segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tuvalu e os primeiros refugiados ambientais

O pequeno país de Tuvalu, localizado na Polinésia, acaba de perder uma guerra. Alguns dos cerca de 11.000 habitantes, agora refugiados, já começam o processo de evacuação do território de apenas 26km², o quarto menor do mundo, segundo a ONU. Tuvalu não enfrentou um inimigo poderoso e armado até os dentes, mas perdeu uma guerra contra o aquecimento global.
A lagoa verde de Anaa, Tuamotus, Polinésia; Atol Enquanto o preço da água sobe vertiginosamente em todo o mundo (27% nos Estados Unidos, 45% na Austrália e 58% no Canadá, nos últimos cinco anos, de acordo com a Earth Policy Institute), o minúsculo país do Pacífico está sendo engolido pelo oceano. Tuvalu está a apenas 10 centímetros acima do nível do mar, que subiu cerca de 30 centímetros no século passado. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a previsão de elevação do nível do mar nos próximos 100 anos será de 80 cm a 1 metro. De acordo com o mestre em engenharia florestal pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) Fernando Afonso Fernandes, a expectativa é de que em meio século o país não exista mais. “Todas as ilhas do oceano Pacifico tendem a desaparecer nos próximos 50 anos”, assegura. “Tuvalu será a primeira delas, mas em seqüência ilhas como Fiji, Kiribati, Ilhas Cook e Samoa também vão sumir do mapa”. Alguns dos atóis que formam o país de Tuvalu já estão inabitáveis por causa do elevado nível do mar e das freqüentes inundações, resultados diretos do aquecimento global. “O aquecimento global provoca alterações na intensidade das correntes marítimas e formação de tufões, furacões e marés intensas”, aponta o professor da Univás. “O cenário é mesmo de catástrofe iminente”. O atol é uma ilha circulada por formação de corais, e pode demorar milhões de anos para se formar. Em breve, Funafuti (a capital), Nanumea, Nui, Vaitupu, Nukufetau, Nanumaga, Niutao e Niulakita estarão submersas. O nome do país, que significa “oito ilhas unidas” (já que antigamente Niulakita não era habitada), perderá seu sentido e sua história.

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