domingo, 1 de março de 2026

Agricultura urbana pode aumentar a segurança alimentar nas cidades

Agricultura urbana pode contribuir para segurança alimentar nas cidades em tempos de crise climática

A agricultura urbana aumenta a segurança alimentar nas cidades ao fornecer acesso direto a alimentos frescos, orgânicos e nutritivos, reduzindo a dependência de longas cadeias de suprimentos. Essa prática combate a fome, gera renda, diminui a pegada de carbono e fortalece a resiliência climática.

Principais Benefícios e Características:

Segurança Alimentar e Nutricional: Proporciona acesso a alimentos de qualidade e, muitas vezes, é usada para autoconsumo, aumentando o bem-estar e melhorando a dieta da população.

Sustentabilidade e Meio ambiente: Auxilia na redução da poluição, diminui as ilhas de calor e melhora a qualidade do ar e da água, contribuindo para cidades mais sustentáveis.

Impacto Econômico e Social: Gera empregos, fomenta o associativismo e oferece oportunidades de lazer e educação ambiental.

Eficiência e Espaço: Projetos orgânicos e agroecológicos podem ser tão produtivos quanto os rurais, utilizando terrenos baldios ou áreas comunitárias.

Iniciativas no Brasil, como o Horta Carioca, demonstram o potencial de transformar áreas urbanas em fontes de produção local, sendo incentivado pelo governo para melhorar a resiliência.
O programa Hortas Cariocas, da prefeitura do Rio de Janeiro, produz 70 toneladas/ano em alimentos orgânicos biofortificados, entre frutas, verduras e legumes.

Em um mundo cada vez mais urbanizado, onde o acesso a alimentos frescos e nutritivos se torna um desafio crescente, a agricultura urbana surge como uma alternativa promissora para garantir a segurança alimentar das populações nas grandes cidades.

Pesquisas recentes demonstram que o cultivo de alimentos em áreas urbanas não apenas é viável, mas pode se tornar fundamental para o abastecimento das metrópoles brasileiras.

Potencial produtivo surpreendente

Estudos apontam que a agricultura urbana orgânica e agroecológica pode ser tão produtiva quanto a rural, desmistificando a ideia de que apenas grandes áreas rurais são capazes de produzir alimentos em escala significativa. Pesquisas globais indicam que hortas urbanas podem cultivar frutas e vegetais suficientes para alimentar até 15% da população mundial.

No caso brasileiro, isso representaria um impacto substancial na segurança alimentar das capitais, onde a dependência de alimentos transportados de longas distâncias gera problemas logísticos, encarece produtos e aumenta a pegada de carbono associada à alimentação.

Agricultura urbana pode ser resposta criativa à crise climática

Benefícios para as cidades brasileiras

A implementação de projetos de agricultura urbana nas capitais brasileiras traz múltiplos benefícios:

• Acesso a alimentos frescos: Comunidades urbanas passam a ter acesso direto a produtos agrícolas colhidos no mesmo dia, preservando nutrientes e sabor

• Redução de custos: A diminuição das distâncias entre produção e consumo reduz o preço final dos alimentos

• Sustentabilidade ambiental: Menor transporte significa menos emissões de gases de efeito estufa

• Geração de empregos: A agricultura urbana cria oportunidades de trabalho em áreas com altos índices de desemprego

• Aproveitamento de espaços ociosos: Terrenos baldios, telhados e áreas subutilizadas ganham função produtiva

Experiências bem-sucedidas

Diversas iniciativas em capitais brasileiras já demonstram o potencial da agricultura urbana. Em São Paulo, hortas comunitárias em terrenos públicos abastecem famílias e restaurantes locais.

No Rio de Janeiro, projetos em comunidades, como o Horta Carioca, não apenas produzem alimentos, mas promovem educação nutricional e geração de renda.

Belo Horizonte, reconhecida internacionalmente por suas políticas de segurança alimentar, integrou a agricultura urbana ao planejamento municipal, criando uma rede de produção que abastece escolas e restaurantes populares.

Agricultura urbana pode contribuir para segurança alimentar nas cidades em tempos de crise climática

Desafios e perspectivas

Apesar do potencial, a expansão da agricultura urbana no Brasil enfrenta desafios como a especulação imobiliária, que valoriza terrenos para construção em detrimento de áreas verdes produtivas, e a falta de políticas públicas específicas para o setor.

Especialistas defendem a necessidade de incluir a agricultura urbana nos planos diretores das cidades e criar linhas de financiamento específicas para pequenos produtores urbanos.

A capacitação técnica também é apontada como essencial para garantir a produtividade e sustentabilidade das iniciativas.

Um futuro mais verde e seguro

A agricultura urbana representa não apenas uma alternativa para a produção de alimentos, mas uma transformação na relação das cidades com seu abastecimento.

Em tempos de mudanças climáticas e crescimento populacional, reinventar os espaços urbanos como áreas também produtivas pode ser uma estratégia fundamental para garantir o futuro alimentar dos brasileiros.

À medida que mais pesquisas comprovam a viabilidade e os benefícios dessas iniciativas, cresce a expectativa de que as cidades brasileiras possam, gradativamente, avançar em direção à autossuficiência na produção de hortaliças, frutas e outros alimentos essenciais, contribuindo para uma população mais saudável e um meio ambiente mais equilibrado.

Hortas criadas em terrenos ociosos podem colher toneladas de alimentos todo mês

Mas, para que isto ocorra, preciso que as administrações municipais compreendam a importância da agricultura urbana e efetivamente incorporem a sua adoção no planejamento urbano, inclusive destinando os espaços necessários e destinando recursos técnicos para que a iniciativa seja bem-sucedida. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Degradação induzida pelo aquecimento global

Degradação induzida pelo aquecimento global pode aumentar o LCOE de solar em telhados em até 20%.

Um estudo global concluiu que as mudanças climáticas aumentarão drasticamente os riscos de altas temperaturas, acelerarão a degradação e elevarão os custos dos sistemas fotovoltaicos em telhados, afetando principalmente as regiões economicamente desfavorecidas. Os pesquisadores alertam que as normas IEC atuais subestimam os riscos futuros e necessitam atualizações urgentes para evitar ativos obsoletos e o aumento dos custos de energia elétrica.
Um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores concluiu que as mudanças climáticas aumentarão os riscos de altas temperaturas, degradação acelerada e custos mais elevados para sistemas fotovoltaicos em telhados em todo o mundo. Combinando modelos climáticos com simulações de degradação de painéis fotovoltaicos e análises econômicas, os pesquisadores projetaram quais regiões do mundo com sistemas solares em telhados seriam mais afetadas e identificaram onde os módulos provavelmente sofrerão mais com o aumento das temperaturas.

“Esta é a primeira análise global que quantifica como as mudanças climáticas afetarão os riscos de altas temperaturas para painéis solares em telhados, que são particularmente vulneráveis à degradação porque os espaços de montagem restritos retêm o calor”, disse o autor principal, Haochi Wu, à pv magazine. “Estudos anteriores examinaram as perdas de eficiência devido ao aquecimento ou às mudanças na irradiação solar — fatores que causam impactos modestos e, muitas vezes, incertos. Nós abordamos um ponto cego: a degradação acelerada devido às altas temperaturas operacionais sustentadas, que ninguém havia modelado sistematicamente em escala global sob cenários climáticos futuros”.

Wu destacou que suas descobertas mostram que a indústria solar precisa adaptar “urgentemente” seus padrões de risco de alta temperatura para um futuro mais quente.

“A norma internacional atual, IEC-63126, define onde ocorre o risco de altas temperaturas com base em dados meteorológicos históricos — aproximadamente o período de 1998 a 2020”, disse ele. “Nossa análise mostra que essa norma representa apenas 74% da capacidade global em risco sob um aquecimento de 2°C e apenas 48% sob um aquecimento de 4°C. Se as normas não forem atualizadas para refletir as projeções climáticas futuras, tanto investidores quanto instaladores subestimarão o risco de degradação, levando a ativos obsoletos e custos inesperados de substituição”.

Para elaborar suas projeções, a equipe utilizou uma cadeia de modelos com diversos componentes. O primeiro incorporou dados climáticos futuros de 20 modelos do CMIP6, uma coleção de simulações climáticas de última geração que projetam as condições até 2100. Seguindo o crescente consenso sobre a quantificação dos impactos climáticos, eles avaliaram os efeitos de um aquecimento de 1 a 4°C, em intervalos de 0,5°C, em relação ao período pré-industrial.
Em seguida, os modelos operacionais de sistemas fotovoltaicos calcularam a temperatura que os sistemas instalados em telhados atingiriam. Utilizando dados de modelos climáticos — incluindo a irradiação solar projetada, a temperatura do ar e a velocidade do vento — eles estimaram as temperaturas dos módulos e a geração de energia por hora em todo o mundo. Todas as simulações consideraram módulos de silício cristalino (c-Si) em telhados inclinados a 20° voltados para o equador (azimute de 180° ou 0°). De acordo com as normas da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), um risco de alta temperatura (HTR) padrão ocorre quando o percentil 98 das temperaturas dos módulos excede 70°C, enquanto um HTR extremo ocorre acima de 80°C.

Por fim, a equipe aplicou o modelo físico-químico de Arrhenius para simular o envelhecimento dos módulos com base na temperatura. Considerando uma degradação inicial de 0,66% ao ano e definindo um módulo como inutilizável após uma perda de potência de 20%, eles calcularam o custo nivelado da energia (LCOE) para módulos submetidos a temperaturas mais altas, vidas úteis mais curtas e produção anual reduzida.

“A magnitude do aumento do LCOE realmente chamou a atenção. Com um aquecimento de 2,5°C, algumas regiões veem aumentos no custo nivelado de energia de até 20% — aproximadamente 3 vezes maiores do que os impactos das mudanças na eficiência ou na irradiação solar, que foram o foco de pesquisas anteriores”, disse Wu. “A desigualdade desse aumento também se destacou. Áreas economicamente desfavorecidas — África, Sul da Ásia, partes da América do Sul — enfrentam aumentos de custos substancialmente maiores do que as regiões mais ricas. Com um aquecimento de 4°C, o impacto do LCOE dobra nas regiões mais vulneráveis em comparação com as menos vulneráveis. A indústria solar frequentemente apresenta a energia fotovoltaica distribuída como uma ferramenta para a equidade energética, mas nossos resultados mostram que, sem adaptação, as mudanças climáticas podem comprometer essa promessa. As mudanças climáticas não apenas aumentam a degradação globalmente; elas ampliam a desigualdade entre as regiões”.

A equipe também descobriu que, com um aquecimento de 4°C, a capacidade global de energia fotovoltaica em telhados exposta ao risco de altas temperaturas quase dobra em comparação com os níveis históricos.

“Fornecemos mapas de referência globais atualizados que podem servir de base para revisões de normas”, concluiu. “Durante nossa pesquisa, estivemos em contato com especialistas do Comitê Técnico 82 da IEC — o órgão responsável pelas normas de sistemas de energia solar fotovoltaica. Eles demonstraram grande interesse em nosso trabalho de mapeamento do risco de altas temperaturas em cenários climáticos futuros. Aguardamos com expectativa uma colaboração mais aprofundada com o comitê para ajudar a traduzir essas descobertas em diretrizes atualizadas”.
Os resultados da pesquisa foram apresentados no artigo “Climate change will increase high-temperature risks, degradation, and costs of rooftop photovoltaics globally”, publicado na revista Joule. Cientistas da Universidade de Pequim e da Universidade de Zhejiang, na China, bem como da Universidade de Michigan e da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, contribuíram para a pesquisa. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Maior obra do mundo avaliada em R$ 875 bilhões pode mudar a rotação da TERRA

A represa das Três Gargantas na China, frequentemente citada em conjunto com novos megaprojetos hidrelétricos orçados em cerca de R$ 875 bilhões (US$ 167 bilhões), é uma obra tão massiva que tem o potencial de alterar a rotação da Terra. A retenção de 40 bilhões de m3 de água pode aumentar a duração do dia em microssegundos.

Pontos principais sobre a obra e seu impacto:

A "Obra que Muda a Terra": A represa das Três Gargantas, no rio Yangtzé, é a maior usina hidrelétrica do mundo. Estudos da NASA indicaram que o armazenamento de sua imensa massa de água deslocou o eixo da Terra em cerca de 2 centímetros e desacelerou sua rotação.

**Novo Megaprojeto de R$ 875 bilhões), visando gerar 300 bilhões de kWh anuais.

Consequências Geofísicas: A redistribuição de uma quantidade tão grande de massa altera o momento de inércia da Terra, causando um efeito mensurável na rotação, embora pequeno em escala humana.

Impacto Energético e Preocupações: O projeto visa garantir segurança energética e controle de inundações, mas gera preocupações em países vizinhos como Índia e Bangladesh devido ao impacto no fluxo de rios e riscos ambientais.

A obra representa uma das maiores intervenções de engenharia já feitas pelo ser humano, capaz de impactar a física do planeta.
A maior obra do mundo está sendo realizada na China, gigante país asiático que constrói a represa conhecida como Três Gargantas. O projeto é tão grandioso que fez com que o planeta Terra tivesse sua rotação alterada e o eixo deslocado, de acordo com informações divulgadas pela NASA.

Como foi apontado pela NASA, a Terra viu sua rotação desacelerar em 0,06 microssegundos por dia e o eixo deslocado em 2 centímetros devido à grande massa de água de 40 bilhões de metros cúbicos abrigados na represa. No ano passado, uma nova obra no local foi confirmada sob o investimento de US$ 167 bilhões (cerca de R$ 875 bilhões na cotação atual).

A nova represa será ainda maior do que a das Três Gargantas e vai produzir uma quantidade estimada de energia quase três vezes superior à da construção anterior. Ao todo, serão 5 represas em cascata que gerarão 300 bilhões de kWh anuais para a China e que tem levado nações vizinhas, como Índia e Bangladesh, a muitas preocupações.

Obra gigante na China foi capaz de mudar a rotação da Terra

A estimativa é de que a construção só seja 100% concluída em 2030, fazendo com que a China avance ainda mais na transição energética. Por outro lado, Índia, Bangladesh e o próprio Tibete acreditam que a obra dessa magnitude pode trazer graves consequências para a região.

O maior temor é que haja terremotos na região e o que poderia acontecer caso a represa tivesse algum problema no futuro. Essa grande massa de água deixou os moradores da região em alerta para possíveis desastres. A represa chinesa será a maior do mundo, assim como o maior projeto hidrelétrico já construído. (correiodoestado)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missão contra o plástico

Em missão contra o plástico, projeto que limpa a maior ilha de lixo do planeta bate recorde de coleta.
Nova tecnologia retira mais de 100 mil toneladas de lixo do oceano

Organização anuncia marco e afirma que resíduos coletados passam por certificação.

A organização The Ocean Cleanup, fundada por Boyan Slat, bateu recorde histórico em 2025 ao remover 25 milhões de kg de plástico da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, totalizando mais de 45 milhões de kg retirados do oceano. Utilizando barreiras em formato de "U", o projeto visa limpar 90% do lixo flutuante até 2040.

Aqui estão os detalhes da operação:

Recorde de 2025: A coleta de 25 milhões de kg representa um marco significativo, superando expectativas anteriores.

Tecnologia (Sistema 03): O projeto utiliza barreiras flutuantes gigantescas de cerca de 800 metros, que navegam lentamente para concentrar o lixo, utilizando o próprio movimento das correntes oceânicas.

Foco Duplo: Além de limpar o Pacífico, a organização atua na fonte, instalando barreiras em rios poluídos na Ásia e América para impedir que o plástico chegue ao mar.

Meta Ousada: A iniciativa busca remover 90% do plástico flutuante dos oceanos até 2040, combatendo o "lixo legado" (antigo) e impedindo novos detritos.

Impacto Ambiental: O sistema foi projetado para evitar que os detritos se transformem em microplásticos, protegendo a fauna marinha durante a coleta.

O sistema, frequentemente aprimorado, iniciou testes com cerca de 9 toneladas e evoluiu para escalas maciças de remoção.

The Ocean Clean Up quer limpar 90% do plástico dos oceanos até 2040 e já retirou 45 milhões de quilos de lixo do mar.
Inconformado com a poluição dos mares, o inventor holandês Boyan Slat, de 31 anos, estabeleceu a meta de retirar plásticos de oceanos e rios ao redor do mundo até 2040. A iniciativa ganhou escala após o empreendedor apresentar, em 2012, então com apenas 16 anos, um projeto para remover resíduos marinhos durante uma palestra no TED que se tornou viral e impulsionou uma campanha de financiamento coletivo.
Slat fundou a organização The Ocean Cleanup, que já arrecadou cerca de 40 milhões de euros e lhe rendeu o título de “Campeão da Terra”, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia surgiu após o jovem relatar frustração ao observar, durante mergulhos, a presença de mais plásticos do que peixes em áreas oceânicas.
Resíduos plásticos coletados dos mares pelo projeto The Ocean Cleanup.

O principal laboratório da organização é a chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um aglomerado de resíduos plásticos com cerca de 1,6 milhão de km² localizado entre o Havaí e a Califórnia. Para enfrentar o problema, a iniciativa desenvolveu sistemas conhecidos como “interceptores”, que funcionam como barreiras capazes de capturar resíduos que variam de pequenos fragmentos, com poucos milímetros, a grandes detritos, como redes de pesca descartadas.

Os equipamentos utilizam modelagem matemática para prever a movimentação do lixo conforme as correntes marítimas, permitindo otimizar a coleta. Três sistemas de remoção já estão em operação e, segundo estimativas do fundador, a implantação de dez unidades poderia viabilizar a limpeza da mancha no Pacífico antes da expansão do projeto para outras regiões.

Sistema usado por ONG na Grande Mancha de Lixo do Pacífico utiliza redes e embarcações para remover plástico flutuante do oceano.

Os resultados recentes indicam avanço na operação. Em 2025, a The Ocean Cleanup retirou mais de 25 milhões de quilos de resíduos de ambientes aquáticos, elevando o total acumulado para mais de 45 milhões de quilos. Segundo a organização, o desempenho é resultado de anos de pesquisa, decisões orientadas por dados e da adaptação das tecnologias às realidades locais.

Para alcançar a meta de remover 90% do plástico flutuante nos oceanos até 2040, o projeto aposta em uma estratégia integrada. Além da retirada de resíduos já presentes no mar, a organização investe na interceptação de lixo em rios, em ações de limpeza em áreas costeiras e no uso de pesquisas sobre poluição marinha para embasar políticas públicas internacionais.

Interceptador de lixo instalado pela The Ocean Cleanup em parceria com a ONG Marea Verde, no Panamá.

Entre as novas frentes, a The Ocean Cleanup lançou o programa 30 Cities, apresentado na Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice, no ano passado. A iniciativa pretende atuar em áreas urbanas consideradas entre as maiores responsáveis pela entrada de plástico nos mares, com potencial de reduzir até um terço dessa poluição.

A organização também afirma trabalhar em parceria com autoridades locais, comunidades e empresas para estruturar soluções de gestão de resíduos que mantenham resultados de longo prazo. Graças à parceria com a ONG panamenha Marea Verde, por exemplo, a startup já atua no Rio Abajo, no Panamá. A parceria tem como objetivo atuar em sete bacias dentro da cidade para impedir que o lixo chegue ao Golfo do Panamá.

Ações de limpeza costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para livrar o ambiente marinho do lixo, a organização afirma que não é suficiente apenas interromper a entrada de resíduos, sendo necessário também enfrentar o chamado "lixo legado, já presente no ambiente antes do início das operações. Por esse motivo, passaram a organizar limpezas costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para 2026, a expectativa é ampliar o número de equipamentos em operação em todas as frentes e intensificar a remoção de lixo, dando continuidade à missão de reduzir a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos. (umsoplaneta.globo)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Cidades devem proteger os mais pobres dos impactos do aquecimento global

Porto Alegre (RS), 20/06/2024 – Moradores em rua alagada pela enchente no município de Eldorado do Sul.

Jardins de chuva, telhados brancos, arborização urbana e infraestrutura resiliente são soluções já disponíveis; o que falta é vontade política e investimento público integrado

As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade cotidiana, com seus impactos recaindo de forma desproporcional sobre os mais vulneráveis.

Aproximadamente 80% das pessoas pobres do mundo estão concentradas em regiões gravemente expostas a ameaças climáticas e ambientais, tornando a vulnerabilidade uma característica estrutural da pobreza moderna.

No cenário de crise climática global, as cidades emergem como o palco central onde as consequências são sentidas e onde as soluções de mitigação e adaptação devem ser implementadas com urgência.

A importância crítica do nível municipal

Os habitantes urbanos são os primeiros a sentir as consequências das alterações climáticas. A crise climática é também uma crise de saúde pública, sobrecarregando sistemas médicos e causando picos de até 40% a mais em atendimentos de emergência após eventos como enchentes ou ondas de calor.

Além disso, a inação municipal amplifica as injustiças sociais. No Brasil, a ausência de políticas públicas urbanas sérias leva famílias pobres a ocupar áreas de risco, resultando em tragédias previsíveis. A falta de políticas eficazes, especialmente no âmbito urbano e social, aumenta a vulnerabilidade da população, em particular dos mais pobres.

Para combater a pobreza e a crise climática simultaneamente, as estratégias tradicionais de redução da pobreza devem integrar a resiliência climática em seu cerne.

O investimento na adaptação climática é considerado um investimento inteligente que protege e fortalece as economias, pois os custos da inação (apenas reparar os estragos) são sistematicamente subestimados pelos modelos tradicionais.
Relatório do IPCC acende alerta vermelho para cidades costeiras do Brasil

Ações prioritárias para mitigação e adaptação urbana

As cidades devem criar e implementar políticas públicas municipais abrangentes de mitigação e adaptação.

1. Resiliência hídrica e infraestrutura inteligente

Os eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e inundações, exigem uma revolução na gestão hídrica urbana, tal como indicado nas cidades-esponja.

• Drenagem e Microdrenagem: É fundamental investir em sistemas de drenagem e microdrenagem urbana para evitar alagamentos, que causam danos materiais, transtornos à mobilidade e riscos à saúde. Tais sistemas devem ser planejados para evitar a erosão do solo e o desgaste da infraestrutura urbana. A drenagem eficiente e a microdrenagem são um conjunto de obras públicas que captam, transportam e armazenam as águas pluviais.

• Soluções Baseadas na Natureza (SbN): Devem ser utilizadas para reduzir os riscos de inundações. Os jardins de chuva se destacam como uma das ações mais eficazes de mitigação e adaptação, funcionando como reservatórios para o excesso de água. Eles também filtram poluentes da chuva, garantem água mais limpa para rios e córregos, e enriquecem a biodiversidade local.

• Infraestrutura Resiliente: Investir infraestrutura e sistemas de drenagem que resistam a volumes extremos de chuva, além da implementação em larga escala de obras de contenção de encostas em áreas de risco de deslizamento e desabamento.

• Pavimentação Permeável: Adotar a pavimentação de vias públicas com insumos e métodos de construção planejados para aumentar a drenagem.

2. Combate ao calor urbano e políticas de resfriamento

As ondas de calor transformam centros urbanos em “armadilhas térmicas”, exigindo ações imediatas para combater as ilhas de calor urbanas.

• Telhados frios: O incentivo à adoção de telhados frios (superfícies brancas ou reflexivas) é a medida eficaz para reduzir as temperaturas externas, podendo reduzir a temperatura em até 2°C em algumas localizações. Para o Brasil, com sua tradição de telhas cerâmicas vermelhas que absorvem muito calor, a transição para telhados brancos têm um potencial de resfriamento ainda maior. Essa solução passiva também reduz a demanda por ar-condicionado e as emissões de CO2.

• Arborização urbana: Deve ser adotada como política pública. As árvores são essenciais para promover o conforto térmico, podendo reduzir a temperatura ambiente de 2°C a 8°C. A arborização, que inclui espécies nativas adaptadas ao ambiente local, também captura CO2, melhora a qualidade do ar e recupera a biodiversidade. É crucial um planejamento estratégico e manejo cuidadoso da arborização.

• Infraestrutura passiva: Implementar massivamente telhados frios e pavimentos permeáveis para reduzir a absorção de calor, e incentivar calçadas verdes para auxiliar na drenagem.

3. Saúde, educação e justiça social

A adaptação deve ser integrada com o desenvolvimento social, abordando as vulnerabilidades específicas das populações.

• Saúde e emergência: É crucial adaptar o sistema público de saúde para o aumento das ondas de calor e desastres. Isso inclui construir hospitais resilientes com energia solar e sistemas de refrigeração eficientes, e criar uma ampla e acessível rede de hidratação pública, incluindo bebedouros, que pode salvar vidas durante ondas de calor.

• Educação adaptada: As prefeituras devem planejar a adaptação das escolas às novas condições climáticas. A exposição prolongada ao calor extremo compromete o rendimento escolar e a saúde de estudantes e professores.

• Gerenciamento de riscos: Criar sistemas públicos de gerenciamento de riscos e desastres, adaptando as defesas civis e mapeando as áreas de riscos. O monitoramento em tempo real é vital para prever surtos de doenças (como dengue, zika e chikungunya, exacerbadas pelo clima) e alocar recursos.

• Reassentamento: Criar condições para que moradores de áreas de riscos sejam reassentados em áreas seguras, garantindo moradia digna e qualidade de vida.
Financiamento e política integrada

Apesar de as cidades estarem na linha de frente dos impactos e as soluções serem necessárias, a inércia política e a falta de investimento são obstáculos severos.

A implementação dessas ações demanda um financiamento robusto. Os esforços necessários estão além da capacidade financeira e econômica da maioria dos municípios do Brasil, exigindo, portanto, grandes investimentos de estados e do governo federal.

Investir em adaptação não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma questão de justiça social, saúde pública e direito à vida digna. A mensagem para os formuladores de políticas é clara: adiar a preparação é a opção mais cara.

O desafio é imenso, mas as soluções baseadas na natureza e na tecnologia urbana estão disponíveis e são tão possíveis quanto necessárias.

As cidades precisam priorizar a natureza como infraestrutura essencial. Elas são protagonistas de um multilateralismo renovado, e o futuro do desenvolvimento passa, inevitavelmente, pela construção de um mundo não apenas mais rico, mas também mais justo e resiliente. (ecodebate)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Cientistas alertam para risco de aquecimento global extremo

Cientistas afirmam que vários sistemas críticos da Terra parecem estar mais perto da desestabilização do que se pensava. Isto coloca o planeta em maior risco de seguir uma trajetória de "estufa" impulsionada por ciclos de feedback que podem amplificar as consequências do aquecimento global.
Pesquisa internacional aponta que 16 pontos de inflexão do sistema terrestre estão mais próximos do limite crítico do que se previa e o efeito dominó pode ser irreversível.

Múltiplos componentes do sistema terrestre parecem estar mais próximos da desestabilização do que se acreditava anteriormente, colocando o planeta em maior risco de uma trajetória de aquecimento global extremo impulsionada por ciclos de retroalimentação capazes de amplificar dramaticamente as consequências das mudanças climáticas.

O alerta vem de uma colaboração internacional liderada por William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon (OSU), e foi publicado na revista científica One Earth.

O que são os pontos de inflexão e por que eles assustam os cientistas

O estudo analisa 16 elementos de inflexão — subsistemas da Terra que podem sofrer perda irreversível de estabilidade caso limites críticos de temperatura sejam ultrapassados. Entre eles estão as calotas polares da Antártida e da Groenlândia, as geleiras de montanha, o gelo marinho, as florestas boreais, o permafrost, a floresta amazônica e a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas que regula o clima global.

A preocupação central é que essas mudanças bruscas não ocorram de forma isolada. Segundo os pesquisadores, elas provavelmente resultariam em uma cascata de interações entre subsistemas, levando o planeta a um caminho de aquecimento extremo e elevação do nível do mar — condições que poderiam ser extremamente difíceis de reverter em escalas de tempo humanas, mesmo com cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa.

Temperatura global já ultrapassou o limite do Acordo de Paris

Quase 10 anos após o Acordo de Paris — que buscava limitar o aquecimento médio a longo prazo a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais —, o aumento da temperatura global já ultrapassou essa marca por 12 meses consecutivos. Esse mesmo período foi marcado por incêndios florestais extremos, inundações mortais e outros desastres naturais relacionados ao clima ao redor do mundo.

“A ultrapassagem do limite de temperatura geralmente é avaliada usando médias de 20 anos, mas simulações de modelos climáticos sugerem que a recente violação em 12 meses indica que o aumento médio de temperatura a longo prazo está em ou próximo de 1,5°C”, afirmou Christopher Wolf, coautor do estudo e cientista da Terrestrial Ecosystems Research Associates (TERA). “É provável que as temperaturas globais estejam tão altas ou mais altas do que em qualquer momento nos últimos 125.000 anos”.

Os níveis de dióxido de carbono na atmosfera também estão nos patamares mais altos em pelo menos 2 milhões de anos: com mais de 420 partes por milhão, a concentração de CO2 é cerca de 50% maior do que era antes da Revolução Industrial.

Como os ciclos de retroalimentação amplificam o aquecimento

Quando o clima muda, podem ser desencadeadas respostas que retroalimentam o próprio sistema climático, amplificando ou atenuando a mudança original. Esses mecanismos são conhecidos como ciclos de retroalimentação climática e estão no centro das preocupações dos pesquisadores.

“O derretimento do gelo e da neve, o degelo do permafrost, a morte das florestas e a perda de carbono do solo podem amplificar o aquecimento e, por sua vez, afetar a sensibilidade do sistema climático aos gases de efeito estufa”, explicou Ripple. O derretimento do gelo, por exemplo, reduz o albedo — a capacidade da superfície terrestre de refletir a luz solar —, acelerando ainda mais o aquecimento.

O efeito dominó: da Groenlândia à Amazônia

Um dos cenários mais preocupantes descritos no estudo envolve uma reação em cadeia entre diferentes regiões do planeta. À medida que a camada de gelo da Groenlândia derrete, isso pode enfraquecer ainda mais a AMOC, que já apresenta sinais de enfraquecimento. A desaceleração dessas correntes oceânicas, por sua vez, pode levar partes da Amazônia a se transformarem de floresta tropical em savana.

“Isso pode aumentar o risco de declínio da Amazônia, com grandes impactos negativos no armazenamento de carbono e na biodiversidade”, alertou Ripple. “O carbono liberado pelo declínio da Amazônia amplificaria ainda mais o aquecimento global e interagiria com outros ciclos de retroalimentação”.

Os cientistas afirmam que o colapso das calotas polares da Groenlândia e da Antártida Ocidental já pode estar em curso, enquanto o permafrost boreal, as geleiras de montanha e a floresta amazônica parecem estar à beira do colapso.

“Estabilidade de 11 mil anos está sendo destruída”

Para contextualizar a gravidade da situação, Ripple recorre à história geológica da Terra. “Após um milhão de anos oscilando entre eras glaciais separadas por períodos mais quentes, o clima da Terra se estabilizou há mais de 11.000 anos, possibilitando a agricultura e sociedades complexas”, disse o pesquisador. “Agora estamos nos afastando dessa estabilidade e podemos entrar em um período de mudanças climáticas sem precedentes”.
O que os cientistas recomendam para evitar o colapso

Diante do quadro, os autores defendem que estratégias urgentes de mitigação e adaptação são necessárias. As recomendações incluem a expansão da energia renovável, a proteção dos ecossistemas que armazenam carbono, a incorporação da resiliência climática nas políticas governamentais e a eliminação gradual e socialmente justa dos combustíveis fósseis.

Os pesquisadores também apontam para a necessidade de novas abordagens, como o monitoramento global coordenado dos pontos de inflexão e melhores planos de gestão de riscos climáticos.

“Os formuladores de políticas e o público em geral permanecem em grande parte alheios aos riscos representados pelo que seria, na prática, uma transição sem retorno”, disse Wolf. “Evitar a trajetória de aquecimento global extremo não é fácil, mas é muito mais viável do que tentar reverter a situação depois de já termos entrado nela”. (ecodebate)   

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