Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
terça-feira, 3 de março de 2026
domingo, 1 de março de 2026
Agricultura urbana pode aumentar a segurança alimentar nas cidades
A agricultura urbana aumenta
a segurança alimentar nas cidades ao fornecer acesso direto a alimentos
frescos, orgânicos e nutritivos, reduzindo a dependência de longas cadeias de
suprimentos. Essa prática combate a fome, gera renda, diminui a pegada de
carbono e fortalece a resiliência climática.
Principais Benefícios e
Características:
Segurança Alimentar e
Nutricional: Proporciona acesso a alimentos de qualidade e, muitas vezes, é
usada para autoconsumo, aumentando o bem-estar e melhorando a dieta da
população.
Sustentabilidade e Meio
ambiente: Auxilia na redução da poluição, diminui as ilhas de calor e melhora a
qualidade do ar e da água, contribuindo para cidades mais sustentáveis.
Impacto Econômico e Social:
Gera empregos, fomenta o associativismo e oferece oportunidades de lazer e
educação ambiental.
Eficiência e Espaço: Projetos
orgânicos e agroecológicos podem ser tão produtivos quanto os rurais,
utilizando terrenos baldios ou áreas comunitárias.
Em um mundo cada vez mais
urbanizado, onde o acesso a alimentos frescos e nutritivos se torna um desafio
crescente, a agricultura urbana surge como uma alternativa promissora para
garantir a segurança alimentar das populações nas grandes cidades.
Pesquisas recentes demonstram
que o cultivo de alimentos em áreas urbanas não apenas é viável, mas pode se
tornar fundamental para o abastecimento das metrópoles brasileiras.
Potencial produtivo
surpreendente
Estudos apontam que a
agricultura urbana orgânica e agroecológica pode ser tão produtiva quanto a
rural, desmistificando a ideia de que apenas grandes áreas rurais são capazes
de produzir alimentos em escala significativa. Pesquisas globais indicam que
hortas urbanas podem cultivar frutas e vegetais suficientes para alimentar até
15% da população mundial.
No caso brasileiro, isso representaria um impacto substancial na segurança alimentar das capitais, onde a dependência de alimentos transportados de longas distâncias gera problemas logísticos, encarece produtos e aumenta a pegada de carbono associada à alimentação.
Agricultura urbana pode ser resposta criativa à crise climática
Benefícios para as cidades
brasileiras
A implementação de projetos
de agricultura urbana nas capitais brasileiras traz múltiplos benefícios:
• Acesso a alimentos frescos:
Comunidades urbanas passam a ter acesso direto a produtos agrícolas colhidos no
mesmo dia, preservando nutrientes e sabor
• Redução de custos: A
diminuição das distâncias entre produção e consumo reduz o preço final dos
alimentos
• Sustentabilidade ambiental:
Menor transporte significa menos emissões de gases de efeito estufa
• Geração de empregos: A
agricultura urbana cria oportunidades de trabalho em áreas com altos índices de
desemprego
• Aproveitamento de espaços
ociosos: Terrenos baldios, telhados e áreas subutilizadas ganham função
produtiva
Experiências bem-sucedidas
Diversas iniciativas em
capitais brasileiras já demonstram o potencial da agricultura urbana. Em São
Paulo, hortas comunitárias em terrenos públicos abastecem famílias e restaurantes
locais.
No Rio de Janeiro, projetos
em comunidades, como o Horta Carioca, não apenas produzem alimentos, mas
promovem educação nutricional e geração de renda.
Belo Horizonte, reconhecida internacionalmente por suas políticas de segurança alimentar, integrou a agricultura urbana ao planejamento municipal, criando uma rede de produção que abastece escolas e restaurantes populares.
Agricultura urbana pode contribuir para segurança alimentar nas cidades em tempos de crise climática
Desafios e perspectivas
Apesar do potencial, a
expansão da agricultura urbana no Brasil enfrenta desafios como a especulação
imobiliária, que valoriza terrenos para construção em detrimento de áreas
verdes produtivas, e a falta de políticas públicas específicas para o setor.
Especialistas defendem a
necessidade de incluir a agricultura urbana nos planos diretores das cidades e
criar linhas de financiamento específicas para pequenos produtores urbanos.
A capacitação técnica também
é apontada como essencial para garantir a produtividade e sustentabilidade das
iniciativas.
Um futuro mais verde e seguro
A agricultura urbana
representa não apenas uma alternativa para a produção de alimentos, mas uma
transformação na relação das cidades com seu abastecimento.
Em tempos de mudanças
climáticas e crescimento populacional, reinventar os espaços urbanos como áreas
também produtivas pode ser uma estratégia fundamental para garantir o futuro
alimentar dos brasileiros.
À medida que mais pesquisas comprovam a viabilidade e os benefícios dessas iniciativas, cresce a expectativa de que as cidades brasileiras possam, gradativamente, avançar em direção à autossuficiência na produção de hortaliças, frutas e outros alimentos essenciais, contribuindo para uma população mais saudável e um meio ambiente mais equilibrado.
Hortas criadas em terrenos ociosos podem colher toneladas de alimentos todo mês
Mas, para que isto ocorra,
preciso que as administrações municipais compreendam a importância da
agricultura urbana e efetivamente incorporem a sua adoção no planejamento
urbano, inclusive destinando os espaços necessários e destinando recursos
técnicos para que a iniciativa seja bem-sucedida. (ecodebate)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Degradação induzida pelo aquecimento global
Degradação
induzida pelo aquecimento global pode aumentar o LCOE de solar em telhados em
até 20%.
“Esta
é a primeira análise global que quantifica como as mudanças climáticas afetarão
os riscos de altas temperaturas para painéis solares em telhados, que são
particularmente vulneráveis à degradação porque os espaços de montagem
restritos retêm o calor”, disse o autor principal, Haochi Wu, à pv magazine.
“Estudos anteriores examinaram as perdas de eficiência devido ao aquecimento ou
às mudanças na irradiação solar — fatores que causam impactos modestos e,
muitas vezes, incertos. Nós abordamos um ponto cego: a degradação acelerada
devido às altas temperaturas operacionais sustentadas, que ninguém havia
modelado sistematicamente em escala global sob cenários climáticos futuros”.
Wu
destacou que suas descobertas mostram que a indústria solar precisa adaptar “urgentemente”
seus padrões de risco de alta temperatura para um futuro mais quente.
“A
norma internacional atual, IEC-63126, define onde ocorre o risco de altas
temperaturas com base em dados meteorológicos históricos — aproximadamente o
período de 1998 a 2020”, disse ele. “Nossa análise mostra que essa norma
representa apenas 74% da capacidade global em risco sob um aquecimento de 2°C e
apenas 48% sob um aquecimento de 4°C. Se as normas não forem atualizadas para
refletir as projeções climáticas futuras, tanto investidores quanto
instaladores subestimarão o risco de degradação, levando a ativos obsoletos e
custos inesperados de substituição”.
Por
fim, a equipe aplicou o modelo físico-químico de Arrhenius para simular o
envelhecimento dos módulos com base na temperatura. Considerando uma degradação
inicial de 0,66% ao ano e definindo um módulo como inutilizável após uma perda
de potência de 20%, eles calcularam o custo nivelado da energia (LCOE) para
módulos submetidos a temperaturas mais altas, vidas úteis mais curtas e
produção anual reduzida.
“A
magnitude do aumento do LCOE realmente chamou a atenção. Com um aquecimento de
2,5°C, algumas regiões veem aumentos no custo nivelado de energia de até 20% —
aproximadamente 3 vezes maiores do que os impactos das mudanças na eficiência
ou na irradiação solar, que foram o foco de pesquisas anteriores”, disse Wu. “A
desigualdade desse aumento também se destacou. Áreas economicamente
desfavorecidas — África, Sul da Ásia, partes da América do Sul — enfrentam
aumentos de custos substancialmente maiores do que as regiões mais ricas. Com
um aquecimento de 4°C, o impacto do LCOE dobra nas regiões mais vulneráveis em
comparação com as menos vulneráveis. A indústria solar frequentemente apresenta
a energia fotovoltaica distribuída como uma ferramenta para a equidade
energética, mas nossos resultados mostram que, sem adaptação, as mudanças
climáticas podem comprometer essa promessa. As mudanças climáticas não apenas
aumentam a degradação globalmente; elas ampliam a desigualdade entre as
regiões”.
A
equipe também descobriu que, com um aquecimento de 4°C, a capacidade global de
energia fotovoltaica em telhados exposta ao risco de altas temperaturas quase
dobra em comparação com os níveis históricos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Maior obra do mundo avaliada em R$ 875 bilhões pode mudar a rotação da TERRA
Pontos principais sobre a
obra e seu impacto:
A "Obra que Muda a
Terra": A represa das Três Gargantas, no rio Yangtzé, é a maior usina
hidrelétrica do mundo. Estudos da NASA indicaram que o armazenamento de sua
imensa massa de água deslocou o eixo da Terra em cerca de 2 centímetros e
desacelerou sua rotação.
**Novo Megaprojeto de R$ 875
bilhões), visando gerar 300 bilhões de kWh anuais.
Consequências Geofísicas: A
redistribuição de uma quantidade tão grande de massa altera o momento de
inércia da Terra, causando um efeito mensurável na rotação, embora pequeno em
escala humana.
Impacto Energético e
Preocupações: O projeto visa garantir segurança energética e controle de
inundações, mas gera preocupações em países vizinhos como Índia e Bangladesh
devido ao impacto no fluxo de rios e riscos ambientais.
Como foi apontado pela NASA, a Terra viu sua rotação desacelerar em 0,06 microssegundos por dia e o eixo deslocado em 2 centímetros devido à grande massa de água de 40 bilhões de metros cúbicos abrigados na represa. No ano passado, uma nova obra no local foi confirmada sob o investimento de US$ 167 bilhões (cerca de R$ 875 bilhões na cotação atual).
A nova represa será ainda maior do que a das Três Gargantas e vai produzir uma quantidade estimada de energia quase três vezes superior à da construção anterior. Ao todo, serão 5 represas em cascata que gerarão 300 bilhões de kWh anuais para a China e que tem levado nações vizinhas, como Índia e Bangladesh, a muitas preocupações.
Obra gigante na China foi
capaz de mudar a rotação da Terra
A estimativa é de que a
construção só seja 100% concluída em 2030, fazendo com que a China avance ainda
mais na transição energética. Por outro lado, Índia, Bangladesh e o próprio
Tibete acreditam que a obra dessa magnitude pode trazer graves consequências
para a região.
O maior temor é que haja terremotos
na região e o que poderia acontecer caso a represa tivesse algum problema no
futuro. Essa grande massa de água deixou os moradores da região em alerta para
possíveis desastres. A represa chinesa será a maior do mundo, assim como o
maior projeto hidrelétrico já construído. (correiodoestado)
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Missão contra o plástico
Organização
anuncia marco e afirma que resíduos coletados passam por certificação.
A
organização The Ocean Cleanup, fundada por Boyan Slat, bateu recorde histórico
em 2025 ao remover 25 milhões de kg de plástico da Grande Mancha de Lixo do
Pacífico, totalizando mais de 45 milhões de kg retirados do oceano. Utilizando
barreiras em formato de "U", o projeto visa limpar 90% do lixo
flutuante até 2040.
Aqui
estão os detalhes da operação:
Recorde
de 2025: A coleta de 25 milhões de kg representa um marco significativo,
superando expectativas anteriores.
Tecnologia
(Sistema 03): O projeto utiliza barreiras flutuantes gigantescas de cerca de
800 metros, que navegam lentamente para concentrar o lixo, utilizando o próprio
movimento das correntes oceânicas.
Foco
Duplo: Além de limpar o Pacífico, a organização atua na fonte, instalando
barreiras em rios poluídos na Ásia e América para impedir que o plástico chegue
ao mar.
Meta
Ousada: A iniciativa busca remover 90% do plástico flutuante dos oceanos até
2040, combatendo o "lixo legado" (antigo) e impedindo novos detritos.
Impacto
Ambiental: O sistema foi projetado para evitar que os detritos se transformem
em microplásticos, protegendo a fauna marinha durante a coleta.
O
sistema, frequentemente aprimorado, iniciou testes com cerca de 9 toneladas e
evoluiu para escalas maciças de remoção.

O
principal laboratório da organização é a chamada Grande Mancha de Lixo do
Pacífico, um aglomerado de resíduos plásticos com cerca de 1,6 milhão de km²
localizado entre o Havaí e a Califórnia. Para enfrentar o problema, a
iniciativa desenvolveu sistemas conhecidos como “interceptores”, que funcionam
como barreiras capazes de capturar resíduos que variam de pequenos fragmentos,
com poucos milímetros, a grandes detritos, como redes de pesca descartadas.
Os equipamentos utilizam modelagem matemática para prever a movimentação do lixo conforme as correntes marítimas, permitindo otimizar a coleta. Três sistemas de remoção já estão em operação e, segundo estimativas do fundador, a implantação de dez unidades poderia viabilizar a limpeza da mancha no Pacífico antes da expansão do projeto para outras regiões.
Sistema usado por ONG na Grande Mancha de Lixo do Pacífico utiliza redes e embarcações para remover plástico flutuante do oceano.
Os
resultados recentes indicam avanço na operação. Em 2025, a The Ocean Cleanup
retirou mais de 25 milhões de quilos de resíduos de ambientes aquáticos,
elevando o total acumulado para mais de 45 milhões de quilos. Segundo a
organização, o desempenho é resultado de anos de pesquisa, decisões orientadas
por dados e da adaptação das tecnologias às realidades locais.
Para alcançar a meta de remover 90% do plástico flutuante nos oceanos até 2040, o projeto aposta em uma estratégia integrada. Além da retirada de resíduos já presentes no mar, a organização investe na interceptação de lixo em rios, em ações de limpeza em áreas costeiras e no uso de pesquisas sobre poluição marinha para embasar políticas públicas internacionais.
Interceptador de lixo instalado pela The Ocean Cleanup em parceria com a ONG Marea Verde, no Panamá.
Entre
as novas frentes, a The Ocean Cleanup lançou o programa 30 Cities, apresentado
na Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice, no ano passado. A iniciativa
pretende atuar em áreas urbanas consideradas entre as maiores responsáveis pela
entrada de plástico nos mares, com potencial de reduzir até um terço dessa
poluição.
A organização também afirma trabalhar em parceria com autoridades locais, comunidades e empresas para estruturar soluções de gestão de resíduos que mantenham resultados de longo prazo. Graças à parceria com a ONG panamenha Marea Verde, por exemplo, a startup já atua no Rio Abajo, no Panamá. A parceria tem como objetivo atuar em sete bacias dentro da cidade para impedir que o lixo chegue ao Golfo do Panamá.
Ações de limpeza costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.
Para
livrar o ambiente marinho do lixo, a organização afirma que não é suficiente
apenas interromper a entrada de resíduos, sendo necessário também enfrentar o
chamado "lixo legado, já presente no ambiente antes do início das
operações. Por esse motivo, passaram a organizar limpezas costeiras com
parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no
litoral.
Para 2026, a expectativa é ampliar o número de equipamentos em operação em todas as frentes e intensificar a remoção de lixo, dando continuidade à missão de reduzir a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos. (umsoplaneta.globo)
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Cidades devem proteger os mais pobres dos impactos do aquecimento global
Jardins
de chuva, telhados brancos, arborização urbana e infraestrutura resiliente são
soluções já disponíveis; o que falta é vontade política e investimento público
integrado
As mudanças
climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade
cotidiana, com seus impactos recaindo de forma desproporcional sobre os mais
vulneráveis.
Aproximadamente
80% das pessoas pobres do mundo estão concentradas em regiões gravemente
expostas a ameaças climáticas e ambientais, tornando a vulnerabilidade uma
característica estrutural da pobreza moderna.
No cenário de crise climática global, as cidades emergem como o palco central onde as consequências são sentidas e onde as soluções de mitigação e adaptação devem ser implementadas com urgência.
A
importância crítica do nível municipal
Os
habitantes urbanos são os primeiros a sentir as consequências das alterações
climáticas. A crise climática é também uma crise de saúde pública,
sobrecarregando sistemas médicos e causando picos de até 40% a mais em
atendimentos de emergência após eventos como enchentes ou ondas de calor.
Além
disso, a inação municipal amplifica as injustiças sociais. No Brasil, a
ausência de políticas públicas urbanas sérias leva famílias pobres a ocupar
áreas de risco, resultando em tragédias previsíveis. A falta de políticas
eficazes, especialmente no âmbito urbano e social, aumenta a vulnerabilidade da
população, em particular dos mais pobres.
Para
combater a pobreza e a crise climática simultaneamente, as estratégias
tradicionais de redução da pobreza devem integrar a resiliência climática em
seu cerne.
Ações
prioritárias para mitigação e adaptação urbana
As
cidades devem criar e implementar políticas públicas municipais abrangentes de
mitigação e adaptação.
1.
Resiliência hídrica e infraestrutura inteligente
Os
eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e inundações, exigem uma
revolução na gestão hídrica urbana, tal como indicado nas cidades-esponja.
•
Drenagem e Microdrenagem: É fundamental investir em sistemas de drenagem e
microdrenagem urbana para evitar alagamentos, que causam danos materiais,
transtornos à mobilidade e riscos à saúde. Tais sistemas devem ser planejados
para evitar a erosão do solo e o desgaste da infraestrutura urbana. A drenagem
eficiente e a microdrenagem são um conjunto de obras públicas que captam,
transportam e armazenam as águas pluviais.
•
Soluções Baseadas na Natureza (SbN): Devem ser utilizadas para reduzir os
riscos de inundações. Os jardins de chuva se destacam como uma das ações mais
eficazes de mitigação e adaptação, funcionando como reservatórios para o
excesso de água. Eles também filtram poluentes da chuva, garantem água mais
limpa para rios e córregos, e enriquecem a biodiversidade local.
•
Infraestrutura Resiliente: Investir infraestrutura e sistemas de drenagem que
resistam a volumes extremos de chuva, além da implementação em larga escala de
obras de contenção de encostas em áreas de risco de deslizamento e desabamento.
•
Pavimentação Permeável: Adotar a pavimentação de vias públicas com insumos e
métodos de construção planejados para aumentar a drenagem.
2.
Combate ao calor urbano e políticas de resfriamento
As
ondas de calor transformam centros urbanos em “armadilhas térmicas”, exigindo
ações imediatas para combater as ilhas de calor urbanas.
•
Telhados frios: O incentivo à adoção de telhados frios (superfícies brancas ou
reflexivas) é a medida eficaz para reduzir as temperaturas externas, podendo
reduzir a temperatura em até 2°C em algumas localizações. Para o Brasil, com
sua tradição de telhas cerâmicas vermelhas que absorvem muito calor, a
transição para telhados brancos têm um potencial de resfriamento ainda maior.
Essa solução passiva também reduz a demanda por ar-condicionado e as emissões
de CO2.
•
Arborização urbana: Deve ser adotada como política pública. As árvores são
essenciais para promover o conforto térmico, podendo reduzir a temperatura
ambiente de 2°C a 8°C. A arborização, que inclui espécies nativas adaptadas ao
ambiente local, também captura CO2, melhora a qualidade do ar e
recupera a biodiversidade. É crucial um planejamento estratégico e manejo
cuidadoso da arborização.
•
Infraestrutura passiva: Implementar massivamente telhados frios e pavimentos
permeáveis para reduzir a absorção de calor, e incentivar calçadas verdes para
auxiliar na drenagem.
3.
Saúde, educação e justiça social
A
adaptação deve ser integrada com o desenvolvimento social, abordando as
vulnerabilidades específicas das populações.
•
Saúde e emergência: É crucial adaptar o sistema público de saúde para o aumento
das ondas de calor e desastres. Isso inclui construir hospitais resilientes com
energia solar e sistemas de refrigeração eficientes, e criar uma ampla e
acessível rede de hidratação pública, incluindo bebedouros, que pode salvar
vidas durante ondas de calor.
•
Educação adaptada: As prefeituras devem planejar a adaptação das escolas às
novas condições climáticas. A exposição prolongada ao calor extremo compromete
o rendimento escolar e a saúde de estudantes e professores.
•
Gerenciamento de riscos: Criar sistemas públicos de gerenciamento de riscos e
desastres, adaptando as defesas civis e mapeando as áreas de riscos. O
monitoramento em tempo real é vital para prever surtos de doenças (como dengue,
zika e chikungunya, exacerbadas pelo clima) e alocar recursos.
Apesar
de as cidades estarem na linha de frente dos impactos e as soluções serem
necessárias, a inércia política e a falta de investimento são obstáculos
severos.
A
implementação dessas ações demanda um financiamento robusto. Os esforços
necessários estão além da capacidade financeira e econômica da maioria dos
municípios do Brasil, exigindo, portanto, grandes investimentos de estados e do
governo federal.
Investir
em adaptação não é apenas uma questão de infraestrutura, mas uma questão de
justiça social, saúde pública e direito à vida digna. A mensagem para os
formuladores de políticas é clara: adiar a preparação é a opção mais cara.
O desafio
é imenso, mas as soluções baseadas na natureza e na tecnologia urbana estão
disponíveis e são tão possíveis quanto necessárias.
As
cidades precisam priorizar a natureza como infraestrutura essencial. Elas são
protagonistas de um multilateralismo renovado, e o futuro do desenvolvimento
passa, inevitavelmente, pela construção de um mundo não apenas mais rico, mas
também mais justo e resiliente. (ecodebate)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Cientistas alertam para risco de aquecimento global extremo
Múltiplos
componentes do sistema terrestre parecem estar mais próximos da
desestabilização do que se acreditava anteriormente, colocando o planeta em
maior risco de uma trajetória de aquecimento global extremo impulsionada por
ciclos de retroalimentação capazes de amplificar dramaticamente as
consequências das mudanças climáticas.
O
alerta vem de uma colaboração internacional liderada por William Ripple, da
Universidade Estadual do Oregon (OSU), e foi publicado na revista científica
One Earth.
O
que são os pontos de inflexão e por que eles assustam os cientistas
O
estudo analisa 16 elementos de inflexão — subsistemas da Terra que podem sofrer
perda irreversível de estabilidade caso limites críticos de temperatura sejam
ultrapassados. Entre eles estão as calotas polares da Antártida e da
Groenlândia, as geleiras de montanha, o gelo marinho, as florestas boreais, o
permafrost, a floresta amazônica e a Circulação Meridional de Revolvimento do
Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas que regula o clima global.
A preocupação central é que essas mudanças bruscas não ocorram de forma isolada. Segundo os pesquisadores, elas provavelmente resultariam em uma cascata de interações entre subsistemas, levando o planeta a um caminho de aquecimento extremo e elevação do nível do mar — condições que poderiam ser extremamente difíceis de reverter em escalas de tempo humanas, mesmo com cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa.
Temperatura global já ultrapassou o limite do Acordo de Paris
Quase 10 anos após o Acordo de Paris — que buscava limitar o
aquecimento médio a longo prazo a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais —, o
aumento da temperatura global já ultrapassou essa marca por 12 meses
consecutivos. Esse mesmo período foi marcado por incêndios florestais extremos,
inundações mortais e outros desastres naturais relacionados ao clima ao redor
do mundo.
“A
ultrapassagem do limite de temperatura geralmente é avaliada usando médias de
20 anos, mas simulações de modelos climáticos sugerem que a recente violação em
12 meses indica que o aumento médio de temperatura a longo prazo está em ou
próximo de 1,5°C”, afirmou Christopher Wolf, coautor do estudo e cientista da
Terrestrial Ecosystems Research Associates (TERA). “É provável que as
temperaturas globais estejam tão altas ou mais altas do que em qualquer momento
nos últimos 125.000 anos”.
Os níveis de dióxido de carbono na atmosfera também estão nos patamares mais altos em pelo menos 2 milhões de anos: com mais de 420 partes por milhão, a concentração de CO2 é cerca de 50% maior do que era antes da Revolução Industrial.
Como os ciclos de retroalimentação amplificam o aquecimento
Quando
o clima muda, podem ser desencadeadas respostas que retroalimentam o próprio
sistema climático, amplificando ou atenuando a mudança original. Esses
mecanismos são conhecidos como ciclos de retroalimentação climática e estão no
centro das preocupações dos pesquisadores.
“O derretimento do gelo e da neve, o degelo do permafrost, a morte das florestas e a perda de carbono do solo podem amplificar o aquecimento e, por sua vez, afetar a sensibilidade do sistema climático aos gases de efeito estufa”, explicou Ripple. O derretimento do gelo, por exemplo, reduz o albedo — a capacidade da superfície terrestre de refletir a luz solar —, acelerando ainda mais o aquecimento.
O efeito dominó: da Groenlândia à Amazônia
Um
dos cenários mais preocupantes descritos no estudo envolve uma reação em cadeia
entre diferentes regiões do planeta. À medida que a camada de gelo da
Groenlândia derrete, isso pode enfraquecer ainda mais a AMOC, que já apresenta
sinais de enfraquecimento. A desaceleração dessas correntes oceânicas, por sua
vez, pode levar partes da Amazônia a se transformarem de floresta tropical em
savana.
“Isso
pode aumentar o risco de declínio da Amazônia, com grandes impactos negativos
no armazenamento de carbono e na biodiversidade”, alertou Ripple. “O carbono liberado
pelo declínio da Amazônia amplificaria ainda mais o aquecimento global e
interagiria com outros ciclos de retroalimentação”.
Os
cientistas afirmam que o colapso das calotas polares da Groenlândia e da
Antártida Ocidental já pode estar em curso, enquanto o permafrost boreal, as
geleiras de montanha e a floresta amazônica parecem estar à beira do colapso.
“Estabilidade
de 11 mil anos está sendo destruída”
Diante
do quadro, os autores defendem que estratégias urgentes de mitigação e
adaptação são necessárias. As recomendações incluem a expansão da energia
renovável, a proteção dos ecossistemas que armazenam carbono, a incorporação da
resiliência climática nas políticas governamentais e a eliminação gradual e
socialmente justa dos combustíveis fósseis.
Os
pesquisadores também apontam para a necessidade de novas abordagens, como o
monitoramento global coordenado dos pontos de inflexão e melhores planos de
gestão de riscos climáticos.
“Os
formuladores de políticas e o público em geral permanecem em grande parte
alheios aos riscos representados pelo que seria, na prática, uma transição sem
retorno”, disse Wolf. “Evitar a trajetória de aquecimento global extremo não é
fácil, mas é muito mais viável do que tentar reverter a situação depois de já
termos entrado nela”. (ecodebate)
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