quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sustentabilidade urbana e a construção civil

Favela Paraisópolis, junto ao Morumbi.
Em maio deste ano, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos (ONU-Habitat) divulgou relatório sobre as cidades do mundo denominado “Urbanização e Desenvolvimento: futuros emergentes”. O relatório é resultado de 20 anos de estudos, destaca o importante papel dos centros urbanos no desenvolvimento global e conclui que o modelo de urbanização atual é insustentável.
O documento é uma contribuição para a terceira Conferência da ONU Habitat sobre desenvolvimento sustentável que ocorrerá em outubro na cidade de Quito, Equador, tendo como objetivo principal a elaboração de uma Nova Agenda Urbana para o século XXI.
Atualmente 54% da população mundial vivem em cidades e estima-se que esse percentual suba para 66% até o ano de 2050. O relatório afirma que as cidades são responsáveis por 70% das emissões de carbono em nível mundial. E com o aumento da população, cresce também o risco de intensificação da contaminação do ambiente.
Para abrigar toda essa população, 70% da superfície das cidades é constituída por moradias que definem a forma urbana, sua densidade e demandam energia e água. Nesse contexto surgem inúmeros problemas como a demanda de energia e o consumo de água. A expectativa é que para 2050 a questão de energia cresça em 40% e a de água 50%, o que exigirá cada vez mais dos centros urbanos alta capacidade de resiliência para enfrentar situações de emergência e obter fontes alternativas de energia. Levando-se em consideração esse quadro, o relatório afirma que o futuro sustentável das cidades e os benefícios da urbanização dependerão em grande medida das futuras abordagens sobre a habitação.
Deve-se levar em conta que a construção de moradias envolve diversas atividades que impactam no ambiente tais como a utilização de materiais de construção a partir de várias fontes, utilização de máquinas, demolição de estruturas existentes, uso de áreas verdes, corte de árvores, destinação de resíduos etc. Consequentemente, o segmento da construção civil, numa perspectiva sustentável deve priorizar a redução de seus impactos sobre o meio ambiente e otimizar suas atividades de forma a reduzir seus efeitos negativos antes, durante e depois da obra construída.
A nova Agenda Urbana implicará na aplicação de critérios de sustentabilidade e utilização racional dos recursos naturais disponíveis na construção, exigindo mudanças importantes nos valores que o setor da construção civil tem na sua cultura consolidada ao longo dos anos. A incorporação de princípios de sustentabilidade alterará diversos hábitos e costumes arraigados, visto que contribuem para a conservação dos recursos naturais, maximizam a reutilização desses mesmos recursos, melhoram a gestão do ciclo de vida das habitações, com redução da energia utilizada e adoção de fontes alternativas de energia como a solar, entre outros benefícios.
Hoje é possível afirmar que não é fácil mudar o sistema de construção de edifícios, pois para se alcançar a sustentabilidade nesse setor deve-se sair da rotina e eliminar os maus hábitos adquiridos em décadas de desperdício de recursos naturais utilizados nas obras. Há necessidade de mudança da mentalidade das empresas do segmento, tendo como objetivo a priorização da reciclagem em detrimento da tendência tradicional de extração de materiais naturais. Nas construções futuras deverá ser incentivada a utilização de sistemas de energia tendo como base produtos e energias renováveis.
O momento atual, com a perspectiva da retomada do crescimento no Brasil, oferece uma excelente oportunidade para as empresas do setor de construção civil e de infraestrutura. O envolvimento consistente com a sustentabilidade contribuirá para uma melhoria do posicionamento competitivo da organização decorrente do reconhecimento público de que a empresa é realmente parceira na construção de um desenvolvimento sustentável. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...