Quando mensagens inconvenientes - propagandas, correntes, malas diretas virtuais - lotam as caixas de entrada de e-mails, basta clicar no botão excluir para eliminá-las. No entanto, em relação a outro tipo de lixo, que advém da evolução tecnológica e da atualização periódica, como computadores e telefones celulares, pouca gente sabe como se desfazer dele.E isso é grave: afinal, o lixo tecnológico traz danos bem mais sérios que a chateação causada por um e-mail indesejável. Para se ter uma idéia de como anda o mercado, em 2008 foram vendidos 10,1 milhões de computadores. Segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a venda de aparelhos celulares chegou a 48,8 milhões de unidades.
Com tudo isso, as estimativas não poderiam ser mais alarmantes: mais de 30 milhões de aparelhos antigos foram descartados ou esquecidos no armário no ano passado.
E aí, o que fazer com eles?
A resposta parece fácil, mas não é. Quem está atolado de equipamentos sem uso, atualmente possui três opções para um descarte sem agressão ao meio ambiente: entregá-los ao fabricante, se esse tiver um programa específico para isso, o que não é o caso da maioria das companhias; vender; ou doar para uma instituição de caridade ou empresas de reciclagem.
Desfazer-se de aparelhos velhos e ainda levar uma graninha foi a saída encontrada pelo comerciante Ademir Fernandes, 37 anos, para passar à frente algumas velharias eletrônicas. Ele decidiu anunciá-las em um site de compra e venda.
"Vendi dois computadores por menos da metade do valor que eu paguei há três anos. É pouco, mas é melhor do que nada", diz.
O mundo joga fora 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica por ano, em todo mundo, segundo o Greenpeace. Porém, governos, consumidores e, principalmente, os fabricantes dos produtos, agem vagarosamente para solucionar a falta de destinação correta para esse tipo de resíduos.
O professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Moraes Guaritá explica que o lixo tecnológico é tratado como resíduo químico durante a coleta e é jogado em aterros, causando contaminação do solo, da água e, conseqüentemente, dos alimentos.
"O material plástico das carcaças de computador leva séculos para se decompor na natureza. Componentes como placas-mãe são compostos de metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio", exemplifica. Metais pesados podem causar danos ao sistema nervoso, edemas pulmonares, câncer, além de serem nocivos ao meio ambiente.
Quem é o dono?
Diferentemente do que ocorre na Europa (onde, por lei, os fabricantes são obrigados a recolher e reciclar equipamentos antigos), no Brasil a maioria das empresas deixa os usuários desamparados na hora de descartar os eletrônicos.
Por aqui, discute-se a Política Nacional de Resíduos Sólidos há 15 anos e as tentativas de implementá-la estão paradas no Congresso desde 1980. É isso mesmo: desde 1980!
Em 2005, ela até que foi reformulada, mas não saiu do papel.
Eis a razão: a Política prevê que os fabricantes são responsáveis pela reciclagem do lixo eletrônico, mas as companhias não admitem.Segundo o gerente de programas ambientais urbanos do Ministério do Meio Ambiente, Marcos Pellegrini Bandini, o setor público é responsável pelo lixo domiciliar, mas não pelo tecnológico.
"Podemos oferecer o serviço de coleta para esse tipo de resíduo, mas teremos que cobrar das empresas - que são as responsáveis pelo que produzem". O supervisor de Meio Ambiente da Motorola, Luiz Ceolato, considera a Política de Resíduos importante, mas diz que ela só funcionará com a participação da sociedade.
"Após a venda, o produto pertence ao comprador, que tem a sua parcela de responsabilidade. Além disso, é preciso infra-estrutura para as empresas de reciclagem e apoio do governo para que custos não sejam repassados para consumidor final", alerta.
Procuradas pelo Correio, Panasonic e LG afirmaram não ter nenhum programa para a coleta de equipamentos usados. A Positivo Informática não respondeu às perguntas.
"Isso é um absurdo. Hoje, você não consome um produto só porque ele é barato ou pela qualidade. Mas também leva em consideração se a empresa é ecologicamente correta. A humanidade agradece se as companhias cumprirem seu papel na reciclagem e elas só têm a lucrar", diz a diretora de pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), com sede em São Paulo.
Descarte de pilhas e baterias
No Brasil, o "puxão de orelhas" veio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que, por meio da Resolução 257/99, regulamentou a coleta de pilhas e baterias.
A norma obriga fabricantes, importadores, redes autorizadas de assistência técnica e comerciantes a implantarem mecanismos de coleta e de responsabilidade sobre o material tóxico que produzem. Quem não cumprir as regras poderá arcar com multa de até R$ 2 milhões.O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Lixo tecnológico: O que fazer com ele?
Quando mensagens inconvenientes - propagandas, correntes, malas diretas virtuais - lotam as caixas de entrada de e-mails, basta clicar no botão excluir para eliminá-las. No entanto, em relação a outro tipo de lixo, que advém da evolução tecnológica e da atualização periódica, como computadores e telefones celulares, pouca gente sabe como se desfazer dele.E isso é grave: afinal, o lixo tecnológico traz danos bem mais sérios que a chateação causada por um e-mail indesejável. Para se ter uma idéia de como anda o mercado, em 2008 foram vendidos 10,1 milhões de computadores. Segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a venda de aparelhos celulares chegou a 48,8 milhões de unidades.
Com tudo isso, as estimativas não poderiam ser mais alarmantes: mais de 30 milhões de aparelhos antigos foram descartados ou esquecidos no armário no ano passado.
E aí, o que fazer com eles?
A resposta parece fácil, mas não é. Quem está atolado de equipamentos sem uso, atualmente possui três opções para um descarte sem agressão ao meio ambiente: entregá-los ao fabricante, se esse tiver um programa específico para isso, o que não é o caso da maioria das companhias; vender; ou doar para uma instituição de caridade ou empresas de reciclagem.
Desfazer-se de aparelhos velhos e ainda levar uma graninha foi a saída encontrada pelo comerciante Ademir Fernandes, 37 anos, para passar à frente algumas velharias eletrônicas. Ele decidiu anunciá-las em um site de compra e venda.
"Vendi dois computadores por menos da metade do valor que eu paguei há três anos. É pouco, mas é melhor do que nada", diz.
O mundo joga fora 50 milhões de toneladas de sucata eletrônica por ano, em todo mundo, segundo o Greenpeace. Porém, governos, consumidores e, principalmente, os fabricantes dos produtos, agem vagarosamente para solucionar a falta de destinação correta para esse tipo de resíduos.
O professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Moraes Guaritá explica que o lixo tecnológico é tratado como resíduo químico durante a coleta e é jogado em aterros, causando contaminação do solo, da água e, conseqüentemente, dos alimentos.
"O material plástico das carcaças de computador leva séculos para se decompor na natureza. Componentes como placas-mãe são compostos de metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio", exemplifica. Metais pesados podem causar danos ao sistema nervoso, edemas pulmonares, câncer, além de serem nocivos ao meio ambiente.
Quem é o dono?
Diferentemente do que ocorre na Europa (onde, por lei, os fabricantes são obrigados a recolher e reciclar equipamentos antigos), no Brasil a maioria das empresas deixa os usuários desamparados na hora de descartar os eletrônicos.
Por aqui, discute-se a Política Nacional de Resíduos Sólidos há 15 anos e as tentativas de implementá-la estão paradas no Congresso desde 1980. É isso mesmo: desde 1980!
Em 2005, ela até que foi reformulada, mas não saiu do papel.
Eis a razão: a Política prevê que os fabricantes são responsáveis pela reciclagem do lixo eletrônico, mas as companhias não admitem.Segundo o gerente de programas ambientais urbanos do Ministério do Meio Ambiente, Marcos Pellegrini Bandini, o setor público é responsável pelo lixo domiciliar, mas não pelo tecnológico.
"Podemos oferecer o serviço de coleta para esse tipo de resíduo, mas teremos que cobrar das empresas - que são as responsáveis pelo que produzem". O supervisor de Meio Ambiente da Motorola, Luiz Ceolato, considera a Política de Resíduos importante, mas diz que ela só funcionará com a participação da sociedade.
"Após a venda, o produto pertence ao comprador, que tem a sua parcela de responsabilidade. Além disso, é preciso infra-estrutura para as empresas de reciclagem e apoio do governo para que custos não sejam repassados para consumidor final", alerta.
Procuradas pelo Correio, Panasonic e LG afirmaram não ter nenhum programa para a coleta de equipamentos usados. A Positivo Informática não respondeu às perguntas.
"Isso é um absurdo. Hoje, você não consome um produto só porque ele é barato ou pela qualidade. Mas também leva em consideração se a empresa é ecologicamente correta. A humanidade agradece se as companhias cumprirem seu papel na reciclagem e elas só têm a lucrar", diz a diretora de pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), com sede em São Paulo.
Descarte de pilhas e baterias
No Brasil, o "puxão de orelhas" veio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que, por meio da Resolução 257/99, regulamentou a coleta de pilhas e baterias.
A norma obriga fabricantes, importadores, redes autorizadas de assistência técnica e comerciantes a implantarem mecanismos de coleta e de responsabilidade sobre o material tóxico que produzem. Quem não cumprir as regras poderá arcar com multa de até R$ 2 milhões.
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