Meio Ambiente
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
sábado, 31 de outubro de 2026
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Relatório da ONU alerta para a falência hídrica global
Lagos encolhendo, aquíferos
em declínio, geleiras desaparecendo e cidades afundando: o relatório do
UNU-INWEH mostra por que o termo “crise hídrica” ficou pequeno.
Durante gerações, a
humanidade acreditou que a água doce era um recurso infinitamente renovável.
Bastaria esperar a próxima estação de chuvas para que rios, lagos e aquíferos
voltassem aos níveis históricos. Ao empurrar o planeta além dos limites do
ciclo hidrológico global, porém, destruímos essa margem de segurança.
Um estudo publicado pelo
Instituto da Universidade das Nações Unidas para Água, Ambiente e Saúde
(UNU-INWEH) muda a forma de enxergar o problema. Segundo o relatório, o termo
“crise” já não descreve a realidade vivida por bilhões de pessoas. Entramos na
“Era da Falência Hídrica Global”.
Conduzido pelo cientista
Kaveh Madani, o estudo alerta que ultrapassamos pontos de não retorno em
diversos ecossistemas essenciais. Veja a seguir as 5 principais revelações
do documento, que redefinem nossa relação com a água e exigem uma transformação
urgente na governança do planeta.
Esqueça o termo “crise”:
muitos sistemas de água faliram e não voltarão ao normal
Rotular a escassez atual como
“crise” ou “estresse hídrico” alimenta a falsa esperança de que uma chuva mais
forte basta para restaurar o padrão do passado. O estudo, revisado por pares e
publicado na revista científica Water Resources Management, distingue com
precisão os 3 conceitos:
Estresse hídrico: pressão
elevada sobre o sistema, com impactos ainda temporários e reversíveis.
Crise hídrica: choques agudos
e momentâneos, que podem ser superados com intervenções emergenciais de curto
prazo.
Falência hídrica: estado
pós-crise permanente, resultante da extração contínua de águas superficiais e
subterrâneas acima da taxa de recarga natural. O resultado é a perda
irreversível, ou extremamente dispendiosa de recuperar, do capital natural.
Para traduzir esse colapso em
termos econômicos, os pesquisadores recorrem a uma analogia financeira. Ao
longo de décadas, a sociedade gastou toda a “renda” hidrológica renovável,
gerada a cada ano pelas chuvas, pelos rios e pelo derretimento da neve.
Além disso, liquidou as
“poupanças” acumuladas durante milênios em aquíferos profundos, geleiras e
zonas úmidas. Quando a poupança acaba e a infraestrutura natural colapsa, a
insolvência é inevitável.
Alerta global: relatório da
ONU declara entrada na era da “falência hídrica” do planeta.
As evidências já estão
visíveis em todo o globo. Muitas vezes, os danos ocorrem em silêncio, debaixo
dos nossos pés, até que a infraestrutura urbana rache e o solo ceda sob as
cidades. O relatório reúne dados alarmantes sobre a degradação dos ecossistemas
de água doce:
50% dos grandes lagos do
mundo perderam volume desde o início da década de 1990, o que afeta diretamente
25% da população mundial, que depende deles para sobreviver.
410 milhões de hectares de
zonas úmidas e pântanos foram destruídos nos últimos 50 anos, área equivalente
a quase toda a União Europeia. A perda anual em serviços ecossistêmicos é
estimada em US$ 5,1 trilhões.
70% dos principais aquíferos
do planeta apresentam declínio contínuo em suas reservas de longo prazo.
2 bilhões de pessoas vivem em
terrenos que estão afundando (subsidência do solo) por causa do bombeamento
excessivo de água subterrânea. Em algumas metrópoles e deltas, o rebaixamento
chega a 25 cm por ano.
Mais de 30% da massa de
geleiras desapareceu em várias regiões desde 1970. Prevê-se que diversas
cordilheiras de baixa e média altitude percam totalmente suas geleiras
funcionais nas próximas décadas.
A agricultura no centro do
problema: o custo das secas criadas pelo ser humano
A falência hídrica não é obra do acaso nem mero azar meteorológico. É resultado direto de escolhas de gestão, de modelos de consumo e da destruição ambiental. O relatório consolida o conceito de “seca antropogênica”: déficit hídrico causado por sobre-exploração, desmatamento, salinização do solo, poluição e mudanças climáticas, e não por simples oscilações naturais do clima.
Cerca de 4 bilhões de pessoas enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano.
Mundo entra em era de
falência hídrica, alerta relatório da ONU
A produção global de
alimentos está no centro desse cenário:
A agricultura irrigada
responde por cerca de 70% de todas as retiradas globais de água doce.
A água subterrânea garante
50% da água potável doméstica e mais de 40% da água usada na irrigação em todo
o mundo.
3 bilhões de pessoas e mais
de 50% da produção global de alimentos estão concentrados em regiões onde o
armazenamento total de água está em queda ou se tornou instável.
Mais de 170 milhões de
hectares de lavouras irrigadas enfrentam estresse hídrico alto ou muito alto, e
a salinização já danificou cerca de 100 milhões de hectares de terras
agrícolas.
O custo econômico direto
dessas secas provocadas pelo ser humano é estimado em cerca de US$ 307 bilhões
por ano.
Impactos desiguais: como a
perda de água gera desigualdade e conflitos
A falência hídrica é, antes
de tudo, uma questão de justiça social, segurança e geopolítica. A degradação
dos recursos hídricos não atinge todos da mesma maneira. Os lucros do consumo
predatório ficaram concentrados nas mãos dos atores econômicos mais poderosos,
enquanto a conta da escassez recai sobre os mais vulneráveis.
Pequenos agricultores, povos
indígenas, moradores de assentamentos informais, mulheres e jovens suportam o
peso desproporcional do colapso. As consequências também não se limitam às
fronteiras locais. Elas circulam pelo planeta por meio do comércio
internacional, da volatilidade nos preços dos alimentos e das migrações
forçadas.
Cerca de 75% da humanidade
vive em países classificados como inseguros ou criticamente inseguros em termos
de água.
2,2 bilhões de pessoas não
têm acesso a serviços de água potável gerenciados de forma segura.
3,5 bilhões de pessoas não
dispõem de saneamento básico adequado.
“A falência hídrica está se tornando um motor de fragilidade, deslocamento e conflito. Gerenciá-la com justiça, protegendo as comunidades vulneráveis e compartilhando de forma equitativa as perdas inevitáveis, é agora central para manter a paz, a estabilidade e a coesão social”, afirma Tshilidzi Marwala, reitor da Universidade das Nações Unidas e subsecretário-geral da ONU.
Imagem mostra Rio Negro em período de vazante
Gerir a falência e usar a
água como ponte para a paz
Diante de um sistema
hidrológico insolvente, tentar “voltar ao normal” é uma impossibilidade física.
Para o UNU-INWEH, reconhecer a falência hídrica não é um ato de desespero nem
de desistência, mas de honestidade intelectual e política. É o primeiro passo
para estancar os prejuízos e reorganizar a sociedade dentro dos limites reais
da natureza.
Para passar da ineficaz
“gestão de crise” à necessária “gestão de falência”, o relatório aponta quatro
diretrizes estratégicas:
Superar o emergencialismo:
abandonar soluções temporárias de curto prazo e investir em adaptação
estrutural aos “novos normais” hidrológicos.
Mudar a perspectiva
econômica: deixar de tratar a água apenas como setor de impacto a jusante
(downstream), voltado ao consumo final e à mitigação de danos, e reconhecê-la
como setor de oportunidade a montante (upstream). Isso significa investir na
proteção da fonte, do ciclo hidrológico, dos solos e do capital natural que a
produz.
Usar a água como instrumento
diplomático: aproveitar a dependência humana compartilhada da água como recurso
neutro de cooperação, capaz de aproximar governos, setores produtivos e
ideologias em um mundo geopoliticamente fragmentado.
Revisar as agendas multilaterais: usar marcos internacionais decisivos para redefinir as regras da governança hídrica global, como a Conferência da ONU sobre a Água de 2026 (co-sediada por Senegal e Emirados Árabes Unidos), o encontro de 2028 e o prazo final dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 2030.
Lago do Parque do Ibirapuera em 2024 viu seu volume de água secar.
O relatório é um chamado à
honestidade e ao realismo
A ciência é clara: nenhuma
tecnologia consegue re-inflar aquíferos cujas estruturas rochosas colapsaram e
se compactaram, nem reconstituir no curto prazo as geleiras milenares que
derreteram. O passado hidrológico ficou para trás.
Aceitar a falência, porém,
abre espaço para agir com realismo. Isso significa conter a degradação do
capital natural que resta, redirecionar investimentos e adaptar instituições e
economias à capacidade real da Terra.
O déficit com o planeta
cresce a cada dia de negação. Estamos prontos para declarar essa falência e
reorganizar nossas economias, ou vamos continuar emitindo cheques sem fundo
contra o futuro da vida na Terra? (ecodebate)
domingo, 25 de outubro de 2026
Estudo afirma que o mundo entrou na era da falência hídrica global
Lagos, rios e aquíferos estão
em colapso, colocando em risco produção mundial de alimentos; especialista
afirma que situação pode impulsionar conflitos sociais; em muitas regiões, o
que antes eram secas ocasionais transformaram-se em escassez permanente de
água.
O abastecimento de água no
mundo entrou numa era de falência, após décadas de uso excessivo, poluição e
perturbações causadas pelas mudanças climáticas.
Esse é o quadro trágico apresentado
no relatório “Falência Hídrica Global”, lançado pelo
Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas.
Quase metade da produção
mundial de alimentos sob risco
O estudo revela que muitos
sistemas hidrológicos importantes ao redor do mundo chegaram num ponto sem
volta, em que o volume de água extraída é muito maior que a reposição natural.
Cruzar essa linha significa que aquíferos, lagos e zonas úmidas não podem mais
ser restaurados.
O diretor do Instituto para
Água, Meio Ambiente e Saúde, Kaveh Madani, disse que é preciso encarar a
verdade incômoda de que “muitos sistemas hídricos essenciais já estão em
colapso”. A situação afeta áreas responsáveis por quase metade da produção
global de alimentos.
Falando a jornalistas em Nova Iorque, ele afirmou que se a humanidade continuar a lidar com essa falha como uma crise temporária, com soluções de curto prazo, “o dano ecológico só vai se aprofundar, alimentando conflitos sociais”. Ele enfatizou que a falência da água é uma questão séria de justiça e segurança globais.
Os países em desenvolvimento, como o Iraque (foto), não têm recursos para investir na recuperação, na ação climática e nos ODS.
Lagos, aquíferos e zonas
úmidas estão desaparecendo
Os dados indicam que metade
dos grandes lagos do mundo, dos quais 25% da humanidade depende, perderam água
desde o início da década de 1990. Além disso, 70% dos principais aquíferos
apresentam declínio.
Nas últimas 5 décadas, 410
milhões de hectares de zonas úmidas naturais foram destruídos, quase o
equivalente ao tamanho de toda a União Europeia.
O estudo ressalta que embora
nem todas as bacias hidrográficas ou países estejam nessa situação de falência
hídrica, muitas áreas cruciais já foram afetadas, com consequências no
comércio, migração, equilíbrio climático e relações geopolíticas.
Usando analogias financeiras,
o relatório afirma que muitas sociedades não só gastaram em excesso sua
"renda" anual de água renovável proveniente de rios, solos e neve
derretida, como também esgotaram suas "reservas" de longo prazo em
aquíferos, geleiras, zonas úmidas e outros reservatórios naturais.
Águas cada vez mais tóxicas
O levantamento ressalta o
impacto das escolhas e atividades humanas no esgotamento dos recursos hídricos,
criando situações crônicas. Em muitas regiões, o que antes era uma seca
ocasional transformou-se em escassez permanente de água, que persiste mesmo em
anos com chuvas “normais”, devido a uma demanda maior do que o ambiente pode
oferecer.
Paralelamente a essas
mudanças físicas, a qualidade da água também caiu em muitos locais, devido a
aditivos usados na agricultura, despejo de esgoto, resíduos de mineração,
poluição por plásticos e contaminantes como produtos farmacêuticos e de higiene
pessoal.
Essa poluição degradou rios, lagos e águas costeiras. Bacias hidrográficas densamente povoadas estão sendo afetadas pela proliferação de algas nocivas, contaminação por patógenos e altos níveis de toxicidade, o que dificulta o reaproveitamento da água para uso humano.
A transferência de contaminantes entre espécies marinhas e seres humanos através do consumo de frutos do mar tem sido identificada como um grave risco para a saúde
Fase de “gestão da falência”
Os autores do relatório
enfatizam que os governos devem agora focar na “gestão da falência”, prevenindo
danos irreversíveis, transformando setores que consomem muita água e
priorizando transições justas para comunidades vulneráveis.
O documento foi divulgado
antes de uma reunião de alto nível em Dacar, no Senegal, marcada para 26 a 27
de janeiro. O encontro terá como foco a preparação da Conferência da ONU sobre
a Água de 2026, que será de 2 a 4 de dezembro, nos Emirados Árabes Unidos, com
apoio do Senegal. (news.un.org)
População idosa cresce no Brasil e o país precisa de um plano
O país já contabiliza cerca
de 36,6 milhões de idosos (pessoas com 60 anos ou mais), o que representa uma
parcela expressiva e crescente da população. Para transformar essa transição
demográfica em um cenário positivo, especialistas apontam pilares fundamentais
que vão além da previdência social:
Frentes Essenciais de
Planejamento
• Transporte e mobilidade:
Calçadas seguras, semáforos com tempo adequado de travessia e ônibus acessíveis
evitam o isolamento e preservam a autonomia urbana dos mais velhos.
• Saúde integrada no SUS:
Aprimorar a prevenção e o acompanhamento contínuo (físico e mental) para
combater a perda de capacidade funcional e dar suporte às famílias e
cuidadores.
• Trabalho e renda: Promover
jornadas flexíveis, requalificação profissional e combate ao preconceito etário
para quem deseja ou precisa continuar economicamente ativo.
• Lazer e convivência: Criar
centros de integração e programas intergeracionais para combater a solidão e
preservar a saúde mental da comunidade idosa.
Com mais gente chegando aos
70, 80 e 90 anos, a longevidade é uma conquista que só se transforma em
qualidade de vida com políticas públicas de saúde, moradia, transporte, lazer e
trabalho.
Pense numa rua comum de um
bairro brasileiro. Duas décadas atrás, o barulho vinha das crianças jogando
bola na calçada. Hoje, é bem provável que o som mais frequente seja o de uma
avó chamando o neto da janela, o de um vizinho de 75 anos regando as plantas ou
o de uma tia aposentada que segue trabalhando meio período, porque ainda tem
disposição e também contas a pagar.
Essa mudança silenciosa nas famílias revela um fenômeno bem maior: o Brasil está envelhecendo, e num ritmo que poucos países viveram.
Os números que mudaram o retrato do país
Em 2023, pela primeira vez, o
Brasil passou a ter mais pessoas com 70 anos ou mais do que crianças pequenas.
Para dimensionar o salto: em 1950, havia 4,3 crianças de 0 a 4 anos para cada
pessoa com 60 anos ou mais. A projeção para 2100 inverte a conta, com 10 idosos
para cada criança dessa faixa etária.
A expectativa de vida acompanha essa curva. Era de 48,5 anos em 1950, chegou a 76 em 2024 e deve alcançar 87 até o fim do século. Quem nasceu em meados do século passado dificilmente imaginaria que seus netos viveriam quase 3 décadas a mais.
Viver mais é motivo de celebração
Ao falar de envelhecimento, é
comum ouvir previsões sombrias, como se um país com mais idosos estivesse
fadado ao colapso. Prefiro outro ângulo. Viver mais significa que menos gente
morre cedo, que doenças antes fatais passaram a ter tratamento e que saneamento,
vacinas e atendimento básico chegaram a mais lares. É um resultado coletivo,
construído ao longo de gerações.
O economista Andrew Scott
propõe uma distinção útil: há a sociedade apenas envelhecida e há a sociedade
da longevidade. A diferença está em como cada país trata seus mais velhos, se
como um custo a administrar ou como uma força a aproveitar.
Há evidências de que a segunda opção funciona. Dados da OCDE indicam que, na Europa, cerca de 90% do aumento no número de empregados na última década veio de pessoas com mais de 50 anos. Ao contrário do que muita gente supõe, os mais velhos não esvaziam o mercado de trabalho: ajudam a sustentá-lo.
Não basta somar anos, é preciso somar vida
Aqui está o ponto central.
Importa menos quantos anos a pessoa vai viver e mais como vai vivê-los.
Especialistas chamam isso de longevidade sadia: o tempo vivido com saúde,
autonomia e vontade de participar da vida em comunidade.
Quem mantém a mobilidade, faz acompanhamento de saúde adequado e conta com uma rede de apoio tende a seguir produtivo, a consumir e a contribuir com a sociedade. Quem envelhece sem suporte acaba pressionando hospitais, famílias e o sistema previdenciário. O que separa um cenário do outro são as decisões tomadas hoje, não as de daqui a 3 décadas.
Previdência é só uma parte da conversa
Idosos serão a maior parcela
da população, e expectativa de vida chegará a 83 anos em 2070
Taxa no futuro será de quase 4 idosos para cada 10 habitantes, indica IBGE. Já na idade média, Brasil
será dos 'cinquentões'.
Quando o tema é
envelhecimento, o debate costuma parar na aposentadoria. A sustentabilidade das
contas é legítima e urgente, mas sozinha não dá conta da vida real de quem
envelhece. Um plano sério precisa olhar para ao menos 5 frentes.
Saúde. O sistema precisa
estar preparado para cuidar de doenças crônicas, prevenir quedas, ampliar o
acesso a geriatras e fortalecer a atenção primária e o cuidado domiciliar.
Prevenir sai mais barato e é mais humano do que remediar.
Habitação. Escadas sem
corrimão, banheiros escorregadios e ruas sem acessibilidade transformam o lar
num risco. Programas de adaptação de moradias, opções para quem vive sozinho e
incentivos a projetos acessíveis fazem diferença concreta.
Transporte e mobilidade.
Calçadas regulares, semáforos com tempo suficiente para atravessar, ônibus de
piso baixo e estações acessíveis garantem que a pessoa continue frequentando a
padaria, a consulta e a casa dos amigos. Sem mobilidade, a autonomia vai embora
antes da saúde.
Lazer e convivência. A
solidão adoece. Praças bem cuidadas, centros de convivência, atividades
culturais e esportivas e programas entre gerações ajudam a manter os vínculos e
a saúde mental.
Trabalho. Quem quer ou precisa continuar trabalhando deve poder fazê-lo, com jornadas flexíveis, combate ao preconceito etário e oportunidades de requalificação. A permanência voluntária no mercado é um caminho para colher o chamado dividendo da longevidade: o ganho econômico e social de ter uma população mais velha e mais saudável.
O clima também entra na conta
Idosos em posto de
atendimento do INSS: eles serão maior parcela da população em 2070
Há ainda um fator novo. Uma
pesquisa da Universidade de Michigan com pessoas acima de 50 anos mostrou que
74% haviam vivido ao menos um evento climático extremo recentemente. Entre
elas, 59% temem os efeitos do clima sobre a própria saúde, e 74% se preocupam
com o impacto sobre as gerações futuras.
Não é exagero. Idosos sofrem mais com ondas de calor e com a poluição, que agrava problemas respiratórios. Um plano de adaptação climática que ignore esse grupo deixa de fora justamente a parcela da população que mais cresce.
Idade mediana dos brasileiros hoje e em 2070
A decisão que não pode
esperar
A transição demográfica
brasileira já está em curso, é mensurável e, em boa parte, irreversível. A
pergunta não é se o país vai envelhecer, mas se vai envelhecer bem.
Isso exige políticas públicas
claras, com metas, orçamento e responsáveis definidos, que conversem entre si
em vez de funcionarem em gavetas separadas. Previdência, saúde, habitação,
transporte, lazer, trabalho e clima precisam estar no mesmo desenho, porque na
vida de uma pessoa de 75 anos tudo isso acontece ao mesmo tempo, no mesmo dia.
O Brasil tem a chance de transformar uma mudança demográfica inédita em um projeto de país mais digno e mais humano. Todos nós estamos a caminho dessa fase.
Pirâmide populacional em 2070: População de “cinquentões”
Planejar para os mais velhos
de hoje é, no fundo, cuidar de quem seremos amanhã. (ecodebate)
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Super El Niño previsto para 2026 será o fenômeno mais forte dos últimos 150 anos
Previsão e Intensidade
• Data do pico: Entre
novembro e dezembro de 2026.
• Intensidade: Mais de 90% de
probabilidade de atingir nível "muito forte", podendo ser o mais
intenso em 150 anos segundo análises climáticas e serviços meteorológicos como
o Met Office.
• Duração: Os efeitos devem
se estender por grande parte de 2027.
Impactos no Brasil
• Região Sul: Chuvas
excessivas e temporais frequentes (como no Rio Grande do Sul).
• Norte e Nordeste: Tendência
de tempo seco, calor acentuado e maior risco de incêndios florestais.
• Sudeste e Centro-Oeste:
Variações com áreas mais secas e risco de impacto em reservatórios de energia.
Super El Niño pode se tornar um dos fenômenos mais fortes dos últimos 150 anos.
O El Niño de 2026 continua avançando rapidamente e as projeções mais recentes aumentaram a expectativa de que o fenômeno alcance uma intensidade excepcional nos próximos meses. Modelos climáticos apontam que o pico deve ocorrer entre novembro e dezembro de 2026, com possibilidade de o episódio entrar para a lista dos mais fortes já observados.
A atualização de setembro da
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostra
que existe mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito
forte durante o fim de 2026 e o inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte.
Além disso, a NOAA calcula
75% de chance de o trimestre outubro-novembro-dezembro registrar um evento
histórico, com intensidade superior à de todos os episódios de El Niño
registrados pela série utilizada pelo órgão desde 1950.
Projeções analisadas por pesquisadores também levantam a possibilidade de o episódio de 2026/2027 se transformar no El Niño mais intenso em pelo menos 150 anos de registros e reconstruções históricas. No entanto, essa comparação ainda depende de como o fenômeno realmente evoluirá até atingir seu máximo.
Quando será o pico do Super El Niño?
A Organização Meteorológica
Mundial (OMM) aponta que a intensificação deve continuar durante a primavera no
Hemisfério Sul. A previsão mais recente indica que o fenômeno deverá alcançar
seu ponto máximo entre novembro e dezembro de 2026.
Ativistas do Greenpeace
Brasil na Marcha pelo Clima em 2024, ano sob influência de forte El Niño, com
pior seca da história e de fortes enchentes, como o desastre climático no Rio
Grande do Sul.
Portanto, apesar de o El Niño
já estar muito forte, o oceano ainda poderá esquentar mais nas próximas
semanas.
A OMM estimou, em sua
atualização para setembro, outubro e novembro, uma anomalia média próxima de
3,6°C na região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas pelos cientistas
para acompanhar a evolução do fenômeno.
O termo “Super El Niño” não
representa uma categoria meteorológica oficial separada. Especialistas costumam
empregá-lo informalmente para descrever episódios excepcionalmente fortes,
conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Pacífico já registra
aquecimento
Os dados divulgados pelo
International Research Institute for Climate and Society (IRI), da Universidade
de Columbia, mostram que o aquecimento já alcançou níveis impressionantes.
Na semana centrada em 16 de
setembro, o índice Niño 3.4 chegou a 3°C acima da média. Em agosto, a média
mensal havia sido de 2,52°C, mostrando uma intensificação rápida em poucas
semanas.
Além disso, os 22 modelos
climáticos analisados pelo IRI projetam um El Niño muito forte durante o fim de
2026 e o começo de 2027.
A maioria dos modelos também
indica que as anomalias na região Niño 3.4 poderão permanecer próximas ou acima
de 3°C justamente durante o período em que o fenômeno costuma alcançar sua
maior intensidade.
Outro fator aumenta a atenção
dos meteorologistas. Uma enorme quantidade de água excepcionalmente quente
permanece abaixo da superfície do Pacífico equatorial.
Segundo o IRI, algumas
regiões entre aproximadamente 50 e 150 metros de profundidade apresentam
temperaturas mais de 8°C superiores ao normal. Esse reservatório de calor pode
continuar alimentando o aquecimento da superfície do oceano.
Super El Niño pode ser o
maior em 150 anos
Uma análise divulgada em
julho reuniu centenas de simulações climáticas e indicou a possibilidade de o
El Niño de 2026 superar os grandes episódios registrados desde o fim do século
XIX.
A revista científica Nature
destacou que pesquisadores consideram possível que o evento se transforme no
maior em pelo menos 150 anos caso as projeções mais extremas se confirmem.
O Serviço Geológico dos
Estados Unidos (USGS) também afirma que a NOAA e outras instituições projetam
um evento muito forte, potencialmente entre os maiores observados em mais de
150 anos.
Entretanto, ainda não é
possível afirmar definitivamente que o recorde será quebrado. A intensidade
oficial dependerá das temperaturas observadas durante vários meses e da
resposta conjunta entre oceano e atmosfera.
El Niño deve continuar em
2027
O fenômeno também não deverá
desaparecer logo depois de atingir seu pico.
As projeções do IRI indicam
100% de probabilidade de manutenção do El Niño até o trimestre
fevereiro-março-abril de 2027. Depois disso, a chance começa a diminuir
conforme o fenômeno tende a perder força.
A previsão oficial da NOAA
também mantém uma probabilidade extremamente elevada de El Niño durante os
primeiros meses de 2027, antes de uma possível transição para condições neutras
durante o segundo trimestre.
Isso significa que os efeitos associados ao fenômeno poderão continuar influenciando o clima mesmo depois do pico previsto para novembro e dezembro.
Super El Niño já começa a impactar as regiões do Brasil
Brasil pode sentir impactos
diferentes em cada região
No Brasil, o cenário exige
atenção principalmente por causa das alterações na distribuição das chuvas e
das temperaturas.
O boletim oficial produzido
por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e
Censipam aponta tendência de chuvas acima da média no Sul, especialmente no Rio
Grande do Sul. Parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul também poderá registrar
volumes superiores ao normal.
Por outro lado, áreas do
Norte e Nordeste tendem a enfrentar menos chuva. Partes de Mato Grosso,
Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo também apresentam
maior probabilidade de precipitações abaixo da média.
Além disso, os
meteorologistas projetam temperaturas acima da média em praticamente todo o
Brasil. A combinação de calor e períodos prolongados sem chuva também pode
elevar o risco de queimadas principalmente nas regiões central e norte do país.
No Sul, por outro lado, um El
Niño muito intenso pode favorecer episódios de chuva volumosa. Por isso, os
órgãos brasileiros mantêm o monitoramento sobre a possibilidade de enchentes,
temporais e outros eventos extremos.
Apesar disso, os cientistas
reforçam que um El Niño mais forte não significa automaticamente impactos
extremos em todos os lugares. Outros fatores atmosféricos e oceânicos também
determinam onde e quando ocorrerão ondas de calor, secas ou grandes volumes de
chuva.
O Brasil e as políticas públicas para eventos climáticos extremos
Os textos convergem na
análise dos crescentes e devastadores impactos dos eventos climáticos extremos,
com um foco especial na vulnerabilidade social e na insuficiência das políticas
públicas no Brasil.
1. O preço humano e social da
crise climática: a vulnerabilidade dos mais pobres
Um tema central e recorrente
em todos os artigos é a desproporcionalidade dos impactos dos eventos
climáticos extremos, que recaem de forma mais severa sobre a população pobre e
marginalizada. O artigo “Extremos climáticos sempre afetam os mais pobres”
destaca que, embora o mundo todo sofra com tragédias climáticas, no Brasil,
eventos como deslizamentos e enchentes resultam em centenas de mortes, “em sua
maioria de cidadãos pobres que habitam em áreas de risco”.
Essa vulnerabilidade é intrinsecamente ligada à falta de políticas públicas eficazes. A ausência de programas de geração de emprego e renda, projetos habitacionais e acesso a serviços básicos leva famílias pobres a ocupar ilegalmente áreas de risco, buscando proximidade com locais de trabalho e serviços essenciais. O texto argumenta que a formação de favelas em áreas perigosas é um “primeiro erro da administração pública, que é a ausência total de políticas públicas sérias que possam reverter este fenômeno”.
A omissão do poder público na fiscalização e prevenção dessas ocupações é apontada como um “crime”. A permissão para a criação dessas comunidades em áreas de alto risco, sabendo que “mais cedo ou mais tarde, uma tragédia acontecerá”, demonstra uma negligência que se perpetua ao longo dos mandatos. A consequência é a contínua construção de um cenário de tragédias onde “a verdadeira tragédia no Brasil seja ser pobre e privado dos serviços básicos, ser invisível aos olhos dos políticos”.
2. A insuficiência crítica
das políticas públicas urbanas
Os artigos evidenciam uma
lacuna significativa nas políticas públicas brasileiras para lidar com
desastres naturais. O levantamento apresentado em “Faltam políticas públicas
urbanas para desastres naturais no Brasil” revela que a maioria das capitais
brasileiras não possui planos diretores com regulamentações adequadas para
prevenção e reparação de danos causados por desastres. A pesquisa identificou
que apenas 17 capitais (42%) usam o termo “risco” para expressar situações
catastróficas e somente 10 capitais (24%) tratam efetivamente de políticas
públicas para desastres. A situação é ainda mais crítica no que diz respeito ao
direito à moradia em casos de reassentamentos ou realocações, mencionado por
apenas 7 capitais (17%).
A falta de amparo jurídico e de um debate consolidado sobre o direito à moradia como um direito social constitucionalmente garantido agrava o problema. O texto ressalta que, mesmo com o repasse de recursos em desastres recentes, “os instrumentos jurídicos foram insuficientes para amparar a gestão territorial desse tipo de situação”. A ausência de dispositivos legais para penalizar a administração pública por negligência e omissão em tragédias é destacada em “Extremos climáticos sempre afetam os mais pobres”, reforçando a ideia de que os políticos evitam criar leis que possam puni-los.
3. A relação direta entre mudanças climáticas e eventos extremos
Os textos estabelecem uma
conexão clara entre as mudanças climáticas globais e o aumento na frequência e
intensidade dos eventos climáticos extremos. “Impactos dos eventos climáticos
extremos na população e na economia” explica que as alterações no clima da
Terra, causadas principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, “afetam
o equilíbrio do sistema climático e podem aumentar a frequência, a intensidade
e a duração dos eventos climáticos extremos”. O Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC) é citado para corroborar a influência das mudanças
climáticas em eventos como ondas de calor, secas e chuvas intensas, projetando
que “esses eventos se tornarão mais frequentes e severos com o aumento do
aquecimento global”.
O artigo “Riscos climáticos aumentam e cobram preço humano e econômico” reforça essa ligação, afirmando que “Perigos climáticos hídricos estão aumentando em frequência e intensidade como resultado das mudanças climáticas”. O Secretário-Geral da OMM, Prof. Petteri Taalas, destaca que, “Conforme a atmosfera fica mais quente, ela retém mais umidade, o que significa que choverá mais durante as tempestades, aumentando o risco de inundações”. A tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, é apresentada em “Tragédia Climática no Rio Grande do Sul: Lições de um Desastre” como um “choque de realidade triste” que demonstra a urgência de ações, com o Brasil enfrentando um número crescente de eventos extremos.
4. Os custos humanos e econômicos devastadores
Os artigos detalham os
múltiplos e severos impactos dos eventos climáticos extremos, tanto na
população quanto na economia. “Impactos dos eventos climáticos extremos na
população e na economia” lista consequências diretas como “Mortes e
ferimentos”, “Deslocamentos e migrações”, “Prejuízos econômicos”, “Problemas de
saúde” e “Conflitos sociais”.
No âmbito econômico, os danos
são significativos. O relatório da ONG Christian Aid, citado em “Impactos dos
eventos climáticos extremos na população e na economia”, aponta que em 2021, 10
eventos extremos causaram prejuízos bilionários globalmente. O furacão Ida nos
EUA, com US$ 95 bilhões em danos, e as enchentes na Europa, com US$ 30 bilhões,
são exemplos destacados. A América Latina também sofreu, com a seca do Rio
Paraná afetando navegação, agricultura e energia, e as enchentes na Bahia
deixando milhares de desabrigados.
O artigo “Riscos climáticos
aumentam e cobram preço humano e econômico” apresenta dados da Organização
Meteorológica Mundial (WMO), revelando que, entre 1970 e 2019, os riscos
relacionados à água dominaram os desastres em termos de custos humanos e
econômicos. Secas, tempestades e inundações foram responsáveis pelas maiores
perdas humanas, enquanto tempestades e enchentes geraram as maiores perdas
econômicas globais. Apesar da melhoria nos sistemas de alerta e gestão de
desastres, que têm reduzido o número de mortes em algumas regiões como a Europa
(excetuando as ondas de calor extremas), o custo econômico continua alto.
5. A urgência de adaptação e
mitigação
Diante do cenário
apresentado, os artigos enfatizam a necessidade urgente de ações de adaptação e
mitigação para enfrentar os desafios impostos pelos eventos climáticos
extremos. “Impactos dos eventos climáticos extremos na população e na economia”
sugere que a adaptação consiste em “aumentar a resiliência dos sistemas
naturais e humanos aos eventos climáticos extremos, por meio de planejamento,
prevenção, proteção e recuperação”. Já a mitigação envolve “reduzir as emissões
de gases de efeito estufa e aumentar os sumidouros de carbono, por meio de
transição energética, eficiência, inovação e cooperação”. A “recuperação verde”
é vista como uma oportunidade para alinhar essas medidas com a retomada
econômica pós-pandemia.
O artigo “Tragédia Climática
no Rio Grande do Sul: Lições de um Desastre” reitera a urgência da redução de
emissões e da adaptação aos impactos. Gustavo Loiola, especialista citado no
texto, afirma que “para lidar com essa situação, duas frentes de ação são
essenciais: a redução de emissões de gases do efeito estufa e a adaptação aos
impactos já em curso”. Ele destaca a importância de “Investir em infraestrutura
resistente, desenvolver planos de emergência, adotar práticas sustentáveis e
aprender com soluções baseadas na natureza” como passos cruciais para a
adaptação.
Os artigos fornecem um
panorama crítico e urgente sobre os impactos dos eventos climáticos extremos no
Brasil. Eles demonstram que a crise climática não é apenas um problema
ambiental, mas uma questão profundamente social e econômica, que exacerba as
desigualdades existentes e cobra um alto preço humano e financeiro.
A
falta de políticas públicas eficazes, especialmente no âmbito urbano e social,
é identificada como um fator crucial que aumenta a vulnerabilidade da
população, em particular dos mais pobres.
A urgência em implementar
medidas de adaptação e mitigação, aliada a um compromisso político real e à
criação de um arcabouço legal mais robusto, é fundamental para enfrentar este
desafio crescente e construir um futuro mais resiliente e justo. (ecodebate)
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