sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A Índia deve ultrapassar a população da China até 2024

A China e a Índia são os dois países mais populosos do mundo, mas vão alternar a posição e experimentar mudanças significativas nas próximas décadas. Em 1950, a China tinha uma população de 554,4 milhões de habitantes, cerca de 50% superior aos 376,3 milhões de habitantes da Índia. Em 1981 a China atingiu 1 bilhão de habitantes e tinha uma população cerca de 40% superior aos 713 milhões da Índia. Em 1998, a Índia atingiu 1 bilhão de habitantes e a China chegou a 1,27 bilhão (25% a mais). Em 2017, a China ultrapassou os 1,40 bilhão de pessoas e tinha uma população 5% superior aos 1,34 bilhão da Índia, conforme mostra o gráfico abaixo com dados da Divisão de População da ONU.
Portanto, os dois países apresentaram grande crescimento populacional, mas com a China crescendo em ritmo mais lento do que a Índia, sendo que a ultrapassagem vai ocorrer em 2024, quando a China terá 1,436 bilhão de habitantes e a Índia terá 1,438 bilhão de pessoas. O pico populacional da China vai ocorrer em 2029, com um volume de 1,44 bilhão de habitantes. O pico populacional da Índia deve ocorrer em 2061, com um volume de 1,68 bilhão de habitantes. A estimativa da Divisão de População da ONU para 2100 é de 1 bilhão de pessoas na China e de 1,52 bilhão de pessoas na Índia.
Embora a queda da taxa de fecundidade tenha começado no início da década de 1970 nos dois países, o ritmo da redução do número de filhos por mulher foi bem mais rápido na China, que apresentou TFT abaixo do nível de reposição no quinquênio 1990-95, enquanto a Índia só deve atingir níveis de fecundidade abaixo do nível de reposição no quinquênio 2030-35. A rápida queda da taxa de fecundidade na China se reflete no formato da pirâmide populacional, que já tinha uma base muito estreita em 2017 e vai apresentar uma redução ainda maior em 2050 e um grande envelhecimento populacional.
Na Índia, como mostram as pirâmides abaixo, a redução da base se deu de forma mais lenta e, consequentemente, o processo de envelhecimento populacional o ocorre de forma mais branda. Em ambos os países se nota um superávit de homens na população até o grupo etário 60-65 anos. O excedente de homens na China e na Índia é tão grande que faz o mundo possuir mais homens do que mulheres, embora a maioria dos países do globo tenham um excedente feminino.
Uma forma mais detalhada de avaliar as mudanças demográficas é observar o comportamento dos três grandes grupos etários: crianças (0-14 anos), adultos em idade de trabalhar (15-64 anos) e idosos (65 anos e mais). Nota-se que na China a população em idade ativa (PIA) chegou no pico de 1 bilhão de pessoas em 2015 e já apresenta uma tendência de redução, devendo cair aproximadamente pela metade até 2100. A redução da oferta de força de trabalho vai forçar a China a investir em tecnologias poupadoras de trabalho, para manter a produção e a renda per capita em crescimento, num cenário de elevado envelhecimento populacional.
Já no caso da Índia, o pico da PIA deve ocorrer em torno de 2050, quando haverá 1,1 bilhão de pessoas em idade ativa. Portanto, o desafio da Índia é aumentar a geração de emprego para absorver o incremento demográfico das próximas décadas. A população indiana de 0-14 anos já está diminuindo e o envelhecimento populacional vai ocorrer de forma mais lenta do que na China. A Índia é um país de renda baixa e terá um grande desafio de expandir quantitativamente e qualitativamente o nível de emprego e a produtividade geral dos fatores de produção.
Mas o maior desafio dos dois países ocorre pelo lado ambiental. Segundo a Global Footprint Network, a China tem o maior déficit ecológico do mundo e a Índia tem o terceiro maior (os EUA apresentam o 2º maior déficit). Os dois gigantes asiáticos já enfrentam problemas como a falta de água potável para o consumo humano direto e para a produção de alimentos, a poluição generalizada das águas e do solo, a poluição do ar, etc. Também são grandes emissores de gases de efeito estufa que aceleram o aquecimento global e ameaçam desestabilizar o clima planetário.
De certa forma, os desafios da China e da Índia são desafios compartilhados com a comunidade internacional e é impossível que o resto do mundo possa ignorar o que acontece nestas duas nações, que deram grandes contribuições para o mundo, mas também que contribuem enormemente para a possibilidade de um colapso ambiental global. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia

Com El Niño em 2026, região Sul ganha maior influência na formação de preços de energia. Super El Niño com mais de 80% de chance pode devast...