sexta-feira, 3 de abril de 2026

Restauração de 1,67 milhão de hectares na Mata Atlântica na última década

Pesquisa revela restauração de 1,67 milhão de hectares na Mata Atlântica na última década.
Uma pesquisa recente revelou a restauração de 1,67 milhão de hectares de floresta nativa na Mata Atlântica entre os anos de 2011 e 2021, representando cerca de 4% da cobertura atual do bioma. A regeneração, impulsionada por processos naturais e conservação, concentrou-se em Minas Gerais, Paraná, Bahia e São Paulo, frequentemente em "mosaicos de uso" (áreas mistas de lavoura e floresta).

Destaques da Pesquisa:

Regeneração Natural: O estudo aponta que boa parte desse ganho ocorreu por regeneração espontânea, evidenciando a capacidade de resiliência da Mata Atlântica.

Papel dos Pequenos Produtores: 45% da área total recuperada está em terras privadas, com pequenos produtores rurais tendo um papel fundamental na recuperação, especialmente em áreas de encostas e bordas de rios, informa o SOS Mata Atlântica.

Principais Estados: Os estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo (12,7%) concentraram o maior índice de restauração, afirma o EcoDebate.

Risco e Desafio: Apesar da área restaurada, o estudo alerta que a "perda de áreas jovens" — onde a vegetação volta a ser desmatada após iniciar a regeneração — ameaça os resultados, exigindo proteção permanente.

Impacto Econômico e Ambiental: A restauração é considerada uma estratégia de baixo custo e alta eficiência para o sequestro de carbono e conservação da biodiversidade, destaca o VEJA.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da Estratégia Mata Atlântica, em parceria com a UFSCar, TNC e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, utilizando dados do MapBiomas, aponta a Agência FAPESP e o nossacidade.online.

Um estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation revela que a Mata Atlântica registrou avanço significativo na restauração florestal na última década.

Entre 2011 e 2021, cerca de 1,67 milhão de hectares de florestas nativas foram recuperados no bioma, segundo análise baseada em dados da iniciativa MapBiomas.

O processo de recuperação foi muito mais intenso nos estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo (12,7%). Embora o mapeamento não diferencie áreas que passaram por regeneração natural daquelas que receberam ações de restauração ativa, os pesquisadores indicam que a maior parte do crescimento da cobertura florestal ocorreu por processos naturais.

Segundo Vinicius Tonetti, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no Centro de Ciência para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, os resultados demonstram que a recuperação da Mata Atlântica em larga escala é possível. “Os dados mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em paisagens com intensa atividade produtiva”, afirma. O Centro recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp; processo nº 2021/11940-0), está sediado no Campus Lagoa do Sino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e tem o professor Paulo Guilherme Molin, do Centro de Ciências da Natureza (CCN), como pesquisador responsável.

A pesquisa também aponta que 75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como “mosaicos de uso”, regiões onde há mistura de pequenas lavouras, pastagens e vegetação em regeneração. Esses locais frequentemente incluem pastagens abandonadas ou pouco produtivas, que podem se recuperar naturalmente quando as condições ambientais são favoráveis.

Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam que nem toda floresta regenerada permanece preservada ao longo do tempo. A análise mostra que 568 mil hectares de áreas que haviam se recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado no levantamento. Para Tonetti, o dado reforça a necessidade de políticas públicas e incentivos para garantir a permanência dessas áreas. “O trabalho de restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo benefícios ambientais”, explica.

Entre as medidas apontadas como estratégicas estão pagamentos por serviços ambientais, fiscalização ambiental e políticas específicas para a proteção de florestas secundárias, que são áreas importantes para a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a regulação do ciclo da água.
O estudo também destaca o papel da regeneração natural como uma estratégia eficiente e de menor custo para recuperar grandes áreas.

Segundo Tonetti, esse processo depende fortemente da atuação da fauna. “Muitas espécies de árvores tropicais têm sementes dispersas por aves e mamíferos frugívoros. Esses animais transportam e espalham as sementes pela paisagem, favorecendo a regeneração das florestas”, afirma. Em pesquisa anterior desenvolvida durante seu doutorado, Tonetti já havia demonstrado a importância desses animais para a recuperação em larga escala da Mata Atlântica.

Ao todo, a pesquisa reuniu 16 cientistas de 14 instituições, entre universidades, organizações não governamentais e coletivos de restauração. Todos os autores integram o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa que articula diferentes atores para promover a recuperação do bioma em larga escala, com benefícios ambientais, sociais e econômicos. O estudo está disponível para leitura na íntegra na plataforma ScienceDirect (em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2530064425000598). (ecodebate)

Mudanças climáticas reduzem a produção de alimentos

As mudanças climáticas reduzem a produção global de alimentos através de secas, inundações e calor extremo, comprometendo safras de grãos e a pecuária. Estudo indica que um aumento de 1ºC na temperatura global reduz a produção em cerca de 120 kcal por pessoa/dia. Essa queda na oferta aumenta a inflação de alimentos e a insegurança alimentar global.

Principais Impactos na Produção de Alimentos:

Eventos Extremos: Secas severas e inundações devastam plantações, como milho e arroz, além de secar rios importantes para a agricultura.

Perda de Produtividade: O calor excessivo diminui a eficiência produtiva do rebanho em até 15% e o aumento da acidez dos oceanos coloca em risco a produção de alimentos marinhos.

Impacto Econômico: A menor oferta de alimentos resulta no aumento dos preços, elevando o custo de vida e gerando inflação na cesta básica.

Qualidade Nutricional: Concentrações elevadas de CO2 podem reduzir o teor de ferro e zinco em grãos e vegetais, como batata e mandioca.

Áreas de Cultivo: A mudança no regime de chuvas torna inaptas algumas regiões tradicionais de cultivo, forçando a busca por novas áreas adaptáveis.

Contexto Brasileiro:

A agropecuária brasileira é um dos setores mais afetados, enfrentando secas no Rio Grande do Sul e na Amazônia. A crise climática é um dos principais fatores para o aumento da insegurança alimentar, com 20 países da América Latina em risco. Estudo da Embrapa sugere que a mandioca é uma das culturas mais resilientes a esses estresses.

O ciclo de retroalimentação climática já reduz as colheitas, aumentando os preços e agravando a fome global

A agricultura é simultaneamente causa e vítima da crise climática

A relação da humanidade com a terra tornou-se perigosamente autodestrutiva. O setor agroalimentar é responsável por quase um terço das emissões globais de gases de efeito estufa, o que o torna um dos principais contribuintes para a crise que agora ameaça o seu futuro.

Calor extremo, inundações catastróficas e secas prolongadas, intensificados por décadas de emissões agrícolas, estão agora afetando os campos que produzem nossos alimentos. O ciclo vicioso está completo e suas consequências já são sentidas nos números das colheitas, nos preços dos alimentos e nas estatísticas de fome em todo o mundo.

Queda na produtividade está acontecendo agora

Isso não é mais um alerta sobre um futuro distante. Um estudo publicado na revista Nature, baseado em observações de mais de 12.000 regiões em 55 países e analisando culturas que fornecem dois terços das calorias da humanidade, oferece o panorama mais abrangente até o momento sobre a dimensão do problema.

Levando em conta a adaptação realista por parte dos agricultores, os pesquisadores estimam que a produção global de calorias provenientes de culturas básicas, em um futuro com altas emissões, será 24% menor em 2100 do que seria sem as mudanças climáticas.

Essa trajetória já está em curso. As mudanças climáticas já representam um impacto negativo líquido na produção agrícola e estima-se que, entre 1980 e 2008, a produção global de milho tenha diminuído em 3,8% e a de trigo em 5,5%. Cada fração de um ponto percentual representa milhões de toneladas de alimentos e riscos para incontáveis vidas.

Em um mundo 3º mais quente, a matemática se torna alarmante. Perder um quarto da capacidade de produção de culturas básicas equivale, em termos nutricionais, a retirar uma refeição por dia de cada pessoa no planeta.

Quem perde mais?

Os danos não são distribuídos igualmente e aí reside um desafio moral. Regiões do Canadá, da China e da Rússia podem se beneficiar do aquecimento global em termos de produtividade agrícola, enquanto as perdas mais acentuadas são projetadas nos principais celeiros agrícolas e nas comunidades de agricultura de subsistência, com perdas de produtividade que podem chegar a uma média de 41% nas regiões agrícolas mais ricas e 28% nas regiões de menor renda até 2100.

Os países de baixa e média renda suportarão grande parte do fardo, com a maior parte do aumento da fome concentrada na África Subsaariana. Os pequenos produtores, que constituem a maioria dos produtores agrícolas nessas nações, enfrentam redução na produção agrícola, com graves consequências para seus meios de subsistência.

Na África, os níveis de fome aumentaram em todo o continente, exceto na África Oriental, com mais de uma em cada cinco pessoas enfrentando agora fome crônica, um número que acarreta graves implicações para a estabilidade regional.

Além das calorias, a qualidade nutricional também está em declínio, com reduções documentadas no teor de proteínas e minerais essenciais em culturas básicas cultivadas sob níveis elevados de CO2 atmosférico.

Água, solo e o ciclo de retroalimentação

A escassez de água agrava todos os outros desafios. Prevê-se que a seca se alastre por mais de 80% das terras agrícolas do mundo até 2050. O calor extremo acelera a degradação do solo por meio da erosão e da perda de nutrientes, e as consequências vão além da perda de produtividade.

Solos degradados armazenam menos carbono e exigem mais fertilizantes químicos, cuja aplicação libera óxido nitroso, que é um gás de efeito estufa aproximadamente 300 vezes mais potente que o CO2. A crise do solo não apenas reduz a produtividade; ela agrava ativamente o aquecimento que causa a crise em primeiro lugar.

O que antes eram choques climáticos isolados agora se tornaram rotina, colocando em risco as colheitas agrícolas e, em última análise, elevando os preços dos alimentos. Prevê-se que, até 2050, as mudanças climáticas aumentarão os preços globais das commodities em até 18%, e até 78 milhões de pessoas a mais poderão enfrentar a fome crônica como consequência.

Ciência, políticas públicas e inclusão

As soluções existem. O que falta é a velocidade e a escala da sua implementação.

Redução da emissão de gases estufa e descarbonização da economia. Além da transição energética, justa e inclusiva, também são prioritárias a redução do consumo de combustíveis fósseis, a eliminação do desmatamento e a recuperação e renaturalização de áreas degradadas

Adoção da agroecologia em substituição da produção agroindustrial. A agroecologia é uma abordagem integrada simultaneamente que aplica conceitos e princípios ecológicos e sociais ao design e manejo de sistemas alimentares e agrícolas, agindo para otimizar as interações entre plantas, animais, seres humanos e meio ambiente, levando em conta os aspectos sociais que devem ser abordados para um sistema alimentar sustentável e equitativo.

A agricultura de precisão está entre as fronteiras mais promissoras. Variedades de culturas resistentes ao clima já estão sendo testadas em regiões propensas à seca. A produção agrivoltaica, definida como o uso duplo da terra para agricultura e geração de energia solar, oferece um modelo para produzir alimentos e energia limpa simultaneamente, reduzindo tanto a pressão sobre a terra quanto as emissões.

Modelos sustentáveis de manejo da água e do solo, incluindo o plantio direto e a cobertura morta direcionada para reduzir a evaporação, podem preservar a estrutura do solo e reduzir drasticamente o consumo de água. A melhoria da infraestrutura de irrigação, principalmente no Sul Global, é essencial para que os pequenos agricultores se mantenham produtivos em uma era de chuvas cada vez mais imprevisíveis.

A diversificação de culturas e a fixação de nitrogênio, integrando culturas perenes e plantas fixadoras de nitrogênio em rotações de culturas, reduzem a dependência de fertilizantes químicos e aumentam a resiliência do solo a longo prazo, diminuindo as emissões que causam o problema e, ao mesmo tempo, melhorando a produtividade.

Políticas públicas e inclusão são igualmente indispensáveis. Políticas agrícolas resilientes ao clima precisam ser direcionadas para abordar os contextos políticos locais e nacionais, os fatores culturais e sociais e as condições agroecológicas, a fim de serem eficazes e inclusivas. Os governos devem desmantelar ativamente as barreiras socioeconômicas que impedem os pequenos agricultores e, em particular, as mulheres, as comunidades indígenas e os produtores de subsistência, de acessar tecnologias resilientes ao clima. O conhecimento ecológico tradicional, acumulado ao longo de gerações, deve ser valorizado e integrado às estratégias de adaptação, em vez de ser ignorado.

Os gastos globais com agricultura aumentaram em 2024, mas os gastos em outros setores aumentaram proporcionalmente, o que significa que a participação da agricultura no investimento permaneceu estagnada em 2,3%. Isso é insuficiente para a escala de transformação necessária.

A urgência não pode ser subestimada

O abastecimento de alimentos já está sendo afetado. Uma perda de 5% ou 10% na produtividade agrícola pode parecer abstrata em uma planilha, mas, na prática, se traduz em centenas de milhões de pessoas enfrentando fome, preços mais altos dos alimentos e pobreza ainda mais profunda.

A adaptação não é mais uma opção a ser ponderada em relação ao custo da ação; é uma condição essencial para a sobrevivência.

Decisões e ações atuais definirão os resultados nos próximos anos, determinando se as gerações futuras ainda terão comida suficiente. (ecodebate)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Cidades brasileiras podem ser engolidas pelo avanço do nível do mar

NASA aponta cidades brasileiras que podem ser engolidas pelo avanço do nível do mar.

Aumento do nível do mar ameaça cidades litorâneas e exige planejamento urbano

Dados recentes de monitoramento climático mostram que o nível do mar vem subindo em ritmo acelerado nas últimas décadas, alterando paisagens costeiras e pressionando cidades litorâneas em todo o planeta. A elevação média global já subiu alguns centímetros desde o fim do século passado, mas os impactos locais são mais fortes em determinadas áreas. No Brasil, áreas costeiras habitadas sofrem com alagamentos, erosão de praias e danos urbanos.

Por que o nível do mar está subindo rapidamente?

A explicação para a elevação do nível do mar está relacionada ao aquecimento global, que provoca a expansão térmica da água dos oceanos. Paralelamente, o aquecimento atinge geleiras de montanhas e grandes mantos de gelo na Groenlândia e na Antártida, liberando grandes volumes de água doce para os mares.

A principal causa desse aquecimento é a concentração crescente de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄), resultantes da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e atividades industriais. Mantidas as emissões atuais, modelos climáticos indicam que a temperatura global pode continuar subindo, pressionando ainda mais o nível dos oceanos.
O nível do mar vem subindo em várias regiões costeiras do planeta

Quais cidades brasileiras são mais vulneráveis ao avanço do mar?

Relatórios da NASA, do IPCC e de instituições como a Climate Central apontam que diferentes regiões costeiras brasileiras podem enfrentar impactos significativos até 2100. Os efeitos variam conforme o cenário de emissões, a topografia local e o planejamento urbano de cada município.

Entre os locais que exigem atenção especial, aparecem:

- Região Metropolitana do Rio de Janeiro: áreas baixas da Baixada Fluminense e ilhas na baía vulneráveis a marés altas e tempestades costeiras.

- Região Norte: litoral do Amapá e arquipélago do Marajó com maior frequência de alagamentos e impactos em populações ribeirinhas.

- Rio Grande do Sul: cidades da região da Lagoa dos Patos, como Pelotas, e setores de Porto Alegre próximos a áreas alagáveis.

- Maranhão: zona costeira dos Lençóis Maranhenses com possíveis alterações na dinâmica de dunas, lagoas e faixas de praia.

- Recife (PE) e Santos (SP): áreas urbanas de baixa altitude, com infraestrutura portuária e inundações costeiras recorrentes.

Quais impactos o aumento do nível do mar causa no cotidiano?

O avanço do mar tende a provocar erosão costeira, reduzindo a faixa de areia em praias urbanas e rurais e afetando turismo, setor imobiliário e atividades portuárias. Em área.s densamente ocupadas, essa perda de faixa de praia pode aumentar conflitos de uso do solo e pressionar obras emergenciais.


A salinização de rios e lençóis freáticos próximos à costa compromete o abastecimento de água potável, a agricultura irrigada e ecossistemas como manguezais e restingas. Nos centros urbanos, inundações associadas a marés altas e chuvas intensas danificam ruas, drenagem, esgoto e podem levar à necessidade de realocação de populações em risco.
O derretimento de geleiras libera grandes volumes de água nos oceanos

Como as regiões costeiras podem se proteger de inundações?

As estratégias de proteção combinam obras de engenharia e soluções baseadas na natureza, planejadas com projeções atualizadas de clima e maré. Diques, muros de contenção, comportas e sistemas de drenagem reforçada podem reduzir alagamentos em áreas críticas, mas exigem manutenção constante e monitoramento.

Ao mesmo tempo, a recuperação de manguezais, recifes e dunas funciona como barreira natural, ajudando a dissipar a energia das ondas e reduzir a erosão. Planos diretores que limitam novas construções em zonas muito baixas, somados a sistemas de alerta precoce para marés altas e tempestades, são apontados como medidas essenciais de adaptação.

É possível frear o aumento do nível do mar?

Conter o ritmo de elevação do nível do mar depende da redução das emissões globais de gases de efeito estufa e da aceleração da transição para fontes de energia renovável. A substituição de combustíveis fósseis na geração elétrica, no transporte e na indústria reduz o aquecimento adicional que alimenta o degelo e a expansão térmica dos oceanos.

A cooperação internacional e o acesso a financiamento climático são cruciais para países em desenvolvimento fortalecerem a adaptação costeira. Combinando corte de emissões, planejamento urbano cuidadoso, proteção de ecossistemas e educação climática, ainda é possível limitar parte dos impactos, que podem afetar milhões de pessoas em cidades litorâneas brasileiras ao longo deste século. 

O aquecimento global acelera o derretimento de geleiras e a expansão térmica dos oceanos, com isso tudo, há um aumento do nível do mar.

Estudo da NASA aponta risco de cidades brasileiras serem engolidas pelo avanço do nível do mar. (terrabrasilnoticias)

Chegada do El Niño eleva risco para energia e reservatórios

Cenários mais recentes indicam um aumento da probabilidade do fenômeno climático entre maio e julho.
Cenários mais recentes indicam um aumento da probabilidade do fenômeno climático entre maio e julho.

A transição climática em curso no Pacífico — da fase final de uma La Niña fraca para neutralidade e, possivelmente, para El Niño no segundo semestre — começa a entrar no radar do setor elétrico brasileiro.

A avaliação de operadores e meteorologistas indica que o país deve atravessar o outono e o inverno de 2026 com segurança energética preservada, mas com atenção crescente à hidrologia, ao consumo e à pressão sobre a rede caso o aquecimento do Pacífico se consolide na segunda metade do ano.

Os cenários mais recentes indicam um aumento da probabilidade de El Niño entre maio e julho. Esse arranjo climático tende a produzir efeitos assimétricos no território brasileiro: historicamente, o fenômeno aumenta o risco de chuvas acima da média no Sul e reduz a regularidade das precipitações em partes do Norte e do Nordeste.

No Brasil central, o impacto depende menos do volume total de chuva e mais de sua distribuição ao longo da estação chuvosa.

No curto prazo, os dados operacionais sugerem um quadro administrável para o sistema elétrico.

As projeções hidrológicas indicam que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste — responsável pela maior parte da capacidade de armazenamento do país — deve iniciar o período seco com níveis razoáveis, embora inferiores aos observados em anos particularmente favoráveis.

Norte e Nordeste apresentam reservatórios mais confortáveis, enquanto o Sul segue como região mais sensível no curto prazo.

Essa configuração reforça um aspecto estrutural da segurança energética brasileira: mais importante do que o volume total de chuvas no país é a localização dessas precipitações.

O desempenho hidrológico das bacias do Paraná, Grande, Paranaíba, São Francisco e Tocantins-Araguaia continua sendo determinante para o equilíbrio do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Caso o El Niño se consolide no segundo semestre, a tendência histórica é de maior disponibilidade hídrica no Sul e de maior pressão sobre os rios do Norte e do Nordeste.

No campo da geração elétrica, o cenário-base ainda não indica necessidade de uso intensivo de usinas térmicas além do padrão esperado para o período seco.

O despacho termelétrico deve permanecer complementar, acionado principalmente em situações operativas específicas, como hidrologia desfavorável ou picos de consumo.

Esse quadro, no entanto, pode mudar se ocorrer uma combinação de menor geração hidráulica em regiões-chave e aumento da carga elétrica.
A demanda por energia, aliás, tornou-se um fator cada vez mais sensível ao comportamento do clima.

Episódios recentes de calor extremo demonstraram que ondas de calor prolongadas podem elevar rapidamente o consumo de eletricidade, impulsionado principalmente pelo uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado e refrigeração.

Se o eventual El Niño vier acompanhado de temperaturas acima da média, o sistema elétrico pode enfrentar picos de carga mais frequentes, sobretudo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.

Mesmo diante desse risco, a infraestrutura de geração do país continua relativamente robusta. A matriz elétrica brasileira permanece amplamente baseada em fontes renováveis, com forte predominância hidrelétrica e crescente participação de eólica e solar.

O principal ponto de atenção, portanto, não está apenas na geração, mas também na capacidade das redes de transmissão e distribuição de lidar com eventos climáticos extremos.

O Brasil possui uma extensa malha de transmissão e continua expandindo sua infraestrutura, mas congestionamentos regionais e limitações locais ainda podem ocorrer em momentos de forte demanda ou de eventos meteorológicos severos.

Nas cidades, o desafio é ainda mais complexo. A qualidade média do fornecimento de energia vem melhorando nos últimos anos, mas os indicadores regulatórios não capturam plenamente o impacto de tempestades intensas, ventos ou ondas de calor prolongadas sobre redes urbanas.

Em situações desse tipo, interrupções localizadas continuam sendo um risco relevante.

A síntese do cenário para 2026 é clara. No restante do primeiro semestre, o sistema elétrico deve operar com relativa estabilidade, ainda beneficiado por reservatórios razoavelmente abastecidos e por condições hidrológicas administráveis.

Já no segundo semestre, a possível consolidação de um El Niño pode trazer maior volatilidade ao equilíbrio entre geração, consumo e operação do sistema.

Não há, neste momento, sinais de uma crise energética estrutural no horizonte. Mas o avanço do fenômeno climático poderá testar, ao mesmo tempo, reservatórios, consumo e infraestrutura elétrica — um desafio que exigirá monitoramento permanente das condições hidrológicas e meteorológicas ao longo do ano. (cnn)

terça-feira, 31 de março de 2026

Capital estadual + antiga e a + envelhecida do Nordeste

Recife: a capital estadual mais antiga e a mais envelhecida do Nordeste.

Recife, fundada em 12/03/1537, é reconhecida como a capital estadual mais antiga do Brasil, superando Salvador (1549) em tempo de fundação como povoação. Com 489 anos em 2026, a capital pernambucana também se destaca por ter uma das populações mais envelhecidas do Nordeste, enfrentando desafios urbanos e demográficos.

Pontos-chave sobre o Recife:

Fundação Antiga: Originou-se como um entreposto comercial e porto de Olinda, sendo um assentamento de pescadores conhecido como "Ribeira de Mar dos Arrecifes".

Capital do Nordeste/Brasil: Embora Salvador tenha sido a primeira capital federal, Recife é considerada a capital estadual mais antiga com base na sua fundação no século XVI.

Envelhecimento Populacional: Recife é apontada como a capital mais envelhecida da região Nordeste, refletindo mudanças demográficas rápidas, conforme indica o EcoDebate.

História e Cultura: A cidade foi sede da colônia de Nova Holanda (1630-1654) e é marcada por sua arquitetura histórica, pontes e forte influência cultural, informa o Facebook e o Facebook.

A cidade celebra sua história como um dos principais centros urbanos do país desde a colonização portuguesa, consolidando-se como "Veneza Brasileira".

A “Veneza Brasileira” tem a oportunidade única de se tornar um laboratório vivo de soluções intergeracionais

A cidade do Recife foi fundada em 12/03/1537, sendo a sede político-administrativa mais antiga entre as atuais capitais brasileiras. A capital de Pernambuco tem uma área 219 km2 e, em 2022, uma densidade demográfica de 6.804 habitantes por km2. Em 2026, a cidade ganhou destaque internacional com o filme “Agente Secreto”, que está indicado em quatro categorias no Oscar 2026. A produção de Kleber Mendonça concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator (Wagner Moura). Crimônia de entrega das estatuetas ocorreu em 15/03/2026.
Censo Demográfico entre os anos de 1980 a 2022

Número de idosos acima de 65 anos mais que dobrou em Pernambuco em quatro décadas, aponta Censo 2022.

A formação da cidade do Recife está intimamente ligada à própria história da colonização portuguesa no Nordeste e ao papel estratégico de Pernambuco na economia colonial. Inicialmente, Recife surgiu no século XVI como um porto natural e um arraial de pescadores a serviço de Olinda, fundada em 1535 e primeira capital da Capitania de Pernambuco. Em 1537, com a instalação do porto do Recife, a localidade passou a ganhar importância como entreposto comercial, sobretudo para o escoamento do açúcar produzido nos engenhos da região. Sua posição geográfica privilegiada — protegida por arrecifes naturais que lhe deram o nome — favoreceu o crescimento das atividades mercantis, a presença de comerciantes, artesãos e trabalhadores livres, diferenciando desde cedo o Recife de outras cidades coloniais mais aristocráticas e rurais.

O grande ponto de inflexão na formação urbana do Recife ocorreu durante o período da ocupação holandesa (1630–1654). Sob o governo de Maurício de Nassau, a cidade foi profundamente transformada e planejada, recebendo pontes, canais, ruas pavimentadas, edifícios públicos, observatório astronômico e jardins. A chamada Mauritsstad marcou o Recife como uma das primeiras experiências de urbanismo moderno nas Américas, consolidando sua vocação urbana, comercial e cosmopolita. Após a expulsão dos holandeses, o Recife manteve seu dinamismo econômico e populacional, frequentemente em tensão com Olinda, até ser elevado à condição de vila em 1710.

Em 1827, já no período imperial, o Recife tornou-se oficialmente a capital da Província de Pernambuco, substituindo Olinda de forma definitiva. A partir daí, consolidou-se como centro político, administrativo, cultural e econômico da região, atraindo fluxos contínuos de população, investimentos e instituições.

A população do Recife era de 116,7 mil habitantes em 1872 (primeiro censo demográfico brasileiro). Estava atrás apenas do Rio de Janeiro (275 mil habitantes) e de Salvador (129 mil habitantes), mas estava muito à frente de São Paulo (31 mil habitantes). Belo Horizonte nem existia nesta época.

A população do Recife caiu para 113 mil habitantes em 1900, mas deu um salto para 524,7 mil habitantes em 1950. Avançou ainda mais na segunda metade do século passado e chegou a 1,42 milhão de habitantes no ano 2000. Em 2010 a população recifense passou para 1,54 milhão de habitantes, mas caiu para 1,49 milhão de habitantes em 2022. Mas o censo demográfico 2022 teve uma falha de cobertura e a estimativa populacional do próprio IBGE apontou uma população de 1,59 milhão de habitantes em 2024, conforme mostra o gráfico abaixo.

Na atual década, em termos populacionais, a capital de Pernambuco é a terceira maior cidade do Nordeste (atrás apenas de Fortaleza e Salvador) e a nona cidade do Brasil.
A redução do ritmo de crescimento populacional nos anos 2000 foi acompanhada de um envelhecimento da estrutura etária. O gráfico abaixo mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil, e o estado de Pernambuco e a cidade do Recife entre 1970 e 2022. Todas as áreas geográficas tinham uma estrutura etária jovem em 1970, mas o IE aumentou acentuadamente. Em 2022, o IE chegou a 80 idosos de 60 anos e + para cada 100 jovens no Brasil. Ficou em 70 no estado de Pernambuco e ultrapassou 100 idosos por 100 jovens em Recife. Ou seja, a partir de 2022 Recife passou a ter mais idosos do que jovens (0-14 anos).

Índice de envelhecimento Brasil, Pernambuco e Recife

O gráfico abaixo mostra a pirâmide etária brasileira (colunas cinzas no fundo) e a pirâmide etária da cidade do Recife (parte colorida e sobreposta), em 2022. Nota-se que abaixo dos 50 anos existe maior proporção de jovens no Brasil, enquanto acima de 50 anos há mais idosos em Recife.

O gráfico abaixo mostra que o percentual da população do Recife de 0-14 anos já vem diminuindo desde 1970, caindo para menos da metade chegando a 17,7% em 2022. No último censo, o percentual de idosos (60+) empatou com o percentual de crianças e adolescentes. A população de 15-59 anos subiu de 55,1% em 1970 para 67,2% em 2010 e caiu para 64,6% em 2022. Portanto, a população considerada em idade ativa já vem diminuindo, a população idosa (60+) chegou a 17,7%, a população 50+ chegou a 30,8% e a população 70+ chegou a 8% em 2022.

Portanto, a cidade do Recife atualmente já possui mais idosos (60+) do que jovens de 0-14 anos e a população considerada em idade ativa já está diminuindo em termos absoluto e relativo. Essa configuração demográfica traz desafios, mas também oportunidades.

Os desafios e oportunidades do envelhecimento populacional do Recife

O aumento da expectativa de vida ao nascer é uma vitória extraordinária sobre as altas taxas de mortalidade precoce. A queda nas taxas de fecundidade representa a maior mudança de comportamento de massa na história da humanidade. Desta forma, o envelhecimento populacional pode ser considerado uma conquista civilizacional. Contudo, há desafios e oportunidades.

O principal desafio do envelhecimento populacional é o fim do 1º bônus demográfico, pois o número e a proporção de pessoas de 15 a 59 anos já está diminuindo na capital pernambucana e este fato pode se desdobrar em uma crise fiscal se o país e as cidades continuarem a pensar a relação entre as gerações de maneira fixa. O antigo roteiro de vida com jovens estudando, adultos trabalhando e idosos aposentados perde força diante de uma população que vive mais e deseja continuar ativa, produtiva, colaborativa e integrada.

Indubitavelmente, há novas oportunidades de progresso. O 2º bônus demográfico – ou bônus da produtividade – é um evento capaz de gerar frutos indefinidamente se houver investimentos na educação, na saúde, na infraestrutura que possibilite aos trabalhadores produzirem mais bens e serviços com menos insumos humanos e ambientais. O 3º bônus demográfico – ou bônus da longevidade – que se refere ao potencial econômico, social e institucional que emerge quando uma sociedade passa a ter maior proporção de pessoas idosas, sobretudo em contextos de maior expectativa de vida saudável.

Uma sociedade envelhecida não está condenada ao declínio. O 2º e o 3º bônus demográficos mostram que, com políticas adequadas, a longevidade pode ampliar a produtividade (via experiência e capital humano), a inovação (novos mercados e tecnologias) e a coesão social (mais tempo de contribuição cívica e cultural). A Economia Prateada será a alternativa do futuro.

Recife é a única cidade do Nordeste entre as 100 mais competitivas do Brasil

Aproveitar as oportunidades dessa nova conjuntura demográfica e ao mesmo tempo garantir dignidade, inclusão e autonomia aos idosos envolve uma abordagem multidimensional e uma atuação no âmbito local. Uma estratégia-chave para transformar o Recife em uma Cidade Amiga da Pessoa Idosa, alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), envolve:

- Infraestrutura Urbana Inclusiva: a) Ampliar calçadas acessíveis, rampas, sinalização sonora, ônibus com piso baixo e prioridade real no transporte público. Integrar o sistema de transporte com pontos de descanso e banheiros públicos adaptados; b) Parques, praças e centros culturais devem ser projetados com bancos, sombra, iluminação adequada e pisos antiderrapantes e c) Incentivar a adaptação de moradias (ex.: eliminação de degraus, barras de apoio) e promover habitação intergeracional ou coletiva voltada para idosos.

- Saúde e Cuidado Integral: a) Fortalecer a Atenção Primária à Saúde com equipes treinadas em geriatria e gerontologia; b) Expandir programas de prevenção de quedas, vacinação, saúde mental e cuidados paliativos e c) Criar redes de cuidado domiciliar e telemedicina para idosos com mobilidade reduzida.

- Participação Social e Cidadania: a) Garantir representação de idosos em conselhos municipais e fóruns de planejamento urbano; b) Promover atividades culturais, esportivas e educacionais voltadas para todas as idades, evitando a segregação etária e c) Combater o etarismo por meio de campanhas educativas nas escolas e na mídia.

- Governança e Políticas Públicas Integradas: a) Adotar o Plano Municipal do Idoso com metas claras e orçamento vinculado; b) Alinhar ações com a Rede de Cidades Amigas da OMS, buscando para o Recife o protagonismo que a capital merece no cenário regional; c) Usar dados georreferenciados para orientar investimentos em bairros com maior densidade de idosos (ex.: Casa Forte, Graças ou áreas periféricas com maior vulnerabilidade).

- Oportunidades Únicas do Recife: a) Posicionar a cidade como destino turístico acessível, explorando o potencial do Recife Antigo e da Orla de Boa Viagem com rotas adaptadas; b) Revitalizar espaços como os Mercados Públicos e o Pátio de São Pedro com programações intergeracionais e festivais de cultura popular que unam jovens e veteranos; c) Utilizar o ecossistema do Porto Digital para o desenvolvimento de AgeTechs (tecnologias para o envelhecimento) voltadas à saúde e segurança.

Economia Prateada: a) Estimular o empreendedorismo sênior e negócios de impacto voltados à longevidade; b) Qualificar a mão de obra local para o mercado de cuidados e serviços especializados, transformando o setor de serviços do Recife em uma referência de atendimento humanizado.

Em suma, o envelhecimento populacional não deve ser lido como um fardo fiscal, mas como o amadurecimento social da capital pernambucana. Para que o Recife se consolide efetivamente como uma Cidade Amiga da Pessoa Idosa, é imperativo que a gestão pública e a sociedade civil transcendam a visão assistencialista e adotem uma postura estratégica.
Ao integrar infraestrutura urbana inclusiva, o potencial inovador do Porto Digital e o fomento à Economia Prateada, a “Veneza Brasileira” tem a oportunidade única de se tornar um laboratório vivo de soluções intergeracionais. O sucesso dessa transição dependerá da nossa capacidade de enxergar o cidadão longevo não como alguém que se retira da cena pública, mas como um agente vital para a produtividade e a coesão social.

Afinal, uma cidade que se prepara para envelhecer com dignidade é, em última análise, uma cidade melhor para todas as idades. (ecodebate)

domingo, 29 de março de 2026

Exposição ao calor extremo dobrou desde a década de 1950

A exposição mundial ao calor extremo dobrou desde a década de 1950, com o número de dias perigosos para atividades físicas diárias aumentando drasticamente, aponta estudo da Universidade Estadual do Arizona. O calor e a umidade elevados limitam atividades físicas, afetando principalmente idosos e trabalhadores ao ar livre em regiões como sudoeste da Ásia, África e América do Sul.

Principais Impactos e Dados:

Aumento de Horas: Entre 1995 e 2024, idosos enfrentaram um aumento de centenas de horas anuais de calor extremo, chegando a quase (um terço) do ano com restrições severas em países como o Catar.

Ameaça à Saúde: O calor extremo está associado a riscos fatais como exaustão térmica, falência de órgãos e morte.

Grupos Vulneráveis: Idosos e trabalhadores ao ar livre na Bacia Amazônica, Ásia e África são os mais afetados.

Causa Climática: O aumento das temperaturas está diretamente ligado à mudança climática provocada pela queima de combustíveis fósseis.

Ondas de Calor: No Brasil, o número de dias com ondas de calor subiu de cerca de 7 para mais de 50 por ano entre 1961 e 2020.

O estudo destaca a necessidade urgente de sistemas de alerta e melhor infraestrutura de refrigeração para mitigar os impactos, além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Um novo estudo conclui que as mudanças climáticas desde a década de 1950 dobraram o tempo que milhões de pessoas em todo o mundo passam anualmente expostos a um calor tão extremo que impede a realização de atividades cotidianas com segurança.

Um objetivo importante da pesquisa é identificar populações e regiões vulneráveis para ajudar a priorizar ações de proteção contra o calor extremo. Mas os pesquisadores também enfatizaram a importância de desacelerar o aquecimento global reduzindo o uso de combustíveis fósseis.

Nos últimos 20 anos, os adultos jovens (com idades entre 18 e 40 anos) enfrentaram cerca de duas vezes mais horas por ano de “limitações severas de qualidade de vida” relacionadas ao calor do que as pessoas da mesma faixa etária entre 1950 e 1979, segundo o estudo. Adultos com 65 anos ou mais vivenciaram cerca de 50% mais horas de calor que limitaram sua qualidade de vida do que seus pares em meados do século XX.

Os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista Environmental Research: Health.
Calor insuportável

Cidade do Rio de Janeiro/RJ está tendo temperaturas cada vez muito mais altas dentre todas que já foram registradas na história do município.

O que são ondas de calor e quais foram as mais mortais da história

Os pesquisadores definiram “limitações severas de habitabilidade” como altas temperaturas e umidade que limitariam qualquer atividade mais extenuante do que varrer o chão na sombra.

Em vez de se basearem em medidas simples de perigo do calor, os pesquisadores usaram uma abordagem de modelagem para estimar quanta atividade física pessoas de diferentes idades poderiam realizar em diferentes níveis de calor e umidade sem que sua temperatura corporal central aumentasse descontroladamente. Vanos liderou o desenvolvimento do modelo fisiológico usado para avaliar o risco do calor.

Com registros mundiais de medições horárias de temperatura e umidade de 1950 a 2024, a equipe calculou quantas horas por ano o calor limitaria as atividades. Eles sobrepuseram esses resultados a dados da população global para determinar quem está mais exposto. Em algumas regiões tropicais e subtropicais, o calor restringe as atividades ao ar livre de adultos mais velhos por um período entre um quarto e um terço do ano, segundo o estudo.

Para adultos jovens e saudáveis, os limites de temperatura corporal devido ao calor severo afetam uma parte relativamente pequena do ano, embora essa proporção esteja aumentando. Para os adultos mais velhos, a mudança é mais drástica. Em média, eles agora enfrentam limites de temperatura corporal devido ao calor severo durante mais de 10% de todas as horas do ano.

Globalmente, os adultos mais jovens foram expostos a uma média de 25 horas por ano de condições de calor que limitavam severamente a qualidade de vida durante o período de 1950 a 1979. Esse número subiu para cerca de 50 horas por ano no período de 1995 a 2024. Os adultos mais velhos, cujos corpos têm menor capacidade de regular a temperatura corporal, foram expostos a cerca de 600 horas por ano de calor que limitava a qualidade de vida no período anterior. Esse número subiu para cerca de 900 horas por ano no período mais recente.
Pontos mais quentes

O sudoeste e o leste da América do Norte estão entre as regiões com o maior aumento de calor que limita a vida, juntamente com o sul da América do Sul, a região leste do Saara na África, grande parte da Europa, o sudoeste e o leste da Ásia e o sul da Austrália.

Nos Estados Unidos, em geral, os idosos vivenciam cerca de 270 horas por ano de condições de extrema limitação devido ao calor, um aumento em relação às cerca de 200 horas registradas na década de 1950. Diversas áreas no sul e sudoeste dos EUA apresentam centenas de horas anuais de severa limitação.

O Sul e o Sudoeste da Ásia são as regiões que apresentam o maior número de horas anuais de limitações. No Catar, por exemplo, adultos jovens vivenciaram 382 horas por ano de severas limitações à qualidade de vida entre 1950 e a década de 1970.

De meados da década de 1990 até 2024, esse número subiu para 866 horas por ano, um aumento de 484 horas. A exposição de adultos mais velhos aumentou em 520 horas, chegando a mais de 2.820 horas por ano no mesmo período. Isso significa que os idosos no Catar agora enfrentam limitações severas por aproximadamente um terço do ano.

Montagem mostra sol intenso e homem se refrescando com ventilador

Mudanças climáticas: número de dias com calor extremo acima de 50ºC no mundo dobrou em 45 anos

No Camboja, Tailândia e Bangladesh, os idosos agora enfrentam limitações severas durante ¼ a  ⅓ do ano. Comparado com a década de 1950, os idosos agora vivenciam 686 horas a mais no Camboja, 568 horas a mais na Tailândia e 390 horas a mais em Bangladesh. Muitas pessoas nesses países têm capacidade limitada de lidar com o calor devido a dificuldades econômicas ou outros obstáculos.

Em 2024, o ano mais quente já registrado, mais de 43% dos jovens adultos e quase 80% dos adultos mais velhos vivenciaram pelo menos alguns períodos em que o calor e a umidade limitaram severamente a qualidade de vida. Esses números eram de 27% e 70% na década de 1950, respectivamente.

O acesso a refrigeração, infraestrutura e proteções no local de trabalho pode limitar a exposição ao calor perigoso, mas o acesso está longe de ser universal, mesmo em países ricos como os EUA.

Com o crescimento e envelhecimento da população mundial, muito mais pessoas enfrentarão períodos mais longos em que as atividades cotidianas serão inseguras.

Regiões já quentes o suficiente para impor severas limitações de qualidade de vida relacionadas ao calor, como a África subsaariana e o sul da Ásia, também deverão experimentar um rápido crescimento populacional, afirmaram os autores do estudo.

Os pesquisadores observaram que limitações generalizadas na qualidade de vida surgiram com pouco mais de 1°C de aquecimento global causado pela atividade humana.

Mapas que mostram limitações médias anuais de habitabilidade máxima (nível de atividade em METs) para adultos mais jovens (a) e adultos mais velhos (c) no período Tardio (1995-2024). As regiões são sombreadas na cor do ciano nos mapas (a), (c) onde quaisquer horas no período Tardio experimentaram limitações extremas de habitabilidade que eram “inabitáveis” (atividade < 1,5 METs, ou descanso), mas potencialmente ainda sobrevivíeis. As parcelas de linha à direita (b), (d) mostram limitações de habitabilidade média zonal (linhas azul e vermelha) e faixas de percentil 5o-95o (sombreamento cinza) em locais onde a população é maior que zero no conjunto de dados da população. As linhas rápidas verticais e sólidas nas parcelas de linha (b), (d) marcam os limiares de 2,3 e 3,3 METs avaliados no texto. As limitações médias de habitabilidade são calculadas a partir de limitações anuais de habitabilidade 1995-2024 (ou seja, hora de limitação máxima de habitabilidade em cada ano). Regiões de alta elevação em terra são mostradas em branco (não sombreado) onde não há limitações significativas relacionadas ao calor na habitabilidade. (ecodebate)

Níveis do mar estão mais altos do que os cientistas pensavam

Níveis do mar já estão mais altos do que muitos cientistas imaginavam, mostra estudo.
Uma nova pesquisa publicada na revista Nature revela que os níveis do mar em áreas costeiras estão entre 20 a 30 cm mais altos do que os modelos científicos previam, devido a falhas na medição, ameaçando milhões a mais de pessoas. Métodos anteriores subestimaram o risco, colocando áreas habitadas perigosamente perto da água.

Principais Descobertas e Impactos:

Falha Metodológica: A maioria dos estudos anteriores subestimou a altura atual do oceano.

Margem de Erro: Os níveis costeiros estão, em média, 20 a 30 centímetros acima do que os mapas e modelos indicavam.

População em Risco: Até 132 milhões de pessoas a mais podem estar na rota de inundações costeiras.

Subsidência do Solo: O problema é agravado pelo movimento de descida do terreno (subsidência) em áreas costeiras, muitas vezes acelerado por ação humana.

Aquecimento Global: O aquecimento dos oceanos continua sendo o principal fator, com o nível global subindo cerca de 9,4 cm acima da média de 1993 até 2023.

Esta descoberta indica que o perigo de inundações é mais imediato do que as projeções anteriores sugeriam.

Pesquisadores descobriram que a maior parte dos estudos sobre o nível do mar nas áreas costeiras subestimou a altura real da água — e que centenas de milhões de pessoas vivem ainda mais perto do risco do que se pensava.

Uma praia no atol de Funafuti, em Tuvalu, arquipélago que pode ser engolido pelo mar nas próximas décadas.

Uma nova pesquisa indica que cientistas que estudam a elevação do nível do mar vêm usando métodos que subestimam o quão alta a água já está hoje. Na prática, isso significa que centenas de milhões de pessoas a mais, em todo o mundo, já vivem perigosamente perto do oceano em elevação do que pesquisadores ocidentais estimavam.

O estudo, publicado na quarta-feira na revista Nature, concluiu que a grande maioria dos trabalhos científicos comete esse erro de base. Em média, níveis do mar em áreas costeiras estão de 20 a 30 cm acima do que muitos mapas e modelos das costas do planeta mostram.

Em algumas regiões, a diferença é muito maior — especialmente no Sudeste Asiático e em países-ilhas do Pacífico, onde a dinâmica do oceano é mais complexa. Nesses lugares, o nível do mar na costa pode estar vários metros acima das estimativas mais usadas.

Isso não quer dizer que esses estudos estejam errados nas conclusões gerais sobre a velocidade da elevação do mar ou sobre os impactos previstos. O nível do mar nas áreas costeiras está subindo com o aquecimento global — isso continua valendo. O ponto é outro: muitos cientistas vêm partindo de um “ponto zero” errado ao calcular quais áreas e populações serão afetadas no futuro.

Em bom português: eles vinham subestimando onde já está hoje o nível do mar na costa.

Esse detalhe faz muita diferença num momento em que governos e formuladores de políticas públicas recorrem à ciência para saber quanta área de terra — e quantas pessoas — podem ser impactadas pelo avanço do oceano, explica Katharina Seeger, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Pádua, que liderou o estudo enquanto fazia doutorado na Universidade de Colônia. “Eu não esperava que a discrepância fosse tão grande”, disse ela.

Pode parecer estranho falar em erro de mapa numa época em que GPS e imagens de satélite fazem parte da rotina. Mas o novo trabalho aponta um problema amplo no método que pesquisadores costumam usar para entender o desenho das costas e como elas podem mudar num clima mais quente.

Os autores revisaram 385 artigos científicos publicados em revistas com revisão por pares e descobriram que menos de 1% acertou de fato onde o nível do mar está hoje. O problema começa em um método, já antigo, que compara medições de altitude do terreno feitas por satélite com um “modelo de geoide” — uma forma de estimar o nível médio do mar a partir do campo gravitacional da Terra.

Esse método já foi referência e era ensinado com frequência em cursos de pós-graduação, lembra Philip Minderhoud, autor sênior do artigo e professor associado que pesquisa subsidência do solo e elevação do nível do mar na Wageningen University & Research e no instituto holandês Deltares.

Geleira que pode elevar nível do mar está "por um fio", dizem cientistas

Capaz de elevar o nível do mar em vários metros, geleira Thwaites derrete ao longo de sua base submarina à medida que o planeta aquece

Só que hoje existem outros satélites e instrumentos capazes de medir o nível real do mar e mostrar variações locais causadas por correntes, ventos e marés — fatores que influenciam o nível da água, mas não entram no modelo baseado apenas na gravidade. A melhor estimativa do nível do mar aparece quando essas duas peças são combinadas da maneira certa.

O novo estudo mostra que, na maioria dos casos, isso não foi feito. Cerca de 90% dos trabalhos analisados por Minderhoud e Seeger usaram apenas o método baseado no campo gravitacional da Terra. Outros 9%, em geral mais recentes, até combinaram os dois tipos de dado, mas aparentemente de forma incorreta.

Para Robert Kopp, especialista em clima e nível do mar na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, que não participou do estudo, o trabalho trata de um tema técnico que tende a ter mais impacto dentro da comunidade científica do que no dia a dia de gestores locais. “Em geral, quem sofre com alagamentos em maré alta sabe muito bem onde o mar está”, diz Kopp. Ele lembra que a ciência já vem alertando há anos que a elevação do nível do mar vai afetar muita gente — e o novo estudo não muda esse recado.

Nível do mar está mais alto do que se pensava

Do ponto de vista global, no entanto, os resultados sugerem que centenas de milhões de pessoas a mais — especialmente no Vietnã, nas Filipinas, na Indonésia, nas Maldivas e em outros países do Sudeste Asiático e do Pacífico — vivem muito mais perto do nível do mar do que se imaginava em boa parte da literatura produzida por especialistas e formuladores de políticas no Ocidente. (infomoney)

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