segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Florestas tropicais absorveram menos carbono entre 2000 e 2019

Florestas tropicais absorveram menos carbono entre 2000 e 2019, aponta NASA.

Pesquisa da agência espacial norte-americana mostra que grande parte do carbono capturado por fotossíntese foi contrabalanceada pela seca e pelo desmatamento.
Amazônia peruana.

De acordo com um estudo liderado pela NASA, as florestas tropicais estão perdendo a capacidade de absorver grandes quantidades de carbono. Entre 2000 e 2019, mais de 80% da absorção e da liberação de carbono em terra firme foi atribuída a plantas lenhosas. Em quase duas décadas, os cientistas notaram que a fração de dióxido de carbono/CO2 retida pela vegetação foi bem menor do que o esperado.

“Muitas pesquisas anteriores mostraram que as plantas absorvem bastante CO2 atmosférico”, afirma, em nota, Alan Xu, pesquisador da NASA e um dos autores do artigo, publicado no periódico Science Advances. “Isso dá a impressão de que as florestas estão crescendo e ficando maiores em todos os lugares, mas esse não é o caso”, destaca.

Com o auxílio de satélites e algoritmos, os especialistas descobriram que 90% do carbono atmosférico absorvido pela fotossíntese em florestas é contrabalanceado pela quantidade liberada por “perturbações” como seca e desmatamento. O estudo aponta também que o total de carbono emitido e absorvido nos trópicos de 2000 a 2019 foi quatro vezes superior à soma do que foi registrado nas áreas temperadas e nas regiões boreais (florestas do extremo norte) da Terra.

“A Amazônia foi considerada um importante sumidouro de carbono [área que absorve mais gás do que emite] por causa dos seus trechos de floresta conservada”, observa Sassan Saatchi, cientista da NASA responsável por liderar a investigação. “No entanto, nossos resultados mostram que a Bacia Amazônica está se tornando praticamente neutra quanto ao balanço de carbono”, constata.

O verde representa as áreas que absorveram mais carbono do que emitiram, enquanto o rosa e o roxo correspondem às regiões que liberaram mais CO2 do que armazenaram.

Segundo Saatchi, a mudança pode ser atribuída à degradação dos habitats e ao desmatamento da floresta em grande escala, que contribuem para a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, efeitos das mudanças climáticas, como secas e incêndios mais frequentes, são fatores importantes para explicar por que as florestas tropicais estão absorvendo menos carbono do que o esperado.

A partir das informações obtidas, os pesquisadores elaboraram um mapa que mostra as áreas de absorção e emissão de CO2 (veja acima). “Isso irá permitir que os países utilizem os dados como guias para atingir seus compromissos nacionais com o Acordo de Paris”, comenta Saatchi.

(revistagalileu)

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