segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Como lidar com a escassez de água em grandes cidades?

Rogério Jordão discute como a experiência da população que vive nas regiões secas do semiárido brasileiro pode auxiliar as grandes metrópoles.
Cisterna
Dica de quem convive com a seca no Brasil aos moradores das cidades: captem água da chuva já!
Nesse momento de estiagem em São Paulo e no Sudeste é bom ouvir pessoas como o pedagogo Rafael Santos Neves, coordenador do Programa Um milhão de Cisternas da  ASA – Articulação Semiárido Brasileiro. A ASA é uma rede com mais de três mil organizações da sociedade civil de nove estados do Nordeste, Norte e do Vale do Jequitinhonha (MG), baseada em Recife (PE).
Conversei com ele por telefone para saber como a experiência da população que vive nas regiões secas do semiárido brasileiro pode auxiliar o paulistano, ou qualquer morador de cidade grande, a lidar com a escassez prolongada de água que se avizinha. Rafael sabe do que fala: viu a seca de perto pelo trabalho que desenvolve junto às famílias agricultoras – experiência que pode trazer inspiração aos que vivem nas metrópoles brasileiras.
O que a ASA tem a dizer sobre o manejo da água?
A resposta de Rafael é direta e prática: “tem que estocar água da chuva”.
Como?
Com cisternas, que são reservatórios de água preparados para captar a chuva, que no contexto urbano poderiam servir a casas, prédios, escolas. No caso de uma cidade como São Paulo é água que, por conta da poluição do ar, não serviria para beber, mas supriria muitas necessidades do cotidiano (uma cisterna pode resolver até 50% da demanda de uma casa).
Implementar cisternas é o que a ASA faz há 15 anos especialmente no Nordeste e Minas Gerais. O que começou como uma iniciativa de ONGs, sindicatos rurais e igrejas, se transformou em programa do governo federal. Um raro exemplo de uma política pública que nasceu de baixo para cima e vem dando certo: já foram instaladas mais de 560 mil cisternas.
Para muita gente do semiárido a instalação da cisterna foi a primeira vez que o Estado chegou até elas. E mais importante: resolveu, em grande parte, o problema crônico da água para muitas famílias rurais. O semiárido passa por uma estiagem prolongada desde 2013. Não é a primeira, nem será a última, pois o fenômeno é cíclico: aconteceu em 1927, depois em 1983 (esta, com efeitos trágicos para a população).
E nas cidades grandes do sudeste, como será lidar com a escassez?
Mudar a cultura, mudar a relação com a água, mas transformar soluções individuais como a colocação de cisternas em políticas públicas, é o que tem a dizer Rafael.
Em cidades como São Paulo, isso significa que as ações governamentais  deveriam se colar mais às iniciativas da sociedade civil para enfrentar o problema comum da escassez: sem esconder informações e também planejando de baixo para cima, na medida do possível.
A chuva, para Rafael, é um “bem”. Desperdiçá-la em períodos de estiagem prolongada, um “crime”. Fica o conselho. (yahoo)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...