sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

MMA e IBAMA divulgam Nota Retificadora sobre o Monitoramento do Desmatamento no bioma Cerrado

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama firmaram acordo de cooperação em 2008 para a realização do Programa de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite, que conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Este programa consiste na realização do monitoramento sistemático da cobertura vegetal dos biomas Cerrado Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal, a fim de quantificar desmatamentos de áreas com vegetação nativa, para embasar ações e políticas de prevenção e controle de desmatamentos ilegais nestes biomas, além de subsidiar políticas públicas de conservação da biodiversidade e de mitigação da mudança do clima. O sistema utilizado tem como referência os Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros, produzidos pelo MMA/Probio, em 2007 (cujo ano-base das imagens foi o de 2002, e escala de 1:250.000). Os primeiros dados, preliminares, obtidos pelo Programa foram sobre o bioma Cerrado, e vieram a público em 10/09/09, por ocasião das comemorações do Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro. Na ocasião, os dados apontavam um desmatamento para, o período de 2002 a 2008, de 127.564 km², o que equivale a 6,3% da área total do bioma. Os remanescentes de vegetação até o ano de 2008 somavam aproximadamente 1.044.000 km², isto é, 51,2 % da área total do bioma, enquanto que as áreas desmatadas equivaliam a 982.000 mil km², 48,2% da área total. Anteriormente à data de lançamento dos dados na imprensa, em 01/09/09, MMA e Ibama promoveram o I Seminário Técnico-Científico de Análise de Dados Referentes ao Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite – Bioma Cerrado, que contou com a presença de diversos pesquisadores da área, tendo participado representantes do INPE, Embrapa, UFG, UnB, Funcate e de organizações não-governamentais. Na ocasião, houve manifestações de algumas instituições que levantaram a hipótese de que os dados poderiam estar superestimados e sugeriram uma revisão a fim de garantir exatidão dos números. A partir daquele momento, o IBAMA iniciou a revisão dos dados, contando inclusive com a colaboração de pesquisadores da UFG, da EMBRAPA, do INPE e da Funcate. Porém, antes mesmo que o IBAMA concluísse a revisão, notícias foram veiculadas na imprensa informando haver superestimação dos números. Parte das críticas partiu da comparação entre os dados gerados pelo MMA/Ibama e os dados do SIAD Cerrado, do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento – Lapig, da Universidade Federal de Goiás. A comparação sugeria uma diferença na ordem de 30%. A revisão final levada a efeito pela equipe técnica do Centro de Sensoriamento Remoto – CSR do Ibama, que reviu cuidadosamente polígono a polígono do desmatamento no bioma Cerrado, encontrou uma diferença significativa para o desmatamento atribuído ao do período de 2002 a 2008. Essa diferença decorre de uma inconsistência na atribuição da data do desmatamento. De um total de 177.000 km² detectados como desmatamento até o ano de 2008 somente a metade destes, ou seja, 85.075km², foram realmente confirmados para o período de 2002 a 2008. A outra metade originalmente atribuída ao período 2002-2008 se refere a desmatamentos anteriores a 2002. Em resumo, a revisão demonstrou que no período 2002-2008 houve um desmatamento de 85.075 km² e não de 127.564 km², como anteriormente informado (uma diferença de 33%). Deve-se destacar que o número total de desmatamento do Cerrado até 2008 não se altera, ou seja, o Cerrado perdeu em torno de 48% de sua cobertura original até 2008. Também é importante ressaltar que a identificação de desmatamentos não foi alvo de questionamento ou correção, apenas a data de ocorrência. O bioma Cerrado é formado por um mosaico de vegetação (cerradão, matas de galeria, campos etc.), o que torna mais difícil a detecção do desmatamento. A fim de realizar uma estimativa de erro dos dados da revisão, foi feita uma amostra de 143 pontos escolhidos aleatoriamente. Nesses somente 7 pontos foram considerados realmente como erros de interpretação de desmatamento, ou seja, 5% de erro . Em relação às dúvidas surgidas sobre a confiabilidade do trabalho desenvolvido pelo MMA e IBAMA, devemos esclarecer que os dados obtidos no CSR/Ibama baseiam-se em imagens de satélite Landsat e Cbers de alta resolução (30m/20m). Por isso, comparações com trabalhos baseados em imagens satélites de resolução menos detalhada (como o MODIS) devem ser evitadas. Esclarecemos que os dados utilizados pelo Governo para estimar as atuais taxas de emissão de gases de Efeito Estufa e para definir metas nacionais para sua redução até 2020 foram baseados nos novos dados revisados de desmatamento no bioma Cerrado agora divulgados. O Ibama reafirma sua confiança nos novos dados revisados sobre o desmatamento ocorrido no Bioma Cerrado no período entre 2002 e 2008 e lamenta qualquer inconveniência causada pela divulgação de dados preliminares em setembro que se demonstrou agora estarem sobreestimados em cerca de 33%. Tal como o processo desenvolvido pelo INPE para monitorar os desmatamentos na Amazônia, o monitoramento do desmatamento no bioma Cerrado deverá ao longo dos anos passar por um processo contínuo de aperfeiçoamento. É notório, no entanto, o avanço que este Programa representa para as políticas públicas para a conservação dos biomas brasileiros, pois é a primeira vez que se adota um monitoramento da cobertura vegetal que pretende ser realizado todos os anos para os biomas extra-amazônicos. O IBAMA agradece às instituições que apontaram possíveis erros e que contribuíram no processo de revisão dos dados.

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...