domingo, 3 de maio de 2026

Super El Niño no radar: evento raro pode disparar calor e extremos até 2027

Modelos climáticos apontam fenômeno raro com potencial de intensificar calor, secas e chuvas extremas.
Calor extremo - El Niño: em 2025 causou temperaturas extremas no verão.

A possibilidade de um “super El Niño” em 2026 ganha força com novas projeções climáticas e acende alertas sobre impactos globais que podem se estender até 2027.

Modelos atualizados do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts indicam aquecimento anômalo no Pacífico equatorial, condição essencial para a formação de um dos eventos mais intensos já registrados.

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico na faixa equatorial.

Em sua versão mais forte, chamada de “super El Niño”, esse aquecimento supera 2°C acima da média, provocando alterações profundas na circulação atmosférica e no regime de chuvas em escala global.

Mundo pode ter aquecimento de 1,5°C antes de 2030

Evento raro com potencial histórico

Eventos dessa magnitude são incomuns e tendem a ocorrer a cada 10 a 15 anos. O episódio mais recente, em 2015-2016, já havia sido considerado extremo. Agora, projeções indicam que o novo ciclo pode igualar ou até superar esse recorde.

Especialistas apontam que o aquecimento oceânico observado em 2026 pode desencadear um pico de intensidade entre o fim deste ano e o início de 2027, período em que os efeitos climáticos costumam atingir seu ápice.

Se confirmado, o fenômeno poderá contribuir para novos recordes de temperatura global, superando marcas recentes registradas ao longo da década, em um contexto já pressionado pelo aquecimento causado por emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Impactos globais: calor, secas e chuvas extremas

O El Niño altera padrões climáticos em diversas regiões, mas seus efeitos não são uniformes. Em geral, o fenômeno intensifica extremos, ampliando tanto períodos de seca quanto episódios de chuva intensa.
A perda das camadas de gelo acelera o aquecimento global.

Temperatura média global tem 50% de chance de exceder 1,5°C antes de 2030.

As projeções mais recentes indicam:

Nos Estados Unidos, especialmente na costa oeste, há expectativa de temperaturas acima da média e aumento de eventos de chuva intensa. Já o Atlântico pode registrar uma temporada de furacões mais fraca.

No Pacífico, o cenário é oposto, com maior atividade de ciclones tropicais e tufões, afetando regiões como o leste da Ásia e ilhas do oceano.

Na América do Sul, há risco de ondas de calor mais frequentes e prolongadas, além de secas em áreas do Norte do Brasil e eventos de chuva intensa em países como Peru e Equador.

Na Ásia, especialmente na Índia, o fenômeno pode enfraquecer as monções, comprometendo a produção agrícola e pressionando o abastecimento de alimentos.

Na África e na Oceania, regiões já vulneráveis podem enfrentar secas mais severas, com impactos diretos sobre segurança hídrica e alimentar.

Efeito cascata na economia e na agricultura

As mudanças no regime de chuvas e temperatura têm potencial de afetar cadeias produtivas globais. A agricultura é uma das áreas mais sensíveis, já que depende diretamente de padrões climáticos previsíveis.

Quebras de safra, aumento no preço de alimentos e pressão inflacionária são efeitos frequentemente associados a eventos intensos de El Niño. Países em desenvolvimento tendem a ser os mais impactados, especialmente em regiões tropicais.

Além disso, o aumento de desastres naturais, como enchentes e secas prolongadas, pode gerar custos elevados para governos e sistemas de seguro.

Aquecimento global amplia efeitos do fenômeno

Super El Niño ganha força em novas previsões e pode provocar secas, enchentes e calor extremo global, tornando 2027 o ano mais quente da história.

Pesquisas recentes indicam que o comportamento do El Niño está sendo influenciado pelo aquecimento global.

Com oceanos mais quentes e atmosfera mais carregada de umidade, os eventos tendem a liberar mais energia e produzir efeitos mais intensos.

Isso significa que um super El Niño no cenário atual pode ter impactos mais fortes do que episódios históricos, como os registrados em 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

O fenômeno também contribui para uma espécie de “degrau” no aumento das temperaturas globais: o calor liberado pelos oceanos durante esses eventos se soma à tendência de aquecimento de longo prazo, elevando o patamar médio do clima global.

Incerteza ainda persiste

O El Niño Godzilla pode atingir o planeta em 2026 com aquecimento extremo do Pacífico. Secas, enchentes e mudanças drásticas no clima global.

NASA emite alerta para o temido El Niño Godzilla que pode mudar o clima do planeta em 2026 com aquecimento extremo do Pacífico capaz de provocar secas devastadoras em algumas regiões e enchentes históricas em outras ao mesmo tempo.

Apesar dos sinais consistentes nos modelos climáticos, ainda há incerteza sobre a intensidade final do evento. O El Niño é um sistema complexo e pode evoluir de forma diferente das previsões iniciais.

Ainda assim, a tendência atual é suficiente para mobilizar governos, cientistas e setores econômicos na preparação para possíveis impactos.

A expectativa é de que os próximos meses sejam decisivos para confirmar a força do fenômeno, e definir a escala de seus efeitos em um planeta já sob pressão climática crescente. (veja.abril)

Reverter a perda de biodiversidade evitaria efeitos desastrosos

Reverter a perda de biodiversidade evitaria efeitos desastrosos no bem-estar humano
Reverter a perda de biodiversidade é fundamental para evitar colapsos ecológicos que ameaçam a saúde, a segurança alimentar e a economia humana. Proteger ecossistemas intactos e restaurar a natureza ajuda a conter o aumento de doenças infecciosas, garante recursos essenciais e fortalece a resiliência contra mudanças climáticas.

Impactos da Perda de Biodiversidade no Bem-Estar Humano:

Saúde: A destruição de habitats aumenta o risco de novas doenças, como evidenciado pela COVID-19, e reduz fontes de medicamentos.

Segurança Alimentar e Recursos: A perda de espécies afeta a polinização (essencial para a agricultura), reduz a fertilidade do solo e compromete a qualidade da água.

Proteção Natural: Ecossistemas preservados funcionam como barreiras contra desastres naturais, como inundações e tempestades.

Clima: A degradação ambiental acelera o aquecimento global, dificultando a manutenção do aumento de temperatura abaixo de 1,5°C.

 Ações para a Reversão:

Conservação e Restauração: Proteger áreas naturais intactas e restaurar ecossistemas degradados são prioridades.

Produção Sustentável: Adotar práticas agrícolas agroecológicas, reduzir o uso de agrotóxicos e plásticos.

Consumo Consciente: Mudar hábitos, como a redução do consumo de carne e o combate ao desperdício de recursos.

Políticas Públicas: Implementar metas globais, como as do acordo de Kunming-Montreal, que visam proteger 30% do planeta até 2030.

O documento da EcoDebate destaca que atrasos na contenção do desmatamento podem levar a mudanças irreversíveis. A Fundação Oswaldo Cruz ressalta o impacto direto na saúde humana e o risco de doenças, enquanto a Revista Pesquisa Fapesp enfatiza a necessidade de ações imediatas.

Humanos são principais responsáveis pela perda de outras formas de vida no mundo

Interromper e reverter o declínio global da biodiversidade é urgente para evitar a desestabilização dos sistemas vitais da Terra que sustentam o bem-estar humano.

Autores alertam que, sem proteger os biomas e ecossistemas intactos que ainda restam, será impossível alcançar as metas climáticas e de desenvolvimento.

A obra defende uma mudança de paradigma urgente rumo a um futuro positivo para a natureza, no qual a humanidade vá além das atuais estruturas de biodiversidade, que os autores argumentam serem fragmentadas, e priorize metas positivas para a natureza tanto quanto as metas climáticas e de desenvolvimento humano.

“Para avançarmos rumo à estabilização do nosso sistema terrestre, precisamos adotar uma abordagem unificada e positiva para a natureza em relação às metas e à governança ambiental global. Isso significa acordos globais para o desenvolvimento humano, o clima, a biodiversidade e os oceanos”, afirmou o autor principal, o ambientalista canadense Harvey Locke, vice-presidente para Assuntos Positivos da Natureza na Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN.

O declínio da biodiversidade causado pela ação humana está contribuindo para um rápido desmantelamento do sistema terrestre, interrompendo os processos naturais essenciais para o florescimento das sociedades humanas.

Por exemplo, a perda da natureza acarreta riscos crescentes para a saúde humana, incluindo maior disseminação de doenças infecciosas ligadas à perturbação dos ecossistemas, bem como impactos negativos na saúde mental. Os autores também descrevem como os padrões de precipitação, vitais para a agricultura e o abastecimento de água, são profundamente afetados pela biodiversidade.

“Precisamos agir agora para deter e reverter a perda da natureza até 2030, visando alcançar um futuro integrado, equitativo, positivo para a natureza e neutro em carbono”, disse Locke.

Aprimorando a conservação da biodiversidade

O Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), adotado na COP15 em 2022, exige a interrupção e reversão da perda de biodiversidade até 2030, mas os pesquisadores afirmam que ele dá pouca atenção aos processos naturais.

O artigo inclui uma avaliação rigorosa das metas atuais do GBF (Fundo Global para a Biodiversidade) e identifica lacunas importantes, incluindo a atenção limitada a processos naturais em larga escala, como o funcionamento dos biomas, a hidrologia e a migração de espécies. Em seguida, descreve as ações e métricas específicas necessárias para alcançar a conservação da biodiversidade em sinergia com a estabilização climática, a segurança dos sistemas de água doce, a conservação dos oceanos e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para atingir a meta de impacto positivo na natureza até 2030, os autores defendem que, em primeiro lugar, se previna a perda de áreas intactas onde quer que elas sejam encontradas.

O coautor, Prof. Johan Rockström, codiretor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK) na Alemanha, afirmou: “Alcançar as metas climáticas e de desenvolvimento é simplesmente impossível sem manter a natureza intacta. Nossas descobertas enfatizam a importância vital de interromper imediatamente a perda dos biomas e ecossistemas intactos restantes, que são insubstituíveis e não podem ser restaurados rapidamente; e, em paralelo, reverter o risco de extinção de espécies e acelerar os esforços de restauração da natureza, que levam mais tempo”.

Em particular, atrasos na contenção do desmatamento tropical podem aumentar o risco de mudanças ecológicas em larga escala e irreversíveis. Para a migração de espécies, proteger áreas de parada e corredores de deslocamento, bem como reduzir os riscos evitáveis em paisagens dominadas pelo homem, é crucial.

Priorizar o conhecimento indígena e local

O artigo enfatiza a importância de integrar os sistemas de conhecimento indígena e local aos métodos científicos empíricos para garantir resultados de conservação eficazes e equitativos.

As conclusões científicas do artigo estão alinhadas com as percepções tradicionais dos povos indígenas sobre o mundo. O coautor, Prof. Leroy Little Bear, da Universidade de Lethbridge, no Canadá, explicou: “Do ponto de vista indígena, nossa própria existência como Homo sapiens está inextricavelmente ligada à totalidade do meio ambiente — incluindo, mas não se limitando à terra, aos animais, à vida vegetal, ao cosmos observável e aos aspectos espirituais e ecológicos do meio ambiente”.

"O conhecimento e as práticas indígenas refletem inerentemente o que a ciência ocidental chama de ‘processos bióticos e abióticos’ e estão enraizados em um profundo senso de responsabilidade para com o mundo vivo. Incorporar os sistemas de conhecimento tradicional é, portanto, um componente essencial para a concretização de ambições positivas em relação à natureza”.

Resgate de Fauna e Flora: A Importância da Conservação e Proteção Ambiental.

Objetivos globais para a natureza

Os autores argumentam que as metas que visam a preservação da natureza devem ter a mesma prioridade que as metas globais de clima e desenvolvimento humano. A coautora, Profª. Raina K. Plowright, da Universidade Cornell, EUA, afirmou: “As políticas globais para proteger a natureza intacta e restaurar ecossistemas danificados devem ter a mesma prioridade que as ações climáticas no âmbito do Acordo de Paris e os ODS para o desenvolvimento humano. Priorizar a natureza é essencial para reduzir a disseminação de doenças infecciosas e proteger a saúde humana em todo o mundo. É a única maneira prática de garantir que o século XXI progrida rumo à saúde, paz, prosperidade, estabilidade e beleza natural”.

Os autores argumentam que alcançar metas que beneficiem a natureza exigirá sistemas econômicos que operem dentro dos limites dos processos naturais, conservem espécies e ecossistemas e apoiem o desenvolvimento humano de forma equitativa.

O artigo conclui que a concretização dessa visão dependerá tanto de medidas de conservação eficazes quanto de um ambiente socioeconômico que direcione a produção e o consumo de atividades prejudiciais à natureza para resultados positivos.

Isso inclui transformações na forma como as empresas operam e reportam seus riscos e dependências relacionados à natureza. Também exige incentivos financeiros inovadores para tornar a natureza atrativa para investimentos, bem como uma governança coordenada que seja equitativa e inclusiva para as comunidades locais e os povos indígenas.

Locke concluiu: “Com muita frequência, a biodiversidade é vista como um luxo ‘desejável’ que fica em segundo plano em relação às chamadas preocupações ‘do mundo real’ sobre a economia e o desenvolvimento humano. Mostramos que isso é um equívoco fundamental sobre a realidade. A biodiversidade em todas as escalas é parte integrante do funcionamento do planeta (incluindo o sistema climático e a água doce). Portanto, é vital tanto para o bem-estar humano quanto para toda a atividade econômica”. (ecodebate)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

As mudanças climáticas já afetam nossas vidas

As mudanças climáticas já afetam o cotidiano global, intensificando eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações, impactando a saúde humana, agricultura e economia. O aumento das temperaturas causa estresse térmico, aumenta o risco de doenças infecciosas e respiratórias, e ameaça a segurança alimentar com quedas na produção agrícola.

Impactos diretos no cotidiano:

Saúde: Ondas de calor extremo aumentam o estresse térmico, agravam doenças cardiovasculares e respiratórias, e geram problemas de saúde mental, com estimativas de 150 mil mortes anuais.

Alimentação e Agricultura: A produção de alimentos está em risco, com previsões de queda drástica em culturas como soja e milho no Brasil, devido a secas e altas temperaturas.

Economia: Eventos climáticos extremos impulsionam a inflação, elevando o custo de vida e afetando o valor dos alimentos e energia.

Infraestrutura e Moradia: Enchentes, inundações e deslizamentos tornam-se mais frequentes, destruindo moradias e deslocando populações.

Estudos indicam que a temperatura ambiente alta rivaliza com a do corpo humano, tornando áreas urbanas epicentros de estresse térmico. A situação é especialmente grave para trabalhadores expostos ao sol e populações vulneráveis.

Além dos gráficos e números, a mudança do clima já está mudando a nossa qualidade de vida, nossa saúde, o nosso prato de comida e a nossa economia

Esta semana, enquanto esperava o busão, debaixo de um sol que parecia querer literalmente me derreter, me peguei pensando: isso não é normal! Quase 40°C, sem sombra, sem vento. E eu, como milhões de brasileiros (as), simplesmente tentando chegar ao trabalho.

Não é normal. E provavelmente você já sabe disso, mas talvez ainda não tenha parado para conectar os pontos do calor absurdo, da conta do mercado que não para de subir e das enchentes que todo ano destroem cidades inteiras. Tudo isso tem um nome. E esse nome é crise climática.

Quero conversar com você sobre isso de um jeito diferente. Sem gráficos assustadores, sem o tom catastrófico que às vezes paralisa mais do que mobiliza. Quero falar sobre o que acontece quando olhamos para além dos números e, como essa crise já está dentro da nossa rotina, da nossa mesa, do nosso bolso.

Quando 40°C viram uma sentença. O calor que mata em silêncio

O nosso corpo foi feito para funcionar nos 37°C internos. Quando a temperatura ambiente começa a rivalizar com a do nosso organismo, algo muda e não para o bem. A partir dos 40°C, o risco de dano real a órgãos como o coração e o cérebro deixa de ser teórico e se torna assustadoramente concreto.

Cidades como Manaus, Belém e Porto Velho já estão se tornando o que os cientistas chamam de epicentros globais de estresse térmico. E aqui está o dado que mais me incomoda: estima-se que, até 2050, mais da metade da população mundial vai enfrentar pelo menos um mês de calor extremo por ano. Todo ano.

Mas quem são as pessoas que mais sofrem com isso? Não são os que podem trabalhar com ar-condicionado. São os trabalhadores da construção civil que não podem parar, os agricultores que dependem do campo, os entregadores de aplicativo que pedalam embaixo do sol para colocar comida na nossa mesa e na deles. O calor extremo é um assassino silencioso com alvos muito bem definidos.

O preço que você paga no mercado tem nome: crise climática

Você reparou que os alimentos estão mais caros? Que os vegetais e frutas estão em quantidades menores, mesmo nas safras? Que a conta do mercado parece não ter teto? Não é só inflação genérica. Há algo estrutural acontecendo com a nossa comida.

A agricultura é, talvez, o setor mais dependente do clima que existe. Uma semana sem chuva na época errada pode destruir meses de trabalho. O milho e o trigo, culturas fundamentais para alimentar o planeta, já apresentam produtividade menor por causa do aquecimento. Em um cenário de altas emissões, projeta-se uma redução de 24% na produção global de calorias até o fim do século.

E a água? Aquela que sempre pareceu abundante está se tornando um bem cada vez mais escasso. Até 2050, a seca pode ameaçar 80% das terras agrícolas do mundo. 80%. Quando leio esse número, não consigo deixar de pensar em quanto isso vai custar em dinheiro, em vidas, em dignidade.

Ignorar o clima é o pior investimento que um país pode fazer

Há sempre quem argumente que cuidar do clima é caro demais, que a economia vem primeiro. Mas os dados contam uma história diferente e perturbadora. Estudos indicam que apenas 1°C de aquecimento global já reduziu o PIB mundial em 12%. Não é um custo futuro. É uma conta que já estamos pagando.

O paradoxo é elegante na sua crueldade: investir em adaptação climática, como proteção de costas, agricultura resiliente, infraestrutura urbana preparada, é extremamente rentável. Cada dólar investido pode gerar até US$ 10, ao evitar perdas que seriam catastróficas. É, literalmente, a aposta mais segura que qualquer governo ou empresa pode fazer hoje.

Mas a inação continua sendo escolhida e nós pagamos o preço todos os dias, na nossa qualidade de vida, na saúde e em cada nota fiscal.

Como as mudanças climáticas afetam a saúde humana?

Quem paga a conta não é quem aquece o planeta

Essa é a parte que mais pesa para mim. A face mais cruel da crise climática é que ela penaliza com muito mais força quem menos contribuiu para criá-la.

Até 2050, 80% das pessoas expostas ao calor extremo estarão em países pobres. Apenas 2% estarão em nações ricas. Os países que mais emitiram CO₂ ao longo da história são, em grande parte, os mais protegidos dos efeitos mais devastadores.

No Brasil, isso fica evidente de um jeito doloroso. As tragédias de Petrópolis e do Rio Grande do Sul não foram “desastres naturais”, foram desastres socioambientais. A diferença importa porque ela revela décadas de falta de investimento em moradia digna, em planejamento urbano, em infraestrutura de drenagem. A chuva foi o gatilho; a desigualdade foi a pólvora.

Há ainda uma injustiça que atravessa gerações. Uma criança que nasce hoje vai enfrentar 7 vezes mais ondas de calor ao longo da vida do que seus avós enfrentaram. Isso não é apenas injusto, é, também, um trauma coletivo silencioso que já tem nome: ecoansiedade. E ela atinge especialmente os jovens, que crescem vendo o futuro ser hipotecado por decisões que não tomaram.

Mudanças climáticas já afetam cotidiano do mundo todo, principalmente da população na Amazônia Legal.

Por que entender isso muda tudo?

Sei que pode parecer pesado. Mas eu acredito que o diagnóstico honesto é o primeiro passo para qualquer mudança real. A crise climática não é um problema ambiental apenas, ela é uma crise de direitos humanos, de justiça social, de equidade entre gerações.

Enquanto a conversa ficar restrita a gráficos de temperatura e metas de emissão, ela continuará parecendo distante. Quando começamos a falar sobre o trabalhador que não pode parar no calor, sobre a família que perde tudo numa enchente, sobre a jovem que sente ansiedade sobre um futuro que ainda tem chance de ser diferente, aí a conversa muda de tom.

E é essa mudança de tom que pode mover pessoas, políticas e prioridades. O próximo passo, que explorarei aqui, em breve, é olhar para o vasto cardápio de soluções que já temos à disposição. Porque sim, elas existem. E muitas delas são mais acessíveis, mais rentáveis e mais urgentes do que nos fazem crer. (ecodebate)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Super El Niño pode ser o mais forte em 140 anos

Super El Niño: fenômeno pode ser o mais forte em 140 anos e trazer calor recorde.
Um possível "Super El Niño" em 2026 pode se tornar o mais intenso em 140 anos, com aquecimento acima de no Pacífico Equatorial, alertam especialistas. O fenômeno ameaça trazer calor recorde global até 2027, causando secas severas no Norte do Brasil e chuvas intensas no Sul.

Principais Impactos Esperados:

Calor Extremo: Risco de 2026 e 2027 registrarem temperaturas nunca antes vistas.

Brasil: Secas no norte/nordeste e ondas de calor/inundações no sul e sudeste.

Global: Secas na Austrália, Indonésia e Filipinas; tempestades na América do Sul.

Agricultura: Riscos à produção agrícola e pecuária devido à irregularidade de chuvas e altas temperaturas.

O fenômeno, que pode intensificar respostas atmosféricas globais, exige monitoramento, pois aumenta a pressão sobre o clima já sob aquecimento global. O pico do fenômeno é aguardado entre o final de 2026 e o início de 2027.

A nova previsão do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas aponta para um evento de intensidade rara que pode elevar as temperaturas globais a patamares históricos até 2027.

Uma atualização nos modelos climáticos globais acendeu o alerta para a formação de um Super El Niño ainda este ano. De acordo com o novo boletim do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), as chances de uma versão intensificada do fenômeno climático aumentaram, dobrando as apostas feitas no mês anterior.

Diferente de um El Niño comum, a variante “super” ocorre em média a cada 10 ou 15 anos. Ela é caracterizada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial em mais de 2°C acima da média, o que desencadeia uma resposta atmosférica global muito mais persistente e severa.

O que esperar de um Super El Niño?

O fenômeno altera drasticamente o regime de chuvas e temperaturas ao redor do globo. De acordo com o Washington Post, os impactos podem superar os registros do evento de 2015, até então o mais intenso já monitorado.

Especialistas como Paul Roundy, professor da Universidade Estadual de Nova York em Albany, sugerem que este pode ser o El Niño mais forte dos últimos 140 anos no Oceano Pacífico.

Principais impactos previstos até outubro:

• Américas: secas severas na América Central e no norte do Brasil. Em contrapartida, Peru e Equador podem enfrentar inundações, enquanto o sul dos EUA e partes da América do Sul devem registrar ondas de calor frequentes.

• Ásia e Oceania: risco elevado de seca na Índia (prejudicando a agricultura), Indonésia, Filipinas e Austrália.

• Oceanos: aumento na formação de ciclones e tufões no Pacífico, mas uma redução na atividade de furacões no Atlântico.

• Europa e África: verão com calor acima da média e umidade elevada em grande parte da Europa e do centro da África.

Recordes de temperatura em 2027

Um dos pontos mais críticos levantados pelos meteorologistas é o efeito “escada” no aquecimento global. Devido à alta concentração de gases de efeito estufa, o planeta não consegue dissipar todo o calor liberado por um Super El Niño antes que o próximo ciclo comece.

Como o pico do fenômeno costuma ocorrer entre dezembro e janeiro, a tendência é que 2027 quebre os recordes de temperatura estabelecidos em 2024.

“O sistema climático não consegue exaurir efetivamente o calor liberado em um grande evento de El Niño antes que o próximo venha e empurre a base de temperatura para cima novamente”, explicou Eric Webb, meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA.

Além do calor extremo, a atmosfera mais quente aumenta a capacidade de retenção de umidade, o que potencializa o risco de tempestades catastróficas e inundações em regiões específicas, redesenhando o mapa de riscos climáticos para os próximos 2 anos.

Por que 2027 pode ser o ano mais quente da história?

Embora o recorde de intensidade do El Niño no oceano pertença a 2015 (quando as águas subiram 2,8°C), o planeta como um todo viveu seu ano mais quente em 2024.

O perigo agora é que os modelos para 2026/27 indicam um fenômeno ainda mais potente que o de 2015. Se isso se confirmar, a combinação desse “superaquecimento” do mar com a crise climática atual deve fazer de 2027 o novo recordista absoluto de calor, superando as marcas históricas do ano passado.

Um fenômeno climático raro pode estar prestes a mudar o clima do planeta nos próximos meses.

‘Chance séria do El Niño mais forte em mais de 140 anos’ seca severa e calor são esperados a partir do final do verão. (olhardigital)

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Região Sul tem a 2ª estrutura etária mais envelhecida do Brasil

A região Sul tem a segunda estrutura etária mais envelhecida do Brasil.
Sim, a Região Sul possui a segunda estrutura etária mais envelhecida do Brasil, com uma idade mediana de 36 anos, atrás apenas da região Sudeste (37 anos). Este envelhecimento é reflexo de uma queda precoce na taxa de fecundidade e maior esperança de vida, resultando em uma base estreita na pirâmide etária.

Principais destaques do envelhecimento no Sul:

Rio Grande do Sul é o estado mais velho do país, com a maior proporção de idosos (14,1% com 65 anos ou mais) e menor percentual de crianças.

A região Sul apresenta a segunda maior concentração de idosos (60+), com 17,3%, ficando atrás apenas do Sudeste, segundo dados recentes.

O envelhecimento populacional no Sul é rápido, com o número de idosos superando o de jovens em municípios como Porto Alegre.

O fenômeno, evidenciado pelo Censo 2022, representa um desafio para a previdência e sistema de saúde, mas também abre espaço para o desenvolvimento da economia prateada.

O envelhecimento populacional da região Sul não deve ser visto apenas como um problema, mas como um novo estágio do desenvolvimento

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.

O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados da região Sul, permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Sul é menor do que a proporção brasileira. Era de 42,7% da população da região Sul em 1970 e caiu para 18,5% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,5% em 1970 para 66,1% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas 15-59 anos no Sul diminuiu para 63,9% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que a região precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de 50+ era de 10,2% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2010 e chegou a 30,4% em 2022. A população 60+ era de 4,7% em 1970 e chegou a 17,6% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Sul de 70+ era de 1,6% em 1970 e chegou a 7,7% da população em 2022.

A região Sul do Brasil encontra-se em uma fase avançada da transição demográfica, com a segunda estrutura etária mais envelhecida do país e redução da população em idade ativa. Diferentemente de outras regiões, esse envelhecimento ocorre em um contexto de diversificação produtiva, elevada urbanização e bons indicadores sociais, o que confere ao Sul uma posição relativamente mais favorável para enfrentar essa nova etapa demográfica. Ainda assim, os desafios são relevantes — e as oportunidades, estratégicas.

Os principais desafios são:

Escassez relativa de força de trabalho. A diminuição da população em idade ativa tende a gerar dificuldades de reposição de mão de obra, especialmente em setores industriais, agroindustriais e de serviços intensivos em trabalho.

Pressão sobre sistemas previdenciários e de saúde. O envelhecimento rápido amplia a demanda por aposentadorias, cuidados de saúde, serviços de longa duração e políticas de cuidado, elevando os custos fiscais e sociais.

Risco de baixo dinamismo econômico. Sem ganhos expressivos de produtividade, a combinação de envelhecimento e redução da força de trabalho pode resultar em crescimento econômico mais lento.

Desigualdades intrarregionais. O envelhecimento não ocorre de forma homogênea: áreas rurais, pequenos municípios e regiões de emigração juvenil tendem a envelhecer mais rapidamente, com risco de esvaziamento populacional.

Adequação urbana e habitacional. Cidades e moradias nem sempre estão preparadas para uma população mais idosa, exigindo adaptações em mobilidade, acessibilidade e serviços públicos.

A expectativa de vida ao nascer, que estava em 71,1 anos, em 2000, chegará a 83,9 anos em 2070.

Um Brasil de cara nova, mas com estrutura etária mais envelhecida

As principais oportunidades são:

Elevação da produtividade do trabalho. Com menor oferta de mão de obra, cresce o incentivo à automação, à digitalização e à qualificação profissional, fortalecendo setores industriais e de serviços de maior valor agregado.

Expansão da economia prateada. O aumento da população idosa cria mercados dinâmicos em saúde, cuidados, turismo, lazer, tecnologia assistiva, habitação adaptada e serviços financeiros.

Prolongamento da vida laboral. Os bons indicadores educacionais e de saúde permitem ampliar a permanência dos idosos no mercado de trabalho, em arranjos mais flexíveis e compatíveis com o envelhecimento ativo, aumentando o nível de escolaridade da população ativa.

Atração seletiva de migrantes. O Sul pode se tornar polo de atração para migrantes internos e internacionais, compensando parcialmente a perda da população em idade ativa e renovando o tecido produtivo.

Vantagem institucional e social. A região já dispõe de maior capacidade institucional para planejar políticas públicas de longo prazo, integrar saúde, assistência social e previdência e antecipar respostas ao envelhecimento.

O envelhecimento populacional da região Sul não deve ser visto apenas como um problema, mas como um novo estágio do desenvolvimento. Em um contexto de bons indicadores sociais e diversificação produtiva, o grande desafio é transformar a escassez demográfica em ganhos de produtividade, inovação e qualidade de vida.
Envelhecimento de uma população

Se conseguir articular políticas de envelhecimento ativo, economia prateada, atração migratória e modernização produtiva, o Sul pode se consolidar como um laboratório avançado de adaptação demográfica no Brasil do século XXI. (ecodebate)

Ondas de calor e secas serão cinco vezes mais frequentes até o final do século

Ondas extremas de calor e seca devem castigar bilhões de pessoas com uma frequência 5 vezes maior até o final do século!

Ondas de calor e secas simultâneas serão até 5 vezes mais frequentes até o final do século, afetando 28% da população global, com maior impacto nos países tropicais de baixa renda. Esse aumento severo na frequência e intensidade desses eventos extremos é impulsionado por políticas climáticas atuais que falham em limitar o aquecimento global, alertam pesquisadores.

Principais Impactos e Projeções:

Frequência: O que costumava ser um evento raro de 50 anos pode se tornar uma ocorrência quase anual ou ocorrer uma vez por década.

Impacto no Brasil: Estudos indicam que ondas de calor e secas estão se tornando mais comuns, com projeções de aumentos significativos no número de dias quentes até 2099. Bloqueios atmosféricos que prendem ar quente podem se tornar dez vezes mais potentes até 2071, agravando as temperaturas.

Vulnerabilidade: As regiões tropicais, onde vive grande parte da população mundial, enfrentarão condições "extremamente perigosas" com maior frequência.

Aceleração: Em um cenário de aquecimento global acelerado, os eventos climáticos extremos, como secas, tornam-se o "novo normal".

Esses eventos combinados geram danos que superam a soma dos impactos separados, colocando em risco a saúde humana, agricultura e infraestrutura.
Calor extremo ameaça quase metade da população mundial até 2050

O aumento pode atingir quase 30% da população global com eventos extremos mais perigosos do que o calor ou a seca sozinha, especialmente em nações tropicais de baixa renda.

Políticas climáticas em todo o mundo podem deixar uma parcela significativa da população global exposta a ondas de calor extremo e secas simultâneas com uma frequência 5 vezes maior até o final deste século do que em meados e no final do século XX.

Em um novo estudo, pesquisadores projetam que o aumento afetará 28% da população global, concentrando-se em países tropicais de baixa renda que contribuíram com apenas uma pequena fração das emissões de gases de efeito estufa da humanidade até o momento.

Extremos amplificados

Quando o calor e a seca ocorrem simultaneamente, os danos geralmente superam a soma dos danos que podem causar separadamente. O risco de incêndios florestais, as perdas agrícolas e a mortalidade relacionada ao calor podem aumentar drasticamente.

Essas combinações extremas já estão em ascensão. Quando os pesquisadores dividiram a superfície terrestre em células em uma grade e compararam a ocorrência de calor e seca em cada célula, descobriram que, em média geográfica, as áreas terrestres da Terra sofreram aproximadamente 4 eventos de calor e seca por ano, de 2001 a 2020. Segundo suas estimativas, isso representa cerca do dobro da frequência registrada no período pré-industrial, de 1850 a 1900.

Para entender como as condições podem evoluir até o final deste século, a equipe analisou 152 simulações existentes baseadas em 8 modelos climáticos, considerando vários cenários de crescimento populacional e aquecimento global descritos no Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Para este estudo, eles definiram eventos quentes e secos como dias com temperatura elevada entre os 10% mais altos e seca pelo menos moderada, ambos em relação aos registros da linha de base de 1961 a 1990.

O esforço exigiu o processamento de terabytes de dados, um desafio significativo. “Quanto mais caótico o clima se torna, mais difícil fica a fazer previsões”, disse Monica Ionita, climatologista do Instituto Alfred Wegener e autora sênior do estudo. “É muito difícil acompanhar o que está acontecendo agora”.

No cenário de crescimento climático e populacional mais alinhado com nossa trajetória atual, a equipe descobriu que os extremos de calor e seca se tornam “intensificados” (mais de 5 vezes mais prováveis em qualquer dia do que durante o período de 1961 a 1990) para 28% da população global — quase 2,6 bilhões de pessoas — até a década de 2090. Para efeito de comparação, eles esperam que apenas cerca de 6,6% da população sofra esse nível de exposição na década de 2030.

Os que mais emitem provavelmente não sofrerão os maiores impactos

Globalmente, eventos extremos compostos de calor e seca podem ocorrer quase 10 vezes por ano, em média, até o final do século, com o mais longo durando cerca de 15 dias — aumentos de 2,4 e 2,7 vezes em relação às condições dos últimos 25 anos, respectivamente.

A emissão humana de gases de efeito estufa (GEE) impulsionam essas mudanças. Quando os pesquisadores analisaram simulações considerando apenas forças naturais, nenhuma tendência significativa na frequência ou duração de períodos extremos de calor e seca emergiu.

No entanto, aqueles que mais emitem provavelmente não sofrerão os maiores impactos. De acordo com a distribuição geográfica do risco nas simulações, as nações de baixa renda próximas ao equador e aos trópicos, incluindo ilhas como Maurício e Vanuatu, sentirão os extremos de calor e seca mais acentuados, apesar de contribuírem com muito menos emissões do que as nações mais ricas.

Para contextualizar, a equipe estimou que o impacto climático do carbono 1,2 emitido em média pelos cidadãos americanos ao longo de suas vidas poderia expor uma pessoa adicional a extremos de calor e seca mais intensos até o final do século.
Ondas de calor marinhas atingem até +5°C acima do normal, se espalham por oceanos inteiros e revelam um colapso silencioso que ameaça recifes, peixes e a estabilidade do clima global.

Os pesquisadores descobriram que limitar as emissões poderia evitar muitos riscos. Se todas as nações implementarem integralmente os planos de ação climática para os quais contribuíram no âmbito do Acordo de Paris, bem como compromissos de longo prazo mais vinculativos, cerca de 18% da população mundial enfrentará uma maior exposição a extremos de calor e seca até o final do século. Isso equivale a aproximadamente 1,7 bilhão de pessoas, quase um terço a menos do que o número previsto na trajetória atual. (ecodebate)

sábado, 25 de abril de 2026

Alertas para o impacto hídrico dos data centers

Cientistas alertam para o impacto hídrico dos data centers.
Cientistas alertam: data centers podem causar crise de água e energia

O rápido avanço dos data centers no Brasil, impulsionado pela IA, gera alertas sobre o alto consumo de água para resfriamento de servidores, especialmente em regiões com estresse hídrico como São Paulo e Ceará. A falta de transparência, o uso de água potável e a ausência de licenciamentos ambientais rigorosos ameaçam a segurança hídrica local.

Alertas Principais sobre o Impacto Hídrico:

Alto Consumo em Áreas de Risco: Data centers operam intensamente em regiões com crises de abastecimento, como Vinhedo (SP), intensificando a disputa pelo recurso.

Ameaça à Segurança Hídrica: No Ceará, um projeto teve o uso de água autorizado aumentado em sete vezes durante o licenciamento, gerando preocupações sobre o consumo de água potável.

Falta de Transparência e Regulação: Muitas empresas subestimam ou não divulgam seus consumos hídricos reais, operando sem regras nacionais claras de licenciamento ambiental.

Risco de Justiça Ambiental: A instalação desses centros, frequentemente com apoio governamental, pode sobrecarregar comunidades locais, quilombolas e pequenos produtores.

Necessidade de Alternativas: Especialistas e ambientalistas pressionam por tecnologias de resfriamento mais eficientes, que não dependam excessivamente da água, para evitar que o progresso digital comprometa o futuro hídrico.

A expansão dos data centers avança sem estudos aprofundados de impacto ambiental, criando um cenário de "injustiça ambiental" e riscos de racionamento, alertam especialistas.

Data centers crescem com IA e levantam alerta sobre consumo de água

Cientistas apontam que, para além do uso de energia renovável, políticas públicas que tenham em seu escopo grandes centros de dados devem considerar de forma ampla o impacto hídrico dessas estruturas.

Especialistas alertam para alto consumo de água por data centers em meio a incentivos do governo para atração de projetos.

Estruturas são essenciais para aplicações em inteligência artificial e para o desenvolvimento da economia digital. Pesquisadores apontam que, para além do uso de energia renovável, políticas públicas devem considerar condições locais para a segurança hídrica e transparência nas informações.

Com a ampla popularização dos recursos de inteligência artificial, cresce também a demanda pelo armazenamento e processamento de quantidades massivas de dados necessários para essas atividades. Nesse cenário, grandes projetos de data centers têm se expandido pelo mundo, frequentemente vinculados a importantes empresas de tecnologia, as big techs.

Por serem estruturas com consumo intensivo de energia, o Brasil desponta como um potencial destino para esses projetos, principalmente em virtude da sua matriz elétrica predominantemente renovável. De olho na expansão da economia digital no país, o governo federal se mobiliza para elaborar incentivos e atrair esses investimentos. Especialistas alertam que, se por um lado o alto consumo energético dos data centers seja conhecido e amplamente discutido pela opinião pública, o impacto hídrico dessas estruturas não tem recebido a mesma atenção, mas é igualmente preocupante.

Na visão de alguns desses especialistas ouvidos pelo Jornal da Unesp, debater as condições e as consequências da instalação dessas estruturas é essencial para orientar a atração de investimentos, especialmente em um contexto de incertezas climáticas e de recorrentes períodos de estiagem e crises hídricas observadas em diferentes regiões do Brasil, nos últimos anos.

De fato, estimativas sobre o consumo hídrico de grandes servidores apresentadas por pesquisadores em diferentes regiões do mundo impressionam. Em um artigo publicado na revista Applied Energy, no ano passado, cientistas da Beijing Normal University calcularam que os data centers da China consumiram, em 2022, o equivalente a 15,7 bilhões de litros de água, o que representou 2,7% do total da água consumida no país naquele ano. Para fins de comparação, esse volume equivale a aproximadamente metade do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Na mesma linha, a Agência Internacional de Energia aponta que o consumo global de água por data centers está atualmente em 560 bilhões de litros por ano. O relatório do órgão internacional publicado no ano passado vai além, prevendo que, em virtude da crescente demanda pelos recursos de IA, essa cifra deve alcançar 1,2 trilhões de litros até 2030.

Incentivos para atração de data centers

O Brasil ainda aparece como um mercado discreto para esses projetos. De acordo com o Data Center Map, plataforma que mapeia essas instalações em todo o mundo, o país possui cerca de 200 data centers, mas a maior parte de pequeno e médio porte, que costumam atender às necessidades internas de uma empresa ou fornecer serviços de processamento e armazenagem para clientes externos. As estruturas de grande porte, chamados hyperscale, estão presentes em menor número, e costumam estar vinculados a projetos de processamento de dados para a inteligência artificial e serviços de armazenamento em nuvem oferecidos pelas big techs.

Este cenário, entretanto, pode mudar em breve. Os data centers hyperscale estão no foco dos esforços do governo federal para criar um ambiente mais favorável para o desenvolvimento da economia digital no país, o que inclui incentivos para a atração de empresas multinacionais do setor. No final de 2025, foi assinada uma medida provisória que concedia isenção de impostos (PIS/Pasep, Cofins e IPI) para a aquisição de equipamentos destinados à implantação, ampliação e manutenção de data centers, chamada Redata.

Como contrapartida, o texto exigia a adoção de medidas que garantissem a soberania digital, como o armazenamento dos dados no território brasileiro, bem como a destinação de 2% dos investimentos no país em pesquisa e desenvolvimento das cadeias produtivas digitais brasileiras. Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a MP não foi votada pelo Senado, perdendo sua validade. Agora, o mesmo texto tramita na forma do Projeto de Lei 278/2026.
Data center pertencente à empresa China Telecom, o maior do país asiático, que ocupa uma área equivalente a 130 campos de futebol.

Avaliar apenas a eficiência não é o suficiente

“As atividades de processamento desses data centers geram muito calor, ao mesmo tempo, esses dispositivos são extremamente sensíveis à alta temperatura. O recurso hídrico aparece como a principal estratégia de resfriamento para a maioria dessas estruturas”, explica Leopoldo Lusquino, cientista da computação e professor do Departamento de Engenharia de Controle e Automação da Unesp, no câmpus de Sorocaba. Entre suas áreas de atuação, o docente elabora modelos para tornar a IA mais eficiente e, portanto, mais “verde”. Segundo ele, as empresas estão atentas ao impacto das suas atividades sobre os recursos naturais e têm investido no desenvolvimento de tecnologias de resfriamento mais eficientes, mas atualmente as principais opções envolvem o resfriamento a seco, com o uso de ar condicionado, por exemplo. “Isso pode ser útil em países frios, mas em países mais quentes, como o Brasil, isso aumentaria ainda mais o consumo energético”, explica.

A proposta do Redata elaborada pelo governo federal não ignora a pegada hídrica dos data centers. Segundo o texto, para ser elegível aos benefícios fiscais, a empresa deve apresentar um Índice de Eficiência Hídrica (WUE) igual ou inferior a 0,05 L/kWh por ano, além de apresentar esses dados em seus respectivos relatórios de sustentabilidade. O cálculo do volume de água dividido pelo consumo de energia é a principal métrica usada pela indústria para quantificar a eficiência hídrica de um data center. A exigência apresentada pelo governo federal, entretanto, parece fora dos padrões praticados pelas principais empresas do setor, atualmente. Em 2025, a Microsoft reportou uma média anual de 0,3 L/kWh em suas estruturas de processamento e armazenamento de dados, enquanto a Amazon publicou que seu WUE foi de 0,15 L/kWh, em 2024. A Meta, por sua vez, reportou que em 2023 obteve um WUE de 0,18 L/kWh. Nos três casos, o índice foi celebrado como uma melhora em relação aos resultados dos anos anteriores, um objetivo alcançado devido à adoção de novas tecnologias de resfriamento.

Embora seja a métrica mais usada pela indústria, especialistas apontam que o WUE, isoladamente, não deve ser o único instrumento regulatório para se determinar a pegada hídrica de um data center, sob o risco de subestimar os verdadeiros riscos sobre a água e direcionar políticas de forma inadequada. Isso porque outros fatores como uma redução esporádica no consumo de energia ou o funcionamento durante as estações mais frias do ano (que demandam menos resfriamento) podem ajudar a mascarar este índice.

Soma-se a isso o fato de que a divulgação desses dados não é uma prática comum entre todas as big techs. A Open AI, responsável pelo assistente de inteligência artificial Chat GPT, não apresenta dados do consumo de água do seu principal produto desde a versão 3, lançada em 2020. Essa falta de transparência da empresa tem despertado a curiosidade dos pesquisadores. Um artigo publicado por cientistas da Universidade da Califórnia estimou que apenas o treinamento da versão 3 da ferramenta utilizou 700 mil litros de água, e que a ferramenta consome 500 mil (equivalente a uma garrafa plástica) para cada 20 a 50 interações. Segundo os autores, essa variação se deve às condições geográficas e climáticas em que o data center é instalado.
Data centers viram vilões – e a indústria tenta mudar essa imagem

Disputa por imagem: como o setor de data center tenta reconquistar a opinião pública diante da resistência das comunidades.

Alto consumo em uma região em estresse hídrico

Atualmente, dos cerca de 200 data centers em funcionamento no Brasil, mais de 80 estão em um eixo entre São Paulo e Campinas. A proximidade dessas estruturas a grandes empresas e indústrias e a disponibilidade de mão de obra qualificada ajudam a entender a escolha desses projetos pela região. Ao mesmo tempo, com 59% de sua energia produzida a partir de fontes renováveis, o estado de São Paulo atende às exigências do Redata que demandam fontes de energia limpas para abastecer os projetos.

Ainda assim, a presença de novos empreendimentos em regiões localizadas nas bacias hidrográficas do Alto-Tietê e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) pode ser preocupante. As duas bacias estão entre as mais populosas e mais pressionadas do Brasil em termos de recursos hídricos, e viveram episódios de restrição de consumo nos últimos anos em virtudes de períodos de estiagem. “No caso da bacia do PCJ, ela já é naturalmente uma bacia deficitária porque ela transfere água para o sistema Cantareira, que abastece boa parte da população da cidade de São Paulo”, explica o hidrólogo Rodrigo Manzione.

Docente no Departamento de Geografia e Planejamento da Unesp, no câmpus de Ourinhos, Manzione chama a atenção ainda para o perfil de consumo desses data centers, que precisam do fornecimento contínuo de água para o resfriamento dos processadores. “Como seria possível, numa região de intenso consumo de água, garantir a segurança hídrica para um empreendimento como esse? Somente por meio da exploração de água subterrânea”, afirma. “Nesse contexto, retirar do solo uma água de altíssima qualidade que foi naturalmente filtrada ao longo de 15 mil anos para resfriar um data center não me parece um fim muito nobre para esse recurso”, questiona.

Diante do estímulo governamental e da popularização do uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial, o aumento no número de data centers no país parece inevitável. Os especialistas, entretanto, concordam que as formulações das políticas de incentivo devem ir além da oferta de fontes renováveis ou de métricas de consumo de água e precisam contemplar particularidades territoriais, segurança hídrica e a transparência de dados para que o crescimento da economia digital no país não se torne mais uma atividade econômica de alto impacto em nossos recursos naturais.
Por que data centers consomem tanta energia e água?

Se pedir para ele gerar uma foto, uma pesquisa realizada pelo MIT Technology Review em 2023 estimou que o gasto de recursos pode ser 30 vezes maior do que isso nos data centers da inteligência artificial. É o mesmo tanto de água que gastamos para dar uma carga completa em nossos celulares. (jornal.unesp)

Super El Niño no radar: evento raro pode disparar calor e extremos até 2027

Modelos climáticos apontam fenômeno raro com potencial de intensificar calor, secas e chuvas extremas. Calor extremo - El Niño: em 2025 caus...