sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cresce o número de eleitores de 70 anos e mais no Brasil

Apesar de não serem obrigados, muitos idosos fazem questão de votar

A expansão do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas

O crescimento do eleitorado brasileiro tem apresentado duas características marcantes:

1) aumento da proporção de eleitores idosos.

2) aumento da força absoluta e relativa das mulheres. Portanto, aumenta o poder de voto do eleitorado grisalho e feminino.

No Brasil, todas as pessoas acima de 16 anos têm o direito de participar das decisões democráticas do país por meio do voto. Aos 18 anos, esse direito se torna também um dever: a votação é obrigatória para todas as cidadãs e todos os cidadãos brasileiros entre 18 e 69 anos. A partir dos 70 anos, o voto volta a ser facultativo, sem deixar de ser um direito. 

O gráfico abaixo mostra a pirâmide etária do eleitorado brasileiro, por sexo, em 2024. Nota-se que é baixa a quantidade de jovens de 16 e 17 anos, o grupo etário 40-44 anos tem a maior quantidade de eleitores (para os grupos quinquenais) e as mulheres predominam entre os idosos.

O Voto da Experiência: Idosos (60+) já representam ¼ do Eleitorado Brasileiro e do Eleitorado Gaúcho.

A tabela abaixo mostra o número total do eleitorado, em anos selecionados, entre 1992 e 2024 e o número e a percentagem de jovens e idosos. O eleitorado total era de 90,2 milhões de pessoas em 1992 e passou para 155,9 milhões em 2024. O número de jovens era de 21,5 milhões em 1992 (representando 23,8% do eleitorado) e caiu para 20,2 milhões em 2024 (representando 12,9% do total).

O número de idosos de 60 anos e mais era 9,5 milhões em 1992 (representando 10,5% do eleitorado) e subiu para 34,2 milhões em 2024 (representando 21,9% do total). Portanto, os idosos 60+ representavam uma parcela menor do eleitorado em relação aos jovens em 1992 e passaram a representar uma proporção bem superior em 2024.

O número de eleitores 70+ era de 3,4 milhões de pessoas em 1992 (representando 3,8% do total), passando para 15,2 milhões em 2024 (representando 9,8% do total). Tudo indica que em 2026 os idosos de 70+ atingirão mais de 10% do eleitorado se aproximando da proporção de jovens de 16-24 anos.

Diante desse cenário, fica evidente que o envelhecimento populacional não é apenas um fenômeno demográfico, mas um fator que redefine a correlação de forças na política nacional. A expansão do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas voltadas à seguridade social, saúde e inclusão dessa parcela da população.

Algumas pesquisas de opinião pública estão indicando uma leve preferência dos jovens pelos candidatos de direita e uma preferência dos idosos pelos candidatos de esquerda. Assim, a questão etária pode ser decisiva nas eleições presidenciais de 2026.

Embora o voto para os maiores de 70 anos seja facultativo, o peso estatístico e a maturidade cívica desse grupo garantem que o futuro da democracia brasileira passe, inevitavelmente, pela experiência e pelas mãos daqueles que continuam a exercer sua cidadania para além da obrigatoriedade legal. (ecodebate)

Como as mudanças climáticas destroem os laços sociais

As mudanças climáticas destroem os laços sociais ao aprofundar desigualdades, forçar deslocamentos populacionais e gerar competição por recursos escassos. Em áreas afetadas por eventos extremos, a destruição da infraestrutura básica fragmenta comunidades inteiras, isolando indivíduos e sobrecarregando as redes de apoio mútuo.

O esgarçamento do tecido social ocorre de maneira profunda através de três dinâmicas principais:

• Deslocamentos e Migrações Forçadas: Secas prolongadas e enchentes destroem moradias e fontes de renda, forçando milhões de pessoas a migrarem. O êxodo destrói redes de vizinhança e vínculos históricos. Além disso, a chegada de refugiados climáticos a novas regiões frequentemente gera tensões com as comunidades locais devido à pressão sobre serviços públicos e empregos.

• Aprofundamento da Desigualdade: Populações periféricas, favelas e comunidades tradicionais são as que mais sofrem com desastres, pois ocupam áreas de risco e têm menos acesso a recursos de adaptação. Essa disparidade gera um sentimento de injustiça, ressentimento social e descrença nas instituições públicas.

• Competição por Recursos Básicos: A escassez de água potável e a perda de áreas agrícolas afetam a segurança alimentar e a economia local. Essa escassez transforma recursos vitais em alvos de disputa, fomentando conflitos violentos e o individualismo em detrimento da solidariedade comunitária.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU alerta que bilhões de pessoas estão altamente vulneráveis a esses impactos. Para entender melhor o amparo institucional nessas situações, consulte a página oficial do ACNUDH (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos) ou acompanhe as diretrizes de adaptação e justiça climática propostas pela ONU Meio Ambiente.

Estudo revela que o aquecimento global não destrói apenas o planeta, ele fragmenta as comunidades, aprofunda o isolamento e amplia as desigualdades. E você provavelmente já sentiu isso sem saber nomear.

Eu me lembro do verão de 2024 no Rio. Não da praia, não do calor em si, mas da estranheza das ruas com pouco movimento no meio da tarde, mas com as UPAs lotadas. Nenhuma roda de conversa na calçada, nenhuma criança brincando na rua, nenhum vizinho passando para tomar um café. Era como se, ao longo de vários dias, a cidade estivesse isolada de si mesma.

Na época, como a maioria das pessoas, achei que era só o calor extremo. Hoje, depois de ler um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, por pesquisadores da Universidade de Sydney, eu entendo que era muito mais do que isso. O que senti naquele verão foi a erosão dos laços sociais induzida pelas mudanças climáticas. E ela está acontecendo com muito mais gente do que imaginamos.

O que a ciência descobriu e que ninguém está falando

A pesquisa, intitulada Climate Change and Social Health, parte de uma premissa que parece óbvia, mas que raramente aparece nas discussões sobre clima: seres humanos sobrevivem em comunidade. Não é metáfora. É fisiologia, é história, é antropologia. Quando nossos laços sociais se desfazem, adoecemos e morremos mais.

O problema é que as mudanças climáticas estão corroendo exatamente esses laços, e fazendo isso de forma silenciosa, gradual e cruel.

A Dra. Marlee Bower, autora principal do estudo e pesquisadora do Centro Matilda de Pesquisa em Saúde Mental, resume que as mudanças climáticas não são algo que acontece “lá fora”, em geleiras distantes ou em florestas remotas. Elas estão moldando como vivemos, como nos conectamos e, fundamentalmente, quem recebe apoio quando as coisas dão errado.

Isso dói de ler. Porque implica que o clima não está apenas aquecendo o planeta. Está esfriando as pessoas umas das outras.

Calor, poluição e isolamento social

Pense nos espaços onde a vida social acontece de verdade, como a praça do bairro, o boteco da esquina, a calçada em frente à casa do vizinho, o parque onde as crianças brincam, a feira de sábado de manhã.

Agora imagine ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes. Poluição do ar que aperta o peito e irrita os olhos. Chuvas tão violentas que interrompem escolas, fecham comércios e destroem rotinas inteiras. Gradualmente, esses espaços deixam de ser seguros ou, simplesmente, ficam inabitáveis por longos períodos.

O estudo mostra que isso já está acontecendo em países como China e Tuvalu, onde as pressões climáticas diminuem a atividade social, aumentam índices de depressão e, em casos extremos, levam ao isolamento total da vida comunitária. As pessoas não deixam de se encontrar porque querem. Elas deixam porque o ambiente não permite mais.

É uma perda que não aparece em nenhum relatório de danos materiais após uma enchente. Mas é real e ela dói.

Quando o desastre vira exílio

Os efeitos mais dramáticos surgem nos episódios de desastres imediatos, como enchentes, ciclones, incêndios florestais. Nesses momentos, comunidades inteiras são deslocadas, rotinas são destruídas, e as pessoas perdem não apenas suas casas, também perdem seus vizinhos, suas referências, suas redes de apoio.

O que chama atenção no estudo são casos como os da República Dominicana e do Japão, onde comunidades realocadas após desastres passaram a viver em condições físicas mais seguras, mas socialmente devastadas. A nova casa era melhor. A vida, mais vazia.

Isso ressoa de um jeito particular para quem acompanhou as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. As imagens de destruição foram chocantes. Mas o que ficou menos visível nas coberturas foi a solidão que veio depois, com as famílias alojadas em abrigos, longe de tudo que conheciam, os idosos separados de seus grupos de convivência, as crianças em escolas novas, sem amigos.

Quem paga a conta

Estudo toca em algo que nos incomoda profundamente: os impactos não são iguais para todos.

Pessoas de baixa renda, moradores de habitações precárias, pessoas com deficiência, comunidades marginalizadas. Grupos que já estão mais expostos aos riscos climáticos. E ao mesmo tempo, são exatamente eles que têm menos recursos para manter suas conexões sociais quando tudo desmorona.

A Dra. Bower chama isso de “fardo duplo”: são mais vulneráveis ao clima por causa de onde e como vivem e, ao mesmo tempo, têm menos suporte social e financeiro para recorrer. É uma armadilha cruel, e ela está se fechando mais rápido do que as políticas públicas conseguem perceber.

Os pesquisadores chamam esse fenômeno de “fosso de saúde social”, a distância crescente entre quem permanece conectado e quem vai ficando, progressivamente, mais sozinho. No Brasil, um país marcado por desigualdades tão profundas, essa fenda pode ser abissal.
Isolamento não é irrelevante. É fator de mortalidade.

Aqui eu preciso parar e ser direto, porque essa parte do estudo me impactou de verdade.

Em 2021, durante a chamada “Cúpula de Calor” na Colúmbia Britânica — um evento climático extremo que matou mais de 600 pessoas, as pessoas com esquizofrenia, um grupo estatisticamente mais propenso ao isolamento social, representaram cerca de 8% das mortes relacionadas ao calor.

8%. Pessoas que morreram não apenas por causa do calor, mas porque não tinham ninguém por perto para notar que estavam passando mal. Não tinham rede. Não tinham vínculo.

O isolamento social já é comparável, em termos de impacto na mortalidade, ao tabagismo e à obesidade. Isso não é exagero, é dado epidemiológico. E quando colocamos o clima nessa equação, o número de pessoas vulneráveis cresce de forma assustadora.

Conexão social como infraestrutura e não como luxo

O que os pesquisadores propõem é uma mudança de perspectiva radical: tratar a saúde social como infraestrutura essencial. Assim como estradas, sistemas de energia e redes de esgoto, as conexões humanas precisam ser planejadas, protegidas e financiadas.

Isso significa repensar o design das cidades para que as pessoas se encontrem e não fujam umas das outras. Significa pensar em habitação e transporte não apenas como acesso físico, mas como condição para a vida social. Significa incluir, nos planos de resposta a desastres, estratégias para preservar as redes comunitárias que já existem antes de tudo desmoronar.

Os dados dos incêndios do “Black Summer” na Austrália são contundentes: pessoas com laços comunitários fortes apresentaram menor sofrimento psicológico e maior resiliência a longo prazo, mas apenas quando essas conexões já existiam antes do desastre. Você não constrói comunidade no meio da crise. Ela precisa estar lá antes.

Confesso que esses dados me deixam com um misto de angústia e clareza. Angústia porque a escala do problema é enorme e a velocidade das mudanças climáticas não espera por políticas lentas. Clareza porque, ao contrário de muitos aspectos da crise climática, esse tem uma resposta que começa com escolhas cotidianas.

Não estou dizendo que a saúde social é responsabilidade individual, longe disso. O estudo é explícito que precisamos de políticas públicas que incluam a dimensão social. Mas enquanto esperamos por elas, existem coisas que podemos fazer agora: conhecer os vizinhos, manter os vínculos com pessoas mais isoladas, defender espaços públicos de qualidade, participar de redes comunitárias.

Não porque é bonito. Mas porque, como a ciência está mostrando, isso salva vidas.

O clima está nos afastando. A resposta pode começar com um “oi” na calçada, mesmo debaixo de um sol de 40°C.
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A pesquisa “ Climate change and social health”, da Universidade de Sydney, revela que a crise climática transcende as ameaças ambientais, atuando como um catalisador de isolamento social. O estudo demonstra que fenômenos extremos, como ondas de calor e inundações, destroem os laços comunitários vitais para o suporte mútuo e a saúde mental. Essa erosão das conexões interpessoais afeta desproporcionalmente as populações vulneráveis, agravando as taxas de mortalidade e dificultando a recuperação após desastres. Diante disso, os especialistas defendem que a saúde social seja integrada às políticas públicas como uma infraestrutura essencial para a sobrevivência. Fortalecer os vínculos humanos é, portanto, tão crucial quanto investir em soluções técnicas para enfrentar os desafios do aquecimento global. (ecodebate)

quarta-feira, 17 de junho de 2026

El Niño deverá ser terrível

Neste ano, o El Niño deve ser terrível.
Um super El Niño num planeta em total desequilíbrio? O pior está para vir em 2026.

Imagem da NASA compara 2 momentos. À esquerda, o oceano Pacífico com uma zona de aquecimento a leste, típica do El Niño. À direita, o oceano em estado considerado neutro.

O perigo não está na probabilidade de um forte El Niño que se anuncia para 2026, mas no facto de este fenómeno natural atingir o planeta num momento crítico de crise climática, avisam os cientistas.

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Modelos meteorológicos da NOAA (agência climática dos Estados Unidos) apontam mais de 80% de chance de formação de um "super El Niño" este ano, com impactos severos esperados a partir do inverno e pico no verão. O fenômeno traz grande preocupação devido à sua potencial intensidade extrema.

Abaixo estão os principais impactos esperados para cada região do Brasil:

• Região Sul: Alto risco de chuvas excessivas, tempestades severas e enchentes, com a Defesa Civil de estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul já em estado de atenção para evitar tragédias.

• Regiões Norte e Nordeste: Expectativa de seca severa, impactos diretos na Amazônia e potencial elevação do risco de incêndios florestais e problemas na agricultura.

• Região Sudeste: Geralmente, o fenômeno provoca um aumento nas temperaturas médias e chuvas irregulares.

Para acompanhar em tempo real as projeções oficiais e alertas de emergência, você pode consultar as atualizações diárias no portal do INPE ou monitorar os avisos emitidos pela Defesa Civil do seu estado.

El Niño

O El Niño de 2026 chega quando já estão ocorrendo secas generalizadas, cadeias de suprimento fragilizadas e recordes sucessivos de aquecimento dos oceanos.

Como se não bastassem a escassez de petróleo, as guerras intermináveis e a insegurança gerada pelo crescimento da inteligência artificial, há um novo fator de tensão no horizonte: o El Niño, que deverá ser um dos mais severos em mais de um século.

O próximo El Niño, fenômeno caracterizado por temperaturas anormalmente elevadas nos oceanos e que ocorre a cada 2 a 7 anos, com duração média de 12 a 18 meses, pode, de acordo com diversos modelos climáticos, se tornar o mais intenso da era moderna.

Segundo o Wall Street Journal, o aquecimento pode elevar a temperatura das águas em até 3°C, provocando secas devastadoras em algumas regiões, enchentes em outras e, talvez o mais assustador, um colapso nas cadeias globais de abastecimento de alimentos.

Alerta! El Niño volta a se formar no Pacífico e tem mobilizado os estados em uma corrida desenfreada.

Para encontrar algo semelhante ao que se acredita deve ocorrer neste ano, cientistas voltaram a 1877, quando um El Niño implacável desencadeou uma catástrofe sem precedentes. A seca prolongada culminou em uma fome global que matou ao menos 50 milhões de pessoas; algumas estimativas falam em até 60 milhões, cerca de 3% da população mundial da época. Pesquisadores classificaram o episódio como o pior desastre ambiental já enfrentado pela humanidade e uma das maiores calamidades dos últimos 150 anos, comparável às Guerras Mundiais e à epidemia de gripe de 1918/19.

Especialistas veem eventos como o de 1877 como verdadeiros testes de estresse para a civilização, revelando fragilidades políticas e econômicas. No século XIX, a pobreza generalizada e a exploração colonial agravaram os efeitos da fome e a humanidade falhou nesse teste.

Hoje, apesar dos avanços tecnológicos e científicos, os desafios persistem. O El Niño de 2026 chega quando já estão ocorrendo secas generalizadas, cadeias de suprimento fragilizadas e recordes sucessivos de aquecimento dos oceanos.

No Brasil, os maiores riscos são de enchentes no Sul e secas no Norte e Nordeste; pessoal ligado ao agronegócio já vem se movimentando tentando limitar os danos, que também deverão ocorrer por aqui.

Se este ano entrará para a história com mais um episódio de desastre evitável dependerá de como a sociedade utilizará os recursos, o conhecimento e a tecnologia disponíveis. (ecodebate)

O que a ciência revela sobre o elo entre clima e doenças

A ciência demonstra que o clima é um determinante central da saúde humana, influenciando a propagação de vetores, a qualidade do ar e a segurança da água. Mudanças nos padrões de chuva, elevação da temperatura média e desastres naturais agravam a incidência de doenças respiratórias, infecciosas, cardiovasculares e transtornos mentais.

O elo direto entre o clima e as enfermidades se manifesta em áreas críticas mapeadas por instituições de saúde:

• Doenças Infecciosas e Vetoriais: O aumento do calor e da umidade expande o habitat de vetores (como o mosquito Aedes aegypti), acelerando a transmissão de arboviroses como dengue, chikungunya e zika. Tempestades severas e enchentes aumentam os riscos de surtos de leptospirose e hepatites.

• Problemas Respiratórios e Alérgicos: Variações térmicas e inversões térmicas constantes afetam a qualidade do ar, piorando casos de asma, bronquite e alergias. O estresse térmico também eleva a concentração de partículas alergênicas das plantas.

• Saúde Mental: Desastres climáticos drásticos, como enchentes e secas severas, causam perdas materiais e forçam deslocamentos, expondo populações a um risco maior de desenvolver ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

• Condições Cardiovasculares: Ondas de calor extremo e picos de frio afetam a capacidade de termo regulação do corpo, sobrecarregando o sistema circulatório e aumentando os riscos de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Para monitorar alertas e entender os impactos regionais, consulte os relatórios e painéis fornecidos pelo Portal Fiocruz ou as diretrizes de emergências climáticas no Ministério da Saúde.

Um novo relatório global alerta que o aquecimento do planeta não é apenas uma crise ambiental, mas uma emergência de saúde pública que exige vigilância, ciência de ponta e, acima de tudo, humanidade.

O invisível à nossa porta

Você já sentiu que as estações não são mais as mesmas? Talvez tenha notado que as notícias sobre surtos de dengue ou novas viroses estão mais frequentes.

Não é apenas impressão sua. A mudança climática antropogênica, aquela causada por nós humanos, tornou-se uma ameaça fundamental à saúde global. Ela está alterando silenciosamente a ecologia, a evolução e a distribuição de microrganismos que, antes, estavam distantes de nós.

Como jornalista, que acompanha os avanços da ciência do clima e temas associados, vejo que o relatório “Role of Climate Change on Emerging and Reemerging Infectious Diseases“ nos traz um alerta de que o clima não é apenas um pano de fundo para a nossa vida; ele é o motor principal da dinâmica das doenças hoje.

A ciência de dar nome aos culpados

Muitas vezes, ouvimos que “tudo é culpa do clima”, mas a ciência agora quer ser mais precisa. Existe um campo fascinante chamado Ciência da Atribuição. Em vez de apenas dizer que o calor “combina” com doenças, os cientistas estão quantificando o quanto de uma enfermidade é diretamente causado pelo aquecimento global.

Por exemplo, você sabia que cerca de 18% da carga global de dengue entre 1995 e 2014 pode ser atribuída às mudanças climáticas? Ou que, em 2023, o Ciclone Yaku, no Peru, causou chuvas extremas que tornaram o maior surto de dengue da história daquele país 189% mais provável, devido à interferência humana no clima?

Esses números não são apenas estatísticas; eles representam vidas impactadas, hospitais lotados e famílias em risco.

Tudo está conectado: saiba como a crise climática já afeta sua saúde

Doenças que “viajam” com o calor

O relatório destaca que doenças que considerávamos sob controle ou restritas a certas regiões estão ganhando terreno. O Vírus do Nilo Ocidental está se expandindo pela Europa, aproveitando verões mais quentes e invernos mais curtos. Até a Peste, responsável por pandemias históricas, está reemergindo à medida que roedores e pulgas encontram condições favoráveis em climas alterados.

Além disso, estamos vendo o aumento de infecções fúngicas invasivas, como a candidemia, que são especialmente difíceis de tratar e estão se adaptando ao calor do nosso planeta.

Aprendendo com o passado para proteger o futuro

A pandemia de COVID-19 nos deixou cicatrizes, mas também lições valiosas. Aprendemos que sistemas de saúde frágeis e a desinformação podem ser tão letais quanto o próprio vírus. Para enfrentar o que vem pela frente, o relatório sugere que precisamos de Sistemas de Resposta Rápida e Resilientes.

Isso significa:

• Investir em diagnósticos acessíveis: Muitas comunidades não têm testes básicos para identificar surtos antes que eles se espalhem.

• Vigilância Genômica: Monitorar o “DNA” dos patógenos, inclusive através do esgoto das nossas cidades, para detectar ameaças precocemente.

• União Global e Local: O clima não respeita fronteiras e as doenças também não. Precisamos que cientistas, governos e comunidades locais trabalhem juntos, compartilhando dados de forma aberta e justa.

Da pesquisa à ação

A mudança climática pode parecer um problema grande demais para um indivíduo resolver. No entanto, o relatório enfatiza que o caminho passa pela ciência convergente e pelo engajamento comunitário. Precisamos de profissionais de saúde treinados para reconhecer essas “novas” doenças e de cidadãos que confiem na ciência e exijam políticas públicas de adaptação.

Proteger a nossa saúde em um planeta em aquecimento não é apenas uma tarefa para laboratórios; é uma escolha coletiva por um futuro, onde o ar que respiramos e a água que bebemos não sejam vetores de medo, mas de vida.

O relatório “Role of Climate Change on Emerging and Reemerging Infectious Diseases: From Attribution to Action in Global Health Preparedness” detalha como a mudança climática antropogênica atua como um motor crítico na emergência e redistribuição de doenças infecciosas, afetando a ecologia de patógenos e vetores. Especialistas enfatizam a necessidade de avançar na ciência de atribuição, um método estatístico que isola o impacto do aquecimento global frente à variabilidade natural para orientar decisões de saúde pública. O texto propõe um modelo de preparação global baseado no fortalecimento da vigilância sanitária, criação de diagnósticos acessíveis e integração de dados ambientais com registros médicos. Além disso, destaca-se a urgência de estudos longitudinais e investimentos em infraestrutura para enfrentar ameaças crescentes, como malária, dengue e infecções fúngicas. Por fim, o documento recomenda a ciência de convergência e a cooperação internacional para construir sistemas de saúde resilientes e restaurar a confiança pública em instituições científicas. (ecodebate)

segunda-feira, 15 de junho de 2026

2°C de aquecimento global é mais perigoso do que imaginamos

Um aquecimento global de 2°C é muito mais perigoso do que se imaginava, ameaçando o futuro da humanidade. Esse cenário aumenta drasticamente o risco de colapso de ecossistemas vitais, ameaça a segurança alimentar e projeta tornar áreas do tamanho do Brasil inabitáveis devido ao calor extremo.

O consenso científico detalha riscos alarmantes caso o limite de temperatura global seja superado:

• Calor Extremo e Sobrevivência Humana: Um aumento de 2°C pode triplicar a área do planeta onde o calor extremo e a umidade tornam a sobrevivência humana inviável, mesmo para jovens saudáveis.

• Colapso da Biodiversidade: Este limiar decretará a morte de mais de 99% dos recifes de coral do mundo. Além disso, a perda de habitat para milhares de espécies será severamente agravada.

• Escassez de Alimentos: As mudanças climáticas associadas aumentam em mais de 50% a frequência de secas severas em regiões produtoras cruciais para o trigo, milho, arroz e soja, desestabilizando a cadeia alimentar e a economia global.

• Eventos Climáticos: O agravamento do clima eleva o derretimento de geleiras (Antártica e Groenlândia), o que acelera o aumento do nível do mar e ameaça cidades costeiras.

Para compreender detalhadamente a diferença entre os cenários de controle de temperatura, a WRI Brasil disponibiliza análises sobre os impactos entre 1,5/C à 2°C de aquecimento. Se você quiser verificar as atualizações mais recentes sobre as metas globais de emissões, o portal da ONU Meio Ambiente acompanha de perto o progresso das ações climáticas.

Um novo estudo revela que a “meta segura” pode esconder desastres climáticos extremos na agricultura e nas nossas cidades.

Sempre que ouvimos falar sobre o aquecimento global, os números 1,5°C ou 2°C surgem como “metas” ou limites de segurança. No entanto, um estudo recente do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) acende um sinal vermelho de que essa ideia, de um aquecimento moderado “sob controle”, pode ser uma armadilha perigosa.

Em geral, pensamos que o pior cenário estaria reservado para quando atingíssemos 3°C ou 4°C, mas a ciência agora mostra que o perigo pode bater à nossa porta muito antes, e de forma muito mais agressiva do que as médias sugerem.

O problema das “médias” climáticas

Muitas vezes, as projeções que vemos são baseadas em médias de vários modelos. O Dr. Emanuele Bevacqua, autor principal do estudo, alerta que essa abordagem ignora os “piores cenários” que podem ocorrer em regiões específicas, mesmo com um aquecimento global de apenas 2°C.

Não podemos confundir aquecimento global moderado com impactos moderados. O clima não funciona de forma linear em todo o planeta; enquanto uma região pode estar dentro da média, outra pode estar enfrentando um colapso agrícola.

Ameaça real ao que comemos

Um dos pontos mais alarmantes do estudo, publicado na revista Nature, é o impacto na segurança alimentar global. Os pesquisadores focaram em regiões produtoras de milho, trigo, soja e arroz.

Os dados são assustadores: em alguns modelos climáticos, a frequência de secas com um aquecimento de 2°C pode aumentar em mais de 50%.

Para se ter uma ideia, 10 dos modelos analisados mostraram que, com 2°C, o risco de seca em regiões agrícolas cruciais é maior do que a média esperada para um mundo 4°C mais quente. Isso afeta diretamente os preços nos supermercados e as cadeias de abastecimento globais.

Cidades e florestas sob pressão

Além da comida, o estudo identificou outros dois grandes riscos em um cenário de 2°C:

• Chuvas intensas: Regiões densamente povoadas podem enfrentar inundações severas que superam as projeções de aquecimentos maiores.

• Incêndios florestais: O clima extremo pode criar condições perfeitas para incêndios devastadores em nossas florestas, ocorrendo com mais frequência do que o esperado.

Por que isso importa?

Essa dependência das “médias” nos dá uma falsa sensação de segurança. O risco é real e está mais próximo do que as políticas públicas atuais costumam prever.

O estudo deixa claro que não podemos esperar o pior cenário de aquecimento para agir. A mitigação climática precisa ser ambiciosa o suficiente para manter o aquecimento bem abaixo de 2°C, protegendo os setores que sustentam a nossa sociedade.

Precisamos olhar além dos números confortáveis e encarar a realidade, porque mesmo o “moderado” pode ser extremo para quem vive o impacto na pele.

Resumo

O estudo “Moderate global warming does not rule out extreme global climate outcomes”, liderado pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, revela que o aquecimento global moderado de 2°C pode desencadear consequências muito mais severas do que as previsões baseadas em médias estatísticas sugerem. Ao analisar modelos climáticos individuais em vez de consensos gerais, os pesquisadores descobriram que setores vitais, como a agricultura, florestas e zonas urbanas, enfrentam riscos extremos de secas e chuvas intensas mesmo em níveis baixos de aquecimento. A pesquisa destaca que focar apenas nas tendências prováveis cria uma falsa sensação de segurança, ignorando cenários de pior caso que superam os impactos esperados para um aquecimento de 4°C. Os autores enfatizam que a segurança alimentar global está sob ameaça significativa devido à possibilidade de secas severas em diversas regiões produtoras simultaneamente. Diante dessas incertezas, o artigo defende a necessidade urgente de medidas de mitigação ambiciosas e um planejamento de adaptação que considere os riscos climáticos mais drásticos. (ecodebate)

sábado, 13 de junho de 2026

Região Centro-Oeste tem a 2ª estrutura etária mais rejuvenescida

A região Centro-Oeste tem a segunda estrutura etária mais rejuvenescida.
Com base nos dados do Censo 2022, a região Centro-Oeste possui uma das estruturas etárias mais jovens do Brasil, situando-se geralmente como a 2ª mais rejuvenescida, atrás apenas da região Norte. Embora o país esteja envelhecendo, o Centro-Oeste mantém uma idade mediana abaixo da média nacional.

Pontos-chave sobre o Centro-Oeste (Censo 2022/2023):

• A 2ª mais jovem: A região Norte é a mais jovem, enquanto o Centro-Oeste apresenta maior proporção de jovens e adultos ativos em comparação com o Sul e Sudeste, que são mais envelhecidos.

• Transição demográfica: A região ainda possui uma estrutura etária "rejuvenescida", com o envelhecimento populacional ocorrendo em ritmo moderado em certas áreas, mas crescendo na média nacional.

• Influência da migração: O crescimento populacional impulsionado pela atração de trabalhadores (especialmente no setor agropecuário e serviços urbanos) contribui para manter a estrutura etária mais jovem em relação a regiões tradicionais.

Enquanto Sul e Sudeste lideram o envelhecimento, o Centro-Oeste atua como uma região de transição, com estrutura intermediária, mas ainda com rejuvenescimento considerável.

A região Centro-Oeste, embora ainda apresente a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já iniciou a fase de declínio da população em idade ativa.

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.

O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados da região Centro-Oeste permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Centro-Oeste é maior do que a proporção brasileira. Era de 45,1% da população do Centro-Oeste em 1970 e caiu para 20,9% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 51,3% em 1970 para 66,7% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas 15-59 anos diminuiu para 65,9% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população do Centro-Oeste de 50+ era de 7,9% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2019 e chegou a 24,7% em 2022. A população 60+ era de 3,4% em 1970 e chegou a 13,2% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Centro-Oeste de 70+ era de 1,1% em 1970 e chegou a 5,6% da população em 2022.

A região Centro-Oeste ocupa uma posição singular na dinâmica demográfica brasileira. Embora ainda apresente a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já iniciou a fase de declínio da população em idade ativa, sinalizando o avanço da transição demográfica. Ao mesmo tempo, por ser o principal polo produtor de commodities agropecuárias e minerais, continua atraindo imigrantes jovens de outras regiões. Essa combinação de envelhecimento incipiente com forte migração seletiva cria um quadro híbrido, repleto de desafios estruturais e oportunidades estratégicas.

Os principais desafios são:

Esgotamento gradual do bônus demográfico. A queda da população em idade ativa indica que o bônus demográfico está se aproximando do fim. Se a produtividade não crescer suficientemente, o dinamismo econômico pode desacelerar nas próximas décadas.

Dependência de setores intensivos em capital e pouco intensivos em trabalho. A produção de commodities, especialmente no agronegócio moderno, é altamente mecanizada. Isso limita a absorção de mão de obra e pode gerar um descompasso entre o volume de migrantes jovens e as oportunidades de emprego de qualidade.

Urbanização acelerada e pressão sobre cidades médias. O fluxo migratório pressiona infraestrutura urbana, habitação, saneamento, mobilidade e serviços públicos, especialmente em cidades médias que crescem rapidamente, muitas vezes sem planejamento adequado.

Desigualdades sociais e territoriais. O crescimento econômico baseado em commodities não garante, automaticamente, distribuição de renda. Persistem bolsões de informalidade, trabalho precário e exclusão social, sobretudo entre migrantes recentes.

Vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional. A forte especialização produtiva torna a região sensível a choques externos, variações de preços e mudanças climáticas, o que pode afetar emprego e arrecadação.
O Brasil envelheceu: você está pronto para o mercado de 2026-2030?

As principais oportunidades são:

Renovação demográfica via migração interna. A atração contínua de jovens atenua os efeitos do envelhecimento e do declínio da população ativa, funcionando como um “amortecedor demográfico” frente à transição em curso.

Aumento da produtividade e inovação no agronegócio. A presença de trabalhadores jovens pode impulsionar a adoção de tecnologias digitais, agricultura de precisão, biotecnologia e práticas sustentáveis, elevando a produtividade total dos fatores.

Diversificação da base econômica. O dinamismo do setor primário cria encadeamentos produtivos em logística, agroindústria, serviços avançados, pesquisa e desenvolvimento, abrindo espaço para maior geração de empregos urbanos.

Consolidação de cidades médias como polos regionais. O crescimento populacional e econômico fortalece cidades médias, que podem se tornar centros de inovação, educação superior e serviços especializados, reduzindo a dependência das metrópoles tradicionais.

Preparação antecipada para o envelhecimento. Por ainda contar com população relativamente jovem, o Centro-Oeste tem uma janela de oportunidade para estruturar políticas de previdência, saúde e cuidados de longo prazo antes que o envelhecimento se intensifique.

A dinâmica demográfica do Centro-Oeste reflete uma transição intermediária: o bônus demográfico já não cresce, mas a migração jovem ainda sustenta o dinamismo regional. O grande desafio é converter crescimento econômico baseado em commodities em desenvolvimento sustentável, diversificado e inclusivo. Se bem administrada, essa fase pode permitir ao Centro-Oeste manter sua vitalidade econômica, reduzir desigualdades e se preparar de forma mais equilibrada para o inevitável envelhecimento populacional nas próximas décadas. (ecodebate)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

2026 já bateu recordes climáticos

2026 já bateu recordes climáticos. El Niño pode bater ainda mais

O Centro de Previsão Climática da NOAA prevê que há 61% de probabilidade de o El Niño — um padrão climático natural que envolve o aquecimento das águas do Oceano Pacífico — surgir até julho de 2026 e persistir até o final do ano. O El Niño normalmente eleva temporariamente as temperaturas globais.
A probabilidade cada vez maior de ocorrência do El Niño neste verão provavelmente dará continuidade às tendências climáticas recordes deste ano.

Com a aproximação do meio do ano, vários recordes climáticos já foram quebrados. A extensão do gelo marinho no Ártico atingiu um nível recorde de baixa. Diversos países registraram ondas de calor invernais sem precedentes. E mais de 150 milhões de hectares já foram consumidos por incêndios florestais em todo o mundo.

A probabilidade cada vez maior de ocorrência do El Niño neste verão provavelmente dará continuidade às tendências climáticas recordes deste ano e poderá levar a “um ano sem precedentes de incêndios florestais em escala global”, segundo um comunicado da World Weather Attribution, uma colaboração em pesquisa climática.

“Na história moderna da humanidade, nunca vivenciamos um evento El Niño forte ou muito forte em meio a condições pré-existentes tão quentes em escala global”.

O Centro de Previsão Climática da NOAA prevê que há 61% de probabilidade de o El Niño — um padrão climático natural que envolve o aquecimento das águas do Oceano Pacífico — surgir até julho de 2026 e persistir até o final do ano. O El Niño normalmente eleva temporariamente as temperaturas globais.

Em uma coletiva de imprensa realizada em 11 de maio pela World Weather Attribution, cientistas climáticos descreveram os riscos potenciais deste El Niño emergente no contexto das mudanças climáticas causadas pelo homem, incluindo a intensificação da temporada de incêndios florestais, ondas de calor extremas e o agravamento das secas.

Na coletiva de imprensa, Frederike Otto, cientista climática da World Weather Attribution e do Imperial College London, enfatizou que as mudanças climáticas provavelmente desempenharão um papel maior nos eventos climáticos extremos do restante deste ano do que o El Niño, apontando para mais de 100 análises feitas pela World Weather Attribution que controlaram os efeitos da Oscilação Sul do El Niño (ENSO), o fenômeno climático mais amplo que produz o El Niño e seu fenômeno correlato, La Niña.

“Descobrimos que as mudanças climáticas induzidas pelo homem têm uma influência muito maior na probabilidade e na intensidade de eventos climáticos extremos do que o ENSO”, disse ela.

Ainda assim, o El Niño pode levar as temperaturas médias globais a extremos. Os efeitos do El Niño serão “consideravelmente amplificados pelo aquecimento global de quase 1,5°C (2,7°F) previsto para 2026”, afirmou Daniel Swain, cientista climático da Universidade da Califórnia, Los Angeles, e do Instituto de Recursos Hídricos da Califórnia, em um comunicado. “Na história moderna da humanidade, nunca vivenciamos um evento El Niño forte ou muito forte em meio a condições pré-existentes tão quentes em escala global”.

A temporada global de incêndios florestais “começou muito rápido”, particularmente na savana africana, no Sudeste Asiático e no nordeste da China, disse Theodore Keeping, que estuda clima extremo e incêndios florestais no Imperial College London e na World Weather Attribution, em um relatório. Embora o El Niño possa ter efeitos mistos na temporada de incêndios florestais nos EUA, grande parte do país deve enfrentar um risco elevado de incêndios, e um El Niño forte poderia agravar os incêndios em outras partes do mundo, principalmente na floresta amazônica e na Austrália, afirmou Keeping.
Mais de 150 milhões de hectares já foram queimados em incêndios florestais este ano.

“Este início rápido [da temporada de incêndios florestais], em combinação com a previsão do El Niño, significa que estamos prevendo um ano particularmente severo”, disse Keeping. “A probabilidade de incêndios devastadores e extremos pode ser a mais alta que vimos na história recente”. (ecodebate)

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