sexta-feira, 1 de abril de 2011

Licitação de Angra 3 sai na próxima semana

Estimativa é de que a compra de equipamentos para a nova usina nuclear deva atingir R$ 1,5 bilhão.
O debate sobre os projetos de energia nuclear, desencadeado pelo temor de vazamento em uma das usinas japonesas após o recente terremoto, não alterou os planos em andamento na Eletronuclear, pelo menos no que se refere às obras de Angra 3, a única usina nuclear do país com obras em andamento. Na próxima semana, a estatal controlada pela Eletrobras vai colocar na rua o edital para compra de toda a infraestrutura eletromecânica da nova usina brasileira. Trata-se de um edital com valor estimado em R$ 1,5 bilhão, um dos maiores do setor de energia programados para este ano.
A informação foi confirmada por Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear. “O edital está pronto e só precisa passar pelo conselho de administração da empresa”, disse Guimarães ao Valor.
A expectativa da Eletronuclear é que, passada as fases de recebimento de propostas e qualificação de concorrentes, o contrato seja firmado até junho. O edital, que vai permitir a participação de forma individual ou por meio de consórcios, trata da montagem de toda parte técnica da nova usina.
Segundo Guimarães, que também é membro do Grupo Permanente de Assessoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), atualmente há 2,3 mil pessoas trabalhando na construção de Angra 3. São funcionários da construtora Andrade Gutierrez e de suas subcontratadas, que atuam em obras civis. No pico da construção, que segundo o cronograma será atingido em dois anos, a previsão é de que haja 5 mil trabalhadores em atividade.
Atualmente, segundo Guimarães, Angra 3 tem algo entre 10% e 15% de seu projeto já executado. A previsão da Eletronuclear é de que a usina entre em operação até o fim de 2015.
Os primeiros equipamentos comprados para erguer Angra 3 foram adquiridos há 35 anos. A usina chegou a ter suas obras iniciadas, mas o projeto foi paralisado em 1986, em decorrência das polêmicas geradas pelo acidente nuclear de Chernobil, na Rússia. As obras só seriam retomadas em 2007. A previsão da Eletronuclear é de que a conclusão de Angra 3 consuma cerca de R$ 9 bilhões.
Hoje, as duas usinas nucleares em atividade no país – Angra 1 e 2 – fornecem juntas 2 mil megawatts (MW) de energia, o que responde por apenas 1,8% do total da matriz energética brasileira. Com a entrada de Angra 3, deverão ser adicionados mais 1.405 MW na geração nuclear.
Enquanto toca as obras de Angra 3, a Eletronuclear acompanha com cautela os desdobramentos que o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, pode gerar sobre seus planos para instalar mais quatro usinas no país.
O cronograma prevê que sejam investidos aproximadamente R$ 30 bilhões na construção dessas quatro usinas, cada uma com capacidade de 1 mil MW, o que elevaria a potência do parque nacional nuclear para 7,3 mil MW até 2030. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...