segunda-feira, 13 de maio de 2013

Execução de Plano de Mudanças Climáticas

Comissão cobra mais informações do governo sobre execução de Plano de Mudanças Climáticas
Grazziotin: antes da revisão no Plano de Mudanças Climáticas, é preciso ter claro o que foi implementado até agora.
A presidente da Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ressaltou em audiência pública de 09/05/13 que, antes de qualquer revisão no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, é preciso “ter claro” o que foi implementado até agora.
O plano apresentado pelo governo em 2008 compromete-se a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. “Muita coisa já foi alcançada, como é o caso da redução do desmatamento, mas é preciso mostrar isso. Precisamos dos balanços sobre o que já foi realizado”, declarou a senadora.
Crítica semelhante foi feita pelo coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF-Brasil, Carlos Rittl. Durante a audiência pública da comissão, ele ressaltou que faltam informações e avaliações sobre o que aconteceu entre 2008 e 2013. Um dos exemplos citados por Rittl foi também o desmatamento.
Rittl: temos dados sobre a Amazônia e o Cerrado, mas o que aconteceu na Caatinga, na Mata Atlântica, nos Pampas e no Pantanal?
Assim como Vanessa Grazziotin, ele reconheceu que há vários indicadores “mostrando que estamos no caminho certo nesse quesito”, mas observou que os dados são insuficientes. “Temos dados sobre a Amazônia e alguma coisa sobre o Cerrado. Mas o que aconteceu na Caatinga, na Mata Atlântica, nos Pampas e no Pantanal?”, questionou.
Planos setoriais
Uma das reclamações da ONG ambientalista refere-se aos planos setoriais, documentos que deveriam ser incorporados ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Esses documentos estão previstos no decreto que regulamentou o plano, mas nem todos foram apresentados em sua versão final – como aqueles relativos à indústria, siderurgia e transportes. A falta desses documentos, diz Rittl, prejudica a revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Até o momento, estão disponíveis os planos de Energia, Agricultura e de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Outros quatros, ligados à Indústria, Mineração, Transporte e Saúde, ainda não tiveram a versão final divulgada.
Ao defender a revisão do plano, Karen Silverwood-Cope, do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que a iniciativa “vai consolidar todos os avanços obtidos de 2008 até o presente momento”, tanto no que se refere a novas informações como nas ações que vêm sendo executadas pelo governo. Ela também disse que o País “tem hoje um arranjo institucional consolidado” no setor, contando, por exemplo, com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, criado em 2009.
Vanessa Grazziotin, por sua vez, assinalou que a comissão mista e o Congresso Nacional “precisam ter uma participação mais efetiva nesse processo de revisão”.
Críticas de ambientalistas
Organizações ambientalistas envolvidas com o tema criticam a forma como o governo tem conduzido a questão. Em entrevista ao programa da Rádio Câmara Com a Palavra, o coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti, disse que o plano representa uma lista de ações descoordenadas. Ferretti questionou, ainda, o fato de o documento estar sendo revisado sem que o governo tenha liberado o texto de todos os planos setoriais sobre o tema.
Compromisso com a ONU
O plano nacional foi apresentado pelo governo brasileiro em 2008, como parte de um compromisso voluntário do País com Organização das Nações Unidas (ONU) para a redução entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa projetadas para o País até 2020.
Entres as metas do plano, está a diminuição do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020; a ampliação em 11% do consumo de etanol até o fim da década; o aumento da participação de energia elétrica de cogeração, principalmente a partir do bagaço de cana, para 11,4% da oferta em 2030; e a redução das perdas na distribuição de energia elétrica.
Na avaliação de Ferretti, o governo tem dado sinais contraditórios no cumprimento das ações. “O Brasil é um dos países que mais têm hidrelétricas, mais usa biocombustível na sua frota de veículos. Na última década, o Brasil reduziu bastante suas emissões provocadas por desmatamento da Amazônia. Porém, em outros setores, a gente tem avançado pouco ou até regredido. Por exemplo, no setor energético, a gente tem visto uma série de termelétricas sendo utilizadas e outras sendo planejadas para entrar em ação.”
Consulta pública
Pelo cronograma do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, a revisão do Plano Nacional sobre Mudança do Clima deve ser concluída até outubro, após consulta pública. (EcoDebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...