quarta-feira, 15 de julho de 2009

Faltam cientistas e recursos na floresta

O esforço científico para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia sofre principalmente com a falta de seu insumo mais básico: pesquisadores. Onde sobram espécies de fauna e flora, faltam cientistas para estudá-las, tanto na academia quanto na indústria. A Amazônia Legal inteira, com seus nove Estados, tem menos doutores (em torno de 3,5 mil) do que a Universidade de São Paulo (mais de 5 mil). Os cursos de pós-graduação são poucos, nem sempre de boa qualidade, e há dificuldade em atrair pesquisadores de outros Estados para morar na Amazônia. "Não conseguimos fixar inteligência de outras regiões", diz o presidente da Fapespa, Ubiratan Bezerra. "O governo vem aumentando o volume de recursos para a Amazônia, mas precisa aumentar muito mais", diz o presidente da Fapeam, Odenildo Sena. "Precisa fazer uma intervenção mesmo." O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro, defende a criação de um "PAC da Amazônia", que privilegie a ciência como ferramenta essencial de promoção do desenvolvimento. Elemento que, segundo ele, está ausente no Plano Amazônia Sustentável (PAS) do governo federal. A base do desenvolvimento é conhecimento, e conhecimento é ciência. Ele concorda que é preciso criar incentivos financeiros para fixar cientistas na Amazônia - incluindo salários mais altos. "Tem de pagar mais mesmo", afirma Barreto. "Ninguém vai sair de São Paulo se não houver um tratamento diferenciado." O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Galvão, concorda que é preciso investir mais na Amazônia. Por outro lado, diz que faltam "agendas concretas" de planejamento científico e tecnológico na região. Tão importante quanto ter um doutor é saber o que fazer com esse doutor.

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