quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Degelo da Antártida bate novo recorde em novembro/2021

O degelo da Antártida bate novo recorde em novembro de 2021.

O aumento da temperatura da Terra deverá acelerar o processo de degelo do Ártico, da Antártida, da Groenlândia e dos glaciares, o que provocará o aumento do nível dos oceanos e colocará bilhões de pessoas sob risco.

Os últimos 8 anos foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente da série histórica. O Planeta está virando uma estufa e não está apenas aquecendo, mas aquece a taxas cada vez mais elevadas. Por isso, o aquecimento global não é um problema como outro qualquer, mas sim o evento que engloba e potencializa todos os demais e obriga a humanidade a repensar suas prioridades diante da possibilidade de um armagedon ecológico.

Mesmo depois da Conferência do Meio Ambiente de Estocolmo, em 1972, das Conferências do Rio de Janeiro, em 1992 e 2012, do Tratado de Kyoto, de 1997, do Acordo de Paris, de 2015 e das 26 Conferências das Partes (COP), a concentração de CO2 na atmosfera continua aumentando e a Terra caminha para um “ponto de inflexão global” (alguns dizem que já ultrapassou o ponto de não retorno) que pode ser o início de um efeito dominó – indutor de uma série de acontecimentos desagradáveis incidindo em cascata sobre a população mundial.

Uma das consequências inexoráveis do aquecimento global é o degelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares que, em termos potenciais, no longo prazo, pode elevar o nível dos oceanos em mais de 70 metros se todo o gelo for perdido. Mesmo algo como 10% de degelo já seria suficiente para os oceanos subirem 7 metros, o que seria devastador para as áreas costeiras e para as cidades litorâneas. O gráfico abaixo, da National Snow and Ice Data Center (NSIDC) da NASA, mostra que o degelo da Antártida bateu recorde em outubro e novembro de 2021, mesmo ocorrendo em um ano pandêmico e com a presença do fenômeno La Niña.
O gráfico abaixo, também da NSIDC, mostra as variações mensais da extensão mensal do gelo marinho da Antártida, para os meses de novembro entre 1978 e 2021. Nota-se que a reta de tendência era positiva, especialmente até 2015, mas com a grande redução do gelo marinho ocorrida entre 2016 e 2021, a reta de tendência passou a ser negativa desde 2019, dando início a uma nova realidade que pode se agravar muito ao longo do século XXI.

Entre 1978 e 2016 a inclinação da reta era de 0,4 + ou – 0,8% por década. Entre 1978 e 2018 a inclinação foi 0 (zero), mostrando estabilidade total. Mas entre 1978 e 2019, pela primeira vez, a inclinação da reta ficou negativa, marcando -0,1, sendo que, nos últimos 4 anos, a extensão de gelo na Antártida ficou abaixo da média histórica. Em 2020 houve recuperação da extensão de gelo, mas em 2021 o degelo voltou a aumentar e a inclinação da reta passou para -0,2 + ou – 0,8% por década. Em novembro de 2021, a extensão de gelo ficou em 15 milhões de km2, sendo que a média de 1981-2010 foi de 15,9 milhões de km2. Portanto, a redução foi de quase 1 milhão de km2.

Sem dúvida, o degelo dos polos é um evento climático preocupante. O jornalista David Wallace-Wells tem escrito sobre a possibilidade de uma catástrofe ambiental provocada pela crise climática. Seu livro “The uninhabitable Earth: life after warming” (2019), começa com a frase: “É pior, muito pior do que você pensa”. Ele mostra que o aquecimento global vai ser abrangente, terá um impacto muito rápido e vai durar muito tempo. Isso quer dizer que os efeitos danosos das mudanças climáticas vão se agravar com o tempo e, embora todas as gerações já estejam sendo atingidas, são as crianças e jovens que nasceram e vão nascer no século XXI que vão sentir as maiores consequências do colapso ambiental. A degradação ambiental vai ocorrer em várias áreas, com a acidificação dos solos, águas e oceanos, a precarização dos ecossistemas e os desastres climáticos extremos (secas, chuvas, furacões e inundações de grandes proporções), tornando muitos lugares da Terra bastante inóspitos ou inabitáveis (Alves, 2020)

O tempo é curto e a humanidade já está perdendo o prazo para evitar os piores cenários. Em novembro de 2021 ocorreu a COP26, em Glasgow, com grande participação da sociedade civil. O lado positivo é que os países presentes reconheceram o perigo representado pelo aquecimento global, concordaram em reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) por conta da queima de combustíveis fósseis, concordaram em eliminar o desmatamento, concordaram em reduzir a emissão de gás metano, etc. O lado negativo é que houve muito blá-blá-blá, muita enrolação e pouca ação concreta e tempestiva. A crise climática não foi tratada como uma emergência e com a urgência necessária.

O aumento da temperatura da Terra deverá acelerar o processo de degelo do Ártico, da Antártida, da Groenlândia e dos glaciares, o que provocará o aumento do nível dos oceanos e colocará bilhões de pessoas sob risco de inundações e desastres climáticos cada vez mais letais. Talvez, na COP-50, a civilização faça uma autocrítica e perceba que é preciso dar um cavalo-de-pau no estilo de desenvolvimento demoeconômico. (ecodebate)

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