quinta-feira, 19 de março de 2026

Alerta climático máximo para 2026

Alerta climático máximo em 2026: El Niño “muito alto” é projetado com o aquecimento expressivo do Pacífico até maio, sinaliza calor mais persistente e pode redesenhar o mapa do país secas severas e incêndios no Norte, estiagem dura no Nordeste e temporais frequentes no Sul.
Previsões climáticas indicam um alerta máximo para 2026, com o possível retorno de um fenômeno El Niño de intensidade alta ou "muito alto", impulsionado pelo aquecimento global e pelo aumento significativo da temperatura no Oceano Pacífico, sinalizando calor persistente e extremos climáticos, especialmente no Brasil.

Aqui estão os pontos principais sobre o cenário de 2026:

Projeção de El Niño: Após a La Niña perder força no início de 2026, modelos indicam a transição para um El Niño, com alta probabilidade de se consolidar a partir do inverno de 2026. A chance de ocorrência cresce para o segundo semestre.

Aquecimento "Muito Alto": As águas do Pacífico equatorial apresentam sinais de aquecimento que podem levar a um novo recorde de temperatura global, com 2026 provavelmente figurando entre os anos mais quentes já registrados.

Impactos no Brasil:

Sul: Risco elevado de chuvas intensas e enchentes, similar ou superior ao desastre de 2024.

Norte e Nordeste: Expectativa de seca severa e aumento de incêndios.

Centro-Oeste/Sudeste: Ondas de calor mais frequentes e duradouras.

Contexto Global: O El Niño entra em um cenário de aquecimento global já avançado, onde mesmo uma intensidade "moderada" pode causar impactos extremos, como secas e inundações em diversas regiões do planeta.

Aviso: Meteorologistas alertam que, embora os modelos apontem para essa tendência, a precisão das previsões de longo prazo é menor, mas os sinais de aquecimento no Pacífico para o primeiro semestre de 2026 exigem observação rigorosa.

El Niño e Pacífico Equatorial indicam calor persistente, seca severa no Norte/Nordeste e temporais frequentes no Sul em 2026.

Com o verão terminando, uma massa de ar frio já derrubou temperaturas no Centro-Sul, mas o El Niño pode virar o jogo em 2026: o Pacífico Equatorial tende a aquecer até maio, sinalizando calor mais persistente e redistribuição das chuvas, com riscos bem diferentes por região ao longo de 2026.

O El Niño entra no radar de 2026 como um gatilho de mudança de padrão, não como um “evento de um dia para o outro”. A transição pode estar em curso sem que os impactos apareçam de forma imediata, porque a atmosfera precisa “responder” ao aquecimento do oceano, e essa resposta costuma ser gradual.

Nos próximos meses, o comportamento da chuva pode ainda não refletir o desenho clássico associado ao fenômeno, mesmo com sinais de aquecimento no Pacífico. É justamente essa combinação, pistas no oceano e demora na sensação no cotidiano, que confunde muita gente e aumenta o risco de decisões atrasadas em setores que dependem do clima, do campo à gestão de energia e de desastres.

O que significa o Pacífico aquecer “até maio” e por que isso importa

Quando o Pacífico Equatorial aquece de forma mais marcada, ele passa a “empurrar” a circulação atmosférica para um arranjo diferente do habitual. Não é só uma elevação de temperatura na água: é uma mudança na engrenagem que organiza ventos, áreas de chuva e trajetórias de frentes em grande parte do planeta, com reflexos claros na América do Sul.

Na prática, “até maio” funciona como uma janela em que o aquecimento pode ficar mais definido, permitindo que o evento se configure com mais clareza.

A partir daí o El Niño deixa de ser apenas um sinal oceânico e passa a ter mais chance de se manifestar no padrão do tempo no Brasil, afetando a persistência do calor e a distribuição regional das precipitações.

Por que o calor pode ficar mais persistente em 2026

A sensação de calor mais duradouro não depende apenas de picos de temperatura, mas de quanto o ar quente consegue “se manter” por mais dias, com menos quebras por entradas frequentes de ar frio. Com o El Niño, a queda de temperatura no inverno pode ser menos acentuada do que o normalmente observado, o que altera rotinas, consumo de energia e até o calendário de atividades ao ar livre.

Isso não elimina a ocorrência de massas de ar frio, como a que já derrubou temperaturas no Sul e no Sudeste, mas pode reduzir a frequência e a força com que essas viradas conseguem “limpar” o calor por períodos prolongados.

Em cidades, esse cenário amplifica desconforto térmico; no campo, interfere em ciclos de plantio, demanda hídrica e pressão sobre reservatórios e irrigação.
Um “mapa redesenhado” de chuvas: o que muda no Brasil quando o El Niño se impõe

O ponto central do El Niño é a redistribuição: algumas áreas tendem a perder chuva, outras tendem a ganhar, e isso muda o tipo de risco. Não é uma história única para o país inteiro, e é por isso que, em um mesmo mês, podem coexistir alerta de seca severa em uma região e sequência de temporais em outra.

No cenário projetado para 2026 com intensidade muito alta, a tendência é de redução de chuvas no Norte e de intensificação das precipitações no Sul. Entre esses extremos, entram nuances: o Sudeste pode enfrentar aumento moderado de temperaturas e ondas de calor; o Centro-Oeste pode ter impactos menos pronunciados no conjunto, mas com possibilidade de chuva e temperaturas acima da média em áreas como o Mato Grosso do Sul.

Norte: seca severa e incêndios como risco real, não como “exceção”

Quando a chuva diminui no Norte, o problema não se resume a rios mais baixos ou dias mais quentes. A seca severa seca o combustível das queimadas, favorece a rápida propagação do fogo e eleva o risco de episódios de fumaça persistente, com impacto direto na saúde, no transporte e no funcionamento de serviços em áreas urbanas e rurais.

Quem sente primeiro costuma ser quem depende do território no dia a dia: comunidades ribeirinhas, populações que usam rios como rota, agricultores e trabalhadores expostos ao ar mais seco e à fumaça.

Além disso, a redução de umidade amplia o estresse da vegetação e pode transformar um período já delicado em uma temporada de incêndios mais difícil de conter, exigindo preparação antecipada de brigadas, logística e monitoramento.

Nordeste: estiagem dura, pressão sobre água e cadeia de alimentos

No Nordeste, a diminuição brusca das chuvas e a possibilidade de secas severas mudam o risco de forma rápida, porque água é o fator mais sensível.

A estiagem dura encurta margens de segurança em reservatórios, pressiona sistemas de abastecimento e pode antecipar medidas de restrição e priorização de usos, especialmente onde a recarga depende de episódios regulares de precipitação.

O efeito também aparece no preço e na oferta: com menos chuva, aumenta a dependência de irrigação, cresce o custo de produção e o manejo do solo fica mais crítico para segurar umidade.

Em áreas rurais, a decisão de plantio vira aposta: plantar cedo demais pode perder por falta de chuva; esperar demais pode encurtar janela de cultivo.

Nesse tipo de cenário, a preparação passa por planejamento hídrico, escolha de cultivares mais resilientes e atenção a boletins regionais.

Sul: temporais mais frequentes, chuva intensa e risco urbano em cascata

No Sul, a expectativa é de chuvas intensas e frequentes, além de aumento de temperaturas. Mais chuva não significa “bom tempo para todo mundo”: o risco pode migrar para alagamentos, enxurradas, deslizamentos e sobrecarga de drenagem urbana, principalmente quando a chuva vem concentrada em poucos eventos fortes.

Esse tipo de padrão também testa infraestrutura e planejamento municipal. Solo já encharcado perde capacidade de absorver novos episódios, e cada nova rodada de chuva encontra rios com resposta mais rápida.
Para quem mora em áreas de encosta ou perto de cursos d’água, a diferença entre “chuva forte” e “evento perigoso” pode ser a sequência: temporais repetidos, em curto intervalo, elevam o risco mesmo quando um episódio isolado não seria suficiente para causar danos maiores.

Sudeste e Centro-Oeste: calor, ondas de calor e impactos menos “óbvios”, mas relevantes

No Sudeste, o destaque é o aumento moderado das temperaturas e a possibilidade de ondas de calor. O efeito mais importante pode ser a persistência, com vários dias seguidos acima do conforto, o que aumenta consumo de energia, agrava ilhas de calor urbanas e pressiona a saúde de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças respiratórias.

No Centro-Oeste, a leitura é mais sutil: os efeitos podem não ser tão pronunciados no conjunto, mas ainda assim há espaço para chuva e temperaturas acima da média em áreas específicas, como o Mato Grosso do Sul.

Esse detalhe importa porque a região já convive com extremos rápidos, e pequenas mudanças no equilíbrio entre calor e chuva alteram janela agrícola, risco de queimadas e planejamento de manejo do solo.

Por que “não sentir de imediato” não é sinal de alarme falso

Uma das armadilhas mais comuns é esperar a “cara do El Niño” aparecer de forma instantânea. O oceano pode dar o recado antes da atmosfera, e o cotidiano demora a refletir o novo padrão.

Isso vale especialmente quando ainda há alternância de massas de ar e quando a variabilidade natural do tempo mascara tendências em períodos curtos.

Por isso, a leitura mais segura é acompanhar sinais de consistência: aquecimento mais claro do Pacífico, repetição de padrões regionais e mudança na persistência do calor.

No Brasil, isso significa observar não só “se choveu”, mas como choveu, em que frequência, com que regularidade, e como a temperatura se comportou ao longo de semanas, não apenas em um fim de semana específico.
El Niño em 2026: como o fenômeno vai transformar o tempo no Brasil

O El Niño projetado para 2026 com intensidade muito alta coloca o Brasil diante de um cenário de contrastes: seca severa e incêndios no Norte, estiagem dura no Nordeste e temporais frequentes no Sul, com calor mais persistente e impactos que podem aparecer de forma gradual.

Entender essa lógica de redistribuição, e não de “um único efeito”, é o que separa surpresa de preparação. (clickpetroleoegas)

terça-feira, 17 de março de 2026

'Situação mais crítica e intensa' de seca e de ondas de calor

'Situação mais crítica e intensa' de seca e de ondas de calor preocupa governo, com El Niño no segundo semestre.

Ministério do Meio Ambiente anunciou medidas de prevenção a incêndios florestais e celebra redução de 39% da área queimada em 2025.

O governo brasileiro está preocupado com o aumento do risco de incêndios florestais em 2026 devido à previsão de um novo El Niño, que pode intensificar a seca e as ondas de calor.

Incêndio florestal na Amazônia em 2024, ano de recorde de queimadas; em 2025 houve redução de 39%.

Após um ano de recorde de queimadas em 2024, e de redução dos incêndios em 2025, a previsão agora é de retorno do alto risco de fogo em 2026. No segundo semestre, é esperada a ocorrência do El Niño, o que traz preocupação ao governo sobre uma situação mais crítica e intensa de seca e de ondas de calor. Em 04/03/26 o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou as medidas para a prevenção e o combate aos incêndios florestais.

No ano passado, houve redução de 39% da área queimada no território nacional, na comparação à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024), celebrou o governo. Foram 13,3 milhões de hectares de área queimada. Os dados são do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ). As maiores quedas foram no Pantanal (de 91%), seguido por Amazônia (redução de 75%); Mata Atlântica (58%); e o Pampa (45%).

Por outro lado, em 2024 o Brasil teve recorde histórico de queimadas, com cerca de 30 milhões de hectares consumidos pelo fogo, um aumento de 62% em relação à média histórica. Naquele ano, a combinação entre um intenso El Niño e o aquecimento do Oceano Atlântico Norte resultou em uma seca extraordinária na Amazônia, afetando também o Pantanal e o Centro-Oeste.

Em 2026, a previsão é de novo El Niño a partir do segundo semestre. Atualmente, há uma La Niña atuando no país, o que deve terminar em abril. O El Niño é um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial. Consequência é a redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e grande irregularidade de chuvas na porção central do Brasil, além de aumentar temporais no Sul.

Maioria das pesquisas de risco costeiro subestimam elevação dos oceanos, indica estudo.

O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, afirmou que ainda não está clara qual será a intensidade do novo El Niño, mas admitiu risco de aumento dos incêndios florestais.

— Estamos trabalhando com a tendência de que, a partir do segundo semestre deste ano, o país enfrente uma situação mais crítica e intensa de seca e de ondas de calor, o que, consequentemente, eleva o risco e o perigo de incêndios florestais.  Dependendo da intensidade do El Nino, que ainda não dá para prever, pode potencializar o aumento de temperatura e de onda de calor. São nesses períodos de onda de calor que temos os maiores índices de incêndio no Brasil — explicou Lima.

Uma onda de calor é configurada quando há cinco dias seguidos com pelo menos 5°C acima da média histórica naquela localidade.

A ministra Marina Silva também confirmou a preocupação com o cenário climático, mas destacou o investimento do governo em ações de combate e de prevenção.

— Ainda que estejamos em fase de preocupação, pela passagem de La Nina para El Nino, podemos contar com aumento significativo de brigadistas, de ter conseguido mudanças legais, mais equipamentos de proteção, escola de formação de brigadistas, rede importante de parceiros, lei implementada e comitê de prevenção — disse Marina Silva, entre diversas medidas citadas.

El Niño deve provocar temporais e ondas de calor no meio do ano

Mais de 4 mil brigadistas, 18 helicópteros e 973 caminhonetes

De olho nessa previsão de 2026, o governo federal anunciou em 04/03/26 as medidas de prevenção e combate ao fogo. Como acontece todo ano, mas desde o ano passado em um período mais cedo, foi publicada a portaria que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais, além de orientar ações preventivas e ampliar a capacidade de resposta e mobilização dos órgãos ambientais.

O MMA prevê, nesse ano, a contratação de 4.660 brigadistas, mesmo patamar do ano passado e 25% a mais do que havia em 2024, distribuídos em 246 brigadas florestais federais, 131 brigadas do Ibama e 115 brigadas do ICMBio. O planejamento também prevê a utilização de 18 helicópteros, 2 aviões de transporte e 12 para lançamento de água, além de 89 embarcações, nas ações especiais, além de 973 caminhonetes, 408 veículos especializados, 3 bases logísticas e 2 vilas operacionais.

Clima instável faz cientistas mudarem forma de classificar o El Niño.

A identificação das áreas de maior risco de incêndio parte de estudos que analisam o déficit de chuvas, o histórico dos focos de calor, e as projeções climáticas. A ministra Marina Silva destacou que a capacidade de atuação do governo atualmente é muito maior do que em 2023, muito devido ao planejamento prévio.

— É planejar, prevenir e combater e, sobretudo, assegurar que essas iniciativas não sejam apenas reativas, acionadas quando a crise já está instalada, mas políticas permanentes, estruturadas e contínuas — disse a ministra, que também destacou a importância na redução de desmatamento, de 50% na Amazônia e 32% no Cerrado entre 2022 e 2025.

A relação entre a queda de desmatamento e manutenção da ascensão do agronegócio foi inclusive enfatizada pela ministra, para mostrar que a proteção ambiental não impede o crescimento do país

— O desmatamento caiu no país inteiro, e o agronegócio continua aumentando. Tivemos queda de 75% dos incêndios na Amazônia, e agronegócio continua crescendo. As atividades criminosas não podem ser confundidas com atividades produtivas.

Impactos eleitorais

Além da previsão climatológica, Marina Silva também foi questionada sobre a influência eleitoral na agenda de combate aos incêndios. Segundo ela, dos 81 municípios que mais desmatam no país, 70 já firmaram planos e pactos contra o desmatamento e o fogo, o que inclui prefeitos de oposição ao governo federal. Mas ela admite que há gestões menos aliadas à agenda.

Períodos eleitorais são sempre preocupantes, porque nem todos agentes políticos têm a mesma preocupação — afirmou a ministra, que disse esperar que o tema das mudanças climáticas e das enchentes seja nacionalizado nas eleições. Espero que, independente de recorte ideológico, a questão da emergência climática, da proteção das florestas, da biodiversidade, dos povos e comunidades tradicionais, esteja presente no debate nacional. Espero que o tema das enchentes, ceifando vidas no Brasil inteiro, seja um debate nacional.
O rápido aquecimento global e o aumento das temperaturas da Terra desde 2023 forçaram a NOAA e outros cientistas a revisar a classificação dos fenômenos El Niño e La Niña, pois os métodos tradicionais de "média normal" tornaram-se obsoletos. A mudança visa acompanhar o desequilíbrio energético do planeta, com previsões de novos recordes de calor em 2027. (oglobo)

domingo, 15 de março de 2026

Sudeste é a região mais envelhecida do Brasil

Censo do IBGE: Sudeste é a região que mais ganhou população; veja a distribuição pelo Brasil

Soma de habitantes de SP, MG, RJ e ES saltou de 80,3 milhões para 84,8 milhões. Já o Centro-Oeste teve o maior avanço proporcional, com alta de 14 milhões para 16,2 milhões de moradores.
A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.

O envelhecimento pode impulsionar a reorganização urbana: cidades mais caminháveis, transporte público mais acessível e bairros com serviços de proximidade

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.
O gráfico abaixo, também com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados da região Sudeste permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Sudeste é menor do que a proporção brasileira. Era de 38,6% da população do Sudeste em 1970 e caiu para menos da metade (18%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 55,6% em 1970 para 66,4% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,3% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Também não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população do Sudeste de 50+ era de 11,8% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2010 e chegou a 30,3% em 2022. A população 60+ era de 5,6% em 1970 e chegou a 17,6% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Sudeste de 70+ era de 2% em 1970 e chegou a 7,8% da população do Sudeste em 2022.

A região sudeste do Brasil tem a estrutura etária mais envelhecida do país. Isto porque o Sudeste foi a primeira região do Brasil a passar intensamente pela transição demográfica: a) redução da mortalidade, com expansão do saneamento, da medicina e do sistema de saúde; b) queda da fecundidade começou antes (anos 1960–1970), puxada por urbanização, escolaridade feminina, inserção das mulheres no mercado de trabalho e maior acesso à contracepção.

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo concentraram a industrialização, os empregos urbanos, os serviços e as universidades. Esses fatores reduzem a fecundidade estruturalmente e favorecem famílias menores — padrão típico de sociedades urbanas e modernas.

Durante décadas, o Sudeste atraiu milhões de jovens, principalmente do Nordeste. Esses migrantes envelheceram no próprio Sudeste. Nas últimas décadas, o fluxo diminuiu ou se inverteu, e o Sudeste passou a perder jovens para outras regiões. Ou seja: o Sudeste importou juventude no passado e hoje “colhe” esse envelhecimento.

O Sudeste apresenta melhores indicadores de saúde, maior acesso a serviços médicos e renda média mais elevada. Isso se traduz em mais idosos vivendo por mais tempo, ampliando o topo da pirâmide etária. Atualmente, os estados do Sudeste estão bem abaixo do nível de reposição (2,1 filhos por mulher). São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo figuram entre as menores taxas do país. A idade média da maternidade é mais elevada. Isso acelera o envelhecimento relativo da população.

Os principais desafios desta dinâmica demográfica no Sudeste são: maior pressão sobre previdência e finanças públicas, com maior proporção de aposentados e pensionistas. Menor crescimento da população em idade ativa e necessidade de ajustes fiscais e reformas institucionais.

O sistema de saúde mais complexo, com predomínio de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, câncer, demências). Maior demanda por cuidados de longa duração, atenção domiciliar e serviços de reabilitação. O modelo de saúde precisa migrar do foco curativo para o cuidado continuado.

Mercado de trabalho envelhecido significa redução do contingente jovem, risco de escassez de mão de obra em alguns setores. Outro desafio são as cidades pouco amigáveis ao idoso: transporte inadequado, calçadas precárias, violência urbana e moradias não adaptadas.

Tudo isso limita a autonomia dos idosos.
Consumidores na região de comércio popular da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo/SP.

Todavia, a despeito destes desafios, há também uma série de oportunidades. A Economia prateada surge como uma alternativa à nova dinâmica demográfica e o Sudeste tem escala, renda e mercado consumidor para liderar: serviços de saúde e bem-estar, turismo sênior, tecnologias assistivas, moradias adaptadas e educação ao longo da vida. O envelhecimento pode ser motor de inovação e crescimento.

Há a possibilidade de aproveitamento do capital humano maduro, pois os idosos e pessoas 50+: acumulam experiência, têm redes sociais e profissionais amplas e podem atuar como mentores, consultores, cuidadores comunitários. Isso exige políticas de empregabilidade ao longo do ciclo de vida.

O envelhecimento pode impulsionar a reorganização urbana: cidades mais caminháveis, transporte público mais acessível e bairros com serviços de proximidade. O que é bom para o idoso é bom para crianças, pessoas com deficiência e toda a população.

O Sudeste pode ser um laboratório de políticas de cuidado de longa duração, sendo referência em envelhecimento ativo e saudável e polo de integração entre saúde, assistência social e tecnologia.

Em síntese, o envelhecimento do Sudeste não é um problema em si, mas o resultado de um sucesso histórico: menos mortes precoces e menos filhos não desejados. O desafio está em adaptar instituições, cidades e mercados a essa nova realidade. A região que envelheceu primeiro também tem a chance de envelhecer melhor — e de apontar caminhos para o resto do Brasil. (ecodebate)

sexta-feira, 13 de março de 2026

Cientistas alertam para níveis crescentes de CO2 no sangue humano

Cientistas alertam que o aumento recorde de CO2 atmosférico, impulsionado por atividades humanas, está elevando os níveis de dióxido de carbono no sangue humano, com crianças enfrentando os maiores riscos cumulativos. Exposições a níveis elevados de CO2 (mesmo abaixo de 1.000 ppm) podem causar inflamação, redução cognitiva e disfunção endotelial.

Principais Impactos da Elevação do CO₂ na Saúde:

Riscos Cognitivos e Físicos: Estudos sugerem que níveis elevados de CO2 no sangue/ambientes podem causar inflamação, redução nas habilidades cognitivas, calcificação renal e estresse oxidativo.

Impacto no Desenvolvimento: Crianças e adolescentes, cujos corpos estão em desenvolvimento, sofrerão a maior exposição acumulada ao aumento do CO₂ atmosférico ao longo da vida.

Efeitos Fisiológicos: Altos níveis de CO₂ no sangue podem causar a diminuição da afinidade da hemoglobina pelo oxigênio (O2), além de induzir hipeventilacão ou hipoventilação como resposta.

Visões de "Quase Morte": Pesquisas, como a do Terra, associam níveis elevados de CO2 no sangue a experiências de "luz no fim do túnel" ou "visões antes da morte" durante paradas cardíacas.

Nutrição: O aumento atmosférico de CO2 está tornando as colheitas menos nutritivas, reduzindo proteínas, ferro e zinco, o que pode aumentar a desnutrição global.

As emissões de CO2 atingiram níveis recordes em 2024, acelerando o aquecimento global e criando um "círculo vicioso" onde a capacidade natural da Terra de absorver carbono diminui. Pesquisas adicionais da USP também investigam o impacto dessa substância no organismo.

Níveis elevados de CO2 atmosféricos impacta também na saúde do sangue humano.

Pesquisa relaciona décadas de aumento do dióxido de carbono na atmosfera a mudanças mensuráveis na composição química do sangue e alerta que os limites saudáveis podem ser atingidos em 50 anos.

O corpo humano está registrando uma atmosfera em mudança

As mudanças climáticas têm sido medidas há muito tempo pelo derretimento das calotas polares, pela elevação do nível do mar e por temperaturas recordes. Agora, cientistas afirmam que elas também podem ser medidas no seu sangue.

Um novo estudo descobriu que o aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera está produzindo alterações detectáveis na composição química do sangue humano e que, se as tendências atuais continuarem, um importante marcador sanguíneo poderá se aproximar do limite superior da faixa saudável dentro de cinco décadas.

As conclusões, publicadas na revista Air Quality, Atmosphere and Health, foram produzidas por pesquisadores do Kids Research Institute Australia, da Curtin University e da Australian National University (ANU). Elas representam uma das primeiras análises em larga escala a estabelecer uma ligação estatística direta entre as tendências de CO2 atmosférico e as mudanças nos biomarcadores sanguíneos em nível populacional.

O que a pesquisa descobriu

A equipe de pesquisa analisou mais de 2 décadas de dados de exames de sangue de cerca de 7.000 americanos, provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES, na sigla em inglês), coletados a cada dois anos entre 1999 e 2020.

A principal conclusão do estudo foi que os níveis médios de bicarbonato sérico, um composto que o organismo utiliza para regular a acidez do sangue e que está intimamente ligado ao CO2, aumentaram aproximadamente 7% desde 1999. No mesmo período, os níveis médios de cálcio e fósforo no sangue diminuíram.

Essas mudanças refletem de perto a trajetória do CO2 atmosférico, que subiu de aproximadamente 369 partes por milhão (ppm) em 2000 para mais de 420 ppm atualmente. Os seres humanos evoluíram em uma atmosfera contendo aproximadamente 280–300 ppm de CO2.

O professor associado Alexander Larcombe, autor principal do estudo, afirmou que os dados sugerem que o corpo humano já pode estar se adaptando às mudanças atmosféricas.

“Se as tendências atuais continuarem, a modelagem indica que os níveis médios de bicarbonato poderão se aproximar do limite superior da faixa considerada saudável atualmente dentro de 50 anos”, disse ele. “Os níveis de cálcio e fósforo também poderão atingir o limite inferior de suas faixas consideradas saudáveis ainda neste século”.

Por que o bicarbonato é importante?

O bicarbonato desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio ácido-base do organismo. Quando os níveis de CO₂ aumentam, seja na atmosfera ou na corrente sanguínea, o corpo retém naturalmente mais bicarbonato para estabilizar o pH sanguíneo, um processo denominado compensação respiratória.

Essa resposta é bem compreendida na medicina clínica. O que a nova pesquisa sugere, no entanto, é que ela pode estar ocorrendo agora em nível populacional, impulsionada não por doenças, mas pelo aumento gradual, ao longo de décadas, do CO₂ ambiental.

Resta saber se a compensação sustentada de baixo nível acarreta consequências fisiológicas a longo prazo. No entanto, os pesquisadores observam que a natureza consistente e direcional das mudanças, acompanhando o CO2 atmosférico com notável fidelidade, é, por si só, um sinal que merece ser levado a sério.
Uma nova dimensão de saúde pública para a crise climática

Os autores do estudo têm o cuidado de não exagerar o risco clínico imediato. “Não estamos dizendo que as pessoas vão adoecer repentinamente quando ultrapassarmos um determinado limite”, disse o Professor Associado Larcombe. “Mas isso sugere que podem estar ocorrendo mudanças fisiológicas graduais em nível populacional, e isso é algo que devemos monitorar como parte das futuras políticas de mudança climática”.

O que os resultados sugerem é que as consequências do aumento do CO₂ para a saúde vão além dos efeitos bem documentados do calor, da poluição atmosférica e dos eventos climáticos extremos. O próprio gás e não apenas seus efeitos subsequentes sobre o clima podem precisar ser tratados como uma variável de saúde pública a longo prazo.

O estudo defende que as concentrações de CO₂ atmosférico e os biomarcadores populacionais sejam monitorizados juntamente com os indicadores climáticos tradicionais, criando uma imagem mais integrada de como as alterações ambientais afetam a biologia humana ao longo de gerações.

Crianças e adolescentes enfrentam o maior risco cumulativo

Os pesquisadores destacam que as implicações são particularmente significativas para os mais jovens. Crianças e adolescentes, cujos corpos ainda estão em desenvolvimento, sofrerão a exposição cumulativa mais longa ao aumento do CO2 atmosférico ao longo de suas vidas.

O aumento médio anual de CO2 na última década foi de aproximadamente 2,6 ppm por ano, com um aumento notavelmente maior em 2024, de 3,5 ppm. Nesse ritmo, o CO2 atmosférico poderá atingir 500 ppm ou mais durante a vida das crianças nascidas hoje.

Importância do monitoramento e da redução de emissões

Os pesquisadores não apresentam suas descobertas como motivo para alarme imediato, mas sim como um argumento convincente para a necessidade de vigilância. Eles defendem que a redução das emissões de CO2 pode também desempenhar um papel subestimado na proteção da saúde humana a longo prazo, em nível fisiológico.

Eles sugerem que incluir os potenciais efeitos biológicos do aumento do CO2 nas futuras discussões sobre políticas climáticas produziria resultados mais abrangentes e que protegeriam a saúde.

Por ora, a pesquisa abre uma nova perspectiva para se considerar a crise climática não apenas como uma emergência ambiental, mas para a própria química do corpo humano.

A sobrecarga de dióxido de carbono, detectada no sangue humano, sugere uma atmosfera potencialmente tóxica dentro de 50 anos.
a) Comparação entre a tendência temporal no bicarbonato sérico populacional (círculos cheios, eixo y esquerdo) em adultos dos EUA do banco de dados de bioquímica do NHANES e concentração atmosférica medida CO2 (caixas abertas, linha pontilhada, eixo y direito) em Mauna Loa, Havaí (Lan et al., 2025). A linha preta é a linha de tendência para HCO3 − com a fórmula y = 0.081x-138.15.

b) Tendências temporais no cálcio sérico populacional (triângulos preenchidos, linha sólida do eixo y esquerdo) e fósforo (diamantes abertos, linha pontilhada, eixo y direito) em adultos dos EUA do banco de dados de bioquímica do NHANES durante o mesmo período de tempo. (ecodebate)

quarta-feira, 11 de março de 2026

Mudanças climáticas alteram as florestas mais diversas do mundo

As pesquisas apontaram que as mudanças nas florestas tropicais podem levar à perda de biodiversidade e a um empobrecimento estrutural desses biomas. “Espécies de grande porte, como jatobás, ipês, perobas e jequitibás, estão desaparecendo porque não conseguem acompanhar as mudanças climáticas”.

Mudança climática leva ao empobrecimento dos biomas

Pesquisa revela que a árvores de grande porte, como o Jatobá, não conseguem sobreviver às mudanças e tendem a desaparecer.
EM RISCO: Árvores de grande porte como as da Amazônia ajudam no enfrentamento do aquecimento global: preservação é fundamental.

A crise climática está afetando as florestas tropicais de maneira acelerada, enquanto os processos ecológicos que regem sua adaptação ocorrem em ritmo muito mais lento. Duas pesquisas recentes, publicadas nas revistas Science e Nature, investigaram como as florestas tropicais estão respondendo às mudanças climáticas e quais são as implicações disso para a biodiversidade e a ciclagem do carbono. Os estudos indicam que as florestas estão mudando, sim, mas não na velocidade necessária para acompanhar o ritmo do aquecimento global.

“O que estamos vendo é que as florestas tropicais das Américas estão tentando se adaptar às mudanças climáticas, mas de forma bem mais lenta do que esperaríamos”, diz Jesús Aguirre-Gutiérrez, professor da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e primeiro autor dos 2 artigos.

Gutiérrez informa que a crise climática está levando as florestas tropicais a mudarem sua composição, com um aumento de espécies decíduas, aquelas que perdem as folhas na estação seca. “Essas espécies têm uma vantagem em períodos de menor precipitação e temperaturas elevadas, pois podem reduzir a perda de água nesse contexto. No entanto, mesmo essa adaptação não está ocorrendo com rapidez suficiente para acompanhar a transformação do clima”.

Os dados revelam que espécies de grande porte, que desempenham papel fundamental na estrutura da floresta e na captura de carbono, estão sendo substituídas por espécies menores e de menor densidade. “Observamos que as espécies que se regeneram com maior facilidade não são as de grande porte e de madeira mais densa, mas sim aquelas com maior plasticidade adaptativa. Isso reduz a capacidade de estocagem de carbono da floresta e pode afetar os modelos climáticos, já que a capacidade fotossintética será menor no futuro”, afirma Carlos Alfredo Joly, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e coautor dos 2 artigos.

Os estudos foram possíveis graças a décadas de monitoramento ecológico, utilizando parcelas permanentes de um hectare cada em diferentes regiões tropicais. As informações foram complementadas por imagens de satélites. “Os dados que utilizamos no artigo da Science vêm de parcelas distribuídas do México ao sul do Brasil”, conta Aguirre-Gutiérrez. “São 415 parcelas e foram necessários muitos anos para coletar essas informações. Agora, com imagens de satélite e modelagem, podemos expandir essa análise para outras regiões tropicais, como a África e a Ásia, onde os dados de campo são mais escassos”.

Essa abordagem permitiu mapear atributos funcionais das florestas tropicais, como a morfologia e a química das folhas, a estrutura da vegetação e a presença de espécies decíduas. “No estudo da Nature, utilizamos modelagem com dados do satélite Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia, que nos permitiu criar mapas da distribuição desses atributos nos trópicos”, destaca Aguirre-Gutiérrez. “Isso nos dá uma visão detalhada de como as florestas estão mudando e nos ajuda a projetar cenários futuros”.

As pesquisas apontaram que as mudanças nas florestas tropicais podem levar à perda de biodiversidade e a um empobrecimento estrutural desses biomas. “Espécies de grande porte, como jatobás, ipês, perobas e jequitibás, estão desaparecendo porque não conseguem acompanhar as mudanças climáticas”, alerta Joly. “Na Amazônia, árvores icônicas como a castanheira-do-pará e as copaíbas também estão em risco. Além de seu valor próprio, como fontes de alimentos e medicamentos, essas espécies são fundamentais para a captura de carbono e a manutenção da biodiversidade”.

Amazônia enfrenta mudanças climáticas que alteram a diversidade de árvores e a biodiversidade tropical enquanto regiões viram possível refúgio climático.

Após 40 anos de dados, cientistas revelam que mudanças climáticas já estão redesenhando a Amazônia e os Andes, com florestas mais quentes e secas perdendo árvores, outras ganhando espécies e a chuva surgindo como fator decisivo nesse novo mapa da biodiversidade tropical.

A transição para florestas dominadas por espécies mais adaptáveis pode ter implicações profundas. “Constatamos que as florestas estão se tornando mais suscetíveis à mortalidade em larga escala”, comenta Simone Aparecida Vieira, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp e integrante da coordenação do Programa BIOTA-FAPESP. “Isso compromete funções ecossistêmicas essenciais, como a regulação do ciclo do carbono e da precipitação. O colapso florestal pode aumentar o carbono na atmosfera e reduzir a formação de chuvas, intensificando ainda mais a crise climática”.

Diante desse cenário, a conservação e a restauração das florestas tropicais tornam-se ainda mais urgentes. No entanto, simplesmente proteger áreas degradadas, apostando no processo de sucessão, pode não ser o suficiente. “Se uma área degradada for protegida, as espécies nobres reaparecerão espontaneamente no processo natural de regeneração? A resposta curta é não”, afirma Joly. “Experimentos de restauração mostram que essas espécies apresentam uma taxa de mortalidade alta, mesmo quando plantadas. Elas crescem lentamente e são vulneráveis a eventos extremos”.

Impacto das Mudanças Climáticas no Crescimento das Florestas

Além disso, a fragmentação das florestas dificulta a regeneração. “A perda de conectividade entre fragmentos florestais leva ao empobrecimento da biodiversidade”, explica o pesquisador. “Em áreas isoladas, a dispersão de sementes por animais como cutias, pacas e macacos fica comprometida, dificultando a regeneração de espécies vegetais importantes”.

Uma das soluções propostas é a regeneração natural assistida (assisted natural regeneration), que consiste no plantio de espécies adaptadas às novas condições climáticas. “Com os dados que temos, podemos identificar quais espécies nativas estão mais bem adaptadas ao clima atual e priorizar seu plantio”, sugere Aguirre-Gutiérrez. “Isso pode aumentar as chances de sucesso dos programas de reflorestamento.

Apesar dos avanços tecnológicos no monitoramento das florestas, os pesquisadores enfatizam que o trabalho de campo continua sendo indispensável. “A gente tem de continuar investindo em trabalho de campo, colocando recursos para que pesquisadores no México, no Brasil e em outros países possam coletar dados”, destaca Aguirre-Gutiérrez. “Não podemos fazer tudo apenas com satélites. Precisamos de dados de campo para validar e aprimorar os modelos”.

As descobertas desses estudos reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para a conservação das florestas tropicais, aliando ciência, tecnologia e principalmente ações concretas para mitigar os impactos das mudanças climáticas. “A ecologia tem mostrado cenários cada vez mais preocupantes”, conclui Vieira. “Se não agirmos agora, as florestas tropicais podem perder sua função ecológica antes que consigam se adaptar ao novo clima”.

Ao longo de 4 décadas, observamos mudanças marcantes na dinâmica florestal e na riqueza de espécies arbóreas, que parecem ser atribuíveis às mudanças climáticas e atmosféricas em curso.

Concluímos que florestas mais quentes, mais secas ou com sazonalidade mais acentuada tendem a perder espécies arbóreas ao longo do tempo, enquanto aquelas em altitudes mais elevadas ou em áreas menos fragmentadas frequentemente ganham espécies arbóreas.

Essas descobertas sugerem que mudanças regionais específicas na precipitação estão impulsionando transformações profundas nas comunidades arbóreas andinas e amazônicas.
Tais mudanças ressaltam a necessidade urgente de preservar florestas extensas e intactas para manter a integridade do ecossistema em um mundo em rápida transformação. (veja)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Calor aumenta incidência solar em AS, chuva reduz irradiação no hemisfério norte

Calor do aumenta incidência solar na América do Sul enquanto fortes chuvas reduzem irradiação no hemisfério norte.
Mapa divulgado pela MetSul aponta calor extremo para o sul do Brasil e no centro da América do Sul

Em uma nova atualização semanal para a pv magazine, a Solcast, uma empresa da DNV, relata que janeiro na América do Sul apresentou contrastes climáticos dramáticos, com inundações persistentes e cobertura de nuvens nas regiões do Norte reduzindo drasticamente a irradiação solar, enquanto o calor extremo, a seca e os incêndios florestais no Sul aumentaram a luz solar, mas também geraram fumaça em aerossol que complicou os resultados da irradiação. Tempestades severas, tornados e incêndios industriais acentuaram ainda mais os padrões de irradiação altamente variáveis do mês em todo o continente.

O aumento do calor e da incidência solar na América do Sul, especialmente a leste dos Andes, impulsiona a produção de energia fotovoltaica, com temperaturas até 15°C acima da média no inverno. Simultaneamente, fortes chuvas e nebulosidade no Hemisfério Norte reduzem a irradiação solar, demonstrando um desequilíbrio energético entre os hemisférios.

América do Sul: Registra alto potencial solar e invernos mais quentes, potencializando a geração de energia.

Hemisfério Norte: Enfrenta cenários de maior nebulosidade e fortes chuvas, resultando em menor incidência de radiação solar em períodos específicos.

Impacto: Essas variações climáticas afetam diretamente a produção de energia solar e a agricultura em ambos os hemisférios.

O cenário demonstra um desequilíbrio no qual o Hemisfério Norte tem experimentado mudanças na absorção de energia solar, enquanto o Hemisfério Sul vivencia picos de radiação, reforçando a necessidade de monitoramento climático.
Janeiro trouxe um mês de fortes contrastes para a América do Sul, com inundações no Norte, calor intenso e incêndios florestais no Sul, e eventos climáticos severos dispersos pelo Brasil e Equador, de acordo com análises da API Solcast. As regiões do Norte registraram chuvas persistentes associadas à variabilidade atmosférica tropical, reduzindo a irradiação a níveis bem abaixo da média sazonal. Enquanto isso, as áreas do Sul enfrentaram calor extremo e seca prolongada, que elevaram os níveis de irradiação, mas também geraram grandes focos de incêndios florestais e reduções na irradiação causadas por aerossóis. Tempestades, tornados e incêndios industriais adicionais contribuíram para um mês marcado por resultados de irradiação altamente variáveis em todo o continente.
Em toda a região norte da América do Sul, uma fase ativa da Oscilação Madden-Julian provocou chuvas acima da média e tempestades repetidas durante o mês de janeiro. Esse padrão climático causou o transbordamento de grandes rios na Colômbia e na Venezuela, resultando em inundações generalizadas e danos à infraestrutura. Os totais diários de chuva atingiram cerca de 9 mm acima dos níveis típicos para o mês, refletindo a intensidade e a persistência da umidade tropical. Para os sistemas de energia solar em toda a região, a cobertura de nuvens persistente e a atividade de tempestades resultaram em reduções de irradiação de até 15% em comparação com a média de janeiro. Mais ao sul, um padrão oposto se desenrolou. O norte da Argentina e o centro do Chile enfrentaram temperaturas até 6°C acima do normal, devido à presença de um forte sistema de alta pressão sobre a região no início de janeiro. Essa característica atuou como uma cúpula de calor, suprimindo a formação de nuvens e intensificando as temperaturas da superfície.
No Chile, as condições climáticas quentes, secas e ventosas alimentaram incêndios florestais generalizados que forçaram evacuações e destruíram infraestrutura. O sul da Bolívia também sofreu um déficit de chuvas de até 12 mm por dia, reforçando a seca generalizada. A redução da cobertura de nuvens fez com que algumas áreas do Sul registrassem um aumento de mais de 15% na insolação típica, mas a fumaça dos incêndios florestais criou um quadro complexo de irradiação: as concentrações de aerossóis aumentaram drasticamente, como demonstrado pelos dados de material particulado em Concepción, reduzindo a luz solar mesmo em dias claros.
Em outras partes do continente, os extremos climáticos continuaram a influenciar os resultados da irradiação solar. Enquanto grande parte do Brasil experimentou maior incidência solar, o estado de Minas Gerais registrou reduções de até 10% devido a tempestades persistentes, com Uberaba registrando tempestades em quase todos os dias do mês. No Paraná, um tornado destrutivo com ventos superiores a 250 km/h causou danos severos e perda de vidas. A oeste, o Equador enfrentou seu próprio risco em escala industrial quando a refinaria de petróleo de Esmeraldas pegou fogo em 30 de janeiro, marcando o segundo incidente desse tipo em 8 meses. Esses eventos variados contribuíram para mudanças altamente localizadas na cobertura de nuvens, aerossóis e condições atmosféricas, reforçando a divergência regional na irradiação solar observada ao longo do mês na América do Sul.

A Solcast produz esses dados rastreando nuvens e aerossóis em uma resolução de 1 a 2 km globalmente, usando dados de satélite e algoritmos proprietários de IA/ML. Esses dados são usados para alimentar modelos de irradiação, permitindo que a Solcast calcule a irradiação em alta resolução, com um viés típico de menos de 2%, além de previsões de rastreamento de nuvens. Esses dados são usados por mais de 350 empresas que gerenciam mais de 300 GW de ativos solares em todo o mundo.

Aquecimento global é um tema debatido há anos, esse fenômeno não é nada mais que o aumento contínuo das temperaturas na atmosfera e na superfície da Terra. Cientistas têm 90% de certeza de que o processo continuará a acontecer e que afetará a todas as regiões do planeta. Esse inevitável fenômeno tem 2 causas básicas: uma natural e outra artificial, de acordo com grande parte dos estudiosos que se concentram nos estudos sob a ótica ambientalista ou antiambientalista. (pv-magazine-brasil)

sábado, 7 de março de 2026

Intensificação do uso de ar-condicionado agrava o aquecimento global

Embora o ar condicionado proteja as pessoas do calor perigoso, ele também agrava significativamente o aquecimento global, podendo, até 2050, produzir mais dióxido de carbono do que as emissões anuais atuais dos Estados Unidos, revela um novo estudo.
Estudo revela que o aumento do uso de ar condicionado pode gerar até 8,5 GtCO₂-eq anualmente até 2050 e adicionar até 0,07°C ao aquecimento global, a menos que o mundo reduza as emissões enquanto avança para tecnologias de refrigeração mais limpas.

Embora o ar condicionado proteja as pessoas do calor perigoso, ele também agrava significativamente o aquecimento global, podendo, até 2050, produzir mais dióxido de carbono do que as emissões anuais atuais dos Estados Unidos, revela um novo estudo.

Os cientistas combinaram ciência climática, modelagem energética e análise de desigualdade para criar uma estrutura única usando um conjunto de “narrativas” globais bem estabelecidas — Caminhos Socioeconômicos Compartilhados e Caminhos de Concentração Representativos (cenários SSP e RCP), um conjunto de “futuros” que variam de ações climáticas rigorosas a altas emissões.

O estudo revela que, até 2050, o uso de ar-condicionado mais que dobrará. O consumo de eletricidade para refrigeração poderá atingir 4.493 TWh em cenários intermediários e muito mais em cenários de altas emissões. As emissões provenientes do ar-condicionado poderão chegar a 8,5 GtCO₂-eq por ano no pior cenário, mais do que as emissões anuais atuais dos Estados Unidos (5,9 GtCO₂-eq).

Ao publicar suas descobertas na revista Nature Communications, o grupo internacional de pesquisa, liderado pela Universidade de Birmingham, alerta que a maior parte desse aquecimento adicional é causada pelo aumento da intensidade no consumo de refrigeração, pelo maior número de famílias que adotam e utilizam ar-condicionado, e não apenas pelo aumento das temperaturas.
Aquecimento projetado e desigualdade no resfriamento

Pesquisadores estimam que o uso de ar-condicionado contribuirá com 0,03°C a 0,07°C para o aquecimento global até 2050, dependendo da trajetória de emissões que o mundo seguir. Isso equivale a cerca de 74 a 183 bilhões de voos transatlânticos de ida e volta. O aumento previsto na temperatura é significativo se comparado à pequena margem restante para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C.

O estudo também revela uma grande desigualdade global, na qual as regiões que mais precisam de refrigeração, como o Sul da Ásia e a África, são as que têm menos acesso a ar condicionado. Regiões mais ricas, como a Europa e a América do Norte, têm menores necessidades de refrigeração, mas maior consumo de ar condicionado.

A professora Yuli Shan, da Universidade de Birmingham, autora correspondente do estudo, afirmou: “O aquecimento global está elevando as temperaturas e causando mais ondas de calor, e o crescimento econômico em alguns dos países mais afetados significa que mais pessoas podem amenizar o calor extremo com ar-condicionado”.

“Com o aumento das temperaturas globais, corremos o risco de entrar em uma ‘corrida armamentista’, onde a defesa contra o calor extremo agrava o problema. O mundo precisa fazer uma transição rápida para tecnologias de refrigeração mais limpas e eficientes, garantindo, ao mesmo tempo, o acesso equitativo à refrigeração, especialmente para as populações vulneráveis”.

Além de adotar uma transição rápida para energia limpa, a equipe de pesquisa recomenda a rápida adoção de líquidos refrigerantes de baixa poluição em sistemas de ar condicionado e um melhor projeto de construção civil, utilizando isolamento e sombreamento de forma mais eficaz.

Os pesquisadores também defendem mudanças comportamentais, como diminuir a potência do ar condicionado e evitar o uso do sistema nos horários de pico. (ecodebate)

Alerta climático máximo para 2026

Alerta climático máximo em 2026: El Niño “muito alto” é projetado com o aquecimento expressivo do Pacífico até maio, sinaliza calor mais per...