sexta-feira, 1 de maio de 2015

Cantareira cai; Alckmin garante água

Nível do manancial perde 0,1% após 85 dias e chega a 20% da capacidade, considerando as 2 cotas do volume morto.
Após uma recuperação no fim do verão, o nível do Sistema Cantareira caiu ontem pela primeira vez em 85 dias, segundo boletim da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Mesmo com a perspectiva de que o manancial inicie agora uma nova trajetória de queda no período seco, que vai até setembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem a empresários paulistas que “não vai faltar água” neste ano.
Segundo a Sabesp, o Cantareira chegou ontem a 20% da capacidade, considerando as duas cotas do volume morto, a reserva profunda das represas. O índice é 0,1% menor do que o registrado no dia anterior. Foi a primeira vez em quase três meses que a quantidade de água retirada dos reservatórios para abastecer, atualmente, 5,4 milhões só na Grande São Paulo, superou a vazão de entrada no manancial.
A queda é o reflexo da volta da estiagem severa na região onde ficam as represas do Cantareira. A três dias do fim de abril, o manancial registrou apenas 45,1 milímetros, metade da pluviometria média para este mês (89,8mm). Em fevereiro, quando o nível do sistema voltou a subir, o volume de chuvas ficou 62% acima da média (322 mm). Em março, o índice foi 16% acima do esperado. A última queda havia sido no dia 1.º de fevereiro, quando o índice bateu 5%, o mais baixo da história.
Na prática, porém, o nível do Cantareira é de -9,2%, considerando que 90,7 bilhões de litros da primeira cota do volume morto ainda não foram recuperados. Há um ano, quando a crise já era grave, o índice era de 11%. O uso da reserva profunda, que fica abaixo do nível mínimo dos túneis de captação e só pode ser retirada por meio de bombas, começou em maio de 2014.
Mesmo com pouca chuva neste mês, a Sabesp conseguiu manter o nível do Cantareira estável nos últimos dias graças à redução da retirada de água do sistema de 14 mil litros por segundo em março para 13,5mil l/s agora, índice 57% menor do que antes da crise (31,9mil l/s). O resultado é fruto do racionamento de água intensificado pela empresa, coma redução da pressão e o fechamento da rede durante a maior parte do dia – além da economia espontânea no consumo feito pela população.
Estiagem severa
A três dias do fim de abril, manancial registrou apenas metade da pluviometria média para o mês.
Tendência
Para o engenheiro civil e sanitarista José Roberto Kachel, a expectativa é de que o nível do Cantareira sofra quedas diárias a partir de agora, por causa das baixas vazões afluentes aos reservatórios. “Os dados mostram que nos aproximamos de novo da seca de 2014. A tendência agora é de que o volume que entra seja menor que a retirada. Além disso, o interior vai precisar de mais água do Cantareira na estiagem. Essa reversão de água da Billings é importante porque será preciso reduzir a captação do Cantareira.”
Em 28/04/15 o Estado mostrou que a interligação da Billings com a Represa Taiaçupeba, do Sistema Alto Tietê, está três meses atrasada e deve ficar para agosto. A obra é tida como fundamental pela Sabesp para aumentar em 4 mil l/s a produção do Alto Tietê e, com isso, reduzir a dependência da Grande São Paulo em relação ao Cantareira.
Em 28/04 Alckmin disse que o atraso na obra, prometida por ele para maio, ocorreu por causa do Licenciamento ambiental e ela será mais necessária em agosto. “Estamos preparados para o período seco e não vai faltar água”, afirmou em palestra a empresários.
PARA ENTENDER
Outros índices ficam estáveis
Outros dois índices divulgados pela Sabesp sobre o nível do Cantareira ficaram estáveis em 28/04. No primeiro deles, que inclui as duas cotas do volume morto (287 bilhões de litros) na capacidade total do sistema, o nível era de 15,5%. Neste caso, como o volume máximo do manancial sobe de 982 bilhões de litros (volume útil) para 1,26 trilhões de litros (útil mais morto), o sistema precisa perder uma quantidade maior de água para que haja redução do porcentual de armazenamento. Já no índice que considera o volume morto usado como negativo (90,7 bilhões de litros), o nível ficou estável em-9,2% porque a reserva perdida não atingiu 0,1%. (OESP)

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