A região Centro-Oeste tem a
segunda estrutura etária mais rejuvenescida.
Com base nos dados do Censo
2022, a região Centro-Oeste possui uma das estruturas etárias mais jovens do
Brasil, situando-se geralmente como a 2ª mais rejuvenescida, atrás apenas da
região Norte. Embora o país esteja envelhecendo, o Centro-Oeste mantém uma
idade mediana abaixo da média nacional.
Pontos-chave sobre o Centro-Oeste
(Censo 2022/2023):
• A 2ª mais jovem: A região
Norte é a mais jovem, enquanto o Centro-Oeste apresenta maior proporção de
jovens e adultos ativos em comparação com o Sul e Sudeste, que são mais
envelhecidos.
• Transição demográfica: A
região ainda possui uma estrutura etária "rejuvenescida", com o
envelhecimento populacional ocorrendo em ritmo moderado em certas áreas, mas
crescendo na média nacional.
• Influência da migração: O
crescimento populacional impulsionado pela atração de trabalhadores (especialmente
no setor agropecuário e serviços urbanos) contribui para manter a estrutura
etária mais jovem em relação a regiões tradicionais.
Enquanto Sul e Sudeste
lideram o envelhecimento, o Centro-Oeste atua como uma região de transição, com
estrutura intermediária, mas ainda com rejuvenescimento considerável.

A região Centro-Oeste, embora
ainda apresente a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já
iniciou a fase de declínio da população em idade ativa.
O Brasil está passando por
uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela
primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e
adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal
tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido
diferenciado para as Grandes Regiões do país.
O gráfico abaixo, com dados
dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de
Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de
12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos,
passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em
2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.
As regiões Sul e Sudeste possuem
IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem
IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais
jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41
idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de
Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de
60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens
do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região
Sudeste.

O gráfico abaixo, com dados
dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns
grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14
anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade
(19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à
população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em
2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém, o percentual de
pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela
de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus
demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de
oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da
longevidade).
A população 50+ era de 10,7%
em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7%
em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se
aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em
1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados
da região Centro-Oeste permite comparar com a média nacional do gráfico
anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Centro-Oeste é maior do que a
proporção brasileira. Era de 45,1% da população do Centro-Oeste em 1970 e caiu
para 20,9% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à
população em idade economicamente ativa, subiu de 51,3% em 1970 para 66,7% em
2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a
janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém, o percentual de
pessoas 15-59 anos diminuiu para 65,9% em 2022, significando que a janela de
oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico,
mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade,
ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).
A população do Centro-Oeste
de 50+ era de 7,9% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2019 e chegou
a 24,7% em 2022. A população 60+ era de 3,4% em 1970 e chegou a 13,2% em 2022,
se aproximando do percentual da população jovem. A população do Centro-Oeste de
70+ era de 1,1% em 1970 e chegou a 5,6% da população em 2022.

A região Centro-Oeste ocupa
uma posição singular na dinâmica demográfica brasileira. Embora ainda apresente
a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já iniciou a fase de
declínio da população em idade ativa, sinalizando o avanço da transição
demográfica. Ao mesmo tempo, por ser o principal polo produtor de commodities
agropecuárias e minerais, continua atraindo imigrantes jovens de outras
regiões. Essa combinação de envelhecimento incipiente com forte migração
seletiva cria um quadro híbrido, repleto de desafios estruturais e
oportunidades estratégicas.
Os principais desafios são:
Esgotamento gradual do bônus
demográfico. A queda da população em idade ativa indica que o bônus demográfico
está se aproximando do fim. Se a produtividade não crescer suficientemente, o
dinamismo econômico pode desacelerar nas próximas décadas.
Dependência
de setores intensivos em capital e pouco intensivos em trabalho. A produção de
commodities, especialmente no agronegócio moderno, é altamente mecanizada. Isso
limita a absorção de mão de obra e pode gerar um descompasso entre o volume de
migrantes jovens e as oportunidades de emprego de qualidade.
Urbanização acelerada e
pressão sobre cidades médias. O fluxo migratório pressiona infraestrutura
urbana, habitação, saneamento, mobilidade e serviços públicos, especialmente em
cidades médias que crescem rapidamente, muitas vezes sem planejamento adequado.
Desigualdades sociais e
territoriais. O crescimento econômico baseado em commodities não garante,
automaticamente, distribuição de renda. Persistem bolsões de informalidade,
trabalho precário e exclusão social, sobretudo entre migrantes recentes.
Vulnerabilidade
às oscilações do mercado internacional. A forte especialização produtiva torna
a região sensível a choques externos, variações de preços e mudanças
climáticas, o que pode afetar emprego e arrecadação.
O Brasil envelheceu: você está
pronto para o mercado de 2026-2030?
As principais oportunidades
são:
Renovação demográfica via
migração interna. A atração contínua de jovens atenua os efeitos do
envelhecimento e do declínio da população ativa, funcionando como um
“amortecedor demográfico” frente à transição em curso.
Aumento da produtividade e
inovação no agronegócio. A presença de trabalhadores jovens pode impulsionar a
adoção de tecnologias digitais, agricultura de precisão, biotecnologia e
práticas sustentáveis, elevando a produtividade total dos fatores.
Diversificação da base
econômica. O dinamismo do setor primário cria encadeamentos produtivos em
logística, agroindústria, serviços avançados, pesquisa e desenvolvimento,
abrindo espaço para maior geração de empregos urbanos.
Consolidação de cidades
médias como polos regionais. O crescimento populacional e econômico fortalece
cidades médias, que podem se tornar centros de inovação, educação superior e
serviços especializados, reduzindo a dependência das metrópoles tradicionais.
Preparação antecipada para o
envelhecimento. Por ainda contar com população relativamente jovem, o
Centro-Oeste tem uma janela de oportunidade para estruturar políticas de
previdência, saúde e cuidados de longo prazo antes que o envelhecimento se
intensifique.
A
dinâmica demográfica do Centro-Oeste reflete uma transição intermediária: o
bônus demográfico já não cresce, mas a migração jovem ainda sustenta o
dinamismo regional. O grande desafio é converter crescimento econômico baseado
em commodities em desenvolvimento sustentável, diversificado e inclusivo. Se
bem administrada, essa fase pode permitir ao Centro-Oeste manter sua vitalidade
econômica, reduzir desigualdades e se preparar de forma mais equilibrada para o
inevitável envelhecimento populacional nas próximas décadas. (ecodebate)