terça-feira, 7 de abril de 2015

Redução da pobreza global segundo Banco Mundial

A redução da extrema pobreza global segundo o Banco Mundial
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram estabelecidos pela ONU no ano 2000, sendo que o objetivo número 1 tinha como meta a redução, pela metade, da extrema pobreza até 2015. O relatório, “Global Monitoring Report 2014/2015: Ending Poverty and Sharing Prosperity”, publicação conjunta do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que a meta (em termos relativos) já foi atingida na média global e na maior parte das regiões do mundo.
Embora a pobreza seja um fenômeno multidimensional, o Banco Mundial (BM) utiliza uma linha de renda de US$ 1,25 por dia (1,25 dólares em poder de paridade de compra – ppp) para medir a pobreza extrema no mundo. A despeito das dificuldades para a obtenção de dados confiáveis para a maioria dos países, a metodologia do Banco Mundial é simples, mas tem sua utilidade para se ter uma comparação entre países e regiões ao longo das últimas décadas.
Com a taxa de câmbio nominal de R$ 1,00 valendo US$ 2,70, a linha de pobreza no Brasil ficaria em cerca de R$ 100,00 per capita ao mês, acima da linha utilizada pelo Programa Bolsa Família no Brasil, que considera como critério de elegibilidade a renda familiar per capita inferior a R$ 77 mensais. Se os benefícios do Bolsa Família não forem corrigidos (devido à crise fiscal do Governo Federal) o número de pessoas na extrema pobreza vai aumentar muito em 2015.
O relatório (Global Monitoring Report 2014/2015) mostra que houve uma redução absoluta e relativa da extrema pobreza no mundo. Em 1990, existiam quase dois bilhões (1,920 bilhão) de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 ao dia, representando 36,4% da população. Entre 1990 e 2008, a pobreza absoluta caiu para 1,251 bilhão, representando 18,6% da população.
Em 2011, o número absoluto de pessoas vivendo na extrema pobreza atingiu o nível mais baixo, caindo para 1,010 bilhão, o que representa 14,5% da população total. Portanto, em termos relativos, o percentual de pobres em 2011 já era menos da metade daquele existente em 1990. Mas há que se considerar que US$ 1,25 ao dia é um valor muito baixo, significando que um grande contingente de pessoas saiu da indigência, mas não conseguiu sair da pobreza.
A redução da extrema pobreza se deu de maneira diferenciada nas regiões entre 1990 e 2011. Na América Latina e Caribe (ALC) a redução foi de 12% para 4,6%, no Oriente Médio e no Norte da África a queda foi de 5,8% para 1,7%, na Europa e Ásia Central (com menores níveis de pobreza), a diminuição foi de 1,5% para 0,5%. A maior queda ocorreu no Leste da Ásia e Pacífico, com queda de 58,2% em 1990, para 7,9% em 2011 (a China foi a principal vitoriosa neste processo).
A queda da extrema pobreza no Sul da Ásia (que inclui a Índia), embora em menor montante, também foi significativa, passando de 53,2% para 24,5%. A única região que não conseguiu cumprir com as metas do ODM foi a África Subsaariana que teve uma redução da extrema pobreza de 56,6% em 1990 para 46,8% em 2011. Esta é a região do mundo com as maiores taxas de fecundidade e são exatamente as crianças pequenas que mais sobrem com a pobreza extrema.
As estimativas do Banco Mundial e do FMI para 2030 indicam uma taxa de pobreza extrema de 4,9% no mundo, de 3,1% na ALC, de 2,4% no Oriente Médio e no Norte da África, de 0,1% na Europa e Ásia Central, de também 0,1% no Leste da Ásia e Pacífico, de 2,1% no Sul da Ásia e de 23,6% na África Subsaariana. Mas estas estimativas são otimistas e só serão alcançadas se não houver as recorrentes crises econômica, social e ambiental.
O desafio mundial das próximas décadas vai ser reduzir a pobreza, sem aumentar a degradação ambiental. Uma tarefa urgente é diminuir o grau de desigualdade existente entre os países e dento dos países. A humanidade precisa continuar reduzindo a pobreza, mas deve focar mais na redução das desigualdades sociais e menos no crescimento quantitativo da economia. O crescimento deve ficar contido dentro das fronteiras planetárias, sem comprometer a biocapacidade da Terra e nem a biodiversidade das espécies. (ecodebate)

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