segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Rio São Francisco, dá indícios de estar com vazão menor

Maior rio do Nordeste, o Rio São Francisco, dá indícios de estar com vazão menor, aponta PSR
Nos últimos 21 anos o nível de vazão ficou 20 vezes abaixo da média histórica, usos diversos podem estar mais elevados do que se espera.
A situação dos reservatórios na região Nordeste tem sido o alvo de preocupação das autoridades e de todo o setor elétrico. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, a região apresentava o pior nível de armazenamento do país. Em 15 de dezembro esse indicador estava em 24,28%. Uma importante parcela desse nível é explicado pelo rio São Francisco, a principal via de produção de energia de UHEs da região, que pode estar com seu fluxo estruturalmente reduzido. Apesar disso há medidas que podem atenuar seus efeitos para o setor elétrico e para a sociedade em geral.
O estudo mensal da Consultoria PSR, Energy Report, relatou dados de um levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA) onde foi constatado que em vinte vezes nos últimos 21 anos a vazão do rio esteve abaixo da média histórica no período seco. Isso levaria a uma seguida, e cada vez maior, dificuldade em se recuperar o nível do reservatório da UHE Sobradinho (BA-1050 MW), que é o principal na região já que as demais UHEs no São Francisco são muito pequenas ou são nulas por serem a fio d' água.
De acordo com o documento ao qual a Agência CanalEnergia teve acesso, as vazões afluentes em energia do São Francisco entre janeiro e novembro deste ano são metade da média histórica do rio em um horizonte de 83 anos. Esse, destacou o documento, é o pior nível em todo esse período.
Apesar da luz de alerta estar acesa no setor, o especialista da PSR, Rafael Kelman, afirma que ainda é preciso constatar o que está ocorrendo na região, pois a água pode estar sendo usada acima do contabilizado para os outros fins. Segundo ele, a vazão do "velho Chico" é utilizada não somente pelo setor elétrico, mas por sistemas de irrigação, transporte fluvial e abastecimento de cidades.
Como a  UHE está a 800 quilômetros da foz do São Francisco, o uso das águas a montante da barragem pode estar acima do esperado. Isso se verifica ao comparar o nível de chuvas e de vazões que não estão compatíveis, principalmente no período seco a diferença é acentuada o que coloca em evidência que se está retirando mais água do rio do que se imagina.
Pelo uso diverso, a Chesf, subsidiária da Eletrobras que é a responsável pela operação da hidrelétrica, é obrigada a manter uma vazão mínima que corresponde a uma geração de 3,5 GW médios. São 1.300 m3 por segundo, a jusante, mas desde abril está em curso uma redução dessa vazão para 1.100 m3. Nem sempre foi mantido esse patamar por motivos que incluem o desligamento de linhas de transmissão de 500 kV entre o Piauí e Maranhão este ano, devido a um incêndio.
"A falta de chuva é um dos motivos, mas não é único que justifica essa redução da vazão", afirmou Kelman.  "Outros usos podem estar se intensificando, pois vemos que no período seco a redução se intensifica. Mas temos indícios de uma redução da vazão do São Francisco, apesar de a redução da chuva não ser o suficiente para a queda verificada", explicou ele.
Kelman contemporiza esse cenário de alarme para a região ao lembrar que os estudos são estatísticos e a regressão linear é que aponta para essa redução. Além disso a própria ANA, em seu artigo sobre o assunto, apontou que pode ser que exista algum problema com equipamentos que fazem a aferição das vazões.
Mesmo com o alerta é preciso dizer que há alternativas para o rio. Entre elas, a que se refere ao setor elétrico, é a adoção no modelo de operação do SIN onde as vazões estão um horizonte de tempo mais curto. Assim, a operação do sistema refletiria de melhor forma a realidade do rio.
Ao mesmo tempo a PSR defende a contratação de energia adicional de reserva para a região, independente da fonte, mas que seja despachável. As eólicas poderiam ser a opção pela proximidade e pelo seu alto fator de capacidade, mas há um limite que esbarra na capacidade das hidrelétricas de atuarem como back ups de fontes intermitentes. E cita a experiência em países como a Alemanha, onde é necessária a adoção de subsídios para evitar a disparada de preços.
"Se for constatado mesmo que há uma mudança estrutural, como é o que parece ser, aí temos uma discussão do que fazer e na PSR defendemos a contratação de uma energia de reserva, suplementar para cobrir essa diferença estrutural, desde que, repito, seja constatado esse fato", afirmou Kelman.
Uma outra medida paralela seria a redução da vazão mínima do São Francisco. Um levantamento da Chesf apontou que a comunidade a jusante de Sobradinho é pouco impactada se planejada a redução. "É possível fazer essa vazão ser reduzida até 1.000 m3. Mas antes precisamos realizar estudos de impactos, ganhos e perdas para ambos os lados para que conversando e com simetria de informações tenhamos a melhor solução", apontou. A opção que é descartada pelo representante da PSR á a redução da garantia física das usinas. Para Kelman, essa seria a pior medida, trazendo impactos financeiros e prejuízos ao setor elétrico. (canalenergia)


Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...