sábado, 29 de janeiro de 2011

80% das mortes poderiam ter sido evitadas

Chuvas: 80% das mortes poderiam ter sido evitadas, diz Crea
Ao apresentar o relatório preliminar da inspeção na região serrana do Rio, o presidente do Conselho Regional de Arquitetura, Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, disse que 80% das mortes seriam evitadas caso as prefeituras respeitassem a legislação ambiental do País. Até o início da noite de ontem, a pior catástrofe da história registrava 832 mortos.
'Técnicos apuraram que o desmatamento fez a velocidade da cabeça d'água atingir mais de 100 km/h em alguns trechos', afirmou. O documento lembra que a ocupação dos morros com inclinação maior de 45° é crime ambiental, porque são considerados Áreas de Preservação Permanente e recomenda a retirada da população desses locais.
Além do diagnóstico, o Crea-RJ sugere um conjunto de obras de baixo custo para evitar a repetição da tragédia. 'São intervenções simples nas encostas e pequenas barragens no alto dos rios para controlar a velocidade e o volume das águas', disse. Os engenheiros recomendam a instalação de pequenas soleiras de encostas para reter o material erodido e a abertura de valas para a retenção das águas, que poderiam evitar os deslizamentos.
Nos rios, os engenheiros sugerem pequenas e médias barragens nas nascentes para formar reservatórios de cheias e minimizar as cabeças d´água, além de ondulações no fundo dos córregos para diminuir a velocidade da correnteza.
O documento enfatiza que são necessários o reflorestamento dos morros e a recuperação da vegetação nas margens dos rios. As inspeções foram realizadas nos três dias seguintes à tragédia. O diagnóstico sobre as possíveis causas aponta que as chuvas tiveram uma magnitude maior do que o normal, mas o presidente do Crea-RJ refutou a tese de desastre natural pelo excesso de chuva. 'Isso é um desserviço à população. Se o poder público tivesse removido os moradores das áreas de risco não teríamos esse número de mortos.'
Sobre os deslizamentos das encostas, o relatório aponta que a população afetada morava em um terreno de 'alta inclinação' e, por isso, os deslizamentos ocorreram até nos casos em que a vegetação estava preservada.
As moradias nas margens dos rios também foram consideradas agravantes. O documento cita ainda a inexistência de plano de contingência de cheias. (OESP)

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