sexta-feira, 15 de maio de 2026

Dia da Terra e o aquecimento dos oceanos

Aquecimento global altera rotação da Terra, derrete calotas polares, eleva nível do mar e intensifica mudanças climáticas que já começam a alongar os dias no planeta.

Pesquisadores alertam que o aquecimento global está alterando a rotação do planeta: com o derretimento das calotas polares e a redistribuição da água nos oceanos, os dias estão ficando mais longos em um ritmo inédito desde pelo menos 3,6 milhões de anos.

O Dia da Terra em 22/04/2026 destaca a crise climática com ênfase no aquecimento recorde dos oceanos, que absorvem 90% do excesso de calor. As temperaturas da superfície do mar superaram 21°C no início de 2026, indicando uma mudança estrutural. Isso causa branqueamento de corais, aumento do nível do mar e eventos extremos.

Pontos-chave do aquecimento oceânico no Dia da Terra 2026:

Recordes Contínuos: O período 2023-2026 marca um aquecimento sem precedentes, não apenas recordes isolados.

Mudança Estrutural: O "piso térmico" do planeta subiu. Oceanos mais quentes intensificam furacões, secas e chuvas.

Impacto no Ecossistema: A acidificação dos oceanos, devido à absorção de CO2, ameaça a vida marinha, especialmente corais, crustáceos e moluscos.

Urgência: O aquecimento de 1,5°C ameaça destruir entre 70% a 90% dos recifes de coral, e 2°C pode significar a perda de quase 100%.

A data, criada em 1970, reforça a necessidade de reduzir emissões e proteger o solo e a água, com o tema de 2026 focado em "Nosso Poder, Nosso Planeta".

“Em meio a toda essa vastidão do Universo, não há indício de que alguém virá de algum lugar para nos salvar de nós mesmos” – Carl Sagan (1934-1966)
Recordes sucessivos de temperatura, o derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar e a intensificação de eventos extremos reforçam o diagnóstico de uma crise climática

O Dia da Terra, celebrado em 22 de abril e criado em 1970, surgiu em um contexto de crescente preocupação com a crise ecológica global. A iniciativa partiu do senador norte-americano Gaylord Nelson, com o objetivo de promover uma consciência coletiva sobre problemas como a poluição, a conservação da biodiversidade e outras questões ambientais fundamentais para a proteção do planeta.

As primeiras mobilizações, naquele mesmo ano, reuniram cerca de duas mil universidades, 10 mil escolas de ensino básico e centenas de comunidades. Esse amplo engajamento gerou forte pressão social, contribuindo para que o governo dos Estados Unidos criasse a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e aprovasse uma série de leis voltadas à preservação ambiental.

No entanto, em vez de atender plenamente aos alertas sobre a degradação ambiental, governos e setores desenvolvimentistas frequentemente optaram por priorizar o crescimento populacional e econômico, em nome da grandeza nacional e da projeção internacional. Esse caminho tem sido associado à busca por uma prosperidade material muitas vezes insustentável e pouco racional do ponto de vista ecológico.

Ao longo dos 56 anos desde a criação do Dia da Terra, em 1970, a preocupação com o aquecimento global passou de um tema periférico no debate ambiental para o eixo central das discussões sobre o futuro da humanidade.

Nas décadas de 1970 e 1980, o foco inicial do movimento ambientalista — impulsionado pelo primeiro Dia da Terra — estava mais concentrado em problemas visíveis e imediatos, como a poluição do ar e da água, a contaminação por produtos químicos e a perda de biodiversidade. Ainda que a base científica do aquecimento global já estivesse sendo construída, especialmente a partir dos estudos sobre o efeito estufa, o tema permanecia restrito a círculos acadêmicos.

A virada começa no fim dos anos 1980, quando o aquecimento global ganha projeção internacional com a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, em 1988. A partir daí sucessivos relatórios científicos passaram a consolidar evidências de que o aumento das temperaturas médias do planeta estava ligado às emissões de gases de efeito estufa decorrentes das atividades humanas.

Nos anos 1990, o tema entra definitivamente na agenda política global, com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, e a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O aquecimento global passa a ser reconhecido como um desafio coletivo, ainda que as respostas políticas tenham sido inicialmente tímidas.
Planeta Terra está flutuando sobre o Oceano.

Na década de 2000, a preocupação se intensifica com a ampliação das evidências científicas e a crescente cobertura midiática. O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005, representou a primeira tentativa concreta de estabelecer metas obrigatórias de redução de emissões para países desenvolvidos. Paralelamente, eventos climáticos extremos — como ondas de calor, secas e tempestades mais intensas — começaram a ser associados ao aquecimento global no debate público.

A partir de 2010, o tema ganha ainda mais urgência. O Acordo de Paris marca um ponto de inflexão ao estabelecer o compromisso global de limitar o aquecimento a bem abaixo de 2ºC, com esforços para restringi-lo a 1,5ºC. Ao mesmo tempo, cresce a mobilização da sociedade civil, especialmente entre os jovens, com movimentos como o Fridays for Future, liderado por Greta Thunberg.

Nos anos mais recentes, o aquecimento global deixou de ser uma preocupação futura para se tornar uma realidade presente. Recordes sucessivos de temperatura, o derretimento acelerado de geleiras, a elevação do nível do mar e a intensificação de eventos extremos reforçam o diagnóstico de uma crise climática em curso. Instituições como o Copernicus Climate Change Service têm documentado esse avanço com dados cada vez mais precisos.

Os dados mais recentes vêm mostrando um salto sem precedentes na temperatura da superfície dos oceanos a partir de 2023, que se manteve em 2024 e continuou muito elevada em 2025 — e tudo indica que 2026 pode voltar a bater recordes, conforme mostra o gráfico abaixo do Climate Reanalyzer.

Estudos mostram que houve um “salto” abrupto nas temperaturas da superfície do mar em 2023 e 2024, algo estatisticamente muito raro sem o aquecimento global em curso. Além disso, praticamente todo o oceano foi afetado por ondas de calor marinhas extremas em 2023.

Em 2023 e 2024 foram observados recordes sucessivos de temperatura da superfície do mar, incluindo valores acima de 21ºC em médias globais diárias. Esse patamar representa um nível muito elevado em comparação com a climatologia recente (anos 1990–2010).

Mesmo com a transição para condições de La Niña (que tendem a resfriar as águas marinhas), as temperaturas permaneceram extremamente altas. 2025 foi um dos 3 anos mais quentes dos oceanos já registrados. As temperaturas da superfície do mar ficaram “próximas de recordes” ao longo do ano.
No início de 2026, a média global da superfície do mar já voltou a ultrapassar 21ºC. E está próxima dos picos recordes de 2024 e pode bater todos os patamares anteriores com a volta do fenômeno El Niño no 2º semestre de 2026.

Esse encadeamento de anos (2023–2026) não é apenas uma série de recordes isolados — ele revela uma mudança estrutural: a) Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor do sistema climático; b) Estão acumulando energia continuamente, o que eleva o “piso térmico” do planeta; e c) Mesmo quando há variabilidade natural (El Niño/La Niña), o patamar geral segue subindo. Em outras palavras: os recordes estão deixando de ser exceção e se tornando o novo normal.

O que os dados do Climate Reanalyzer captam — essa sequência de temperaturas acima de 21ºC — é um sinal muito claro de aceleração do aquecimento oceânico. E isso é crucial, porque oceanos mais quentes:

- Intensificam eventos extremos (chuvas, furacões, secas)

- Aceleram o derretimento das calotas de gelo e elevam o nível dos oceanos

- Pressionam ecossistemas (como recifes de coral) e reduzem a biodiversidade marinha

- Reduzem a capacidade do planeta de estabilizar o clima

Assim, ao longo dessas mais de 5 décadas, o aquecimento global passou de hipótese científica a evidência incontestável e, finalmente, a uma emergência global. O mundo precisa abandonar as guerras e a dependência dos combustíveis fósseis. A transição energética é um imperativo.

O Dia da Terra, que começou como um movimento voltado à conscientização ambiental, tornou-se hoje também um marco simbólico da luta contra a crise climática e da busca por um novo modelo de desenvolvimento compatível com os limites do planeta. (ecodebate)

Eventos climáticos extremos aumentam o risco de doenças cardíacas

Eventos climáticos extremos aumentam o risco de doenças cardíacas, revela novo estudo.
Mais intensos e frequentes, eventos climáticos são ameaça à saúde global

Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, frio intenso e inundações, aumentam significativamente o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e AVC. O calor extremo (acima de 38°C) eleva o risco individual em cerca de 3% por dia, enquanto o frio extremo pode aumentar o risco de infarto em até 30% devido à vasoconstrição.

Impactos dos Extremos Climáticos na Saúde Cardiovascular:

Calor Extremo: Causa desidratação, aumenta a viscosidade sanguínea e provoca vasodilatação, o que eleva a frequência cardíaca e sobrecarrega o coração. Também associado ao aumento de arritmias.

Frio Extremo: Causa vasoconstrição (contração dos vasos sanguíneos), dificultando a circulação e aumentando a pressão arterial, o que eleva o esforço cardíaco.

Eventos de Chuva/Inundação: Tempestades e inundações aumentam o risco por estressores agudos (medo, deslocamento) e interrupção de serviços de saúde, essenciais para pacientes crônicos.

Populações Vulneráveis: Idosos e pessoas com doenças cardíacas pré-existentes são os mais afetados.

Proteger o Coração:

Hidratação: Manter-se bem hidratado com água, água de coco ou isotônicos é a principal defesa contra o calor.

Evitar Exposição: Evitar o sol e esforço físico nos horários mais quentes.

Ajustes de Medicação: Pacientes hipertensos que usam diuréticos devem consultar um médico, pois a desidratação pode exigir ajustes.

Ambiente: Permanecer em locais frescos, arejados ou climatizados durante ondas de calor.

Estudos mostram que, além dos efeitos diretos, eventos climáticos extremos também podem agravar condições cardiovasculares pré-existentes, como hipertensão e arritmias.
Calor e frio extremos trazem risco silencioso ao coração

Análise mostra como ondas de calor, frio extremo e chuvas intensas impactam a incidência de doenças cardíacas em populações idosas.

Um novo estudo revelou uma ligação entre condições climáticas extremas e o risco de doenças cardiovasculares em adultos de meia-idade e idosos em 157 cidades chinesas. Dependendo do clima e da localização da cidade, a exposição ao calor, frio e precipitação extremos aumenta o risco de doenças cardíacas.

As conclusões do estudo, publicado no American Journal of Preventive Medicine, pela Elsevier, fornecem evidências para que formuladores de políticas em diferentes regiões desenvolvam estratégias direcionadas à proteção de populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos.

Eventos climáticos extremos (ECEs) têm se intensificado globalmente com a aceleração das mudanças climáticas, representando ameaças sem precedentes à saúde pública. O rápido envelhecimento da população chinesa, com a projeção de 400 milhões de pessoas com mais de 60 anos até 2035, reflete uma população crescente com maior vulnerabilidade. Doenças cardiovasculares (DCVs), principais causas de morte na China, são particularmente prevalentes entre os idosos. Estudos anteriores já haviam associado DCVs a temperaturas extremas.

Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Xiamen, na China, empregaram métodos econométricos espaciais para examinar o impacto de eventos climáticos extremos na prevalência de doenças cardiovasculares em nível municipal entre adultos de meia-idade e idosos na China, utilizando dados longitudinais (2015–2020) do Estudo Longitudinal de Saúde e Aposentadoria da China (CHARLS) e da Pesquisa Social Longitudinal sobre Envelhecimento da China (CLASS).

Eles validaram a ligação entre a exposição individual à ECE e o risco de DCV usando uma abordagem de aprendizado de máquina dupla.
Altas temperaturas desafiam a capacidade do organismo de se resfriar, aumentando o risco de desidratação, sobrecarga cardiovascular e complicações respiratórias.

Os principais resultados incluem:

• O calor extremo (acima de 38ºC) aumentou a prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) em nível urbano, com um gradiente de impacto Leste-Oeste atenuado; cada dia adicional de calor extremo foi associado a 1.128 casos adicionais de DCV por 100.000 pessoas.

• O frio extremo (abaixo de -10ºC) aumentou a prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) em nível municipal, com um gradiente de impacto oeste-leste atenuado; cada dia adicional de frio extremo foi associado a 391 casos adicionais de DCV por 100.000 pessoas.

• A análise de inferência causal revelou que cada dia de calor extremo aumentou o risco individual de doenças cardiovasculares em 3,044%, os dias de frio extremo em 0,110% e os dias de precipitação extremo em 1,620%.

A análise de heterogeneidade identificou subgrupos de alto risco:

• Os efeitos nocivos do calor afetaram pré-aposentados, fumantes e residentes em áreas com altos níveis de ozônio (O3) (com um IMC mais elevado mitigando o risco).

• Os eventos climáticos extremos (ECEs) com frio afetaram pessoas próximas da aposentadoria, indivíduos com IMC elevado e populações com altos níveis de O3.

• Os eventos climáticos extremos relacionados à precipitação afetaram principalmente idosos, moradores de áreas rurais, pessoas próximas da aposentadoria e solteiros.
Os pesquisadores explicam que o risco relacionado com o IMC depende da intensidade da temperatura. Acima de 38°C, a física da troca de calor inverte-se: o calor flui do ambiente para o corpo em vez de escapar. Neste cenário, a gordura corporal atua como uma barreira física protetora, bloqueando o calor externo e reduzindo o esforço cardiovascular.

Em contrapartida, abaixo de -10°C, o leve isolamento da gordura corporal é sobrepujado pelos riscos cardiovasculares associados ao maior peso corporal. Para pessoas com IMC mais elevado, o stress induzido pelo frio — que aumenta a pressão arterial e a viscosidade do sangue — é significativamente amplificado, elevando o risco cardiovascular apesar de qualquer efeito isolante.

Os pesquisadores ficaram surpresos com o impacto da precipitação extrema — uma área pouco estudada. Ao contrário das temperaturas extremas, a precipitação extrema não apresentou um padrão espacial contínuo e regular em nível regional, mas demonstrou efeitos adversos significativos sobre as doenças cardiovasculares em nível individual.

Os investigadores enfatizam que são necessárias mais pesquisas sobre eventos de precipitação extrema para elucidar o seu impacto na saúde cardíaca.

O estudo destaca as seguintes estratégias para que os formuladores de políticas protejam as populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos:

1. Priorizar regiões vulneráveis às mudanças climáticas, conectando alertas meteorológicos a redes de saúde, alertando grupos de alto risco e pré-posicionando recursos.

2. Oferecemos gerenciamento de peso, suporte para purificação do ar e educação em saúde simplificada para subgrupos de alto risco.

3. Estabelecer alianças para compartilhar recursos entre áreas de alta capacidade e pontos críticos, e priorizar o financiamento da prevenção de doenças cardiovasculares em regiões de rápida urbanização.

4. Ampliação das áreas verdes e modernização da infraestrutura de aquecimento/refrigeração.

5. Monitoramento de dados climáticos e de doenças cardiovasculares para ajustar políticas de forma dinâmica.
Mudanças Climáticas e seus efeitos nocivos à Saúde Humana. (ecodebate)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Síntese do relatório State of the Global Climate da OMM 2025

O relatório State of the Global Climate 2025 da OMM confirma que o período 2015-2025 é o mais quente já registrado, com 2025 classificado como o 2º ou 3º ano mais quente da história. A temperatura média global atingiu cerca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), impulsionada por concentrações recordes de gases de efeito estufa.

Principais Destaques do Relatório 2025:

Calor e Recordes: A temperatura média global de 2025 superou os níveis pré-industriais em aproximadamente 1,43°C, mantendo uma sequência de calor sem precedentes na última década.

Aquecimento Oceânico: Os oceanos continuam a absorver calor e dióxido de carbono, com taxas de absorção equivalentes a quase 18 vezes o consumo anual de energia humana nas últimas duas décadas.

Eventos Extremos: O ano foi marcado por calor intenso, chuvas torrenciais e ciclones tropicais, intensificando a vulnerabilidade socioeconômica global.

Gelo Marinho: A extensão do gelo marinho no Ártico atingiu ou aproximou-se de mínimos históricos.

Alerta de Emergência: A ONU classifica o momento atual como uma "emergência climática" devido ao aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos.

Este relatório sublinha o "desequilíbrio crítico" no sistema climático, com impactos severos e aumento da insegurança alimentar, evidenciando a urgência de ações para limitar o aquecimento global.

O relatório State of the Global Climate da OMM 2025 confirma que 2015-2025 são os 11 anos mais quentes já registrados, e que 2025 foi o 2º ou 3º ano mais quente já registrado, em cerca de 1,43°C acima da média de 1850-1900.

Eventos extremos em todo o mundo, incluindo calor intenso, chuvas fortes e ciclones tropicais, causaram perturbação e devastação e destacaram a vulnerabilidade de nossas economias e sociedades interconectadas.

O oceano continua a aquecer e a absorver dióxido de carbono. Tem absorvido o equivalente a cerca de 18 vezes o uso anual de energia humana a cada ano nas últimas duas décadas. A extensão anual do gelo marinho no Ártico estava em ou perto de uma baixa recorde, a extensão do gelo marinho da Antártida foi a 3ª mais baixa já registrada, e o derretimento da geleira continuou inabalável, de acordo com o relatório.

Gases de efeito estufa 

Dados de estações de monitoramento individuais mostram que os níveis de 3 dos principais gases de efeito estufa – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – continuaram a aumentar em 2025.

Em 2024 – o último ano para o qual consolidamos observações globais – a concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu seu nível mais alto nos últimos 2 milhões de anos, e a de metano e óxido nitroso, pelo menos nos últimos 800 mil anos.

O aumento na concentração anual de dióxido de carbono (CO2) em 2024 foi o maior aumento anual desde o início das medições modernas em 1957. Isso foi impulsionado pelas contínuas emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e pela redução da eficácia dos sumidouros de carbono terrestres e oceânicos.

Temperatura média global próxima à superfície 

Os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, foram os 11 anos mais quentes já registrados.

2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente (dependendo do conjunto de dados) no registro observacional de 176 anos, refletindo a transição para condições de La Niña que resfriam temporariamente o planeta. A temperatura média global anual próxima à superfície foi de cerca de 1,43 ± 0,13°C acima da média pré-industrial de 1850–1900.

O ano de 2024 – que começou com um forte El Niño – continua sendo o ano mais quente, com cerca de 1,55°C acima da média de 1850–1900.

Conteúdo de calor oceânico 

Em 2025, o conteúdo de calor do oceano (até uma profundidade de 2.000 metros) atingiu o nível mais alto desde o início dos registros em 1960, superando o recorde anterior estabelecido em 2024.

Nos últimos nove anos, cada ano estabeleceu um novo recorde de conteúdo de calor oceânico.

A taxa de aquecimento dos oceanos nas últimas 2 décadas, de 2005 a 2025, é mais que o dobro da observada no período de 1960 a 2005 – e é de cerca de 11,0 a 12,2 zetajoules por ano – cerca de 18 vezes o consumo anual de energia humana.

Apesar das condições de La Niña, cerca de 90% da superfície oceânica registrou pelo menos uma onda de calor marinha em 2025.

O aquecimento dos oceanos tem consequências de longo alcance, como a degradação dos ecossistemas marinhos, a perda de biodiversidade e a redução do sumidouro de carbono oceânico. Ele alimenta tempestades tropicais e subtropicais e exacerba a perda contínua de gelo marinho nas regiões polares.

Gráfico de linhas mostrando o aumento do conteúdo de calor oceânico de 1960 a 2025 na profundidade de 0 a 2000 m, com quatro estudos representados por linhas codificadas por cores e áreas de incerteza sombreadas.

Nível médio global do mar 

Em 2025, o nível médio global do mar foi comparável aos níveis recordes observados em 2024.

Era cerca de 11 cm mais alta do que no início do registro de altimetria por satélite em 1993.

O aumento anual de 2024 para 2025 foi menor do que o de 2023 para 2024, o que está de acordo com a variabilidade de curto prazo associada às condições de La Niña.

A taxa de elevação do nível médio global do mar desde 2012 é maior do que a taxa de elevação do nível médio global do mar no início do período de registro por satélite, de 1993 a 2011. 

A elevação do nível do mar prejudica os ecossistemas costeiros e resulta na salinização das águas subterrâneas e em inundações.

PH do oceano

Cerca de 29% do CO₂ proveniente de atividades humanas entre 2015 e 2024 foi absorvido pelo oceano, levando à contínua diminuição do pH da superfície oceânica. O pH médio global da superfície oceânica diminuiu nos últimos 41 anos. 

Segundo o IPCC, existe um elevado grau de confiança de que os valores atuais do pH da superfície não têm precedentes há pelo menos 26.000 anos.

As alterações no pH oceânico apresentam diferenças regionais. As maiores reduções no pH da superfície regional são observadas no Oceano Índico, no Oceano Antártico, no Pacífico equatorial oriental, no Pacífico tropical setentrional e em algumas regiões do Oceano Atlântico.

A acidificação dos oceanos prejudica a biodiversidade, os ecossistemas e a produção de alimentos provenientes da aquicultura de moluscos e da pesca.
Balanço de massa das geleiras

No ano hidrológico de 2024/2025, a perda de massa glacial das geleiras de referência esteve entre as 5 piores já registradas. Isso dá continuidade a uma tendência de aceleração da perda de massa glacial desde o início dos registros em 1950, com 8 dos 10 anos com maior perda de gelo glacial ocorrendo desde 2016.

Em 2025, ocorreram níveis excepcionais de perda de massa glacial na Islândia e ao longo da costa do Pacífico da América do Norte. 

Extensão do gelo marinho 

A extensão média anual do gelo marinho no Ártico em 2025 foi a mais baixa ou a 2ª mais baixa já registrada na era dos satélites (1979), e a extensão média do gelo marinho na Antártida em 2025 foi a 3ª mais baixa, depois de 2023 e 2024.

A extensão máxima diária do gelo marinho no Ártico (após o congelamento de inverno) em 2025 foi a menor máxima anual já registrada (desde 1979), com cerca de 14,19 milhões de km². 

A extensão mínima diária anual do gelo marinho antártico (após o derretimento do verão) empatou como a 2ª menor já registrada. Os últimos 4 anos registraram as 4 menores extensões mínimas de gelo marinho antártico da história.

Eventos e impactos extremos

Um suplemento ao relatório fornece um panorama de eventos extremos, com base em informações de membros da OMM (Organização Meteorológica Mundial), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com foco nos aspectos meteorológicos e nos impactos relacionados ao deslocamento e à segurança alimentar.

Eventos climáticos extremos têm impactos em cascata na produção agrícola. A insegurança alimentar impulsionada pelo clima é agora vista como um risco, com efeitos em cascata na estabilidade social, migração e biossegurança, através da disseminação de pragas em plantas e doenças em animais.

Além disso, continua a impulsionar novos deslocamentos populacionais, tanto contínuos quanto prolongados, em todo o mundo, com consequências particularmente graves em regiões frágeis e afetadas por conflitos. Os impactos em cascata e cumulativos de múltiplos desastres limitam severamente a capacidade das comunidades vulneráveis de se prepararem, se recuperarem e se adaptarem aos choques.

Impactos do clima e do calor na saúde

As mudanças climáticas têm impactos abrangentes na mortalidade, nos meios de subsistência, nos ecossistemas e nos sistemas de saúde, e amplificam riscos como doenças transmitidas por vetores e pela água, além de fatores de estresse relacionados à saúde mental, especialmente entre as populações vulneráveis.

A dengue se destaca como a doença transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de metade da população mundial está em risco e o número de casos notificados é atualmente o mais alto já registrado.

O estresse térmico é um problema crescente. Mais de da força de trabalho global (1,2 bilhão de pessoas) enfrenta riscos relacionados ao calor no local de trabalho em algum momento do ano, especialmente aqueles que atuam na agricultura e na construção civil. Além dos impactos na saúde, isso leva a perdas de produtividade e de meios de subsistência.
Em 2023, apenas cerca de metade dos países fornecia serviços de alerta precoce de calor adaptados às necessidades do setor da saúde, e ainda menos haviam integrado totalmente as informações climáticas nos processos de tomada de decisão em saúde.

Existe uma necessidade urgente de integrar dados meteorológicos e climáticos com sistemas de informação em saúde para permitir que os tomadores de decisão passem de uma resposta reativa para uma prevenção proativa, o que salva vidas. (ecodebate)

Havaí está transformando plástico do oceano em estradas para combater poluição

As Ilhas Havaianas são um paraíso natural, mas também uma das áreas mais vulneráveis à poluição por microplásticos.

O Havaí está inovando ao transformar plástico retirado do oceano, incluindo redes de pesca e detritos domésticos, em material para pavimentar estradas, especialmente na ilha de Oahu. O projeto, focado na economia circular, tritura plásticos duráveis, como polietileno, para reforçar o asfalto, reduzindo a poluição marinha e o volume de resíduos em aterros.

Principais Detalhes da Iniciativa:

Origem do Material: Redes de pesca abandonadas e plásticos marinhos coletados são reciclados pelo programa Nets-to-Roads, gerido por pesquisadores.

Processo: O lixo é triturado e processado para substituir parte dos componentes tradicionais do asfalto.

Local de Aplicação: Os testes estão sendo realizados em estradas na ilha de Oahu.

Combate à Poluição: O programa aborda o alto custo de transporte de resíduos para fora das ilhas e diminui a pressão sobre aterros locais.

Sustentabilidade: Pesquisadores avaliam a durabilidade do pavimento e o impacto ambiental, buscando soluções para a contaminação por microplásticos.

O esforço envolve o Departamento de Transportes do Havaí e busca parcerias para viabilizar a tecnologia a longo prazo, enfrentando o problema do lixo marinho com inovação.

Projeto que retira toneladas de lixo do mar produz asfalto de material durável para pavimentar estradas havaianas.
Além das poluições marinha causada pela atividade das ilhas, novas toneladas de lixo externo chegam ao arquipélago pelas correntes marinhas.

Um projeto inovador está pavimentando as ruas do Havaí, território dos EUA no Pacífico, com material de asfalto produzido a partir da reciclagem de resíduos plásticos e redes de pesca antigas.

Materiais como jarras de leite, potes de iogurte e redes de pesca – todos contendo polietileno, um tipo de plástico durável – são selecionados para compor material que irá pavimentar uma estrada em Ewa Beach, na capital Honolulu.

“Estamos extremamente preocupados com o desprendimento de plásticos ou outros produtos químicos no meio ambiente, porque isso pode expor humanos e animais a aditivos tóxicos presentes no plástico, levando a distúrbios hormonais, inflamações crônicas e problemas reprodutivos”, diz Jennifer Lynch, diretora do Centro de Pesquisa de Detritos Marinhos da Universidade Hawaii Pacific, em entrevista ao site Science News.

O centro cuida do programa Nets-to-Roads que justamente tem o trabalho de coletar e separar detritos marinhos e plástico recolhidos nas praias.

Segundo o Science News, 90 toneladas de lixo plástico já foram removidas do Oceano Pacífico e mais de uma tonelada de redes de pesca foram incorporadas às ruas havaianas.

Reciclar e asfaltar

O Havaí enfrenta uma grave crise de lixo marinho que tem nome e sobrenome: Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Além de equipamentos de pesca descartados e resíduos turísticos comuns nas ilhas, existe essa enorme mancha de acúmulo massivo de plásticos que se localiza entre o Havaí e a Califórnia, movendo toneladas de lixo por correntes marinhas.

Como uma iniciativa que visa diminuir os crescentes riscos que esses resíduos têm de engolir o arquipélago, a pavimentação de estradas havaianas com resíduos plásticos tem um longo processo que se inicia, obviamente, com a retirada do lixo do mar. Ele é enviado para o continente para ser triturado e moído, sendo posteriormente devolvido à ilha de Oahu para integrar a mistura do asfalto.

O material ainda quente é carregado por caminhões e usado na pavimentação de trechos rodoviários de Ewa Beach. Com a primeira fase do programa em 2022 tendo sido um sucesso, ele segue ampliando a quantidade de faixas pavimentadas e os tipos de misturas utilizadas nos projetos.

O vídeo abaixo mostra as etapas de construção: https://www.youtube.com/watch?v=J97_YYpOFPw.

Do mar para a terra: quais os ricos dos plásticos?

Uma preocupação primordial do programa era verificar se o desgaste do pavimento iria liberar microplásticos no meio ambiente, criando um novo problema ambiental. Segundo informações do site americano, os resultados de testes preliminares foram divulgados em 22 de março na reunião da Sociedade Americana de Química em Atlanta.

Após onze meses das primeiras pavimentações testes, os pesquisadores coletaram amostras para testar a lixiviação de microplásticos. Simulando diferentes formas de desgastar o asfalto, eles confirmaram que “não houve liberação significativa de microplásticos em comparação com o trecho de estrada sem plástico misturado ao asfalto”, destaca o Science News.

"Estamos transformando um grande problema ambiental em uma solução tangível. Nosso objetivo é produzir produtos localmente, de forma sustentável e durável, aumentando a resiliência e a autossuficiência de nossa comunidade (...) Cada produto bem-sucedido nos aproxima um passo mais de uma economia circular”, diz Mafalda de Freitas, diretora do Programa de Megaplásticos do centro, em comunicado.

Boa parte do lixo que chega aos oceanos fica perto da costa e acaba sendo trazida de volta para terra.

Os segredos revelados pelas ilhas de lixo formadas nos oceanos. (revistagalileu.globo)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada.
Como a presença de microplásticos no corpo humano pode afetar nossa saúde?

Um estudo revela que a exposição a microplásticos em ambientes internos (casas e carros) é até 100 vezes maior do que as estimativas anteriores, com adultos inalando cerca de 68.000 a 71.000 partículas diariamente. Partículas menores que 10 micrômetros, capazes de penetrar profundamente nos pulmões, são as mais comuns, com destaque para a poluição em carros.

Principais Descobertas e Riscos

Concentração Elevada: Carros apresentaram concentrações maiores (mais de 2.200 partículas/) comparado às casas (528 partículas/), devido ao desgaste de materiais sintéticos e plásticos.

Fontes Comuns: A poeira suspensa em ambientes internos é rica em microplásticos provenientes de móveis, estofados, roupas sintéticas e plásticos de uso diário.

Riscos à Saúde: A inalação dessas partículas pode causar inflamação, estresse oxidativo, comprometimento pulmonar e possíveis riscos cardiovasculares e reprodutivos.

Como Reduzir a Exposição

Limpeza frequente: A utilização de aspiradores de pó com filtros HEPA pode ajudar a remover as partículas do ar e das superfícies.

Ventilação: Manter ambientes arejados reduz a concentração de partículas em suspensão.

Redução de materiais sintéticos: Diminuir o uso de tecidos e produtos plásticos sintéticos em casa.

O estudo ressalta a necessidade de atenção aos ambientes fechados como fonte importante de contaminação por microplásticos, superando muitas vezes a exposição ao ar livre.

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior do que a estimada

Pesquisa identifica fontes de poluição em espaços fechados e levanta questões sobre os efeitos da exposição diária na saúde.
Microplásticos são capazes de circular por diversos órgãos do corpo

Um estudo publicado na revista científica PLOS One levantou preocupações sobre a qualidade do ar em ambientes onde as pessoas passam a maior parte do tempo. Segundo a pesquisa, o ar dentro de casas e carros contém milhões de microplásticos, partículas tão pequenas que conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório humano.

• Microplásticos: a ameaça invisível que respiramos

• Quantos microplásticos há no corpo? Pesquisadores tentam pôr fim ao debate

Jeroen Sonke, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da Universidade de Toulouse, e a pesquisadora Nadiia Yakovenko, autores principais do relatório, explicaram que a exposição é constante.

"As pessoas passam, em média, 90% do seu tempo em ambientes fechados, incluindo em casa e no transporte público, e estão expostas à poluição por microplásticos por inalação sem sequer se darem conta disso", afirmaram em um comunicado conjunto citado na pesquisa.

De onde vêm essas partículas de plástico?

Os resultados indicam que esses elementos são consequência da degradação gradual de objetos do cotidiano. Itens como tapetes, cortinas, móveis e diversos tecidos liberam essas partículas no meio ambiente.

• Poluição global: Especialistas detectam microplásticos em intestino do único inseto nativo da Antártida

No caso dos veículos, as principais fontes de desgaste são os painéis, volantes, estofados e revestimentos interiores, que se deterioram devido a fatores como fricção, calor e radiação solar.

O estudo determinou que um adulto médio pode inalar aproximadamente 68.000 partículas de microplásticos por dia em ambientes internos. Este valor é significativamente superior às estimativas anteriores, excedendo em 100 vezes o que a comunidade científica esperava encontrar.

Para se ter uma ideia do tamanho, essas partículas medem entre 1 e 10 micrômetros, dimensões comparáveis às de uma hemácia ou da bactéria "E. coli".
Quais são os riscos para o corpo humano?

A preocupação dos especialistas reside no acúmulo dessas substâncias no organismo. "Há receio de que a exposição prolongada possa contribuir para problemas respiratórios, perturbar a função endócrina e aumentar o risco de distúrbios do neurodesenvolvimento", afirmaram Sonke e Yakovenko.

• Cafés 'para viagem' podem conter milhares de fragmentos de microplásticos, alerta estudo.

Eles também mencionaram possíveis ligações com infertilidade, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.

Sherri Mason, diretora do Projeto NePTWNE na Universidade Gannon, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, reforçou essa tese ao destacar que os microplásticos estão entrando nos seres humanos "de todas as maneiras imagináveis".

Pesquisas anteriores já detectaram essas partículas no sangue, tecido pulmonar, placenta e até mesmo em tecido cerebral humano.

Carros como pontos críticos de alta concentração

Um dos pontos mais críticos do relatório destaca que as cabines dos veículos apresentam níveis de poluição muito mais elevados do que as residências.

• Veja quais: Especialistas alertam para o risco de aquecer alimentos em alguns tipos de recipientes de plástico

Enquanto em uma casa foram encontradas 528 partículas por metro cúbico, dentro de carros esse número subiu para 2.238.

Isso ocorre porque são espaços pequenos e fechados com ventilação limitada, o que facilita o acúmulo de microplásticos durante os deslocamentos diários.

Recomendações para reduzir a exposição diária aos microplásticos

Apesar da onipresença do plástico, especialistas como o pediatra Philip Landrigan, do Boston College, sugerem medidas práticas para reduzir o risco.

Essas medidas incluem evitar o uso de plásticos descartáveis, não aquecer alimentos em recipientes de plástico no micro-ondas, pois o calor acelera a liberação de partículas, e preferir recipientes de vidro ou metal para armazenar alimentos e água. (oglobo)

sábado, 9 de maio de 2026

El Niño ‘superpoderoso’ chega ao Brasil

El Niño ‘superpoderoso’ chega ao Brasil, traz ondas de calor e pode atrasar chuvas.
El Niño 'superpoderoso' chega ao Brasil, traz ondas de calor e pode atrasar chuvas; saiba onde e quando. Atenção: o El Niño deve retornar no fim de abril e se consolidar ao longo de maio, permanecendo ativo durante a primavera, o verão e até o inverno, com impactos diretos na safra de soja 2026/27.

O El Niño deve retornar ao Brasil no fim de abril/2026, com consolidação em maio, trazendo riscos de ondas de calor intenso e atraso no início das chuvas da primavera (setembro/outubro). O fenômeno, que pode ganhar força ("super" El Niño), promete um inverno quente e afetar safras, especialmente no Centro-Oeste.

Principais Impactos no Brasil (2026/2027):

Ondas de Calor: Temperaturas acima da média durante o outono, inverno, primavera e verão, com destaque para o Centro-Sul e Sudeste.

Atraso nas Chuvas: A regularização das chuvas na primavera deve ser tardia, firmando-se apenas entre a segunda quinzena de outubro e novembro.

Impacto Regional:

Sul: Risco de chuvas volumosas e enchentes.

Norte/Nordeste: Risco de secas severas.

Centro-Oeste/Sudeste: Secas irregulares, veranicos (períodos secos) e impacto na safra de soja/milho.

Alerta: O Cemaden alerta para possíveis "desastres térmicos" e impactos no custo de alimentos e energia.

A possibilidade de formação é superior a 80% para o 2º semestre de 2026.

El Niño "superpoderoso" deve chegar ao Brasil em maio e ameaça lavouras

Fenômeno pode provocar seca e enchentes em diferentes regiões do Brasil ao longo do segundo semestre e ameaça produção agrícola.

Como será o clima no outono que vai marcar a volta do El Niño

El Niño no Brasil pode trazer seca severa e risco de enchente ao mesmo tempo

O fenômeno El Niño, aquecimento das águas do Oceano Pacífico, deve chegar com força no Brasil a partir de maio, alertam meteorologistas do mundo inteiro. A ocorrência já era prevista desde o início do ano, mas as possibilidades de formação aumentaram nas últimas semanas. De acordo com os órgãos de meteorologia, o fenômeno pode ter uma maior intensidade neste ano e, por isso, já está sendo chamado de “El Niño Superpoderoso”, com anomalias térmicas de até 2ºC.

Atualmente, o Brasil atravessa uma fase de neutralidade climática, típica do outono. No entanto, a transição para o fenômeno a partir de maio já coloca em alerta produtores rurais para a finalização da colheita da safra de verão e o planejamento da safra 2026/2027, que tem início a partir de setembro em regiões importantes como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

Impactos climáticos esperados nas regiões

De acordo com projeções da NOAA (agência oceânica e atmosférica dos EUA) e do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o El Niño alterará o regime de chuvas em todas as regiões brasileiras. No Norte e Nordeste, espera-se uma redução drástica nas precipitações, elevando o risco de seca severa.

Em contrapartida, o Sul do Brasil deve enfrentar excesso de chuvas, o que aumenta o risco de enchentes e prejuízos às lavouras. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a tendência é de aumento das temperaturas médias, com ondas de calor, e chuvas irregulares ao longo do segundo semestre.

A transição climática afeta a etapa final da colheita da soja, que atinge 67,7% da área nacional plantada, em torno de 83 milhões de hectares, segundo dados da Conab. Além disso, o desenvolvimento do milho segunda safra, conhecido como safrinha, entra em um período crítico de definição de produtividade.

O risco de veranicos — períodos de estiagem com calor intenso durante a estação chuvosa — e temperaturas acima da média podem acelerar o ciclo das plantas. Esse estresse térmico e hídrico tende a prejudicar o enchimento de grãos e a qualidade final do produto.

Formação de El Niño deixa cientistas e autoridades em alerta na Amazônia

A pressão sobre a safra e a logística de transporte, afetada por extremos climáticos, pode elevar o risco inflacionário nos alimentos devido à quebra de oferta. O acompanhamento das atualizações meteorológicas é essencial para o manejo agrícola e para a segurança alimentar no país, visto que o pico de intensidade deve ocorrer entre agosto e outubro de 2026. (band.com.br)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos, com extremos de calor

Projeções indicam a possibilidade de um "Super El Niño" entre 2026/2027, potencialmente o mais intenso em 140 anos, com aquecimento das águas do Pacífico e extremos globais de calor. O fenômeno deve causar secas, enchentes e recordes de temperatura, com o Brasil enfrentando estiagem no Norte/Nordeste e chuvas intensas no Sul.

Pontos-chave do Super El Niño (2026-2027):

O monitoramento do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo é citado como base para essas projeções.

- Intensidade Histórica: Estudos apontam que este pode ser o evento mais forte desde o início dos registros, superando marcos anteriores.

- Calor Extremo: O aquecimento global atua em conjunto, aumentando o risco de novos recordes de temperatura global até 2027.

- Impactos no Brasil: A previsão indica estiagens severas, aumentando o risco de incêndios na Amazônia, e, ao mesmo tempo, enchentes no Sul.

- Contexto Crítico: Este fenômeno ocorre em um ambiente climático já aquecido, elevando preocupações sobre agricultura e abastecimento de água.

Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos, com extremos de calor

Aumento da temperatura média das águas do Pacífico pode ultrapassar 2ºC, o suficiente para alterar os padrões climáticos do planeta; no Brasil, fenômeno é marcado por seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul.

Novas projeções climáticas indicam o aumento da possibilidade de formação de um super El Niño ainda este ano - um cenário que pode levar o planeta a registrar novos recordes de temperatura até 2027. Projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF, na sigla em inglês) apontam o fenômeno como potencialmente tão intenso que pode se tornar o mais forte em 140 anos.

De acordo com o professor de ciências atmosféricas Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, em entrevista ao jornal The Washington Post, existe um risco real para a formação do mais forte El Niño em mais de um século, por conta de um fenômeno excepcionalmente intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027.

No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul. Na foto, destruição em Roca Sales (RS), em 2024.

O El Niño se caracteriza por um aumento de pelo menos 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico. Diferentemente de um El Niño convencional, o chamado super El Niño está associado a um aquecimento superior a 2ºC, o que é suficiente para alterar os padrões climáticos de todo o globo e o regime de chuvas. O novo fenômeno pode quebrar o recorde do El Niño de 2015, quando a temperatura do Pacífico alcançou 2,8ºC acima da média.

Se o cenário se confirmar, os efeitos poderão ser sentidos em escala global. Entre os impactos previstos estão secas severas em partes da América Central, da África Central, da Austrália, da Indonésia e das Filipinas, além de chuvas torrenciais com risco de enchentes em países como Peru e Equador e em outras áreas próximas à Linha do Equador. No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul - a exemplo do que aconteceu em 2024.

"O El Niño aumenta as chances de enchentes no Sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região", explicou a climatologista Karina Lima. "Mas os eventos de El Niño (e La Niña) nunca são iguais e, além disso, o desastre de 2024 teve causa multifatorial, com uma conjuntura climática bastante complexa."

As projeções também indicam aumento da frequência de ondas de calor em grandes áreas da América do Sul, do sul dos Estados Unidos, da África, da Europa, de partes do Oriente Médio e da Índia. Em paralelo, a atividade de ciclones e tufões no Pacífico pode crescer, enquanto o Atlântico tende a registrar redução na atividade de furacões.

Outro efeito relevante é o impacto sobre a temperatura média global. Eventos intensos de El Niño costumam liberar grande quantidade de calor do oceano para a atmosfera, o que favorece a elevação das temperaturas em escala planetária. Nesse contexto, 2027 surge como o ano com maior potencial para registrar novos recordes globais de calor.

As análises também apontam risco para a agricultura, em razão da mudança no regime de chuvas em diferentes continentes. Na Índia, por exemplo, uma possível redução das monções pode comprometer a produção agrícola. Já em outras regiões tropicais, a combinação entre calor extremo e seca pode agravar perdas no campo e aumentar a pressão sobre o abastecimento de água.
Apesar do sinal de alerta, ainda há incerteza sobre a intensidade final do fenômeno. Os próprios especialistas ressaltam que não existem 2 eventos de El Niño exatamente iguais, especialmente em um contexto de aquecimento global, o que exige cautela na interpretação das projeções.

Além disso, o aquecimento global e o acúmulo de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera vêm alterando os padrões do fenômeno.

"Por conta da crescente concentração de gases estufa, o sistema climático não consegue dissipar todo o calor lançado por um evento de El Niño antes que outro El Niño ocorra, aumentando a temperatura de novo", explicou o meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA, Eric Webb, em entrevista ao The Washington Post. (terra.com.br)

Dia da Terra e o aquecimento dos oceanos

Aquecimento global altera rotação da Terra, derrete calotas polares, eleva nível do mar e intensifica mudanças climáticas que já começam a a...