quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Chuvas de janeiro recuperam reservatórios na Grande BH

Chuvas de janeiro/16 garantem forte recuperação aos reservatórios que abastecem a Grande BH
Chuvas dobram o volume do Sistema Paraopeba, aliviando o papel da nova captação da Copava no manancial e reforçando a expectativa de atravessar período de estiagem sem racionamentos.
Em Serra Azul, o cenário agora é de abundância: o nível da represa chegou a 23,7% de sua capacidade.
On­de nos úl­ti­mos dois anos se via o fun­do se­co do lei­to do la­go de Var­gem das Flo­res, em Be­tim, em que o pas­to cres­ceu e bar­cos en­ca­lha­ram, ago­ra mo­tos aquá­ti­cas e lan­chas aceleram. Em Ser­ra Azul, na Bar­ra­gem de Ju­a­tu­ba ,que foi o re­ser­va­tó­rio da Gran­de BH mais cas­ti­ga­do pe­la se­ca, as águas já pre­en­chem va­les que fun­ci­o­ná­ri­os da Co­pa­sa acha­vam só vol­tar a ser par­te da la­goa com mais de dois anos de chu­vas fortes. Já em Bru­ma­di­nho, on­de fi­ca Rio Man­so, o mai­or re­ser­va­tó­rio da re­gi­ão, cin­co bom­bas flu­tu­an­tes es­pa­lha­das pe­la re­pre­sa mos­tram que a com­pa­nhia de abas­te­ci­men­to se pre­pa­ra­va pa­ra su­gar do cha­ma­do vo­lu­me mor­to, que é quan­do o es­pe­lho d’água se re­trai tan­to que fo­ge ao al­can­ce da cap­ta­ção instalada. As chu­vas de ja­nei­ro – as mais vi­go­ro­sas em qua­tro anos – nos três re­ser­va­tó­ri­os que com­põ­em o Sis­te­ma Pa­ra­o­pe­ba e abas­te­cem mais de 30% da Gran­de BH trou­xe­ram de no­vo opu­lên­cia aos la­gos exau­ri­dos por três anos de es­ti­a­gem e re­for­çam a con­fi­an­ça da Co­pa­sa em atra­ves­sar a se­ca sem ro­dí­zi­os ou racionamentos. E a aju­da dos céus pro­me­te ser gran­de, já que há me­te­o­ro­lo­gis­tas con­fi­an­tes no re­tor­no das lon­gas es­ta­çõ­es chuvosas.
Só as pre­ci­pi­ta­çõ­es des­te mês mais que do­bra­ram o vo­lu­me do Sis­te­ma Paraopeba. O so­ma­tó­rio dos três re­ser­va­tó­ri­os che­gou a apre­sen­tar em de­zem­bro 21,3%, o pi­or ní­vel his­tó­ri­co, mas um mês de chu­vas foi su­fi­ci­en­te pa­ra ele­var es­se pa­ta­mar pa­ra os 43,1% re­gis­tra­dos on­tem pe­la Copasa. De acor­do com o In­met, cho­veu 370 mi­lí­me­tros en­tre 1º de ja­nei­ro e 28/01/16 na Gran­de BH. O vo­lu­me é tão ex­pres­si­vo, que só per­deu pa­ra o mes­mo pe­rí­o­do de 2011, que fe­chou com 375,8 milímetros.
Um in­cre­men­to que es­pe­ci­a­lis­tas con­si­de­ram im­por­tan­te, mas que não per­mi­te ain­da afir­mar com cer­te­za se se­rá ca­paz de im­pe­dir gran­de aba­ti­men­to da água reservada. Se a se­ca des­te ano for co­mo a da úl­ti­ma tem­po­ra­da, por exem­plo, quan­do a re­du­ção ex­pe­ri­men­ta­da foi de 17,7% no vo­lu­me do Pa­ra­o­pe­ba, is­so se­quer ul­tra­pas­sa­ria os gan­hos de ja­nei­ro, sen­do que ain­da há pre­ci­pi­ta­çõ­es con­si­de­rá­veis pre­vis­tas pe­lo Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Me­te­o­ro­lo­gia (In­met) pa­ra fe­ve­rei­ro e março. Con­tu­do, se a es­ti­a­gem for ri­go­ro­sa co­mo a de 2014, quan­do um per­cen­tu­al de 43% do vo­lu­me do Pa­ra­o­pe­ba foi su­ga­do ou eva­po­rou en­tre fe­ve­rei­ro e de­zem­bro, se­ria pre­ci­so re­for­ço além do con­fe­ri­do pe­las chu­vas des­te mês. Se­gun­do a Co­pa­sa, os pi­o­res ce­ná­ri­os são sem­pre le­va­dos em con­ta quan­do tra­ça­do o pla­ne­ja­men­to anu­al, jus­ta­men­te pa­ra que se pos­sa fa­zer fren­te à demanda.
An­tes mes­mo de o mês aca­bar, as chu­vas nos sis­te­mas pro­du­to­res de água já su­pe­ra­vam a mé­dia his­tó­ri­ca de 31 di­as de janeiro. Até o final de janeiro/16 o Rio das Ve­lhas re­gis­tra­va acu­mu­la­do plu­vi­o­mé­tri­co de 406,9 mi­lí­me­tros, nú­me­ro su­pe­ri­or à mé­dia his­tó­ri­ca do mês, de 302 (-34,7%), e oi­to ve­zes mai­or que os 50,1 mi­lí­me­tros acu­mu­la­dos no mes­mo pe­rí­o­do do ano passado. Mas, pa­ra o pre­si­den­te do Co­mi­tê da Sub-ba­cia Hi­dro­grá­fi­ca do Rio Pa­ra­o­pe­ba (CBH-Pa­ra­o­pe­ba), De­nes Lott, as chu­vas, por en­quan­to, ser­vi­ram ape­nas pa­ra ali­vi­ar o pa­pel da cap­ta­ção inau­gu­ra­da pe­la Co­pa­sa no ma­nan­ci­al, em 21 de de­zem­bro, e que tem co­mo fun­ção man­ter o for­ne­ci­men­to de água en­quan­to os re­ser­va­tó­ri­os se recuperam.
Limites
No en­tan­to, pe­lo que o co­mi­tê tem ava­li­a­do com me­te­o­ro­lo­gis­tas e es­pe­ci­a­lis­tas, ain­da não é pos­sí­vel de­ter­mi­nar se o in­cre­men­to das chu­vas se­rá su­fi­ci­en­te pa­ra atra­ves­sar o pe­rí­o­do seco. “Não dá ain­da pa­ra di­zer com se­gu­ran­ça se o vo­lu­me que ga­nhar­mos com as chu­vas vai ser suficiente. Te­mos ti­do con­ta­to com es­pe­ci­a­lis­tas que pre­ve­em uma se­ca pro­lon­ga­da no­va­men­te, que iria além do nor­mal e, em vez de se en­cer­rar em se­tem­bro, se pro­lon­ga­ria até ou­tu­bro”, disse.
Não são to­dos os me­te­o­ro­lo­gis­tas que com­pac­tu­am com es­sa ideia. Se­gun­do o pro­fes­sor Rui­bran dos Reis, do Cli­ma­tem­po, um blo­queio for­ma­do pe­las al­tas tem­pe­ra­tu­ras nas águas do Oce­a­no Atlân­ti­co en­tre o Rio Gran­de do Sul e a Áfri­ca se foi, pro­pi­ci­an­do des­de de­zem­bro a che­ga­da de mas­sas de ar frio for­ma­do­ras de chuva. “Te­re­mos chu­vas aci­ma da mé­dia em fe­ve­rei­ro, a par­tir de me­a­dos do mês, e uma es­ta­ção se­ca me­nor”, prevê.
A Co­pa­sa ain­da tra­ta com cau­te­la a situação. “A quan­ti­da­de de água exis­ten­te nos re­ser­va­tó­ri­os do Sis­te­ma Pa­ra­o­pe­ba ain­da não é su­fi­ci­en­te pa­ra o ple­no abas­te­ci­men­to das ci­da­des aten­di­das por ele”, in­for­ma a em­pre­sa por meio de nota. “No en­tan­to, o ris­co de de­sa­bas­te­ci­men­to es­tá afas­ta­do, pois a Co­pa­sa já ope­ra com o bom­be­a­men­to no Rio Pa­ra­o­pe­ba”, informou.
Em 07/01/16 o segundo principal reservatório no abastecimento da Grande BH estava reduzido a um filete de água.
Duas faces de um reservatório
O bar­ro trin­ca­do que an­tes era inun­da­do por um la­go de 8,9 km2 – três la­go­as da Pam­pu­lha – che­gou a es­tar tão se­co que em cer­tos pon­tos viram-se com ni­ti­dez as mar­gens ori­gi­nais do Ri­bei­rão Ser­ra Azul, bar­ra­do em 1983 pa­ra for­mar o re­ser­va­tó­rio de Ser­ra Azul, se­gun­do mai­or em abas­te­ci­men­to na Gran­de BH. Por pou­cos me­tros, a água não es­ca­pou das aber­tu­ras da tor­re de cap­ta­ção, tor­nan­do im­pos­sí­vel su­gar o lí­qui­do sem o au­xí­lio de ou­tros mé­to­dos que pre­ci­sa­ri­am be­ber do cha­ma­do vo­lu­me morto. Por cau­sa da pe­nú­ria em Ser­ra Azul mos­tra­da pe­lo Estado de Minas em 21/01/15 a Co­pa­sa e o go­ver­no do es­ta­do anun­ci­a­ram me­di­das de con­tro­le de des­per­dí­cio, uma cam­pa­nha pa­ra eco­no­mia de água e ad­mi­ti­ram que a Gran­de BH pas­sa­va por uma cri­se hídrica. Na­que­le mo­men­to, o re­ser­va­tó­rio ba­teu em 5,7% de seu volume. Tu­do le­va­va a crer que is­so se re­pe­ti­ria nes­te ano, quan­do a re­pre­sa vol­tou ao mes­mo pa­ta­mar, em de­zem­bro, mas o ce­ná­rio mu­dou com o gran­de vo­lu­me de chu­vas des­te mês, que che­gou a 485,6 mi­lí­me­tros, ín­di­ce qua­tro ve­zes mai­or que os 115,3 do mes­mo pe­rí­o­do do ano pas­sa­do e 70% su­pe­ri­or aos 285,7 da mé­dia his­tó­ri­ca, e que le­vou o re­pre­sa­men­to a atin­gir ontem 23,7% da ca­pa­ci­da­de.
Em 07/01/16 o EM fo­to­gra­fou a re­pre­sa, en­tão com um vo­lu­me equi­va­len­te a 7,3% de sua capacidade. De­pois das chu­vas, já em 27 de ja­nei­ro, quan­do o vo­lu­me che­gou a 20,6% da ca­pa­ci­da­de, as al­te­ra­çõ­es eram visíveis. Vá­ri­as pon­tes ru­rais que ti­nham si­do inun­da­das pa­ra for­mar o re­ser­va­tó­rio e res­sur­gi­ram com a se­ca ago­ra vol­tam a ser en­vol­tas pe­lo lí­qui­do lím­pi­do da re­pre­sa que tem a me­lhor qua­li­da­de do Sis­te­ma Paraopeba. Ilhas e ban­cos de areia que des­pon­ta­vam de lo­cais de acú­mu­lo de água es­tão mais uma vez no fundo. O ter­re­no trin­ca­do do lei­to ex­pos­to ao sol ago­ra é ris­ca­do por ras­tros lar­gos de en­xur­ra­das que aos pou­cos de­vol­vem o vo­lu­me per­di­do ao re­pre­sa­men­to que vi­nha até sen­do pou­pa­do da cap­ta­ção ro­ti­nei­ra.
O re­ser­va­tó­rio de Rio Man­so foi o que mais se be­ne­fi­ciou com as chu­vas, que in­je­ta­ram 563,3 mi­lí­me­tros num pe­rí­o­do em que o nor­mal se­ria uma mé­dia de 288,2 milímetros. Com is­so, o mai­or re­ser­va­tó­rio do Sis­te­ma Pa­ra­o­pe­ba, em Bru­ma­di­nho, e que che­gou ao vo­lu­me de 28,7% na se­ca, em de­zem­bro, subiu para 52,6%, de acor­do com o úl­ti­mo bo­le­tim da Copasa. Pa­ra o pre­si­den­te do Co­mi­tê da Sub-ba­cia Hi­dro­grá­fi­ca do Rio Pa­ra­o­pe­ba (CBH-Pa­ra­o­pe­ba), De­nes Lott, os dois re­ser­va­tó­ri­os não se re­cu­pe­ra­ram ape­nas es­pe­ran­do as chu­vas e com a cap­ta­ção que a Co­pa­sa fez no fim do ano pas­sa­do no Paraopeba. Ele lem­bra que as ou­tor­gas no en­tor­no dos re­ser­va­tó­ri­os che­ga­ram a ser re­du­zi­das de­pois de o Ins­ti­tu­to Mi­nei­ro de Ges­tão das Águas (Igam) ter de­cla­ra­do es­ta­do de es­cas­sez hí­dri­ca com res­tri­ção de uso das águas.
No Sis­te­ma Var­gem das Flo­res, em Be­tim, de 20,4% em no­vem­bro, o re­pre­sa­men­to já apre­sen­ta mais de 48%. Uma fes­ta pa­ra quem le­va mo­tos aquá­ti­cas e lan­chas ou pes­ca e na­da na lagoa. Mas es­se é jus­ta­men­te o la­do ru­im des­se au­men­to de vo­lu­me da la­goa, se­gun­do ambientalistas. “A gen­te achou que, com a se­ca, as pes­so­as fi­ca­ri­am mais cons­ci­en­tes, mas nem a la­goa en­cheu di­rei­to e já a es­tão po­lu­in­do com o com­bus­tí­vel des­sas em­bar­ca­çõ­es e o li­xo de quem não a pre­ser­va”, la­men­ta o pre­si­den­te da As­so­ci­a­ção dos Pro­te­to­res, Usu­á­ri­os e Ami­gos da Re­pre­sa Vár­zea das Flo­res, Ron­ner Gontijo. “Agra­de­ce­mos as chu­vas, mas não me­lho­ra­mos os cui­da­dos com as nas­cen­tes, há pre­fei­tu­ras que re­ti­ram água ile­gal­men­te do re­ser­va­tó­rio, há cap­ta­çõ­es clan­des­ti­nas e poluição”, lamentou. (em)

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