domingo, 3 de fevereiro de 2013

A população da Espanha em 2100

Em suas origens, há cerca de 2 mil anos, a Espanha foi uma colônia Romana. Ela deve aos Romanos a língua de origem latina e boa parte da cultura. Porém, no século VIII, quase todo o país foi conquistado (711-718) pelos exércitos dos mouros muçulmanos do norte da África. A luta pela reconquista começou em seguida e durou séculos. A resistência se expandiu pelo norte e pelo sul da Espanha e resultou na conquista de Granada e a expulsão dos últimos mouros em 1492. A união dos reinos de Castela e Aragão (por meio do casamento em 1469 da Rainha Isabel I de Castela e o Rei Fernando II de Aragão) fez surgir o Reino da Espanha.
Com as grandes navegações de Cristóvão Colombo, a Espanha se tornou uma potência mundial. Nos séculos XVI e XVII os espanhóis dominaram quase toda a América do Sul (com exceção do Brasil) e praticamente toda América Central, além do México e parte dos Estados Unidos atuais (como a Califórnia, o Texas e a Flórida). Também tinha colônias na África e na Ásia. O espanhol se tornou um dos idiomas mais falados no mundo (muito mais do que o italiano, o francês ou o português).
Contudo, a Espanha foi entrando em decadência depois da Revolução Industrial e das mudanças ocorridas na Europa e no mundo no século XIX. Em primeiro lugar, a Espanha foi dominada pelos exércitos de Napoleão impôs seu irmão José Bonaparte no governo da Espanha. Depois, se viu bastante diminuída após a independência de suas colônias nas Américas. A expansão para o oeste das Colônias dos Estados Unidos reduziu o espaço espanhol e a Guerra Hispano-Americana, em 1898, provocou a perda do restante das colônias restantes do Novo Mundo.
Em 1936, teve início a Guerra Civil Espanhola (1936-39) que levou à ditadura do general Francisco Franco (1939-1975) e a uma grande decadência econômica, política e cultural. Com a morte de Franco, em 1975, Juan Carlos assumiu o cargo de Rei de Espanha e, após o Pacto de Moncloa, houve a redemocratização do país e aprovação da Constituição de 1978. Em 30 1982 a Espanha aderiu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Em 1986 a Espanha aderiu à União Europeia (UE). Em 2002, a Espanha deixou de usar a peseta e aderiu ao Euro, moeda comum europeia.
A Espanha passou por um grande crescimento econômico após a entrada na União Europeia. Todavia, foi um dos países mais atingidos pela crise econômica que teve início em 2008 e ainda não tem data para terminar. Além da queda da renda per capita dos últimos anos, 2012 e 2013 serão marcados por recessão e desemprego acima de 25%. Atualmente o desemprego entre jovens já ultrapassou a impressionante marca de 50%. O jornalista espanhol Ramón Muñoz escreveu o livro “Espanha, Destino Terceiro Mundo” apontando, além dos aumentos dos movimentos separatistas, a redução econômica e demográfica do país.
A Espanha tinha uma população de 28 milhões de habitantes em 1950, passando para 46 milhões em 2010. A ONU estima, para o ano de 2050, uma população cubana de 57,3 milhões na hipótese alta, de 51,4 milhões na hipótese média e de 45,9 milhões, na hipótese baixa. Para o final do século as hipóteses são: 69 milhões de habitantes na hipótese alta, de 45 milhões, na média, e somente 27,7 milhões na hipótese baixa. Porém, estas projeções foram feitas antes da crise atual e o mais provável é que a população espanhola fique mais próxima das estimativas baixas. Ou seja, a população da Espanha em 2100 deve ficar próxima daquela que tinha em 1950. Portanto, a densidade demográfica que era de 55 habitantes por quilômetro quadrado (km2) em 1950 subiu para 91 hab/km2 em 2010 e deve voltar para o mesmo nível de meados do século XX.
A taxa de fecundidade na Espanha era de 2,53 filhos por mulher no quinquênio 1950-55 e caiu para o recorde de baixa de 1,2 filhos em 1995-2000. Com o crescimento econômico da primeira década do século XXI a fecundidade subiu um pouco para 1,4 filhos por mulher no quinquênio 2005-10. As projeções da ONU apontam para uma recuperação atingindo 1,9 filhos no quinquênio 2045-50 e 2,05 filhos por mulher em 2095-2100. Porém, os últimos dados apontam para uma queda e não para um recuperação do número médio de filho.
A idade mediana da população espanhola estava em 27,5 anos em 1950, passou para 40 anos em 2010 e deve chegar a 49 anos na segunda metade do século XXI. O processo conjunto de queda da fecundidade e de envelhecimento da população reduziu a percentagem de mulheres em idade reprodutiva e fez o número de nascimentos na Espanha cair drasticamente. No quinquênio 1950-55 nasceram em média 588 mil bebês por ano. Este número passou para 486 mil crianças e deve cair ligeiramente ao longo do atual século.
Paralelamente à transição da fecundidade houve redução da mortalidade infantil e aumento da esperança de vida. A mortalidade infantil era de 64 por mil no quinquênio 1950-55, caiu para apenas 3,8 por mil em 2005-10 e deve abaixo de 3 por mil entre 2050 e 2100.
Em termos ambientais, a pegada ecológica per capita dos espanhóis estava, em 2008, em 4,74 hectares globais (gha) para uma biocapacidade per capita de 1,46 gha. Portanto, o país, mesmo apresentando níveis médios de produção e consumo, possui um déficit ambiental, pois os recursos naturais do país não são abundantes e precisa importar energia e alimentos para manter seu padrão de vida.
Portanto, além da crise do Euro e da União Europeia, a Espanha vai ter que enfrentar, ao mesmo tempo, uma crise econômica, social e ambiental. Para complicar, as eleições regionais da Catalunha (região mais próspera), em novembro de 2012, deram vitória para o partido nacionalista Convergência e União (CiU) e o Esquerda Republicana Catalã (ERC), abrindo caminho para um referendo sobre a independência catalã.
Portanto, pode ser que, nos próximos anos, a Espanha, além do decrescimento populacional e econômico, deixe de existir como um Estado unificado, conforme se consolidou há 550 anos, desde a união dos reinos de Castela e Aragão. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...