sábado, 5 de dezembro de 2015

Desmatamento pode estar na mesa do brasileiro

Relatório do Greenpeace indica que o desmatamento pode estar na mesa do brasileiro
As sete maiores redes varejistas do Brasil tiveram suas políticas de compra de carne bovina analisadas e todas ficaram longe de garantir segurança contra carne contaminada com desmatamento, trabalho escravo e violência no campo.
Para marcar o lançamento da campanha “Carne ao molho madeira”, que mostra como os supermercados estão ajudando a devastar a Amazônia, o Greenpeace realizou uma ação em uma loja do Pão de Açúcar. A ação busca conscientizar os consumidores sobre a relação entre o desmatamento, a pecuária e a carne que chega à sua mesa.
Você sabe de onde vem a carne que você come? E se você descobrisse que a picanha do churrasco de domingo foi produzida às custas do desmatamento, alimentando uma cadeia criminosa de grilagem de terra e um ciclo de violência, desrespeito e destruição na Amazônia? Pois não é nada fácil saber. Hoje, os principais supermercados do Brasil não garantem para seus clientes que a carne vendida nas gôndolas respeita o meio ambiente e os direitos humanos.
É hora de mudar isso. O supermercado que vende a carne tem o poder de quebrar essa corrente. Cada um de nós, juntos, pode pressionar os supermercados para liderar essa mudança e trazer a proteção das matas para o centro de suas políticas de compra de carne bovina. O primeiro passo está sendo dado agora: o Greenpeace lançou em 18/11/15 o relatório “Carne ao Molho Madeira – Como os supermercados estão ajudando a devastar a Amazônia com a carne que está em suas prateleiras”.
A partir do levantamento de informações de sete redes de supermercados – que juntas representam cerca de dois terços de todas as vendas de varejo em território nacional – o relatório mapeia como as maiores redes varejistas do Brasil vêm lidando com o problema. O resultado é assustador: dentro do ranking que resume a avaliação das empresas, nenhuma delas atinge o patamar “verde”, que corresponde a um percentual de 70% a 100%. “Ou seja, a avaliação revela que nenhum supermercado consegue, hoje, garantir que 100% da carne que comercializa é livre de crimes socioambientais”, resume Adriana Charoux, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
Dentre todos os analisados, o Walmart foi quem saiu na frente, com 62% dos requisitos considerados fundamentais. Atrás dele, o Carrefour atingiu 23%, enquanto o Grupo Pão de Açúcar (GPA), maior empresa do setor, apenas 15%. Na lanterna, o Cencosud alcançou meros 3%. Outros supermercados falharam vergonhosamente: o Grupo Pereira-Comper, o Grupo DB (que têm forte presença em várias cidades da Amazônia) e o Yamada (que preside atualmente a Associação Brasileira de Supermercados – ABRAS) não forneceram qualquer informação a respeito de suas políticas para evitar a ligação entre o desmatamento e os produtos que comercializam.
Atualmente existem mais bois do que seres humanos no país: são mais de 212 milhões de cabeças de gado Brasil adentro – só na Amazônia o rebanho é de aproximadamente 80 milhões de animais. Juntas, as quatro maiores redes de supermercados do Brasil (GPA, Carrefour, Walmart e Cencosud) representam mais de 50% do mercado.
O relatório se propôs a avaliar três aspectos principais da política de compra de carne bovina destas gigantes do setor: a existência e o alcance destas políticas, os critérios dessas políticas e quanto os supermercados são transparentes em relação ao tema junto a seus consumidores.
Nas últimas décadas, mais de 750 mil km2 da floresta amazônica brasileira foram destruídos. Aproximadamente 60% desta área virou pasto para gado. A falta de indicadores positivos é, portanto, especialmente grave diante da presença histórica do gado como principal vetor de desmatamento da Amazônia.
Quando toda a sociedade brasileira se mobiliza pelo Desmatamento Zero e o Brasil busca atingir suas metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, é chegada a hora das grandes redes varejistas assumirem a responsabilidade de fornecer um produto que não contribua com o desmatamento. Elas precisam dizer não à carne contaminada com o desmatamento.
“Os brasileiros têm o direito de saber se sua próxima refeição está contribuindo com a destruição da Amazônia ou com a violação de direitos humanos. Mais do que nunca, está nas mãos dos supermercados decidir se querem fazer parte da solução ou do problema”, desafia Adriana Charoux.
Aos consumidores, cabe o desafio de repensar seu consumo, seja em quantidade ou em procedência. Além de ajudar a diminuir a pressão sobre a floresta, a redução no consumo de carne vermelha também é benéfico para a saúde e para o melhor aproveitamento de recursos naturais. Precisamos garantir que nossa alimentação e hábitos de consumo não contribuam para a destruição da maior floresta tropical do planeta. Os supermercados têm que se mover. (ecodebate)

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