a perda de gelo da Groenlândia foi responsável por cerca de 17% da elevação do nível do mar entre 2006 e 2018. E o processo está acelerando. A consequência de longo prazo é uma elevação no nível dos oceanos, lenta demais para assustar o noticiário, rápida demais para ignorar.

Os recifes de coral

Já com um aquecimento global de 1,4°C, os recifes de corais de águas quentes estão ultrapassando seu ponto de inflexão térmico e sofrendo uma perda sem precedentes, prejudicando os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas que dependem deles. Os recifes abrigam 25% de toda a vida marinha. Sua morte não é apenas uma tragédia ecológica, é a demolição de uma barreira natural que protege o litoral de tempestades e garante alimento para populações inteiras.

A Amazônia

A floresta cria sua própria chuva. Árvores absorvem água do solo e a liberam na atmosfera, gerando nuvens e precipitação num ciclo virtuoso que mantém o maior bioma tropical do mundo vivo. O desmatamento combinado com o aquecimento está rompendo esse ciclo. Árvores morrem de sede e são substituídas por vegetação rasteira. A floresta vai virando savana. E quando isso acontece em escala suficiente, ela para de se sustentar e libera de uma vez todo o carbono acumulado por séculos.

Isso não seria apenas uma catástrofe para o Brasil. Seria uma catástrofe para o planeta.
Catastróficos gatilhos climáticos podem mudar completamente o nosso planeta TERRA e de maneira irreversível!!!

A AMOC (Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico) é uma espécie de esteira rolante gigante que redistribui calor entre os hemisférios. Ela funciona porque a água salgada é mais densa e afunda, criando um fluxo contínuo. O problema é que o derretimento do gelo da Groenlândia está despejando água doce no Atlântico Norte, diluindo a salinidade e freando o motor da corrente.

A desestabilização da AMOC numa região pode repercutir-se através de oceanos e continentes, já que o degelo acelera o aquecimento ao reduzir o albedo e alterar a circulação oceânica, provocando mudanças nas faixas de chuva tropicais. Na prática: Europa esfria, trópicos superaquecem, monções falham, fome aumenta.

O permafrost

O solo permanentemente congelado do Ártico guarda quantidades astronômicas de metano, um gás de efeito estufa com poder de aquecimento mais de 80 vezes maior que o CO₂ em 20 anos. À medida que o Ártico esquenta, esse solo descongela e libera o gás. Mais metano aquece mais o planeta. Mais aquecimento descongela mais solo. Um ciclo que se alimenta sozinho.

Foi identificado que mesmo que houvesse a interrupção global e imediata de todas as emissões de gases de efeito estufa pela humanidade, o degelo autossustentado do permafrost ainda seria observado por centenas de anos.

Isso é o que significa “irreversível”.

O efeito dominó

O que mantém os cientistas acordados à noite não é o colapso de um sistema isolado. É a possibilidade de que a queda de um acione a queda do seguinte, numa cascata global.

O derretimento do Ártico acelera a perda de gelo da Groenlândia. A água doce da Groenlândia freia a AMOC. A AMOC alterada muda os padrões de chuva e seca a Amazônia. A Amazônia savanizada libera gigatoneladas de CO₂. O CO₂ aquece ainda mais o planeta. O aquecimento derrete mais gelo na Antártida. O nível do mar sobe catastroficamente.

Estas mudanças abruptas podem desencadear uma cascata de interações entre subsistemas que empurrará o planeta para uma trajetória de aquecimento extremo e subida do nível do mar, condições que poderão ser difíceis de reverter à escala de tempo humana, mesmo com fortes reduções de emissões.

Os cientistas chamam esse cenário de Terra Estufa (Hothouse Earth). Um planeta radicalmente diferente do que a civilização humana conheceu — e para o qual não fomos construídos.

O que os números dizem

Não estou aqui para ser catastrofista além do que a ciência suporta. Mas os números são sérios e merecem ser ditos com clareza:

Com base nas políticas atuais e no aquecimento global resultante, a estimativa mais conservadora dos pesquisadores aponta para um risco médio de 62% de ultrapassagem desses pontos críticos.

Sessenta e dois por cento. Com as políticas que temos hoje.

As médias globais de 2023 e 2024 ficaram em 1,45°C e 1,55°C, respectivamente, com os primeiros meses de 2025 continuando a bater recordes — um padrão que persiste mesmo após o fim do El Niño.

Estamos cruzando limiares que achávamos que teríamos mais tempo para discutir.
Ainda há saída!!!

Acredito que só se age com urgência real quando se entende a urgência real. E a urgência real não é “vai fazer mais calor”. É que estamos nos aproximando de interruptores que, uma vez acionados, nossos (as) netos (as) não conseguirão desligar.

A boa notícia é que ainda temos o poder de evitar esses pontos de inflexão climáticos. Ao avançarmos rumo a um futuro mais sustentável, com emissões mais baixas, reduzimos consideravelmente os riscos.

Os cientistas também falam em pontos de não retorno positivos: os limiares para a expansão de energia solar, baterias, mudanças de comportamento em escala que, uma vez cruzados, também se tornam autossustentados. A transição energética tem sua própria física de cascata. Precisamos acionar esses interruptores antes que os outros nos alcancem.

Cada décimo de grau de aquecimento que evitamos não é uma conquista estatística. É um interruptor que deixamos de acionar. É uma opção que preservamos para as próximas gerações. É a diferença entre um planeta difícil e um planeta inviável.

Não dá para jogar na roleta com o sistema terrestre. A casa sempre vence. (ecodebate)

Floresta amazônica pode sobreviver a secas cada vez piores?

Será que a floresta amazônica pode sobreviver a secas cada vez piores.
A sobrevivência da Floresta Amazônica a secas intensificadas está em risco, com estudos indicando que, embora possua resiliência, a floresta pode atingir um "ponto de não retorno" e se converter em savana. Secas extremas, agravadas pelo desmatamento e aquecimento global, matam árvores, diminuem a absorção de carbono e podem tornar até metade da floresta instável até 2050.

Principais Riscos e Impactos:

Mortalidade Arbórea e Savanização: Secas severas, como a de 2015/2016 e a de 2023, causam a morte de árvores de grande porte, alterando a estrutura da floresta para um ecossistema mais seco, similar a uma savana.

Perda de Função Climática: A floresta está perdendo capacidade de sequestrar carbono, passando a emitir CO2 e intensificar o aquecimento global.

Ponto de Não Retorno: Se o desmatamento atingir 25% e a temperatura global subir >2,5°C, a floresta pode perder a capacidade de gerar sua própria umidade, gerando um ciclo vicioso de seca e fogo.

Áreas Vulneráveis: A Amazônia Ocidental e áreas no Sudeste/sudoeste, próximas à expansão agrícola, são as mais vulneráveis à mortalidade por estresse hídrico.

A Amazônia está morrendo” e o Brasil é o principal culpado, diz cientista do Inpe

A vulnerabilidade da Amazônia à embolia florestal (falha hidráulica) varia espacialmente, sendo maior no leste e sul da bacia, áreas com secas mais intensas e desmatamento. A resiliência florestal diminuiu desde 2000, com secas extremas (2005, 2010, 2015-16, 2023-24) aumentando a mortalidade de árvores e o risco de incêndios.

Padrão Espacial: A vulnerabilidade não é uniforme; áreas de borda e regiões com menor precipitação pluviométrica sazonal apresentam maior risco de colapso do sistema hidráulico das árvores.

Fatores de Risco: A combinação de secas severas, aumento de incêndios (que aumentaram de 51% da destruição em 2024), degradação florestal e altas temperaturas impulsionam a embolia.

Tendência: Estudos indicam que a resiliência vem caindo nas últimas duas décadas, indicando um aumento contínuo na vulnerabilidade da floresta a secas extremas.

O monitoramento via satélite é fundamental, com os maiores riscos concentrados nas áreas que sofrem com o aumento da sazonalidade seca e interferência humana direta, como a região sul-sudeste da bacia.

Com incêndios e seca, Brasil tem perda recorde de florestas

Indico um novo artigo sobre a floresta amazônica, que enfrenta dificuldades devido à intensificação das mudanças climáticas, que causam aquecimento em larga escala e estresse hídrico.

Como essas mudanças afetarão a biodiversidade e as comunidades arbóreas hiper diversas da Amazônia?

Um impacto potencialmente letal do estresse hídrico é o desenvolvimento de embolias (pequenas bolhas de ar em seus vasos condutores de água) que impedem a água de chegar à copa das árvores, levando-as à morte.

Utilizando dados de quase 450 parcelas florestais distribuídas por toda a Amazônia, avaliamos a vulnerabilidade relativa de comunidades arbóreas inteiras a essas embolias letais.

Descobrimos que certas espécies arbóreas, especialmente as da família das leguminosas (Fabaceae), são bastante resistentes às secas, mas muitas outras espécies e famílias de árvores são muito mais vulneráveis.

As árvores leguminosas são mais comuns nas áreas mais secas da bacia, que também sofrem com as secas mais severas. Outras áreas, especialmente na Amazônia Ocidental, região extremamente úmida, apresentam menor quantidade de leguminosas e maior diversidade de espécies sensíveis à seca.

Essas descobertas sugerem que as áreas mais úmidas da Amazônia serão as mais vulneráveis a futuras secas, que podem matar milhões de árvores e gerar bilhões de toneladas de emissões de carbono, intensificando o aquecimento global.

Variação espacial estimada em toda a bacia da vulnerabilidade amazônica à embolia florestal.

(ecodebate)

domingo, 19 de abril de 2026

Clima no Brasil em abril 2026

Onda de calor 'extrema e atípica' eleva temperatura média em até 15ºC no Brasil

Fenômeno se forma em decorrência de uma bolha de calor com núcleo na Argentina.

O clima no Brasil em abril de 2026 será caracterizado por uma transição de verão para outono com temperaturas acima da média e calor persistente, especialmente na primeira metade do mês. Espera-se calor de 30°C à 38°C no Sul/Centro-Oeste, com chuvas irregulares, mas com tendência de volumes acima da média no Sul e Nordeste.

Destaques Climáticos para abril/2026:

Calor e Bloqueio: Alta pressão atmosférica deve manter dias quentes e abafados no centro-sul do país, com a sensação de "verão" prolongada.

Frentes Frias: A primeira quinzena tende a ser quente, enquanto uma frente fria mais intensa, com queda de temperatura mais acentuada, está prevista apenas para o fim de abril/26 ou início de maio/26.

Precipitações:

Sul: Previsão de chuva acima da média, com risco de temporais devido ao desenvolvimento do El Niño.

Sudeste/Centro-Oeste: Chuvas dentro da média, alternando períodos secos com pancadas fortes.

Nordeste: Chuva acima da média na costa leste, com atuação da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical).

Norte: Chuva abaixo da média na maior parte, com exceção do Amapá.

Impacto no Agro: A irregularidade das chuvas pode afetar o solo, e temperaturas elevadas no Sul podem impactar culturas de inverno.

A transição para o outono ocorre de forma lenta, com frentes frias chegando com menos intensidade inicialmente, mantendo o ar mais quente sobre o interior do Brasil durante a maior parte do mês.

Abril começa com onda de calor, mas poderá terminar com onda de frio. Confira a atualização das condições climáticas esperadas para abril/2026. Saiba o que será destaque no clima do país.
Abril/2026 começa muito quente no Brasil, mas pode terminar com acentuada queda da temperatura no centro-sul do país. Pancadas de chuva ocorrem em todo o Brasil.

Outono de 2026 teve início às 11h45hs em 20/03/2026 e se estende até 21/06/2026.

Abril é um mês de transição climática, do período úmido e quente que é o verão, para o clima seco e ameno, característica de grande parte do outono. Em alguns anos, como ocorreu em 2023, abril pode ter excesso de chuva em áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste e sentir a passagem de ar frio intenso na segunda quinzena do mês.

É um mês de forte atuação da Zona de Convergência Intertropical que provoca chuvas volumosas na porção norte das regiões Nordeste e Norte do Brasil. Abril marca também o início do período mais chuvoso do ano na costa leste do Nordeste.

Sistemas meteorológicos que devem atuar no Brasil em abril de 2026

Alta pressão atmosférica

Abril/2026, sistemas de alta pressão atmosférica vão predominar sobre o Brasil. Os impactos deste tipo de sistema meteorológico são:

- Redução da umidade no ar e das condições para a chuva;

- Causa bloqueios na circulação de ventos;

- Afasta as frentes frias para o oceano;

- Dificulta a entrada do ar frio de origem polar no interior do país;

Vento marítimo

Altas pressões oceânicas causam ventos marítimos que contribuem para o aumento da nebulosidade e das condições para chuva nas áreas próximas ao litoral. Estes ventos são um importante fator de aumento da chuva na costa leste do Nordeste.

Zona de Convergência Intertropical (ZCIT)

Abril é um mês de pico de atuação da Zona de Convergência Intertropical no extremo norte do Brasil. Este sistema provoca chuvas frequentes volumosas na porção norte das Regiões Nordeste e Norte.
Previsão de (a) anomalias de precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (ºC) do multimodelo INMET+CPTEC+FUNCEME para o trimestre fevereiro-março-abril (FMA) de 2026.

Frentes frias e primeiro frio intenso

A maioria das frentes frias de abril devem passar pela costa do Sul e do Sudeste deixando o ar frio sobre o oceano. No fim de abril, uma frente fria deve chegar forte ao país, causando queda acentuada de temperatura no Sul, em áreas do Sudeste e do Centro-Oeste. Ainda é pouco provável que ocorra friagem na Região Norte.

Deve ser destaque em abril de 2026

- Grande elevação da temperatura no Sul, em MS e SP durante a segunda semana de abril, caracterizando uma onda de calor nos primeiros dias do mês;

- Bloqueio atmosférico na primeira quinzena do mês;

- Predomínio de ar quente sobre todo o país na maior parte do mês, com o ar frio de origem polar sendo desviado para o oceano;

- Eventos de chuva volumosa na costa leste do Nordeste, afetando as capitais Salvador, Aracaju, Maceió, Recife e João Pessoa;

- Episódios de chuva forte e volumosa na porção norte das regiões Norte e Nordeste pela atuação da Zona da Convergência Intertropical;

- Possibilidade de queda de temperatura acentuada queda de temperatura no Sul e em algumas áreas do Sudeste e do Centro-Oeste na última semana de abril;

- Risco de eventos de chuva forte em áreas do litoral das regiões Sul e Sudeste;

Chuva no Brasil em abril de 2026

O mapa abaixo mostra a anomalia de precipitação média estimada para abril de 2026, conforme análise da Climatempo.
Anomalia da temperatura média prevista para o Brasil para abril de 2026: tons de azul indicam volume de chuva acima da média; tons de marrom indicam chuva abaixo da média; o branco representa volume de chuva próximo da média.

A previsão é de que abril termine com volumes de chuva um pouco acima da média (tons de verde) em praticamente toda a região Nordeste e em parte do Tocantins. A chuva de abril deve ficar dentro (cor branca) a um pouco abaixo da média (tons de marrom) na maioria das áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Deve chover um pouco abaixo do normal (tons de marrom) no norte do Maranhão, na maioria das áreas da região Norte, em áreas do Norte e do oeste de Mato Grosso, no oeste de Mato Grosso do Sul e em várias áreas do oeste da região Sul.

Temperatura no Brasil em abril/2026

O mapa abaixo mostra a anomalia de temperatura média estimada para abril/2026, conforme análise da Climatempo.

Anomalia da temperatura média prevista para o Brasil para abril/2026: tons de vermelho indicam temperatura acima da média; tons de azuis indicam temperatura abaixo da média; o branco representa temperatura próxima da média.

Um dos efeitos do predomínio de sistemas de alta pressão é dificultar a entrada do ar frio de origem polar no interior do país. A maioria das frentes frias de abril devem passar pela costa do Sul e do Sudeste deixando o ar frio sobre o oceano.

A previsão da Climatempo é de que a temperatura média de abril fique acima do normal (tons de vermelho) na região Sul, em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Há risco de formação de onda de calor nestas regiões.

Nas demais áreas do Sudeste e do Centro-Oeste e em praticamente toda a região Norte, a temperatura deve ficar próxima da média (cor branca) normal para abril. No Tocantins e na maioria das áreas do Nordeste, o excesso de nebulosidade e a chuva frequente vão deixar a temperatura um pouco abaixo (tons de azul) da média. (climatempo.com.br)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026, dizem especialistas.
Especialistas apontam risco de um Super El Niño em 2026, com potencial para provocar calor extremo, secas e inundações em diversas regiões do mundo.

Projeções de especialistas indicam alta probabilidade (cerca de 62% a 80%) de um Super El Niño em 2026, com potencial para causar calor extremo, secas severas e inundações globais, especialmente no segundo semestre. O fenômeno, descrito como uma versão intensa, pode causar desastres naturais e afetar a agricultura.

Principais Impactos do Super El Niño em 2026:

Calor e Recordes: O aquecimento anormal do Pacífico Equatorial intensifica ondas de calor e pode levar a temperaturas globais recordes.

Irregularidade Climática: Transição da La Niña para o El Niño, combinada com outras oscilações, causará chuvas intensas seguidas de seca.

Impacto no Brasil: Risco de chuvas excessivas no Sul e seca na região amazônica.

Agricultura: Previsão de dificuldades na plantação de soja e milho, além de encharcamento de solo no Sul.

A possibilidade de um "El Niño Godzilla" preocupa, pois ocorre em um cenário de aquecimento global, o que pode potencializar seus efeitos.

Fenômeno natural aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial

El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial

Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño, fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Episódios mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes, calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%, enquanto a variação super é de 20%.

O meteorologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2°C acima da média.

Chuva forte atinge Bauru (SP), arrasta carros, destrói estabelecimentos e causa inundações em março/2026

"Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera", afirma.

Na prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva necessária.

No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados.

El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.

A Amazônia vai inundar e secar em 2026: El Niño chega em maio, com intensidade de moderada a forte; a cheia dos rios será maior que a de 2025 e a vazante que vem logo depois pode comprometer a navegação, o abastecimento e a pesca de comunidades isoladas, sem estrada, sem seguro e sem alternativa de deslocamento

"Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de 2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas", ressalta o meteorologista.

Já no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas.

"Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes", acrescenta.

Outro destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A fase quente da ODP iniciou em 2020.

"Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso", diz.

El Niño pode provocar mais enchentes no Sul do Brasil

Além das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando pescadores locais. (terra)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Evento raro no Pacífico pode acelerar um Super El Niño

Sinal de perigo: evento raro no Pacífico pode acelerar um Super El Niño.

Fenômeno atmosférico poderoso de vento no Pacífico pode acelerar a chegada do El Niño e aumenta o risco de um episódio intenso.

Fenômeno no Pacífico associado às correntes de vento previsto para os próximos dias deve acelerar a chegada do El Niño a aumentar a probabilidade de um episódio de El Niño muito forte a intenso, talvez um Super El Niño, mais tarde neste ano.
Último Super El Niño ocorreu em 2023-2024 e teve enorme impacto no Sul do Brasil com grandes enchentes no Rio Grande do Sul.

O que vai acontecer? Modelos numéricos projetam o que se denominada de Estouro de Vento de Oeste e com enorme intensidade no Pacífico Central, que meteorologistas dos Estados Unidos especialistas em El Niño descrevem como “notável” e “um dos mais fortes já vistos”.

O chamado estouro de vento de oeste, conhecido pela sigla WWB (Westerly Wind Burst), é um dos fenômenos atmosféricos mais importantes na dinâmica do Pacífico equatorial e pode ter papel decisivo na formação e intensificação de episódios de El Niño.

Esses eventos consistem em rajadas ou períodos de ventos anormalmente fortes soprando de Oeste para Leste na faixa tropical do oceano, rompendo o padrão habitual dos ventos alísios.

Em condições normais, os ventos alísios sopram de Leste para o Oeste ao longo do Pacífico equatorial, empurrando as águas quentes em direção à Ásia e mantendo águas mais frias na costa da América do Sul.

Quando ocorre um evento de WWB, esse padrão se enfraquece ou até se inverte temporariamente. O resultado é um deslocamento significativo de águas quentes para o Centro e o Leste do Pacífico, criando as condições iniciais para o desenvolvimento do El Niño.

O impacto de um Estouro de Vento de Oeste vai além da superfície. Esses eventos geram ondas oceânicas conhecidas como ondas Kelvin, que se propagam rapidamente em direção à América do Sul, aprofundando a termo clina, a camada que separa águas quentes superficiais das águas frias mais profundas. Com a termo clina mais profunda, a ressurgência de águas frias diminui, favorecendo ainda mais o aquecimento da superfície do mar.

Quando ocorrem vários episódios de WWB em sequência, o efeito pode ser cumulativo e extremamente relevante. É justamente essa repetição que pode acelerar a transição de condições neutras para um El Niño e, em casos mais intensos, contribuir para eventos classificados como fortes ou até extremos. Grandes episódios históricos de El Niño, como os de 1982-83, 1997-98 e 2023-2024, tiveram relação direta com sucessivos Estouros de Vento de Oeste ao longo de sua evolução.

Além disso, os eventos costumam estar associados a áreas de intensa convecção tropical, muitas vezes ligadas à atividade da Oscilação Madden-Julian (OMJ), que organiza grandes regiões de tempestades nos trópicos. Essa interação entre atmosfera e oceano cria um efeito de retroalimentação: quanto mais o oceano aquece, mais favorece novos episódios de convecção e, consequentemente, novos estouros de vento de oeste.

Assim, o Estouro de Vento de Oeste funciona como um “gatilho atmosférico” capaz de acelerar processos que, de outra forma, ocorreriam de maneira mais lenta. Em anos em que os eventos são frequentes e intensos, o risco de El Niño forte cresce demais, o que se desenha ocorrerá agora em 2026.

El Niño pode começar ainda em outubro/2026

O El Niño, na sua forma clássica ou canônica de efeito em todo o planeta, que é favorecido por estes episódios de Estouro de Vento de Oeste, deve se instalar entre o final deste outono e o começo do inverno, mas neste momento já atua na costa da América do Sul um El Niño Costeiro, que não é o clássico e tem impacto mais regional.

De acordo com o último boletim da NOAA, a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada região Niño 1+2 é de +1,6ºC.

Esta região mede a temperatura do mar nos litorais do Peru e do Equador, onde se produz o chamado El Niño Costeiro. Diferentemente da região Niño 3,4, que mede as águas do Pacífico Centro-Leste, onde ocorre o chamado clássico ou canônico, que ainda não começou.

A anomalia positiva de temperatura do mar nesta área mais a Leste do Pacífico Equatorial deu um salto de uma semana para a outra, entre a primeira e a segunda semanas de março, subindo de +0,9ºC para 1,5ºC. Agora, as águas aqueceram ainda mais com anomalia de +1,6ºC.

Já a chamada região Niño 3.4, que é usada para designar se há El Niño ou La Niña na sua forma clássica no Pacífico Centro-Leste, está com anomalia atualmente de 0,0ºC, ou seja, neutralidade absoluta. Nas próximas semanas, no entanto, a tendência é de substancial aquecimento desta parte do Pacífico, o que vai levar à instalação de um episódio do denominado El Niño global ou canônico nos próximos meses.

Entenda o que ocorre no Pacífico

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, mas pode se manifestar de formas distintas. A principal diferença entre o El Niño clássico, também chamado de canônico, e o El Niño costeiro está onde ocorre o aquecimento das águas e nos impactos associados.

O El Niño clássico ocorre quando há um aquecimento persistente e de grande escala nas águas do Pacífico central e leste, ao longo da faixa equatorial. Esse aquecimento altera de forma significativa a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva para regiões onde normalmente o tempo seria mais seco.

Trata-se de um fenômeno de alcance global, que pode durar vários meses e influenciar o clima em diferentes continentes. No Brasil, por exemplo, o padrão mais comum durante um El Niño clássico é o aumento da chuva no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e do Nordeste, além de temperaturas médias mais elevadas.
Já o Costeiro, que começa agora, é um evento mais restrito geograficamente. O aquecimento das águas se concentra principalmente junto à costa do Peru e do Equador, sem necessariamente envolver o Pacífico central de forma significativa. Por isso, seus efeitos atmosféricos tendem a ser mais regionais e menos abrangentes globalmente.

Então, de forma simples e para entender, enquanto o canônico é um fenômeno oceânico-atmosférico de grande escala com repercussões globais, o Costeiro é mais localizado, com efeitos concentrados na costa Oeste da América do Sul e menor influência sobre o clima mundial. (metsul.com)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Enlouquecemos o clima e já enfrentamos as consequências

Da onda de calor assassina ao furacão catastrófico, os extremos climáticos deixaram de ser exceção e viraram rotina

Não sei se você tem tido essa sensação, mas falar sobre o clima deixou de ser conversa de elevador. Quando alguém diz “nossa, que calor” ou “essa chuva foi absurda”, já não soa como papo banal. Tem um peso diferente. Uma leve ansiedade por baixo. E não é exagero, é reconhecimento.

A ciência confirma o que o corpo já sente: não estamos só enfrentando verões mais quentes. Estamos diante de uma mudança profunda no comportamento do clima. Como se o sistema climático estivesse tendo crises cada vez mais frequentes, mais intensas e, o que é mais assustador, cada vez menos previsíveis.

O assassino silencioso que você não vê chegar

Sempre ouvimos falar de ondas de calor. Mas a escala mudou de patamar. O que antes era ocasional e durava até uma semana, hoje, pode se estender por 15 ou 20 dias seguidos. E esse é o problema, porque o calor não destrói casas com estrondo como um tornado. Ele age devagar. Exaure o corpo, colapsa redes elétricas, seca reservatórios. Por isso, pesquisadores o chamam de “assassino silencioso”.

Mas o que realmente me surpreendeu nas pesquisas foi o papel da umidade relativa do ar. Sabe aquele 35°C sufocante do Rio de Janeiro que parece muito pior do que os 40°C no interior do Nordeste? Não é apenas impressão.

Quando o ar está muito úmido, o suor não evapora e é a evaporação do suor que resfria o corpo. Sem esse mecanismo funcionando, a temperatura interna começa a subir. Isso se chama estresse térmico e, em casos graves, pode provocar confusão mental, convulsões, danos musculares e falência de órgãos. Em temperatura de bulbo úmido de 35°C, o corpo humano literalmente perde a capacidade de se resfriar. É o limite fisiológico da nossa biologia.

Quando os desastres vêm em série

Outro conceito que mudou a forma como olho para as notícias de desastre climático é o dos eventos compostos, quando diferentes crises se encadeiam numa sequência devastadora.

Imagine que uma onda de calor resseca a vegetação. Em seguida, incêndios florestais varrem a região. E, então, chega uma chuva torrencial sobre um solo ressecado e despido de árvores, desencadeando inundações e deslizamentos. Cada evento seria grave por si só. Juntos, são impossíveis de prever e gerenciar em tempo real. Defesa civil, saúde pública, infraestrutura, tudo é atingido ao mesmo tempo, por gatilhos diferentes.

É exatamente esse efeito cascata que transforma desastres regionais em crises humanitárias.

O Brasil não é mero espectador

A parte mais difícil de absorver é que o Brasil não está observando isso de longe. De acordo com o Relatório Bienal de Transparência à ONU, cada região do país já enfrenta riscos específicos e crescentes:

• Sul e Sudeste: chuvas extremas, enxurradas e deslizamentos, com potencial de repetir e agravar tragédias recentes como as do Rio Grande do Sul e Petrópolis.

• Norte e Centro-Oeste: ondas de calor intensas e risco permanente de incêndios florestais, com impacto direto sobre a Amazônia.

• Nordeste: a seca histórica pode se tornar ainda mais severa, comprometendo acesso à água potável e produção de alimentos para milhões de pessoas.

• Litoral: o avanço do mar e a acidificação dos oceanos ameaçam o turismo, a pesca artesanal e comunidades inteiras que vivem na orla.

Não existe região protegida. O risco muda de forma, mas está em todo lugar.

Quando o Furacão Helene devastou partes dos Estados Unidos ou quando o Super Tufão Yagi destruiu regiões da Ásia, não foram coincidências trágicas. Foram consequências previsíveis de oceanos mais quentes, servindo de combustível para tempestades cada vez mais poderosas.

O que acontece do outro lado do mundo hoje é um roteiro possível para o que pode acontecer aqui amanhã. E essa consciência, por mais desconfortável que seja, é necessária.

O futuro já chegou. E agora?

Os extremos climáticos deixaram de ser a exceção. Viraram a regra. E entender isso não é catastrofismo, é o primeiro passo para agir.

Entender os riscos nos dá poder para cobrar políticas públicas mais sérias, para apoiar comunidades vulneráveis, para pensar diferente sobre onde e como vivemos.

A adaptação climática não é mais um tema para conferências internacionais. É uma necessidade concreta, aqui, agora.

O clima mudou. E o que vamos mudar em resposta? (ecodebate)

sábado, 11 de abril de 2026

Porto Alegre (RS): a capital mais envelhecida do Brasil

Porto Alegre é considerada a capital mais envelhecida do Brasil, com cerca de 21% da sua população com 60 anos ou mais, segundo dados do Censo 2022 pelo IBGE. A cidade destaca-se por ter uma proporção de idosos bem superior à média nacional (10,78%), refletindo um rápido processo de envelhecimento demográfico e longevidade.

Principais destaques do envelhecimento em Porto Alegre:

Proporção de Idosos: A capital gaúcha possui aproximadamente 320 mil idosos em uma população de cerca de 1,3 milhão de habitantes, conforme a Prefeitura de Porto Alegre.

Contexto Estadual: O Rio Grande do Sul é o estado proporcionalmente mais envelhecido do país. Dados do Censo 2022 indicam que, no estado, existem 115 idosos (60+ anos) para cada 100 crianças (0-14 anos), diz a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do RS.

Ranking das Cidades: Porto Alegre figura entre as cidades com maior índice de envelhecimento no Brasil, frequentemente citada ao lado de municípios paulistas e fluminenses, segundo o Valor Econômico.

Desafios: A alta taxa de envelhecimento impõe desafios ao planejamento urbano e serviços de saúde da cidade, que busca se adaptar a essa realidade demográfica.

A longevidade da população em Porto Alegre reflete melhores índices de saúde e qualidade de vida, mas também demanda políticas públicas focadas no atendimento à pessoa idosa.

Conheça a capital sulista que encanta por sua qualidade de vida e alma europeia!!!

Porto Alegre pode transformar o envelhecimento populacional em um vetor de desenvolvimento sustentável, inclusão social e inovação institucional

Porto Alegre foi fundada em 26/03/1772 e completa 254 anos em 2026, sendo a capital mais meridional e mais envelhecida do país. A maior cidade do Rio Grande do Sul tem uma área de cerca de 500 km2 e uma densidade demográfica de 2.691 habitantes por km2.

A população de Porto Alegre era de 44 mil habitantes em 1872 (primeiro censo demográfico brasileiro), maior do que a população de São Paulo (31 mil habitantes). Belo Horizonte nem existia nesta época. A população da capital gaúcha subiu para 73,7 mil habitantes em 1900, deu um salto para 394 mil em 1950, atingiu 1,36 milhão de habitantes no ano 2000 e alcançou o pico de 1,41 milhão de habitantes em 2010, conforme mostra o gráfico abaixo.

Para 2022, o censo indicou 1,33 milhão de habitantes em Porto Alegre, a primeira redução da história. Mas o censo demográfico 2022 teve uma falha de cobertura e a estimativa populacional do próprio IBGE apontou uma população de 1,39 milhão de habitantes em 2024. Nos últimos 30 anos, Porto Alegre perdeu o posto de cidade mais populosa da região Sul para Curitiba.

A redução do ritmo de crescimento populacional nos anos 2000 foi acompanhado de um envelhecimento da estrutura etária. O gráfico abaixo mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil, o estado do Rio Grande do Sul a cidade de Porto Alegre entre 1970 e 2022. Todas as áreas geográficas tinham uma estrutura etária jovem em 1970, mas o IE aumentou acentuadamente. Em 2022, o IE chegou a 80 idosos de 60 anos e + para cada 100 jovens (0-14 anos) no Brasil. Ficou em 115 no território gaúcho e chegou a 137 idosos por 100 jovens em Porto Alegre. Ou seja, o estado do Rio Grande do Sul e a capital gaúcha já possuem mais idosos do que jovens (0-14 anos).

O gráfico abaixo mostra a pirâmide etária brasileira (colunas cinzas no fundo) e a pirâmide etária da cidade de Porto Alegre (parte colorida e sobreposta), em 2022. Nota-se que abaixo dos 50 anos existe maior proporção de jovens no Brasil, enquanto acima de 50 anos há maior proporção de idosos em Porto Alegre.

O gráfico abaixo mostra que o percentual da população de 0-14 anos de Porto Alegre já vem diminuindo desde 1970, caindo para cerca da metade e chegando a 16% em 2022. O grupo 50+ ultrapassou os jovens de 0-14 anos no início dos anos 2000. No último censo, o percentual de idosos 60+ ultrapassou o percentual de crianças e adolescentes. A população de 15-59 anos subiu de 62,2% em 1970 para 66,2% em 2010 e caiu para 62% em 2022. Portanto, a população considerada em idade ativa já vem diminuindo, enquanto a população idosa (60+) chegou a 21,9%, a população 50+ chegou a 34,3% e a população 70+ chegou a 10,5% em 2022. Sem dúvida, Porto Alegre já pode ser considerada uma cidade envelhecida.

A tabela abaixo, com dados do Ministério da Saúde, mostra o número de nascimentos, óbitos e o crescimento vegetativo em Porto Alegre de 2015 a 2024. Nota-se que o número de nascimentos vem caindo em todo o período e o número de óbitos cresceu muito durante a pandemia da covid-19, caiu em 2022 e 2023 e voltou a subir em 2024. O crescimento vegetativo caiu significativamente no período e a perspectiva é que a capital gaúcha mantenha decrescimento populacional nos próximos anos e décadas.

Portanto, a cidade Porto Alegre já possui mais idosos (60+) do que jovens (0-14 anos), a proporção da população considerada em idade ativa (15-59 anos) já está diminuindo e a capital gaúcha apresenta decrescimento populacional e diminuirá de tamanho ao longo do atual século. Essa configuração demográfica traz desvantagens, mas também vantagens.

Os desafios e oportunidades do envelhecimento populacional de Porto Alegre

O aumento da expectativa de vida ao nascer é uma vitória extraordinária sobre as altas taxas de mortalidade precoce. A queda nas taxas de fecundidade representa a maior mudança de comportamento de massa na história da humanidade. Desta forma, o envelhecimento populacional pode ser considerado uma conquista civilizatória. Mas há desafios e oportunidades.

O principal desafio do envelhecimento populacional é o fim do 1º bônus demográfico, pois o número e a proporção de pessoas de 15 a 59 anos já está diminuindo na capital pernambucana e este fato pode se desdobrar em uma crise fiscal se o país e as cidades continuarem a pensar a relação entre as gerações de maneira fixa. O antigo roteiro de vida com jovens estudando, adultos trabalhando e idosos aposentados perde força diante de uma população que vive mais e deseja continuar ativa, produtiva, colaborativa e integrada.

Indubitavelmente, há novas oportunidades de progresso. O 2º bônus demográfico – ou bônus da produtividade – é um evento capaz de gerar frutos indefinidamente se houver investimentos na educação, na saúde, na infraestrutura que possibilite aos trabalhadores produzirem mais bens e serviços com menos insumos humanos e ambientais. O 3º bônus demográfico – ou bônus da longevidade – que se refere ao potencial econômico, social e institucional que emerge quando uma sociedade passa a ter maior proporção de pessoas idosas, sobretudo em contextos de maior expectativa de vida saudável.

Uma sociedade envelhecida não está condenada ao declínio. O 2º e o 3º bônus demográficos mostram que, com políticas adequadas, a longevidade pode ampliar a produtividade (via experiência e capital humano), a inovação (novos mercados e tecnologias) e a coesão social (mais tempo de contribuição cívica e cultural). A Economia Prateada será a alternativa do futuro.
Aproveitar as oportunidades dessa nova conjuntura demográfica e ao mesmo tempo garantir dignidade, inclusão e autonomia aos idosos envolve uma abordagem multidimensional e uma atuação no âmbito local. Uma estratégia-chave para transformar Porto Alegre em uma Cidade Amiga da Pessoa Idosa, alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), envolve:

1. Ambiente urbano e mobilidade – adaptar o espaço público para todas as idades, com calçadas acessíveis, transporte coletivo confortável e seguro, iluminação adequada, sinalização clara e desenho urbano que estimule caminhadas, convivência e uso dos bairros ao longo de todo o ciclo de vida. Cidades amigáveis aos idosos são, em geral, cidades melhores para todos.

2. Habitação e território – promover políticas habitacionais que incentivem moradias adaptadas, o retrofit do estoque imobiliário existente, a convivência intergeracional e a permanência do idoso em seu território de referência, evitando deslocamentos forçados e isolamento social.

3. Saúde, cuidado e prevenção – fortalecer a atenção primária, as ações de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas, além de estruturar uma rede integrada de cuidados de longa duração, combinando serviços públicos, privados, comunitários e familiares, com apoio a cuidadores formais e informais.

4. Trabalho, renda e aprendizagem ao longo da vida – combater o etarismo no mercado de trabalho, estimular o envelhecimento ativo, o reingresso ou a permanência voluntária de pessoas idosas em atividades produtivas, o empreendedorismo maduro e a educação continuada, reconhecendo a experiência como ativo econômico e social.

5. Participação social, cultura e cidadania – ampliar os espaços de participação política, cultural e comunitária das pessoas idosas, valorizando o voluntariado, a transmissão de saberes, a memória urbana e o engajamento cívico como elementos centrais da coesão social.

6. Inovação e Economia Prateada – fomentar ecossistemas locais de inovação voltados às demandas do envelhecimento, estimulando novos serviços, tecnologias assistivas, produtos financeiros, soluções digitais e modelos de negócios orientados para uma população longeva.
Ao adotar essa abordagem integrada, Porto Alegre pode transformar o envelhecimento populacional em um vetor de desenvolvimento sustentável, inclusão social e inovação institucional. Mais do que gerir a transição demográfica, trata-se de redefinir o projeto de cidade, tratando a longevidade como uma vantagem estratégica.

O objetivo é consolidar um novo pacto intergeracional, no qual viver mais signifique, fundamentalmente, viver melhor — com autonomia, dignidade e participação plena na vida urbana. Uma cidade de 254 anos não deve temer a longevidade, mas sim abraçar a maturidade sem medo de ser feliz. (ecodebate)

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