sábado, 27 de junho de 2026

Relatório sugere recordes de temperatura global nos próximos anos

Novo relatório sugere mais recordes de temperatura global nos próximos anos.

Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta 75% de chance de o aquecimento global superar temporariamente a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e 86% de probabilidade de que algum ano entre 2026 e 2030 supere o recorde de 2024.

Principais projeções do relatório:

• Novos recordes: O recorde do ano mais quente (batido em 2024) pode ser quebrado já nos próximos ciclos, impulsionado pela tendência de formação de um novo fenômeno El Niño.

• Limites de Paris: É previsto que a temperatura média global fique entre 1,3°C e 1,9°C acima da era pré-industrial durante o período de 2026 a 2030. Cruzar a linha de 1,5°C temporariamente não decreta o fim do Acordo de Paris, já que ele mede a média a longo prazo (20 anos), mas reforça o alerta climático.

• Impactos locais: O Ártico deve aquecer mais de 3,5 vezes a média global. Isso causa derretimento de gelo e perturbações nos sistemas meteorológicos, gerando eventos climáticos extremos.

O Observatório do Clima e o Valor Econômico destacam que a atualização, liderada pelo Met Office do Reino Unido, serve como um forte sinal de que a estabilização climática precisa ser acelerada.

As temperaturas médias globais provavelmente continuarão em níveis recordes ou próximos a eles nos próximos cinco anos, com anomalias de temperatura no Ártico previstas para continuarem acima da média global, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), produzido pelo Met Office do Reino Unido.

Concurso de Calendário da OMM 2026

A Atualização Global Anual a Decenal também analisa o clima observado nos últimos cinco anos e fornece previsões regionais de temperatura e precipitação para os próximos cinco anos. 

Prevê-se que as temperaturas médias globais anuais próximas à superfície durante o período de 2026 a 2030 variem entre 1,3°C e 1,9 °C acima da média de 1850-1900. É provável (86% de chance) que um ano entre 2026 e 2030 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registrado, de acordo com a atualização.

É muito provável (91% de chance) que a temperatura média global próxima à superfície ultrapasse temporariamente 1,5°C acima dos níveis médios de 1850-1900 por pelo menos um ano entre 2026 e 2030. Esse nível também foi ultrapassado temporariamente em 2024, quando a temperatura média global da superfície estava cerca de 1,55°C acima da linha de base pré-industrial.

É provável (75% de chance) que a média quinquenal de 2026-2030 exceda 1,5°C acima da média de 1850-1900. Considera-se extremamente improvável (menos de 1%) que qualquer ano isolado exceda 2°C acima da média de 1850-1900 nos próximos cinco anos.

A previsão da temperatura média para os próximos cinco anos no Pacífico tropical central (região Niño 3.4) indica uma tendência para condições de El Niño, particularmente em 2027 e 2028, afirma o relatório.

O Dr. Leon Hermanson é o autor principal do relatório. Ele afirmou: “Há uma previsão de El Niño para o final de 2026, o que aumenta as chances de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde”.

Jovem lava o rosto à medida que a temperatura aumenta em Nova Déli, na Índia

A atualização é produzida pelo Met Office do Reino Unido, em sua função de Centro Líder da OMM para Previsão Climática Anual a Decenal. Ela fornece uma síntese das previsões fornecidas por 13 institutos diferentes, incluindo 4 Centros Globais de Produção: Centro de Supercomputação de Barcelona, Centro Canadense de Modelagem e Análise Climática, Serviço Meteorológico Alemão (Deutscher Wetterdienst) e Met Office.

A confiança nas previsões da temperatura média global anual próxima à superfície é alta, visto que as previsões retrospectivas demonstram um alto grau de precisão.

Níveis de 1,5°C à 2°C especificados no Acordo de Paris referem-se ao aquecimento de longo prazo sustentado por um período prolongado, normalmente avaliado ao longo de 20 anos. Anos isolados com temperaturas médias globais anuais superiores a esses níveis não significam que as metas de temperatura de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance. Espera-se que ultrapassagens temporárias ocorram com frequência crescente à medida que o aumento subjacente da temperatura global se aproxime desses níveis. (ecodebate)

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país

Mata Atlântica registra menor desmatamento em 40 anos e impulsiona nova economia baseada na restauração florestal

Recuperação da vegetação nativa ganha força no Brasil, gera créditos de carbono, movimenta a bioeconomia e cria oportunidades para produtores rurais.

A Mata Atlântica concentra 64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, representando cerca de 131 mil hectares em regeneração. O bioma é considerado um local ideal para a restauração em larga escala, visto que restam menos de 30% da sua cobertura florestal original.

Os números e contextos atuais destacam o cenário da recuperação:

• Área em Recuperação: O bioma lidera a restauração no país, enquanto a Amazônia registrou crescimento de 173% na área monitorada em 4 anos.

• Reversão de Perdas: Apesar de uma média de 155 mil hectares de florestas jovens se regenerarem anualmente, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que cerca de 30% dessa regeneração é perdida novamente ao longo dos anos.

• Investimentos e Metas: Os esforços visam ajudar o país a cumprir as metas do Acordo de Paris e do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

• Biodiversidade em SP: Projetos como os da Fundação Florestal têm monitorado o retorno de espécies raras a áreas protegidas no estado, como antas e o Muriqui do Sul.

Mata Atlântica.

No ano em que registra o menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.

Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658 hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.

O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.

Restauração da Mata Atlântica vira oportunidade econômica

O potencial econômico da Mata Atlântica

Os benefícios econômicos da restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de regulamentação e aprimoramento técnico.

“A governança já estabelecida na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”, afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas”.

Restauração produtiva também abre caminhos para a bioeconomia. Modelos como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Silvipastoris, que integram espécies nativas a produção agrícola, a exemplo de consórcios de café e cacau com espécies nativas, são um dos caminhos produtivos sustentáveis em paisagens fragmentadas da Mata Atlântica. Essa prática permite que produtores rurais se beneficiem de serviços ecossistêmicos como polinização e controle natural de pragas, aumentando a qualidade dos produtos e reduzindo custos.
Mata Atlântica atinge menor desmatamento em 40 anos e mira nova economia da restauração

Paralelamente, a silvicultura de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9 milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e internacional”.

Apesar dos avanços, a conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2 milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre), conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a Coalizão Brasil.

“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.

Mata Atlântica é bioma ideal para restauração ganhar escala

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país, segundo plataforma

Os números reforçam o esforço nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site observatoriodarestauracaoorg.br. (ecodebate)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O Brasil está preparado para o El Niño 2026?

Especialistas indicam que o Brasil possui tecnologia para prever os fenômenos, mas ainda está vulnerável estruturalmente. O governo federal montou um grupo de especialistas para monitorar os eventos extremos e os impactos do possível "Super El Niño", já que o país historicamente esbarra na dificuldade de incorporar o risco ambiental ao planejamento territorial.

O cenário de preparação é dividido por regiões:

• Região Norte e Nordeste: Enfrentam o risco de secas severas, especialmente na Amazônia.

• Região Sul: Prepara-se para o aumento de eventos extremos, chuvas volumosas e temporais.

• Região Sudeste (incluindo Jundiaí): O padrão exige monitoramento devido ao risco de instabilidades intercaladas com ondas de calor intenso e irregularidade de chuvas, o que impacta os reservatórios.

Debates no Senado e painéis ambientais têm reforçado a necessidade urgente de aperfeiçoar as políticas públicas de prevenção e resiliência da infraestrutura.
Modelos climáticos apontam para um episódio forte ou muito forte entre 2026 e 2027 e a maior ameaça ao país não é o fenômeno em si, mas as nossas velhas vulnerabilidades

Com probabilidade acima de 90% de formação do El Niño no segundo semestre de 2026, cientistas alertam que temos ciência de ponta para prever, mas seguimos falhando em proteger quem está no caminho da catástrofe.

Nem todo El Niño produz os mesmos efeitos, e é importante evitar simplificações excessivas. Mas nosso país esbarra na dificuldade histórica de incorporar o conceito de risco ambiental às suas atividades de planejamento territorial. É importante aprendermos a lidar com nossas vulnerabilidades

O fenômeno El Niño voltou a aparecer com frequência no noticiário internacional nos últimos meses. A razão é simples: alguns modelos climáticos indicam a possibilidade de desenvolvimento de um evento relativamente intenso entre 2026 e 2027. Isso não significa, evidentemente, que o planeta caminhe inevitavelmente para uma catástrofe climática global, mas chama atenção porque os episódios mais fortes de El Niño costumam alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica tropical e acaba influenciando o clima em várias regiões do planeta. A climatologia conhece esse mecanismo há bastante tempo, embora ainda existam dificuldades importantes quando se tenta antecipar, com muitos meses de antecedência, a intensidade exata de cada evento e seus impactos regionais (Trenberth, 1997; McPhaden et al., 2006).

Nem todo El Niño produz os mesmos efeitos. Os episódios de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016 ficaram conhecidos pela intensidade e pelos impactos observados em diferentes continentes, mas cada um deles apresentou características próprias. A atmosfera não responde de maneira idêntica em todos os eventos, e isso é importante para evitar simplificações excessivas.

No Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante de uma região para outra. Historicamente, a Região Sul tende a registrar aumento das chuvas durante esses episódios, enquanto áreas do Norte e do Nordeste frequentemente enfrentam redução das precipitações e períodos mais secos. Mas isso não funciona como uma regra absoluta. Outros fatores oceânicos e atmosféricos também interferem no comportamento climático sul-americano, especialmente as condições térmicas do Atlântico Tropical.

Ainda assim, existe uma preocupação compreensível em relação ao cenário atual. O país vem enfrentando, nos últimos anos, uma sequência de eventos extremos bastante significativa. Secas severas na Amazônia, enchentes no Sul, ondas de calor persistentes em diferentes regiões e incêndios florestais de grande proporção passaram a fazer parte da rotina climática recente do Brasil.

Nem todos esses eventos decorrem diretamente do El Niño, e atribuições automáticas costumam ser cientificamente problemáticas. Mas existe hoje um entendimento consolidado de que o aquecimento global pode aumentar a frequência e a intensidade de alguns extremos climáticos. Fenômenos naturais de variabilidade climática, como o El Niño, passam então a atuar sobre uma atmosfera mais quente e com maior disponibilidade de energia e vapor d’água (IPCC, 2021).

O problema brasileiro, contudo, não é apenas climático.

Desastres raramente são produzidos exclusivamente pela chuva, pela seca ou pelo calor. Eles dependem muito das condições sociais e territoriais sobre as quais esses eventos atuam. Uma mesma quantidade de chuva produz impactos completamente diferentes em cidades com infraestrutura adequada e em áreas marcadas por ocupação irregular, drenagem insuficiente e forte vulnerabilidade social.

Isso vale igualmente para as secas. Seus efeitos são muito mais graves onde há baixa segurança hídrica, maior dependência de agricultura de sequeiro e pouca capacidade de resposta institucional. Por isso, fenômenos como o El Niño acabam expondo fragilidades que já existiam antes deles.

O Brasil possui instituições científicas altamente qualificadas para monitorar o clima e produzir previsões sazonais. Houve avanços importantes nas últimas décadas em monitoramento hidrometeorológicos, modelagem climática e sistemas de alerta. Hoje existe capacidade técnica para acompanhar secas, enchentes e extremos climáticos com um nível de detalhe muito superior ao que existia há 20 ou 30 anos.
Mas conhecimento científico, sozinho, não reduz risco.

Em muitas cidades brasileiras, a expansão urbana continuou ocorrendo em áreas suscetíveis a enchentes e movimentos de massa. Em outras regiões, a pressão sobre recursos hídricos aumentou sem planejamento compatível com a variabilidade climática do país. Grande parte dos problemas aparece justamente aí: menos na ausência de informação e mais na dificuldade histórica de incorporar risco ambiental ao planejamento territorial.

Preparar-se para possíveis impactos associados ao El Niño não significa impedir a ocorrência do fenômeno. Isso simplesmente não é possível. A questão central é reduzir vulnerabilidades. Melhorar drenagem urbana, fortalecer sistemas de alerta, proteger encostas, ampliar monitoramento hidrológico e planejar melhor o uso do território continua sendo medidas muito mais efetivas do que respostas emergenciais tomadas apenas depois das tragédias.

Talvez a principal lição trazida pela discussão atual sobre o El Niño seja justamente essa. Eventos climáticos extremos fazem parte da dinâmica natural do sistema climático. O que transforma esses eventos em desastres de grandes proporções é, muitas vezes, a forma como as sociedades organizam seus territórios e lidam, ou deixam de lidar, com suas próprias vulnerabilidades.

Enner Alcântara é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais (Unesp/Cemaden), onde orienta pesquisas nas áreas de sensoriamento remoto, análise espacial e modelagem preditiva aplicada a eventos extremos.
Super El Niño está se formando e preocupando meteorologistas em todo o mundo, podendo trazer impactos históricos ao Brasil. (ecodebate)

Diminuição da população e das emissões de CO2 na China

A diminuição populacional da China e de suas emissões de CO2 não é uma coincidência, mas uma consequência direta de suas transições demográficas e energéticas. Ambas as curvas registraram picos recentes e agora caminham para um declínio estrutural, impactando a economia global e a geopolítica climática.

Transição Demográfica

• O Pico Populacional: A população chinesa atingiu seu ápice histórico de 1,43 bilhão de habitantes em 2021.

• Declínio: A partir de 2022, o país iniciou um processo de decrescimento populacional. Projeções indicam que a população pode cair para 633 milhões até 2100.

• Causas: Este fenômeno é reflexo do aumento nos custos de vida urbanos, mudanças sociais e os efeitos prolongados da antiga "política do filho único".

• Impacto Econômico: O envelhecimento populacional e a redução na base de trabalhadores vêm forçando uma retração no setor de construção civil e imobiliário, diminuindo a demanda por matérias-primas intensivas em carbono.

Transição Energética e Emissões de CO2

• Queda nas Emissões: Após décadas de forte expansão, o volume de gases do efeito estufa entrou em estabilidade e passou a registrar quedas marginais nas médias móveis dos últimos trimestres.

• Aceleração Renovável: A principal alavanca para frear as emissões tem sido o crescimento exponencial na adoção de energias renováveis. O país planeja multiplicar sua capacidade eólica e solar por mais de seis vezes e garantir que mais de 30% da energia venha de fontes não fósseis.

• Metas Climáticas Oficiais: Dentro do 15º Plano Quinquenal, o governo chinês assumiu o compromisso de reduzir a intensidade de carbono (por unidade do PIB) em 17% e promover reduções absolutas na emissão de gases.

• Qualidade do Ar: O rigoroso controle antipoluição também gerou melhorias históricas: a concentração de partículas finas (PM2.5) em Pequim, por exemplo, atingiu mínimas históricas, com quedas drásticas em relação aos níveis da década passada.
A grande novidade da China na atual década é a diminuição da população a partir de 2022, seguida da redução das emissões de CO2.

Não é coincidência, mas uma consequência da transição demográfica e da transição energética que estão mudando o cenário sociodemográfico e ambiental da maior economia do mundo (quando se considera o poder de paridade de compra).

A população da China era de 539 milhões de habitantes em 1950, atingiu 1 bilhão de habitantes em 1982, chegou ao pico de 1,43 bilhão em 2021 e começou a diminuir a partir de 2022, devendo chegar a 633 milhões de habitantes em 2100.

Nas últimas décadas, o crescimento populacional aumentou a demanda por imóveis e o setor de construção civil liderou o crescimento econômico chinês. Mas a bolha imobiliária estourou na década passada e os investimentos na transição energética (veículos elétricos, energia solar e eólica e baterias) passaram a liderar o crescimento econômico e o crescimento das exportações na atual década. Estes fatores reduziram a proporção da demanda por combustíveis fósseis e aumentaram a proporção das energias renováveis.

Matéria da Carbon Brief (Myllyvirta, 12/02/2026) mostra que as emissões de dióxido de carbono (CO2) da China caíram 1% no último trimestre de 2025, o que provavelmente garante uma redução de 0,3% para o ano todo. Isso amplia uma tendência de “estabilidade ou queda” nas emissões de CO2 da China, que começou em março de 2024 e já dura quase dois anos, como mostra o gráfico abaixo.

A grande novidade da China na atual década é a diminuição da população a partir de 2022, seguida da redução das emissões de CO2.

Não é coincidência, mas uma consequência da transição demográfica e da transição energética que estão mudando o cenário sociodemográfico e ambiental da maior economia do mundo (quando se considera o poder de paridade de compra).

A população da China era de 539 milhões de habitantes em 1950, atingiu 1 bilhão de habitantes em 1982, chegou ao pico de 1,43 bilhão em 2021 e começou a diminuir a partir de 2022, devendo chegar a 633 milhões de habitantes em 2100.

Nas últimas décadas, o crescimento populacional aumentou a demanda por imóveis e o setor de construção civil liderou o crescimento econômico chinês. Mas a bolha imobiliária estourou na década passada e os investimentos na transição energética (veículos elétricos, energia solar e eólica e baterias) passaram a liderar o crescimento econômico e o crescimento das exportações na atual década. Estes fatores reduziram a proporção da demanda por combustíveis fósseis e aumentaram a proporção das energias renováveis.

Matéria da Carbon Brief (Myllyvirta, 12/02/2026) mostra que as emissões de dióxido de carbono (CO2) da China caíram 1% no último trimestre de 2025, o que provavelmente garante uma redução de 0,3% para o ano todo. Isso amplia uma tendência de “estabilidade ou queda” nas emissões de CO2 da China, que começou em março de 2024 e já dura quase dois anos, como mostra o gráfico abaixo.

Transição demográfica e transição energética fez a China atingir o pico das emissões

Os números de CO2 indicam que a intensidade de carbono da China – suas emissões de combustíveis fósseis por unidade de PIB – caiu 4,7% em 2025 e 12% durante o período de 2020 a 2025. Mas isso está bem abaixo da meta de 18% estabelecida para esse período pelo 14º Plano Quinquenal. Além disso, a China agora precisaria reduzir sua intensidade de carbono em cerca de 23% nos próximos cinco anos para cumprir um de seus principais compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris.

Desta forma, a capacidade de geração de energia da China proveniente de fontes não fósseis, incluindo solar, eólica, nuclear e hidrelétrica, ultrapassou sua capacidade baseada em combustíveis fósseis pela primeira vez, atingindo 52% do total em fevereiro de 2026.

Apesar de liderar o investimento global na transição energética e de ter uma enorme expansão de energia limpa, a China colocou em operação 78 GW de novas usinas a carvão em 2025, o maior total anual em uma década, para garantir a segurança energética e a estabilidade das redes durante os picos de demanda.

As preocupações com a segurança energética e a pressa em avançar com projetos antes de possíveis restrições políticas significam que a China continua a ter o maior parque de usinas a carvão do mundo e responde por 71% da capacidade total global de geração de energia a carvão em desenvolvimento.

Porém, pela primeira vez na história, a China possui mais capacidade de geração de energia proveniente de fontes limpas do que de combustíveis fósseis, graças a uma década de instalações solares e eólicas em franca expansão.

A capacidade de energia limpa da China, incluindo energia nuclear e hidrelétrica, está atingindo níveis recordes, à medida que a segunda maior economia do mundo busca fazer com que suas fontes de energia domésticas – com a ajuda de uma enorme cadeia de suprimentos de painéis e baterias – atendam a uma parcela cada vez maior da crescente demanda por eletricidade.

A China não está abandonando uma fonte de energia em favor de outra; ela utiliza sua cadeia de produção doméstica para expandir as energias renováveis, enquanto ainda depende do carvão para geração de base e redes elétricas estáveis. Mas com o avanço da transição demográfica e da transição energética a China deve acelera a redução das emissões de CO2. Resta saber se esta redução será rápida o suficiente para evitar que a temperatura global ultrapasse os 2ºC, meta necessária para evitar uma catástrofe climática global. (ecodebate)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país

Mata Atlântica atinge menor desmatamento em 40 anos e mira nova economia da restauração.

A Mata Atlântica concentra 64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil, o equivalente a cerca de 131 mil hectares. Paradoxalmente, por ser o bioma mais devastado do país — restando apenas 24% de sua cobertura original —, ele apresenta o maior potencial e necessidade urgente de restauração ecológica.

O cenário atual da recuperação deste bioma envolve detalhes importantes:

Dados do Observatório: Os 131,2 mil hectares em restauração representam o maior esforço de recuperação mapeado no país, superando inclusive a Amazônia.

Reversão de Perdas: Embora a região recupere cerca de 155 mil hectares de florestas jovens por ano, um estudo recente do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica aponta que 30% dessa regeneração natural desaparece novamente.

Impacto Positivo: A restauração é vital para reconectar fragmentos florestais e garantir a segurança hídrica e climática das áreas mais populosas do país.

Para explorar os números e descobrir iniciativas de conservação, você pode acompanhar os dados completos do Observatório da Restauração ou verificar as ações de plantio da SOS Mata Atlântica.
Mata Atlântica.

No ano em que registra o menor desmatamento em quatro décadas, a Mata Atlântica chega ao seu dia nacional, celebrado em 27 de maio, como uma potencial vitrine de uma nova agenda econômica: a restauração produtiva. Antes vista sobretudo como uma ação ambiental, a recuperação da vegetação nativa vem se tornando uma alternativa estratégica para explorar atividades produtivas sustentáveis, com potencial de geração de renda e novas oportunidades para produtores rurais e comunidades.

Em 2025, o desmatamento na Mata Atlântica atingiu o menor nível registrado em toda a série histórica do monitoramento da SOS Mata Atlântica e Inpe, iniciado em 1985. Ao longo desse período, houve redução de 40% na área desmatada, que passou de 14.366 para 8.658 hectares. Esse marco reforça os avanços na conservação e políticas públicas do bioma. Em paralelo, a relevância da Mata Atlântica na agenda global de restauração se destaca, projetando-a como um laboratório de modelos capazes de integrar conservação, produção e desenvolvimento econômico.

O bioma é reconhecido desde 2022 pela ONU e pela FAO como uma das 10 Iniciativas de Referência Mundial da Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Para Cézar Borges, membro do Grupo Gestor do Observatório da Restauração, trata-se de um mérito relacionado à governança construída no território, que integra setor público, empresas, academia e sociedade civil: “Todos esses atores comprometeram-se com metas comuns para implementar e escalar a restauração no bioma, o que garante integridade às iniciativas”.

O potencial econômico da Mata Atlântica

Os benefícios econômicos da restauração se materializam em diversas iniciativas. Recentemente, ocorreu no sul da Bahia a primeira comercialização de créditos de carbono provenientes de restauração da vegetação nativa, realizada por uma empresa privada. Borges destaca que essa agenda vem se estruturando nos últimos anos e pode ser uma das alternativas no mercado de Soluções baseadas na Natureza (SbN), mas que ainda está em processo de regulamentação e aprimoramento técnico.

“A governança já estabelecida na Mata Atlântica, aliada ao histórico científico e institucional, oferece condições para que os créditos tenham maior segurança, integridade ecológica e de inclusão social, desde que as iniciativas de carbono atuem de forma integrada e com uma governança de paisagem compartilhada com os atores locais”, afirma o especialista. “Um dos desafios é garantir monitoramento e transparência, e é justamente aí que plataformas como o Observatório da Restauração desempenham papel essencial, assegurando clareza sobre quem realiza a restauração, onde e de que forma, fortalecendo a credibilidade das iniciativas”.

A restauração produtiva também abre caminhos para a bioeconomia. Modelos como os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Silvipastoris, que integram espécies nativas a produção agrícola – a exemplo de consórcios de café e cacau com espécies nativas -, são um dos caminhos produtivos sustentáveis em paisagens fragmentadas da Mata Atlântica. Essa prática permite que produtores rurais se beneficiem de serviços ecossistêmicos como polinização e controle natural de pragas, aumentando a qualidade dos produtos e reduzindo custos. 

Paralelamente, a silvicultura de espécies nativas ganha destaque com a identificação de 15 espécies de árvores de alto potencial econômico, capazes de gerar renda e emprego enquanto recuperam o ecossistema. “O lançamento do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) mostra como a agenda de silvicultura de nativas tem potencial, condições técnicas e está sendo vista de modo estratégico pelo país, com o BNDES investindo R$ 24,9 milhões para pesquisa e parcerias nessa área nos próximos cinco anos”, explica Borges. “Isso é uma sinalização de como o plantio e comércio de árvores nativas pode ser um ativo de mercado. O desafio, agora, é o ajuste em algumas normas de rastreabilidade e conexão com potenciais compradores no mercado nacional e internacional”.

Apesar dos avanços, a conservação das áreas em regeneração natural ainda é um desafio. Anualmente, a Mata Atlântica ganha, em média, 155 mil hectares de florestas jovens, de acordo com dados do MapBiomas. Nos últimos 10 anos (2011-2021), por exemplo, mais de 2 milhões de hectares foram regenerados — no entanto, 30% desse ganho foram perdidos no mesmo período, segundo a publicação científica “A long road to resilience: Large-scale forest recovery but limited persistence in the Atlantic Forest” (“Um longo caminho para a resiliência: recuperação florestal em larga escala, mas com persistência limitada na Mata Atlântica”, em tradução livre), conduzida pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, em colaboração com a Coalizão Brasil.

“Uma das soluções para a garantia da permanência das florestas secundárias é o incentivo e criação de mecanismos financeiros que valorizem estas áreas, como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e condições diferenciadas de acesso a crédito e financiamentos”, ressalta Borges.
A restauração florestal e seus efeitos na biodiversidade da Mata Atlântica

Mata Atlântica concentra 64% de toda a restauração no país, segundo plataforma.

Os números reforçam o esforço nacional de recuperação: 131,2 mil hectares da Mata Atlântica passam atualmente por esse processo, de acordo com o Observatório da Restauração (OR). Este índice equivale a 64% dos 204,2 mil hectares monitorados pela plataforma em todo o Brasil. Os dados estão disponíveis no site observatoriodarestauracao.org.br. (ecodebate)

Data centers aceleram o aquecimento global

Os data centers aceleram o aquecimento global devido ao seu enorme consumo de energia — frequentemente gerada por combustíveis fósseis — e ao uso intensivo de água para refrigeração. Essa infraestrutura, essencial para a expansão da internet e da inteligência artificial, gera impactos ambientais diretos, incluindo:

• Emissões de Gases de Efeito Estufa: Para manter milhares de servidores funcionando e processando dados continuamente, um único data center pode consumir tanta energia quanto uma cidade de 80.000 habitantes. Muitas redes elétricas ainda dependem de fontes não renováveis, o que eleva a pegada de carbono.

• Uso Extremo de Água: O resfriamento dos superchips e servidores é feito por sistemas de ar-condicionado e circulação de água. Esse processo consome milhões de litros, podendo causar escassez hídrica nas comunidades no entorno das instalações.

• Formação de Ilhas de Calor: Estudos revelam que o calor liberado na atmosfera pelos sistemas de refrigeração eleva a temperatura da superfície do ar, criando "ilhas de calor" em um raio de até dez quilômetros no entorno dessas grandes estruturas.

Para aprofundar nos dados e conhecer as medidas que as empresas estão tomando para reduzir esses impactos, acesse a análise detalhada da Revista Fapesp sobre os impactos ambientais da computação e o debate sobre energia e clima abordado pelo portal Exame.

Pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dos data centers

À medida que data centers se multiplicam, cientistas buscam medir seus impactos nas comunidades vizinhas.

Estudos já mostraram que essas instalações impactam os sistemas locais de energia e água, elevam os custos de serviços públicos e liberam poluentes nocivos. Agora, nova pesquisa indica que o calor gerado por esses complexos pode aumentar a temperatura na vizinhança.

A pesquisa, publicada em 18/05/26 no Journal of Engineering for Sustainable Buildings and Cities, analisou a poluição térmica gerada por um data center de 36 megawatts em Mesa, Arizona, e por outro de 169 megawatts na cidade vizinha de Chandler. Os pesquisadores constataram aumento de temperatura de cerca de 2°C em áreas situadas até meio quilômetro a partir do perímetro dessas instalações.

Superaquecimento vira ameaça global para data centers na era da IA

As conclusões sugerem que os data centers podem intensificar o fenômeno da “ilha de calor urbana”, em que cidades apresentam temperaturas significativamente mais elevadas do que áreas rurais próximas. “Mesmo que esses data centers contribuam apenas com 1°C ou 2°C adicionais, isso pode ter um impacto muito significativo em nossas vidas”, afirmou David Sailor, principal autor do estudo e diretor da Escola de Ciências Geográficas e Planejamento Urbano da Universidade Estadual do Arizona.

Segundo Sailor, um único data center pode gerar mais calor do que 40 mil residências. Muitas dessas instalações utilizam condensadores resfriados a ar para dissipar o calor produzido por seus servidores, criando “plumas de ar” entre 8°C e 14°C mais quentes que o ambiente. O vento, então, espalha esse ar além dos limites da instalação, ampliando o impacto.

Embora esse aumento possa parecer pequeno, é suficiente para elevar o uso de ar-condicionado em bairros inteiros, gerando ainda mais calor e criando um ciclo de retroalimentação.

Sailor ressalta que os resultados obtidos até agora podem ser conservadores: “À medida que realizarmos mais medições em diferentes condições atmosféricas, acredito que veremos impactos ainda mais significativos”. Pesquisas paralelas, ainda não publicadas, sugerem que data centers podem criar ilhas de calor com alcance de até 10 quilômetros.

Com a construção de novos data centers próximos a cidades vulneráveis ao calor extremo, compreender e mitigar seus efeitos sobre as temperaturas locais será muito importante, lembrando que problemas similares devem ocorrer no Brasil: na grande São Paulo está se instalando um dos 10 maiores data centers do mundo. (ecodebate)

domingo, 21 de junho de 2026

Poluição plástica reduz a absorção de CO2 pelo fitoplâncton

Pescador navega no “oceano de plástico”. Imagem ilustrativa.

A poluição plástica interfere diretamente na capacidade do oceano de absorver e estocar dióxido de carbono CO2. O fitoplâncton, responsável por cerca de metade de toda a fotossíntese da Terra, tem sua eficiência reduzida pelas partículas de plástico nos oceanos.

Essa redução na absorção de CO2 acontece por meio de três fatores principais:

• Sombra e bloqueio de luz: Os microplásticos que flutuam na superfície reduzem a transmissão de luz solar na água, dificultando a fotossíntese realizada pelo fitoplâncton.

• Danos celulares: Partículas plásticas podem se fixar na membrana desses microrganismos e até mesmo romper suas paredes celulares, diminuindo sua capacidade de transformar CO2 em oxigênio e energia.

• Prejuízo à "bomba biológica": O carbono absorvido pelo fitoplâncton é naturalmente transportado para as profundezas do oceano quando ele é consumido pelo zooplâncton. A ingestão de plástico altera o processo digestivo desses animais, impedindo que o carbono seja armazenado no fundo do mar.

Estudos indicam que esse bloqueio prejudica um dos maiores mecanismos naturais de regulação climática do planeta, o que acelera o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Para entender mais sobre o impacto dos resíduos na regulação do clima, consulte o documento oficial sobre oceano e clima do Ministério do Meio Ambiente.

Além de poluir praias e oceanos, partículas microscópicas de plástico ameaçam a capacidade das algas de absorver o CO2 e combater o aquecimento global.

Você já parou para pensar que cada segundo respiro que você dá vem do oceano? Embora as florestas tropicais recebam toda a fama como os “pulmões do mundo”, mais de 70% do nosso planeta é coberto por águas que abrigam um exército silencioso de trabalhadores: o microplâncton. Essas minúsculas plantas unicelulares realizam quase metade de toda a fotossíntese da Terra, convertendo luz solar e dióxido de carbono (CO2) no oxigênio que respiramos.

No entanto, um novo e indesejado vizinho está ameaçando esse equilíbrio vital. Os microplásticos, minúsculas partículas de poluição que já alcançaram desde as costas populosas até os remotos mares do Ártico, estão interferindo na capacidade básica dessas algas de sobreviver e nos proteger.

Poluição por plástico pode afetar retirada de CO2 da atmosfera.

O pulmão azul sob ataque

O oceano é o nosso maior aliado contra as mudanças climáticas, absorvendo entre 25% e 30% de todo o CO2 gerado pelas atividades humanas. O fitoplâncton é a peça-chave desse processo, transformando o carbono em energia para construir suas células.

O problema, como explica a pesquisadora Francesca Verones, da NTNU, é que os microplásticos não são apenas uma poluição visual. Eles afetam o crescimento das algas de formas cruéis: bloqueiam a luz solar necessária para a fotossíntese, causam danos físicos diretos e podem até liberar substâncias tóxicas, como o PVC.

Onde o impacto é maior?

Através de modelos computacionais e dados de laboratório, pesquisadores descobriram que o impacto não é igual em todo o globo. As regiões áridas e tropicais são as mais vulneráveis. Nessas zonas, estima-se que a presença de plástico reduza a absorção de carbono entre 25.000 e 48.000 toneladas por ano.

Pode parecer pouco perto das duas bilhões de toneladas que o oceano absorve anualmente, mas há um alerta importante: “Devemos ter em mente que a quantidade de microplásticos no oceano está aumentando constantemente”, adverte Verones. Todo o plástico descartado hoje, um dia, chegará ao mar.

Mundo pode reduzir poluição plástica em 80% até 2040

Além do carbono: A Tripla Crise Planetária

A ameaça aos microplânctons não é um evento isolado. Ela faz parte do que a ONU classifica como a “tripla crise planetária”:

As alterações climáticas;

A poluição desenfreada;

A perda de biodiversidade.

Esses três desafios estão interconectados. Quando o plástico prejudica as algas, ele acelera o aquecimento global (crise climática) e destrói a base da cadeia alimentar marinha (perda de biodiversidade).

Para encontrar uma saída, precisamos parar de olhar para os problemas de forma isolada. Entender como o plástico que usamos no dia a dia afeta seres microscópicos no meio do oceano é o primeiro passo para garantir um futuro viável para o nosso planeta.

Afinal, ao proteger o fitoplâncton, estamos, literalmente, protegendo o nosso próximo respiro. (ecodebate)

Relatório sugere recordes de temperatura global nos próximos anos

Novo relatório sugere mais recordes de temperatura global nos próximos anos. Um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta ...