domingo, 7 de outubro de 2012

A população do Japão em 2100

O Japão é um dos exemplos mais significativos de decrescimento demográfico. A população japonesa era de 82,2 milhões de habitantes em 1950 (enquanto o Brasil tinha 52 milhões) e chegou ao seu pico máximo em 126,6 milhões em 2009. Aumentou apenas 50% em 60 anos (período em que a população mundial quase triplicou) e iniciou uma fase de declínio. Tudo indica que, no “Império do Sol”, as duas fases de crescimento e decrescimento populacional vão se conformar, aproximadamente, no formato de uma curva normal (curva de Gauss), que também é o formato do cone perfeito do Monte Fuji.
A divisão de população da ONU estima, para o ano de 2050, uma população de 121,5 milhões na hipótese alta, de 108,5 milhões na hipótese média e de apenas 96,7 milhões na hipótese baixa. Para o final do século as hipóteses são: 141,7 milhões de habitantes, na hipótese alta, de 91,3 milhões, na média, e somente 55,2 milhões na hipótese baixa. Ou seja, o Japão pode ter uma população em 2100 menor do que aquela de 1950.
O Japão que tinha a quinta maior população do mundo, quando o globo tinha cerca de 2,5 bilhões de habitantes (cerca de 3% dos habitantes do mundo em 1950), deve passar para cerca de 0,5% dos habitantes do mundo no final do século XXI. A densidade demográfica do Japão era de 218 habitantes por km2, passou para 335 hab/km2 em 2010 e deve cair para 242 hab/km2 na projeção média para 2100.
O declínio da população japonesa decorre das baixas taxas de fecundidade total (TFT). Durante a Segunda Guerra, o militarismo japonês incentivou o aumento da fecundidade, mas depois da derrota, o tamanho das famílias caiu e as mulheres já apesentavam uma média de somente 3 filhos no quinquênio 1950-55. Dez anos depois a fecundidade já estava abaixo do nível de reposição e continuou caindo até o limite inferior de 1,3 filhos por mulher no quinquênio 2000-05. A divisão de população da ONU acredita que as taxas de fecundidade vão aumentar até atingir o nível de reposição (2,1 filhos por mulher) no final do atual século. Mas mesmo com as taxas de fecundidade voltando a subir, a população vai continuar caindo, porém, pode cair em ritmo maior ou menor dependendo da recuperação do número de filhos das famílias.
O Japão foi um dos países que apresentou uma das maiores taxas de crescimento econômico e social entre 1950 e 1990, aproveitando de forma exemplar a fase propícia da estrutura etária que, em geral, fornece um bônus demográfico, quando há investimentos corretos em educação, saúde e mercado de trabalho. Foi o primeiro país oriental a entrar no clube dos países desenvolvidos.
O Japão tinha uma taxa de mortalidade infantil de 50 por mil no quinquênio 1950-55 e conseguiu fazer um feito histórico com a redução para 2,6 mortes para cada mil nascimentos, uma das mais baixas do mundo e quase chegando nos limites biológicos de baixa. Para o quinquênio 2045-50 estima-se uma taxa de 2,3 por mil. Esta espetacular queda da mortalidade infantil teve papel fundamental para tornar a esperança de vida da população japonesa a maior do mundo. No quinquênio 1950-55 os japoneses viviam em média 62,2 anos e atingiram uma esperança de vida de 82,7 anos no quinquênio 2005-10, sendo que as mulheres japonesas estavam na liderança mundial vivendo 87,4 anos em média.
O Japão – único país do mundo a sofrer ataques atômicos (em Hiroshima e Nagasaki) – conseguiu uma grande recuperação após a Segunda Guerra Mundial e se tornou a terceira economia do mundo, garantindo um grande padrão de vida para a sua população. Mas o país depende dos recursos naturais do restante do mundo.
Segundo o relatório Planeta Vivo de 2012, da WWF, a população japonesa tinha uma pegada ecológica de 4,17 hectares globais (gha) em 2008, para uma biocapacidade de somente 0,59 gha. Isto quer dizer que o país do sol nascente tem um déficit ambiental de cerca de 600%, embora seja um dos países que apresente grande cobertura florestal em seu montanhoso território.
Uma diminuição da população japonesa nas próximas décadas pode ser muito positivo para a redução do déficit ambiental do país. Mas apenas a diminuição do número de habitantes não resolve o problema da pegada ecológica. Depois desastre ocorrido na usina nuclear de Fukushima, o Japão vai precisar investir bastante em energias renováveis (eólica, solar, das ondas, geotérmica, etc.) para reduzir a dependência da energia nuclear e dos combustíveis fósseis, diminuindo substancialmente a emissão de gazes de efeito estufa.
Talvez a terra dos Samurais seja o primeiro país a apresentar decrescimento populacional e econômico, nesta primeira metade do século XXI, mas sem prejudicar significativamente a qualidade de vida de seus cidadãos. O Japão pode se tornar um bom laboratório para a perspectiva da “prosperidade sem crescimento” ou até mesmo da “prosperidade com decrescimento”. (EcoDebate)

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