Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
terça-feira, 21 de julho de 2026
É urgente resfriar nossas cidades
Para podermos debater
soluções práticas para a sua região, você poderia me dizer:
• O seu bairro tem muita ou
pouca arborização?
• Quais ações de adaptação climática você gostaria de ver implementadas na sua cidade?
Entre ilhas de calor, ar-condicionado e energia solar, o planejamento urbano virou questão de sobrevivência
Enquanto especialistas já
falam em “desastre térmico” para 2026, repensar como resfriamos as cidades
brasileiras deixou de ser luxo e virou prioridade.
Morando no Rio de Janeiro, há
mais de 30 anos, percebo claramente que a cidade está cada vez mais quente. Não
é o calor de praia, aquele que a gente escolhe enfrentar de sunga e protetor
solar. É o calor que sobe do asfalto às 6 da tarde, que não dá trégua nem
depois que o sol se põe, que faz o ventilador girar a noite inteira sem
realmente resfriar nada.
Se você mora em uma metrópole
brasileira, provavelmente sabe exatamente do que estou falando e, nos últimos
anos, esse calor tem chegado mais cedo, ficado mais tempo e batido mais
recordes.
Não é impressão. O Brasil
viveu 10 ondas de calor em 2024, 8 em 2023 e 7 em 2025, mesmo sem a
ajuda do El Niño. E agora, com a possível formação de um “Super El Niño” na
segunda metade de 2026, meteorologistas já falam abertamente em recordes de
temperatura pela frente. Virou comum ouvir especialistas descreverem o fenômeno
como um “desastre térmico”: um tipo de tragédia que não aparece em imagens de
enchente ou deslizamento, mas que se instala silenciosamente nos hospitais, nas
casas superaquecidas e na rotina de quem trabalha na rua.
E é justamente nas cidades
que esse problema fica mais evidente. Foi pensando nisso, revisitando um
rascunho de ideias que eu vinha anotando sobre o tema e as matérias que já
publicamos, que resolvi organizar essas reflexões neste texto.
É claro que não tenho a pretensão de esgotar o assunto e nem esse é o objetivo. Mas acho que podemos refletir juntos.
O que são as ilhas de calor e porque elas pioram tudo
Se você já sentiu que o seu
bairro parece “mais quente” do que o parque ou a praia mais próxima? Chamamos
isso de ilha de calor, o fenômeno pelo qual áreas com muito concreto, asfalto e
pouca vegetação retêm e irradiam calor de forma muito mais intensa do que
regiões mais verdes ao redor. Bairros com trânsito intenso, prédios colados uns
nos outros e quase nenhuma árvore acabam registrando temperaturas visivelmente
mais altas do que zonas rurais ou parques próximos.
O problema é que as grandes
cidades brasileiras ainda carregam fragilidades enormes nesse campo. Falta
arborização, faltam estratégias estruturadas de resfriamento urbano, e sobra
concreto.
Um levantamento recente
mostrou que a maioria dos municípios brasileiros ainda não tem sequer um plano
de ação formal para lidar com o calor extremo e isso apesar de o risco recair,
de forma desproporcional, sobre idosos, pessoas com doenças crônicas e
moradores de regiões mais vulneráveis, como aponta a Fiocruz.
Resfriamento passivo
Antes de pensarmos em
qualquer solução tecnológica, existe algo mais simples e mais barato, que costuma
ficar em segundo plano no debate público: o resfriamento passivo. Isso
significa investir em arborização urbana de verdade, em telhados e fachadas
mais claras (que refletem calor em vez de absorvê-lo), em corredores de
ventilação entre os prédios, em mais áreas permeáveis e menos asfalto.
É um tipo de solução que não
aparece em nenhuma inauguração vistosa, mas que muda a temperatura de um bairro
inteiro em poucos graus, o que pode ser suficiente para reduzir internações,
mortes prematuras e o sofrimento silencioso de quem não tem para onde fugir do
calor.
Só que o resfriamento
passivo, sozinho, não dá conta de tudo, especialmente em dias de onda de calor
extrema, quando a temperatura simplesmente não cede nem à noite. É aí que entra
o resfriamento ativo, e o ar-condicionado se torna, para muita gente, a única
forma de sobreviver ao verão com dignidade.
O problema é que essa solução
carrega um efeito colateral perigoso. Quanto mais calor, mais gente liga o
ar-condicionado, e mais pressão isso coloca sobre um sistema elétrico que já
opera no limite em horários de pico.
O resultado é uma equação
desconfortável com mais consumo de energia, mais sobrecarga na geração e na
distribuição, e contas de luz mais caras justamente para quem menos pode pagar
por elas.
A desigualdade é uma questão central e precisamos focar também na justiça energética. A “pobreza de resfriamento” nos lembra, de forma irrefutável, que a luta contra as mudanças climáticas é, no fundo, uma luta por justiça social. O clima não aquece de forma igualitária. Ele aquece os que já têm menos proteção, já vivem nas margens, já carregam o peso de um sistema que historicamente ignorou suas necessidades.
Energia solar urbana
Como resfriar as cidades com
o planeta cada vez mais quente
É exatamente aqui que a
energia solar urbana deixa de ser só uma boa ideia de sustentabilidade e passa
a ser uma resposta estrutural ao problema. O Brasil já ultrapassou a marca de
46 gigawatts de capacidade solar instalada, e a maior parte dela, mais de 37
GW, vem justamente da geração distribuída dos telhados solares residenciais e
comerciais espalhados por milhões de imóveis pelo país.
Cada telhado com painéis
solares é, na prática, uma pequena usina que ajuda a aliviar a rede exatamente
quando ela mais precisa: nos dias quentes, quando o sol que aquece a cidade
também está gerando energia para resfriá-la. É um ciclo elegante, quase
poético, o mesmo sol que castiga também pode aliviar, desde que a gente saiba
aproveitá-lo.
Claro, o cenário não é isento
de desafios. O aumento na cobrança do chamado “Fio B” (que remunera a
distribuidora pelo uso da rede) e a alta de impostos de importação sobre
painéis e equipamentos têm encarecido novos projetos em 2026.
Outro desafio é o
“curtailment”. Segundo Heitor Scalambrini Costa, a expansão descontrolada de
parques renováveis sem infraestrutura de transmissão adequada gera paradoxo:
Brasil tem energia, mas não consegue aproveitá-la.
O curtailment é a redução
intencional da geração de energia, especialmente em usinas de fontes renováveis
como eólica e solar, quando a produção excede a capacidade de consumo ou
transmissão do sistema.
Sol sobre a Medina de
Marrakesh, no Marrocos. Países em desenvolvimento da África e da Ásia devem
enfrentar os piores impactos das altas temperaturas resultantes das mudanças
climáticas. Devido ao efeito das ilhas de calor urbanas, as cidades são
especialmente suscetíveis a esses impactos.
Se os telhados solares
resolvem parte do problema, ainda falta uma peça importante: o que fazer com
toda essa energia depois que o sol se põe, justamente no fim da tarde, quando o
calor acumulado no dia ainda pede ar-condicionado e a rede elétrica entra no
seu horário de pico.
É aí que entram as usinas de
armazenamento em baterias, os chamados sistemas BESS. Elas guardam o excedente
de energia solar gerado durante o dia para usá-lo (ou despachá-lo para a rede)
justamente nos momentos de maior demanda, funcionando como um amortecedor para
todo o sistema elétrico.
O
mercado brasileiro de armazenamento cresceu 140% em instalações residenciais e
comerciais só entre 2024 e 2025, e o país já se prepara para o primeiro grande
leilão de reserva de capacidade dedicado a baterias, com potencial de reduzir o
uso de termelétricas mais caras e poluentes justamente nos picos de consumo
causados pelo calor.
Você está sentido a sua
cidade cada vez mais quente? Esse fenômeno, que atinge os grandes centros
urbanos e traz um enorme desconto térmico aos seus habitantes, é chamado de
“ILHAS DE CALOR”.
Volto àquela caminhada no fim
de tarde com a qual comecei este texto. Toda vez que sinto o calor subindo do
chão, penso em quantas escolhas de décadas passadas; a árvore que não foi
plantada, o rio que virou avenida, o prédio que tapou a ventilação de um
quarteirão inteiro, se acumulam naquele instante de desconforto. E penso também
que ainda dá tempo de escolher diferente.
Resfriar as cidades
brasileiras diante de ondas de calor cada vez mais frequentes não vai depender
de uma única solução mágica. Vai exigir arborização e resfriamento passivo,
pensados como política pública séria, uso inteligente e acessível do
ar-condicionado, e um investimento inteligente em energia solar urbana e
armazenamento em baterias, capazes de sustentar essa demanda sem sobrecarregar
o sistema, nem pesar ainda mais no bolso de quem já sente o calor com mais
intensidade.
O verão que vem e os que
virão depois dele não vão esperar. (ecodebate)
domingo, 19 de julho de 2026
Aquecimento reduz o crescimento das árvores
Estudos
mostram impactos diretos e mensuráveis no desenvolvimento das árvores em
resposta às mudanças climáticas:
•
Crescimento mais lento: O estresse térmico e a falta de água provocam o
fechamento estomático, reduzindo o crescimento dos troncos. Pesquisas
publicadas na EcoDebate apontam que modelos climáticos superestimam em até 30%
a capacidade de armazenamento de carbono das florestas devido a esse
descompasso.
•
Ciclo de vida reduzido: Em regiões tropicais, o aumento da temperatura global
faz com que as plantas cumpram seu ciclo mais rapidamente, o que resulta em
árvores que crescem mais velozes e morrem mais cedo, detalha o portal
#Colabora.
•
Limites de temperatura: A fotossíntese opera de forma otimizada em médias
próximas a 34°C. Temperaturas acima de 40°C nas copas podem causar danos
irreversíveis às folhas, comprometendo o crescimento e a sobrevivência da
espécie.
• Acúmulo de reservas afetado: Árvores expostas a secas e calor na estação seca gastam suas reservas de amido e açúcares para se manter, deixando menos energia disponível para o crescimento quando chega o período de chuvas, segundo a Revista Pesquisa Fapesp.
Um novo estudo da Cornell University revela que o aquecimento está travando o crescimento das florestas, mesmo quando elas têm mais carbono disponível
Pesquisadores
descobriram que árvores sob aquecimento fotossintetizam, mas não crescem na
mesma proporção, um detalhe que pode estar fazendo os modelos climáticos
superestimarem em até 30% a capacidade das florestas de armazenar carbono.
Tem
uma frase que ouço desde criança e que, confesso, sempre me deu um certo
alívio: “não se preocupe tanto, as florestas absorvem o carbono que a gente
emite”. Era quase um suporte emocional. A natureza dando um jeito na nossa
bagunça, enquanto a gente tentava se organizar.
Um
grupo de pesquisadores da Cornell University, liderado pelo pesquisador de
pós-doutorado Brendan Clark, publicou em 18 de junho de 2026, um estudo na
revista Geophysical Research Letters que parte de uma constatação simples, mas
incômoda: as árvores estão crescendo mais devagar com o aquecimento global,
mesmo havendo mais carbono disponível na atmosfera para elas absorverem.
Isso
é contra intuitivo, eu sei. A lógica que aprendemos na escola é direta: mais CO2
no ar, mais “alimento” para a fotossíntese, mais crescimento. Só que a equipe
de Clark mostrou que essa conta não está fechando como deveria.
O
motivo tem o nome técnico de turgor, ou pressão de turgescência, mas a
explicação é quase poética de que em climas mais secos e quentes, as células
das árvores perdem água. E sem água suficiente dentro das células, elas não
conseguem se dividir e crescer, mesmo que a fotossíntese continue acontecendo
normalmente.
Em outras palavras: a árvore está “comendo”, mas não está “crescendo”. E é exatamente aí que mora o problema.
Fotossíntese não é a mesma coisa que crescimento
Essa
foi a frase do estudo que mais me marcou, dita pelo próprio Brendan Clark: os
modelos climáticos atuais partem da premissa de que fotossíntese e crescimento
são processos equivalentes. Só que, segundo as novas evidências, frequentemente
não são.
Isto
é como avaliar a saúde financeira de alguém só pelo quanto essa pessoa ganha,
sem considerar que boa parte do dinheiro pode estar travada, sem conseguir ser
usada para nada. A árvore “ganha” carbono através da fotossíntese, mas se as
condições climáticas não permitem que esse carbono se transforme em madeira,
tronco, raiz, ou seja, em crescimento real, ele simplesmente não se converte em
armazenamento de longo prazo.
E os modelos que usamos hoje para prever o futuro do clima não estavam considerando esse detalhe.
Os números que deveriam nos preocupar
Para
testar a hipótese, Clark usou dados de pesquisas realizadas com florestas na
Suíça, que acompanharam o crescimento de árvores de folha larga e de coníferas
durante 8 anos. O padrão observado lá já havia sido identificado também na
América do Norte e na Amazônia, de que o clima mais seco e mais quente reduz o
crescimento das árvores, independentemente da quantidade de carbono disponível
para fotossíntese.
Com
esses dados, ele construiu um modelo estatístico que projeta o crescimento das
árvores e o armazenamento de carbono até 2069, comparando essa projeção com
simulações de um dos modelos de superfície terrestre mais usados no mundo,
daqueles que orientam políticas públicas, acordos climáticos e decisões
bilionárias.
O
resultado foi expressivo. Os modelos atuais podem estar superestimando o
crescimento das árvores de folha larga em até duas vezes, e o das coníferas em
até 3 vezes. Isso significa árvores menores do que o previsto, especialmente
nas regiões que devem se tornar mais quentes e secas nas próximas décadas e,
por consequência, bem menos carbono armazenado do que os planos climáticos
atuais assumem.
Para colocar em perspectiva:
hoje, a vegetação terrestre absorve cerca de 27% de todo o carbono que emitimos
ao queimar combustíveis fósseis, enquanto os oceanos absorvem outros 25%. O
restante fica na atmosfera, alimentando o aquecimento. Se essa fatia de 27%
encolher, porque as florestas não estão crescendo como o esperado, o
aquecimento pode acelerar de um jeito que ainda não estamos contabilizando
direito.
Professor
Daniele Visioni, da Cornell e autor sênior do estudo, resumiu bem o espírito da
descoberta: quanto mais a comunidade científica observa, mais evidente fica
que, com o avanço do aquecimento, vai ficar mais difícil para a natureza “dar
conta do recado” sozinha.
E
aqui está o ponto que, para mim, é o mais sensível de todo o estudo. Não é que
as florestas tenham deixado de ser aliadas importantes no combate à crise
climática. É que talvez a gente estivesse contando demais com elas e super
dimensionando o quanto elas conseguiriam compensar nossas próprias emissões.
Clark
só chegou a essa descoberta porque um colega ecólogo, Shan Kothari, comentou
com ele sobre essas novas evidências de campo. A partir daí, Clark começou a
frequentar congressos de ecologia florestal só para entender melhor o fenômeno,
apesar de sua formação ser voltada para modelagem climática, não para ecologia
de campo.
Ele
próprio reconheceu que existe um certo distanciamento entre quem estuda as árvores
de perto, no campo, e quem constrói os grandes modelos matemáticos que tentam
prever o clima do planeta. E que esse tipo de ponte, entre quem observa a
natureza e quem a traduz em equações, é exatamente o que precisa acontecer com
mais frequência.
Acho que isso diz algo importante sobre ciência e sobre a vida, na verdade. Às vezes a resposta para um problema complexo não está em mais dados, mas em conversar com quem está olhando para o problema de um ângulo diferente do seu.
Clark já está trabalhando no próximo passo: desenvolver um código que outros pesquisadores possam incorporar diretamente aos seus modelos climáticos, para que esse efeito do crescimento mais lento das árvores passe a ser considerado nas previsões.
A
ideia é simples de explicar e gigantesca de executar, ajustar a peça que
faltava no quebra-cabeça, para que as próximas gerações de modelos climáticos
sejam mais precisas do que as atuais.
Confesso
que, no fim das contas, esse tipo de descoberta não me deixou mais pessimista,
mas me deixou mais atento. Existe uma diferença entre “a natureza vai resolver
isso por nós” e “a natureza é uma aliada poderosa, mas com limites que
precisamos respeitar e entender”.
As
árvores continuam fazendo seu trabalho silencioso, lá fora, mesmo sob calor e
seca. Só que talvez estejam fazendo um pouco menos do que a gente gostaria de
acreditar.
E
saber disso, em vez de nos desanimar, deveria nos dar ainda mais clareza sobre
onde colocar nossa energia. Não podemos e não devemos esperar que a floresta
cresça mais rápido, mas em garantir que ela tenha as condições e o tempo para
continuar crescendo, no ritmo que for possível. (ecodebate)
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Temperaturas globais manterão níveis máximos em 2026-2030
Relatórios
recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que a temperatura
média global se manterá em níveis próximos a recordes históricos entre 2026 e
2030, oscilando entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais.
•
Superando o Limite: Há 91% de chance de que, em pelo menos um ano entre 2026 e
2030, a temperatura ultrapasse temporariamente o limite crítico de 1,5°C.
•
Potencial Recorde: Existe uma probabilidade de 86% de que ao menos um dos anos
neste período supere o ano de 2024, que detém a marca de ano mais quente já
registrado.
•
Projeção de Longo Prazo: Essas altas temperaturas sustentadas mostram que a
janela para estabilizar o aquecimento global exigirá reduções drásticas e
imediatas nas emissões.
As previsões de temperatura média para os próximos cinco anos apontam para "uma tendência preocupante nas condições do El Niño", especialmente em 2027 e 2028.
Um termômetro de farmácia marca 36°C na Piazza di Spagna, em Roma, durante uma onda de calor no início da temporada na Europa.
A
ONU alertou em 28/05/26 que as temperaturas médias globais deverão permanecer
"em níveis recordes ou próximos dos recordes" entre 2026 e 2030, com
75% de probabilidade de que a média para esses 5 anos exceda os níveis pré-industriais
em mais de 1,5°C.
Os
anos de 2015 a 2025 foram os 11 mais quentes já registrados, indicou a
Organização Meteorológica Mundial (OMM) em março, e a tendência deve continuar,
de acordo com um novo relatório desta agência das Nações Unidas.
Segundo
o boletim da OMM sobre previsões climáticas anuais e decenais em escala
mundial, compilado pelo Serviço Meteorológico do Reino Unido, há também 86% de
probabilidade de que o recorde de ano mais quente já registrado, atualmente
detido por 2024, seja quebrado em algum dos anos entre 2026 e 2030.
"Um
evento El Niño é esperado até o final de 2026, o que aumentou a probabilidade
de que o ano seguinte, 2027, seja o próximo ano a quebrar o recorde",
afirmou Leon Hermanson, autor principal do boletim, que resume as previsões
fornecidas por 13 institutos diferentes.
As
previsões de temperatura média para os próximos cinco anos no centro do
Pacífico tropical apontam, segundo a OMM, para "uma tendência preocupante
nas condições do El Niño", especialmente em 2027 e 2028.
O
El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro
e leste do Pacífico equatorial. Geralmente ocorre em intervalos de dois a sete
anos e normalmente dura de nove a doze meses.
O último El Niño, em 2023 e 2024, resultou em um dos anos mais quentes já registrados. Esse fenômeno cíclico tem um efeito dominó no clima mundial por vários meses.
Calor no Ártico
Segundo
o relatório, a temperatura média global deverá permanecer elevada nos próximos
cinco anos, com projeções indicando que se manterá próxima de recordes
históricos.
De
acordo com a OMM, entre 2026 e 2030, as temperaturas médias anuais da
superfície global estarão, em geral, entre 1,3°C e 1,9°C acima da média dos
níveis pré-industriais (1850-1900).
E é
"muito provável" (em 91%) que a temperatura média da superfície
global ultrapasse temporariamente a média de 1850-1900 em mais de 1,5°C por
pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Esse limite já foi ultrapassado
temporariamente em 2024, quando a temperatura média da superfície global foi
cerca de 1,55°C superior aos níveis pré-industriais.
No
entanto, segundo o boletim, é "extremamente improvável" (menos de 1%)
que a temperatura média global da superfície ultrapasse a média de 1850-1900 em
mais de 2°C em qualquer um dos próximos cinco anos.
A
OMM observa que os limites de 1,5°C e 2,0°C estabelecidos no Acordo de Paris
sobre o clima referem-se ao aquecimento "a longo prazo durante um período
prolongado, geralmente avaliado em 20 anos".
O
fato de a temperatura média global anual ultrapassar esses limites em alguns
anos não significa que as metas de temperatura do Acordo de Paris não possam
ser alcançadas, explicou a agência.
Segundo
a OMM, esses limites serão ultrapassados temporariamente, embora de forma cada
vez mais frequente, à medida que o aquecimento global "se aproxima"
deles.
As
previsões também mostram que o aquecimento no Ártico deve continuar e
claramente ultrapassar a tendência observada em escala global.
Nos próximos cinco invernos prolongados do Hemisfério Norte (novembro a março), a temperatura no Ártico deverá ser 2,8 °C superior à normal de 1991-2020.
O Ártico volta a acender os alarmes climáticos: a OMM prevê que esta região continuará a aquecer muito mais rapidamente do que a média global, com efeitos sobre o gelo marinho, os ecossistemas e os padrões meteorológicos à escala global.
OMM
alerta para a possibilidade de novos recordes de calor: um ano entre 2026 e
2030 poderá superar o histórico 2024
Um
novo relatório da Organização Meteorológica Mundial prevê que as temperaturas
globais se manterão próximas de níveis recorde durante os próximos 5 anos. O
sinal é claro: o planeta continua a acumular calor e a margem para agir está a
diminuir.
Segundo
as previsões para o período de março/2026 a março/2035, a concentração de gelo
nos mares do Ártico diminuirá nos mares de Barents, Bering e Okhotsk.
Além disso, a precipitação será acima da média nas altas latitudes do Hemisfério Norte durante os próximos cinco invernos prolongados.
O calor extremo continuará a marcar a agenda climática global: a OMM alerta que um novo recorde de temperatura poderá ser atingido antes de 2030. (otempo)
Onda de calor que está reescrevendo a história climática da Europa
Tem
uma frase, que li de uma moradora de Bruxelas, repetida em uma reportagem, que considero assustadora: “E se, no futuro, tivermos que viver
esse tipo de situação dia após dia?” Com 25 anos, ela estava tentando se
refrescar numa fonte pública, junto com outras dezenas de pessoas que fugiam do
calor da forma que conseguiam.
Essa
pergunta resume bem o que está acontecendo na Europa agora. Porque o que
estamos vendo não parece mais um evento isolado, daqueles que a gente lembra
por décadas como “o verão de tal ano”. Parece, cada vez mais, um ensaio do
normal.
Vamos
aos números, porque eles contam a história melhor do que qualquer adjetivo.
Na
madrugada de segunda para terça-feira, a França registrou a noite mais quente
desde que o país começou a medir temperaturas, em 1947. O indicador nacional,
uma média entre as temperaturas diurnas e noturnas de 30 estações
meteorológicas, chegou a 29,8°C segundo dados provisórios da Meteo-France. A
temperatura mínima média do país bateu 21,6°C, superando o recorde anterior, de
julho de 2019.
Pode
parecer só um número, mas noites quentes assim são particularmente perigosas. O
corpo humano precisa de horas de temperatura mais baixa para se recuperar do
calor acumulado durante o dia. Quando essa pausa não existe, o risco para a
saúde aumenta, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com
doenças crônicas.
Boa
parte das reportagens desta semana menciona um termo que talvez você não
conhecesse até agora: bloqueio ômega. É o fenômeno meteorológico que está
sustentando essa onda de calor e, segundo meteorologistas, pode continuar
influenciando o clima europeu por dias ou até semanas.
A
explicação, de forma simples, é a seguinte: uma massa de ar frio posicionada
perto de Portugal funciona como uma espécie de bomba, empurrando para o norte o
ar quente que vem do norte da África. Esse padrão cria uma configuração
parecida com a letra grega ômega, com ar quente concentrado no centro e ar mais
frio nas bordas. O resultado é um efeito de “tampa de panela”: o calor fica
represado, sem conseguir se dissipar e as temperaturas sobem dia após dia.
Escolas
fechadas, ferrovias paralisadas e cidades em alerta máximo
Na
prática, essa configuração atmosférica virou rotina interrompida para milhões
de pessoas.
Na
Inglaterra, dezenas de escolas anunciaram fechamento antecipado nesta
terça-feira, com previsão de continuar fechadas por mais dois dias. O Met
Office, agência meteorológica britânica, emitiu um raro alerta vermelho de
calor para partes do centro e sul do país, apenas a segunda vez que isso
acontece. As temperaturas podem chegar a 40°C, um número sem precedentes para
esta época do ano, segundo o cientista-chefe da agência, Stephen Belcher. A
linha ferroviária que liga o nordeste da Inglaterra a Londres chegou a emitir
um alerta de “não viajar”.
Na
França, onde mais de 90% da população vive sob alerta vermelho ou laranja por
calor extremo, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre anunciaram fechamento
antecipado. Em Paris, pais de uma escola primária colaram cobertores térmicos
nas janelas das salas de aula e juntaram dinheiro para comprar toldos para o
pátio porque os ventiladores que receberam, segundo uma das mães envolvidas,
“não diminuem a temperatura nas salas”.
Calor
extremo atinge níveis jamais vistos na França e abala a Europa.
Um
dos detalhes mais inquietantes dessa onda de calor é que ela não está poupando
os lugares que deveriam proteger as pessoas mais vulneráveis.
Na
Espanha, a falta de ar-condicionado em alguns hospitais levou o sindicato de
enfermagem SATSE a denunciar publicamente as condições de trabalho. Segundo o
sindicato, as temperaturas em algumas unidades atingem e superam os 30°C, bem
acima do limite de 27°C estabelecido por lei para ambientes de trabalho. A
orientação recebida pelos profissionais, de acordo com a denúncia, foi fechar
janelas e baixar persianas “o máximo possível”.
Na França, a situação levou a central nuclear de Golfech, no sudoeste do país, a ser desligada: a temperatura da água do rio Garona, usada para refrigerar os reatores, chegou perto dos limites operacionais seguros.
As mortes que o calor não causa diretamente, mas provoca
As
ondas de calor na Europa fazem parte de um novo e perigoso padrão climático.
Um
dos números mais duros desta semana não veio de termômetros, mas de balanços de
busca e resgate.
Em
reunião de crise, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, classificou
como uma “triste calamidade” o fato de que cerca de 40 pessoas, a maioria
jovens, morreram afogadas na França desde 18 de junho, ao buscar rios, lagos e
canais para se refrescar do calor. Na Alemanha, a polícia confirmou cinco
mortes em acidentes de natação apenas durante o último fim de semana.
É
uma das consequências menos óbvias e mais trágicas das ondas de calor extremo:
o desespero por refrescar o corpo leva muita gente a se arriscar em águas que
não conhece, sem supervisão, em busca de um alívio rápido.
Trabalhadores
que não têm a opção de ficar em casa
Enquanto
autoridades de praticamente todos os países afetados recomendam evitar esforço
físico nas horas mais quentes do dia, beber água e redobrar os cuidados com
pessoas vulneráveis, uma parte da população simplesmente não tem essa escolha.
Trabalhadores
de uma fábrica da Stellantis perto de Mulhouse, na França, anunciaram que vão
encerrar seus turnos mais cedo entre terça e domingo, em protesto contra as
condições de trabalho durante o calor extremo. É um gesto pequeno frente ao
tamanho do problema, mas que expõe algo real: para muita gente, “ficar em casa
no calor” é um privilégio, não uma opção.
Áustria, Polônia, Hungria e Croácia também emitiram alertas de calor para parte de seus territórios, e serviços de emergência na Hungria e na Eslovênia já registram pedidos de ajuda de pessoas idosas.
É “só mais um verão quente”?
Mundo
registra ano a ano cada vez mais quente
A
pergunta que fica e que a moradora de Bruxelas fez de forma tão simples é se
episódios como este vão continuar sendo excepcionais ou se vão se tornar parte
do calendário europeu.
A
resposta da ciência climática, de forma consistente, aponta para a segunda
opção. Ondas de calor recorrentes são um dos sinais mais claros do aquecimento
global e cientistas vêm alertando que elas devem se tornar mais frequentes,
mais longas e mais intensas à medida que a humanidade continua queimando
combustíveis fósseis. Não é a primeira onda de calor da Europa neste ano — em
maio, o continente já havia enfrentado um episódio histórico de calor antecipado
— e especialistas apontam que esse padrão, de eventos extremos cada vez mais
próximos uns dos outros, tende a se repetir.
Talvez
o mais difícil de processar nessa história não sejam os números em si, mas a
sensação de que estamos vendo, em tempo real, o momento em que um “recorde
histórico” deixa de ser uma curiosidade de jornal e passa a ser um aviso sobre
o que vem a seguir. (ecodebate)
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Ultrapassar 1,5°C do Acordo de Paris é cada vez mais provável
Cientistas
de 17 países confirmam que o aquecimento global acelerou e o tempo para agir
está acabando.
Embora
alguns anos isolados já tenham registrado médias acima de 1,5°C, a violação
permanente do acordo é calculada em médias de longo prazo. A Organização
Meteorológica Mundial e o estudo dos Indicadores Globais de Mudança Climática
indicam que o planeta está acumulando calor de forma acelerada, com o planeta
ultrapassando a marca crítica por volta de 2030, a menos que haja uma redução
drástica nas emissões.
As temperaturas médias globais já superaram picos de anomalia, indicando que o planeta está prestes a atingir o limite crítico de segurança do Acordo de Paris de forma sustentada por volta de 2030. A ciência aponta que o "orçamento de carbono" restante será consumido rapidamente se o ritmo atual de emissões se mantiver.
O aquecimento global é medido como a mudança na temperatura média global a longo prazo em relação aos níveis pré-industriais (1850-1900). O cenário climático atual apresenta dados alarmantes:
•
Aquecimento Atual: A atividade humana já é responsável por quase 1,36°C a
1,37°C desse aquecimento.
•
Anos Anteriores: Em anos recentes, a anomalia superou a marca simbólica de
1,55°C em períodos de 12 meses.
•
Impactos: Ultrapassar 1,5°C aumenta drasticamente a frequência de eventos
climáticos extremos. O aquecimento pode chegar a projeções entre 2,3°C e 2,5°C
até o final do século se medidas drásticas não forem adotadas.
A
urgência desse cenário evidencia a importância de compreender a física e os
relatórios climáticos que regem o planeta.
Existe
um tipo de notícia que a gente lê, fecha a aba do navegador e até gostaria de
não ter lido. Não porque seja mentira, mas justamente porque é verdade demais.
O mais recente relatório de Indicadores de Mudanças Climáticas Globais (IGCC),
publicado na revista científica Earth System Science Data, é exatamente esse
tipo de notícia.
Eu poderia resumir tudo numa frase e ir embora: estamos em maus lençóis. Mas achei que seria mais honesto e mais útil tentar conversar sobre o que esse relatório realmente diz, sem catastrofismo desnecessário, mas também sem minimizar a crise climática.
Quando os números deixam de ser abstratos
Mais
de 70 cientistas, de 56 instituições espalhadas por 17 países, incluindo
autores que contribuem diretamente com o IPCC (o painel climático da ONU), se
debruçaram sobre os dados do clima global e chegaram a conclusões que merecem
atenção de todos nós, não apenas de pesquisadores e formuladores de políticas
públicas.
O
que me impressionou logo de cara foi a escala dessa colaboração. Não é um
estudo de um único laboratório com uma agenda específica. É uma fotografia
coletiva, tirada de múltiplos ângulos, por pessoas que passam a vida inteira
estudando exatamente isso. E a foto que elas revelaram não é bonita.
1,37°C:
Uma fração de grau que muda tudo
O
aquecimento global causado pela atividade humana chegou a 1,37°C em 2025. E a
projeção é que ultrapasse a marca de 1,5°C em cerca de quatro anos, aquele
limiar que a comunidade científica e os acordos internacionais, como o Acordo
de Paris (2015), tratam como uma linha crítica que não deveríamos cruzar.
“Tá,
mas 1,37°C parece pouco…” Eu entendo essa reação. O problema é que o sistema
climático não funciona como o nosso termostato doméstico. Uma variação de
frações de grau na temperatura média global é suficiente para alterar padrões
de chuva, intensificar secas, prolongar ondas de calor e desequilibrar
ecossistemas inteiros. É como uma febre no corpo humano: 37°C é normal, 38°C é
alerta, 40°C é emergência. A diferença de poucos graus muda tudo.
Além disso, a taxa de aquecimento está no nível mais alto já registrado: 0,27°C por década. Isso significa que o termômetro não está apenas alto, como está subindo mais rápido do que nunca.
Recorde atrás de recorde
2025
foi o terceiro ano mais quente desde que temos registros confiáveis de
temperatura global. E 2024 deixou outra marca histórica nada celebrável: as
emissões globais de gases de efeito estufa atingiram 56,8 bilhões de toneladas
de CO2 equivalente, o maior volume já registrado, impulsionado
principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
Para
colocar em perspectiva, seria como se cada ser humano no planeta tivesse emitido
cerca de sete toneladas de CO2 em 2024. Crianças, idosos, populações
que vivem em comunidades sem acesso à eletricidade, todos “contabilizados” numa
conta que não escolheram abrir.
Há
um detalhe técnico no relatório que me chamou a atenção e que merece menção, de
que parte do aquecimento que estava sendo “mascarado” começa a aparecer agora,
porque estamos reduzindo as emissões de dióxido de enxofre (SO2), um
poluente que, apesar de ser prejudicial à saúde, tinha um efeito colateral de
resfriar levemente a atmosfera. Com a melhoria na qualidade do ar, esse “véu”
se desfaz e mais calor fica exposto. É um paradoxo cruel da crise climática.
O
nível do mar que sobe milímetro a milímetro
Desde
1901, o nível médio global dos oceanos subiu 23 centímetros. Em 2025, esse
número chegou a um novo recorde. A taxa atual é de cerca de 1,8 milímetro por
ano e está acelerando.
Eu
sei que 1,8 mm soa irrisório. Mas pense que essas frações de milímetro se
acumulam ao longo de décadas e décadas e o efeito não é linear. Comunidades
costeiras em Bangladesh, ilhas do Pacífico, partes do litoral brasileiro,
lugares que já sentem inundações mais frequentes, erosão costeira mais intensa,
salinização de aquíferos que abastecem populações inteiras. Meios de
subsistência destruídos. Ecossistemas de manguezal comprometidos.
Quando o relatório diz que esse aumento “pode parecer pouco”, mas já está prejudicando vidas reais, não é retórica científica. É um fato documentado em comunidades que têm nome e endereço.
O oceano também está febril
Uma
das métricas recém incluídas no relatório é o número de dias com ondas de calor
marinhas. Em 2025, o mundo registrou 65 dias de ondas de calor nos oceanos.
Sessenta e cinco dias.
Os
oceanos absorvem enorme parte do calor que lançamos na atmosfera e são, em
certa medida, nossos maiores aliados na regulação climática. Quando eles
aquecem demais, corais morrem em branqueamento em massa, espécies migram para
latitudes mais frias, a cadeia alimentar marinha se desorganiza. E há um efeito
de retroalimentação: oceanos mais quentes absorvem menos CO₂, o que significa
mais gás na atmosfera, o que significa mais aquecimento.
O
desequilíbrio energético da Terra, a diferença entre o calor que entra e o
calor que consegue sair, continua crescendo. E os oceanos são o principal
termômetro disso.
Três
anos. É o que sobrou.
Esta
é a parte que me deixou mais desconfortável ao ler o relatório.
O
chamado orçamento de carbono, a quantidade total de CO2 que ainda
podemos emitir para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C, é estimado em 130
gigatoneladas de CO2 a partir do início de 2026. Nos níveis atuais
de emissões, esse orçamento se esgota em aproximadamente três anos.
Três anos não é uma geração.
Não é tempo suficiente para uma transição energética completa, para mudar toda
a matriz industrial global, para convencer governos e corporações de que o
caminho atual é insustentável. É, honestamente, um prazo que já passou de
urgente.
Isso não significa que o mundo vai acabar em três anos, porque o clima não funciona com gatilhos instantâneos. Significa que ultrapassar 1,5°C se torna cada vez mais provável, e com isso os impactos se intensificam em cascata. Mais eventos extremos, mais pressão sobre sistemas de saúde, mais insegurança alimentar e hídrica, mais refugiados climáticos.
E agora, o que fazer?
Essa
é a pergunta que fica depois de ler um relatório como esse. E eu não tenho uma
resposta simples e acho que ninguém tem.
O
que o relatório deixa claro é que o problema não é falta de conhecimento. Os
dados estão lá, precisos e atualizados por dezenas dos melhores cientistas do
planeta. A questão é política, econômica, cultural. É sobre escolhas que
sociedades fazem ou evitam fazer coletivamente.
Em
escala individual, consumo consciente, pressão política, eco cidadania ativa,
escolhas de mobilidade e alimentação importam. Mas o relatório é enfático que é
necessário agora um aumento massivo dos esforços de descarbonização em escala
sistêmica, nesta década, não na próxima.
Fechei
a leitura do relatório sentindo o peso daqueles 130 gigatoneladas, como se
fossem uma contagem regressiva. Não uma contagem para o fim do mundo, mas para
um ponto de não retorno em que as escolhas que fazemos hoje vão definir que
tipo de futuro vai ser possível para quem vem depois de nós.
Não é uma boa sensação. Mas acho que é uma sensação necessária.
Emissões globais anuais de GEE antropogênico por fonte, 1970-2024. Conjuntos de dados com um asterisco (∗) indicam as fontes usadas para compilar emissões totais globais de gases de efeito estufa após a avaliação do WGIII em (a). CO2 -emissões equivalentes em (a) e (f) são calculadas usando GWP100 do AR6 WGI Chap. 7 (Forster et al., 2021). As emissões de gases F em (a) compreendem apenas as emissões de gases F da UNFCCC (ver Sect. 2.1 para uma lista de espécies). As emissões de gases F em (f) referem-se a gases F da UNFCCC, exceto para “CIP v2026 [ODS F-gases]”. Algumas das principais diferenças descritas entre conjuntos de dados (por exemplo, entre GCB v2025 e JRC-NGHGI v3.1 no painel c) são devidos a limites de sistema variados, em vez de incertezas subjacentes nos níveis de atividade ou fatores de emissões.
Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?
Meta
estabelecida no Acordo de Paris buscava evitar impactos extremos do clima, como
secas, elevação do mar e colapso de geleiras. Estudos recentes mostram que o
mundo pode já ter ultrapassado esse ponto crítico. (ecodebate)
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