sábado, 29 de outubro de 2011

População do planeta chega a 7 bilhões

ONU afirma que desafios são imensos: reduzir a desigualdade, elevar o acesso à educação e saúde e garantir crescimento sustentável.
A poucos dias de atingir a marca de 7 bilhões de habitantes, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo de forma geral e o Brasil em particular têm uma série de desafios para reduzir a desigualdade e aumentar o acesso à educação e saúde, além de garantir um crescimento sustentável. As condições de vida da população melhoraram, mas ainda há grandes disparidades entre regiões e países, além de discriminação étnica e de sexo.
É o que aponta o relatório Pessoas e Possibilidades em um Mundo de 7 bilhões, divulgado ontem pelo Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), simultaneamente em cem países. Segundo o relatório, a população mundial está aumentando em velocidade acelerada, mas, mantendo-se a atual tendência, deve reduzir o ritmo de crescimento. Há 2 mil anos, havia 300 milhões de pessoas no planeta, número que deve saltar para 10 bilhões em 2083.
O relatório mostra também que a população mundial nunca esteve, ao mesmo tempo, tão jovem e tão velha. Isso porque, dos 7 bilhões de pessoas, 43% (3,01 bilhões) têm menos de 25 anos. Enquanto isso, as pessoas que têm mais de 60 anos, que eram 384milhões em 1990, já somam 893 milhões de pessoas e devem chegar a 2,4 bilhões até 2050.
Isso, segundo o relatório, se deve ao aumento da expectativa média de vida, que passou de 48 anos em na década de 1950 para 69 anos atualmente. “Essa marca (7 bilhões) mostra o sucesso da humanidade. As pessoas estão tendo vidas mais longas e saudáveis, com menos mortalidade infantil. Mas o envelhecimento da população preocupa”, ressaltou o representante da UNFPA no Brasil, Harold Robinson.
Robinson observa que o envelhecimento vai exigir mais investimentos dos governos em políticas sociais, assim como maior inserção dos jovens no mercado de trabalho para manter o mesmo nível de produtividade.
Pobreza e sustentabilidade
Outros desafios apontados pelo relatório da UNFPA são a redução das desigualdades “entre e dentro” dos países, assim como a necessidade de se manter o crescimento e desenvolvimento sem “exaurir os recursos naturais”. Segundo a UNFPA, os 20% mais ricos da população mundial detêm 77% da renda - em 1960 eram 70% -, enquanto os 20% mais pobres reduziram sua participação de 2,3% para 1,5% no mesmo período.
A representante auxiliar do UNFPA no País, Taís Ferreira Santos, salientou ainda que, paralelamente, as 500 mil pessoas mais ricas do mundo, que representam 7% da população, são responsáveis por 50% das emissões de dióxido de carbono, enquanto a metade mais pobre da população é responsável por outros 7% de emissões. “O problema é o padrão de vida. Há um excesso de consumo”, diz.
“O número de pessoas não ameaça tanto a sustentabilidade quanto o estilo de vida. O mundo não precisa de uma política para a população. Precisa de política de desenvolvimento. É um direito das pessoas e dos países se desenvolver, mas o (atual) padrão de consumo não é sustentável”, afirma Robinson.
Brasil. O Brasil, segundo o UNFPA, segue um caminho inverso ao de diversos países em desenvolvimento. Apesar de a população brasileira ainda estar em crescimento, o órgão estima que há uma tendência à estabilização da população até 2025 e uma queda no número absoluto de habitantes a partir daí. O País, que hoje é o 5.º mais populoso, deve cair para 7.ª posição em 2050 e para a 10.ª até 2100.
Segundo o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão de Castro, essa tendência é comprovada por números e resultado de uma ampliação do acesso a informações - principalmente sobre saúde e planejamento familiar -, além da expansão de iniciativas como o Programa Saúde da Família (PSF). “Só o acesso à informação já faz as pessoas mudarem o planejamento. Principalmente as mulheres”, observou. (OESP)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...